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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

A raiz do mau-governo, da corrupção e das negociatas

Outro artigo tirado do Sol de Sexta-Feira, onde se mostra como o país foi governado por socialistas e social-democratas nas últimas décadas, com destaque muito avançado para os adeptos do keynesianismo incutido a mascoto:




Financiamento dos partidos: a pura corrupção

Do jornal Sol de Sexta-Feira passada:

Esta pouca-vergonha aqui exposta em fait-divers não foi replicada noutros media, que eu saiba. É o costume porque o financiamento dos partidos políticos, em Portugal é isto e muito mais. É esta a fonte primária da corrupção em Portugal, há muitos e muitos anos. Uma vergonha nacional que corrói as instituições mais que outra coisa e que permite uma anomia generalizada porque os cidadãos não se ralam com isto. Os media também não porque afinal, os partidos são a "base da democracia" e como tal fazem o que bem lhes aprouver uma vez que vituperar os mesmos é cuspir na sopa. Por vezes literalmente, como acontece nos media do Estado, como a RTP.  Não esperemos por isso que o senhor da Ponte mai-lo Ferreira se ocupem destas matérias. 
Não esperemos também acções do MºPº porque esta corrupção não foi criminalizada. Foi apenas administrativizada. Relativizada. Amaciada. Abafada. Esquecida. 

Assim, o que sucede em casos como este de descarada corrupção partidária? Quase nada.

A lei de financiamento dos partidos e campanhas eleitorais proíbe expressamente esta recolha de fundos, nestes moldes, "anónima" e à socapa. Proíbe mas não proíbe como deve ser. Senão vejamos a  Lei 19/2003 de 20 de Junho ( já com alterações, como é costume em Portugal):

Artigo 7º
(Regime dos donativos singulares)

1 — Os donativos de natureza pecuniária feitos por pessoas singulares identificadas estão sujeitos ao limite anual de 25 salários mínimos mensais nacionais por doador e são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência bancária.
2 — Os donativos de natureza pecuniária são obrigatoriamente depositados em contas bancárias exclusivamente destinadas a esse efeito e nas quais só podem ser efectuados depósitos que tenham esta origem.

E o que acontece se não forem respeitadas estas regras, como neste caso não foram? Acontece isto que é uma pouca-vergonha nacional:

Artigo 29º
(Não cumprimento das obrigações impostas ao financiamento)
1 — Os partidos políticos que não cumprirem as obrigações impostas no capítulo II são punidos com coima mínima no valor de 10 salários mínimos mensais nacionais e máxima no valor de 400 salários mínimos mensais nacionais, para além da perda a favor do Estado dos valores ilegalmente recebidos.
2 — Os dirigentes dos partidos políticos que pessoalmente participem na infracção prevista no número anterior são punidos com coima mínima no valor de 5 salários mínimos mensais nacionais e máxima no valor de 200 salários mínimos mensais nacionais.
3 — As pessoas singulares que violem o disposto nos artigos 4.º e 5.º são punidas com coima mínima no valor de 5 salários mínimos mensais nacionais e máxima no valor de 200 salários mínimos mensais nacionais. (...)


O que esperar depois disto? A anomia completa dos jacintos leites capelos rego...

E que não haja qualquer dúvida: não vão ser os zorrinhos ou montenegros ou mesmo os jerónimos de mandíbulas afiambradas à "burguesia" que vão modificar esta pouca-vergonha.

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Raqueliscte

Ontem, no programa Prós & Contras, a moderadora Fátima Campos Ferreira convidou alguns jovens e outros menos jovens para se falar publicamente e na tv dos tempos que virão, em Portugal.

Em determinada altura apareceu na audiência de espectadores presentes, um jovem de 16 anos que contou a sua experiência como empresário de produção de roupa casual para jovens, mostrando uma daquelas peças que dantes se chamavam de "fato de treino", com capuz dependurado atrás, para o tempo frio da noite. É a moda actual, copiada não se sabe de onde mas com significado universal. 
O rapazito falou da sua experiência como empresário e mostrou um saber prático e uma sabedoria circunstancial notáveis. Disse que teve uma ideia para produzir daquelas peças de roupa para jovens, baratas e com desenho adequado e para competir com as mais caras,  de marcas conhecidas.  Procurou quem as produzisse e conseguiu vender em quantidade que considera promissora, com técnicas de vendas testadas por outros ( publicidade com as raparigas bonitas da escola) e através de meios modernos ( internet).
Tanto bastou para que saltasse para o palco mediático, a fervilhar a indignação mal contida, uma "convidada" para o debate ( só esta Campos Ferreira se lembraria de convidar uma aventesma deste tipo para um debate deste género). Interrompeu o testemunho do jovem para o vituperar ali mesmo a propósito dos "modos de produção", perguntando-lhe quanto ganhavam os que produziam tais roupas e se porventura seria mais que o salário mínimo. O discurso destoou de tal modo daquilo que se estava a ouvir que o rapaz respondeu-lhe logo que mais valia ganharem o salário mínimo do que estarem desempregados, o que não foi razão para calar a interpelante cujo nome apareceu no monitor: Raquel Varela. A lição que o rapaz lhe deu não encontrou eco algum porque esta gente não ouve os outros a não ser os do antro do costume.

Uma consulta ao Google com as palavras "Raquel Varela ISCTE" devolve-nos uma informação interessante. Esta Raqueliscte doutorou-se nesse pequeno antro da esquerda portuguesa moderna de onde saem todas as ideias mais perversas que temos actualmente na sociedade portuguesa. De tal modo que se fechassem o sítio, só teríamos a ganhar como portugueses.
A mesma Raqueliscte foi a autora, há uns tempos, de uma obra polémica na qual sustentava que o PCP e Álvaro Cunhal nunca quiseram "fazer uma revolução socialista em Portugal".
Nessa altura, há cerca de dois anos,  o blogger jmf57 escreveu isto:

Abre-se o Público e, logo na página 4, aparece-nos um texto (sem link) que nem sabemos como classificar. Alguém que o jornal identifica como historiadora, defende que Álvaro Cunhal “nunca quis fazer uma revolução socialista em Portugal”e que “nunca existiu o risco de o PCP tomar o poder em Portugal” nos anos de 1974 e 1975. Diligente, acrescenta: “esse argumento … foi utilizado pelo PS para aliar-se aos sectores mais reaccionários da sociedade, nomeadamente a hierarquia da Igreja e das Forças Armadas”.
Como não li ainda o livro que justifica a entrevista – A História do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand) – não vou discutir a argumentação, apesar de a amostra visível na conversa com Raquel Valera (assim se chama a historiadora) indiciar uma grande fragilidade. A principal é assumir que a recusa do PCP em participar no golpe do 25 de Novembro é sinal definitivo de que Cunhal nunca ambicionou tomar o poder e só quis “estar integrado num Governo com o PS, negociar lugares com os socialistas”.
Comecei por ficar algo baralhado sobre o tipo de motivações políticas que poderiam estar por detrás destas teses (e do palavreado marcadamente ideológico da entrevista) e procurei saber um pouco mais sobre Raquel Varela. A hipótese de ser próxima do PCP desvaneceu-se ao tropeçar num post de Vitor Dias, em que este se indigna por esta ter subscrito, num colóquio sobre “Os Comunistas em Portugal” organizada pelo remanescente do grupo Política Operária, “a tese muito defendida em alguns meios esquerdistas que o PCP traiu a Revolução aliando-se à burguesia e reprimindo as suas aspirações populares”
 Encontrei depois Raquel Varela num dos cantos mais radicais da blogosfera, o 5Dias, e ainda como directora de uma revista que desconhecia chamada Rubra, ligada a um grupo de militantes da ultra-esquerda (não consegui perceber exactamente qual a ligação da revista com o grupo Política Operária, que foi fundado pelo desaparecido Francisco Martins Rodrigues).

