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domingo, 25 de setembro de 2016

O que esconde a Global Media do DN, JN e TSF?

José Manuel Fernandes, Observador,a propósito do livro de José António Saraiva, toca num assunto escandaloso: o Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF estão ao serviço dos interesses de José Sócrates. Porquê tal fidelidade canina? Que tem a esconder quem manda nesses media e deles vive?

Mas adiante, que a onda de indignação suscitada pela obra tem uma vantagem: revela como a hipocrisia é moeda corrente entre nós. E como é fácil fazer tiro ao alvo contra alguém que já não tem poder e ficar calado quando as coisas são muito mais graves mas pode-se incomodar colegas e amigos.
Um bom exemplo daquilo a que me refiro é o que se passa no grupo Global Media, um dos maiores do país e proprietário do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF. A “indignação” de alguns dos jornalistas-colunistas desse grupo com o livro de Saraiva foi imensa. O que dá para ficar espantado, por causa dos telhados de vidros daquela casa. Por isso desculpem-se ser desmancha prazeres, mas num fim-de-semana marcada pelo protagonismo político de José Sócrates não é possível continuar a ignorar a passadeira vermelha de que continua a beneficiar naquele grupo de comunicação. Mas vamos a factos.
Primeiro facto. Sabemos hoje, graças à Operação Marquês, que José Sócrates teve um papel determinante na transferência de propriedade daquele grupo em 2014, poucos meses antes da prisão do ex-primeiro-ministro. A sua preocupação era controlar as direcções dos dois jornais, tendo, através do seu amigo e advogado Proença de Carvalho, defendido a nomeação de Afonso Camões para esses lugares. Esse jornalista, amigo de Sócrates, chegou mesmo a definir-se como um “general prussiano” que “não se amotina”, podendo ser um “joker” em qualquer posição de direcção. O actual director do Jornal de Notícias é, de resto, um amigo de longa data de José Sócrates, que o colocou em lugares tão importantes como a direcção da Lusa e que contou com a sua colaboração noutras “operações” (aí, refira-se, o livro de Saraiva revela alguns episódios curiosos sobre a acção de Camões que eu desconhecia).
Mas sabemos mais. Sabemos que Proença de Carvalho é hoje o homem forte da administração do grupo e que os órgãos de informação da Global Media têm sido utilizados, com pouco ou nenhum escrutínio, por José Sócrates para difundir as suas mensagens. Correndo o risco de me falhar alguma intervenção, fiz um pequeno levantamento – pequeno mas significativo:
  • 27 de Novembro de 2014: Primeira mensagem de Sócrates depois da prisão, divulgada pela TSF (e pelo Público);
  • 4 de Dezembro de 2014: Carta publicada no Diário de Notícias;
  • 5 de Março de 2015: Carta escrita a partir do estabelecimento prisional de Évora e entregue ao Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF, com críticas a Passos Coelho;
  • 4 de Abril de 2015: Texto de opinião publicado no Jornal de Notícias;
  • 8 de Junho de 2015: Declaração exclusive ao Jornal de Notícias sobre a recusa de pulseira electrónica;
  • 12 de Junho de 2015: Declarações enviadas por escrito à TSF e ao Diário de Notícias;
  • 30 de Junho de 2015: Entrevista conjunta ao Diário de Notícias e à TSF;
  • 19 de Agosto de 2015: Carta enviada ao Jornal de Notícias (e à SIC);
  • 19 de Junho de 2016: Texto de opinião publicado ao mesmo tempo no Jornal de Notícias e na TSF;
  • 26 de Junho de 2016: Texto de opinião na TSF (não se encontram no site da TSF textos de opinião de mais nenhum político);
  • 10 de Setembro de 2016: Texto de opinião no Diário de Notícias.
  • 16 de Setembro de 2016: Entrevista à TSF sobre o juiz Carlos Alexandre.
Se a consulta dos arquivos não me pregou nenhuma partida, para além destas intervenções José Sócrates só deu mais uma entrevista nestes quase dois anos, a famosa (e controversa) entrevista em duas partes à TVI.
No que diz respeito ainda ao grupo Global Media refira-se ainda que os órgãos de informação que o integram recusaram publicar a publicidade do Correio da Manhã em que se criticava uma decisão judicial que, durante alguns meses, impediu aquele jornal de publicar informação relevante sobre a Operação Marquês.
Estes dados indicam que aquele grupo de comunicação tem servido ao ex-primeiro-ministro como plataforma para defender as suas posições, com privilégios de acesso únicos, quase absoluta ausência de escrutínio, tudo isto quando se sabe que ele interferiu, em 2014, na escolha das direcções editoriais e que tem o seu amigo e advogado como presidente do Conselho de Administração.
Contudo parece haver uma espécie de “conspiração do silêncio” que não questiona esta situação, isto enquanto fervem as indignações por causa de um livro que, na verdade, só põe por escrito aquilo que todos sabem sobre a vida privada de algumas figuras públicas. O povo pode gostar muito de mexericos (enquanto diz mal deles), mas certo, certo, é que falar de mexericos é muito útil para não se falar de coisas realmente importantes. E para mascarar a hipocrisia reinante.

