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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Esquerda contra a natureza tende ao totalitarismo

Crónica de Francisco José Viegas no CM de hoje:


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Uma poesia para Portugal

Um comentador deixou esta poesia de Afonso Lopes Vieira que merece destaque, para se mostrar aos turistas que por aqui vão passando, vindos dessa Europa fora e de outros lugares. 
A maioria dos portugueses ( aposto que o primeiro-ministro incluído) não conhecerá esta poesia e muito menos o que a sustenta:

Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...

E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.

Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P:S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.


domingo, 17 de setembro de 2017

Mais uma trafulhice de Sócrates

 Observador:

Questionado, Sócrates admite a possibilidade de recorrer ao Tribunal Europeu caso se esgotem todos os recursos. “Se chegar a esse ponto acusarei o juiz Carlos Alexandre e a justiça pela actuação contra mim no processo e pelo dano moral que me estão a causar. Não têm o direito de me submeter a esta pressão e desgaste físico e psíquico há três anos. Estão a tentar destruir-me e separar-me da minha família mas não conseguiram, nem conseguirão”.
O ex-primeiro-ministro nega ainda qualquer ligação a Ricardo Salgado, garantindo que nunca pertenceu ao seu “círculo próximo”, nem tinha o seu número de telefone.
Tudo o que se publicou são falsidades. Não sou amigo de Ricardo Salgado”, afirmou, acrescentando que a relação que tinham era “meramente formal e fria em alguns momentos”.

O perseguido José Sócrates virou-se para os galegos que- vá lá saber-se porquê- lhe deram voz no jornal regional.

A afirmação de que irá para a justiça europeia dos direitos do homem baseia-se em quê? Na demora do inquérito? Pode pedir batatinhas a quem protelou as investigações com recursos e recursinhos, como são os seus advogados que nesta altura devem já ter ganho uma pipa de massa. Paga por quem e como?

Por outro lado, a responsabilidade do juiz de instrução Carlos Alexandre foi sempre amparada e sufragada pelos juízes dos tribunais superiores ( com excepção do caso singular do juiz Rui Rangel, amigo do dito Sócrates e às voltas com inquéritos sobre a sua idoneidade profissional), logo está alargada a dezenas de juízes que são constitucionalmente irresponsáveis, neste nível de decisões.

Portanto, mais uma trafulhice para enganar papalvos. Sócrates sabe muitíssimo bem tudo isto, mas usa estas tiradas demagógicas e aviltantes para enfatizar uma coisa simples: não tem razão alguma e procura desviar a atenção do essencial.

Uma trafulhice, segundo os dicionários, é uma aldrabice, uma intrujice. 

Dois livros do tempo do fassismo

Na última feira do livro do Porto topei estes dois livros interessantes, na forma e conteúdo. São ambos de décadas antigas, de um tempo hoje vilipendiado como sendo de obscurantismo e em que o país estava mergulhado na tenebrosidade do fascismo.

O primeiro é de finais dos anos 40 do séc. XX e da editora Livraria Tavares Martins, do Porto. De uma colecção "Gente grande para gente pequena", assinado por Adolfo Simões Müller, entendido pela intelligentsia que grassa nas faculdades de Letras como mais um fascista do tempo de Salazar.

O livro é sobre o casal Curie e a respectiva descoberta ( a radioactividade que nesse tempo conduziu à energia nuclear) , chama-se "A pedra mágica e a princesinha doente" e tem esta capa ilustrada pelo artista Fernando Bento que só por si vale o livrinho.


Adolfo Simões Müller foi alguém que em Portugal se destacou nas actividades de divulgação literária, particularmente nas revistas de banda desenhada que então surgiram um pouco por toda a parte, na Europa.

O Cavaleiro Andante é uma delas e há por aí um estudo de algumas dezenas de páginas patrocinado pela faculdade de Letras do Porto sobre "a Censura" na banda desenhada nesse tempo de Salazar. O estudo é meritório na documentação e lamentável no propósito: vilipendiar o antigo regime circunscrevendo o papel da Censura a publicações infanto-juvenis, em Portugal, sem atender ao panorama europeu e mundial que então se vivia até aos anos cinquenta.
É mais uma mistificação a acrescentar a tantas outras, esta com o selo académico, como aliás muitas outras.