Esta Raqueliscte tem lugar cativo nos media portugueses porque as campos ferreiras e anas lourenços e outros do género, acham esta gente giríssima das ideias e que este tipo de intelectuais têm opinião que deve ser escutada. Acima das outras... porque a esquerda que praticam já nem sequer é a fóssil. É mais do género do gás que se extrai dessa matéria fóssil: ideias incendiárias para um novo prec.
Esta vergonha nacional protagonizada pelas campos ferreiras e anas lourenços não tem fim.

Na RTP1, já chegamos à Madeira, há muito tempo.

Os jornalistas da RTP José Adelino e Rita Marrafa anunciaram publicamente numa das últimas edições do telejornal em formato alargado a uns improváveis 360º que "nos Açores está a decorrer o julgamento de um bailarino cubano. É acusado de extorsão a um padre, alegadamente após o final de uma relação"...

O vídeo é como o algodão...e por isso a menção aos Açores pode mesmo ouvir-se.

Acontece que a notícia refere-se a um caso que a mesma RTP anuncia como ocorrendo...na Madeira. 
É este jornalismo, tipo para quem é bacalhau basta, que a RTP serve diariamente aos espectadores. Os repórteres Adelino e Marrafa recebem mais,  por isso.

Os economistas prestam para alguma coisa?

Tirado do Público de Domingo, um artigo de um professor estrangeiro ( daqueles que a Univ Católica (!) e o seu afamado curso de gestão de altos negócios- Católica-Lisbon School of Business & Economics - cita) mostra-nos que os economistas são uma espécie recente de cartomantes do indizível :




Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Era destes autarcas que precisávamos mais...

Este pequeno artigo vem publicado na edição de  ontem do jornal regional de Viana do Castelo, Aurora do Lima.
É da autoria de um ex-professor ( de Português) e  que costuma escrever este tipo de crónicas neste estilo escorreito que suplanta o de muitos do jornalismo nacional-croniqueiro.
Merece ser lido por isso e também porque transmite algo importante para se perceber que os autarcas não são todos iguais. O autarca referido do escrito ( da Câmara de Ponte de Lima) merecia maior exposição pública e se um dia fosse ao Prós & Contras explicar o que é muito simples e outros autarcas e governantes parecem não compreender, teríamos todos a ganhar com isso.



A Organização política e administrativa da Nação era ensinada no Estado Corporativo...

Agora não. Parece que não é preciso a não ser para quem tal estuda na Universidade e só em alguns cursos. Não admira por isso a quantidade de ignaros dessas matérias que proliferam pelos canais de tv, como cogumelos depois da chuva.

Até ao dia 25 de Abril de 1974 ensinavam-se nos antigos liceus, no sétimo ano ( actual 11º) rudimentos bem desenvolvidos e bem explicados sobre a organização do nosso Estado, então dito Corporativo. O tal que os comunistas, socialistas e compagnons de route para os amanhãs a cantar insistem em classificar como "fascista". Ainda hoje. E com alguma razão porque a Constituição da República Portuguesa aprovada em 1976 ( publicada em 10 de Abril de 1976) tinha um preâmbulo surrealista. Assim:


Este pequeno texto onde se afirmam coisas estapafúrdias a modo de programa intencional constitucionalmente consagrado, como a obrigação de o Estado de Direito democrático " abrir caminho para uma sociedade socialista", com a conotação evidente que tal assumia em 1976, continuou pelas décadas fora a sevir de farol para esses amanhãs que deixaram de cantar, mas ainda tentam balbuciar a intenção na CRP.

Não foi mudada uma vírgula sequer, nas revisões de 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004  e 2005. Querem ver? Aqui fica o preâmbulo da última revisão constitucional de 2005:

Não admira por isso que agora se questione se vale a pena ensinar direito constitucional ( a Constituição)  aos alunos do actual secundário. Ensinar o quê, afinal? Balelas? A história da tomada de poder ideológico pela esquerda comunista e socialista, sem oposição válida dos que não aceitam esse programa e tem contemporizado ao longo de décadas com essas balelas sem as denunciar explicitamente?

No dia 25 de Abril de 1974, mais precisamente no dia seguinte, 26 de Abril, uma Sexta-Feira, costumava ter no Liceu que então frequentava, aula de OPAN. Pois foi essa a primeira vítima da Revolução cultural que se seguiu: acabou logo ali, para gáudio dos alunos que achavam aquilo e o modo como era ensinada, uma "seca", como agora se diz.  Nesse dia, o professor apareceu na aula para explicar que não valia a pena ensinar nada mais daquilo porque em Abril o programa já abrangia o estudo de matérias que provavelmente iriam ser alteradas. E assim foi. Acabou a OPAN que ficou como símbolo cultural do "fassismo" dito por um sibilante Domingos Abrantes  de dentes raros.

No entanto, com o recuo do tempo de décadas é possível verificar que o estudo dessa matéria nos dias que correm não fazia nada mal aos alunos do secundário e tirando os textos fundamentais de então ( Constituição Política de 1933, Estatuto do Trabalho Nacional, Código Administrativo ( este menos), Lei Orgânica do Ultramar e Acordo Missionário)  as "noções fundamentais" continuam a ser as mesmas.
Ora verifique-se o índice do manual...





E nestas duas páginas ( mais duas que acrescentei para que se possa ler o que já não se lê, agora, em lado nenhum) de texto percebe-se que os alunos de então eram expostos mais cedo a certas realidades cívicas e políticas que actualmente nem cheiram, sequer nas faculdades. E dizem que o Estado Corporativo de Marcello Caetano era "fassista", "obscurantista" e outros istas...


Anda, Pacheco!

Pacheco Pereira tem uma entrevista notável no Jornal de Negócios de hoje que comprei de propósito para a ler.
Aqui fica uma página:

É difícil não concordar com a lucidez de Pacheco Pereira, nesta página. Porém, é sempre a mesma coisa com este indivíduo: cospe na sopa, mas sempre de longe e com protecção.

