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quarta-feira, 29 de março de 2017

Expectativa elevada: nunca mais é Sábado...

Correio da Manhã de hoje:

A Sábado vai ter como director Eduardo Dâmaso, até agora colunista da revista.  A expectativa é grande acerca da nova orientação editorial.
Terá Eduardo Dâmaso capacidade para orientar a revista na linha editorial a que  nos habituou ao longo dos anos, naquilo que escreve? Não duvido.  Porém, uma revista em forma de newsmagazine carece de bastante imaginação para prender a atenção dos leitores todas as semanas e esse bem escasso e precioso não abunda pelas nossas redacções. E os temas habituais  de Dâmaso não chegam nem são os mais importantes para uma revista deste género. 
Os exemplos lá de fora pouco ajudam e os de cá muito menos.
Qual gostaria eu de ver e ler na Sábado?
Vou começar pelo que é para tentar chegar ao que poderia ou desejaria que fosse, com base no último número.
A capa e respectivo grafismo é banal. Nada a distingue de outras congéneres, mesmo pela Europa fora, mormente na Itália ( Panorama e L´Espresso ou Europeo). Mas é melhor, muito melhor que a Visão.
Sendo o bom inimigo do óptimo devo dizer que quanto à capa, paginação e respectivo grafismo nada bate, quanto a mim, a New York e até a Bloomberg, americanas. Fantástica, a primeira e de ver com olhos de ler.
A L´Obs francesa também é um bom modelo e foi sempre assim ao longo das últimas décadas. A imitação desta revista francesa seria um "atout". Vão ver, no último número, como fizeram o obituário de Chuck Berry que me parece exemplar e de uma beleza gráfica inultrapassável, nesse estilo.
Na Sábado há vários designers gráficos ou especialistas da matéria. Estudem o assunto, embora a paginação da revista seja muito boa e não vale a pena mexer muito nisso.
O importante mesmo é o conteúdo noticioso e de reportagem. Neste aspecto só espero uma coisa: que me surpreendam. Já não seria mau, embora entenda que o leitor médio ou típico da revista talvez seja pouco exigente. Não obstante sempre achei que o jornalista deve escrever para o leitor mais exigente e nivelar por cima o estilo e o conteúdo. No jornal Correio da Manhã tal não sucede, mas apenas em modo aparente porque muitas notícias contêm o essencial da exigência mínima e rigorosa.  O estilo é que ajuda pouco...porque o Jornal de Notícias é bem melhor nisso.

Assim, que reportagens ou artigos gostaria de ler na revista? Lembrei-me agora de outra revista que me parece exemplar nisso: a francesa, recente ( em Janeiro ia no número 47 e é quinzenal), Society.  É uma revista muito bem feita, graficamente nada de extraordinário mas interessante e com artigos que não se encontram em mais lado nenhum.
Mas tal depende da qualidade dos jornalistas que lá têm...
Ai se a Sábado pudesse imitar uma coisa destas! Seria o ideal. Mas julgo que é pedir demais...até porque a revista nem se vende por cá e duvido que a conheçam na redacção da Sábado...


Em resumo: não mexam na paginação e estilo gráfico. Melhorem as capas se puderem, apenas.
Quanto ao conteúdo espero surpresas e que sejam artigos para guardar.  Com a qualidade e estilo que tal merece e reportagens bem realizadas com factos e opiniões individualizadas em quem as transmite. Dispenso opiniões dos próprios jornalistas, embora aprecie a isenção daqueles que sabem escolher quem entrevistam e o modo como entrevistam.  

terça-feira, 28 de março de 2017

Cliché dos fautores da nossa desgraça num futuro próximo


Olhem bem para a foto que regista a imagem dos fautores da nossa desgraça anunciada...



Hiper, mega, maxi: de onde vem esta novilíngua jornalística?


Observador:


A Procuradora-Geral da República (PGR) quer alterar a forma como se investigam os crimes económicos e financeiros em Portugal, criando para isso “superequipas” de magistrados de diferentes áreas, refere o Diário de Notícias. Contactado pelo jornal, o gabinete de Joana Marques Vidal frisou que “um dos aspectos é justamente a necessidade de criação de equipas que, tendo um coordenador, integrem vários magistrados de diversas jurisdições”.

"Super" isto e "super" aquilo. "Megaprocessos" e  "maxiprocessos".  "Hiper", "mega", "maxi"...

De onde vem este linguarejar escrito?  Não há outro modo de escrever para definir coisas e assuntos?


domingo, 26 de março de 2017

A Liberdade em "revista"

 Observador:

O Observador entrevistou a artista de "variedades" Io Apolloni, uma italiana que veio para Portugal e singrou nas artes de representação em "revista".

Assim:


Como título da entrevista o Observador pôs este que envergonha a realidade e defrauda a verdade:


Io Appolloni: “A PIDE deu-me 48 horas para sair do país por desencaminhar um homem casado”
A seguir explica-se assim o título:


À época o Camilo não estava mais com a mulher, estava com a Io, mas certo dia a mulher dele apresentou queixa contra si na PIDE e a Io recebeu um ultimato: tinha que deixar o país.
Tive quarenta e oito horas para sair do país! Por desencaminhar um homem casado, vê tu bem. A mulher dele sabia que ele era mulherengo, mas também sabia que eu era um grande “perigo”. Portanto, sabia que comigo a conversa era completamente diferente, era séria. Essa coisa de ter saído de casa, que era a primeira vez que tinha acontecido num casamento que durava há doze anos, foi uma coisa séria.

Foi graças ao Aníbal Nazaré, o autor de “Sopa no Mel”, que acabou por não deixar o país, não foi?
O Aníbal felizmente era amigo do Silva Pais [director da PIDE]. Aquilo na altura não era brincadeira nenhuma e se não tivesse sido o Aníbal tinha mesmo abandonado Portugal. Todas as pessoas que nasceram depois do 25 de Abril não têm a verdadeira noção do que é a liberdade. Eu que vivi sem ela, e aqui em Portugal sentia-se e de que maneira a ditadura, quando chega o 25 de Abril quase rebentei por dentro de felicidade
.

Portanto, a artista de variedades não saiu do país, apesar do ultimato "da PIDE" porque um amigo meteu uma cunha ao director da  polícia e tudo se compôs.


Imagem tirada daqui.

A PIDE seria terrível, segundo o que diz a artista. Até tinha o poder de repôr no sítio certo o "magnetismo" dos homens, afastando-lhes o polo de atracção...

Como motivo de interesse desta entrevista está este fabuloso desenho de Juan Miró, oferecido pelo próprio à artista:



 Sobre uma "revista" de que se fala na entrevista, "Vison Voador", que foi um sucesso em 1970, a revista da época, Mundo Moderno ( a nossa Playboy...) em 1 Março de 1970,  mostrava uma página e a seguir os nomes e caras de quem fazia a revista, na fabulosa Agência Portuguesa de Revistas.



sábado, 25 de março de 2017

O valete de copas

Sol de hoje:



Doidos à solta

 Observador:



O fundador do MRPP, Arnaldo Matos, considera legítimo o atentado de Londres, já que os povos que viram “as suas riquezas e a sua força de trabalho roubadas e exploradas pelo terrorismo imperialista têm todo o direito de utilizar todos os meios ao seu alcance para destruir o imperialismo nos covis das suas próprias capitais.” E avisa que os que fazem atentados na Europa “vão acabar por vencer.”








sexta-feira, 24 de março de 2017

Enquanto houver dinheiro emprestado a juros baixos há geringonça...

No i de hoje, o antigo comunista José Magalhães, convertido à social-democracia maçónica, responde a algumas perguntas numa entrevista.  As iniciais chegam para definir um estado de espírito de uma esquerda que não tem paralelo na Europa na união contra-natura entre algumas das suas forças.
Magalhães, agora muito dado a contemplações maçónicas, depois de abater a suas colunas marxistas-leninistas percebe muito bem quem ainda as apoia e resume tudo numa pequena frase:

"Em Outubro de 2015 estávamos numa situação extrema. Ou uma solução inovadora ou mais quatro anos da Maria Luís de Passos. Temos um país que é prefeitamente desenvolvível ( sic) mas não com a canção do cagalheiro".

Essencialmente é este o argumentário de toda a esquerda, incluindo a de Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite, cada vez mais tapada do bestunto. Entretanto, o antigo parceiro de Magalhães, Vital Moreira, por seu turno também ensandeceu ainda mais um pouco. Também acha que o holandês disse que “não se pode gastar o dinheiro em copos e mulheres e logo depois pedir ajuda”, mesmo em modo metafórico e depois sem o ser, ao mesmo tempo, atribuindo-nos o costume.

Em consequência, o esquilibrista Magalhães sugere mesmo o casamento de toda a esquerda, fazendo o PS o papel de entidade parideira do consenso.
Este casamento assim arranjado vai gerar monstrinhos depois de parir nados-mortos. O PS social-democrata não casa bem com o comunismo leninista ou trotskista e tal é conhecido pelo menos desde o tempo de Mário Soares como líder daquele partido.
Essa quadratura de um círculo que aquele Magalhães frequenta será uma aberração.

Em França, o problema é bem conhecido e antigo e foi agora explicado numa edição do semanário Le Un.
Assim:






Em 1977,  quando por cá se enfrentava a primeira bancarrota directamente derivada destas aventuras de casamentos contra-natura, à esquerda,  o socialista Michel Rocard discursou assim perante os socialistas de lá que eram muito escutados pelos de cá, nesse tempo. E as propostas que fazia, ajudavam a definir os propósitos de uma geringonça que nunca chegou a funcionar. Et pour cause, uma vez que as contradições eram tamanhas que ainda não desapareceram.
De tal modo que a explicação para tal fenómeno natural é dada aqui num modo original e cativante: a esquerda é demasiado utópica para se entender com a realidade.



É esse o problema principal cuja impossibilidade de solução irá gerar as contradições que destruirão inevitavelmente uma geringonça feita para percorrer apenas o caminho sem grandes obstáculos que o dinheiro emprestado proporciona. Quando acabar essa mama desfaz-se a geringonça, do mesmo modo que se montou: à pressa e sem jeito.

O jornal de Negócios deste fim de semana mostra bem o roteiro do que nos espera, perante o cru panorama da realidade virtual:






Na página 3 Camilo Lourenço escreve sobre a alternativa e a ilusão desta geringonça, citando as declarações de um Michel Rocard da actualidade, chamado Jaime Gama.


Conclusão? A do título do postal







quinta-feira, 23 de março de 2017

Os encómios à PJ

 

 O CM de ontem destacou na primeira página o sucesso da PJ na captura de todo o gang que assaltava carrinhas de valores e acabou por matar uma pessoa  em 28 de Fevereiro do ano passado, para lhe roubar o carro e que passava, como se costuma dizer,  pelo local errado na altura errada, por puro azar.
Nas páginas interiores do jornal dá-se conta dos factos então ocorridos e do modo como a PJ apanhou os bandidos.
A PJ está de parabéns porque os seus agentes fizeram o trabalho que lhes compete. Mas...fizeram mesmo todo o trabalho necessário?
Sobre esse trabalho escreve também no jornal um antigo agente dessa polícia, Carlos Anjos, agora "colunista" do CM e interventor na CMTV ao lado de Rui Pereira, outros. Sobre Rui Pereira não se devem regatear elogios pelo magnífico papel ( pago, mas ainda assim) que desempenha nessa estação de tv em enquadrar juridicamente factos, sem dizer asneiras como habitualmente estávamos habituados nas tv´s a ouvir a esmo.

Carlos Anjos escreve assim, sobre os métodos de recolha de prova da PJ:


Termina o articulista: "em matéria de investigação, ninguém em Portugal sabe mais que a PJ."

Pois assim será. Mas será ainda necessário atender a outro aspecto muito importante: como escreve  mais acima o articulista, é preciso que as provas reunidas suportem o contraditório do julgamento. E não só: é preciso ainda que tais provas sejam plenamente válidas em julgamento, com provas produzidas e eficazes.

Pouco adianta recolher confissões de arguidos que conduzem à descoberta da autoria de crimes se tais confissões não foram validadas em termos processuais, ou seja, através do crivo de magistrados e advogados em interrogatórios processualmente correctos e oportunos. E é isso que por vezes falha.
Relativamente a crimes graves como é o do homicídio, a recolha de indícios pode implicar a verificação de factos que o próprio suspeito em declarações informais indicou.
Se tais declarações não forem oportunamente validadas pela autoridade judiciária e tal exige a maior premência nesse acto, em prazos que se devem contar em horas, para não se perder o efeito de "colaboração", o resultado da investigação que é mediaticamente encomiada pode vir a perder-se.
E tal já aconteceu e continua a acontecer.
O corporativismo da polícia deve suster-se quando está em jogo o interesse público na realização da Justiça.



quarta-feira, 22 de março de 2017

o gado das nossas feiras

O que disse o holandês de tão ulrajante para uma boa maioria de políticos portugueses reclamarem a sua demissão,  "já!"?

Isto, segundo este relato:

"O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”

Quer dizer, recorreu a uma imagem: se alguém gastar mal e sem preocupação em pagar o que lhe emprestaram para refazer a vida é legítimo que o credor se interrogue sobre tais opções e franza o sobrolho. No mínimo.

O holandês não disse que quem gastou o dinheiro o fez em bebida e mulheres e é sumamente estúpida tal interpretação.

Pois foi exactamente o que fizeram muitos jornalistas portugueses, secundados por políticos do mesmo calibre intelectual, a começar pelo primeiro-ministro e um ministro, um tal Santos Silva, que há poucos meses chegou a comparar uma  negociação de parceiros de "concertação social" a uma feira de gado. E ficou impassível, mantendo-se no lugar...