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domingo, 29 de abril de 2012

O director do Expresso não se enxerga?

A investigação do Expresso sobre os serviços de informações começou por causa do desentendimento entre a família Balsemão da Impresa e a família Vasconcellos, da Ongoing, a propósito de negócios de vulto em que o representante desta família, Nuno Vasconcellos, queria entrar, afastando a direcção da Impresa do lugar que tem ocupado nestes últimos anos. Um caso puro e simples de guerra comercial em que se usaram instrumentos públicos e crimes de violação de segredo de Estado,  para ajudar na luta. O Expresso não admite este facto que é evidente e nem carece de demonstração.
Assim, "começou com uma notícia a propósito da formação do Governo de Passos Coelho: Bernardo Bairrão ( convidado e depois desconvidado para secretário de Estado) teria sido alvo de uma averiguação informal por parte de elementos das secretas."
O Expresso obteve esta informação através de uma toupeira que tem no interior desses serviços secretos e que tem violado sistematicamente, neste caso, o segredo de Estado, com a comparticipação do jornal e do seu director. As notícias publicadas pelo Expresso a propósito desse assunto assentam na prática de um crime e os seus autores são conhecidos.
"Depois disso noticiamos a existência de fugas nos serviços de informações, envolvendo o ex-director do SIED Silva Carvalho e na época alto quadro da Ongoing." É este o único assunto que interessa ao Expresso: afundar a Ongoing porque o resto, designadamente a denúncia pública de violações de segredo de Estado nunca lhes interessou a ponta de um chavo porque senão também não incorreriam nessa prática. O Expresso denunciou um crime praticando outro de idêntica natureza e maior gravidade porque a violação foi amplamente difundida pelos media, ao contrário daqueloutra situação em investigação e que pode nem sequer ter ocorrido porque foi assim que considerou o director dos serviços de fiscalização do SIED, Marques Júnior...

"Uma segunda fase de investigação, iniciada no final do mês de Agosto, permitiu revelar como as chamadas telefónicas de um jornalista do Público foram vasculhadas pelos serviços de informação." Esta "vasculhação" cingiu-se à obtenção de lista de chamadas recebidas por esse jornalista a fim de se apurar quem, no interior dos serviços secretos andava a fazer de toupeira de jornalistas. Tendo em atenção os interesses em jogo, provavelmente justificou-se essa acção. O Expresso, mais uma vez denunciou o nome do suspeito e violou novamente o segredo de Estado, ainda e sempre em nome daquele interesse particular de guerra comercial.

O texto transcrito termina com o seguinte: " Ficaram os factos ( sic). Agora, a justiça atua ( sic again)"

Os factos que ficaram são muito escassos porque falta saber de que factos é que o Expresso tomou conhecimento,  por quê, exactamente e para quê, precisamente.
Se se descobrir, o que é de rigor na investigação criminal em curso, que os toupeiras dos serviços secretos que ajudaram o Expresso na obtenção destas pseudo-notícias, favoreceram objectiva e interessadamente a Impresa nesta guerra, estamos perante um caso de simples corrupção na óptica e lógica de quem entende que existiu corrupção na contratação do espião pela Ongoing. Troca de favores, no fim de contas. A lógica é a mesma e os princípios derrogados os mesmíssimos.
Parece por isso evidente que a acrescer aos dois arguidos conhecidos do caso, será necessário acrescentar mais outro, o que se espera aconteça em breve...e neste caso com provas mais sólidas de violação de segredo de Estado, sem qualquer ponderação de conflito de interesses relacionados com liberdade de informação. Aqui o conflito é outro.

Daí mais uma cretinice deste director do Expresso. Já são demais.

O caso BPN é um caso de corrupção com políticos

O Diário de Notícias de hoje inicia uma série de artigos de fundo sobre o caso BPN.A iniciativa muito meritória do diário foca hoje vários aspectos importantes do caso, assumindo relevo os seguintes:

Há nitidamente um caso BPN antes e após nacionalização. Antes, o BPN era um "caso de polícia" como alguns declinaram logo.
No domínio da gestão de Oliveira e Costa ( preso em casa com pulseira electrónica) o "buraco" era da ordem dos 1,8 mil milhões de euros. Actualmente, o DN estima que pode chegar aos 8,3 mil milhões.
Antes, segundo Miguel Cadilhe, a gestão de Oliveira e Costa, provocou prejuízos que teriam solução se o BdP, dirigido então por Vítor Constâncio, tivesse apoiado o plano de reestruturação. Não apoiou e contribuiu activamente para a nacionalização ocorrida em Novembro de 2008.
Segundo justificação da época essa intervenção do Estado, decidida por José Sócrates, Teixeira dos Santos e com o apoio de Vítor Constâncio, deveu-se ao perigo de "risco sistémico", ou seja ao efeito de contágio aos demais bancos, com o fantasma de um prejuízo gigantesco de 20 mil milhões de euros...
Na altura esse perigo de contágio foi assumido como um risco económico. Miguel Cadilhe é peremptório em afirmar que a decisão foi apenas política e o tal risco sistémico um pretexto para a justificar. Na altura, os economistas já sabiam que a queda do BPN não provocaria tal efeito por uma simples motivo: o banco não tinha outros bancos como credores, porque "era um banco pequeno e já era conhecido por não ser de confiança" ( Soares de Pinho). Para além disso, a sua quota de mercado era na altura de 2%. Noutros países faliram bancos que tinham quotas de mercado mais importantes e tal não accaretou qualquer colapso sistémico.

Para um professor de Economia como Teixeira dos Santos, a menos que seja um perfeito imbecil, no que não se aposta, ou para um Vítor Constâncio relativamente a quem a aposta é muito mais baixa, apesar da aura de génio que o rodeou neste Portugal saído de Abril, esse risco sistémico não poderia ser razoavelmente ponderado. Os custos que adviriam da nacionalização demonstraram o estupendo erro desses dois indivíduos mais o decisor político de topo, José Sócrates, emigrado actualmente em Paris, a gozar rendimentos.

Porque terão decidido como decidiram? É um mistério. Por isso, para elucidar mistérios, temos sempre os velhos instrumentos da dedução, indução e abdução. Sem processos intencionais, são os factos que os tramam.

Um antigo deputado do PS já disse no outro dia na televisão que não foi qualquer risco sistémico que justificou verdadeiramente a nacionalização do BPN. Foi outra coisa: os interesses de accionistas e depositantes.
Vejamos: a quem se dobrariam aqueles decisores, perante agradar a gregos ou a troianos? Quanto a mim, abductivamente, a certos depositantes.
Quem são eles? Vários e o DN nomeia alguns: o maior era uma empresa, Pousa Flores, de um tal Arlindo de Carvalho, ministro de Cavaco e de um tal José Neto, do PS. Os negócios ruinosos com várias empresas afundaram a conta no BPN.
Depois, um tal Emídio Catum e Fernando Fantasia, empresários envolvidos em negociatas no caso do futuro aeroporto de Alcochete. 53 milhões é a cratera destes dois génios dos negócios.
A seguir, um tal Al Assir, um libanês amigo de Dias Loureiro, e que obtivera empréstimos do banco sem garantias especiais. De amigo, portanto. 30 milhões de euros é o buraco do Assir.
Logo a seguir vem um indivíduo curioso que no outro dia foi citado no julgamento do Freeport, o arquitecto Capinha Lopes. Também é accionista da SLN, o arquitecto faraminoso do Freeport e em relação ao qual José Sócrates terá dito que era o arquitecto certo para o empreendimento certíssimo. 8,3, milhões sem qualquer garantia, porque pelos vistos também era para amigos.

Um tal Luis Filipe Vieira, presidente de um clube de Lisboa também conseguiu sacar umas massas do BPN: uns míseros 20 milhões, em conta caucionada para investimento no fundo Real Estate, em parceria com o BPN.
Quanto a Dias Loureiro que partia e repartia, a melhor parte dele terá sido entre 10 a 30 milhões. Dá para viver. Até em Paris...

O jornalista desportivo João Marcelino , cujo mérito nesta iniciativa é inquestionável, louvável e único, titula o seu escrito sobre o assunto: "A promiscuidade e, claro, o roubo".

É preciso ver muito bem quem foram os verdadeiros ladrões. Não são, segundo julgo, aqueles que têm sido apontados...e se já há alguém no DIAP a fazer raciocínios elípticos sobre fenómenos de corrupção no caso do espião do SIED, então aqui, neste caso vai ser preciso menos que isso: basta atentar nos factos conhecidos e nas pessoas envolvidas.