Nunca o Pacheco Pereira que escreve crónicas numa revista do mainstream que aqui critica por promiscuidade excessiva escreveu lá isto que diz aqui. Nunca, na SIC-N, onde tem uma avença e um programa ( que lhe rende certamente uns cobres) foi capaz de dizer isto olhos nos olhos e frente a frente a um Jorge Coelho, evidentemente uma das figuras maiores da corrupção nacional que aqui Pacheco denuncia ou um António Costa, um político medíocre e com os tiques todos daqueles que Pacheco critica. Ou denunciar o jornalismo promíscuo de uma Ana Lourenço e outros. Nunca. Never. Eppure...

Pacheco Pereira cospe na sopa, sim, mas de longe e a bom recato. Sempre. E por isso a autoridade que poderia ter, como intelectual da Marmeleira ( sem ofensa) é muito diminuída. E para um intelectual, a carência de credibilidade é a morte traduzida na irrelevância.

A cultura de rifoneiro faz muita falta...

R.R:

A um mês do Verão, a neve continua a cair na Serra da Estrela. O cenário branco impede, esta sexta-feira de manhã, a circulação automóvel nas estradas de acesso ao maciço central.

Se quem isto escreveu fosse um pouco mais versado em rifões da cultura popular portuguesa saberia que... "em Maio come as cerejas ao borralho".

Provavelmente nem saberá que coisa é essa do "borralho"...e por isso vemos a notícia assim escrita como se o frio em Maio fosse algo esquisito " a um mês do Verão". São estas pequenas coisas que nos mostram o país em que nos tornamos.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

A saga do Inenarrável continua...

Lux.pt:

O inesperado aconteceu. Esta terça-feira, o actual e o ex-primeiro-ministro viajaram no mesmo avião da TAP. No entanto, Pedro Passos Coelho viajou em económica e José Sócrates em executiva.

O primeiro-ministro regressava a Lisboa depois da apresentação em Paris do relatório da OCDE sobre Portugal. Já José Sócrates, estudante em Paris, regressava à sua cidade natal.

À partida, Pedro Passos Coelho cumprimentou o seu antecessor e á chegada trocaram breves palavras, uma vez que viajavam em classes distintas.

Carlos Moedas, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, ainda entregou ao ex-primeiro-ministro o relatório da OCDE que tinham acabado de receber em Paris, mas Sócrates, que era o único passageiro da classe executiva, optou por ler «Marianne», revista francesa de informação geral e assumidamente de esquerda.

Numa viagem em que Pedro Passos Coelho se limitou a cumprir a regra que impôs a todo o governo no início do mandato, José Sócrates teve ainda uma compensação inesperada, uma vez que o controlador de voo o cumprimentou primeiro do que actual líder do Governo.


José Sócrates aparentemente não tem dinheiro para mandar cantar um cego.  Mas viaja em executiva ( passageiro único...)  desloca-se em Mercedes série S, e outras coisas. Em resumo, faz vida de rico. Grande rico, note-se. Uma viajem de Paris para cá, em Executiva, na TAP, quanto custará?
O jornalismo caseiro, esse, faz de conta que isto é muito normal. Normalíssimo.

Silva Lopes, o economista do socialismo em transição...

R.R. :

O antigo ministro das Finanças, Silva Lopes, sai em defesa das taxas que o Governo pretende aplicar sobre as pensões.
O economista, que falava esta terça-feira à margem de um debate sobre o Orçamento do Estado e a Constituição, em Lisboa, diz que a geração mais nova está a ser asfixiada pelos mais velhos.
“A geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui. Não pode ser. Eu sou pensionista, sou da geração grisalha, quem me dera a mim que não toquem nas reformas, mas tocam, vão tocar e eu acho muito bem. Não há outro remédio”, defende Silva Lopes.
O antigo ministro considera a Constituição e a interpretação que o Tribunal Constitucional faz da lei podem contribuir para o agravamento da crise em Portugal.
“Sou a favor da contribuição de solidariedade social, sou a favor desta taxa que o Governo agora promete e que, se calhar, também vai ser declarada inconstitucional. E digo uma coisa: se nós temos a Constituição e a interpretação do Tribunal Constitucional a impedir estas coisas, isto rebenta tudo”, adverte Silva Lopes.

Sobre este personagem socialista, verdadeiro "pai" dos economistas do keynesianismo socialista, reverenciado, antigo ministro de Soares, é preciso dizer um pouco mais, relembrando o passado. Como foi dos "pais fundadores" da democracia que temos, teve sempre direito às honras inerentes dos conselhos de administração. Sempre. Acabou a vida profissional reformado como ninguém, pago por todos nós, sempre, apesar dos descontos que fez. Mereceu? Alguém o diga.

É ler o que já escrevi aqui sobre o assunto, ilustrado com esta imagem. Após o 28 de Setembro de 1974, com a "reacção" ( Spínola, um herói nacional ainda no mês anterior...) rechaçada pelos comunistas de todas as esquerdas, Silva Lopes e o inefável Melo Antunes ( o militar informado e lido que os demais respeitavam por isso) gizavam um "plano" ( era o mote, então) para a nossa economia de "transição". Transição para quê? Para o socialismo, voilà! E Silva Lopes cavalgava a onda, como outros. 


 
Há quem se interrogue sobre o modo como passamos de uma economia tipicamente capitalista, com mínima intervenção do Estado ( mas com empresas privadas "protegidas" pelo mesmo) antes de 25 de Abril de 1974, para uma economia mista com grande prevalência de um sector público, numa inversão completa de valores económicos e até sociais, logo nos primeiros meses de 1974 e que culminaram nas nacionalizações de 11.3.1975, a caminho do socialismo e da "sociedade sem classes" como ficou a constar na Constituição de 1976.

Há documentos de época que o mostram e são curiosos porque esquecidos. Não foi apenas o PCP e a esquerda extremada que fizeram a transição revolucionária do PREC. Há outros menos conhecidos e que ficam bem na fotografia.

No início de 1975 havia um governo com ministros como Maria de Lurdes Pintassilgo, Rui Vilar ( actual administrador da Gulbenkian), Vítor Constâncio ( sempre na ribalta) e Silva Lopes, o actual reformado do Montepio que acumula reformas como quem junta cromos. E no centro de todos, o falecido Melo Antunes, do Conselho da Revolução, um dos órgãos de poder no Portugal de então. Um grande poder que só viria acabar anos mais tarde.

No artigo da revista que se estende por três páginas, titula-se muito claramente, ainda antes das nacionalizações e com o apoio sorridente daqueles ministros " Da Social democracia ao projecto de socialismo". O que aí se pode ler é apenas o plano antecipado das nacionalizações que viriam dali a um mês. Mas o plano estava já delineado. O que os comunistas fizeram, afinal, foi lançar as redes ideológicas que apanharam muito peixe graúdo, como os que figuram na foto.