O segundo livro em destaque é uma obra didáctica que foi publicada originalmente em fascículos,  durante a segunda metade dos anos cinquenta do séc. XX.

Em 13.4.1955 o Diário Popular anunciava assim tal publicação das Edições Ouro, Lda, do Porto e de que não há resquícios de memória na internet. Alguém saberá mais sobre tal editora?


Imagem da Hemeroteca online.

"Nicht Wahr?" (Não é assim?!) é uma obra que pretende ensinar a língua alemã em modo divertido e é fabulosa no modo como ensina. Estou a aprender...


E a primeira lição começa assim:



Gostava de ler duas obras publicadas este ano em Portugal que tivessem o mesmo interesse...

sábado, 16 de setembro de 2017

A história de uma trafulhice e uma prepotência de quem foi primeiro-ministro de Portugal

Sol de hoje:


Nestas duas páginas conta-se uma história singela de um fait-divers que conta mais do que muitos artigos, sobre o que era o antigo primeiro-ministo José Sócrates: um trafulha, simplesmente.

Quando isto sucedeu já não era primeiro-ministro mas não hesitou em mexer os cordelinhos dos apaniguados que tivera para resolver uma situação embaraçosa, que nem sequer o afectava pessoalmente, para tramar o jornalismo que o chateava. E estes deram-lhe toda a colaboração o que denota o que este indivíduo foi.

Um tal Emanuel Augusto dos Santos o que é, depois disto que se sabe? Para além de economista sem eira, um traficante de favorzecos, desta espécie rasca?

Quanto aos funcionários do Fisco e da CGD nem é preciso dizer mais nada porque estas páginas falam por si. Que tristeza!

O advogado João Araújo a escrever "cartinhas" ao director do Fisco depois de se inteirar por portas travessas e cunhas metidas, do que se passava...outra tristeza, mas neste caso sem vergonha alguma. 

Um tipo que foi primeiro-ministro, quando já o não era tinha ainda este poder. Só de imaginar o que fez quando tinha o poder todo...

E disse ao tal Emanuel, depois de saber de tudo isto e da trafulhice em que estava metido que ia meter uma queixa.crime contra o director-geral de Impostos ( Azevedo Pereira, na época) por permitir que alguém do Fisco divulgasse a informação...sabendo que era verdadeira e sabendo que era uma trafulhice o que estava a fazer. Ou seja, uma denúncia caluniosa contra o dito.

Ah! O caso dos tais impostos em falta, que não foram realmente pagos pela mãe de Sócrates no tempo devido e originaram esta trafulhice, diziam respeito à venda da casa. Quem a comprou? Santos Silva, o amigo incondicional do dito que lhe emprestava aos milhões, sem pedir contas nem papéis...

Está tudo dito? Não, isto é apenas um fait-divers.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A heróica resistência das múmias do PCP contra o tempo que já passou

Revista O Militante do PCP, edição Setembro/Outubro 2017: todos os temas do comunismo, todas as teorias sobre o mundo actual, a sociedade, o modo de produção, etc, resistem estoicamente no formol do papel a preto e branco de uma revista com décadas.
Tal como há 40 ou 50 anos atrás, o discurso comunista do PCP é sempre o mesmo e enunciado do mesmo modo nesta revista.
O comunismo já morreu e como os répteis a quem cortam o rabo,  continua a rabiar do mesmo modo de sempre,  agitando o meio que os rodeia como sempre o fizeram: com greves e ameaças de alterações sociais.

O estranho fenómeno que resiste na Europa em condições únicas, neste canto mais ocidental, tarda em desaparecer porque tal como a múmia de Lenine, ninguém dos media parece interessado em remover para a tumba definitiva.


O PS em França acabou e por cá há-de ser igual

Em França foi assim e por cá há-de ser igual. Basta que as pessoas em geral se apercebam da quantidade de patifes, pindéricos e oportunistas que se acoitam à sombra do poder do Largo do Rato.
É possível enganar muita gente durante algum tempo; pouca durante muito tempo mas nenhuma o tempo todo. 