O Diário de Notícias com esta infografia que segue pretende fazer o mesmo que o Expresso com o caso dos espiões: mostrar o argueiro do problema sem atender à trave que agora afinal levantou.  Nesta infografia faltam algumas caras: precisamente aquelas apontadas, de José Sócrates, Vítor Constâncio e Teixeira dos Santos. Os maus desta fita não são apenas os do PSD...e como diz Paulo Soares Pinho no artigo, "toda a gente fala do buraco do BPN, mas estamos a falar até agora de perdas inferiores ao buraco da CGD." Quem é que esteve na CGD para cavar este buracão? Disse Catroga: foram "O Vara e o Bandeira, que abandalharam aquilo tudo"...e afinal quem é que nomeou "o Vara e o Bandeira"? Pois foi e toda a gente sabe: foi o emigrado de Paris, José Sócrates. Não se esqueçam dele que ele não se esquecerá de vós...
Mais ainda: quem é que nomeou o tal Bandeira para administrar o BPN depois da nacionalização e em "part-time" com a gestão da CGD? Pois foi e toda a gente sabe: foi o emigrado de Paris, José Sócrates. Não se esqueçam...

Afinal, passar de um buraco de nem sequer dois mil milhões para um de mais de oito mil milhões é obra que deixa marcas. Mesmo para um jornalista desportivo são muitos penalties sem assinalar... e o D.N, tem muita dificuldade em assinalar penalidades destas.



sábado, 28 de abril de 2012

A publicidade antes e depois do PREC

A propósito de publicidade em revistas, aqui fica uma série de anúncios publicitários da mesma revista Século Ilustrado.
A primeira série respeita a todos os anúncios de página inteira publicados na edição de 14.4.1973, dedicada a um acontecimento de cultura popular naquela época: o festival da canção da Eurovisão.


E agora, para algo completamente diferente, como diriam os Pythons que nessa altura não eram conhecidos por cá, ficam as publicidades, todas as publicidades note-se, da edição da mesma revista de 9.7.1976 que traz Mário Soares na capa e ainda num rescaldo de um PREC que o PS nessa altura ainda não tinha metido na gaveta...
Como se pode ver, apenas quatro páginas de publicidade, sendo duas delas a editoras de esquerda com livros de esquerda, distribuídos pelo Século que também era proprietário da revista. Como subchefe de redacção estava uma tal Maria Antónia Palla, mãe de um tal António Costa que um dia destes chega a secretário-geral do PS, à falta de melhor.
A nossa desgraça já vem de longe, mas é possível situá-la com precisão no tempo e no espaço: depois do 25 de Abril no lugar da esquerda. Foi aí que nos perdemos como país e é bom que tal seja percebido pelos jovens de agora.


Contem como foi...mas de outra maneira!

O jornal Público de hoje dá duas páginas centrais a um artigo de Luís Francisco sobre a publicidade que havia em Portugal, em Abril de 1974 e depois, no PREC.

Um dos exemplos apresentados  da "mudança" é este, indicado como sendo a imagem das "mudanças evidentes na linguagem publicitária".


Ora este anúncio foi publicado nas revistas Flama e Século Ilustrado e a primeira vez que o vi foi  nesse número da Flama de 10.5.1974 (imagem acima).
Talvez fosse demasiado cedo para tal "mudança", uma vez que a dita publicidade, a um cartão de crédito do Sottomayor, inseria-se evidentemente numa campanha que duvido muito tenha sido feita em oito dias, uma vez que os anúncios publicados eram variados ( para aí meia dúzia de temas distintos). 
E nos número da Flama, em 17.5.1974 ( imagem à esquerda) e  Século Ilustrado de 18.5.74, apareciam este anúncio ao mesmo tema. A imagem publicitária da direita não exemplifica qualquer mudança de linguagem, antes pelo contrário...












Aliás, a publicidade a bancos tinha tradição nas revistas portuguesas da época. Na revista Vida Mundial ( imagem à esquerda) de 4.10.1968 ( não é lapso) publicitava-se o primeiro "multibanco". E só em 28.12.1974, o Século Ilustrado publicou um anúncio ao BPA onde se dá conta de uma certa "mudança". Basta ver a menção ao "trabalho nacional" que já nada tem a ver com a "alegria no trabalho". Aliás, o anúncio a preto e branco prenunciava a grande alegria que viria em 11 de Março de 1975, com a nacionalização e entrega dos bancos " ao povo"....
De resto, nas mesmas revistas no ano de 1975 a publicidade aos bancos ( e a outros assuntos e mercadorias) foi  um ar que se lhe deu. Basta ver essas revistas e comparar para verificar que o PREC e o comunismo em Portugal tiveram um efeito devastador nesse mercado. Mas, como sempre, ninguém fala nisso...

Outra das coisas que chateia ao ler estas histórias da publicidade e de uma certa reescrita da História, com estes artigos é a menção aos costumes e à libertação dos mesmos devido ao 25 de Abril de 2974. Julgo que não é tanto assim, como se demonstra por esta publicidade publicada na Vida Mundial de 14.8.1970. E ainda outra coisa: a primeira vez que em França se publicaram fotos com seios de mulher vistos de frente , em anúncios publicitários, julgo que foi muito depois de 1974...






sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ramalho Eanes em entrevista à RTP

Entretanto e para quem quiser ver, aqui fica a ligação ao video da entrevista de Ramalho Eanes a Fátima Campos Ferreira.

Ainda bem que há portugueses assim.

E para quem quiser ver uma análise marxista do nosso capitalismo das últimas décadas, pode ver o video montado por partidários do Bloco de Esquerda sobre "Os Donos de Portugal".

O BE e a esquerda em geral, com o PCP sabem diagnosticar. Falta-lhes é ideário para resolver os problemas sem ser da pior maneira, a do empobrecimento generalizado, da repressão política, da falta de liberdade que não seja a deles, a censura descarada, numa palavra, a Ditadura. No caso, de uma suposta classe operária ou equivalente.
Uma miséria nunca vem só. E na Esquerda portuguesa a miséria é o sempiterno "ódio aos ricos". A luta de classes nunca foi abandonada pela Esquerda portuguesa e a história que contam do capitalismo nacional  é a História factual da nossa desgraça.
A Esquerda portuguesa vingou-se desse capitalismo em alguns meses entre 1974-75. Decapitaram o capitalismo que nunca mais foi o mesmo. E isso foi a nossa desgraça.
A Esquerda portuguesa quer outro 25 de Abril para repristinar o PREC. Desgraça em cima de desgraça é o que nos prometem, seguramente. Já sonham com outra Revolução...
Nada aprenderam e nada esqueceram.

O tipo do SIED, agora, é suspeito de corrupção...

A propósito desta história contada hoje no Diário de Notícias- Ministério Público relaciona a contratação do ex-diretor do SIED como contrapartida pelo alegado fornecimento de informação secreta- lembrei-me desta, mais antiga,  de um indivíduo "sem currículo" mas ainda assim bem mais interessante.

Nessa altura, ninguém se lembrou de relacionar coisa alguma e muito menos corrupção. Agora, por causa de pintelhices, ai jesus!, a corrupção! O Expresso continua na jogada mas não se dá por achado quanto ao crime de violação de segredo de Estado, cujos indícios de ter praticado não podem ficar em águas de bacalhau, como o seu jornalismo. 

 Entretanto, outros casos ainda mais gritantes de ligações interessantes de antigos governantes ( governantes, note-se bem, e não meros agente administrativos sejam eles serviços secretos ou pensadores de cantinas) passaram incólumes no crivo do DIAP. O caso de Jorge Coelho, Parreirão e tutti quanti, foram casos de amigos, amigos, negócios àparte...e corrupção nem cheiro, quanto mais fumos!

Portanto, fiquemos com o caso singular de Daniel Sanches, um antigo magistrado do MºPº, tal como contado então pela Visão:

Dias Loureiro seguia com o «maior interesse» o trabalho e os resultados da actuação dos serviços de informação que tutelava, diz quem o acompanhou de perto nesse período. Mas as incompatibilidades com Ladeiro Monteiro – uma espécie de «pai» do SIS e seu director desde 1986 – começaram cedo. O afastamento só aconteceria em 1994, na sequência da espionagem do SIS a dois magistrados do Ministério Público da Madeira. Para o seu lugar, Dias Loureiro nomearia o seu amigo Daniel Sanches, ao mesmo tempo que remodelaria, também, a chefia da secreta militar, entregando-a ao seu conterrâneo e também amigo Lencastre Bernardo.

Se o SIS já andava em bolandas com insinuações de
práticas a favor do Governo, com a entrada de Sanches as acusações subiriam de tom, dada a proximidade – «cumplicidade», referem dois magistrados – entre o ministro e o novo director. Dentro do SIS, o ambiente deteriora-se, sobretudo após alegadas instruções para vigiar e identificar dinamizadores de manifs e protestos contra o Governo. Loureiro não se livra da fama de querer dossiês pormenorizados sobre figuras de vários quadrantes. «Muita gente lhe deve favores», atesta um magistrado ligado aos serviços de informações. Confrontado, reagiu sempre com indignados desmentidos.