"Não deixem que a verdade estrague uma boa história"...

No livro de José António Saraiva Eu e os Políticos aparece esta revelação acerca dos antepassados de Marcelo Rebelo de Sousa: teria uma bisavó pretinha que viveu sempre na machamba de Moçambique...


A revista Flash investigou e concluiu...



Afinal...havia outra e chamava-se Deolinda. De Guimarães...ora bolas. 

sábado, 24 de setembro de 2016

Se o ridículo matasse, este indivíduo já estava embalsamado



DD:

O ex-primeiro-ministro José Sócrates anunciou hoje que vai lançar em Outubro um livro de teoria política, que garante que não é «de mexericos», considerando que não o conseguiram afastar do coração dos militantes socialistas.

José Sócrates discursava durante um almoço de apoio que decorre hoje em Lisboa, no qual anunciou que no mês de Outubro vai publicar um livro que resulta das suas reflexões dos últimos meses.

"Queria sossegar-vos quanto a uma coisa: nem é um livro de mexericos nem é um livro de um paranoico. É um livro que pretende ser de teoria política. Pus de lado tudo o que escrevi sobre este processo. Não é o momento, mas lá chegará", disse, em declarações registadas pela SIC, numa crítica implícita do livro do ex-director do Expresso e do Sol, José António Saraiva
.

Duas observações:

A primeira sobre a autoria do livro. É legítimo suspeitar que seja outro a escrevê-lo, a  corrigi-lo, a aparar a apresentação. É ainda legítimo dizer que um inginheiro formado na Independente com um curso que só não foi anulado porque o MºP assim não entendeu propor a um tribunal, tenha pouco a dizer sobre o assunto.

A segunda, sobre o eventual apresentador do livro. Lula já não deverá ser, porque está a braços com os mesmíssimos problemas que este parceiro de cá e aliás com o mesmíssimo tipo de defesa.
Portanto, sobra Ana Gomes. Aposto que irá ser esta distinta militante socialista a fazer o frete.

A última: estes basbaques que vão a estas iniciativas desesperadas de um arguido entalado, fazem-no porquê?

O Vale e Azevedo ainda hoje tem defensores, mas se calhar nem tantos...

Os homosexuais fassistas não têm direito à privacidade do túmulo...

Sobre o livro dos mortos de José António Saraiva há ainda a dizer mais coisas. Algumas delas são ditas por Henrique Raposo no Expresso de hoje, assim:


Aqui se fala num livro relativamente recente ( 2011) da autoria de uma jornalista do Público, ( que deu destaque ao assunto, sem críticas negativas ou artigos a demolir a sujeita autora.) muito lá da esquerda e que assina crónicas- São José de Almeida. O livro é sobre os Homosexuais no Estado Novo e não me lembro dos ferreira fernandes rasgarem vestes na praça pública das croniquetas.

Porque seria? É fácil de entender: com pessoas de esquerda não há problema algum que falem de assuntos tabu que outras pessoas não podem falar. Se for de fassismo então é sopa no mel. É só isto.


Esta sacana, para não dizer pior, teve a lata de desenterrar histórias velhas sobre personagens do fassismo, particularmente os homosexuais que faziam parte do regime, como se tal fosse mais uma nódoa para conspurcar Salazar. Foi só por isso que o fez o que denota um comportamento execrável.