Imagem de L´Obs de 14.89.2017

A elite corrupta do jornalismo

Eduardo Dâmaso, no CM de hoje,  chama "jornalismo de elite" àquele que escolhe notícias em função dos factos. Se estes disserem respeito a alguém da mesma cor política ou preferência partidária, omitem, censuram previamente sem comissão para o efeito. O mecanismo é interno e funciona por atavismo.
São geralmente os mesmos que se indignam com o fassismo de antanho e a comissão de censura prévia que existia para regular o exercício jornalístico fora das regras conhecidas e que os mesmos violavam por serem da "oposição". Como agora são da "situação" fazem o mesmo, sem comissão alguma porque se organizam entre si segundo os próprios interesses. Um corporativismo sui generis, portanto.

Há uma diferença de vulto: dantes, a comissão tinha censores pagos para tal pelo organismo respectivo. Hoje os censores são pagos para tal, mas por entidades avulsas e desconhecidas, por vezes em géneros ( viagens e regalias) ou em serviços ( empregos garantidos em certos lugares para eles e filharada mais primos se necessário for).

A corrupção moral ( pelo menos) é evidente mas nunca se dão por achados. São antifassistas com provas dadas de luta pela "liberdade".

Por outro lado essa "elite" deveria saber que  Roma não paga a traidores e quando a falência for iminente irão sofrer as agruras de quem não soube ser o que deveria ter sido: Jornalista com J grande.


Estes prejuízos não se justificam apenas pela conjuntura, pela Internet, pelos sítios avulsos de notícias gratuitas, etc etc. Justificam-se porque as pessoas em geral não acreditam no jornalismo que fazem, não compram o produto e por isso é melhor desaparecerem porque não fazem falta nenhuma.
Existem enquanto forem subsidiados, como o Público é, por causa do capitalista dos supermercados. A Global Media não tem supermercados para lhe valer. Nem chineses. E o Proença de Carvalho não tem dinheiro suficiente para lhes valer, nem próprio nem alheio, apesar do que deve ter...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O jacobinismo é quem mais ordena: o curso em dia é que conta

RR:

Rui Esteves abandona o cargo no dia em que foi aberto um inquérito à sua licenciatura, a pedido pelo ministro do Ensino Superior e pelo presidente do Politécnico de Castelo Branco.



 Este desgraçado passou pela pior experiência da vida profissional, este Verão, com a morte de 66 pessoas em Pedrógão Grande, provocadas em boa parte devido à sua incompetência e dos que o rodeiam.  Não se demitiu porque nem entendeu tal coisa básica. O curso que tem, afinal não chegou para lhe ensinar tal evidência primária.

Demitiu-se agora por causa desse curso tirado, segundo parece,  por correspondência, obtendo uma licenciatura como há muitas por esse país fora.  Poderia ter sido ao Domingo ou num dia qualquer da semana. Tanto faz. Mas é isso que faz toda a diferença para esta gente que governa.

Não se demitem pela incompetência que ostentam nem pelas asneiras que cometem. Não sentem qualquer vergonha por isso.
Demitem-se por se saber que tiraram cursos superiores facilitados ou por outro fait-divers qualquer que é tomado como algo inadmissível para as aparências de quem manda e o sistema de valores trocados.

Este indivíduo não esteve aqui, no dia a seguir ao incêndio, não lhe deu jeito, mas estes que lá estiveram talvez fosse melhor nem terem estado.
Dali a dias o principal foi de férias para as Baleares, porque precisava de descansar da chatice dos mortos de Pedrógão. A dos sapatos de ténis ainda continua lá, a fazer tristes figuras porque não tem vergonha nenhuma das que já fez.
Consta que todos têm o curso em dia...


Esta foto foi tirada da NET. Não sei a quem pertence. 

Entretanto, outra notícia fresca:

 O filho mais novo de Diogo Lacerda Machado — o “melhor amigo” de António Costa que negociou, em nome do primeiro-ministro, os dossiers da TAP e dos lesados do BES — colabora há dois meses, a título “experimental”, com uma empresa do sector empresarial do Estado na área da Defesa.

Aqui não há demissão alguma. Apenas a da vergonha.  O tráfico de influências é só para as negociatas...a isto não se aplica. 

O melhor exemplo jacobino destas medidas tipo PS é dado no Público de hoje ( 15.9.2017): 


Dantes, os comandantes da Protecção Civil eram escolhidos entre os melhores colocados, pela experiência e saber acumulados em funções. Não era necessário curso superior, mas um tal Ascenso Simões, da maçonaria ou por aí, entendeu que o melhor era funcionalizar tais pessoas com cursos superiores, porque não lhes faz sentido que um comandante não seja dr. ou eng. quando alguns subordinados já o são...