Informação é poder


Em Fevereiro de 2001, poucos dias após ter sido nomeado administrador da SLN, Dias Loureiro convidou Daniel Sanches e Lencastre Bernardo para a holding do BPN. Ou seja, só dois dos maiores peritos nacionais em espionagem e informações. Segundo fonte judicial, eles «tiveram acesso aos mais valiosos segredos políticos, económicos e empresariais», enquanto estiveram à frente das secretas. O procurador-geral-adjunto Daniel Sanches larga a chefia do DCIAP, a unidade de elite do MP. «A informação que levo não me vai ser útil», disse, porém, Daniel Sanches quando abraçou o mundo dos negócios. À época, como hoje, vários colegas não ficaram convencidos. Na SLN, o magistrado foi administrador da Plêiade Investimentos, da ServiPlex e da Vsegur (segurança privada).

A polémica do SIRESP…

Foi também com a ajuda de Dias Loureiro que, em 2004, Daniel Sanches chegou a ministro, no Governo de Santana Lopes, com a tutela da Administração Interna. Três dias após a vitória de Sócrates, em 2005, estava o anterior Governo em mera gestão, Sanches adjudicou o negócio do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) a um consórcio liderado pela SLN, para a qual trabalhara entre 2001 e 2004. O contrato deste sistema de comunicações entre as polícias era da ordem dos 540 milhões de euros. O Executivo PS renegociou novo contrato com a SLN, ficando o SIRESP por 485 milhões de euros.

Ao contrário dos administradores das entidades do consórcio, todos constituídos arguidos por suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio, Sanches não foi sequer chamado como testemunha ao inquérito, que acabaria arquivado pelo Ministério Público, em Março deste ano. Entretanto, o papel de Dias Loureiro foi amplamente questionado. O ex-

-ministro justificou-se com o facto de presidir à Erickson, uma empresa concorrente da Motorola, parceira da SLN no negócio. Mas, fonte do caso SIRESP assegura que «a Motorola era, desde a altura de Loureiro no Governo, um grande fornecedor de material de comunicações ao MAI».


Repito: enquanto o Ministério Público, nas suas instâncias mais representativas de investigação criminal continuar a mostrar através de indícios preocupantes que a lei  pode não ser igual para todos e que nem todos são iguais perante a lei, teremos problemas de legitimação do MºPº e de credibilidade da justiça. A judicialização da política tem uma contraparte que é a politização da justiça. O caso da Madeira e agora este, se não forem acompanhados rapidamente de sinais inequívocos de que há no MºPº o firme propósito de tratar todos os cidadãos ligados à política, por igual, não deixará pedra sobre pedra no MºPº.

Ontem, no julgamento que decorre no Barreiro sobre o caso Freeport, uma testemunha estrangeira, em depoimento por videoconferência disse que José Sócrates, enquanto governante ( e não enquanto mero funcionário administrativo de polícia secreta) sugeriu a responsáveis pelo empreendimento a escolha de um arquitecto certo, escrevendo o seu nome e número de telefone num papel a fim de os mesmos optarem pelo "arquitecto certo" e "apoiarem o partido certo".

Esta acção e facto contados por essa testemunha indiciam um crime de corrupção gravíssimo. Muito  mais grave que o do tal funcionário do SIED. Sem comparação, aliás.
Em que ficamos?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Tiro ao coração das trevas

Ramalho Eanes, em entrevista à RTP1, conduzida por Fátima Campos Ferreira acaba de dizer que não tem estima alguma por Mário Soares, "principalmente depois de ter lido o livro de Rui Mateus".

Tal e qual. Um tiro assim, dado por um indivíduo que é dos poucos que em Portugal conserva um capital de dignidade pessoal e política importante, devia ser fatal para o visado.

Mas não vai ser porque o sistema mediático está todo minado.

25 de Abril: o mito


Comemora-se o 38º aniversário de 25 de Abril de 1974 e já há por aí quem reclame outro 25 de Abril, ou melhor, a reposição do genuíno, o de Abril tal como o entendem mas nunca explicam devidamente.
Portanto, a ideia peregrina deveria ser melhor reflectida e com recurso à memória do tempo que passou.

No dia 25 de Abril de 1974 uns tantos militares descontentes com o regime depuseram os chefes de então e entregaram o poder a civis, conservando uma tutela temporária. Foi uma autêntica Revolução e como escrevia a revista brasileira Manchete de 11 de Maio de 1974, escassos quinze dias depois (e de que se tira esta primeira imagem) "contando com o apoio integral do povo, o golpe de Lisboa foi dos mais ordeiros de que se tem notícia na História". Aliás, é um facto histórico indesmentível, este.
A verdade é que o regime estava apodrecido e exangue e quase todos aplaudiram a mudança. Mal sabiam ou suspeitavam o que viria a seguir...

Esta imagem da Manchete mostra o povo nesse dia 25 de Abril, em Lisboa, a apoiar os militares, espontaneamente. Uma verdadeira aliança e alegria na cara das pessoas. Nestas primeiras imagens da Revolução não há um único cartaz de partido político. Apenas um lençol onde alguém escreveu "Liberdade para os presos politicos".
O mote estava dado. Nos dias e semanas a seguir formaram-se partidos, apareceram partidos existentes, grupos, grupúsculos e mais grupos e formou-se um governo provisório, com António de Spínola, o general que comanditou o golpe com um livro publicado uns meses antes ( Portugal e o Futuro).


Um mês depois, em 24.5.1974, "O governo provisório dava os primeiros passos", segundo a revista Vida Mundial, então com 35 anos de publicação e já dirigida por Augusto Abelaira ( até então tinha sido Manuel Figueira).
Lendo o artigo com seis páginas e assinado por F.A. ( Fernando Antunes) pode verificar-se na segunda página quem foram os militares afastados do activo no 25 de Abril. Os militares "fassistas", evidentemente. Em seu lugar foram nomeados outros, "progressistas" ou que rapidamente se assumiram como tal, mudando casacas à pressa.
O comunista Álvaro Cunhal assumiu logo um ministério, mesmo "sem pasta". Logo na primeira página ( é ler...) surgia a menção a ministérios que o PCP poderia obter. Mário Soares, esse, mostrava-se já preocupado com a "fragmentação excessiva" e com a formação de inúmeros agrupamentos ( "cerca de uma centena") que "em sua opinião, reflectia o "oportunismo de tantos grupos a subverter as instituições democráticas que se pretendem venham a ser autêntica realidade no nosso país". Note-se a preocupação com a tal formação democrática que atentava contra as "instituições democráticas"...


Como exemplo paradigmático das contradições surgidas na sociedade portuguesa e na vida política em particular, note-se estas duas notícias, na Vida Mundial de 14.6.1974 ( nem dois meses depois de 25 de Abril e que já tem Álvaro Cunhal na capa, a cores e a dizer "Não temos uma política na rua e outra no governo"...
A primeira respeita a um acto de censura na RTP. O grupo de teatro A Comuna, num directo transmitido do "Mercado da Primavera" , nas comemorações do "Dia de Portugal", não achou nada melhor do que mostrar uma peça em que satirizava a Igreja Católica, associando-a à PIDE-Gestapo-SS e figurando um cardeal da igreja, com "cerejas dependuradas da mitra" ( era o tempo delas e o cardeal Cerejeira era então o Patriarca de Lisboa...). A censura da autoria de um militar, delegado da Junta de Salvação Nacional, foi altamente censurada.

Na segunda, dá-se conta da prisão, por motivos políticos ( o primeiro preso político depois de 25 de Abril, provavelmente) de José Luís Saldanha Sanches, na altura dirigente do MRPP e que apelou à deserção "em massa e com armas" dos militares ainda colocados nas colónias. O incitamento fora publicado no segundo número do Luta Popular e a prisão foi logo a seguir, para o forte de Elvas.
Diz a notícia que "À prisão deste combatente comunista, activo desde longa data e que passou oito dos últimos dez anos da sua vida nas prisões da PIDE/DGS, assistiu a estudante de Direito Maria José Morgado, co-arguida de Saldanha Sanches num processo ainda recentemente instruído"...



Estas duas notícias chegam para mostrar porque é que o 25 de Abril de 1974 se transformou num logro, logo na segunda semana e porque é que a Esquerda e a Extrema-Esquerda comunistas ( mais os seus "compagnons de route" habituais, no caso o PS ainda de socialismo alçado e fora da gaveta),  "abandalharam" logo isto tudo.
Se alguém quiser reivindicar um novo 25 de Abril, comece por contar esta História, porque é a verdadeira.
Duvido é que a contem porque os que o podem fazer estão comprometidos de várias formas: ou foram comunistas e colaboraram na "bandalheira"; ou continuam a sê-lo, mesmo por nostalgia; ou pura e simplesmente não conseguem perceber o tempo que passa.
É só por isso que o discurso oficial e jornalístico-mediático continua a ser o mesmo passados estes 38 anos: um discurso de mentira e de logro e de "sistema",  por sua vez apodrecido, como estava o que foi deposto em 25 de Abril de 1974.
Algumas figuras do actual regime metem mais dó do que as da antiga "brigada do reumático" que tanto criticaram e gozaram...










terça-feira, 24 de abril de 2012

Os nostálgicos da Revolução

A RTP2 passa logo, a horas muito tardias, um documentário de Jorge Costa ( comunista do BE) sobre Os Donos de Portugal, ao qual serviu certamente de guião o livro do mesmo em co-autoria com outros comunistas do BE-Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas.