Afinal de contas parece que Salazar era mais sábio e mais tolerante do que essa sujeita quer fazer crer o que redunda em lhe sair o tiro pela culatra...

Tirado daqui para contrastar com a inocuidade do livrito de José António Saraiva:
Convém dizer, antes de mais, que a gravidade moral desta empresa jornalístico-historiográfica é adensada por um facto singelo, mas decisivo: na sua esmagadora maioria, as fontes orais a que recorreu São José Almeida reservaram para si o absoluto anonimato. «O que está nestas páginas é […] fruto da recolha de depoimentos de pessoas que são homossexuais e que me deram o privilégio de me confiar as suas experiências, conhecimentos e reflexões, a grande maioria das vezes sob reserva de absoluto anonimato» (pág. 23, itálico acrescentado). Por outras palavras, os homossexuais que falaram com São José Almeida salvaguardaram a sua intimidade. Mas não tiveram pudor em revelar a intimidade de terceiros, já falecidos, sem que a estes, como é evidente, haja sido dada a possibilidade de contraditarem (ou confirmarem) o que sobre eles é dito. Fizeram sair do armário gente morta e indefesa, mas mantiveram-se lá dentro, acobertados, no calorzinho confortável da sua vidinha «normal». E isto, note-se, em tempos democráticos, onde a tolerância social face à homossexualidade é muito maior. Mesmo agora, em nossos dias, muitos optaram pelo anonimato. Que alguém não queira assumir em público a sua orientação sexual é perfeitamente legítimo. Mas quem assim procede não pode – ou não deve – dizer que Beltrano e Sicrano eram homossexuais.

Em síntese, António de Oliveira Salazar, no fundo, no fundo, era um liberalão para os seus compinchas gay. Daí que Paulo Rodrigues fosse homossexual «publicamente» (Ruben de Carvalho dixit), Pedro Feytor Pinto «assumidamente homossexual» e Gustavo Cordeiro Ramos, enfim, um ver-se-te-avias de meninos em pensões e urinóis. O regime fechava os olhos ao facto de Robles Monteiro ter uma inclinação ardente por soldados da paz e de sua mulher, Amélia, se atirar forte e feio às actrizes mais novitas que se iniciavam nas artes de palco. Fernanda de Castro e António Ferro, outro casal-maravilha do Estado Novo, apadrinhavam um grupo que era «claramente um círculo de relações homossexuais» (pág. 128). Anafado e bonacheirão, Ferro protegia Leitão de Barros, que era homossexual, como homossexual era também um tal de Francis, bailarino famoso do Verde Gaio (pág. 129). A casa do declamador e actor João Villaret era conhecida por «Alfeite» (pág. 129), porventura devido à quantidade inusitada de marinhagem que por lá atracava a desoras. E, em 1952, lá temos a misteriosa morte de Carlos Burnay, descrita como «homicídio», sendo a vítima, claro está, «homossexual» (pág. 133).
O assunto foi comentado, aqui, no Malomil e escapou-me na altura.

O livro dos mortos-vivos

 Há dias li uma croniqueta que me impressionou pela virulência sarcástica algo estranha e pelo relativo despropósito de tamanha desmesura na ofensa pessoal.
Um jornalista que insulta outro jornalista deve ser escrutinado acerca dos motivos por que o faz. Desconfio que neste caso será assunto nebuloso.


A croniqueta, de Ferreira Fernandes, vinda de uma loca infecta:

