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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Os impérios também se abatem

O jornal francês Le Monde publicou um suplemento especial sobre os Impérios que existiram ao longo dos séculos e também nós fomos contemplados com o nosso império colonial e marítimo começado no séc. XVI.

Torna-se muito interessante ler a história de alguns desses impérios que desapareceram do mapa político há séculos ou décadas, apenas. Tal leitura dá-nos uma perspectiva realista e mais consentânea dos "ventos da História" que ajuda a relativizar o que nos aconteceu no séc. XX,  com a nossa retirada dos territórios africanos que foram nossos durante séculos e que alguns choram amargamente como se tal fosse uma amputação da própria natureza da nossa Nação.

A revista francesa L´Histoire já tinha publicado um número especial em Abril de 2014 dedicado ao nosso "Império ultramarino" e a análise que então fazia merece estudo e atenção, porque contrasta um pouco e coloca em perspectiva mais adequada as ideias do tenente coronel Brandão Ferreira,  tal como expostas nos três artigos que publicou no O Diabo sobre o Mare Liberum, um dos quais, o último,  foi aqui reproduzido.

A revista começa por contar o que nos aconteceu no séc. XIX com o caso do mapa-cor-de-rosa, provavelmente a maior humilhação que sofremos depois de séculos. E que ficou impune por fraqueza nossa. Não tínhamos poder militar para opôr aos que nos falavam mais alto, nomeadamente os ingleses que queriam fazer coisa sua os territórios africanos do Cairo ao Cabo, na faixa central, interior, da África.  A nossa aliança secular com a "pérfida Albion" manteve-se e como lembrou o nosso presidente da República, recentemente e perante a soberana, herdeira dessa gente, a mesma até veio cá, por duas vezes, sendo recebida com pompa e circunstância, no tempo de uma República que surgiu em parte por causa da fraqueza da monarquia, também nesse aspecto. 
O tempo que decorreu até ao advento do Estado Novo foi de opróbrio e resignação perante os ingleses apesar da farronca mostrada em pasquins e cafés do Terreiro do Paço. O melhor exemplo é o da imagem que mostra a família real a andar pela praia, para o exílio enquanto os mirones espreitam do cimo da ravina amurada.
Décadas depois foi a recuperação da dignidade perdida, devido a Salazar cujo relevo político é explicado pela revista em seis páginas ilustradas. A última ilustração nunca a tinha visto...

Essa recuperação de dignidade devêmo-la a Salazar e a mais ninguém e era justiça que lhe deveria ser feita. 




Salazar recuperou os velhos mitos da grandeza da Pátria e dos feitos dos heróis de antanho e deu novo alento aos portugueses, com essa propaganda. Em 1940, a celebração em Exposição do Império Português foi o auge dessa gesta. O ensino reflectia essa imagem de grandeza da Nação que dera "novos mundos ao mundo", nas ilustrações, histórias e textos literários, com destaque para Os Lusíadas de Luís de Camões.

Para se ver melhor o que éramos, o que tínhamos sido e ainda o que outros foram em circunstâncias semelhantes importa relativizar o que a revista do Le Monde faz, assim:

A história dos Impérios mais recentes e dos países mais próximos pode assim resumir-se no casos da França, Grã-Bretanha, Espanha e finalmente Portugal:


O Império português é o primeiro dos impérios europeus da Idade Moderna. Seguiram-se os outros e todos  caíram, pela independência concedida aos respectivos povos autóctones. O português, naturalmente caiu também. E afinal o espanhol é que pretendia "evangelizar" o mundo...e por isso a América Latina é católica.

É perfeitamente utópico e de um realismo fantástico julgar que tal não sucederia e seríamos o único país europeu a manter um império colonial contra tudo e contra todos, no séc. XX e nos seguintes.

Portanto, conjugando estes factos históricos com as explicações dadas por Kaulza de Arriaga e outros para o desmantelamento do nosso império colonial que sobrou dos sec. XVI e XVIII ( data da ocupação do interior dos territórios africanos segundo a revista) deverá assumir-se a inevitabilidade do desaparecimento do nosso império  devido aos "ventos da História", precisamente.

Outros Impérios bem maior e significativos que o nosso desapareceram. O nosso não seria excepção...e julgar o contrário é ignorar esse devir histórico.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O Governo-Sombra de Passos Coelho

Esta notícia passou um tanto ou quanto ao lado da actualidade mas merece destaque porque é uma espécie de governo sombra. De resto parecem-me nomes bem melhores do que os propostos pelo comentador-advogado de negócios Marques Mendes, no tempo dele ( até lá tinha o abencerragem Pacheco):