Esta mentalidade perpassou nos anos 2000, fruto das estatísticas do nosso atraso peculiar e invadiu também os politécnicos, esses centros de saber acumulado copiado de outros países porque o nosso abandonou tal estrutura de ensino nos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril. Foram aliás os mesmíssimos gagos e grácios que tiveram a luminosa ideia de licenciar a eito e doutorar a preceito sem distinção de currículos sempre que houvesse um doutor a postos para o efeito. Universidades passou a haver. A eito também e que deram os afamados cursos independentes e afins.

Foi esta mentalidade que agora tramou o comandante Esteves. Em vez de fazer um manguito a estas actualizações serôdias e sempre atamancadas de improvisação, como outros fizeram, o dito teve uma ideia que outros também seguiram: actualizar o currículo com cursos passados e obter uma licenciatura através dessa procuração. Tramou-se porque o jacobinismo é mesmo assim: contam as aparências porque a ética é a lei.

Porca miseria que nunca saímos da cepa torta em que andamos há um pouco mais de 40 anos. 


A Tecnoforma e os melões no jornalismo caseiro

Em Outubro de 2012 o Público da simbiótica Bárbara Reis deu em parangonas para anunciar uma cacha que o jornalista Cerejo apresentou:  um assunto obscuro de verbas europeias, ocorrido dez anos antes. É certo que o mesmo Público e o mesmo Cerejo tinham dado destaque ao assunto da licenciatura na Independente do então PM, José Sócrates. Mas assuntos relacionados com este eram tantos que ficou sempre muito a desejar do Público, nesta matéria.
O caso de 2002, resumia-se a suspeitas de que  Passos, enquanto deputado tinha usufruído de vantagens indevidas, mas nem sequer se apurou a eventual dimensão criminal do assunto em causa. Bastou a suspeita de ter recebido por fora e não ter declarado à Segurança Social...

Passos, em 2012 era primeiro-ministro e em plena campanha de "cortes" no Estado e na função pública que punha em pé-de-guerra os sindicatos comunistas e o socialismo de fome de poder mais a geringonça que daí viria.
Passos era para abater, quanto antes ao efectivo político e o Público tinha um instrumento precioso: usar um suposto jornalismo de investigação que poucas vezes usaram, para abater a sua credibilidade até aí impoluta. O outro antigo PM, pejado de casos e casinhos já não interessava para nada...

Assim, o caso foi puxado para as primeiras páginas e espiolhado nos blogs que nunca se interessaram pelo outro. E como é que apresentavam o caso? Simples e a esfregar as mãos já à espera do efeito eleitoral: "Enche 6 páginas a investigação do Público sobre  a corrupção o cadastro de Passos e Relvas, durante os governos de Durão Barroso e Santana Lopes, nos negócios entre o Estado e a Tecnoforma: Relvas no Governo e Passos na empresa (interpelado Passos Coelho por no currículo não constar que foi administrador da Tecnoforma, disse que se esquecera") era um ver se te avias que isto não dura sempre."

A palerma Ana Gomes, antiga maoista esquentada, denunciou nas Europas o escândalo ocorrido dez anos antes, retomando os artigos do Público, exclusivamente, quando nunca o fez relativamente aos seus colegas de partido, com rabos de palha até Bruxelas.

Em 2014 o assunto ficou arrumado e como é que o Público lidou com o assunto? Assim, com umas parangonas que assustavam o Correio da Manhã e preparavam o caminho à Geringonça, evidentemente:


 Nessa altura até alguns lamentáveis ranhetas andavam às facadas no cocó...

Na altura escrevi assim, sobre este jornalismo tipo melão:

A investigação jornalística ao percurso de Passos Coelho encetada pelo Público tem toda a lógica do jornalismo que descobriu que José Sócrates tirara o curso a um Domingo.  Ou seja, não descobriu porque foram outros a fazê-lo. Porém, a lógica retoma-se porque foi o Público a mostrar nos quiosques as coisas de tal licenciatura na Independente. 