O Eu e os Políticos, o novo livro de José António Saraiva (JAS), é um capítulo da obra mais vasta Eu e o Mundo que o homem anda a escrever há décadas. Por falar em políticos, Jérôme Cahuzac, ex-ministro francês, está a ser julgado por trapaças com o fisco. Há dias, no tribunal, pediram-lhe explicações por um depósito na Suíça, há 25 anos, e que ele ainda mantém. "Ah, era para apoiar o Michel Rocard", desculpou-se. Rocard é um político francês que morreu há dois meses... Nada como os mortos para depositarmos culpas. Canalhices de políticos lembradas, passemos então, sem sair do género, ao magnífico "Eu...", o JAS e as coisas picantes que ele sabe sobre os nossos políticos. Olha, o irmão que já morreu, a contar ao "Eu" a sexualidade do irmão; olha, o escritor que já morreu, a contar ao "Eu" as brejeirices dum ministro; olha, um ministro que já morreu e que, moribundo, invocou ao "Eu" a sua doença para sacar umas massas... Na capa do livro desenha-se um buraco de fechadura, erro gráfico: o JAS espreitou menos do que cavou em campas. E é pena, porque o "Eu", só, é mesmo fascinante. Falava ele com o político Arnaut, um dos responsáveis do Euro 2004 em Portugal, e disse-lhe: "Já pensou que se mandam um avião contra um estádio matam 40 mil?" Um mês depois, tungas!, havia F-16 a vigiar o espaço aéreo... "Espantosa coincidência!", ironiza no livro o nosso JAS, inventor, além do saco de plástico, dos primeiros drones antiterroristas.

Comprei o livro e pelo que li das 260 páginas soltas não encontro motivos suficientes para a desmesura do ataque.
A principal veia argumentativa, também secundada pelos papagaios amestrados  que peroram nas tv´s , do género dos daniéis oliveiras e outros que tais, segue a tese do livro dos mortos que não devem ser incomodados no eterno descanso.
Porém, este não é o livro dos mortos, nem sequer dos mortos-vivos e quem falou nisso enterrou-se.

As historietas pessoais que o autor conta no livro tem pouco interesse global para nos ajudar a compreender o regime que temos, a não ser o que já sabíamos: as personagens desta comédia são cromos repetidos ao longo dos anos. Sobre o argumento dos mortos-vivos torna-se interessante a revelação de Freitas do Amaral que terá dito em 1984 ao autor que poderia ter sido ele o candidato precidencial e que só o revelou então porque só de tal sabiam três pessoas, incluindo-se a ele próprio e duas delas tinham morrido ( Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa). Se isto é fazer falar os mortos, bem vinda a mediação.  Freitas do Amaral contou o caso num ambiente de almoço em 1984...

 A Visão desta semana dedicou algumas páginas a criticar a atitude do autor, José António Saraiva, citando o tal argumento dos mortos-vivos que falam por interposto medium...




O típico relato de José António Saraiva neste livro é deste género: Freitas ( que já fez duas operações...citadas) denuncia um comportamento suspeito do antigo PGR Pinto Monteiro, que em 2010 se encontraria habitualmente com o advogado de Sócrates, Proença de Carvalho e pede para nada dizer enquanto não lhe der luz verde. Que nunca chegaria...



 De resto, o episódio sobre Portas é irrelevante. Saber que será homossexual porque o irmão já morto lhe teria dito tal coisa é  motivo de indignação para hipócritas que já ouviram falar há uns anos numa tal Catherine Deneuve, relatada por um tal Rui Araújo, muito celebrado pelos mesmos que agora vituperam J.A.S. o que diz tudo sobre isso.

Este livro já vai em mais de meia dúzia de edições e não vale um chavo, para além daqueles relatos pitorescos sem rumo definido e desgarrados de contexto do nosso sistema político.  Ponto final.

O livro que deveria estar a concitar as atenções é outro, da autoria de Gustavo Sampaio- Porque falha Portugal?- editado pela Manuscrito.  Gustavo Sampaio tinha já publicado Os Privilegiados e ainda Os Facilitadores, em 2013 e 2014, sobre a mesma temática: o retrato do nosso sistema político-económico, feito através de notícias avulsas e sua interpretação.

Gustavo Sampaio, como jornalista, faz o que os demais jornalistas não conseguem fazer: apresentar factos, interpretá-los sem grande facciosismo e revelar o sistema no seu esplendor.

É um pouco o que tento fazer aqui neste blog, só para mim e para me orientar no labirinto dos acontecimentos quotidianos.
Muitos dos temas abordados neste livro já o foram aqui. Por exemplo este que serve de mote para o
 preâmbulo ao livro.





Vale a pena ler esta dúzia e meia de páginas ( para tal basta clicar com o botão direito do rato e abrir outra página. Nessa página pode ampliar-se a imagem até se tornar perfeitamente legível, melhor que se fosse o livro) e perceber o regime que temos, porque é disso que se trata, em resumo.