O documentário, se seguir o livro é uma espécie de análise marxista dos nossos cem anos de "capitalismo".
Só por isso merecia ser visto em horário nobre com debate a serguir, mas não com os mesmos do costume.

Já em tempos mencionei aqui esse livro que deve ser lido cum grano salis e a par de "Salazar e os milionários", de Paulo Jorge Castro, à falta de melhor.

O livro e o documentário lembram a capa da revista francesa Le Point desta semana, com o título O ódio aos ricos...e com subtítulos A nostalgia da Revolução e Os  novos Robespierre .
Em França, um tal Melenchon pensava que ia ser uma festa, tal como o BE por cá.
As pessoas, porém, já os toparam há muito e quanto propõem as "mais amplas liberdades" as pessoas já sabem com o que devem contar: mais ditadura do que no tempo de Salazar. Menos liberdade do que jamais tivemos...


Os nossos esquerdistas, comunistas envergonhados, fazem a mesma figura: detestam os ricos e o dinheiro acumulado, e em alternativa propõem a miséria generalizada...consequência fatal desse ódio de classe.

Entretanto e sobre o BE, soube agora que morreu Miguel Portas. Habituei-me a ouvi-lo na Antena Um e apreciava os seus comentários. Evidentemente não era um idiota como alguns no BE. Tenho pena que vá embora, assim.

Garcia dos Santos: porque é que é o miltar do 25 de Abril que prefiro


Entrevista de Garcia dos Santos ao i de hoje.
Sobre Cavaco Silva...

Jornal i- Mas o actual Presidente da República…


Garcia dos Santos-Não me fale desse gajo! Não me fale nesse gajo!
Jornal i-Mas houve uma altura em que houve pessoas que acreditaram que ele podia ser esse salvador…
Garcia dos Santos-Mas quem é que acredita nesse senhor?

Jornal i-Alguns desses valores costumam ser associados a Cavaco Silva…

Garcia dos Santos- As falhas! As falhas! Ele acabou com as pescas, acabou com o mar, acabou com a agricultura! E agora é o defensor dessas coisas todas. Veja a contradição da pessoa! É licenciado em economia, foi ministro, foi primeiro-ministro. E o que é que ele fez? Destruiu tudo isto! Toda a situação em que estamos hoje nasce com ele. E ele nesta altura em que devia ter uma atitude firme, dar dois murros na mesa, dizer “o país está primeiro que tudo o resto, acabaram as querelas partidárias, vamos pôr o país a funcionar”. Que é que ele faz? Zero! Julgo que ninguém tem argumentos para contrapor a isto que eu estou a dizer. O Presidente da República é o primeiro responsável por isto tudo e não faz nada para que isto se corrija.

Jornal i-Mas o Presidente não tem muitos poderes…

Garcia dos Santos- Tem todos os poderes! Tem a bomba atómica, que é a dissolução da Assembleia da República, mas não é preciso ir aí. Fui cinco anos chefe da Casa Militar do Presidente da República, sei muito bem como era o ambiente naquela casa e como se viviam estas coisas todas. Se fosse preciso dar dois murros em cima da mesa, o Eanes dava. E punha o dedo no nariz daquela gente! Este gajo não põe, de certeza absoluta! E ainda por cima é um pateta que tem medo de tudo.

Jornal i-Uma coisa é não conseguir parar determinados fenómenos, outra é beneficiar deles. Quando critica Cavaco Silva é por não ter conseguido enfrentar determinadas situações?
Garcia dos Santos- Claro! Não conseguiu porque não é capaz.

Nota: repare-se na imagem tirada ao i: mostra o general numa dependência de uma casa modesta, um apartamento com caixilharia em alumínio e persianas que denotam uns bons anos de uso.
Compare-se com as moradias de certos figurões do regime que enriqueceram sabe-se lá como ( até se sabe, só que as tais provas...) ou com as de figurões da política que ocupam cargos de relevo.

Garcia dos Santos: o militar de Abril que prefiro

O General Garcia dos Santos foi um militar do 25 de Abril- e dos mais importantes porque foi o encarregado da montagem das comunicações, no posto de comando da Pontinha. Quem ouve hoje gravações desse dia a anunciar o Movimento das Forças Armadas, deve lembrar-se de Garcia dos Santos.
Garcia dos Santos foi militar, ensinou "comunicações", participou no MFA, foi secretário de Estado, chefe da Casa Militar do presidente Eanes e presidente da JAE, por convite de João Cravinho que dele foi colega no Instituto Superior Técnico.

A entrevista ao jornal i de hoje é notável a vários títulos.  Um deles pode muito bem ser este:
Jornal i- Mas estamos melhor do que há 38 anos…
Garcia dos Santos-  Claro que sim! Mas vamos pagá-lo muito caro. Nós estamos a viver do dinheiro que vamos buscar lá fora. E depois como é que é? Como é que a gente o vai pagar? O que é a gente está a fazer para preparar o futuro? É que a gente não pode viver só do dinheiro que vai buscar lá fora. Temos que pensar o que vamos fazer, como é que está a nossa economia. Há alguma coisa que esteja a ser preparada no sentido de pôr a nossa economia a funcionar? Zero! Quer outro exemplo? As auto-estradas, as Scuts. Eu tive uma conversa com o engenheiro Cravinho em que ele me disse que ia pôr a funcionar as Scuts. Eu disse: “Ó senhor ministro isso é um tremendíssimo disparate!”. A Scut é uma invenção inglesa, ao fim de pouco tempo os ingleses puseram aquilo completamente de parte, por causa do buraco que era previsível. Mas disse-me que o assunto estava exaustivamente estudado sob todos os aspectos, técnico, financeiro. Está à vista o buraco que são as Scuts.


Jornal i- E as PPP?
Garcia dos Santos- É a mesma coisa.


Jornal i-Quando saiu da JAE denunciou uma situação generalizada de corrupção. Acha que as PPP também se integram nessa situação? O Tribunal de Contas diz que houve contratos que lesaram o interesse público...
Garcia dos Santos-Tem que se admitir a possibilidade de haver ali corrupção, e da forte. Como é que se atribui a uma determinada entidade certos privilégios que não seriam naturais? É porque se calhar há alguém que se locuptou com alguma coisa. Infelizmente, outra coisa que funciona mal no nosso país é a justiça. Nunca chega até ao fim.


Jornal i- Foi colega do eng. João Cravinho no Técnico…
Garcia dos Santos-Foi por isso que ele me chamou para ir para a Junta. Sabe o meu feitio e quis que eu limpasse a casa.


Jornal i-Mas o que é que aconteceu? O eng. João Cravinho chama-o para limpar a casa, o senhor limpa, e depois zangam-se. O que se passou?
Garcia dos Santos-Fomos colegas no Instituto Superior Técnico. Houve um jantar de curso e nesse jantar o Cravinho a certa altura chama-me de parte e diz: “Tens algum tempo livre?”. E eu disse: “Tenho, mas porquê?”; “Eu precisava de ti para uma empresa”; “Que empresa?”; “Agora não interessa, a gente daqui a uns tempos fala”. Passado uns tempos chamou-me e disse-me: “Eu quero que vás para a Junta Autónoma das Estradas, mas não digas a ninguém que o gajo que lá está [Maranha das Neves] nem sonha”. O Cravinho deu-me os 10 mandamentos do que eu precisava de fazer na Junta, limpar a casa, obras que era preciso fazer, etc. Entretanto, comecei a conhecer a casa, dei a volta ao país todo e um dia disse-lhe: “Há aqui uma série de coisas que é preciso fazer e há 11 fulanos que é preciso pôr na rua”. Ele retorceu-se, chamou-me daí a dois dias, disse que era muito complicado. O problema é que era através de uma das pessoas que eu queria pôr na rua que passava o dinheiro para o PS.

Em 2009, escrevi aqui isto:

"Dois anos antes da chegada do general fora ordenada uma auditoria na JAE na sequência de afirmações do presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Pedro Ferraz da Costa. Foram detectadas "actividades privadas geradoras de incompatibilidade legal". Mas - segundo a Procuradoria-Geral da República - em nenhum caso se evidenciaram "situações de corrupção ou de financiamento de partidos", precisamente o que Garcia dos Santos denunciou ao "Expresso" meses depois de ter renunciado à presidência da Junta.
"O engenheiro Cravinho e eu fizemos o mesmo curso no Instituto Superior Técnico", rememora o general. "Hoje apresenta-se como um paladino contra a corrupção, mas na altura recusou fazer certas coisas." Quais coisas? As respostas do general são crípticas: "Eu sabia de muitos empreiteiros?" Sim, mas quantos? "Vários, alguns..."
Garcia dos Santos exigiu a expulsão de "tal e tal e tal", funcionários da JAE. Cravinho aceitou mas acabou por recuar, o que levou o militar a pedir a demissão e a telefonar ao semanário de Pinto Balsemão. Na edição de 3 de Outubro de 1998 afirmou ter "quase a certeza absoluta" de que o governo sabia quais eram "as pessoas corruptas dentro da Junta".