O caso de Silva Lopes, então, é emblemático. Quem o ouve falar hoje em dia, sobre reduções de salários na função pública e não só, esquece que foi um dos obreiros técnicos da miséria a que chegamos. Mas nunca se deu por achado.
O que aconteceu em 11 de Março de 1975, na sequência do golpe da esquerda, foi apenas o corolário do ambiente ideológico criado ao longo do ano. As nacionalizações fizeram jus ao "programa económico" patrocinado por aqueles. "dinheiro do povo para o povo" titulava a V.M. de 20.3.1975. Vítor Constâncio e Silva Lopes não diziam menos que isso. Por isso mesmo foram sempre funcionários diligentes na gestão do "dinheiro do povo" e por isso mesmo é que acabaram ricos, enquanto funcionários públicos. Os demais que se amolem. Que não fossem parvos, ao votar neles e dando-lhes sempre o benefício da dúvida.
Para sustentar o ambiente deletério em que se vivia contra o capitalismo e o "fassismo", havia os media. Para comprovar que eram todos de esquerda, basta isto: um artigo de um tal Luís de Miranda Rocha, na Vida Mundial de 5.12.1974 a informar que " a direita" andava à procura da sua informação. Para bom entendedor...
Nota apócrifa: Luís de Miranda Rocha, segundo o google,já falecido prematuramente, era um poeta-jornalista. É exactamente o paradigma desse tempo: poesia no jornalismo. A realidade entre parêntesis.


 Como se pode ler acima, em finais do ano de 1974 a putativa e mítica "direita" portuguesa nem sequer um jornalzinho decente tinha para se afirmar e combater as doidices da esquerda comunista. Nada. Todos os media dos joões paulos guerra da época estavam tomados.  E ainda hoje estão, porque nada aprenderam e nada esqueceram.

Para terminar e ainda sobre Silva Lopes vale a pena rememorar esta historieta contada pelo Sol há uns tempos e que já transcrevi aqui, ocorrida escassos dois anos depois de 25 de Abril e numa altura que o Estado controlava toda a economia que interessava aos comunistas: indústria pesada nacionalizada, banca e seguros nacionalizados, Constituição a a afirmar o caminho irreversível para a sociedade sem classes e parvoices ideológicas do género. Ainda assim não conseguiram fazer um décimo do que a economia "burguesa" dos fassistas de Caetano lograva, com taxas de crescimento de fazer inveja hoje em dia.
Será que esta lição não lhes serve de nada?  Será que não aprendem com as asneiras graves que praticaram? Silva Lopes nunca se desmanchou com isto, como bom socialista democrático que sempre foi. E ai de quem o fizesse que tinha logo Silva Lopes a chamar "fassista" ou seja lá o que for...

Com estes exemplos todos, o que esperar da esquerda portuguesa senão desgraça e mais desgraça? Será que não aprendem?

"Normalmente, o ministro das Finanças, quando se dirigia para o seu gabinete, passava pelo Banco de Portugal. Várias vezes, sempre ao princípio da manhã, entrava e subia ao segundo andar para trocar impressões com o Governador. Consegue adivinhar quem era? Silva Lopes, precisamente. O sítio ficava na rua do Comércio e o economista, num dia dramático, mostrou-lhe uma espécie de folha de caixa onde constavam 61 milhões de dólares. Medina Carreira ficou atónito porque com aquele dinheiro em tesouraria o país não conseguiria pagar ordenados no final do mês.
O ministro telefonou de imediato para a embaixada americana e a secretária de Frank Carlucci informou-o que o embaixador estava a caminho da Galiza- Medina Carreira pediu-lhe para o avisar que não atravessasse a fronteira sem com ele falar. Telemóveis não existiam e os dois, ministro e governador, pediram um avião particular ao Banco Português do Atlântico e perto de Viana do Castelo alugaram uma carrinha cinzenta, o mais discreta e impessoal que conseguiram. Com Medina Carreira a guiar dirigiram-se ao Hotel de Santa Luzia e subiram ao terraço. Carlucci esperava-os. Ouviu-os com atenção. E não precisou de lhes dizer que iria contactar a Casa Branca. Considerava impossível resolver o problema. Portugal, na sua opinião, deveria pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional. Tudo o resto eram lenitivos.Regressaram no seu carro discreto e o Governo não demorou muito tempo a cair. A moção de confiança pedida por Soares foi derrotada no Parlamento com os votos do Partido Comunista e de toda a direita. "

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Os jornalistas de partido

Estou neste momento a ver na SICN a jornalista Ana Lourenço, uma jornalista que não consegue disfarçar sequer a tendência política, no modo como coloca perguntas e faz observações a respostas do entrevistado da noite, Octávio Teixeira do PCP.

É incrível como estas jornalistas são admitidas a apresentar jornais nacionais de notícias que transformam em plataformas de propaganda política descarada e neste caso em favor da esquerda. Não há um mínimo, um módico de isenção política, de esforço pluripartidário ou de pudor, sequer. Esta gente julga que o jornalismo é isto. Quem é que lhe deu esta alforria? Onde se formou esta gente? No ISCTE?  Que jornalismo é este? Que porcaria é esta?

Por mim, quanto mais vejo o "orelhas" Rodrigues dos Santos mais valor lhe dou. Parece-me um dos únicos jornalistas dignos do nome.

Os herdeiros de Louçã e o jornalismo dos fretes políticos à esquerda




Ontem o Público dava três páginas de propaganda política grátis ao Bloco de Esquerda. Sob o pretexto dos seis meses de "liderança conjunta" a jornalista Leonete Botelho mai-la jornalista Rita Brandão Guerra foram ouvir Catarina Martins e João Semedo para este dizerem de suas graças.

O discurso do Bloco de Esquerda lembra actualmente o discurso da esquerda radical no período imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974, embora sem o radicalismo verbal da época. A essência, porém, é a mesmíssima de sempre destes trotskistas aggiornatos que nunca tiveram a ventura de governar fosse o que fosse, politicamente relevante, em qualquer país do mundo. Nem em Chipre e sabemos o que por lá sucedeu. Mas não desarmam, evidentemente, porque apanharam a chama acesa do marxismo-trotstkismo e estão apostados em levá-la a um pódio imaginário de ideias perdidas nas brumas do Prec.