Ao todo são 25 nomes, aos quais o Observador teve acesso e que incluem figuras de várias áreas, como o ex-bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, a atual presidente do Conselho de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros, Ana Fonseca, o CEO da Mota-Engil Engenharia, Horácio Sá, bem como vários professores universitários, incluindo alguns que participaram na elaboração do programa eleitoral de PSD e CDS nas últimas legislativas. Seguem breves currículos dos 24 membros (a que se soma José Matos Correia), cedidos ao Observador por fonte social-democrata:
Abílio Morgado
Advogado. Licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa (Lisboa). Consultor do Presidente da República para os Assuntos de Segurança Nacional (2006-2014). Secretário de Estado da Administração Educativa do XV Governo Constitucional. Secretário de Estado da Defesa Nacional do XII Governo Constitucional. Foi Administrador de várias empresas, com destaque para a SONAE Turismo e a TAP, bem como Diretor para as Relações Internacionais da EXPO 98.
Ana Fonseca
Enfermeira. Professora Coordenadora da Escola Superior de Enfermagem São João de Deus da Universidade de Évora, na qual obteve o título de Especialista. Mestre em Ciências da Enfermagem pela Universidade Católica Portuguesa. Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica pela Ordem dos Enfermeiros. Presidente do Conselho de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros.
António Fidalgo
Professor Catedrático na área das Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior, da qual é Reitor. Bacharel em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mestre e Doutor em Filosofia pela Universidade de Wurzburg (com equivalência concedida pela Universidade Católica Portuguesa). Lecionou na Universidade de Bamberg, na Universidade Católica Portuguesa, na Universidade Federal da Bahia e na Universidade de Santiago de Compostela.
António Martins da Cruz
Embaixador (na reforma). Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas do XV Governo Constitucional, Embaixador de Portugal em Madrid e Representante Permanente junto da NATO e assessor diplomático do Primeiro-Ministro (1985-1995).
António Murta
Gestor. Licenciado em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Minho, possui um MBA pelo Instituto Superior de Estudos Empresariais e concluiu o AMP (Advanced Management Programme) no INSEAD. Administrador executivo da Pathena (empresa de capital de risco). Sócio fundador de várias empresas da área das tecnologias de informação. Diretor Não Executivo da COTEC Portugal.
Dália Costa
Professora Auxiliar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Licenciada em Política Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Pós-graduada em Ciências Criminais pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde (Sul). Mestre em Sociologia pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Doutora em Sociologia da Família pela Universidade Aberta. É Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Estudos de Género, Investigadora do Centro de Administração e Políticas Públicas e membro do Conselho Consultivo da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.
David Justino
Professor associado com agregação em Sociologia na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia. Doutorado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É Presidente do Conselho Nacional de Educação. Foi Assessor para os Assuntos Sociais do Presidente da República (1996-2006), Ministro da Educação do XV Governo Constitucional e Deputado à Assembleia da República (1999/2002 e 2004/2005). Lecionou na Universidade de Évora, no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa e no Instituto Superior de Economia.
Diogo de Lucena
Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Mestre e Doutor em Engenharia de Sistemas pela Universidade de Stanford. Foi professor do Instituto Superior Técnico e Professor visitante da Universidade de Stanford, Vice-Reitor da Universidade Nova de Lisboa, Diretor do Programa de MBA da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.
Dulce Franco
Advogada. Especialista em direito societário, corporate finance e private equity. Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Membro do painel de árbitros da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola. Foi Secretária de Estado Adjunta do Ministro da Economia (2002-2003).
Fernando Bianchi de Aguiar
Consultor e Professor Associado com agregação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (aposentado). Licenciado em Engenharia Agronómica pelo Instituto Superior de Agronomia. Doutor em Engenharia Agrícola pela UTAD. Foi Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural do XV Governo Constitucional, Presidente do Instituto do Vinho do Porto, Presidente da Association Universitaire Internationale du Vin et des Produits de la Vigne e Presidente (em representação de Portugal) da Organisation Internationale de la Vigne et du Vin.
José Loureiro dos Santos
General de 4 estrelas (na reforma). Tem o Curso de Estado-Maior do Exército Português e o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (correspondente ao doutoramento em Ciências Militares – Aplicações, Planeamento e Estudos Militares). Foi Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e Chefe do Estado-Maior do Exército. Foi membro do Conselho da Revolução. Foi Professor do Instituto de Altos Estudos Militares e do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. É membro da Academia de Ciências de Lisboa.
Horácio Sá
Gestor. CEO da Mota-Engil Engenharia, SA. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Detentor de um MBA lecionado conjuntamente pela Universidade Católica, pela Universidade Nova de Lisboa e pelo MIT. Foi diretor de engenharia da Ascendi.
João Borges Assunção
Professor Associado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, onde coordena o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa. Licenciado em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. MBA na Universidade Nova de Lisboa. Doutor em Gestão pela UCLA. Consultor Económico do Presidente da República (2006-2016). Assessor Económico do Primeiro-Ministro (2002-2005). Foi CEO da Fundação Vodafone e Professor da Universidade da Columbia.
Jorge Bravo
Professor da NOVA Information Management School. Licenciado em Economia pela Universidade de Évora, Mestre em Economia Monetária e Financeira pelo ISEG e Doutor em Economia pela Universidade de Évora. É Professor convidado da Universidade de Paris-Dauphine (Paris IX). Foi Professor da Universidade de Évora e do ISEG. Coordena o ORBIS – Observatório de Riscos Biométricos da População Segura em Portugal da Associação Portuguesa de Seguradores. É consultor do INE e membro do BBVA Pensions Institute (Madrid).
Jorge Campino
Professor da Universidade de Aveiro, da Universidade Portucalense e da Porto Business School. Técnico Superior do Instituto de Segurança Social. Licenciado em Economia e em Gestão e Administração de Empresas pela Universidade Católica de Lisboa. Mestre em Finanças pela Universidade Portucalense. Doutorado em Economia pela Universidade de Aveiro. Foi Vice-Presidente do Instituto da Segurança Social (2015-2016), Diretor do Centro Distrital de Segurança Social de Aveiro (2002-2005), Presidente do Conselho Diretivo do Centro Regional de Segurança Social da Região Centro (1993-1996) e Presidente do Conselho Diretivo do Centro Regional de Segurança Social de Aveiro (1992-1993).
Luís Correia da Silva
Empresário. Diretor executivo da TT – Thinktur. Vice-Presidente da Confederação do Turismo Português. Licenciado em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia. Mestre em Economia pelo ISEG. Pós-graduado em Comércio Internacional pela École de Commerce Solvay da Universidade Livre de Bruxelas. Foi Secretário de Estado do Turismo do XV Governo Constitucional. Foi Vice-Presidente do ICEP, Administrador executivo da Lusotur e do Grupo André Jordan, Administrador não executivo da TAP, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Air Macau e Presidente do Conselho de Administração da Groundforce. É Professor Convidado do mestrado em Economia da School of Business and Economics da UNL.
Luís Filipe Reis
Gestor. Chief Corporate Center Officer da SONAE e CEO da SONAE Financial Services. Professor Associado Convidado da Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. MBA pela Porto Business School da Universidade do Porto. Doutor em Ciências Económicas e Empresariais pela Universidade Complutense de Madrid. Foi CEO da Optimus, Presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição e Presidente da APRITEL.
Luís Valadares Tavares
Professor Catedrático do Instituto Superior Técnico (Investigação Operacional e engenharia de sistemas) e Professor Convidado da Escola de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa. Licenciado em Engenharia Civil pelo IST. Mestre em Investigação Operacional pela Universidade de Lancaster. Doutorado em Engenharia pelo IST. Presidente do Observatório de Prospetiva da Engenharia e da Tecnologia e da Associação Portuguesa dos Mercados Públicos. Foi Diretor-Geral do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Economia, Gestor do PRODEP, Diretor do Programa de Informatização das Escolas do Banco Mundial, Vice-Presidente do Conselho de Educação da OCDE e Presidente do Instituto Nacional de Administração.
Manuel Meirinho Martins
Professor Catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (na área da Ciência Política), instituição de que é Presidente. Licenciado em Comunicação Social, Mestre e Doutorado em Ciência Política pelo ISCSP. Foi Deputado à Assembleia da República (2011/2012).
Maria do Céu Ramos
Jurista. Secretária-Geral da Fundação Eugénio de Almeida. Licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa. MBA pela Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa. Pós-Graduação em “Corporate Creativity e Innovative Management” pelo IADE. Exerceu advocacia. Foi Deputada à Assembleia da República (1995-1997 e 1999-2001). Foi Secretária de Estado da Juventude do XII Governo Constitucional.
Pedro Nunes
Médico. Licenciado em Medicina e Mestre em Ciências Morfológicas pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Especialista em Oftalmologia e em Gestão de Sistemas de Saúde pela Ordem dos Médicos. Assistente hospitalar de Oftalmologia. Foi Bastonário da Ordem dos Médicos, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve e assistente da Faculdade de Ciências Médicas.
Rui Medeiros
Professor Associado, com agregação, da Universidade Católica Portuguesa, instituição onde concluiu a sua licenciatura, o mestrado e o doutoramento. Advogado. Foi Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, Professor Convidado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e do Instituto de Altos Estudos Militares. Ministro da Modernização Administrativa do XX Governo Constitucional. Presidiu à Comissão de Monitorização do Regime do Arrendamento Urbano e do Grupo de Trabalho que elaborou a proposta de Código dos Contratos Públicos.
Susana Afonso
Advogada. Especialista em questões de Direito do Trabalho e Direito da Segurança Social. Licenciada em Direito pela Universidade Lusíada de Lisboa. Membro da European Employment Lawyers Association.
Teresa Albuquerque
Gestora. Licenciada em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Gestão de Projetos Culturais pela Dijon Business School. Membro do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Mateus. Vice-Presidente do Instituto Internacional da Casa de Mateus. Foi consultora da Agência Europeia para a Educação, o Audiovisual e a Cultura, membro do Grupo de Peritos de Alto Nível para a Europa Criativa e Adjunta para a Cultura do Primeiro-Ministro (XIII Governo Constitucional).
Teresa Gamito
Consultora. Licenciada em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico. Pós-graduada em Ordenamento do Território pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. MBA pela Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais pela Universidade Católica Portuguesa. Doutorada em Gestão Multidisciplinar da Paisagem (Instituto Superior de Agronomia/Universidade de Évora/Universidade dos Açores). Assessora do Primeiro-Ministro para o Ambiente, Território e Transportes (2003-2005). Vice-Presidente do Instituto da Conservação da Natureza (2002-2003).