As declarações do general, levaram-no a uma audição no gabinete do PGR Cunha Rodrigues. E ainda a uma comissão parlamentar de inquérito. Pouco de relevante se apurou, embora a JAE fosse então desmantelada. Alguns dos seus nomes sonantes e suspeitos, nunca pronunciados abertamente e por quem sabia ( Cravinho e Sousa Franco por exemplo) , continuam por aí, bem instalados e a gozar rendimentos e proveitos. Compensou, para eles, a corrupção então rompante. E foi por isso que outros lhe seguiram o exemplo, anos a fio. O Freeport poderá ser um filho desta mentalidade que não duvida que o BPN "é um caso de polícia".

Quem estava no Governo de então ( 1998)? Guterres.
Garcia dos Santos dizia na entrevista ao Expresso ( para quem telefonou, antecipando-se a uma inoperância da JAE de Cravinho e a quem tinha proposto a demissão de vários suspeitos de corrupção) que " JAE financia partidos políticos".
Era este o problema e Cravinho devia saber disto. Porém, com o PS ninguém se mete nestas embrulhadas. "Leva", segundo o alvitre de um Coelho saltitante. E Cravinho era desse PS. Foi do MES, mas acabou nesse PS. Típico.
A verdadeira luta contra a corrupção está aqui espelhada: não existe por anomia dos próprios responsáveis pelos seu combate. Ainda por incapacidade em enfrentar o problema do financiamento do partido. O partido precisa de dinheiro e nunca, na democracia de mais de trinta anos, houve um MP ou um juiz que se atrevesse a fazer uma busca nas sedes partidárias ou de quem orienta as finanças do partido. Esses lugares são santuários da democracia e por isso, intocáveis. Os seus oficiantes estão acima de qualquer suspeita e tudo o que se disser em contrário é por conta da cabala e da urdidura, naturalmente.

Até quando este temor reverencial incrível? Até quando este medo da democracia, por respeitinho aos seus "donos".

Será por medo do anátema da "república de juízes"? Só pode, mas é tempo de acabar com esse atavismo.

Os partidos políticos não estão acima da lei nem podem ser coutos de corruptos ou antros de malfeitores da democracia, onde se organizam num "toca a reunir" sempre que há ameaça de "decapitação". As Anas Gomes deste país deviam ser denunciadas sempre que assim procedem, mas isso não acontece porque são essas pessoas quem anatematiza os temerários que possam aparecer. Um círculo do vício, portanto.
A democracia não é isto. É outra coisa e os donos do poder não podem ser os primeiros a usar meios antidemocráticos para se perpetuarem e cargos e benesses.


Cravinho que depois disso denunciou a falta de empenho no combate à corrupção, foi, na época, um dos que não conseguiu, porque não quis ou não pôde, fazer frente ao monstro. Espera-se que Cravinho se defenda destas acusações de omissão grave e incoerência ainda pior.
No entanto, prova mais evidente e flagrante do nosso problema endémico de corrupção que lida com a estrutura do Estado, não pode haver. Que sirva de lição porque o tempo nada ensinou e se alguma coisa pode ser acrescentada é que se refinou o modo de corrupção. Agora faz-se com a ajuda de decretos-lei.

Quando me vêm dizer que o antigo PGR Cunha Rodrigues foi um "grande senhor" no MºPº lembro-me sempre de Garcia dos Santos e disto que escrevi...





segunda-feira, 23 de abril de 2012

O próximo PGR: só vejo um candidato...

 Entrevista de Rui Cardoso, novel presidente do Sindicato dos magistrados do MºPº em InVerbis. Sobre o perfil do próximo PGR:

- Face à experiência deste PGR e de todos os outros, e ao estado em que está o MP… temos de ter alguém que aceite aquele núcleo fundamental de princípios do MP, um MP democrático e não autocrático. Composto por magistrados autónomos, hierarquicamente subordinados, e não outra visão que era a visão deste PGR, em que todos os magistrados estariam ao serviço do PGR, que não seriam autónomos… Tem de ser alguém que conheça muito bem o MP. Como último requisito, alguém que goste verdadeiramente do MP.

Se se seguir este critério, o próximo PGR só pode ser...isso mesmo. Já o escrevi aqui. Pensando bem, o lugar fica bem entregue. Pensando melhor, acontece como nos casamentos: quem pensa não casa...e quem casa não pensa.

Já chegamos à Madeira!

A propósito das diligências de busca no Governo Regional da Madeira, efectuadas pela GNR a solicitação do DCIAP, convém contextualizar:

O ano passado, em Setembro era  notícia a instauração de um inquérito sobre "as contas públicas da Madeira", assim justificado, pelo PGR Pinto Monteiro ( e não juiz conselheiro como se escreve na notícia):

 (...) no caso da Madeira, "pela primeira vez há elementos que talvez possam indicar indícios penais", realçando, contudo, que as "pessoas são inocentes até prova em contrário".
O PGR notou que o caso da Madeira tem ainda uma vertente política e uma vertente financeira, sendo que relativamente à primeira "nunca faz comentários políticos, nem os fará" e quanto à segunda "o Ministério Público (MP) só pode investigar se a Assembleia Regional da Madeira pedir ao MP que o faça".
"Como a Assembleia Regional da Madeira nunca pediu, o MP não pode averiguar a vertente financeira", justificou Pinto Monteiro.
A Lei n.º 34/87 de 16 de julho, relativa a crimes de responsabilidade dos titulares de cargos políticos, no seu artigo 14.º, sobre violação de normas de execução orçamental, prevê um ano de prisão como pena para quem praticar ilícitos neste domínio.
"A aplicação do artigo 14.º só agora, pela primeira vez, se justifica a abertura de um inquérito", disse Pinto Monteiro. "Este artigo depende de elementos que indiciem, não posso abrir um inquérito-crime pelo artigo 14.º se não houver indícios. Agora, pela primeira vez, foi aberto por haver indícios que justifiquem a sua abertura", realçou. 
Em Outubro desse mesmo ano havia outras notícias sobre violações orçamentais e contas públicas:

O líder da Juventude Social-Democrática (JSD), Duarte Marques, apelou hoje ao Procurador-Geral da República para que investigue a eventual responsabilidade do anterior Governo e, em particular, do ex-primeiro-ministro, José Sócrates, pela situação económica do país.

Numa reacção ao anúncio das medidas anunciadas quinta-feira pelo primeiro-ministro, Duarte Marques disse à Agência Lusa que as «medidas são muito duras» e mostram «o ponto a que o país chegou».
Passados alguns dias, os elementos de facto e a "queixa" foram apresentados na PGR:

Duarte Marques, acompanhado pelo dirigente da JSD Hugo Soares, foi recebido hoje, a seu pedido, por Pinto Monteiro na Procuradoria-Geral da República, para pedir a responsabilização dos detentores de cargos públicos que "lesaram o interesse público" e deixaram uma "hipoteca" às gerações mais novas.
"Os casos de que nós falámos são, na sua esmagadora maioria, casos que foram tornados públicos pelos órgãos de comunicação social. E nós consideramos que devíamos pedir explicações sobre aquilo que foi feito pelo Ministério Público relativamente a essas situações", declarou o presidente da JSD aos jornalistas, no final da reunião com Pinto Monteiro, que durou cerca de uma hora.
O caso da Madeira reporta-se a ilícitos derivados de violações de regras orçamentais, cuja pena aplicável não ultrapassa um ano de prisão.  Mas há um inquérito porque houve uma "queixa", aparentemente.

E no caso assinalado, sobre as violações das contas públicas inúmeras vezes apontadas pelo tribunal de Contas, não há inquérito?
Sendo a lei igual para todos e todos iguais perante a lei, espera-se a resposta.

Por outro lado e para já, o argumento da "judicialização da política" ficou em águas de bacalhau.
No jornalismo nacional, aliás, costuma bastar, por ser para quem é.











Por cá é melhor começarem a pôr as barbas de molho...

Sapo Notícias:

Geir Haarde, ex-primeiro ministro da Islândia foi considerado culpado de uma das quatro acusações de negligência face a crise financeira de 2008.
 Enquanto alguns islandeses consideram que o ex-primeiro ministro foi um bode expiatório, outros defendem que é essencial apurar responsabilidades.
Apesar da economia islandesa estar a recuperar da crise e ter cumprido com sucesso o programa de austeridade imposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), os cidadãos continuam muito desconfiados das instituições governamentais.
Segundo a Reuters, as sondagens mostram que o parlamento atual tem o apoio de apenas 10 por cento das pessoas.