A entrevista conjunta diz nada de especial ou relevante, a não ser que este governo não presta, a troika "que se lixe" e que o PS é um partido aproveitável à esquerda se a esquerda se deslocar para um centralidade imaginária que se torne alternativa. "O BE bate-se para que esse centro se desloque para a esquerda do PS", é o discurso político actual e táctico do BE.
E, porém, o que é a esquerda que o BE representa, verdadeiramente? As duas jornalistas do frete político não lhe perguntam nada sobre tal ponto essencial. Não perguntam e ficamos sem saber se não acham relevante ou apenas se consideram que basta que o BE mencione uma vaga ideia de "esquerda" para automaticamente se tornar consensual o entendimento a par do que pode significar igualmente tal ideia de esquerda para um PS imaginário e recentrado nessa margem.
Há muito tempo que o Público navega nessa água choca sem que se separem verdadeiramente as águas essenciais. O patrão Belmiro, capitalista e burguês,  já avisou paternalisticamente, que não tolera muito mais tempo de prejuízos de um ou dois milhões ao ano e por isso o jornal é bem o paradigma dessa esquerda mítica que vive de ilusões com base em princípios que não ousam invocar ou mesmo evocar publicamente. Não ousam porque temem o efeito.
O Bloco de Esquerda, tal como o PCP, é uma esquerda comunista, em Portugal. É essa a verdade que importa discutir publicamente e saber se o comunismo, tal como o defendem- um na vertente trotskista e outro na vertente hard-core, neo-estalinista e saudosista de Cunhal- é viável, já não digo em Portugal mas em qualquer país da Europa ocidental, para não dizer do mundo. Há décadas que vivem nessa contradição escondida e oculta e fazem tudo para mistificar a realidade política em que vivem a fim de obter votos que lhes permitam minar por dentro " a burguesia". Estas ideias nem sequer são tão escondidas como isso porque basta ler o que publicam internamente ou para consumo militante ( O Militante, por exemplo) para se entender que o PCP ou o BE nada mudou nas últimas décadas, relativamente a essas ideias peregrinas que ninguém nos media de maior audiêndia parece interessado em expôr e denunciar como mentiras encapotadas para enganar os eleitores. Ninguém parece interessado e, pior que isso, tomam como absolutamente normais em termos democráticos tais partidos que não são democráticos como conhecemos a democracia porque têm um conceito da mesma completamente diverso. Vivem bem essa contradição porque actuam por fases. Esta fase actual corresponde sem tirar nem pôr, à fase do pós-25 de Abril de 1974, em que o capitalismo e a burguesia ainda mandavam no país ( os chamados "Donos de Portugal", como Loução lhes chamou em livro) e portanto o discurso de um João Martins Pereira, já aqui publicado e abaixo repetido, ainda se apresentava em pézinhos de lã politicamente delicada. Porém, logo a seguir ao 11 de Março de 1975 basta ler o que escreveram e disseram os mesmos para se entender o que pretendem, ainda hoje. Este blogue têm vários documentos de época em que tal é manifesto.
Assim, agora, como nesta entrevista, o discurso é táctico, encoberto, com os objectivos traçados  no curto prazo ( abaixo a troika, não pagar a dívida, demissão do governo de "direita", eleições para captarem votos em conjunto com outra esquerda conveniente, no caso o PS férrico ou assim tipo Pedroso e ficam por aqui. Para já. Depois disso virá o tempo em que "as revoluções comem os seus filhos" e já está. O processo de aceleração virá depois. Por enquanto o compasso é de espera e mistificação com estes idiotas úteis dos media que lhes servem às mil maravilhas...

Mas houve já ocasiões em que esse discurso de separação de águas foi bem enunciado e vale a pena recordar, porque o líder na sombra, Louçã, continua presente. "Ele é o mesmo de sempre", dizem os entrevistados. Olá se é! E como é?

Assim, sem tirar nem pôr ( a não ser para as leonetes e ritas que preferem não saber muito bem como é que estas coisas depois funcionam na prática. Não viveram o PREC e a ideia de "esquerda" serve-lhes para o imaginário político, o BE e o seu guru Louçã já se confessaram claramente a quem quis ler e agora prefere não lembrar. Em Agosto de 2009 à revista Sábado, esta entrevista muito reveladora dava conta dos segredos escondidos do comunismo caseiro à moda trotskista:

 Para que não restem dúvidas e as leonetes e ritas ( e as lourenços da sicn, etc etc) tenham maior pejo ou vergonha em não mistificar ainda mais o que é preciso desmistificar de vez, já em tempos escrevi aqui o seguinte, em Agosto de 2009:


Diz assim Louçã, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":


"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:


"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."


Quem comparar os discursos percebe imediatamente a aldrabice inerente: a um discurso radical de alteração das estruturas sociais vigentes e a substituição de um modelo de produção que implica uma autêntica revolução e um PREC, Louçã apresenta hoje um discurso edulcorado e mistificador cuja essência se entende melhor quando Rogeiro lhe pergunta o que é o "modelo económico" do BE. Repare-se na (não) resposta:


"Queremos fazer grandes correcções ( já não quer a tal revolução profunda?), que contribuam para a justiça na economia ( afinal já desistiu de substituir o capitalismo por "uma forma de democracia social"?). E é tudo o que diz sobre o tal modelo alternativo. Sem que Rogeiro adiante nada mais...
Ora isto é um grande embuste de Francisco Louçã. Tal como Jerónimo de Sousa, o verdadeiro esquerdista português, dizia em Janeiro de 2008: o Bloco de Esquerda "é um partido social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante, caindo muitas vezes no anti-comunismo".

O discurso de Louçã, hoje em dia, leva à letra uma táctica trotskista conhecida de gingeira: a integração de outras realidades práticas e contextuais, no interior de uma força política atenta ao fenómeno e com habilidade política suficiente para passar por muito natural e integrado, o que representa uma revolução social com custos incalculáveis. Nada de grandes proclamações revolucionárias. Isso fica para depois, quando os tansos votarem e se aperceberem, tarde demais, do logro em que caíram. E não haja dúvidas que é nisso que Louçã aposta forte: "Não teremos [votos para ganhar]nestas eleições, mas chegará o dia em que havemos de os obter". É assim, a falta completa de vergonha no embuste. E não se vê muita gente a denunciar este aldrabão político. Apenas Vasco Pulido Valente e mais um ou outro.
Mas...atenção! Este gajo é perigoso. Muito perigoso, para a democracia. Porque utiliza o discurso aparentemente democrático para convencer papalvos. E papalvos não faltam.

O discurso de Louçã, hoje, não se distingue uma vírgula que seja do discurso social-democrata deste PS adepto, também ele, de um "socialismo democrático".
Então o que distingue essencialmente o discurso político BE ,do do PS? Para mim, uma simples realidade: o grau de aldrabice política, no BE, é muito superior ao do PS. Com a subtileza de que o discurso do BE é completamente falso. O do PS apenas mistificador de uma realidade que nunca praticaram: o socialismo.

De resto para se enquadrar todo este modo de pensar ideológico é necessário retomar o discurso de um João Martins Pereira, recentemente publicado aqui e enunciado logo a seguir ao 25 de Abril de 1974. Claro que as circunstâncias eram outras, politica e economicamente. Porém, os princípios são exactamente os mesmos, enunciados em modo semelhante e que agora passam como se fossem da nossa plena democracia burguesa.
Não haverá ninguém que lhes esfregue com isto na cara mentirosa, a esta gente da esquerda nacional-comunista? Não basta o que fizeram em Março de 1975? Querem repetir a dose, agora em modo de farsa? E com uma agravante de tomo: estes idiotas úteis que aparecem nos media a promover esta ideologia não sabem o que estão a fazer? Acham que isto é normal? Vêem disso em algum outro país europeu?
Se julgam que vêem, então leiam o Le Nouvel Observateur, a Marianne, já para não falar das revistas mais à direita. 