Uma ideia que vem do CongressoPassos Coelho decidiu reativar o Conselho Estratégico do PSD no último congresso do partido, em abril deste ano e escolheu para presidir ao órgão o até então seu vice-presidente (deixou de ser nessa reunião magna dos PSD), José Matos Correia. Mais tarde, equiparou-o a vice-presidente e, além disso, Matos Correia tem participado em todas as reunião do órgão de cúpula do partido: a Comissão Política Permanente.
De acordo com os estatutos do Conselho Estratégico — aprovados no Conselho Nacional de 20 de julho — terá também como atribuição “elaborar relatórios ou pareceres a solicitação” do presidente do partido. Este organismo irá funcionar “em plenário ou em grupos de trabalho especializados, sempre o tratamento de matérias específicas o justifique”.
Com a primeira reunião, fica assim efetivada a reativação do Conselho Estratégico, um organismo que não tinha influência desde a presidência de Marques Mendes. Ou seja: há mais de dez anos. De acordo com os estatutos do PSD, o Conselho Estratégico “integra personalidades de reconhecido mérito, e competência, militantes do PSD ou independentes, e destina-se a aconselhar o presidente do partido no que toca às grandes questões nacionais.”
A escolha dos membros deste órgão é estatutariamente da responsabilidade do líder, mas neste caso foram propostos por Matos Correia. No tempo de Marques Mendes (2005) foram escolhidos verdadeiros pesos pesados e integraram o conselho nomes de dentro e fora do partido como Ângelo Correia, António Nogueira Leite, Carlos Pimenta, Eduardo Catroga, João de Deus Pinheiro, João Lobo Antunes ou José Pacheco Pereira.

A lucidez é rara mas existe

Este artigo publicado na revista francesa L´Express, desta semana, foi originalmente publicado em 25 de Agosto de 1979 e é da autoria de Jean-François Revel, falecido em 2006.

A lucidez do escrito ainda hoje contrasta com o que se viu, ouviu e leu, nos media portugueses da actualidade.


Hoje na revista Sábado esta pequena nota de Alberto Gonçalves mostra, porém, que nem todos estão anestesiados nem todos são   adelinos farias, o novo chantre da manipulação da informação televisiva.



Elina fora.


Observador:

Guilherme Figueiredo foi confirmado esta manhã como o novo bastonário da Ordem dos Advogados com a publicação dos resultados oficiais das eleições que decorreram esta terça-feira, confirmando assim a notícia avançada durante a madrugada pelo Observador.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O últimos lusitanos da Direita nacional

Há uma Direita portuguesa que  existia em 1974 e entretanto desapareceu, restando ainda alguns indivíduos isolados e na maioria silenciosos, alguns deles em blogs. Essa Direita não encontra qualquer expressão ou oportunidade para tal nos principais media, o que denota bem a qualidade da democracia que temos.
É uma Direita difícil de definir mas que encontra um denominador comum na questão do Ultramar português, nunca resolvida porque nunca esclarecida devidamente nos pormenores essenciais que levou ao abandono do mesmo, depois de vários séculos de vicissitudes que ficam sumariamente explicadas neste artigo de Brandão Ferreira, no O Diabo de hoje:



Essa Direita no final dos anos setenta decidiu, através de alguns dos seus elementos mais proeminentes accionar criminalmente alguns indivíduos que tomaram como os responsáveis directos da chamada "descolonização".