Por cá ainda vão dar muitas voltas, mas se as coisas piorarem significativamente podem pôr as barbas de molho porque as pessoas não são estúpidas e irão começar a pôr as perguntas que se impõem há muito.
Hoje no jornal i, Miguel Cadilhe responde à observação de que "Almeida Santos diz que José Sócrates foi vítima da crise...", dizendo que " a crise foi vítima de Sócrates, de outros também, dá dentro e lá fora. Depois a crise vitimou Sócrates."
Sobre o BPN, Cadilhe diz mais: "O pior negócio para os contribuintes chama-se nacionalização [do BPN]. Ou se quiser chama-se Sócrates, Teixeira dos Santos , Constâncio, a brilhante trindade que contemplou a coisa e contemporizou durante anos, agitou-se e assustou-se connosco no Verão de 2008, negou-se então a assumir o erro das omissões ou cumplicidades passadas, alegou um absurdo risco sistémico, decretou apagar todos os pecados, e nacionalizou. Um erro calamitoso."

Barbas de molho- precisam-se...

domingo, 22 de abril de 2012

Sábado: conta-me como foi, mas de outra maneira


Para se fazer a revista Sábado desta semana, alguém viu a Newsweek de 26 de Março passado e teve uma ideia: copiar a ideia que viu.
A propósito de novos episódios da série televisiva Mad Men, a Newsweek dirigida por Tina Brown ( Vanity Fair e New Yorker nos anos noventa e mais umas tantas, incluindo uma Talk que durou pouco tempo-tenho o primeiro número e seria uma espécie de Life com Look anos 2000) elaborou aquele número seguindo um conceito: replicar a revista segundo o formato gráfico e de conteúdo dos ano sessenta, época em que a série se desenvolve.
Assim, aquele número da Newsweek apresenta as suas páginas como saindo direitinhas da gráfica revivalista, com o grafismo, o lettering, a distribuição dos assuntos, o índice e até as publicidades típicas dos anos sessenta que infelizmente não chegaram à edição internacional que comprei. A capa retoma o formato do título antigo e as cores de antanho, com predomínio das fotos a preto e branco. Só visto porque é uma pequena maravilha gráfica e conceptual.
A Sábado deve ter visto e como é tom em Portugal, toca a copiar o conceito, plagiando até a ideia das publicidades retrospectivas.
O que na Newsweek é um trabalho perfeito, uma obra de arte conceptual em forma de revista, na Sábado é um estenderete de pinderiquice que até incomoda.  E é esta revista  “eleita newsmagazine melhor do ano pela Meios & Publicidade”…
E no entanto a ideia até era boa, mesmo copiada. Só que…até para copiar é preciso talento que na Sábado pelos vistos escasseia, como os assuntos com interesse de notícia ou reportagem. Salva-se, no caso deste número, a reportagem sobre um homicídio de  um polícia da PSP, não esclarecido, ocorrido em 30 de Abril de 1974, junto ao aeroporto da Portela e Rotunda do Relógio.
Enquanto na Newsweek a nostalgia não passa da segunda metade dos sessenta, na Sábado a mistela revivalista junta os setenta com os sessenta e porventura os primeiros da década de 2000, altura em que a revista apareceu, numa confusão mental de quem não arquivou bem o tempo que passa.  
Enquanto a Newsweek  tem a noção exacta do respeito pelo aspecto editorial e idioma dos anúncios de época, na Sábado tal efeito nem por sombras se  nota.
Como exemplo mais patético deste falhanço  pode ver-se o arranjo gráfico a imitar os setenta sem nada que se lhe assemelhe em modo exclusivamente característico e a ideia de refazer hipotéticas capas ( “as capas que nós teríamos feito”) alusivas a acontecimentos reais dos anos setenta . Sobre o 25 de Abril, a ideia de prognóstico futurista da revista seria capear com uma foto a preto e branco, numa altura em que a cor se tornava dominante nas capas dos “newsmagazines” da época ( até a revista da PIDE/DGS, Continuidade, já tinha capas a cores) , como a Observador ( que já não existia em 1974, mas que foi muito importante para mostrar o que foram os primeiros anos da década de 70 e o desenvolvimento marcelista), para não mencionar a Flama, o Século Ilustrado ou mesmo a Vida Mundial, relativamente às capas.  A tal capa, com moldura a vermelho teria um título com uma capciosa menção a “Tudo sobre os bastidores da Revolução”.  Supostamente, a revista saindo à Quinta, só na semana seguinte poderia anunciar tal ideia cujo idioma pode ser tudo menos dos setenta. Ninguém nessa época se lembraria de apresentar uma ideia peregrina dos futuristas anos 2000, alusiva aos “bastidores” de qualquer coisa como uma Revolução.  Seria um título tão desfasado como o de anunciar  nessa época a revelação dos ficheiros digitais da DGS.  Ou, para o efeito e como tal é apresentado, titular outro número da revista , alusivo à primeira intervenção do FMI, em 1977, com uma foto de Mário Soares e o título “FMI: como ele se afundou e nos levou atrás”.

 Nem o O Jornal que nessa altura se dedicava ao assunto se lembraria de titular uma coisa dessas de uma forma assim.
A linguagem, os conceitos e os termos escritos ganham por vezes especificidades próprias consoante as épocas e a semântica do tempo encarrega-se de situar  a meta-linguagem num domínio próprio ao entendimento geral.
Transportar para os anos setenta conceitos e linguagem das décadas vindouras só lembra a quem não tem a noção do que significa o “ar do tempo” e a importância dos sinais e símbolos  bem situados e muito menos entende as características da linguagem de cada época.
Para mostrar a gravidade dessa pinderiquice associada a uma carência cultural gritante que é apanágio da Sábado, replico aqui um artigo magistral publicado no jornal diário Diário Popular, de 7.12.1971, num suplemento- Volta ao Mundo- de terça-feira ( o jornal tinha suplementos em vários dias da semana, incluindo um cultural dedicado a livros à Quinta-Feira e um mais ligeiro ao Sábado, intitulado Sábado Popular, com imagens sugestivas e a cores, com cartoons  e desenhos( por exemplo os do  O Fotógrafo estava lá).


 Este artigo que publico, da autoria de Costa Júnior ( também filatelista no jornal e aqui lembrado ) é um exemplo do jornalismo de outrora e que alguns jornalistas ainda vivos podem testemunhar mas que não ensinaram a ninguém e se ensinaram ninguém aprendeu devidamente. No modo como se escrevia e nos termos usados; no modo como se descreviam acontecimentos, mesmo passados ( no caso com mais de cem anos) e no modo como se respeitava o leitor que percebia instantaneamente o que se dizia por escrito porque era escrito para se entender plenamente e com prazer de leitura.Algumas das palavras usadas estão esquecidas e são de genuíno português que nenhum acordo ortográfico fará ressuscitar porque o jornalismo actual assassina palavras por não saber que existem.
É uma lição para todos os jornalistas da Sábado e principalmente  para a jornalista Rita Garcia a quem incumbiram de fazer uma redacção sobre “A vida nos anos setenta era assim” e escreveu o que escreveu em meia dúzia de páginas que fazem lembrar um "conta-me como foi" por quem leu em terceira mão os relatos de acontecimentos que não viveu nem compreendeu.
Se não foi à internet copiar factos e ideias, poderia ter ido porque o resultado seria o mesmo.
Que desperdício!

Rikki, don´t lose that number...


A essência do patrão do BES, Ricardo Espírito Santo encontra-se aqui nesta entrevista ao Expresso de ontem: não houve erros cometidos a não ser dos outros; não houve ganância nas obtenções de financiamentos das PPP´s, mesmo perante evidências ( "A análise das PPP´s ainda não está feita", diz Ricardo E.S. Espera-se que alguém vá saber como foram contados os carros das SCUTS. Só isso chega para fazer a história de uma gigantesca burla ) e o actual primeiro-ministro, aliás como o anterior e o anterior ao anterior, "surpreendeu-o positivamente".
Sobre o estranho caso do Sobrinho que dirigia o BES de Angola, está tudo resolvido para Ricardo Espírito Santo Salgado: a Relação não lhe topou indícios sérios de crime. Pena que aquele juiz de instrução do DCIAP continue a insistir em saber como é que apareceu tanto dinheiro na conta de quem não o devia ter...

Por outro lado continua a apostar no sorvedouro de dinheiros públicos para um TGV ou aeroporto ou whatever que "esteja a dar". O BES financia ou se não puder, arranjará maneira de emparceirar com quem o faça. Dinheiro aos milhões é o negócio do BES e por isso só os grandes empreendimentos lhe dão conforto.
Para Ricardo Espírito Santos e como dantes se dizia, " o negócio é números".
O avô Espírito Santo, também Ricardo,  tinha idêntico desígnio mas havia então um perito na matéria que lhe punha travão e o Estado ainda era respeitado: Salazar.
Com Salazar estes Espíritos Santos não punham pé em ramo verde. Com estes democratas a quem dão emprego, tipo Pinho que abandalhou aquilo em que mexeu, o negócio ia de vento em popa... até chegar a bancarrota.