Acham que na Inglaterra o Economist ou o Guardian dão guarida a este tipo de gente, como aqui, em Portugal? E na Alemanha, a Der Spiegel? 
Porquê, esta miséria repetida, década após década em Portugal, de conceder a esta esquerda fóssil todas as honras da casa mediática se os mesmos só aparecem para nos roubarem o que há no frigorífico? 
Est modus in rebus, como se costuma dizer. A democracia implica o respeito pelas ideias opostas, contrárias e até ideologicamente perversas. Em Portugal, a democracia abrange apenas a ideologia esquerdista com extensão a umas franjas de uma certa direita que nem sequer se assume como tal porque dificilmente o poderia fazer. E o resto do espectro político? 
É isto a democracia que temos, com a agravante de essa esquerda radical tomar literalmente conta do espaço mediático actual com a complacência dos diversos directores de informação? Essa gente é ignorante, idiota ou o que é exactamente?
Os patrões mediáticos,  Balsemão e  Belmiro não sabem que é assim? Claro que sabem porque o que dizem quando dizem é exactamente isto porque são capitalistas e burgueses que vivem de explorar o trabalho alheio, na retórica marxista. Acham porventura que esta gente os pouparia num futuro próximo se tomassem o poder político? Se acham, o melhor é estarem atentos ao discurso do bolchevista Arménio, esse tresloucado do neo-prec nacional.
Como é que esses capitalistas toleram as leonetes e lourenços que acaparam esta gente sem qualquer pudor ideológico, não se sabendo se por ignorância ou pura parvoíce?  É por isto ser democracia? Mas isto é alguma democracia, conceder tempo de antena quase exclusivo a quem nos quer desgraçar uma vez mais? Se assim o entendem porque não concedem o mesmo tempo de antena ao lado oposto? Acham que os media franceses concedem o mesmo tempo de antena a Marine Le Pen e a Mélenchon? Pois aqui deviam fazê-lo porque democracia, nesse conceito idiossincrático, será isso.







Mário Soares: o desmemoriado desmiolado

Económico de hoje:

"Paulo Portas, líder do segundo partido da coligação, tem sido humilhado de várias formas". Quem o diz é o ex-presidente da República, Mário Soares, no seu artigo de opinião publicado hoje no Diário de Notícias.

Público de 3.8.2003: 

Paulo Portas, líder do CDS e ministro de Estado e da Defesa, é um "tumor" que está a "contaminar" o Governo e que deve ser "extirpado", ou seja demitido, o quanto antes, defendeu, ontem, em entrevista à Antena 1, o ex-Presidente da República Mário Soares. "Devem extrair o tumor e isso é demitir o ministro", disse Soares. O "devem" refere-se ao Presidente da República e ao primeiro-ministro.


Não há ninguém que lhe diga, com autoridade: "por que no te callas?"

Domingo, 12 de Maio de 2013

O fado do futebol nacional: nossa senhora de Fátima!

Antes de 25 de Abril de 1974, dizem os antifassistas de hoje,   era um horror de obscurantismo e miséria. Dizem, escrevem e ensinam nas escolas às crianças de hoje. O futebol aliado ao fado e com Fátima em fundo eram a trilogia sagrada da "alienação" completa do povo que assim era mantido na ignorância do marxismo-leninismo, luz e farol da Terra da libertação dos oprimidos do jugo do imperialismo, fassismo e  burguesia. O discurso era este, embora por outras palavras que a Censura não permitia estas alarvidades escritas em letra de forma.
No diário República, dirigido pelo maçónico Raul Rego, fundado do PS, no número especial de 31 de Dezembro de 1973 fazia-se uma resenha do ano desportivo. Assim,  é ler o apontamento do comunista estalinista Castrim, casado depois com Alice Vieira e a quem Vera Lagoa chamava "koxinho das estepes". Para o comunista-cronista diário do Diário de Lisboa estava tudo mal no desporto nacional:

 E como era o desporto futeboleiro nacional tratado nos media de larga circulação,  logo em 1966, quando Salazar ainda tinha noção de quem era? Assim, como mostra o Século Ilustrado de 30 de Abril de 1966, praticamente na mesma altura da época que hoje. Duas páginas singelas, com fotos e era geralmente todo o destaque que era dado ao futebol. Nas décadas anteriores tinha havido a revista Stadium, com imagens fotográficas fantásticas ( lembro-me de  folhear no início dos sessenta, números antigos que o meu pai tinha guardados ) das jogadas mais emociantes dos jogos de futebol. Em 1966 era mais ou menos assim:

Em 12 de Maio de 1967 ( faz hoje 46 anos) a revista Flama publicou este número que é bem um exemplo do que era o dito do nacional-esquerdismo ambiente: Fátima, Fado e Futebol encontravam nesse número, concentrados exemplificativos do fenómeno.

Em primeiro lugar a capa aludia à vista do então Papa Paulo VI, a Fátima, por ocasião do cinquentenário das aparições.  Larga reportagem fotográfica sobre a vista.
Estas duas páginas dão um "apanhado" interessante do modo como era tratado o fenómeno "Fátima", mesmo pela Igreja e que contrasta e desmente o que o nacional-esquerdismo dos rosas e flunseres escrevem habitualmente para enganar papalvos.  É ler...

E sobre o Fado da trilogia? Ora, Amália e não só, era motivo de notícia no mesmo número. Espectáculos no Olympia e até um jovem Vítor de Sousa ( depois convertido ao nacional-esquerdismo) dava ar da graça...



Sobre o Futebol o menu era de facto mais completo, até porque se estava no fim do campeonato. Era assim, com o Barreirense em destaque:

Mas não só. Também o grande Eusébio teve honras de duas páginas sobre um comportamento digno de um Cantona, décadas depois...e só apetece dizer que se fosse hoje, Eusébio nunca teria a estátua no recinto da Luz. E aposto que esta foto não consta do museu do estádio do "glorioso". Isso era certo, mas então o senso comum era outro. Nestas como noutras matérias. Hoje, o sentido politicamente correcto não permitiria que Eusébio se safasse apenas com um comentário de bom senso.




Por exemplo, no mesmíssimo número dessa revista apareciam duas páginas sobre uma instituição da época que o nacional-esquerdismo estuporou em dois tempos a 11 de Março de 1975 e hoje gostaria de voltar a fazer o mesmo se pudesse e houvesse mais cufs. Como não há, o bolchevista Arménio mais o comparsa Jerónimo, electricista de folga há décadas, lembram-se apenas do Marques dos Santos, do Belmiro e do Amorim como ovelhas negras da sociedade portuguesa que  preferem.

E ainda no mesmo número que hoje faz 46 anos, do tempo de Salazar, aparece este artigo muito, mas mesmo muito interessante sobre o ensino universitário em Portugal e comparado com outros países...é ler para desfazer mitos do nacional-esquerdismo:


Portanto, para desfazer mitos bacocos do nacional-esquerdismo continuemos para mostrar outras imagens do Futebol antes de 25 de Abril de 1974.
Por exemplo, em 1968,o Benfica era capa da Flama de 17 de Maio desse ano. Era o tempo em que no Porto apenas se trabalhava e Pinto da Costa ainda andava a vender candeeiros.