Nestes relatos não aparece a corrupção escarrapachada porque afinal a mesma não existe assim, como aparentemente se poderia concluir pela mistura e promiscuidade existente entre os actores de poder político, as decisões dos mesmos que afectam os portugueses em geral e a actividade pessoal e privada de muitos deles que trocam de posição ou aceitam colaborar nessas decisões, com grandes rendimentos provindos de adjudicações vultuosas, participando eventualmente nos resultados, indirectamente.

Ninguém se atreveria, ao ler isto, dizer que Paulo Rangel ou António Lobo Xavier são indivíduos corruptos porque aceitam participar nesses esquemas em que o Estado está sempre presente a entregar dinheiro aos milhões a empresas que representam ou escritórios de advogados que integram.

O problema é outro e muito mais subtil:  haverá nesta promiscuidade ruína para os interesses legítimos de todos nós que somos o Estado, incluindo eles próprios?  Haverá necessidade estrita de o sistema político-económico funcionar assim em Portugal de há décadas a esta parte?

As rendas que certas empresas privadas obtiveram do Estado justificam-se racionalmente?
Como aceitar que indivíduos que nada tinham de seu e de relevante, sendo relativamente miseráveis economicamente, depois de passarem por esses centros de poder obtivessem rendimentos de milhões, aparentemente sem sombra de pecado? Estou a lembrar-me particularmente de casos notórios e públicos como Dias Loureiro ou Proença de Carvalho, este, um advogado vindo do mesmo sítio daquele e que vicejou sempre à sombra deste regime.

Percebe-se que haja quem diga que em Portugal não há corrupção endémica e preocupante. De facto, em modo criminal e susceptível de ser comprovada em tribunais, pode não haver.

O que há é um sistema que em si mesmo é completamente corrupto. Isto não tem que ser assim e nem sempre foi.

No tempo de Marcello Caetano isto não era assim. Ponto e desafio quem quiser para verificar, pelo que aqui tenho escrito.

Portugal poderia ser outra coisa que não o que se pode ver agora pelo que se passou na Caixa Geral de Depósitos.

Nas notícias de hoje aparece a revelação que o DCIAP está a investigar crimes de administração danosa no banco público de há uns anos para cá, particularmente no tempo de Sócrates e Vara.

Este já veio dizer que é o primeiro a querer que tudo se esclareça e percebe-se muito bem ao ler a página do livro supra em que elenca os ex-políticos nomeados para a CGD.

Vara nem percebe o alcance do crime em causa porque sempre entendeu o sistema como funcionando do modo exposto.
Será caso de falta de consciência da ilicitude? Veremos...

Este livro de Gustavo Sampaio é que é o verdadeiro livro dos mortos-vivos, dos vampiros que nos sugam os recursos económicos e tudo fazem para manter o sistema que os mantém vivos...


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O PS da malavita

Rui Ramos, Observador:


Porque é que Ana Gomes parece ser a única socialista à vontade para dizer em público o que deve ser dito, isto é, que José Sócrates, pelo que admitiu, não deveria ter lugar na vida do regime?

É o regresso de José Sócrates. O regresso oficial. Depois dos comícios na província, depois das invasões de palco durante visitas do primeiro-ministro e do presidente da república, eis o convite oficial e legítimo para participar num “evento institucional” do Partido Socialista, hoje, sexta-feira. E perante este regresso, que diz o líder do PS e primeiro-ministro, António Costa? António Costa não diz nada, mas constou na imprensa que estaria “confortável”, porque não tenciona frequentar o referido “evento”. Para António Costa, tudo parece estar bem desde que, ao contrário do presidente da república, não tenha de aparecer com Sócrates na fotografia.