Em 28 de Dezembro de 1979, o General Silvino Silvério Marques e o Engenheiro Leonel Luís Nunes Vieira de Aguiar apresentaram uma queixa crime na PJ contra certos indivíduos, assim:



Essa queixa teve os trâmites legais e chegou ao STJ. Como é costume dizer-se não deu em nada...

Os autores publicaram depois na Ulisseia, em 1983 um livro com as peças processuais e pareceres em que se destaca o do Prof. de Direito Penal da escola de Lisboa, Manuel Cavaleiro de Ferreira.

A introdução resume o teor do livro:



E os responsáveis, segundo Kaulza de Arriaga, no seu livro Guerra e Política ( tiragem de 6000 exemplares) , de 1987:










Fica feito o balanço. Só falta é descobrir o que é essa Direita mítica que procuro saber desde há muito o que é...

Terei que ler que autores mais?

Dar o flanco...

Brandão Ferreira, cujos escritos leio no O Diabo,  publicou este, hoje,  em que dá um flanco desnecessário a quem o quiser atacar ( o termo é de índole militar, como o cronista que é oficial piloto aviador).


Quando saiu a notícia no Expresso,  mencionava a  procuradora titular do inquérito como tendo referido que os arguidos, ou seja "os militares em causa moviam-se por “ódio patológico e irracional contra os instruendos” e consideravam-nos “pessoas descartáveis”,e  achei estranho

O Expresso ou o Observador que dava conta das expressões que me pareceram insólitas não esclarecia os leitores, como é habitual. Provavelmente não falaram com ninguém do MºPº a pedir explicações, apesar de o MºPº andar ultimamente muito preocupado com os processos de repercussão social. Essa preocupação, no entanto, não é suficiente para evitar equívocos e notícias como a do Expresso e Observador que rebuscam sempre o lado insólito das notícias que lhes chegam. E depois acusam o Correio da Manhã de jornalismo fraco...ou pior que isso.

A seguir a essa notícia muito mal parida e desinformadora porque não explicativa dos contornos em que a procuradora escrevera tais expressões, soube-se que tinha sido no âmbito da investigação já efectuada pelas autoridades militares e com os elementos de prova já recolhidos indiciariamente no inquérito que justificaram, no entender da mesma, a detenção dos militares para os apresentar em primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coacção.

Tal decorre das regras do processo penal e o artigo de Brandão Ferreira denota que o mesmo não percebeu tal procedimento, ao falar em prisão, pena e outras barbaridades que só o corporativismo, neste caso militar, pode de algum modo contextualizar e desculpar. Mas acaba na mesma por dar o flanco ao qualificar a procuradora para além do necessário.

Como se deve saber e decorre daqui, do artº  141º do C.P.P., assim:


Artigo 141.º
Primeiro interrogatório judicial de arguido detido

1 - O arguido detido que não deva ser de imediato julgado é interrogado pelo juiz de instrução, no prazo máximo de quarenta e oito horas após a detenção, logo que lhe for presente com a indicação circunstanciada dos motivos da detenção e das provas que a fundamentam. (...)

Actualmente, por força das alterações da lei processual motivadas pelo processo Casa Pia e outras ocorrências envolvendo gente do PS, o MºPº é obrigado a apresentar o detido para interrogatório do juiz de instrução, com uma descrição e narração pormenorizada dos factos imputados e também, se entender curial, das razões por que pretende esta ou aquela medida de coacção.

A magistrada em causa, para justificar a medida de coacção pretendida, eventualmente de prisão preventiva, "carregou nas tintas" e escreveu aquelas expressões que me parecem na mesma algo insólitas, no contexto que não foi apresentado aos media ( o MºPº não foi capaz de passar aos media a informação eficaz e correcta, apesar de todo o formalismo da comunicação que não o devia ser tanto. Assim ficou a fuga de informação a valer mais que tal comunicação num processo com repercussão social evidente).

Porém, o juiz de instrução que procedeu ao interrogatório não concordou  com a medida de coacção proposta e alterou, não constando que tenha exarado aqueles considerandos sobre a personalidade dos arguidos militares, sem perícia psicológica ou psiquiátrica que os sustentasse devidamente.

Portanto, ainda não houve "acusação" como refere o artigo de Brandão Ferreira, mas apenas despacho de indiciação de factos para primeiro interrogatório judicial de detidos; ainda não houve "pena" porque a medida de coacção não é uma pena, mas uma medida cautelar, no inquérito e ainda não foi deduzida acusação formal e muito menos se encontra designado julgamento se for esse o caso.

Tudo isto resulta da desinformação do Expresso, habitual e cretina como sempre. Mas quem escreve sobre as cretinices do Expresso deveria saber melhor e ponderar a verdadeira informação que esclareça os factos.

Uma notícia mais razoável sobre o assunto pode ser lida aqui.

Atacar a procuradora por expressões no mínimo infelizes também ajuda pouco no caso...
Quanto ao assunto dos militares arguidos, deixemos correr o inquérito e as suas conclusões e depois poderemos falar com mais propriedade. Defender desde já a instituição militar baseados nos preconceitos a favor da mesma também ajuda pouco como explicação do que se passou.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O PCP mesmo fossilizado, sonha alto...

sapo24:

O “capitalismo está esgotado” e o sonho de Lenine continua vivo no PCP...

O PCP anda a sonhar alto do fundo do âmbar em que fossilizou. Outros melhores e mais antigos profetizaram o fim do capitalismo e o muro que caiu, afinal, foi o do Leste...