 O Século Ilustrado de 22. 2 1969

 A Flama de 8 de Janeiro de 1971 volta ao Benfica, com um Artur Jorge que fora da Académica...

É deste Benfica que um Mexia tem saudades e quer que ganhe para dar incremento ao PIB...

E os jornais diários, como tratavam o futebol? Com duas páginas no máximo e muito menos espavento que hoje em dia. Por exemplo, o Diário Popular de 31 de Dezembro de 1971, um Domingo :

O Diário de Lisboa, reduto do nacional-esquerdismo já na época, era mais sucinto nas notícias do desporto-rei. No número de 16 de Outubro de 1972, uma Segunda-Feira:

E no dia 2 de Dezembro de 1973, um Domingo, o Diário de Lisboa, outra vez, por ocasião de um clássico ( ou será um derby?):


E na televisão, como era? "Se bem me lembro" ( e o Século Ilustrado de 14 de Fevereiro de 1970 ajuda)  era assim: vinte minutinhos, ao Domingo. E era tudo...



Mas não é tudo, nacionais-esquerdistas de todos os matizes: tenham vergonha quando falarem dos três "fff". Lembrem-se que quem "alienou" o povo, fostes vós. Vós mesmo.

O Futebol é um fado. Valha-nos a senhora de Fátima!

SAPO:

Fonte da PSP também confirmou à Lusa ter recebido que a informação de que dois jornalistas da RDP foram agredidos à saída do jogo de FC Porto-Benfica, mas que ainda não chegou qualquer participação oficial das vítimas sobre as agressões.

Em declarações citadas pelo site do jornal Record, o jornalista da Antena 1 Fernando Eurico, um dos agredidos, juntamente com o técnico de som Manuel Augusto, descreveu a situação, que ocorreu quando se preparavam para sair à rua para recolher depoimentos de alguns adeptos.

«Uma situação inacreditável. Estava a colocar o equipamento para fazer a reportagem móvel no estádio, eu e o Manuel Augusto, quando fomos violentamente agredidos por um adepto. Depois, logo a seguir, vieram outros, que continuaram a agredir fisicamente e com insultos. Além disso, foram dando pontapés no carro, impedindo-nos de sair», descreveu o jornalista.

Fernando Eurico referiu ainda ter sido «uma situação absolutamente lamentável» e acrescentou: «O Manuel está todo 'rebentado' e eu também apanhei bastante. Pouco depois, fomos aconselhados por outros adeptos do FC Porto, esses bem mais calmos, para abandonar o local».

«É uma situação que faz repensar se vale a pena continuar a trabalhar nisto. É o reflexo dos adeptos que temos, neste caso um do FC Porto, que incendiou os ânimos. Trabalho há 25 anos nisto, sempre tive boas relações com toda a gente... Parecia um filme de terror!», concluiu.

O FC Porto deu no sábado um passo importante para conquistar o tricampeonato, ao receber e vencer o Benfica por 2-1, em jogo da 29.ª jornada da I Liga de futebol. Os "dragões" assumiram a liderança da da prova com 75 pontos, mais um do que os "encarnados", quando falta apenas uma ronda para terminar o campeonato.


Perguntem agora aos jornalistas agredidos o que pensam da expressão "Fátima, Fado e Futebol", a qual serviu de arma de arremesso, durante muitos anos, contra o regime de Salazar/Caetano. E perguntem ainda como é que o regime que o substituiu lida com o fenómeno desportivo do futebol. E que importância tem actualmente, com três diários impressos e horas e horas de televisão em horário mais que nobre porque esticado à exaustão, com declarações em directo de comentadores avulsos e residentes sobre os jogos das jornadas e as jogadas no defeso.
Perguntem-lhes o que significa isso e comparem com o passado...
Pode ser que aprendam alguma coisa que as marias são josés soletram depois em prol dos blocos de esquerda.

Ricardo Espírito Santo está de volta e reconfortado

O Diário de Notícias de ontem publicou uma entrevista extensa ao presidente do BES que ainda há seis meses estava de saída da instituição bancária do regime que nos conduziu à bancarrota. Já não está e até parece reconfortado na cadeira do topo da administração
Na altura, em Novembro de 2012, as notícias eram preocupantes como uma nuvem negra que se abatia sobre o patriarca da oligarquia banqueira. O destino do banqueiro era muito incerto e a cadeia um paradeiro possível o que seria coisa impossível no Portugal que temos e somos. Em França, Alemanha ou outros países do género, provavelmente não haveria escapatória. Por cá, há sempre um RERT providencial, gizado por mão amiga enquanto os isaltinos expiam o bode. Se isto é Justiça, é coisa que os antigos não compreendem:

O Banco Espírito Santo (BES) está a discutir a sucessão de Ricardo Salgado como presidente da comissão executiva. Apesar de o mandato do economista apenas terminar em 2015, existem receios entre os accionistas e os administradores de topo do banco de que os estilhaços do processo Monte Branco possam atingir o banco, segundo fontes bancárias.
A operação Monte Branco, nome pelo qual ficou conhecido o inquérito judicial a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), foi publicitada pela comunicação social em Maio passado aquando da detenção de Michel Canals, Nicolas Figueiredo e Francisco Canas (mais conhecido por “Zé das Medalhas”). Esta sociedade de direito suíço dedicava-se à gestão de fortunas e tinha muitos clientes portugueses. Canals e os seus sócios são suspeitos de liderarem uma rede de evasão fiscal e de branqueamento de capitais que terá ultrapassado, segundo o semanário “Sol”, a soma de mil milhões de euros.
Segundo a revista “Sábado”, o presidente executivo do BES terá estado sob escuta no âmbito das investigações judiciais. Também José Maria Ricciardi, membro do conselho de administração do BES e líder do BES Investimento, teve as suas comunicações telefónicas interceptadas por ordem do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre. Ricciardi negou duas vezes em comunicado o seu envolvimento no inquérito do DCIAP.

 Ricardo Salgado é portanto um sobrevivente reconfortado pelo Ministério Público português em carta pública de limpeza de imagem e reabilitação:  em 30 de Janeiro deste ano, o Jornal de Negócios anunciava que  a PGR emitiu um despacho em que considera que Ricardo Salgado não é suspeito no caso Monte Branco. E que não existem indícios de crimes fiscais. 
E pronto. Ricardo está pronto para outra...perdão, para outro RERT.

Ricardo Espírito Santo, cuja história de família, na Boca do Inferno,  vale  a pena ler,  é o regressado do limbo por obra e graça do espírito  gratificante do MºPº de um certo DCIAP e mostra outra vez de que massas é feito, dando palpites avulsos sobre a Economia, o dinheiro e tudo o que só o compadre mediático também sabe fazer.

