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terça-feira, 9 de outubro de 2012

O beirão honesto sem medo de ninguém deixou a PGR

 
Pinto Monteiro começou mal o seu mandato de PGR. No mesmo dia em que tomou "posse", ou aceitou o cargo oficialmente, não teria carro ao dispor e o ministro da altura, o imperturbável Alberto Costa, também escolhedor daquele, emprestou-lhe o carro do ministério da Justiça, como se vê na foto acima. Ora tal gesto simbólico foi a marca de água do consulado de Pinto Monteiro à frente da PGR.
Se não vejamos:
A primeira espécie de retrato que lhe fizeram foi este, na revista Única do Expresso, em 14.10.2006, com o seu acordo, é bom de ver porque as fotos são pessoalíssimas e só o próprio as poderia fornecer.
É  um grave erro assumir um cargo como o de PGR e deixar-se fotografar assim em pose de fim-de-semana, dizendo-se acima de tudo...juiz, "com pontaria". É uma imagem que fica. 






















Depois, ao longo do mandato Pinto Monteiro que começou com entradas de leão quanto à corrupção, ele que tinha sido elemento da Alta Autoridade contra a dita, em 1991 ( terá sido aí que conheceu Pinto Nogueira o anterior PGD do Porto), mostrou que contra a corrupção só teve palavras e poucas porque entendia que o país não é de corruptos e que os processos que envolvem políticos são essencialmente...políticos.
Com o reaparecimento do processo Freeport começou a pressão mediática sobre o MºPº e Pinto Monteiro em particular. Como é que este lidou com o fenómeno?
Assim:






















"Nunca teve medo de ninguém" e outras coisas que disse na entrevista ao Sol, em 20. 10.2007. Disse que foi convidado directamente por Sócrates que conhecia muito bem o irmão, professor "catedrático" em Coimbra. 
Com o processo Face Oculta, Pinto Monteiro revelou exactamente porque é que nunca deveria ter aceite entrar naquele carro: não teve coragem para enfrentar os políticos que o nomearam, designadamente o que o escolheu pessoalmente. Claudicou. Cedeu. Desvalorizou o que não deveria ter desvalorizado. Estragou ainda mais a imagem da Justiça e do MºPº e não percebeu isso.
Quando confrontado com o assunto, saltou em frente, justificou-se e alvitrou que o processo era político, o que viria a repetir mais vezes nas relativamente poucas entrevistas que deu durante o mandato. Juridicamente a posição do PGR era insustentável, como se pode ler por estes pequenos recortes da imprensa da época.
Pinto Monteiro numa entrevista a propósito disso ( na Visão, imagem abaixo) disse que respeitava as opiniões jurídicas dos "técnicos de direito" mas não as dos que se disfarçavam de "gente de mérito" para produzirem comentários políticos.



Um dos tais "disfarçados" era sem dúvida Freitas do Amaral que sobre Pinto Monteiro produziu na mesma Visão o comentário mais demolidor que jamais foi escrito sobre o mesmo: um PGR que faz política e que foi o autor directo do caso se ter transformado em "política".

Em Setembro de 2009, mesmo antes das eleições gerais que o PS ganhou nas palavras de José Sócrates naquilo que foi uma "vitória extraordinária" ( ó se foi!), Pinto Monteiro, mais o ministro da Justiça, mais o presidente do STJ mais o bastonário da Ordem dos Advogados reuniram-se numa daquelas que seriam o início de reuniões regulares para tratar de "assuntos da justiça". Não se sabe que assuntos foram esses, mas sabe-se que nunca mais reuniram para tratar tal coisa e que o presidente do STJ, a seguir,  não quis ir prandear ao Gambrinus, mesmo com tudo pago pelo bastonário. Mas Pinto Monteiro foi. Mais uma boleia.


Perante este panorama que se poderia estender por outras veredas mormente ao que sucedeu com o processo Freeport, ao caso José Luís Mota e a outras situações de tensão no CSMP, há qualquer coisa que fatalmente tem de ser um denominador comum a tudo isto.
Pinto Monteiro, em final de mandato tem dois amigos que o defendem: Proença de Carvalho e...Marinho e Pinto. Curiosamente pensam o mesmo sobre os tais "processos políticos", sendo certo que Proença é advogado de José Sócrates. 

Em todos estes casos, portanto, aparece um nome e uma pessoa:

E a pergunta surge, fatal: como é possível que um "juiz", "com boa pontaria" e que não tinha medo de ninguém se deixou apanhar nesta rede de coisas incompreensíveis e de assuntos que deveriam ser cristalinos e sem dúvidas sobre a isenção de um magistrado?
Na última entrevista que deu, Pinto Monteiro disse que José Sócrates só  lhe telefonou uma vez no Natal. para desejar boas-festas. Imagino que tenham sido institucionais. E de resto nunca falou com José Sócrates. Como se vê na imagem...

Sinceramente, não entendo este beirão honesto.

8 comentários:

Fernando João Fernandes Oliveira Martins disse...

Como beirão honesto, tenho vergonha deste meu "quase" conterrâneo de província - a Beira Alta é de gente honesta (mas há exceções muito tristes).

Vivendi disse...

Este não passou de uma marioneta.

Uma pena que os beirões foram tão mau dignificados por este pequeno conjunto de beirões em Lisboa...

Pinto Monteiro
Jorge Coelho
Proença de Carvalho
Dias Loureiro
e o "travestido" beirão Sócrates

Floribundus disse...

na Beira Baixa têm uma terminologia apropriada a muita gente ... corajosa:
'agache-me'
não sei se esta personagem se escapuliu pelo buraco da fechadura
ou se saiu por baixo da porta

esta república não tem qualquer tipo de crédito porque se auto-destrói
ao menos a de Platão era um ataque ao sistema vigente na sua época.

era uma vez um país disse...

Um homem da bola, que soube jogar à bola. Ainda o havemos de voltar a ver, a andar por aí , na UEFA ou coisa parecida...

--
http://factosconsumados.blogspot.com/

victor rosa de freitas disse...

Finalmente, a "rainha de inglaterra" portuguesa abandonou o "trono" de que fez tão mau uso...respira-se um pouco melhor o ar negro desta pocilga...

Streetwarrior disse...

Na foto da revista TABU, o gesto que o mesmo faz com as mãos, tinha destinatários.
Chama-se maçonaria.

Da Serra disse...

Belíssima análise.
Parabéns!

hajapachorra disse...

Por que diabo este fabiano aparece sempre com ar de quem está num casamento? Num casamento daqueles que têm noivos a sair de dentro do bolo?