Os defensores de José Sócrates vêm sempre com figuras jurídicas: não foi condenado, ainda nem sequer foi acusado, é apenas arguido sob investigação, deve ser presumido inocente. Quantas vezes será necessário explicar que na vida pública há comportamentos que não precisam do trânsito em julgado para deverem ter consequências? Deixemos de lado as suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fuga ao fisco, de que trata a justiça. Deixemos de lado as suspeitas, levantadas outrora por alguns magistrados, de conspiração contra o Estado de direito, de que ninguém trata. Fiquemos apenas, como fez a eurodeputada Ana Gomes, pelo que o próprio já admitiu: Portugal teve, durante vários anos, um chefe de governo na dependência financeira secreta de um empresário ligado a um grupo com contratos com o Estado. É isto aceitável? Já uma vez dei este exemplo: na Inglaterra, um ministro de Tony Blair, Peter Mandelson, teve de se demitir em 1998 por não ter revelado que um colega de governo lhe tinha emprestado dinheiro. Um colega de governo, não o empresário de um grupo interessado em negócios com o Estado. Outros costumes, outro mundo.

Foi esta semana muito discutida a possível conversão do PS de António Costa às ambições de expropriação fiscal do Bloco. Mas a incapacidade deste PS de sacudir o socratismo devia-nos preocupar outro tanto. Que se passa? António Costa não se importa? Ou, importando-se, não sente força ou não acha oportuno limitar as incursões socráticas? Que poder ainda tem José Sócrates no PS? Qual é a origem desse poder? Porque é que Ana Gomes parece ser a única socialista à vontade para dizer em público o que deve ser dito, isto é, que José Sócrates, pelo que já admitiu, não deveria ter lugar na vida pública sob o patrocínio de partidos ou figuras do regime? E se isto é assim, que devemos pensar deste PS e da autoridade de António Costa?

José Sócrates faz o que julga convém aos seus interesses, e naturalmente que convém aos seus interesses criar a impressão de que, no regime, ninguém leva a sério o inquérito judicial, tanto que não se inibem de o cumprimentar, convidar e homenagear. D. Sebastião deveria ter regressado numa manhã de nevoeiro. José Sócrates regressa num crepúsculo de confusão moral. É a complacência da direcção do PS, que se limita a não tirar selfies com o arguido; é a indiferença dos outros partidos, que nada dizem; é a excitação da imprensa, que lá há-de estar para lhe ampliar as lições; é provavelmente o cansaço de toda a gente, que há anos ouve falar de Sócrates e dos seus casos. Chegou a vida pública portuguesa àquele grau de tribalismo em que aos do nosso lado tudo é admitido e desculpado, e a ética na vida pública só se aplica aos nossos adversários? Ou pura e simplesmente já ninguém quer saber de nada, neste cada vez mais óbvio desmanchar de feira, em que uma classe política se prepara para legar aos vindouros não só a enorme dívida de um Estado desequilibrado, mas um tremendo vazio moral
?

Rui Ramos coloca o dedo numa ferida que já está saturada de pus.

O PS que existia até aos anos 2000 é principal responsável pelo sistema de justiça que temos.  O Códido Penal de 1982 foi revisto em 1995 e o de processo penal de 1988 foi revisto dez anos depois, sempre pelo mesmo PS.
Até essa altura a politização da Justiça era fenómeno oculto e residual, embora presente e já assustador em certos casos ( do fax de Macau, por exemplo). Sempre pelo PS e pela mão dos seus próceres que se calhar se julgam donos do sistema.

A partir do caso Casa Pia foi o descalabro total e a mais completa falta de vergonha deste PS.



Depois de Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues terem sido envolvidos no caso da pedofilia, o sistema de justiça nunca mais foi o mesmo, para este PS de sempre.

Lembremo-nos que Ferro Rodrigues foi apontado pelo menos por 3 menores de actos relacionados com essa actividade. Sempre negou, não foi arguido mas quando instaurou a acção cível para se ressarcir junto dos que o acusaram, perdeu a acção.
No processo crime instaurado contra o CM, de igual modo, perdeu o processo...

 [a juiza] Ana Cristina Carvalho vincou ainda o facto de, “efectivamente, existirem jovens que em declarações junto do DIAP e da PJ” envolveram Ferro Rodrigues em “práticas pedófilas” (...)."

A capa do Expresso que mencionava a acusação que os menores lhe fizeram desapareceu do Google. É escusado procurar. E seria interessante saber porquê...

O DN de  27.2.2003:




Só isto bastaria para que Ferro Rodrigues nunca fosse designado sequer para fosse o que fosse na A.R. É presidente...e segunda figura do Estado, com a conivência democrática dos partidos lá assentados.

Quanto a Paulo Pedroso, está recuado, ausente em parte incógnita, mas presente no PS de sempre. Numa entrevista de 2008 no CM, Catalina Pestana que conhece o que se passou, disse:



Paulo Pedroso recuou mas tem à frente do PS quem o represente nos seus interesses: Ana Catarina Mendes.



 O problema do PS e da democracia portuguesa é este, essencialmente e é muito grave: todos fazem coro, na defesa dos seus, seja como for, como autêntica organização mafiosa, na sua essência organizacional e táctica.



Foi isso que Rui Ramos subentendeu?  Não sei, mas devia porque é deste PS que se trata quando se observam certos fenómenos

É pena que os portugueses não se apercebam disto.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O mea culpa do Correio da Manhã

O Correio da Manhã enganou-se numa pretensa revelação explosiva: escreveu na passada sexta-feira, na primeira página que um administrador do grupo Lena tinha dito no processo Marquês que a empresa subornara José Sócrates.

Os jornalistas Eduardo Dâmaso e Tânia Laranjo leram mal os despachos dos procuradores no processo e tomaram a nuvem por juno, afiançando que o tal administrador tinha confessado aquilo que afinal resulta apenas da prova indirecta recolhida. Mas resulta, porque afinal a questão principal é mesmo essa: o dinheiro que passou pelo arguido Carlos Santos Silva, via Grupo Lena será efectivamente de José Sócrates ou assim deve ser tido como tal. Foi isso que indiciariamente se disse já no processe e é isso que constitui o núcleo fundamental da equação que o levará eventualmente a julgamento.

Mas não é por isso que se deve afirmar o que o Correio da Manhã afirmou porque factualmente é um erro.

O erro é relativamente grave porque dá azo que o tal administrador e o grupo Lena se vitimizem mais uma vez, aproveitando o embalo da inocência presumida e continuar a mistificar a verdade iniludível. Ana Gomes, do PS, chama hoje "efabulações" o que José Sócrates anda a fazer relativamente ao assunto dos dinheiros. Está tudo dito.

O problema do jornal é a necessidade aditiva de mostrar primeiras páginas apelativas. Para isso esgotam adjectivos corriqueiros e colocam em risco a sobriedade de notícias que deveriam ser melhor ponderadas, como essa e mesmo a de hoje.
O título da primeira página é outra habilidade que denota que o seu director não aprendeu nada com o caso e continua recalcitrante nestas palermices que não sei a quem se destinam. A mentecaptos? O jornal acha que o seu público é apenas de mentecaptos e voyeurs?

É pena.  Não era preciso tanto, porque o jornal cumpre um papel que nenhum outro actualmente o faz na sociedade portuguesa: ocupar-se de verdades ocultas em certos meios e entidades, como é o caso de José Sócrates.

O jornal, hoje, dá assim o corpo ao manifesto, com assinatura dos artigos por outros que não aqueles dois jornalistas:




Assim, segundo se lê, a promessa da primeira página - CM revela interrogatório polémico- é apenas cumprida em parte e não é revelado todo o interrogatório mas apenas partes do mesmo, principalmente a descrição dos factos ao arguido, em circunstâncias que nem estão esclarecidas devidamente.

Mais uma vez, perderam uma oportunidade de reganharem a confiança de leitores que não se guiam apenas pelo sensacionalismo bacoco de certas cachas.

Lamentável, lamentável. Tanto mais que o jornal é dos que ainda se podem ler sobre estes assuntos.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

A filha do pirata não tem perna de pau

A deputada Mariana Mortágua tem 30 anos e é uma das herdeiras serôdias de um PREC que se julgava morto e enterrado algures no tempo em que a mesma nasceu,  depois das FP25 terem sido desmanteladas, com um rasto de uma dúzia de mortos à ilharga ideológica. 

A filha do velho pirata Mortágua comunga dos mesmos ideais de antanho e por isso recupera velhos temas sobre a "igualdade" e a luta política para lá chegar. Agora tem sido no Parlamento em parceria com a Geringonça, porque a memória histórica é curta e há pouco quem conte essa História às crianças e a lembre ao povo.

A filha do velho pirata é por isso uma militante de  um neo-prec que procura retomar as ideias passadas dos gloriosos anos do  tempo em que "tudo era possível", mesmo as bancarrotas sucessivas, fruto natural dessa ideia peregrina.

Não é mistério algum que o BE onde milita tem uma ideologia inequívoca, segundo o seu pregador mais em voga, Francisco Louçã:

  "O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP- nota minha). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

Há 40 anos, em finais de 1976, um dos cantores do PREC, Júlio Pereira, publicava um álbum de canções pop, notável e que se chama Fernandinho vai ao vinho.

Um dos temas  é bem explícito da utopia que os anima, desde sempre: a ideia de igualdade associada a luta de classes. Tal e qual o que a filha do velho pirata defende no seu íntimo revolucionário de reminiscências paternas.

O refrão da cançoneta "Quando o medo é confessado" ( não foi a fuga ao medo o que a mesma apelou, junto de um PS desmemoriado?)

"Foi contigo que aprendi 
que modificar as coisas
Ou que transformar a vida
Acontece de verdade
quando se sente no peito
aquilo que não se sabe
o que é e donde vem,
mas dá força e coragem 
para poder gritar aos homens,
aos que vivem na mentira
aos que vivem sem viver
que a luta pela igualdade
é o que me faz viver"



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

domingo, 18 de setembro de 2016

Infelizmente há por aí umas aluadas...

Esta história apareceu no Século Ilustrado de 23 de Novembro de 1974, em pleno PREC.
É a história do assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz e do modo como os autores, entre os quais Camilo Mortágua, progenitor ( é a linguagem delas) das gémeas Mortágua, "recuperavam fundos" que lhes faziam falta para a Revolução.



Hoje em dia, nesta democracia já não é preciso recuperar fundos dessa maneira aos "porcos capitalistas". Vão ao bolso a toda a gente, começando pela classe média e apelando a  uma acção concreta: "temos de perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro".

E que tal começar pelo Mortágua velho, revolucionário da Revolução Permanente, bem capaz de ter acumulado uns cobres com a actividade de agrário democrático?

Por outro lado a propaganda descarada e clara da revista à extrema-esquerda branqueava-se com a propaganda a detergentes de multinacionais...

Chefe de reportagem da revista nessa altura? Maria Antónia Palla, mãe do actual primeiro-ministro.

Isto anda tudo ligado.

Afinal foi uma habilidade ( indesculpável) do C.M.

A notícia de primeira página de há uns dias acerca da pretensa declaração do presidente do grupo Lena a confessar "subornos" a José Sócrates foi uma habilidade do jornal. Lamentável porque assinada por um dos melhores jornalistas do jornal, Eduardo Dâmaso.

Não sei quem deu a ideia, se este ou a jornalista Tânia Laranjo que também assinava. Tenho o meu palpite, mas estas coisas não deviam passar impunes, porque não é a primeira vez que tal acontece.

O jornalismo, mesmo o do C.M. que aqui tenho louvado muitas vezes não devia ser isto, de habilidades noticiosas arrancadas a ferros de uma lógica retorcida, como por  vezes é apanágio de Tânia Laranjo.

Há que dizê-lo quando é preciso e desta vez, é.

O "mea culpa", envergonhado nem sequer aparece na primeira página o que é também lamentável e é assinado pelo colectivo do jornal, pelo que implica o seu director...

Enfim, triste, porque a credibilidade do jornal nestas coisas devia ser a toda a prova. E não foi. Quando será o próximo "lapso"?



A propósito de habilidades com outra dimensão, mas correlacionada, aparece na edição de ontem uma menção a uma passagem do livro de José António Saraiva, ainda para vir a público, sobre um assunto perturbador:

Em 2010, governava José Sócrates em maioria relativa e o advogado Proença de Carvalho era seu causídico conhecido. Pinto Monteiro era PGR ( só saiu em 2012) e almoçava frequentemente com o tal advogado. Em 2010 decorria ainda publicamente o escândalo das escutas no Face Oculta e do "molho de papéis" ou "dossier" ou "extensão procedimental" ( expressão atribuída ao actual presidente do STJ, Henriques Gaspar que terá ajudado Noronha Nascimento a despachar o assunto).

Se isto for verdade é incrível que ninguém tenha dado conta na altura. Um escândalo.