A propósito de um assunto paralelo mas concorrente, Vasco Lourenço, capitão de Abril, maçónico dos quatro costados militares diz hoje em entrevista ao J.N. que  "os partidos se tornaram lóbis de interesses» . Ricardo Salgado sobre isso nada tem a dizer porque não tem partido...

O título do postal é de uma canção fantástica de 1974 do grupo americano Steely Dan.

Como o banqueiro do BES nos quer dar música a todos, aqui fica o video:



Quem não tem cão, caça com gato maçónico

 ASJP:

Jorge Reis Novais declinou convite do PS para o Tribunal Constitucional
O ex-assessor para os assuntos constitucionais de Soares e Sampaio foi a segunda recusa que os socialistas tiveram. Saragoça da Matta, indicado pelo PSD, criticou recentemente Passos Coelho no caso das secretas
Rita Brandão Guerra
Antes do convite aceite por Conde Rodrigues para integrar a equipa do Tribunal Constitucional (TC), o PS teve, pelo menos, duas recusas. A última delas foi de Jorge Reis Novais, constitucionalista e antigo assessor para os assuntos constitucionais dos presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio. Já antes, os socialistas tinham visto o mesmo convite declinado pelo também constitucionalista e professor catedrático Gomes Canotilho.

Estas duas recusas para integrar o Tribunal Constitucional e os nomes que foram encontrados em alternativa, dizem mais sobre o nosso sistema jurídico-político-constitucional do que tudo o mais.
Um dos maiores constitucionalistas portugueses, Gomes Canotilho, declinou um cargo que devia ser de sumo prestígio e consagração profissional.
O que faltava mais a Gomes Canotilho, nome do nosso gotha jurídico, se não integrar o elenco do tribunal supremo do país, aquele que tem como função essencial sindicar a legalidade das próprias leis?
Mesmo assim recusou e a razão por que o fez não é difícil de adivinhar, porque foi certamente a mesma que conduziu à recusa do outro constitucionalista indicado, Reis Novais. A razão é que  o actual Tribunal Constitucional não cumpre os mínimos exigíveis para a dignidade de um tribunal com essas características. O Constitucional não tem prestígio para os mestres com prestígio. Essa é a única razão e o drama maior.

Esta gente da política, de há uns anos para cá e com grande destaque para o partido socialista, abandalhou positivamente a instituição. Tudo aquilo em que as maçonarias se metem dá raia certa. É sempre um falhanço anunciado.
Até quando?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A RTP é um sorvedouro de dinheiro público

SICN:

Ainda segundo o boletim da DGO, a despesa efectiva das administrações  públicas cresceu 4,3 por cento relativamente ao primeiro trimestre deste  ano. Este valor é atingido utilizando "universos comparáveis" - isto é,  sem incluir o efeito da incorporação, a partir deste ano, de "entidades  públicas reclassificadas", empresas públicas (por exemplo, as empresas de  transportes). 
O aumento é justificado pelo Governo por factores excepcionais que não  terão continuidade no resto do ano, como a transferência de 348 milhões  de euros para a RTP.  

A RTP continua a sangrar as nossas contas públicas. E não há quem lhe ponha cobro.

Ridendo castigat mores, por António Lobo Antunes, o escritor.

Crónica de Lobo Antunes na revista Visão de há umas semanas:

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver 

- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima 

- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia-miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!

Loureiro para o Panteão já!

Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!

Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca-vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
 

in Revista Visão
05.04.2012 


Lobo Antunes, afinal, tem os pés bem assentes em terra firme. 

Contra o gangsterismo dos advogados, exames à Marinho e Pinto

 R.R.:

O bastonário da Ordem dos Advogados quer mais exigência nos exames a que os jovens advogados são sujeitos, de modo a evitar criar-se uma profissão de “gangsters”.

“A Ordem vendia cédulas profissionais a quem não estava preparado para exercer a advocacia. E nós já temos demasiados advogados na cadeia e muitos a fugir à justiça. Não queremos uma função de ‘gangsters’, mas uma profissão de homens e mulheres em quem se possa confiar”, afirma Marinho Pinto à Renascença.


Marinho e Pinto escolhe palavras fortes para passar a sua mensagem. Para evitar que haja advogados que cometam crimes, zumba!- exames com rigor inaudito e destinados a filtrar os maus das fitas.
Há uns anos em Coimbra, um advogado foi preso por malfeitorias. Tinha sido assistente de processo penal...provavelmente professor de Marinho e Pinto. Portanto, a sua lógica é impecável, como sempre.

A bandalheira geral

Sol, via InVerbis:


Jorge Miranda, um dos ‘pais’ da Constituição da República, considera «horroroso» o processo de nomeação de três juizes para o Tribunal Constitucional (TC), feito esta semana pelo PS, PSD e CDS. «É a partidarização mais completa do TC. É um sistema horroroso e um precedente gravíssimo» – diz ao SOL o constitucionalista e professor da Faculdade de Direito de Lisboa, sobre o facto de Conde Rodrigues, Saragoça da Matta e Fátima Mata-Mouros terem sido anunciados à vez, pelo PS, PSD e CDS, respectivamente.

«É inadmissível que estas propostas de eleição pela AR apareçam como propostas de partidos. Antes, o que havia era uma proposta conjunta, em lista, um acordo tácito dos dois maiores partidos, embora se pudesse saber mais tarde quem tinha indicado quem», recorda Jorge Miranda. 
Para além disto, o Sol relata que o nome de Conde Rodrigues resultou de uma escolha "pessoal" de António José Seguro.
O nome já suscita muita polémica e o jornal Público de hoje aponta alguns factos que acrescem desprestígio a um nome que já nem era consensual: enquanto governante ( secretário de Estado de Alberto Costa) interveio em negócios que suscitam dúvidas quanto à transparência dos mesmos.

Por outro lado toda a gente indica que foi juiz durante "ano e meio", tendo entrado nos TAF´s ( tribunais administrativos e fiscais) em 2003 e saído em 2005. Em Junho de 2011 foi autorizado a gozar uma licença sem vencimento de longa duração.
Tal tem efeitos sérios na sua "retoma" como juiz em efectividade funções...conforme o CSTAF tem entendido. A ver vamos...

ADITAMENTO:

O ex-secretário de Estado dos governos de Sócrates decidiu retirar o pedido para levantar a sua licença sem vencimento de longa duração, três dias depois de o ter feito. O advogado estagiário de Rogério Alves, indicado pelo PS para o Tribunal Constitucional, mantém-se assim fora da carreira de juiz.
O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) já não vai apreciar o pedido de levantamento da licença sem vencimento de José Conde Rodrigues, candidato proposto pelos socialistas para juiz do Tribunal Constitucional (TC).

Conde Rodrigues, que está de licença sem vencimento desde 1 de Julho do ano passado, entregou o seu pedido ao CSTAF na segunda-feira, depois de o PS ter reparado que a candidatura do ex-secretário de Estado da Justiça e mais tarde da Administração Interna não poderia ser integrada na quota dos juízes para o TC.

Conde Rodrigues, aliás, exerceu as funções de juiz durante pouco tempo, entre 2003 e 2005. Depois disso entrou para o Governo socialista, de onde saiu apenas após a derrota do PS nas legislativas de 2011.

O PÚBLICO tentou contactar Conde Rodrigues, mas este mantém o seu telemóvel desligado.

Membro do Grande Oriente Lusitano, a obediência maçónica mais influente no país, Conde Rodrigues está envolvido em negócios polémicos feitos na Justiça durante os Governos de Sócrates, tal como o PÚBLICO noticiou hoje.


Ficou assim resolvido esse problema, mas subsiste um outro:

 Artigo 14.º do Estatuto dos Magistrados Judiciais:

Os magistrados judiciais na situação de licença de longa duração não podem invocar aquela qualidade em quaisquer meios de identificação relativos à profissão que exercem.


Portanto, se o PS insistir no nome, indica um jurista, mas não um juiz.
O melhor, para esta coisa não piorar ainda mais ( se é que ainda será possível tal coisa...) é mesmo fazer como o advogado Saragoça da Mata: desistir e preservar alguma dignidade.
Por outro lado, desconfio muito da atitude do Público nesta matéria. É demasiado empenho para uma coisa destas quando têm havido outros problemas que nem lhes suscitam atenção...





quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dois candidatos ao Constitucional escolhidos pela Maçonaria do GOL

Pedro Lomba apelidou-as, no Público, de "duas bizarras escolhas", explicando, no limite da parrésia:

"Com o devido respeito pelos visados, os ingleses têm uma palavra para isto: cronyism. Ou parafraseando Eduardo Catroga: estão a “abandalhar” o Tribunal Constitucional. Nos Estados Unidos, quando Bush quis nomear para o Supremo a sua amiga e conselheira Harriet Miers, até aos republicanos custou engolir o que era notoriamente uma nomeação imprópria e clientelar. Perante as críticas, Bush retirou depois a escolha. Mas entre nós não se ouvirá um sino. Batemos no fundo. "

Hoje o Público anuncia que os dois candidatos- Paulo Saragoça da Mata ( que de repente ganhou mais um t no apelido) e José Conde Rodrigues pertencem ambos à maçonaria do GOL, o antro sustentado por colunas essencialmente jacobinas, do PS.