A revista Marianne desta semana publica uma recensão a livros sobre um diletante intelectual que escreveu sobre o assunto há uns anos e adivinhou a crise actual do capitalismo. Se o capitalismo mudar, por necessidade natural de adaptação,  não irá ser para o comunismo, isso é que parece certo. E muito menos para o leninismo fossilizado do PCP.


Então o Vale também não tem o direito de ter amigos...?

CM de hoje:







Percebido, folks?

Contributo para melhor conhecer Salazar: fala um sobrinho-neto




 Observador:


Não era avô. Mas Rui Salazar de Mello tinha-o como sendo um. António de Oliveira Salazar era o irmão da avó materna. E padrinho da mãe. O pai de Rui foi médico de Salazar, “que sofria muito da garganta”. A separá-los, uma vida. Ou quase. Na infância de Rui, Oliveira Salazar presidia ao Conselho, durante o Estado Novo. Visitou muitas vezes o tio-avô em São Bento. E encontravam-se os dois no Vimieiro, a terra onde Salazar nasceu, ora nas férias da escola, ora no aniversário do homem mais ilustre da terra, a 28 de Abril.
Diz do tio-avô que era “terno” com ele. E guarda ainda consigo o primeiro presente que este lhe ofereceu. “O meu avô materno morreu cedo e mal o conheci. Então, tinha o professor Oliveira Salazar como um. Mas nunca o tratei por avô. Tinha-lhe muito respeito e tratava-o por professor. Ele sempre foi um homem terno comigo. Certo dia, e como ele sabia que eu gostava de animais – e ele também –, ofereceu-me uma perdiz. Não era verdadeira. Era só uma estátua. Mas como eu era criança, acreditava que sim, que era mesmo uma perdiz. Tinha uns olhinhos de vidro. Ainda a tenho em casa”, recorda.
Rui Salazar de Mello cresceu e viveu parte da vida em Coimbra. Estudaria em Lisboa. Hoje vive no Vimieiro, em Santa Comba Dão, na casa que fora dos pais de Salazar e onde este passava férias. À avenida (de poucas casas e pouca ou nenhuma gente na rua, uma pacatez que só os carros desassossegam de quanto em quando) foi atribuído o nome do ditador. Tudo nela, e não apenas no n.º 46 onde Rui vive, evoca Salazar: há o lugar onde este nasceu em 1889, recuperado e onde à entrada se lê que é a casa de um “senhor que governou e nada roubou”; há a escola onde estudou e à qual foi igualmente atribuído o nome de Salazar; há um armazém (do sobrinho-neto Rui) onde se amontoa a mobília da casa onde Salazar vivia quando estudava em Coimbra.

 A vinha que fora de Oliveira Salazar ainda lá está, hoje a produzir menos (ou quase nada) do que outrora. “Quando é que você nasceu? Talvez tenha por aqui uma garrafinha do seu ano e depois envio-lha pelo correio. Ora escreva-me aí o seu endereço”, começou por atirar Rui Salazar de Mello, sentado na sala de casa, num velho sofá onde se lhe afunda o corpo, ao lado de um “altar” sobre o qual estão pousadas figuras religiosas, Jesus Cristo, a Virgem Maria, lado a lado com um busto de Salazar. “Olhe aqui! Sabe o que é isto?”, pergunta Rui, enquanto folheia documentos antigos, de papel algo amarelado, visivelmente gasto, até corroído, mas legível ainda. E, então, lê. Quase telegraficamente: “Federação de Vinicultores do Dão. 1 de Novembro de 1944. António de Oliveira Salazar. Branco: 260 litros. Tinto: 3.150 litros.”
A velha casa guarda ainda as histórias de quem lá viveu um dia. Sobretudo as de Salazar. O sobrinho-neto conta-as. Nas paredes da sala, por exemplo, estão pendurados três quatros, religiosos, e envolve-os uma moldura em madeira, escura, trabalhada e fina. Destoam. Eram de Oliveira Salazar, como quase tudo. E vieram directamente de São Bento, após a morte do presidente do Conselho. “Representam a Santíssima Trindade. Olhe com atenção: estão assinados pelo próprio cardeal Cerejeira. Foram oferecidos para dar protecção à casa do presidente do Conselho. O professor Oliveira Salazar era um homem religioso. Muito religioso. Mas praticava a religião longe dos olhos do mundo. Ele sempre deu muitas esmolas a gente que precisava. Tinha princípios morais. Foi o Marcello Caetano que ligou para os herdeiros quando ele morreu e disse-lhes para retirarem de São Bento os bens. E vieram para a casa do Vimieiro”, conta.

António de Oliveira Salazar morreria em 1970. O sobrinho-neto guarda o jornal O Século de 27 de Julho, o dia do seu falecimento. Adolescente, Rui esteve presente no velório em Lisboa e, mais tarde, no enterro em Vimieiro. “Senti uma pena imensa. Naquele dia morreu mais do que o professor Oliveira Salazar: morreu o meu avô. Mas tenho a certeza que ele, onde quer que esteja, continua a zelar por mim. E por Portugal também”, explica.
À morte do ditador seguir-se-ia, anos depois, a revolução do 25 de Abril. O apelido que Rui ostentava, persegui-lo-ia então. Ainda persegue. “Fui perseguido, sim. Fui marginalizado. E posso até dizer que sou uma vítima da democracia que chegou depois do 25 de Abril.” À época, era universitário em Lisboa. “Nós tínhamos que fazer trabalhos de grupo e os colegas recusavam-se a trabalhar comigo”, conta. Não temia pela vida. Temer, só temeu anos mais tarde, no Vimieiro, na casa onde vive.
Mal se entra na sala, e olhando em redor, o que salta à vista é um gradeamento, negro, de aço, que envolve toda a porta. É quase como se se entrasse num cofre-forte. Durante a noite o gradeamento é fechado à chave. Rui Salazar de Mello fá-lo para se proteger. “Certo dia, à noite, entraram-me dois homens em casa. Rebentaram a fechadura e entraram. Estiveram nesta sala onde estamos agora a conversar. E cheguei a ouvi-los dizer um para o outro: “Ele está cá, ele está cá!” Continuei no quatro, deitado, aqui mesmo ao lado. Eles vinham para me fazer mal. Tenho a certeza. Por sorte, um carro fez barulho na rua, eles assustaram-se e fugiram. Depois disso, tive que mandar pôr as grades na porta.”
 Rui Salazar de Mello adoptou três crianças, hoje adultos. Não herdaram os apelidos Oliveira e Salazar. A “perseguição” não chegaria a eles. “Não, eles não têm os apelidos. Mas estudaram e, estudando, tiveram oportunidade de tirar as conclusões que tinham a tirar [sobre quem foi Salazar e a ditadura]. As conclusões reais! Não as conclusões que se contam nos livros de história e na escola. Eles têm orgulho de pertencer à família dele [Oliveira Salazar]”, garante.