 Infelizmente a História é o que é e os documentos são uma arrelia para estas pessoas com memória selectivamente obliterada:



 

Sábado, 11 de Maio de 2013

Noronha Nascimento: o podador aprendiz

Noronha Nascimento está prestes a deixar o lugar de presidente do STJ e quer, agora por sentir " uma necessidade psicológica muito grande de me libertar disto",  aprender a podar árvores. Se o fizer com a mesma mestria com que, em tandem ( com parecer prévio do PGR), podou as escutas da "extensão procedimental" do Face Oculta, teremos alguém que percebe verdadeiramente da poda.

O Expresso entrevistou-o em duas páginas que me obrigaram a comprar o "pasquim", como lhe chamou Vasco Gonçalves em 1975 ( andamos a repetir a História e por isso parece adequado).

Que diz NN de relevante sobre o caso de sempre e que marcou indelevelmente e por muitos anos o prestígio da magistratura portuguesa de topo ( Noronha e Pinto Monteiro)? O Expresso conta que NN tem 2,3 milhões de referências na Internet e a maior parte serão sobre o processo Face Oculta e a sua decisão de mandar destruir as escutas que envolvem José Sócrates.  NN, sobre isto, diz coisas que custam a acreditar.

Em primeiro lugar, acha que não sabe se foram todas destruídas, mas que se forem publicadas "em algum sítio tenho a certeza de que trarão sequelas ao nível de indemnizações". Tem a certeza mesmo? E como pode ter tanta certeza perante decisões do TEDH sobre estas matérias? E como pode ter tanta certeza perante o que um catedrático como Costa Andrade escreveu a propósito das suas decisões neste caso?  NN sabe de direito processual penal para se atrever a estas proclamações de autoridade baculínea? E como é que tem a necessidade de reafirmar isto que aliás já afirmou em tempos? Porquê, este tipo de declarações

Depois, ao explicar pela enésima vez menos uma ( falta a completa) como lhe foi colocado o problema, diz:

A 22 ou 23 de Julho de 2009 recebi uma chamada do PGR Pinto Monteiroa dizer que tinha de ir a Lisboa. Perguntei se era urgente, ele disse que não e fui para Porto Santo fazer praia. Voltei a 5 de Agosto e foi aí que soube o que era. "Tem isto aqui e tem de ser você a decidir o que fazer". Tinha uns cd´s  e uns volumes marcados com post-its nos sítios onde interessava, onde estavam os resumos com as conversas do primeiro-ministro. E aquilo era tão pouco que eu disse ao meu gabinete: mandem-me um carro com segurança, porque tenho que ler os volumes todos. Peguei em tudo e fui para o Douro, para uma casa que tenho sobre o rio. Li aquilo e pensei: querem enganar-me. Tem de haver mais que isto. Estava na varanda a ver aquilo tudo, um por um, a ver se havia escutas escondias além das assinaladas. Controlei os resumos todos e foi uma surpresa: a montanha pariu um rato. Nas escutas de Sócrates só havia conversas pessoais: "vou jantar, estou estoirado, vou dormir". 

Vejamos estas declarações actuais de NN e comparemo-las com outras mais antigas sobre o mesmo assunto:

Em primeiro lugar, NN já disse ( escreveu) que tinha lido as escutas e as tinha dado a ler. A quem, pode perguntar-se e NN pode responder? Consta que foi a outro conselheiro do STJ, Henriques Gaspar, mas é preciso dizê-lo e qual o seu papel neste processo.
Depois, já disse que não leu as escutas todas e nesta afirmação não se quer referir a todas as escutas mas apenas ao que lhe foi apresentado. Os tais "resumos" de que agora fala e que já disse que não leu tudo, afirmando agora que o fez. Como explica esta discrepância grave em quem afirma ter tão boa memória?

Em Fevereiro de 2010, no auge do escândalo público sobre este assunto, NN sentiu necessidade de fazer um périplo relâmpago por todas as estações de tv(!) algo inédito num magistrado, para explicar o que tinha feito. E que disse então? Foi aqui analisado e além do mais isto:

Noronha Nascimento referiu que os magistrados de Aveiro, nos seus despachos, reportam-se a "dezenas, dezenas, dezenas, dezenas e dezenas" ( cinco vezes dezenas) de escutas e ele, Noronha, apenas apreciou uma dúzia! E ainda acentuou outro pormenor que se torna espantoso: disse para quem quis ouvir que as escutas não são provas, serão quando muito meios de obtenção de prova. E depois acrescenta que nas escutas que ouviu , -mas não ouviu todas, confessadamente-, não havia provas de crime algum...e ainda apresentou um exemplo ou dois, sobre o assunto. Disse que se por acaso houver uma escuta em que alguém diz a um terceito que outrém cometeu um crime de corrupção ou até um homicídio, essa escuta nada vale porque terá que se complementar com outras provas.

Como é que agora pode vir dizer que leu tudo quando antes disse o contrário?

Quando o jornalista ( Rui Gustavo que deveria estar melhor preparado para esta entrevista) lhe diz que houve um procurador e um juiz que diziam haver indícios de atentado ao Estado de Direito que responde NN?

"Então essas escutas não vieram".

Sério, isto? Se for assim, é preciso indagar o papel do antigo PGR e saber com pormenor se as escutas enviadas na "extensão procedimental" abrangiam factos relativos àqueles indícios porque o que NN agora diz é muito grave. Havia ou não factos relativos a essa circunstância, no expediente que remeteu ao NN? Mais uma vez, NN coloca em causa o comportamento de Pinto Monteiro e torna-se necessário averiguar isto.

Depois, NN refere-se ao facto de não lhe terem mandado as escutas no prazo devido e mesmo assim, relevou tal circunstância, desvalorizando-a. Agora, o jornalista pergunta-lhe claramente se "pôs a hipótese de esquecer a  questão dos prazos se houvesse suspeitas?" e NN diz até esta coisa espantosa para um magistrado nas funções de juiz de instrução criminal: "Pus, mas depois de ler tudo cheguei à conclusão que não havia".

Ou seja, já disse que não leu tudo. Agora diz que leu tudo e esquece o fundamental e que revela um desconhecimento gravíssimo da lei processual capaz de originar um procedimento disciplinar a um magistrado de primeira instância: relevaria pessoalmente uma nulidade absoluta do processo...que se verificou comprovadamente, como a lei processual determina e Noronha já o confirma novamente nesta entrevista. Assim, já aqui explicado:
A lei processual penal aprovada em 2007 impõe sem margem para qualquer dúvida, ao MºPº, sob pena de nulidade ( que é absoluta) a apresentação dos elementos de escuta telefónica ao juiz de instrução no prazo " máximo de 48 horas"- artº 188º nº 4 na redacção da época.
Não há qualquer dúvida sobre isto e Noronha Nascimento que invoca o mesmo artigo para justificar a destruição das escutas por "irrelevância de conteúdo", devia sabê-lo. E escrevê-lo. Escusando-se a argumentar que as escutas nada têm de relevante e coisas assim. São nulas? Sê-lo-ão, sim, mas por este motivo primeiro.

Como é que Noronha Nascimento, representante máximo da magistratura judicial, uma das figuras protocolares do Estado explica isto?

Mais: como é que explica devidamente isto, também, perante o que Costa Andrade já escreveu?