Há algum tempo foi objecto de discussão pública a questão da pertença às maçonarias de pessoas designadas para lugares em instituições do Estado. O problema residia na prevalência dessa qualidade nas escolhas efectuadas, porque as maçonarias metem bedelho em tudo o que cheira a Estado: Segurança, Legislativo, Executivo e Judicial.
É demais esse poder fáctico que se pretende de simples influência humanística e sem interesse material algum. Só os ingénuos e néscios acreditam nisso, daí que se tenha estabelecido o círculo vicioso que a viúva alimenta: quem quiser progredir no Estado tem óbvia vantagem em se associar à dita e uma vez lá instalados cooptam outros irmãos que assim replicam o efeito perverso.
Ambicioso que se preze, preza sempre uma uma obediência qualquer e o GOL é a maior delas todas.

O "abandalhamento" do Constitucional, aliás, não se fica por estes tristes episódios com epicentro no grupo restrito dos líderes parlamentares do PS e do PSD e respectiva entourage. Eles próprios são oriundos das lojas maçónicas e portanto a discussão que em tempos houve já está morta e enterrada há muito. Adormecida, seria a expressão adequada.
A desfaçatez com que as maçonarias actualmente se movimentam na sociedade portuguesa, no âmbito político-institucional-empresarial, assume foros de pouca-vergonha e escândalo, mas tanto lhes faz: daqui a dias ninguém mais fala no assunto e fica outra vez adormecido. Mais: aposto que com estes escândalos, as visitas à viúva sempre inconsolável aumentaram exponencialmente. Mas é insaciável...

Aditamento:

Saragoça da Mata retirou a candidatura. Ainda bem. É um sinal de dignidade que só fica bem. Não me parece que fizesse um bom lugar, mas não era pior candidato do que alguns que ainda lá estão...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O caso BPN não é só um caso de polícia...

Ventura Leite, antigo deputado do PS disse no programa Negócios da Semana, de Gomes Ferreira, na SICN, que a intervenção do Estado no BPN ficou a dever se, não ao propalado "risco sistémico", mas pura e simplesmente para acautelar os interesses das pessoas que lá tinham o seu dinheiro.

Para ver quem foram os beneficiários do "buraco do BPN" é ver quem eram os maiores accionistas e os maiores depositantes...
Entretanto, algumas destas pessoas sabem explicar muito bem o que se passou. Mas ninguém lhes pergunta...por exemplo Rui Machete sabe tudo de tudo e mais que tudo. Mas ninguém lhe pergunta por nada.
Estranho, não é?
E quem responde a algumas destas 17 perguntinhas a que ainda falta responder? O Expresso sobre isto não contará nada nunca. É garantido ou não tivesse o patrão que tem.

terça-feira, 17 de abril de 2012

A esfinge de Belém

O actual PGR Pinto Monteiro tem a oposição da maioria dos magistrados do MºPº e do próprio sindicato. Tem alguns membros do CSMP abertamente contra si. Segundo o Correio da Manhã de hoje, já anunciou que não vai à tomada de posse do novel presidente do Sindicato, Rui Cardoso, por motivos de "agenda" mesmo sem ter agendado nada de especial para a tarde de amanhã.

Segundo o mesmo Correio da Manhã, numa reunião recente com alguns membros do CSMP, terá "insultado" o presidente cessante do Sindicato, João Palma e ofendido a actual ministra da Justiça, de quem depende institucionalmente, pelo menos em parte, manifestando que dantes, com os ministros socialistas é que era bom...
Se isto forem factos ( e o próprio PGR terá indicado ao CM que são "conversas inventadas", o que coloca em causa a honra de quem as terá ouvido) o PGR não tem muito futuro institucional à sua frente e certamente não chega a Outubro, data final para um mandato que não deixa qualquer saudade e, pelo contrário, marcou muito negativamente o MºPº.
Hoje mesmo, de manhã, o PGR justificou o atraso processual no caso dos submarinos ( está no DCIAP que depende directamente do PGR) com falta de verbas para perícias. À tarde a ministra da Justiça desmentiu o PGR e afirmou que não recebeu qualquer pedido para verbas desse tipo. O caso é tão grave que a humilhação é imensa e devia justificar, por si, a demissão.

Porém, para tal efeito terminante, só a intervenção do presidente da República será decisiva. O presidente da República, nesta matéria tem tido um comportamento esfíngico e mesmo intrigante e a questão de saber por que motivo ainda não demitiu o PGR continua a intrigar os passantes.
Tal como o mito da Antiguidade Clássica, Cavaco devora respostas erradas a eito. Por que não demite o PGR Pinto Monteiro?
A quem responde que é por causa da estabilidade institucional, Cavaco devora e engole um naco de bolo rei.
A quem responde que é por não haver motivos suficientes, zás! outro naco com frutos secos.

A única resposta susceptível de evitar o gesto devorador de argumentos será eventualmente esta:

Cavaco Silva não demite o PGR Pinto Monteiro porque não pode.
E isso é um drama porque se alguém a der com demonstração de factos, Cavaco terá a mesma sorte que esfinge antiga: cai do pedestal.

Aditamento em 18.4.2012:

O Correio da Manhã de hoje anuncia que a propósito do processo dos submarinos, pendente no DCIAP, "Justiça desmente Pinto Monteiro".

A notícia não é desmentível porque os factos terão vindo da própria Cândida de Almeida ( será esta a sua vingança?), directora do DCIAP, mais do director da PJ, Almeida Rodrigues e ainda da ministra da Justiça que pediu todos os elementos àqueles para se pronunciar ontem, negando à tarde, aquilo que Pinto Monteiro tinha afirmado de manhã- que o atraso processual era devido a falta de pagamento de perícias, pelo ministério da Justiça.
Ou seja, Pinto Monteiro procurou endossar responsabilidades pelo atraso a quem as não tem e disse-o publicamente comprometendo a sua posição institucional.
Não é a primeira vez que o faz e nem por isso o presidente da República actuou. Segundo tudo indica também não vai ser desta, demonstrando mais uma vez a posição esfíngica de não atender a factos suficientemente graves para uma atitude que já devia ter tomado há muito.
Porque não o faz? É a tal resposta cabal que falta dar...
Entretanto, como o caso dos submarinos tresanda a Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa de um governo antigo, lá aparece a nemesis Ana Gomes, a sugerir a demissão do PGR porque " a demissão da equipa de procuradores, há mais de um ano, impediu que a Justiça faça o seu trabalho."
Ana Gomes lá sabe o que lhe disseram no Rato...e neste processo constitui-se assistente, para ajudar o MºPº. No caso Freeport e Face Oculta que envolve figuras gradas do PS, isso agora "não interessa nada". São tudo cabalas.
Ainda segundo o Público de hoje, na última página e comentando o desmentido de que foi alvo Pinto Monteiro:
"O PGR protagonizou mais um episódio pouco dignificante para a justiça, da qual ele é um dos principais representantes. (...) Será que um caso com a gravidade deste pode ficar por aqui?

É ao presidente da República que deve ser endereçada a resposta, mas...cuidado com a sua formulação!

E então, agora? Já não interessa o período de nojo?

Expresso:

O ex-secretário de Estado da Justiça de José Sócrates, que foi juiz durante pouco mais de um ano num tribunal fiscal, pediu uma licença sem vencimento de longa duração em Julho de 2011.

Desde que saiu do Governo, Conde Rodrigues encontra-se a trabalhar como consultor num escritório de advogados, ABBC e associados, sendo colega de Rogério Alves e Luís Filipe Carvalho.

De acordo com a lei do Tribunal Constitucional, pelo menos seis dos 13 membros do Tribunal têm de ser juízes em exercício.

Os três nomes que deveriam ser votados na sexta-feira destinam-se a substituir os três membros que se reformaram ou terminaram os seus mandatos, Borges Soeiro, Pamplona de Oliveira e Gil Galvão, sendo que os dois primeiros são juízes.

Ora, dos três nomes propostos para serem votados - Fátima Mata Mouros (pelo CDS), Paulo Saragoça da Matta (PSD) e José Conde Rodrigues (PS) - só a primeira exerce a profissão de juiz.

Nota: é de esperar que os preocupados com os pedidos de licença sem vencimento dos magistrados para trabalharem em funções privadas, digam de sua justiça. Afinal este é mais um caso e porventura mais significativo...e é preciso lembrar que o PGR Pinto Monteiro num caso semelhante e há pouco tempo sugeriu que deveria existir um período de nojo para os magistrados que vão "para a privada".
De resto há um problema com Conde Rodrigues: é ou não da Maçonaria? Que papel teve esta "viúva" na designação do seu nome para o Constitucional?
Perguntas que ninguém parece interessado em colocar. O Expresso, se fosse um caso da Ongoing já estava em jogo. Assim...