A pergunta é delicada. Ou melhor, fazê-la ao sobrinho-neto de Salazar pode torná-la delicada. “Quer perguntar, pergunte. Vai-me perguntar se ele foi um ditador? Um fascista? Eu respondo-lhe: não foi.” Porquê? “O fascismo foi em Itália. Nunca chegou cá a Portugal.” Mais fascista ou menos fascista do que em Itália, o Estado Novo tinha uma polícia, a PIDE, a qual usou politicamente durante toda a ditadura, uma PIDE que prendia e torturava, que matou, que silenciou pelo medo, que desprezava a liberdade individual e os direitos fundamentais. E isso é ditatorial. Não? “Não. Claro que não é verdade. Eu sempre ouvi dizer que Portugal era uma ditadura e que a PIDE fazia mal às pessoas. Mas isso está mal contado. Não acredito que a PIDE tenha feito tudo o que dizem que fez. Cheguei a ter conversas com gente que trabalhou na PIDE. Eles contavam-se que o que faziam era dizer às pessoas que as maltratavam se elas não dissessem o que tinham a dizer. Não acredito em torturas. Nunca torturaram ninguém”, defende.
O tema “ditadura” é desconfortável a Rui Salazar de Mello. Mas contrapõe sempre. Do analfabetismo, com uma das taxas (acima de 75% para as mulheres e 70% para os homens) mais altas na Europa à época, diz que foi “uma escolha”. E explica: “Havia muito analfabetismo durante o Estado Novo? Sim, havia. Mas o regime não tinha culpa nenhuma. O regime fez escolas. Todas as aldeias tinham escolas. Aqui no Vimieiro até havia mais do que uma. As crianças não iam à escola por causa das famílias, que não queriam. A escolha é das famílias.”

– Você sabe porque é que se fez o 25 de Abril? Diga lá a razão… [Pausa] Foi para acabar com a Guerra Colonial? – pergunta, retoricamente e de chofre, Rui.
O sobrinho-neto de Oliveira Salazar não aceita a razão. Para ele, o 25 de Abril “foi mau” para Portugal. “Você sabe que durante o Estado Novo a economia crescia 7% todos os anos em Portugal? O 25 de Abril veio acabar com isso. A maior parte dos políticos a seguir ao 25 de Abril são uns traidores! Os mortos durante a Guerra Colonial não são razão para se fazer o que se fez. Durante esse período [1961-1974], houve mais mortos nas estradas portuguesas do que na guerra. O professor Oliveira Salazar bem avisou: quando perdêssemos as colónias, estávamos perdidos economicamente. O resultado está à vista de todos. Se ele estivesse vivo, o 25 de Abril nunca tinha acontecido”, explica.

Quando Rui Salazar de Mello morrer, morre o últimos dos herdeiros de Salazar. Tem hoje 63 anos. Sobrevive com uma pensão de invalidez, “menos do que um salário mínimo”, que recebe mensalmente das Forças Armadas. Também por isso, pela pobreza em que vive – “Só como uma vez por dia!”, conta – e por querer que a memória (e o espólio) de Salazar não desapareça ao morrer, levou a Câmara Municipal de Santa Comba Dão a tribunal. Exige-lhe uma pensão mensal e vitalícia, “para ter uma velhice com dignidade”.
Mas a história é antiga. E envolve a doação da herança (parte dela foi depositada e não doada) do ditador à autarquia. E enumera: “É sobretudo material filatélico, numismático, medalhístico, objectos, revistas, jornais, documentos, mapas e livros. Tudo do professor Oliveira Salazar. Valerá, pelas minhas contas, 324 mil euros. E o que peço é uma contrapartida por esse depósito e essa doação.”
Quando recebeu a herança de Salazar, o sobrinho-neto dividiu-a em três quinhões. “E pensei: um deles há-de ser para a Câmara Municipal de Santa Comba Dão. Afinal, o professor Oliveira Salazar é de Santa Comba Dão, nasceu no Vimieiro, e um quinhão tinha que ser para o concelho. Nessa altura fiz uma doação. Outro quinhão dei-o à Universidade Católica de Viseu — essencialmente livros e correspondência. O terceiro quinhão ficou comigo.” Mais tarde, Rui depositaria na Câmara mais herança. “Entreguei seis depósitos à Câmara. Dois em 2007, dois em 2008 e outros dois em 2009. Depositei-os de boa fé”, garante.
Em tribunal, a Câmara Municipal de Santa Comba Dão garantiu que as caixas entregues por Rui Salazar de Mello não chegaram a ser abertas. Mas acatou a decisão da juíza. Até ao começo do ano, terá que avaliar o conteúdo — “com um valor histórico para Portugal”, assim foi definido no Tribunal de Viseu — destas e, seguidamente, definir uma renda a pagar mensalmente a Rui. “Sinto-me feliz com a decisão da juíza. Mas eles [Câmara Municipal] não pensem que vão avaliar mal. Não aceitarei que me paguem uns tarecos por aquilo. Eu quero estar presente — com a advogada — na avaliação às caixas”, lembrou.
 
— Para que é que lhe vai servir esta renda?
— A primeira coisa que vou fazer é mandar arranjar os dentes. E quero um dia poder ir para um lar.

Uma coisa é certa: em Santa Comba Dão não avançará o Centro de Estudos do Estado Novo. “Quando fiz a doação à Câmara, o presidente da altura disse-me que o Centro de Estudos avançaria — foi também isso que me convenceu a fazer os depósitos mais tarde. Isto em 2006. Esse presidente chegou a dizer que me pagaria 2.000 euros por mês de renda. Agora já só peço mil. Vamos lá a ver… Mas nunca se fez nada. O actual presidente ainda disse que seria em 2017, mas não há dinheiro. É sempre isso que dizem: que não há dinheiro. O que eu penso é que não há vontade de se fazer nada. Têm medo…” Medo? Rui Salazar de Mello explica, revoltado: “Sim. É que quando se falou do Centro de Estudos, apareceram anti-fascistas em Santa Comba Dão a protestar. Então, os presidentes, com medo, vão sacudindo o capote. Mas esses indivíduos que se dizem anti-fascistas nem são de cá. Porque é que não vão fazer barulho lá para a casa deles, lá para a terra deles, e não deixam a memória do professor Oliveira Salazar em paz?”
Durante a entrevista, as mãos trémulas de Rui vão folheando os documentos que guarda do tio-avô. Volta e meia pára e começa a lê-los, vagarosamente, . “Olhe aqui: é uma carta enviada ao presidente do Conselho. Foi escrita por presos. E termina assim: ‘Que Deus abençoe o bem que espalhais. Respeitosamente beijamos vossas mãos!’ O professor Oliveira Salazar foi um homem respeitado por todos, até presos. Tenho aí umas condecorações que ele recebeu. Mas essas hei-de doá-las ao Museu da Presidência. Tenho a certeza que o Marcelo [Rebelo de Sousa] as vai querer lá — o pai dele foi Governador-Geral de Moçambique durante o Estado Novo. À Câmara não entregarei mais nada. ”
Rui Salazar de Mello fecha o dossier onde arquivou os documentos que herdou do tio-avô.
– Que horas são? Quase uma da tarde?! O melhor é irmos almoçar ao Típico, se não depois não há tacho!
Almoça no restaurante — não muito longe de casa — todos os dias. É dele a mesa que está reservada no canto. “A cozinheira é que escolhe o que eu vou comer. Hoje vai ser peixinho cozido.” É a primeira e única refeição do dia.


O texto é de Tiago Palma
Aqui as fotos tiradas pelo repórter do Observador,  Michael Matias

Em primeiro lugar a casa onde Salazar nasceu, entretanto arranjada, nos últimos meses, eventualmente pela Câmara local.



Coisas de Salazar, ainda guardadas.




Os quadros religiosos aludidos no texto, oferecidos pelo cardeal Cerejeira.


 Rui Mello:










O escritor comunista Saramago tem uma casa-museu. Salazar, a maior figura do século XX português tem nada. Nada de nada. Nem sequer os seus discursos coligidos em seis volumes estão reeditados.
[nota apócrifa: os discursos em obra completa foram agora publicados pela Almedina. Finalmente!]

Não há e não houve ninguém em Portugal nos últimos 40 anos que fosse capaz de organizar uma casa-museu dedicada a Salazar e ao estudo da sua obra e do seu tempo. Nada de nada.

Maior vergonha para Portugal não há, neste aspecto. Maior vergonha para aqueles que aproveitaram o regime de Salazar e mudaram de casaca também não haverá.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa, filho de um ministro de Salazar ( curiosamente o único que não foi preso depois de 25 de Abril de 1974, como refere Silva Cunha em memórias)  pode e deve prestar a homenagem devida a essa grande figura portuguesa e recuperar a sua memória válida para todos os portugueses. Se é um presidente de "afectos" que se lembre do pai...

Deixem os comunistas berrarem à vontade...e mostrem-lhes então as imagens do Gulag, os livros de Soljenitsine, o Livro Negro do Comunismo a história de Cândida Ventura e talvez ganhem vergonha e se calem.

Portugal teve um passado do Estado Novo que começou em 1926 e  durou dezenas de anos até 25 de Abril de 1974. As novas gerações não conhecem esse passado porque a Censura do actual regime assim o quis por imposição dos comunistas, principalmente.
É tempo de recuperar a memória desse passado e mostrar às novas gerações que o tempo de Salazar não foi o do fascismo e da tirania da ditadura fascista e outras balelas correntes.

É tempo de mostrar às gerações mais novas que Portugal tinha uma dignidade que entretanto perdeu e mostrar porquê: porque perdeu a sua independência real e alguma da sua identidade secular.
Portugal não é apenas o que resulta dos últimos 40 anos de democracia mas muito mais que isso. Há que o mostrar sem qualquer revivalismo serôdio mas apenas por uma questão de respeito à História que os comunistas Rosas, Flunser e Varela contam à sua maneira e já tiveram todo o tempo e espaço mediático para o fazerem. Se são democratas deixem que outros contem a sua versão dessa História e não se intrometam com os insultos usuais à inteligência comum.

A análise comum sobre o comunismo

Este artigo de alguém que conhece o comunismo por dentro e por fora é sintomático do tipo de análise que deveria ser comum nos media mas não é por razões que deveriam ser indagadas porque são estranhas e eventualmente encontrarão explicação esotérica e psicológica.

Milhazes, o correspondente Observador:


Porque será que o Partido Comunista Português é praticamente o único partido comunista que ainda sobrevive na Europa? Por duas razões fundamentais: pelo subdesenvolvimento de Portugal em relação aos países ricos do continente europeu, que continua a manter desigualdades sociais grandes, e pelo facto de esta força política defender aquilo que noutros países europeus é defendido pela extrema-direita.
Ninguém esperava que o XX Congresso do Partido Comunista se transformasse em algo minimamente semelhante ao XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética de 1956, reunião em que os líderes soviéticos reconheceram os crimes (não foram erros, nem desvios) do regime estalinista. Como disse o deputado comunista António Filipe numa entrevista ao Observador: “Esses balanços estão feitos”.
Esses balanços estão feitos também em relação aos regimes comunistas de Cuba, Coreia do Norte, Vietname, China, ou ao regime “democrático-familiar” de Angola. Segundo os comunistas portugueses, qualquer um desses regimes é melhor do que as democracias europeias. Mas, em todo o caso, propõem para os mais cépticos uma via própria para o socialismo.
António Filipe dá um exemplo curioso para provar que em Cuba não houve, nem há presos políticos: “Vimos agora na recente visita do presidente Barack Obama, em que um jornalista norte-americano perguntou ao presidente Raul Castro porque é que não libertava os presos políticos e a resposta dele foi: ‘Diga-me lá quais são que eu liberto-os de imediato’”.
Ora, o deputado comunista deve ter-se esquecido que essa resposta não foi original, mas utilizada por dirigentes de outros regimes comunistas e totalitários. Os líderes soviéticos diziam exactamente o mesmo em relação a conhecidos dissidentes. Por exemplo, é o caso do grande poeta Iossif Brodski, Prémio Nobel da Literatura. Ele foi condenado por não ter um emprego, e não pelas ideias que defendia. Ou seja, assim não se poderia chamar preso político a uma pessoa que cometeu um crime de delito comum (quem não tivesse um emprego na URSS era considerado um criminoso — Brodski afirmou no tribunal que era poeta, mas o juiz não aceitou essa explicação e condenou-o). Esse método é actualmente utilizado na Rússia, onde Vladimir Putin deu precisamente a mesma resposta que deu Raúl Castro aos jornalistas quando lhe fizeram essa pergunta.
Nada de original tem a política do PCP em relação ao apoio de um governo do PS, considerado pelos comunistas “partido burguês” e de “direita”. Como é sabido dos clássicos do marxismo-leninismo, os fins justificam os meios e são permitidas alianças até com o diabo, desde que favoreçam a causa. Daí a política do “participa, mas não entra”.
Porém, os comunistas serão os primeiros a roer a corda quando as coisas começarem a dar para o torto. Por exemplo, a domada Intersindical passará à ofensiva.
Houve tempos em que o PCP se gabava de ter mais de 200 mil militantes, mas hoje são pouco mais de 50 mil. No entanto, ainda é cedo para tirar conclusões sobre a morte irreversível desta força política. Tendo em conta a situação política, económica e social que se vive em Portugal e na União Europeia, é previsível que o PCP tenha ainda muitos anos de vida, a não ser que o seu mais perigoso adversário, o Bloco de Esquerda, lhe continue a roubar o nicho por ele ocupado no sistema político português.
Além do atraso crónico em relação ao núcleo central dos países da União Europeia, fruto da incompetência dos partidos centristas, das ligações obscuras entre os poderes financeiro e político, da corrupção, etc., que fazem com que muitos cidadãos procurem soluções noutros quadrantes políticos mais radicais, em Portugal, devido à ausência de forças da extrema-direita, o PCP e o BE chamam a si também o papel que esse sector político desempenha noutros países da UE, estão juntos no combate contra o projecto europeu.
Exceptuando a xenofobia, exigências como a saída do euro ou até da União Europeia são comuns a ambos esses sectores políticos extremos. Em alguns sectores, o discurso de Jerónimo de Sousa ou de Catarina Martins não ficam atrás dos de Marine Le Pen no que diz respeito à “defesa dos interesses nacionais”.
Também não é por acaso que esses sectores apoiam a política externa de Vladimir Putin, vendo nela uma ajuda na destruição da União Europeia e no “combate ao imperialismo”.
A burocracia de Bruxelas e os governos dos países membros da União Europeia mostram cada vez menos capacidade de dar um novo alento ao processo de coesão, o projecto europeu está cada vez mais à deriva, criando um clima fértil para que forças extremistas conservem ou aumentem mesmo o seu poder de influência, para que surjam políticos populistas capazes de fazerem recuar a Europa a épocas sombrias.

E já agora esta também tem interesse, mas bate na mesma tecla do conformismo assolapado nas redacções:


1. Posso começar com uma citação? Ao falar sobre a campanha eleitoral para a Assembleia da República, o secretário-geral do PCP chamou a atenção para as “duas direcções fundamentais da sua actuação”. Eram elas: “Por um lado, evitar uma maioria da direita […] CDS e PSD e, por outro lado, criar condições para uma maioria de esquerda”. “Temos insistido na necessidade do acordo dos socialistas”, esclareceu, porque senão “o PS vai aliar-se à direita, vai aliar-se ao PSD e talvez ao CDS”. Depois de conhecidos os resultados eleitorais, e perante o sucesso do seu duplo objetivo, defendeu, com convicção e esperança, que “haveria possibilidades para a formação de um governo de esquerda assente nessa [nova] maioria”.
Todas estas citações são, obviamente, de Álvaro Cunhal, que falava sobre as primeiras eleições legislativas da democracia, em 1976. Está tudo nas Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal — Tomo VI, 1976 (Edições Avante!). 

Outra análise sobre o PCP, no Público de hoje e que arrisca a exposição das contradições sem tirar conclusões lógicas...

 

domingo, 4 de dezembro de 2016

A grande obra do PCP, segundo Lopes, aos Domingos.

Sapo24:

“No nosso país tudo o que de melhor foi feito tem o contributo do PCP”, vincou o homem que é um dos braços direitos de Jerónimo de Sousa dentro do partido, sublinhando que “pela sua natureza” os comunistas são “um alvo permanente do capital, dos seus meios e torturas”.  



O melhor do PCP, nos últimos 40 anos,  foi isto:

 A balbúrdia do PREC que nos trouxe a primeira bancarrota em mais de 50 anos.





O ataque aos "milionários" e a descapitalização do país durante décadas que ainda hoje se sente:





O "ataque" teve como perpetrantes indivíduos deste jaez...comunista de gema podre:

 



A Constituição de 1976 como obra de arte da ronha comunista e vergonha inominável de alguns idiotas úteis:



O ataque à Liberdade tal como concebida pela "democracia burguesa" e incompatível com o ideário comunista. Um prelúdio do que nos esperava se não tivesse ocorrido o 25 de Novembro:


Tudo isto obra de um partido com "paredes de vidro" aqui bem espelhadas: