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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A desincultura agrícola é outra desgraça...

Um(a) jornalista do Observador encontrou um título para designar o que se passa entre o primeiro-ministro António Costa e o anterior PM, Passos Coelho: "sol na eira de Costa. Chuva no nabal de Passos".

Quem ler o parágrafo seguinte tropeça nesta prosa:

"A meteorologia económica do Governo e da oposição não coincide. Pedro Passos Coelho e António Costa — um ex-primeiro-ministro, o outro primeiro-ministro em funções –, têm marcado o discurso político das últimas semanas como se vivessem em universos paralelos. Para o primeiro, vivemos debaixo de uma atmosfera que adivinha tempestade. Para o segundo, o sol brilha apesar das nuvens ameaçadoras. O Observador olhou para os números e falou com economistas: o clima não está assim tão bom, mas também não se espera que venha a ficar assim tão mau. Não há grande sol na eira, mas também não troveja no nabal."

O ditado antigo que menciona o sol na eira e chuva no nabal  não tem aquele significado, mas um outro mais interessante: refere-se aos que querem tudo de agradável ao mesmo tempo, mesmo contrariando as leis da natureza.
Para quem entende esse ditado, o desejo de sol na eira e chuva no nabal é o máximo que se pode desejar porque concita a maior utilidade possível na agricultura.

No jornalismo, pelos vistos, é doutra maneira: a chuva é sempre um mal e o sol o bem supremo...

A geringonça da informação é uma desgraça nacional

Passos Coelho, agora na Oposição ao Governo, disse ontem publicamente e com destaque noticioso em tv´s coisas simples e que todos entendem. Duas delas merecem ser mencionadas em primeira página por qualquer jornal que tivesse do jornalismo a noção que deveria ter: informar com isenção o que se revela útil para o conhecimento da nossa realidade.

Uma afirmação de Passos referia a descida no investimento público realizado por este Governo em comparação com o anterior, contrariando até propósitos declarados de keynesianismo inflamado.

Só um jornal de hoje refere tal facto na primeira página: o i.

Outra afirmação tem carácter ideológico e politicamente é um apanhado que nenhum jornal deveria ter deixado escapar porque revela uma clivagem político-ideológica capaz de suscitar uma discussão acerca da natureza da geringonça governamental: "Quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?"

Nenhum jornal nacional de relevo se dignou mencionar em primeira página tal questão.

No entanto essa é uma das questões magnas na sociedade portuguesa actual, perceber a natureza do regime que temos, das contradições ideológicas que o atravessam e no final de contas compreender porque se chama geringonça a uma organização de governo com apoio parlamentar de partidos que não comungam ideologicamente dos mesmos propósitos e se encontram em campos opostos no modo de entender a sociedade e a política. A democracia não poderá funcionar sem problemas de maior se existir no seu seio quem queira acabar com a mesma, tal como é entendida na Europa ocidental.
O PCP, apesar dos aggiornamentos de décadas continua o mesmo de sempre e que levou Álvaro Cunhal a garantir a uma jornalista italiana do L´Europeo ( Oriana Fallacci) que Portugal jamais teria uma regime parlamentar semelhante ao da Europa ocidental. O PCP não mudou uma vírgula nesse entendimento ideológico de fundo; apenas de táctica, por muito que o deneguem, como aliás fizeram mentindo sobre aquele propósito declarado.

O BE, como se extrai das declarações avulsas dos seus líderes é um partido revolucionário, trotskista que se vai adaptando ás condições objectivas que encontra, oposto em muitas coisas ao PCP mas similar no desiderato: o socialismo não democrático.
Tanto o PCP como o BE são partidos de esquerda marxista com ideias muito afastadas das dos demais do espectro político no que se refere à organização económica da sociedade.

Esses factos e realidade são escamoteados continuamente por uma informação enfeudada ideologicamente a uma esquerda mítica, sempre a mesma, que tem apenas uma ideia base: a oposição ao capitalismo tal como se conhece. Agora chamam-lhe mercados, neo-liberalismo e outros epítetos, mas fundamentalmente é sempre a velha luta de classes que está impregnada no espírito de quem escreve e dirige os jornais. O PCP e o BE são os aliados naturais nessa luta de sempre porque uma boa parte dos jornalistas, os desta e os da geração anterior, estiveram sempre próximos dessa ideologia.

O que Passos Coelho disse- ninguém que tenha dinheiro para investir vai enterrá-lo num país que não protege ou garante o rendimento desse dinheiro- é uma afirmação de um senso comum que não se encontra nos jornais e tal fenómeno, só por si, merece estudo e reflexão.

Nos últimos 40 anos o discurso da esquerda marxista e mesmo daquela que meteu o marxismo na gaveta não suscita confiança nos investidores. O capitalismo desertou de Portugal em 1974 e nunca mais se recompôs tal como existia, apesar de essa esquerda marxista estar sempre a dizer o contrário.

As grandes empresas estrangeiras, os "monopólios", no dizer pitoresco dos marxistas do PCP e quejandos, não querem nada connosco porque conhecem muito bem o ambiente de prec permanente que existe neste Portugal de geringonça ideológica.

Os capitalistas endinheirados que surgiram em Portugal desde há 40 anos ganharam o dinheiro a vender mercearias e pouco mais. A indústria que existia e desapareceu nos anos 80 fruto da gestão inacreditável da esquerda não marxista, não voltou a aparecer do mesmo modo.
Os sectores que em Portugal exportam sabem pouco a português antigo e nenhum deles é capitaneado por qualquer capitão de indústria ou núcleo familiar que dantes existia.
As maiores exportadoras resultam de recomposições de antigas empresas que eram privadas em 1974, foram nacionalizadas em 1975 e resultaram em geringonças sem alma nacional, incluindo a TAP ou a GALP. As estrangeiras que vieram para cá estão no sector automóvel e similar e as construtoras civis de maior vulto são fruto do regime de proteccionismo prático e eventualmente corrupto através de verbas comunitárias para as autoestradas do futuro comprometido em PPP´s.

 Nas vinte maiores empresas nacionais ( entre 10 mil milhões de euros e mil milhões de euros de facturação, o que é um retrato da nossa pobreza) as de energia e comunicações levam a parte de leão. Os merceeiros levam o resto que  nem é muito, relativamente.

 Quem produz artefactos para vestir e calçar mantém uma economia florescente no Norte do país, tendo sobrevivido miraculosamente aos precs. Quem produz na agricultura, idem. Mas são uma ínfime parte do que somos economicamente e uma sombra pálida do que poderíamos ser.

Não há muito tempo tínhamos cerca de 11 das 100 maiores empresas europeias a operar em Portugal. Em 2009, no tempo de um Inenarrável PM tínhamos 3 das maiores empresas de construção civil europeia e percebe-se bem porquê...

As vinte maiores empresas europeias nada têm a ver connosco e estão concentradas na área dos serviços e da construção automóvel.

A empresa suíça Novartis, do sector farmacêutico tinha há cerca de dez anos uma facturação que era quase o triplo na nossa maior empresa ( Petrogal).
A Volkswagen por exemplo e porque temos por cá uma espécie de entreposto deles, tem uma facturação anual de mais de 250 mil milhões de euros.

Em Portugal, há poucos anos, as 1000 maiores empresas facturavam nem sequer 150 mil milhões de euros, em conjunto...

Com estas realidade como é que se compreende que os jornais e os jornalistas nacionais dêem o destaque e a importância que efectivamente dão ao PCP e ao BE e ao mentor da actual geringonça que não sabe bem onde está e para onde vai?

Como é isto possível e principalmente durar ininterruptamente há mais de 40 anos, sem grande alternativa?





domingo, 28 de agosto de 2016

Delírio paroxístico


Sapo24:


Catarina Martins: “O país sabe que o BE é uma garantia de estabilidade”

O padreca laico falou e disse...tirou o chapéu e foi-se.

Louçã, o novo guru da esquerda que não alinha pelo PCP, disse coisas sobre a União Europeia. Essencialmente diz que é um projecto falhado:

Francisco Louçã considera que "a União Europeia é um projecto falhado" porque "representa o contrário do que prometeu", com o único argumento do poder de que é "preferível ser temido do que ser amado".

De facto é um projecto cuja falha maior é não conceder carta de alforria a projectos deste género já por aqui mencionados há tempos:

Diz assim Louçã, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":
"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:
"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

Não admira nada que a UE seja um projecto falhado. Enquanto não se aproximar desse magnífico projecto de realismo fantástico que é o de Louçã, será sempre falhado. 
Ainda há quem dê ouvidos a este maluco? Que esperam para lhe cortar a colecta quase diária de microfones que lhe põem para ouvir estas baboseiras e outras ainda piores?

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A (re)visão permanente do esquerdismo militante

Este texto de José Vítor Malheiros ( o nosso Jacques Julliard porque quem não tem cão caça com gato)  no Público é bem o exemplo dos equívocos que lavram nos nossos media há mais de 40 anos a esta parte.

Parte logo de um pressuposto falso: o domínio dos media nacionais pela "não esquerda", ou seja e para simplificar, pela "direita" seja lá isso o que for e no artigo é identificado como a actividade política dos empenhados em " impor na esfera política e em defender no espaço público uma agenda de privatização de serviços públicos, desregulação económica, liberalização do mercado de trabalho, destruição de direitos sociais e demonização do Estado".
Esta parece ser a definição operacional da "direita" por contraposição à de esquerda, definida como a defesa das actividades "empenhadas em difundir um ideário de combate às desigualdades e à injustiça social e em noticiar a actualidade a partir de um ponto de vista socialmente empenhado e intelectualmente independente dos poderes vigentes."

Este equívoco enunciado em sofisma permanente é o ideário da divisão "esquerda-direita" tal como o conhecemos em Portugal desde há longos anos. Não é, no entanto, o ideário do tal Jacques Julliard que costumava escrever pequenos textos na revista francesa Marianne e que se pautava por critérios de esquerda, assumidamente. Portugal tem uma esquerda marxista marcada por longos anos de lavagem cerebral vindos directamente do PREC de 1974-75.

Leia-se agora o resto do artigo do esquerdista português que escreve em jornais como o Público para vituperar a existência de uma escrita desconforme e desviada dos cânones daquela esquerda enunciada do modo exposto:

 Imaginem que o jornal online Observador, em vez de ser um órgão de propaganda da direita neoliberal, criado e financiado por empresários conservadores empenhados em impor na esfera política e em defender no espaço público uma agenda de privatização de serviços públicos, desregulação económica, liberalização do mercado de trabalho, destruição de direitos sociais e demonização do Estado, fosse um projecto criado e financiado por pessoas ligadas à esquerda, empenhadas em difundir um ideário de combate às desigualdades e à injustiça social e em noticiar a actualidade a partir de um ponto de vista socialmente empenhado e intelectualmente independente dos poderes vigentes. 
É evidente que, nessas circunstâncias, não veríamos um elemento do Observador a ocupar um lugar cativo nos painéis de comentadores da RTP e, se por acaso esse jornal fosse alguma vez citado por outros órgãos de comunicação social, seria identificado como “o jornal de esquerda Observador” ou “o jornal Observador, ligado aos meios da esquerda radical” e os jornalistas que assim o identificassem considerariam estar a fazer uma descrição não só objectiva mas necessária da fonte em causa.
Porque é que isso não acontece, simetricamente, e pelas mesmas razões, com o actual jornal Observador e porque é que este não é sempre apresentado como “o jornal de direita Observador” ou “o jornal Observador, ligado aos meios da direita radical”?
Isso acontece devido à hegemonia do pensamento conservador que considera “normal” que se seja de direita, e portanto não digno de ser sublinhado ou sequer referido, e “anormal” que se seja progressista, e portanto exigindo referência que sublinhe esse “desvio”. Para este pensamento hegemónico, ser de direita não é ser nada porque essa é a posição “natural”, enquanto ser de esquerda é ser algo “não natural”. Era precisamente pela mesma razão que, durante o Estado Novo, os apoiantes de Salazar “não faziam política”, por muito radicais que fossem nesse apoio em todas as facetas da sua vida, e os oposicionistas eram considerados “políticos”. 
É evidente que os jornalistas, de direita ou de esquerda, sabem que é tão marcadamente ideológico ser de direita como de esquerda, mas por que razão sublinham então uma coisa e passam a outra em branco? Em certos casos, por mimetismo irracional. Muitos querem apenas to blend in e seguem a onda, imitam os colegas, as revistas, os famosos, os gurus que aparecem nos media – e estes são esmagadoramente de direita mesmo quando “não falam de política”. Noutros casos, por mimetismo premeditado. Querem apenas passar despercebidos e não pôr em risco o seu posto de trabalho. Noutros casos por cálculo. Querem fazer carreira, seja onde for, e aprenderam na escola de antijornalismo por onde andaram que a adulação funciona e que não se pisam os calos dos poderosos. Noutros caso por medo. A direita conservadora está no poder e tem o dinheiro, a força e muito da lei do seu lado. Noutros casos, devido ao ritmo industrial de produção imposto na maior parte das redacções, que obriga a aproveitar a informação primária tal como chega de algum centro de poder e a republicá-la sem tempo para a editar, reconstruir, verificar seja o que for ou sequer pensar. Noutros casos por pura distracção, porque o vento reaccionário é tão constante que se torna hipnótico. Noutros casos ainda, uma minoria, por consciente adesão a um modelo ideológico que se pretende reproduzir.
Estas circunstâncias têm todas algo em comum. São todas contrárias à deontologia que rege o jornalismo, que obriga a uma total independência dos poderes e à adopção de uma atitude de equidade e saudável cepticismo em relação à informação recebida das fontes, oficiais ou não.
Seja qual for a razão em cada caso particular, é por isso que continuamos a ver os noticiários cheios de citações nunca contraditadas de Pedro Passos Coelho, diga este as inanidades que disser no seu escasso léxico e por frágil que seja a sua situação política no interior do partido, e é por isso que qualquer pergunta a um político de esquerda está sempre dedicada a tentar encontrar brechas no entendimento parlamentar à esquerda, mesmo quando elas têm de ser inventadas por uma edição imaginativa. Porquê? Porque é preciso sublinhar, em cada momento, a contranaturalidade de um governo apoiado pela esquerda. Pensamento hegemónico da direita dixit. É também por isso que os pivots fazem uma careta quando dizem o nome de um dirigente do PCP mas não quando dizem o nome de um dirigente do PSD, numa demonstração de sectarismo que pode ser inconsciente, mas não é por isso menos sectária. É por isso que, numa entrevista de Catarina Martins publicada neste jornal, tem de ser colocada em título uma frase que dá a ideia contrária ao pensamento expresso pela entrevistada (dando a impressão de que, se fosse hoje, o BE não assinaria o acordo com o PS) mas que é conforme ao ar do tempo, sempre hegemónico, da direita.

Para esta esquerda militante contra o neo-liberalismo ( dantes era apenas o capitalismo, tout court) não devia existir o direito de alguém poder desviar-se do cânone estabelecido por eles próprios, segundo um ideário marxista. E se o fizesse, como aparentemente será o caso do Observador, deveria, em nome da decência democrática, ser denunciado e apresentado em pelourinho de opinião publicada como herético e desvirtuado dos valores político-morais dominantes.
A fogueira virtual seria apenas simbólica mas real na intenção de censurar e podar ideias adversas, eliminando a liberdade de expressão de tais propósitos. Tal como há  quinhentos anos e desde então, em regimes que gostavam de ideário único e sem grandes contraditórios ideológicos. Esses regimes são precisamente os que essa esquerda apresenta como alternativa aos fassismos vários que apresentam sempre como o mal absoluto e irrefutável, o que se revela de uma contradição assinalável pela cegueira ideológia que ostenta.

Mesmo este argumento mergulhado na sua contradição, não encontra qualquer resistência uma vez que é contornado pela ideia simples de que o socialismo ou um regime de esquerda não é fatalmente catalogável entre os abominados totalitarismos, apesar de as evidências histórias o demonstrarem. Há sempre uma réstea benevolente nas virtualidades teóricas de tais regimes e por isso são desprezados os que denunciam a incoerência evidente. Pura e simplesmente, para esta esquerda, a realidade não a afecta porque vive sempre na virtualidade. O que é mau poderia ser bom e se fosse experimentada a receita certa sê-lo-ia pela certa. É assim que resolvem o paradoxo, do modo clássico e experimentado. O facto de ser sempre mau, com experiência comprovada de muitas décadas, não demove estes crentes da fé primitiva e original apresentada por Marx e desenvolvida por outros teóricos estudados.
O Mal absoluto para os crentes desta seita politicamente albigense que reescreve a História como uma permanente récita acerca de uma luta de classes é a famigerada "direita" que apesar de muitas vezes nem se assumir como tal é reconhecida pela preferência de classe. O sofisma, entranhado como está já não lhes estranha.  

É neste contexto que se pode ler a seguinte entrevista notável ( publicada no último número da revista História -Jornal de Notícias) do historiador do anti-fassismo primitivo, Fernando Rosas que teve um avô revolucionário e um tio salazarista e optou por afeiçoar as ideias daquele, eventualmente por defeito politicamente genético.

A entrevista não está completa porque a última parte não interessa tanto. Nestas páginas está o catálogo completo do ideário da esquerda comunista acerca o nosso devir histórico do séc. XX, contado do modo que sempre foi contado por estes esquerdistas: sempre a perspectiva marxista da luta de classes e sempre a perspectiva que denega a legitimidade histórica de quem governou Portugal nas décadas de 30 a 70 desse século.
Estas pessoas preferiam que Portugal tivesse sido regido pelo comunismo, apesar de tudo o que aconteceu nos países que tinham tal regime e que os mesmos tinham o dever de conhecer. Este Rosas particularmente e que se diz historiador tinha o estrito dever de perceber o totalitarismo aberrante que defendia como solução para o salazarismo. Não se dá por achado, continua na sua pesporrência ideológica a defender o indefensável e a acusar os demais historiadores que não pensam do mesmo modo, de "revisionistas" ! Pasme-se!

Gostaria que um Rui Ramos ou um Vasco Pulido Valente, citados na entrevista lhe respondessem e entrassem em polémica, mas isso é pedir muito, se calhar.
Porém, essa discussão tarda e não chega para recuperar o tempo perdido de 40 anos de esquerdismo militante nos media em modo de opinião unificada. A esquerda comunista conseguiu nos media o que nunca conseguiu nos sindicatos do trabalho: a unificação da linguagem.
Quando Rosas fala ( pág. 66) no ambiente vivido em Portugal nos anos do PREC é claro: a hegemonia era de esquerda. E os media acompanhavam, até hoje, com pequenos nichos de aldeias gaulesas ( o Observador, por exemplo)  que nem sequer lutam de modo igual para desbastar essa linguagem malfazeja porque nem se dão conta do mal que provoca. É esse o grande segredo da Esquerda ou pelo menos o mais bem guardado porque visível a quem o souber ver: a manutenção da linguagem esquerdista como referência léxica.






terça-feira, 23 de agosto de 2016

Portugal e o Mercado Comum em 1973

Para quem julga que Portugal se virou para a Europa por ter abandonado África aqui ficam seis páginas que o desmentem, da revista Observador de 15 de Maio 1973. O Mercado Comum não foi descoberto por Mário Soares como alguns ainda escrevem...:


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As memórias míticas do esquerdismo militante.

No fim de semana duas entrevistas suscitaram atenção devido ao assunto: a visão de esquerda extremada e mediática sobre o país que somos.

Na Sexta-Feira, o Jornal de Negócios publicou uma entrevista com Jacinto Godinho, filho do Sérgio e que andou a realizar uma série em documentário sobre "a Pide" e alguns dos seus agentes. Coisas com 40 anos que, afinal, e segundo o tal Jacinto ainda não se encontram explicadas. E é este Godinho, filho do outro que as vai agora explicar.
Assim:

Ontem, Domingo, o Público fez mais um frete ao Bloco de Esquerda e publicou uma entrevista extensa com Catarina Martins, com as banalidades esquerdistas do costume e que o Público tem acaparado. O que a mesma diz sobre aquilo em que acredita chega para todos se precaverem da desgraça que se anuncia. É de fugir, pela banalidade deste mal que se anuncia como redenção, mas é disto mesmo que o jornalismo do Público gosta.


Quem ler estas duas entrevistas fica com uma imagem bem nítida do que 40 anos desta democracia deram ao país: um retrato distorcido do que foi a vida em Portugal há mais de 40 anos, no tempo do "fassismo" que ambos vituperam, por força de convicções políticas comunistas herdadas como legado democrático em testamento de punho cerrado.
Esta Catarina Martins parece-me intelectualmente avariada, mas, tal como no caso daquele Jacinto tem o pedigree que lho garantiu à nascença.

Para o contraponto a esta lavagem de cérebro permanente e que dura há mais de 40 anos, nada melhor do que factos estatísticos e números do que era a vida económica portuguesa em 1972, no tempo de Marcello Caetano que esta gente confunde sempre com o de Salazar dos anos 40 do pós-guerra que foi o tempo dos pais que lhes legaram a crença.

Revista Observador ( the real thing) de 15 de Maio de 1973.


Neste artigo da revista Observador o contraste com aquelas balelas esquerdistas debitadas como verdades absolutas ideologicamente herdadas é de tal modo avassalador que a razão surge por trás dos números que hoje não se conseguem igualar porque não existe mais a razão que os sustinha. Foi substituída por uma linguagem etérea e que respiga uma lógica que é da falsidade que se respiram em todos os poros daquele testamento perverso.

Enquanto Portugal não se der conta desse logro esquerdista e mudar a linguagem corrente, teremos sempre um Público para entrevistar doidos.

Amanhã qual destas notícias fará a primeira página dos jornais com maior destaque?


Esta:

"A dívida das administrações públicas, na óptica que conta para Bruxelas, aumentou para os 240.019 milhões de euros em Junho. O rácio da dívida sobre o PIB supera o registado em Dezembro de 2014",

Ou esta:

"Desemprego atinge números mínimos desde 2009" ?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Jornalismo lixo no Público.

O Público foi espreitar as contas dos partidos políticos das eleições legislativas. A jornalista Maria Lopes escreveu o artigo de três páginas que é uma vergonha jornalística porque enviesado sem qualquer pudor para a esquerda.

A capa do jornal de hoje destaca o facto de a coligação PaF ter gasto 475 mil euros com um contrato publicitário. O PS gastou 751 mil euros com a decoração de uma sala e o BE gastou 95.500 euros para pagar um almoço em geraldina a 1350 pessoas (cerca de 70 euros por pessoa...).

Quem é que tem os deputados mais caros ao país? O PCP, cujos oliveiras da figueira custaram a módica quantia de 83.832 euros, cada um. E quanto é que a lei permite seja gasto em campanha por cada deputado? 20.448 euros por candidato. Como é que o PCP vai arranjar dinheiro para pagar a diferença? Mistério que o Público nunca esclarecerá. 

E que notícia encontrou a tal Lopes ou quem quer que seja no jornal para destacar na primeira página? Óbvio e elementar, caros watsons: a da PaF...que aliás deixou de o ser para ser designada como PSD e CDS. O PCP não teve a mesma sorte porque continua a ser CDU...nojo mais nojento será difícil encontrar em jornalismo deste género.

Este jornalismo é lixo porque não é jornalismo mas propaganda política pura. E com custos ocultos.


Ave, Cesar, morituri te salutant!

Observador, Helena Garrido:

Medidas simplistas, tipo toma dinheiro e faz a crescer a economia, não funcionam em países endividados. O medo do futuro não desaparece com bolsos cheios. Assim, como crescer com a dívida que temos?
700 mil milhões de euros. Nem temos a noção do que isso é. Mas é a dívida do país. Mais de quatro vezes o que produzimos anualmente. Com uma taxa de 1% significa tirar todos os anos ao rendimento sete mil milhões de euros para pagar juros. Com uma dívida desta dimensão como é que alguém pode considerar que podemos crescer através do consumo quando acabou a era do crédito fácil? Quando todos tomaram consciência que a dívida paga-se, que só se consegue gerir até a um determinado limite.
É irónico verificar que a teoria que nos atirou para a montanha de dívida que hoje temos só agora está em parte a aplicar-se. Estávamos nos primórdios do euro. O então governador do Banco de Portugal e actual vice-presidente do BCE defendia que pertencendo Portugal ao euro já não existiriam crises de balança de pagamentos. Tudo se ajustava com a mão invisível da restrição financeira de cada um num círculo virtuoso. Os credores, entre eles os bancos, emprestavam até à capacidade de endividamento dos devedores, estes teriam também consciência da sua restrição financeira.
Em Portugal o ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva foi o único a opor-se publicamente a essa teoria. Numa homenagem a José da Silva Lopes em 2003 assistiu-se a uma espécie de luta de titãs. Numa intervenção com o título “Dores de cabeça”, Cavaco Silva alertava que o défice externo continuava a ser importante mesmo no euro e considerava que “a despesa das famílias, das empresas e do Estado tem de ser contida”. Deixando um alerta: “O ajustamento será tanto mais forte e penoso quanto mais o endividamento externo tenha sido encaminhado para a expansão do consumo e para investimentos de baixa qualidade”. Como se veio a confirmar com o repentino corte do financiamento a Portugal entre 2010 e 2011 a obrigar o país a fazer um “ajustamento”, leia-se a cair em recessão, violento.
Um dos primeiros economistas a avisar que o euro não acabava com as crises por falta de financiamento típicas de países com moeda própria foi Olivier Blanchard. Mas na altura em que dinheiro parecia infinito ninguém ouviu nem Cavaco nem Blanchard. A dívida foi subindo, subindo, até que repentinamente os financiadores que eram supostos serem racionais descobriram que tinham emprestado demais a Portugal, entraram em pânico, uns quiseram o dinheiro de volta, a maioria deixou de renovar empréstimos.
Perante o corte repentino de financiamento o país teve de pedir empréstimos às instituições internacionais, a troika, e aplicar medidas que reduzissem as suas necessidades de financiamento de forma ordenada para que a recessão não fosse ainda pior. Claro que Portugal não foi o único, aconteceu o mesmo à Grécia, à Irlanda e a Espanha.
Viveu-se uma sequência típica de mercados financeiros: da euforia ao pânico, sem aviso prévio. Na fase de euforia não há racionalidade nenhuma nem análise da capacidade de endividamento, há comportamentos de rebanho. Exactamente como na fase de pânico, com todos em fuga em sobre-reacção.
Na altura da euforia que durou até à crise iniciada em 2007 os governos deveriam ter adoptados medidas restritivas como aumento de impostos, redução do investimento público ou ainda, como chegou a estar previsto e não se fez, impor aos bancos reservas ou provisões anti-cíclicas. O que aconteceu foi o contrário. O Estado também alimentou a onda da dívida.
Com o fardo da dívida em cima, está em parte a acontecer aquilo que Constâncio previa na altura mas na forma de “casa roubada trancas na porta”. As famílias, as empresas e os financiadores (bancos ou outros) estão conscientes da restrição financeira porque apanharam um susto e porque ela é um facto. Limitados porque têm de pagar a dívida que contraíram e assustados pelo que viram, serão mais prudentes do que o normal ou desejável nas decisões de consumo e de investimento.
Estamos assim perante uma economia endividada e com falta de confiança, num futuro incapaz de gerar os rendimentos, que lhe permita pagar as dívidas e consumir e investir mais. Com este diagnóstico é óbvio que medidas keynesianas simplistas – do tipo aumento o rendimento das pessoas e logo elas vão consumir e logo a economia cresce –, não funcionam. Como se está a verificar pelos últimos números sobre a evolução da economia em Portugal publicados pelo INE.
Qualquer avaliação à situação portuguesa tem de integrar no modelo a restrição financeira muito activa, que o país tem neste momento, e que será tanto mais apertada quanto menos confiança os investidores tiverem no futuro do país. Assim como na fase de euforia faziam aqui investimentos às cegas, nesta fase de desconfiança analisam os mais pequenos pormenores, e tudo é razão para desistirem de investir. Até os consumidores podem ter um comportamento semelhante, preferindo amealhar em vez de gastarem, à espera de certeza sobre o futuro.
Um país endividado e com financiadores desconfiados só tem uma forma de desatar esse nó. Fazer da conquista da confiança a prioridade da política económica ao mesmo tempo que cria o melhor ambiente possível para o investimento empresarial.
Infelizmente não foi essa a escolha de António Costa. Inspirado num modelo que se deve ter esquecido da componente financeira da economia, concluiu-se que bastava dar mais dinheiro às famílias para a economia crescer.
A dimensão da nossa dívida total, os tais 700 mil milhões de euros que têm 200 financiados pelo exterior, reduz o menu de terapias que temos para o crescimento à confiança e aos incentivos ao investimento em produtos e serviços que se possam vender lá fora.
É preciso começar a pensar livremente no que é melhor para o país. Porque nos tempos que correm parece que perante um menu de soluções para os nossos problemas se começa primeiro por estudar o que é que vai ser percepcionado como sendo de direita e de esquerda. Só depois, conforme o preconceito de cada um, se vai ao cabaz da esquerda ou da direita.
No estado de urgência em que estamos é melhor sermos mais pragmáticos. Pensar menos em eleições e mais em soluções que ponham de facto o país na rota do crescimento. Confiança é a palavra chave.

Devemos 700 mil milhões de euros, não temos dinheiro para pagar nem meios de o obter. Ainda por cima a confiança anda pelas ruas da amargura. Não é preciso muito mais para prenunciar um desastre, engendrado por esta geringonça que governa.
Foi assim em 1976, foi assim em 1986 e foi assim em 2011 com as políticas de 2006. Nunca mais aprendemos e a esquerda domina, tendo sido a responsável única destes descalabros cíclicos.

Até quando?

Notas em louvor do senhor Machado que vivia junto aos Grilos em Coimbra

O komentador-mor televisivo Marques Mendes é alvo da atenção de João Miguel Tavares, no Público de hoje, assim:


Este duende da política portuguesa é um fenómeno cujo estudo biográfico nos ajudaria, a par de outros, a compreender como estamos, social, económica e culturalmente. Falta-nos um romancista para traçar o retrato escrito e pintar o quadro social. É pena porque só desse modo seria plenamente entendido o substrato de que estas pessoas são feitas e que no fundo são a elite dos portugueses que compõem este regime.

Marques Mendes é filho de um advogado de Fafe, figura importante no PPD local e desde novo abancou em círculos políticos de social-democracia partidária. Não foi comunista ou socialista, mesmo nos tempos de PREC e acabou um curso de Direito em Coimbra sem grande história curricular. Terá sido mesmo um aluno voluntário, apartado por isso dos "ordinários". Estudava em casa e fazia exames na hora. Lia as sebentas que então havia, publicadas pelos mestres, lá faria os testes policopiados a stencil azul ou preto do senhor Machado, já velhinho para a idade dos estudantes e que vivia junto aos Grilos e os vendia  por poucos tostões aos  que o procuravam para ajudar na reforma que se calhar nem teria. Ainda tratava os professores por "mestres" e vestia sempre de escuro.

O tempo de Salazar, para ele, não tinha sido muito há muito e o lugar em que habitava era dele um retrato perfeito: antigo, modesto, simples, espartano, mas arrumado e limpo. Os modos, solícitos de educação esmerada e de simpatia no trato sem delongas de besuntas conversas.
Marques Mendes não era já desse tempo, como aliás a maioria dos frequentadores que compravam as cópias dos stencils arrumadas  em pequenas pilhas de papel na estante espartilhada conforme as matérias e os anos lectivos.

Marques Mendes, no tempo em que poucos estudantes parqueavam carro dentro e fora da "porta férrea" da Universidade de Coimbra, já tinha carrito, modesto ainda mas  já a prometer maior cilindrada futura. Em Braga, muito perto de Fafe, em 1975,  já estava no Governo Civil um certo Eurico de Melo e depois outro certo Parcídio Summavielle e ainda um mais certo Ribeiro da Silva que acabaram por integrar o nosso Marques Mendes, todo pimpão, nas assessorias políticas dos governos civis da época. Ganhando o pecúlio merecido, pela certa.

Por força destas frequências extra-curriculares o curso de Coimbra terminado e o futuro à frente, o nosso duende lá terá estagiado junto de tais mestres da advocacia bracarense e as portas da política estavam naturalmente abertas para mais frequências e exames voluntários.

Resumindo, em 1977 já era autarca em Fafe e depois foi deputado em várias legislaturas em que se discutiram leis e mais leis, acabando depois por integrar governos do PSD, em cargos de algum relevo político.
 Em 1995 o socialista Guterres, amoroso da educação que acabou por estragar de mimos, tomou conta do poder e os social-democratas da têmpera de Marques Mendes tomaram posição em empresas de jeito. Marques Mendes ainda não estava a jeito, mas conhece-os a todos de ginjeira.

Em 2002, em pleno pântano nacional, ocupou lugar no governo de Durão Barroso, o desistente que deu lugar a Santana Lopes e depois a Sócrates. Marques Mendes saiu desses governos e passou para "a privada", aparente e estranhamente sem o destino preferido daquela primeira fornada de "boys".

Nessa altura já o duende era advogado inscrito lá por Fafe e quando saiu do Governo, impressionou-me particularmente uma frase proferida em modo avulso quando lhe perguntaram o que iria fazer: advogar...
Estranhei tão singelo propósito porque advocacia é uma profissão a tempo inteiro e não um hobby e Marques Mendes foi político durante demasiado tempo para se cingir então ao universo dos tribunais, pleitos e consultadoria de gabinete que exige conhecimentos jurídicos apurados, aturados e sólidos, coisa que duvido muitíssimo Marques Mendes tenha, no âmbito jurídico. E já em tempos reparei nisso e dei conta.

Mas já não estranhei tanto depois de ver o que se passou nesse universo da advocacia a partir de meados dos anos 2000: certos  gabinetes de advogados de consultadoria tomaram o regime e fizeram o regime, as leis do regime e os códigos de conduta do regime.
Naturalmente, Marques Mendes tomou lugar num deles.
Não satisfeito com este género de advocacia sui generis, o nosso duende imitou uns outros komentadores de televisão e arranjou lugar na TVI e depois na SIC, a debitar opinião paga sobre o momento político e largando umas larachas sobre o ambiente político geral. As televisões privadas e a pública adoram esta fauna e patinham nela alegremente aduzindo argumentos de share. O público é amorfo e encolhe os ombros metafóricos.

Marques Mendes é assim um dos apaniguados do regime e é por isso que concordo com João Miguel Tavares: fique lá este duende como komentador e que quem o quiser ouvir que ouça, mas presidente da República nem por sombras ou sequer intenções.
Pelos motivos apontados no escrito e mais alguns, o menor dos quais é o de ser simplesmente medíocre. E um povo é também fraco se quem o lidera é da mesma estirpe.

Quando vejo este duende nas tv´s sinto saudados do senhor Machado que vivia junto aos Grilos em Coimbra...e do modo como se encarava a vida, a política, a honra, a honestidade e até a inteligência.
E que ninguém se esqueça de uma coisa de que será preciso apurar a razão de ciência:
Belmiro de Azevedo quando Marques Mendes saiu dos governos disse claramente que nem o queria sequer para porteiro dos seus supermercados...
E ainda outra: provavelmente não será apenas da sua responsabilidade, mas o ensino que temos, a nível superior com as facilidades privadas suscitadas pelo sistema público começou algures em Fafe com cursos de fim de semana para licenciar a mascoto certos indivíduos que nem a quarta classe teriam...

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

As balelas do fossilizado Arménio colam sempre


Uma política baseada na perspectiva dos cortes – nos salários, nas pensões, nos direitos – que acentuou as desigualdades, a exploração e o empobrecimento”, é desta forma que Arménio Carlos, líder da CGTP, em entrevista ao Notícias ao Minuto, descreve os últimos anos, desde a entrada na troika.
Vivemos um período de evolução, positiva, na opinião do líder sindicalista, uma vez que deixámos um governo que fazia “tudo contra os trabalhadores” e “tudo a favor das entidades patronais”, para um que tem apostado na “reposição dos direitos”.

Este discurso do comunista da CGTP cola sempre no ouvido de quem gosta de ouvir lérias políticas. A Venezuela, país em que os trabalhadores estão no poder nem sequer lhes serve de exemplo...e muito menos ao jornalismo caseiro. 
O simplismo de análise comunista sempre foi o melhor trunfo para os votos na esquerda. Acaba sempre por sobrar uma maioria, mesmo relativa que acredita piamente nestas balelas.