Páginas

sábado, 14 de janeiro de 2012

A análise antropológica de um fenómeno nacional

Vale a pena ler este pequeno texto no Público de hoje, de José Pacheco Pereira ( " A construção da Máfia portuguesa" -1). Faltam nomes aos "boys", mas ainda assim é tema para uma novela. Parece que terá continuidade porque é um apontamento numerado e "na próxima semana falaremos em mais detalhe da pergunta certa : por que razão foi escolhida esta pessoa e não outra?"
Por mim respondo já sugerindo outro tema: porque razão os comentadores pagos, em Portugal, são sempre os mesmos há décadas?
É certamente por motivos muito parecidos aos que JPP denuncia como semente de corrupção e mafia. Portugal é um pequeno país em que alguns vicejam de modo pouco meritório. JPP não merece o espaço público que ocupa, com a importância que lhe conferem. Não o digo por acinte, por maldade, inveja ou espírito de maledicência gratuito, espero que entendam.
JPP é um personagem intelectualmente menor, parece-me. Não tem culpa, é mesmo assim. E ainda assim, tem lugar de destaque mediático desproporcionado. Porquê? Porque sim. Porque esteve na altura certa no sítio certo. Só isso, parece-me.
No entanto desenvolve naquele pequeno texto uma teria fenomenológica da nossa teia social de corrupção. A não ser que nem seja tal coisa e se confunda apenas com o nosso modo de viver. E é isso que JPP pretende dizer: a nossa maneira de viver em sociedade gera fenómenos mafiosos naturalmente, por vezes indistintos da própria ética corrente e comumente aceite.
Para os identificar e circunscrever talvez apenas uma obra literária servisse, mas não vejo quem a escreva, com capacidade para tal, neste momento em Portugal. Bastava-nos um Tom Wolfe mas sobram-nos Walter Hugos e as mães não dão mais.
Vamos a nomes que JPP não quer escrever. Miguel Relvas, por exemplo. Que diria JPP deste se pudesse escrever claramente?
Mais: Francisco Pinto Balsemão. Que poderia dizer um JPP desligado de SIC´s e outros apêndices Impresariais? Muita coisa, porque é exactamente isso que pretende dizer no escrito. Mas não diz, sugere e deixa nas entrelinhas, como antigamente em que andava a colocar panfletos subversivos para propagandear clandestinamente o maoismo.

6 comentários:

Wegie disse...

Já o Cl. Levy-Strauss defendia na sua obra "As Estruturas Elementares do Parentesco" um inventário das técnicas de micção da humanidade...

Floribundus disse...

insigne representante desta
'foeditas' ditadura

pandacruel disse...

PacPer interessa-se mais pelo universo no seu geral e anda em cima de novos planetas, é aí que está o seu melhor.

josé disse...

Nisso e na filatelia...

zazie disse...

ehehe

joserui disse...

Não é dos piores... eu gosto do JPP... a coisa às vezes não lhe sai bem... admito que é dos tempos de vermelhicida... mas vai pensando pela própria cabeça e só isso, neste país, vale muito. -- JRF