Agora, na questão de Passos Coelho, o Público replica o método. Tendo sido esse jornal a mostrar em diagramas de dúvida e suspeita o que era a empresa Tecnoforma, logo em Outubro de 2012, não consta que tenha dado o mesmo relevo de forma e conteúdo ao arquivamento dessas suspeitas, ocorrido recentemente no DIAP de Coimbra. E era essa a principal suspeita da campanha jornalística nesta investigação ou vice-versa, porque era disso que se tratava.
Porém, como o jornalismo neste caso é como as cerejas, veio agora a lume outro facto relevante, inserido na mesma campanha para saber o que foi a tal Tecnoforma que envolveu o antigo ministro Relvas e o actual primeiro-ministro Passos, que esteve logo em foco , a propósito deste assunto, desde que tomou posse como governante.
Jornalisticamente, o resumo dos factos pode ser este, faltando apenas os que  envolvem o jornalismo destas causas sempre interessantes e que funcionam por meios que nunca saberemos ao certo. Uma coisa é certa: há factos e factos. Uns servem; os outros não servem para nada.

 Agora toma-se conhecimento do arquivamento do caso, definitivamente, pelo MºPº, numa assunção clara de impasse investigatório perante a ausência de crime. E que faz o Público onde tudo começou?

O director Dinis, Dinis que alguém assim quis, remeteu para uma página interior e uma colunazinha o assunto requentado e sem interesse algum. A Geringonça já está no poder...


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ave, Mao! Os malucos saudam-te!



  Nas semanas e meses que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 o país transformou-se numa exposição a céu aberto do grafitismo político, tantas as pichagens e inscrições murais de carácter político que então surgiram.
Virtualmente nenhuma aldeia do país ficou isenta de tais apresentações gráficas de cariz propagandístico.
Um dos movimentos políticos que mais se destacaram na pintura de paredes foi o MRPP, cujas duas últimas letras da sigla chegaram a estar associadas a tal actividade: pintores de paredes. O mais célebre slogan pintado: "Nem mais um soldado para as colónias!"  Grande obra a dos notáveis do MRPP !, hoje situados em lugares de relevo no panorama social e que nunca pagaram o devido preço dessas parvoíces que escreveram e que nos trouxeram desgraças sociais várias.

Esse fenómeno político, daqueles anos, tinha aparecido originariamente no início dos anos setenta, em Lisboa e nos meios estudantis, segundo reza a história, no caso escrita por Miguel Cardina.

Entre os seus mentores da época estavam estudantes que mais tarde se notabilizaram em lugares de destaque político e jornalístico e ainda intelectual que ficaram para sempre conhecidos como ex-maoístas: Durão Barroso,  José Lamego, Jorge Coelho, Maria João Rodrigues  Nuno Ribeiro da Silva,  Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Maria José Morgado e Saldanha Sanches,  bem como os jornalistas José Manuel Fernandes,   Manuel Falcão  e João Mesquita, antigo presidente do sindicato dos jornalistas, a dirigente da comunidade israelita de Lisboa, Esther Mucznik, e o académico António Costa Pinto.
Quem os ouve, hoje em dia, parece que foi tudo a reinar. Coisas de juventude, natural e perfeitamente aceitável. Só que a juventude não é desculpa para a estupidez ou a ignorância relapsa de quem não procurou informar-se podendo e devendo fazê-lo. Daí que as razões dessas opções políticas residam muito mais na personalidade sui generis dos militantes do maoísmo serôdio e sem eira nem beira, neste canto à beira-mar plantado há muitos séculos. 

Uma coisa que sempre me espantou foi a circunstância de essas pessoas, na época, serem estudantes que liam e pelos vistos "liam tudo", como diria mais tarde um deles, anotado pelo  Público, em 15.8.2004:

Terão eles mais em comum do que esta incursão pela extrema-esquerda? Pois é aqui que regressamos às preferências do patrão do "Expresso" e da SIC pelos maoístas. "Devido à nossa enorme capacidade de trabalho", justifica José Manuel Fernandes. Ainda mais fundo: ninguém que tenha sido formado em jovem nas organizações de extrema-esquerda pode sair igual aos outros que não tiveram esta experiência. Estavam lá a tempo inteiro, pertenciam a uma minoria activa, o que acarretava riscos vários, extremavam-se em aperfeiçoar a arte de transmitir convicções. Como tinham lido quase tudo, eram a seu modo, um grupo de iluminados.Jorge Coelho: "Características deste gente? Grande nível de preparação política, grande capacidade de trabalho e disciplina, de determinação". Ana Gomes: "Foi uma escola política que marca no tipo de raciocínio, de análise e até de linguagem". O que justificará em parte, o ainda discurso inflamado da dirigente socialista: "Talvez ainda não esteja formatada de modo adequado". A ruptura, para a maior parte deles, começou pela constatação que o ambiente nas suas organizações se tornara "insuportável", concentracionário. E também pelo que dizem ser a "falta de sentido" que de repente encontraram na sua militância. Foi esta a experiência de Maria José Morgado e de Ana Gomes. Tinha acontecido o 25 de Abril, existia liberdade, mas eles continuavam a actuar como se ainda fosse o fascismo. Este desapego da realidade sentiu-o Ana Gomes com toda a força quando foi obrigada a isolar-se em casa com a sua filha, de seis meses, que apanhara uma pneumonia durante as suas constantes andanças com a mãe

Todas estas pessoas se formaram com estudos de universidade e encarreiraram de diversas formas.  Como foi possível passarem esses anos todos sem que se dessem conta do logro, do embuste politico-ideológico que depois vieram a reconhecer  com toda a candura décadas mais tarde?
 Como é que tais evidências agora reconhecidas não o foram na época em que poderiam ter sido e muitos reconheciam?  Que estranha cegueira os atingiu de modo fulminante nesse tempo?

(...)

 Mas foi preciso esperar pelos anos 90 para que a José Manuel Fernandes lhe caísse em cima "o lado negro e trágico da Revolução Cultural chinesa". Aconteceu com a leitura de "Cisnes Selvagens", o livro de Jung Chang que está para a China como o "Arquipélago de Gulag" esteve para a URSS. Devastador. Um arrepio: "Quando li este livro uma das coisas que me impressionou naquele tipo de vida, na dedicação que era exigida, é que aquilo era muito parecido com o que tinha vivido nas organizações a que pertenci".Alguns curaram as feridas no chamado Clube da Esquerda Liberal, já nos anos 80. Ficaram vacinados. É o que assumem, pelo menos. "Quando se acredita numa verdade absoluta e depois acontece o descalabro fica-se a perceber melhor o relativismo das coisas. Tornei-me assim uma pessoa muito anti-dogma", descreve Maria José Morgado. "Ter sido maoísta faz-me sentir muito mais vigilante, ter muito mais cuidado com as tomadas de posição, ter um muito maior apego às instituições e à democracia liberal. É preciso não forçar demasiado o sistema porque a democracia é um bem frágil", diz Costa Pinto, que precisamente elegeu como sua área privilegiada de estudo a democracia e o autoritarismo. O que são então eles hoje? José Lamego propõe uma grelha: "Há duas camadas geracionais: a dos militantes esquerdistas contra a ditadura e que está à esquerda. E a experiência esquerdista em afrontamento com o PC e que está à direita. Foram formados na luta contra o PC". É o caso, entre outros, de Durão Barroso.

 É essa tentativa de compreensão  que procuro fazer aqui com algumas indicações do tempo e que parece terem sido completamente ignoradas por esses indivíduos, em prol de fézadas que se revelaram enganos ledos e cegos que a fortuna, apesar de tudo ainda deixou durar muitos anos.

Antes de 25 de Abril de 1974 o maoísmo era a China de Mao e a política externa que alguns países então desenvolveram de aproximação à China, porque era assim que se apresentava nos media existentes. A visita de Nixon à China foi um acontecimento de relevo mundial.

A revista Observador de 3.12.1971 mostrava em duas páginas "o pensamento de Mao"...




Em 25 de Fevereiro a mesma revista apresentava a visita de Nixon apenas como um "grande negócio"...





Em12.11.1971 a revista Vida Mundial mostrava quase a mesma coisa: uma China irreal e desconhecida que aparecia filtrada pelos media, em que não se falava de comunismo, maoismo, Revolução Cultural ou outros temas claros e elucidativos do que realmente se passava nesse país.


Essas revistas pareciam versões em reader´s digest da Foreign Affairs americana. A realidade chinesa pura e simplesmente não existia como facto noticioso.

E quem elucidava verdadeiramente o que se passava no país de mais de um bilião de pessoas, em pleno refluxo de uma Revolução Cultural muito aplaudida pelos maoistas serôdios de cá?

Pois, quem lá viveu o tempo suficiente para perceber o que se passava. E escreveu um livro publicado em França, em finais de 1971 que por cá passou completa e incompreensivelmente ignorado, eventualmente até hoje.

Simon Leys era o autor, mas um pseudónimo de um indivíduo belga, Pierre Ryckmans, então refugiado na Austrália e que ninguém conhecia.
Nas revistas francesas de esquerda , na época, em finais de 1971 ( Tel Quel, bíblia do esquerdismo nacional e Le Nouvel Observateur, do socialismo democrático francês de Jean Daniel) a demolição do livro e do seu autor foi de preceito.

Por cá, nem se falou no livro, quanto mais nas ideias que lá vinham e que eventualmente teriam demovido de muita parvoíce os então maoistas em gestação acelerada.
Nenhuma revista falou ou recenseou a obra que eventualmente nunca foi traduzida em Portugal até hoje.

O livro retomava a célebre historieta infantil dos trajes novos do imperador...que afinal ia nu, para denunciar as manobras criminosas de Mao e da sua clique para se amparar do poder, através de uma fantasiosa Revolução Cultural, como de facto aconteceu.


Há dias, em 26 de Agosto, a revista Le Figaro Magazine recordou o que se passou com a publicação desse livro em França e a perseguição pessoal movida ao autor pela intelligentsia de esquerda francesa que dava cartas aos intelectuais de cá. Aos pachecos pereiras e afins prados coelhos, para além dos maoistas nascentes.




 É algo estranho que no Portugal da época tenha passado completamente ignorada esta obra, de denúncia de um maoismo criminoso, tal como tinha sido o estalinismo denunciado pelos sucessores ( Krutschev). Porém ainda é mais estranho que os maoistas nascentes não tenham dado importância a um livro que certamente conheciam pelas leituras francesas que então faziam ( "liam tudo"...)

Alguém explicará esta ignorância estratégica?

Por isso mesmo e por outras razões em 1974 os maoistas portugueses estavam virgens de tais ideias e factos. Ou faziam de conta. E por isso deram em reproduzir as parvoíces que imaginavam aplicáveis a uma sociedade como a portuguesa.

Nos muros de 1974 e 75 apareciam cartazes como estes, publicados no livro A guerra dos cartazes.



E se não conheciam o livro de Simon Leys conheciam muito bem as parvoíces perigosas que aqui se escreviam e foram logo publicadas em Junho de 1974.



Coisas como estas que Saldanha Sanches, Maria José Morgado e outros comiam ao pequeno almoço...coisas sobre a guerra, a luta de classes, as armas para liquidar a burguesia e outras parvoíces que não tenho bem a certeza que alguns tenham abandonado, como tal. Pessoas muito inteligentes, estas...


E afinal o que era o MRPP? Um antro de doidos políticos como continua a ser e que vivem ainda à custa do Estado português que os subsidia emquanto a Constituição proíbe as "organizações fascistas" e permite estas "maoistas", muito mais civilizadas e democráticas...

Em Novembro/Dezembro de 1974 não faziam segredo algum dessa loucura colectiva que até denunciavam os outros malucos do asilo ( os do PCP) como inimigos irredutíveis:



 Em Abril de 1975 até concorreram a eleições, apesar do boicote dos demais partidos esquerdistas cujas revistas de propaganda nem os conheciam...

Porém, a Vida Mundial de10.12.1974 apresentava assim o MRPP e as suas "bases programáticas", com que se apresentava ao eleitorado, já como partido:


A Flama de então ( fora do Patriarcado e estava nas mãos dos comunistas, um tal Alexandre Manuel e outros)  nem sabia quem era o MRPP, mas dava o destaque principal a Soares e Cunhal.


Na época a proliferação de grupelhos "m-l" ( que os pachecos pereiras afeiçoavam ideologicamente) era pior que a dos cogumelos na humidade, como mostra este gráfico do blog mencionado, de Miguel Cardina:


E como é que os demais "m-l" lidavam com o "líder da classe operária" e sus muchachos n o MRPP? Na revista Manifesto, de Fevereiro de 1975, então dirigida por Guerra Madaleno ( um advogado agora na berra...) foi publicada a posição desses malucos, em "mesa-redonda" sobre vários assuntos: