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quinta-feira, 25 de abril de 2013

O que ganhamos com o advento do dia 25 de Abril de 1974?



Quem era estudante, como eu, numa capital de distrito do Norte de Portugal,  no próprio dia teve uma manhã de incerteza nas aulas. Os professores sabiam tanto como os alunos, sobre os acontecimentos que se desenrolavam em Lisboa. 
Numa época em que os media se resumiam a jornais diários, com saída de manhã e à tarde, esperavam-se os jornais da tarde para saber notícias do “golpe de estado” que decorria por conta das Forças Armadas. A tv só à noitinha daria notícias e portanto o rádio era o mais perfeito que havia para se saber algo de novo.  Mas o rádio estava calado de notícias e só passava marchas militares, o que era enervante para quem nada mais sabia ou podia saber. As poucas notícias eram para avisar que as pessoas não deviam sair de casa e portanto esperar passivamente o que se passaria a seguir.
Os jornais da tarde desse dial, alguns deles em 2ª edição como o República ( de oposição socialista embora não declarada e maçonicamente evidenciada) anunciava em primeira página que ”As Forças Armadas tomaram o poder”. As linhas de notícias eram lidas sofregamente por quem queria saber mais. 


Ou o Diário Popular desse mesmo dia



 Imagens  tiradas  daqui. 

O Diário de Lisboa desse mesmo dia já adiantava mais um pouco sobre o programa das Forças Armadas e já se falava no “regime que oprimia” desde o 28 de Maio de 1926. O Diário de Lisboa era de Esquerda, comunista porventura, embora disfarçado.


A vida corrente dos trabalhadores que seguiam para os empregos, nos poucos carros que circulavam na cidade pequena, não alterou quase nada a actividade quotidiana e sentia-se que as pessoas estavam na expectativa. Já tinha havido uma revolta antes e não se sabia o que poderia acontecer a seguir.
O discurso do rádio, à noite, no  noticiário das 20h, no RCP, foi o da Proclamação do MFA vitorioso. O Governo de Marcello Caetano tinha caído e Lisboa era do MFA.  O povo saiu à rua.
Os dias que se seguiram foram de alguma euforia noticiosa. A principal novidade, para mim, foi o aspecto do telejornal da RTP, nesse dia à noite: Fialho Gouveia e outros apareciam sem gravata a relatar as notícias.  Já no concerto de Março de 74, no Coliseu dos Recreios, a assistência tinha gritado para um Carlos Paredes funcionário público e músico nas horas vagas  “tira a gravata, pá!” e isso deu-me um sinal de mudança.
O ambiente geral distendeu-se e o discurso mediático tomou forma e rumo diferentes do espartilho em que se orientavam até então.  Foi essa mudança notória e radical, de algum modo, que constituiu o primeiro sinal de uma maior liberdade trazida pelo MFA.
O resto,  nos dias que se seguiram foi a convocatória para manifestações em lugares públicos, feita por movimentos  como o MDP/CDE,  e depois pelo infatigável “partido”, o único, o que dominou o discurso político desde a primeira hora da Revolução e que começou a colocar os nomes aos acontecimentos e factos.  Através dos seus homens de mão nos lugares dos media conseguiram orientar toda a opinião pública para uma versão da “Revolução” a quem chamaram sua.
Portanto, o que se ganhou do dia 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de poder sair à rua em manifestação, neste caso de apoio ao MFA, espontaneamente, o que ocorreu em todo o país. Antes não existia essa liberdade.  E principalmente o poderem fazê-lo sem sentirem que poderiam ser presas por actividades subversivas, porventura para mal dos pachecos pereiras que já se tinham habituado ao jogo clandestino que os viciou para sempre. 
Mas atenção que passados poucos meses, houve logo prisões de outros "subversivos" como eram os partidários indefectíveis do MRPP, prisões ordenadas por influência directa de quem, afinal? Dos mesmos que tinham sido as principais vítimas do anterior regime...

 Será que as pessoas davam muito valor a essa nova liberdade?  Assim, assim. Os políticos nascentes evidentemente que sim e que viveriam disso nos anos vindouros. A população em geral não entendeu tal liberdade como fundamental para lutar por ela. Nunca o tinha feito, aliás.
Outra liberdade importante que se ganhou nesse dia foi a possibilidade de ler os jornais e ouvir as notícias sem o crivo da censura prévia. Jornais houve, particularmente os de esquerda cripto-comunista e mesmo socialista que saíram nesse dia e seguintes ostentando o rótulo visível de que “não tinham sido visados pela comissão e censura”, como se isso fosse bastante para afastar o espectro de outra censura que não demorou tempo nenhum a surgir: o República, esse mesmo, que o diga porque passados alguns meses teve um conflito político-laboral que conduziu ao encerramento do jornal. Os tipógrafos, comunistas, queriam controlar o conteúdo do jornal, contra a direcção socialista. 
O Diário de Notícias, tido como um jornal espelho de regime, foi tomado meses depois pelos comunistas.  Saramago nomeado director, saneou e censurou, como o regime anterior não tinha feito.
O rádio, no caso a Emissora Nacional, pública,  teve os mesmos problemas com um tal Ançã Regala, logo em Junho de 1974. Regala, comunista encartado na extrema-esquerda julgava-se com o direito de impor ideias comuns à ideologia, no rádio da época, controlado pelo PS. Logo, foi despedido. Com justa causa, porque a lei dos despedimentos só apareceu dali a um ano, em 1975. Estas lutas políticas por lugares de influência mediática repercutiram-se em todos os media controlados pelo Estado nos anos vindouros. Entrava um partido, saiam os directores dos media, para regressarem tempos depois, se lhes aprouvesse. A Liberdade de imprensa tem sido isso, desde então.
Nenhum destes factos conflituava com a sensibilidade dos novos democratas que já vituperavam o “fassismo” à moda do inefável Abrantes do PCP ou mesmo do “fachismo”, com o  “a”   sovieticamente fechado dos demais militantes, com destaque para o herói regressado do exílio,  Cunhal, também apelidado de  Barreirinhas  pelos arqui-rivais do MRPP,  para achincalhar o ídolo.
A liberdade de imprensa que não havia antes de 25 de Abril passou a existir depois, mas com estas condicionantes e ainda outras mais interessantes: o discurso dos jornais, revistas e media em geral fazia-se seguindo um padrão e um guião oposto ao usado antes: o “fascismo”, a “reacção”, a “burguesia”, a “classe trabalhadora” ganharam dimensão inusitada nos meses seguintes.
Os acontecimentos e até os factos eram relatados segundo o ponto de vista da luta das classes trabalhadoras e da revolução socialista em prol da sociedade sem classes e outras utopias que faziam sentir saudados dos tempos do “Se bem me lembro” de Vitorino Nemésio.
Os novos heróis eram os vilões do antigamente e as novas palavras tomaram o curso normal da vida democrática em que passaram a ser  proibidas as organizações que supostamente quisessem fazer retornar o país ao Estado anterior e tal foi entendido como um exercício de plena maturidade democrática. A Europa não usava disso mas por cá passou a ser moda. Ou seja, a liberdade de associação foi amputada de organizações que putativamente “subvertessem” a democracia jovem e insegura.  Ou seja ainda, tal e qual a receita do antigamente que proibia as organizações  “Subversivas”.  Qual a diferença substancial?  Apenas uma: era e continua a ser possível denunciar publicamente tal entorse.  Dantes não era, ou não era se fosse dito de modo ofensivo para o regime, mas havia quem protestasse vivamente, sem ser castigado por isso.

Mas o grosso dos problemas com estas novas e amplas liberdades viria a seguir.

ADITAMENTO:

Numa reportagem da SIC- N que passou há minutos ( cerca das 20:45) o radialista João Paulo Diniz contou que dois dias antes do 25 de Abril foi contactado pelos capitães de Abril Costa Martins e Otelo que marcaram encontro com o mesmo no Apollo 70, em Lisboa, junto ao Campo Pequeno. Aí, pediram-lhe para passar uma canção às cinco para a meia-noite do dia 24 para 25 de Abril no RCP ( melhor, nos Emissores Associados de Lisboa- o lapso foi meu) , a fim de dar um sinal aos militares revoltosos contra o regime. Segundo aquele, pediram-lhe uma canção de Zeca Afonso ( com quem aliás se tinham cruzado ao descer as escadas do "drugstore" para a cafetaria da cave). João Paulo Diniz conta agora que lhes disse que José Afonso nem pensar porque era proibidíssimo ( foi a expressão que usou)  passar discos e músicas do cantor no rádio da época porque a Censura não permitia. Aliás, no Limite da Rádio Renascença não tiveram esses problemas porque passaram a Grândola...do mesmo Zeca Afonso.

Estranho muito tal afirmação porque sempre ouvi José Afonso no rádio, particularmente no RCP, onde tal devia ocorrer. Foi aí que ouvi o álbum Venham mais cinco e as canções A formiga no carreiro e o titulo tema, sempre nos primeiros meses do ano de 1974. José Afonso e os cantores de esquerda, todos juntos, tiveram o seu happening, aliás, no Coliseu dos Recreios. E aquelas canções, ouvi-as muitas vezes porque eram "hits" da época. Aqui fica a prova histórica da falsificação que esta gente pratica como exercício contínuo de uma memória mentecapta.  A imagem é da revista Cinéfilo de 6 Abril de 1974, quinze dias antes do dia.


Não percebo se esta gente perdeu a memória ou inventa memórias de esquerda. Talvez as duas coisas. E ainda outra coisa: o Portugal desta gente não é o meu e aposto que o meu seria bem melhor do que isto que esta gente nos legou. Bem melhor para todos, mas ainda vai demorar algum tempo a uma maioria perceber o embuste desta canalha.

112 comentários:

Floribundus disse...

a 'ad ventania' ainda está para vir.
para mal de todos.

25.iv para Gennep não passari dum rito de passagem duma sociedade atrasada para outra muito pior.
celebrações marcantes de mudança de status unicamente para dirigentes.

olho para a esquerda e vejo todos seguramente de tanga e osso no nariz

'mudar! mudar! para que tudo fique pior (mais falidos)'

atravessei a cidade deserta.
o parque infantil da Serafina não comportava mais gente.

na AR os infantis brincavam seguramente aos países falidos

parecia o dia da caça às bruxas

zazie disse...

Os pachecos viciados na clandestinidade.

É que é mesmo

Excelente, José. Simples e claro.

zazie disse...

Inventam, José. É por isso que tudo é deturpado. São eles que têm acesso aos megafones.

zazie disse...

Então se eu ouvi o Zeca Afonso, ao vivo, no Técnico.

E não foi em 74. Foi antes- para aí em 72.

E cantou tudo; incluindo os Vampiros.

zazie disse...

E ninguém foi preso; já agora.

Esta gente droga-se e os que sabem que é mentira parecem parvos por não desmentirem.

Será que toda a gente com mais 50 anos morreu ou ficou besta?

A sério que me irrita.
Se eu contar isto publicamente é que passo por uber-facista e aldrabona.

E sei que já estou apontada. Olham-me de lado.

zazie disse...

Há um fenómeno que sempre me encanitou- a mania que as pessoas têm de fazerem "upgrade" de tudo, para se integrarem no que lhes parece ser a maioria ou "o mais progressista".

E depois mentem; inventam e repetem as invenções que dão mais.

zazie disse...

É por isso que a maluca da Aurora se lembrou agora de também "publicar".

Só pode. Uma choininhas, completamente paranóica, com historietas nada edificantes para a dita "moral proletária, a fazer-se passar por "Catarina Eufémia".

Agora. Em 2013- antes era uma chatice porque era risota pública.

Antes tratou da carreira e do status para agora se dizer "gente vulgar, do povo" e contar a historieta pela metade dos bons ventos da história.

josé disse...

Aurora? Que Aurora?

zazie disse...

Ah, e mais. Nesse concerto no Técnico, até houve pega com a extrema-esquerda.

Eu não percebia corno de política nem apanhei metade do sentido da pega.

Mas foi coisa de ataque ideológico e o Zeca Afonso até se chateou e nem acabou aquilo.

levantou-se e disse que tinha de ir cantar à noite para operários e não estava para aturar estudantes burgueses (ou algo parecido).

O sentido foi este. E ia tocar mesmo em qualquer outro sítio a dar para o proletário. Sem haver prisões nem censuras nem "Pides" a levarem tudo de cana, como estes idiotas dizem.

zazie disse...

Essa mesmo- a tal que levou com o sapato na cabeça por ter sido apanhada na cama com o Grande Timoneiro.

zazie disse...

http://4.bp.blogspot.com/-QnTyoWKZUkk/TWKNUiJtLyI/AAAAAAAAAa4/tYKu0cZjgcg/s1600/Gente%2BComum_Aurora%2BRodrigues.jpg

josé disse...

Não conheço. Na foto parece sósia do Paulo Pedroso.

zazie disse...

Eu devia assistir a uma sessão destas.

E que tivesse o Afonso Albuquerque a palrar.

Porque esse eu conheço e contava-lhe a história e ele jurava a pés juntos que tinha de ser mentira.

e um dia encontro-a numa festa e pergunto-lhe mesmo de caras se tinha sido verdade- que ela era mesmo a amante do Timoneiro e ela confessou que sim.

E tudo o resto das cenas com a mulher do Timoneiro também é verdade.

E tudo da lucura dela também é verdade. Razão pela qual, quem apresenta o livro foi o que a andou a tratar.

A ela e à patologia que já vinha do pai.

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Pelos vistos isto até já foi publicado há mais tempo mas agora é que anda a dar conferências por toda a parte.

zazie disse...

ehehehehe

Pois parece

":O)))))

zazie disse...

Engraçado. Ela também conta a prisão depois do 25 de Abril.

http://www.publico.pt/politica/noticia/aurora-de-presa-politica-a-magistrada-do-ministerio-publico-1478287

A loucura em que faziam tudo para serem presos porque o Grande Timoneiro queria ser herói nacional e mandava.

JC disse...

Esta gente de esquerda inventa memórias, desde que seja para dourar mais a pílula...

Aqui há uns meses, uma gaja qualquer disse que se lembrava de determinado acontecimento e que associava o mesmo a uma certa musica... Só que essa musica só foi composta uns bons anos mais tarde...
Teve azar...

Não me lembro nem do nome da gaja nem da musica mas vou tentar descobrir.

Acho que se falou aqui disso...

josé disse...

Falou mas também já não me lembro e não quero inventar...ahahah!

zazie disse...

ahahahahahaha

josé disse...

Mas já agora julgo lembrar-me: foi a Clara Ferreira Alves, não foi?

A canção é que já não recordo mas vou procurar.

josé disse...

E já está:

Começa por relembrar "o Verão do Prec" de 1975 e assegura que "estava sentada numa cadeira ao sol, à beira da piscina pública de Coimbra. Sol de Junho. Nos altifalantes, a voz de Sérgio Godinho: "Este é o primeiro dia do resto da tua vida".
E remata para o efeito prosódico: "e vem-me à memória uma frase batida: o povo unido nunca mais será vencido".

zazie disse...

eehehe pois foi. Mas aí foi invenção muito refrescante.

":O))))))

Floribundus disse...

la France de mr. segolène

Le nombre de demandeurs d'emploi s'élève à 3,224 millions et dépasse le pic de janvier 1997.

Unknown disse...

O João Paulo Diniz trabalhava em duas rádios? RCP e Emissores Associados de Lisboa? Acho estranho isso.

De facto, foi o João Paulo Diniz que passou o E Depois do Adeus nos EAL às 22.55, a primeira senha.
A segunda foi o Grândola na RR às 00.20, programa No Limite de Leite de Vasconcellos.

Unknown disse...

Em complemento ao post anterior: antes da meia-noite o RCP emitia à época o «No mundo aconteceu» em Onda Média. Supondo que seria um programa de informação (pelo título) seria estranho emitir música, fosse qual fosse.
Seria em FM? Mas o FM não tinha a implementação que a OM tinha naquele tempo, portanto...
Enfim, provavelmente JPD estará senil.

http://www.fmsoares.pt/aeb_online/visualizador.php?bd=IMPRENSA&nome_da_pasta=06819.169.26702&numero_da_pagina=18

zazie disse...

"Enfim, provavelmente JPD estará senil"

ahahahahah

Esta também é uma hipótese muito realista e nada ideológica, a considerar.

josé disse...

Parece que foi apenas nos EAL. O RCP foi lapso meu.

silviasantos2323 disse...

Em post anterior o josé manifestava alguma surpresa com o destaque dado ao video da escola C+S sobre o 25 de Abril no Facebook da Associação de Oficiais das Forças Armadas. Lendo o comunicado alusivo ao 25 de Abril da AOFA nota-se que não há lugar a surpresa. Video e AOFA combinam bem:

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=567404796612930&set=a.215414665145280.54625.215406995146047&type=1

Resta saber qual a percentagem de oficiais actualmente no activo que se revê neste tipo de comunicados

lusitânea disse...

A "justiça" está cheia de antifassistas.Que o diga o gajo do PNR sempre aviado oportunamente com processos...
A AOFA é uma organização comuna.Mas foram todos os democratas que a deixaram fazer para tirar o tapete aos chefes militares.
E ainda não satisfeitos andam a empurrar os do activo na mesma direcção...
Mas prontos nada que preocupe o Passos que pelos vistos até andou pela UEC...
Mas a minoria "organizativa" desaparece se houver problemas de maior.Isto é batatada...

lusitânea disse...

Nestes tempos modernos quem não for ladrão, vira casacas, antifassista de nome, sabotador da nação não se safa.A heterosessualidade,a deontologia, o mérito, o bem comum e a honestidade são nitidamente valores fassistas!

Manuel de Castro disse...

Andamos um pouco esquecidos. Pouco se fala no 25 de Novembro.

http://www.time.com/time/covers/0,16641,19750811,00.html

Kaiser Soze disse...

Um gajo ouve os Rosas desta vida e o pré 25.04 era o Inferno de Dante mas um bocadinho pior.

Um gajo passa aqui e o pré 25.04 era uma fonte que expelia ouro e bons costumes.

Como não vivi a fase, vou presumir que a verdade andará pelo meio (nem tão bom nem tão mau) e que a distopia não é um exclusivo da Esquerda.

zazie disse...

Ninguém aqui diz que er uma fonte que expelia ouro, sô Kaiser.

Leia com atenção.

O que aqui se diz é que, em termos de som de fundo, nem houve tanta diferença- o clima já era de esquerda.

Os jornais eram de esquerda, as faculdades eram de esquerda, as músicas eram de esquerda.

Depois tomaram o poder, sim, e os cargos todos e inventaram umas trevas onde eles nem existiam- viviam na prisão e na clandestinidade.

zazie disse...

Agora economicamente, sim- funcionava.

O que deitaram abaixo e alteraram dos pés à cabeça- e não foi mais porque foram travados, foi mesmo a economia.

Por isso é que ficámos como estamos.

A ideologia tem estes prodígios- destrói a realidade e ainda é capaz de dizer que o passado é que era miserável porque eles é que deram a democracia e a riqueza.

zazie disse...

Mas o v. problema é que nem ler conseguem.

Por isso é que eu não acredito na versão do hajpachorra para quem tudo se alterava por via académica- bastava haver bons historiadores, fora do mantra oficial, para em baixo tudo mudar.

É treta. As pessoas já nem um psot conseguem ler.

Se não for sound byte e com bonecos na tv, não apanham nada.

Distorcem sempre e já têm a grelha pronta para desconfiarem.

A grelha é sempre e cada vez mais ideológica e maniqueísta.

Ou é "narrativa" (como diz o outro) de esquerda, ou narrativa de direita.

Factos e fontes, não interessam- vivem manipulados e esperam mais simulacros e manipulação.

Sempre. É o efeito dos rumores. A deusa dos mil olhos

josé disse...

Kaiser:

Leu aqui alguma coisa que lhe fizessem entender que o regime prè-25 de Abril é que era bom?

Se julga que leu, é favor ler outra vez.

O que a zaie agora escreveu é a súmula do que por aqui se tem escrito, com exemplos e provas que entendo suficientes. O Rosas apresenta provas forjadas. Clandestinas, voilà!

josé disse...

Porque é que a Esquerda há-de ter o monopólio do discurso sobre o 25 de Abril? Porque lho deram. Todos os media.

Porquê? É algo que tento compreender e vou fazendo por isso aqui. Quem ler, penso que perceberá a razão.

Kaiser Soze disse...

O "economicamente funcionava" é ligeiramente discutível.
O José fala dos seus tempos de faculdade antes do 25.04 e, pelo que parece, durante e acredito que o mesmo aconteça consigo.

Pelo que sei e ouço familiarmente (e ninguém em minha casa é comunista) estaremos a falar, no vosso caso, de gente privilegiada e isso nunca é uma medida média (pleunasmo olé!).

Se me disser que houve um evidente exagero na pretensa expansão do estado social concordarei mas imaginar que hoje se vive pior do que na altura é, no mínimo, enganador.

Poderia, apenas, falar de saneamento básico e no que evoluiu...

josé disse...

O Portugal dos últimos 39 anos é surreal. Completamente surreal porque não atende mesmo à realidade mas à fantasia e enunciação de uma realidade falsa.

josé disse...

Kaiser?

Privilegiado, eu?

O meu pai era mecânico de automóveis, embora com estudos antigos até ao 5º ano e a minha mãe uma pessoa do campo, como sempre foi e do mais tradicional que pode haver, com os valores certos. Criou sete filhos, sendo eu o mais velho.

Ainda hoje me pergunto como é que eu sempre tive dinheiro para comprar o que quis, quando quis, como por exemplo os jornais e revistas que tenho.

Kaiser Soze disse...

José:
não leio apenas os posts mas também os comentários.
Nos comentários é evidente um "antes é que era bom".
Sei que os comentários não são da sua responsabilidade mas também contam quando escrevo.

Quanto ao monopólio da Esquerda, antecipando o porquê, na minha opinião, é evidente!
A reacção a uma ditadura de Direita é sempre contrária e os vencedores escrevem a história que entendem.

josé disse...

E éramos privilegiados no meio onde vivíamos porque sempre que a comida em casa não nos agradava ( e o meu pai era exigente nisso, porque queria sempre sopa fresca todos os dias, por exemplo) costumava dizer-nos à mesa: "ide por aí abaixo..." querendo com isso significar que nas casas vizinhas a ementa deveria ser bem pior. E era.

josé disse...

A reacção a uma ditadura de direita pode ser assim, mas o problema aí é mesmo uma questão de princípio: Marcello Caetano não era de direita, pelo menos como agora se entende.

Marcelo era mais socialista, em assuntos sociais, do que os ps actuais.

Kaiser Soze disse...

Eu não o conheço, como sabe, por isso não posso fazer afirmações sobre a sua vida.

O que eu presumi é apenas lógico e mormente verdadeiro numa maioria dos casos: quem andava na faculdade era privilegiado.

Não quer dizer que no seu caso fosse diferente, nada é 100% certo.

Kaiser Soze disse...

Marcello Caetano sentou-se numa cadeira com a história, passada e presente, escrita.

Ele personificava a Direita e levou com o que, eventualmente, não mereceria.

É indicutível que a Esquerda venceu, é só ler a CRP de que tanto se fala.

josé disse...

Kaiser: eu conheço a realidade profunda do nosso país, pelo menos a das aldeias e também das cidades que é muito menos rica em substância vivida.

Eu vivi no campo e conheço todos os trabalhos do campo, os animais, a relação que as pessoas do campo tinham com os animais, como fonte de rendimento e alimentação.

Conheço o tempo antigo dos anos sessenta e o que passaram essas pessoas economicamente. Conheço as dificuldades que levaram à emigração e sei como eram as pessoas desse tempo em termos de valores.

Em 24 de ABril de 1974 Portugal era um país muito mais rico do que hoje em termos de pessoas, apesar de o analfabetismo ser superior em taxa aritmética ao de hoje.

Porém, nas escolas primárias quem saía de lá e tinha um mínimo de inteligência estava preparado para ler, escrever e contar bem. Hoje, não estão preparados.

josé disse...

Os indivíduos que no meu tempo andavam na faculdade ( Coimbra, 1975-80,1981) não eram na sua esmagadora maioria privilegiados.

O actual ministro da Defesa foi meu colega. Esse era porque tinha um carrito, um mini que trazia do Porto. Outros também mas muito poucos. A maioria era remediada e nem sequer da classe média em termos europeus.

Portanto, quanto a mim, esses privilégios não devem ser analisados assim.

zazie disse...

Ele personificava o quê?

Explique lá essa.

É que essa dicotomia foi inventada depois.

Ninguém falava em "esquerda/direita nem nessa altura e nem há uns 20 anos atrás.

Quando vim para a blogo foi a primeira surpresa que tive. Todas as gradações e nomenclaturas, até de siglas de partidos tinham desaparecido.

Tudo se resumia a uma divisão ao meio- a esquerda e a direita.

O que era cada uma delas nunca se entendia nem entende. Porque é outra cena semântica.

zazie disse...

Pois não eram nada apenas privilegiados.

Isso é outro mito.

Indo mais atrás até se ouve coisas como ouvi na exposição da Gulbenkian dos 360 graus.

Que antes das descobertas só uma minoria tinha conhecimento- eram os padres.

Ainda perguntei ao guia em que século achava ele que tinha sido criada a Universidade de Coimbra.

josé disse...

Acho que paradoxalmente era mais fácil um aluno frequentar a universidade em 1975-80, sendo filho de classe trabalhadora, do que hoje.

E tal era verdadeiro antes desse tempo, ainda nos anos setenta.

Portanto, os privilégios foram estreitando.

Quem é que dispõe hoje em dia de 1000 euros por mês, para custear os estudos de um filho numa universidade longe de casa? Quem?

zazie disse...

São estas coisas que fazem o "som"- que entram no ouvido e passam por factos.

E é por isso que não acredito que a desmontagem disto tenha de passar por trabalho de topo de académicos.

Porque isto é mais simples- trata-se de fontes, factos e possibilidade de contraditório.

Enquanto as pessoas estão vivas.

Não vai ser depois com geração que não viveu qeu se vai contar por hemeroteca.

zazie disse...

Tem razão, José.

josé disse...

A Esquerda venceu ideologicamente em toda a linha, claro. O problema é que a realidade da vida não é de Esquerda...Nunca foi.

É essa a questão com que estamos defrontados: temos a ideologia que nos diz que somos assim e afinal somos mesmo assado.

É uma tragédia social.

josé disse...

O que tem de ser mostrado e mostrado outra vez, com imagens, sons e letras é o que foi a realidade que pode ser testemunhada pelos que a viveram e não estão dispostos a aceitar acriticamente a História que a Esquerda lhes quer impingir. Porque é falsa, essencialmente.

Para isso é preciso dizer Não! Basta de aldrabices.

Kaiser Soze disse...

José,
eu sou o primeiro licenciado da minha família e toda ela, as 3 gerações que conheci, eram (e são) pessoas trabalhadoras, honestas e algumas analfabetas.

O meu "normal" eram e são este tipo de pessoas, que pertencem à maioria.
No tempo (não vou mais longe do que o dos meus pais) era impensável irem para a faculdade. Era pura e simplesmente impossível!

Se conhece tão bem Portugal como afirma, sabe que isto é verdade.

zazie disse...

Pois não.

Por isso é que pode mesmo ser trágico ter-se pais daqueles comunistas à séria.

A brincar, não faz mal, porque sabem que a realidade não é assim e eles próprios se cuidam.

josé disse...

É preciso dizer claramente a essa gente: Vocês são uns grandecissimos mentirosos porque a História não foi assim.

Tal e qual e olhos nos olhos e discutir até quando se puder, porque a partir de certo ponto é inútil.

Experimentei isso mesmo em 1974-95 a discutir política com comunistas. Era inútil dizer-lhes que o comunismoo científico era uma farsa perigosa.

Kaiser Soze disse...

Quanto a si, Zazie, em vez de escrever tantos posts ser-lhe-ia menos cansativo optar pela solução do seu último escrito "Tem razão, José!".

Cansava menos o teclado e os dedos.

josé disse...

Tenho para mim que os alunos bons e inteligentes sempre tiveram mais oportunidades antes do que agora. Porque eram de algum modo apoiados por familiares, próximos etc quando não tinham rendimentos. Iam para instituições como os seminários etc etc.

O Portugal dos anos 50 e 60 fez-se com quem? Com uma elite de privilegiados? Não foi e basta ver a extracção, por exemplo, de um Salazar.

zazie disse...

Um dos meus bisavós era caseiro numa aldeia de Trás-os-Montes.

Veio para Lisboa trabalhar como moço de recados. Uns anos depois era sócio de uma orivesaria; depois dono.

A biblioteca da família foi toda criada por ele. Com assinaturas de tudo o que era história.

Isto sucedeu no século XIX.

josé disse...

Kaiser: a zazie não se limita a isso. COmpreende bem o que escrevo, o que é por vezes difícil e nem todos percebem.

zazie disse...

Ó k. eu escrevo o que me apetece.

Vá v. buscar uma amiga para dizer: tem razão keiser.

Porque eu não estou aqui a fazer de eco.

Lamento é que v. não saiba ler porque já tem a luta de classes na cabeça que explica tudo.

josé disse...

O modo como hoje se valoriza o ensino é trágico.

zazie disse...

Eu entendo o José e calhou porque nos conhecemos no Pastilhas.

Toda a gente sabe que não sou bajuladora e até ando muito facilmente à traulitada.

Calhou de o José pensar muita coisa numa linha que me é próxima.

Entendem-nos por isso, também. E aprendo muito com ele.

Se não o posso dizer de muito mais gente é porque, de facto, há pouca gente isenta como ele é.

josé disse...

Ou melhor, como não se valoriza a sério.

josé disse...

Bem, para que as pessoas saibam, conheço pessoalmente a Zazie por isso e há muitos anos. Por causa do Pastilhas do MEC. É verdade e tenho saudades desse tipo de blog. Mas é passado como diz o tipo na entrevista que dá à Tabu de hoje.

Kaiser Soze disse...

Zazie, nunca gostei de cheerleaders, pelo menos para conversar...

Não acho complicado nem nebuloso o que escreve, simplesmente não concordo com tudo e suponho que o seu gosto pelo questionamento não se limite aos outros.

zazie disse...

Não se valoriza o ensino; valoriza-se o canudo- o status, mesmo não sabendo nada.

Haver doutor na família é muito importante, mesmo que depois não sirva para nada.

A palavra "sucesso" também é um neologismo que vem daí- ter sucesso não é fruto de trabalho- é sorte.

E diabolizou-se a noção de "empreender" porque isso soa patronato.

Kaiser Soze disse...

A mim, como a qualquer pessoa que goste, exclusivamente, de debater ideias, é-me indiferente que as pessoas se conheçam pessoalmente ou não.

Não o desconsidero apenas porque não o conheço.

zazie disse...

Pois se não gosta, o problema é seu.

Mas ninguém vem aqui para dizer que gosta ou não gosta.

Vem para comentar. E comenta-se com argumentos.

É o que eu faço. E também corrijo quando o comentário adultera totalmente o escrito porque me encanita a iliteracia militante.

zazie disse...

V. pode não concordar com o que lhe apetecer.

Não pode é colocar na boca dos outros o que os outros nunca disseram.

Foi isto.

e pode chamar a amiga para claque, porque parece que o problema é apenas esse.

Kaiser Soze disse...

...e eu continuo a ler "tem razão, José!".

Afinal, também me cansa menos as vistas!

zazie disse...

Por acaso até nunca mais nos encontrámos ao vivo.

ehehehe

Mas a questão nem é essa. Interessa-me o que o José aqui faz.

E até coloca em causa outras questões que me importam.

A importância dos factos e das fontes, por exemplo.

Eu posso entender-me com o hajapachorra em muita coisa e imagino-o até alguém bem erudito.

Mas nisso não nos entendemos porque ele não capta o que se faz aqui neste blogue.

Isto não é História de Academia e também não é a tal "narrativa ideológica".

São fontes. E contraria até a visão historiográfica que a verdade nunca existe porque só pode ser narrativa por leitura e interpretação noutro tempo.

É falso. Nem tudo é simulacro.

O problema é que os media vivem de simulacros e as pessoas já esperam simulacro no lugar da fonte e do facto.

zazie disse...

Eu não estou a escrever para si.

Lamento que também não entenda isso, Keiser.

A maior parte das vezes até estou apenas a escrever para mim. A "pensar alto".

josé disse...

As caixas de comentários são, a meu ver, para pensar alto. Por isso pode dizer-se o que não se escreve ou diz publicamente noutro sítio. Mas...com limites porque não se deve difamar ninguém, adulterando factos ou tomando como certos factos que podem não o ser.

Nisso é preciso muito, mas mesmo muito cuidado porque a Verdade é que conta.

Vivendi disse...

Kaiser, precisa de entender mais a realidade como ela realmente é.

O "economicamente funcionava" é ligeiramente discutível.

Já estudou os gráficos da época e comparou com os números da agora?

Tome lá sem conversas a realidade pura a e dura.

http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/04/gaspar-e-politico-com-p-pequeno-salazar_15.html

As pessoas também não entendem que simplesmente estamos a viver em uma época de rápida evolução em que a melhoria de vida proporcionada pelo capitalismo faz com que cada década seja completamente distinta da década que precedeu.

A desculpa que os socialistas usam para denegrir a época económica dos anos 40,50,60 e 70 do antigo regime foi o próprio capitalismo que a serviu de bandeja e a sociedade engole-a como sendo socialista criando o mito que foi o estado social e o esbanjamento público que deram mais conforto de vida.

A maior parte das pessoas simplesmente não tem capacidade para desestruturar a complexa engenharia social de esquerda.

josé disse...

Sobre Economia não me abalanço muito a não ser pelo senso comum. E pelos factos que conheço.

Sei que gastar sem ter o suficiente para tal resulta em dívida para quem nos empresta.

Essa pode ser a essência da Economia de Salazar e Caetano. E porque é que poderia estar errada se resultou na época?

A China e os países emergentes crescem economicamente como? Não será com os mesmos paradigmas que Salazar e Caetano tinham?

josé disse...

O motto de todos os que querem a mudança devia ser:

"O socialismo é a miséria". Assim, simples.

josé disse...

Dito assim, de chofre, aturdia os vieiras da silva e ferros rodrigues que andam por aí a arrastar as misérias morais.

Kaiser Soze disse...

Infelizmente não consigo abrir a página dos gráficos mas tenho algum conhecimento sobre os números.

Pessoalmente, em geral, a miséria com que nos confrontamos (não me refiro só a Portugal) nasceu da liberalização do mercado de capitais mas sinto-me relativamente sozinho quanto a esta questão.
O capitalismo à solta trouxe-nos onde estamos.

A culpa não é do capitalismo, é deste tipo de capitalismo.
Podem correr e saltar com as imensas virtudes capitalistas, que existem indiscutivelmente, mas que são autofágicas.

Por exemplo,
à medida que o rendimento per capita mundial aumentou o rendimento mediano teve caminho inverso.
Interessa?
Intressa um bocadinho...

Kaiser Soze disse...

...compare-se, por exemplo, o aumento dos lucros e da produtividade com o aumento dos salários norte-americanos (são os números que me são mais familiares).

Como aconteceu isto?
O valor dispendido com o cabaz familiar desceu à conta da deslocalização da produção industrial e, com isto, as pessoas gastam menos e sentem-se mais ricas ou, pelo menos, igualmente ricas quando, de facto, estão mais pobres.

Quando vêem os números, ficam em choque.

Vivendi disse...

A China e os países emergentes crescem economicamente como? Não será com os mesmos paradigmas que Salazar e Caetano tinham?

Quem poupa e produz pode sempre crescer. Esta era a receita de Salazar.

O regime aguentou esse tempo todo porque sempre teve as contas em dia. O peso do estado na economia nunca passou dos 20%. E não andava a dar de mamar a porcos.

O sonho de qualquer democracia.

"A culpa não é do capitalismo, é deste tipo de capitalismo."

O tipo de capitalismo que refere é o capitalismo que ainda atura parasitas socialistas e corporativismos que criaram autênticas aberrações no sistema financeiro.

Kaiser Soze disse...

Parasitas socialistas como os Goldman Sachs desta vida?
São desses que falamos?

zazie disse...

ehehehe

E mais o Greenspan- outro parasita socialista

":O))))))

zazie disse...

Os ancaps são marados.

":O)))))

zazie disse...

Ancaps ou tiroleses, vai dar tudo ao mesmo. Mato-me a rir com esta moda da cena austríaca.

Vivendi disse...

Os americanos estão mais pobres porque de maiores credores do mundo em 1970 passaram a maior devedores do mundo. Invés de terem uma economia baseada na produção passaram a ter uma economia dependente do consumo financiada e suportada pela China.

Tem como líder um papagaio da internacional socialista de quem Mário Soares é um grande admirador mas a cada dia que passa vai corroendo os valores morais e financeiros da América.
O ídolo de Mário Soares está também no seu engenho social a tentar implementar nos EUA o fascismo corporativo com um estado policial. Obama não é mais que uma marioneta maçónica.

zazie disse...

E foi por causa do Obama que a bolha rebentou. Então não foi.

Inchou e rebentou à conta dele.

Vivendi disse...

Sim. Os parasitas que gravitam em volta da FED e da Wall Street os mesmos que criam dinheiro a partir do nada e que são "too big to fail".

Vivendi disse...

O greespan e o ben bernake o que tem de comum?

Judeus conspirativos.

silviasantos2323 disse...

http://acortenaaldeia.blogspot.pt/2013/04/o-estado-novo-salazar-e-abril-ensinado.html


o Estado Novo, Salazar e Abril ensinado ao povo e às escolas


-O que foi o estado novo?
- O estado novo foi o regime fascista que vigorou em Portugal.
- Isso quer dizer que em Portugal houve fascismo?
- Sim, em Portugal vigorou um feroz regime fascista entre 1926 e 1974. Durou 48 anos.
- E como é que foi possível que tivesse durado tanto tempo?
- Durou tanto tempo porque havia muita repressão, esbirros que viviam da denúncia e de reprimirem o povo, porque o povo não queria o fascismo.
- Mas, se o povo não queria o fascismo, porque é que não se revoltava?
- Porque os fascistas não deixavam. Eles eram poucos mas tinham muito poder e eram apoiados pelos nazis alemães e pelos fascistas italianos, romenos, húngaros e búlgaros.
- Como é que era a vida no estado novo?
- Terrível. Nem era vida nem era nada.
- As pessoas não viviam como hoje?
- Não, era uma vergonha, ninguém tinha trabalho nem pão. Só os ricos é que viviam bem.
- E as pessoas faziam o quê?
- Não faziam nada. Não as deixavam fazer nada. Não podiam divertir-se nem trabalhar nem nada.
- Quer dizer que não havia diversões como hoje? futebol e assim?
- Não. Os fascistas proibiram o futebol, os bailes, o cinema, os jogos todos porque os ajuntamentos de mais de duas pessoas eram proibidos. Eles tinham medo que as pessoas se revoltassem se estivessem juntas num espaço pequeno.
- Então também não havia cafés nem restaurantes.
- Não, quem quisesse comer tinha de comer em casa.
-E escolas? as crianças iam á escola?
- Não. Porque os fascistas temiam que elas provocassem manifestações. Além disso queriam que todos fossem analfabetos para não poderem fazer nada de útil, lerem jornais com as verdades, assinarem cheques e assim.

Kaiser Soze disse...

...e passaram a maiores devedores por causa do papagaio da internacional socialista e não por causa do falcão capitalista que o precedeu...

Eh pá, parece que acabei de sintonizar a Fox News!

silviasantos2323 disse...

- Então mas havia cheques'
- Havia, mas só os ricos é que os tinham.
- Os ricos podiam fazer tudo no tempo do fascismo?
- Sim, os ricos viviam à grande. Tinham luxos, organizavam festas, exploravam o povo, enriqueciam á custa do trabalho do povo, tinham grandes carros e iates.
- Então mas afinal havia quem tivesse trabalho e se divertisse?
- Haver havia, mas era como se não houvesse. Só os ricos fascistas é que se podiam juntar em grupos de mais de dois. E algumas pessoas do povo tinham trabalho, mas era tão mau que era como se não fosse trabalho. Era escravatura, vá.
-Isso quer dizer que havia escravatura no tempo do fascismo?
- Sim, havia.
- Mas o povo não podia fazer mesmo nada?
- Não, só podia ir à missa ao Domingo porque os padres também eram fascistas e diziam ao povo para não se revoltar.
-Isso era terrível. Quem era o chefe do fascismo?
- Era o Salazar.
- Quem era Salazar?
- Salazar era um ditador, o pior que Portugal já conheceu. Era mau e mesquinho e queria que o povo passasse fome. E quem não concordava com ele era preso.
- Havia muita gente presa?
- Milhares de pessoas. Metiam-nas em campos de concentração e de trabalho no Alentejo e em Trás-os-Montes. Não as deixavam escrever, obrigavam-nas a denunciarem-se umas ás outras, fuzilavam-nas se dissessem mal do partido fascista ou do Salazar e tiravam-lhes tudo. Era o gulague. As pessoas chamavam a isto o gulague.
- E o Salazar era rico?
- Riquíssimo. Tinha toneladas de ouro no banco e enriqueceu ás custas do povo e dos negócios com outros ricos.
- E como é que vivia?
- No luxo. Andava sempre em festas, viagens, correu mais de cinquenta países do mundo em grandes festas, até ás Seicheles foi para ver as tartarugas. E levava sempre centenas de acompanhantes.
- E como é que era a casa dele?
- Um palácio. Tinha mais que um, até. Vivia nos palácios que tinham sido dos reis de Portugal e tinham de estar sempre prontos para se ele lá quisesse ir dormir. Tinha aviões a jacto e iates só para ele. E mais de cem automóveis. Um até foi o Hitler que lho ofereceu.
- Portugal era terrível.
-Sim, a vida aqui era terrível. Muita fome, milhões de pessoas presas, ninguém podia falar, se alguém falasse na rua - nem que fosse para perguntar as horas - ia logo preso, quem tivesse isqueiros ia preso, quem desse um beijo na rua ia preso, ia tudo preso. Havia mais prisões do que casas, naquele tempo.
- E depois? como é que isso acabou?
- Acabou porque os fascistas eram racistas e começaram uma guerra na África. E havia quem não concordasse. Depois havia muitos democratas e resistentes que resistiram, cantaram o fado e tudo. E os fascistas tiveram medo. O povo também começou a dizer que o racismo era mau e então houve militares valentes que disseram: - Alto! e acabaram com o fascismo.
- E depois?
- Depois tudo mudou. A 24 de Abril chovia e não havia ninguém na rua - era sempre assim no tempo do fascismo. Mas a 25 de Abril os militares, capitães de Abril vieram para a rua e disseram: - vamos lá então acabar com o fascismo. E acabaram. Então apareceu o sol. Há mais de quanta anos que não havia sol em Portugal, sempre a chover. Foi só depois do 25 de Abril que começou a ser possível ir á praia e fazer turismo.
- E depois?
- Depois foi assim. Os fascistas fugiram todos e o povo foi feliz. Daí em diante houve alegria, trabalho, cantigas, pão, tudo. A democracia trouxe tudo do bom e do melhor. E hoje somos ricos e felizes.
- Todos?
- Quase todos, graças ao 25 de Abril.
-Então o 25 de Abril foi mesmo bom.
- Claro, foi a melhor data de sempre em Portugal. Viva o 25 de Abril!
- Viva!

zazie disse...

ehehe

Gold! gold! até a lua era feita de ouro, quando a outra rebentou.

Greed is good.

"Bright and Yellow, Hard and Cold, Molten, Graven, Hammered, Rolled, Hard to Get and Light to Hold; Stolen, Borrowed, Squandered – Doled"

Dizia o Stroheim em 1924.

Vivendi disse...

Obama só duplicou a dívida americana. Está descrito em gráficos Zazie. E tal como a dívida portuguesa ela já passou do ponto irreversível. Basta os países estrangeiros (principalmente a China) deixarem de acumular a dívida americana para os EUA entrarem em falência ou o dólar entrar em hiperinflação.

Vivendi disse...

Obama está para os EUA como Sócrates esteve para Portugal. Sócrates não foi o único responsável mas foi ele que dobrou a dívida portuguesa. Obama é igual mas com a diferença que qualquer probleminha que os EUA tenha será um problemão no mundo.

Kaiser Soze disse...

(eu sei que foi para a Zazie mas é demasiado tentador)

Há umas semanas apareceu um delegado de propaganda médica afirmar, mostrando os competentes cálculos, que o actual Governo fez crescer a dívida muito mais rapidamente que ele.
Segundo me lembro, contudo, não terá dito que a dívida cresceu assim porque passou a ser contabilizada dívida contraída pelo próprio mas que não entrava no "balanço".

É mais ou menos a mesma coisa?
Temos um defensor do socialista que agora vende medicamentos?

zazie disse...

Mesmo que assim fosse, em que é que isso se reporta com a cronologia do problema da crise?

Em nada. V. andou da frente para trás.

E, mesmo que estivesse tudo certo, em que é que o Obama tem a ver com socialismo ou coisas assim, imitadas à Internacional Socialista e preâmbulo na Constituição.

Kaiser Soze disse...

...e com a diferença que o gajo antes do Obama herdou um superavit (tive de ir ver a um dicionário o que queria dizer...como Português, desconhecia)

zazie disse...

Os tiroleses são marados.

A parte engraçada é a como conseguem encontrar audiência nos apoiantes do Futebol Clube do Porto.

Aí e no povão de favela do Brasil.

Juro que esta mística é a única parte da questão que me interessa.

O efeito mágico e apotropaico do ouro- há-de ser cena fetichista ligada a espírito tribal.

Vivendi disse...

Pois. E os Swaps agora também irão fazer subir outra vez a dívida exponencialmente e os socialistas vão empurrar as culpas para este governo quando foram criadas no governo do sócrates.

A esquerdalha vai ladrar e ladrar até o povinho acreditar que é este governo que faz aumentar a dívida via austeridade.

E a única coisa que se pode acusar a este governo é de não estar a conseguir cortar com as despesas e rendas chupistas que existem no estado. A este governo custa-lhe fazer a austeridade pelo lado da despesa que era o caminho mais fácil para todos.

Vivendi disse...

Atentado de Boston (um carnaval nunca visto)

Como serviu para ajudar a implementar o estado fascista e policial nos EUA:

http://imgur.com/a/Nx8EU

Cyber Intelligence Sharing and Protection Act

http://en.wikipedia.org/wiki/Cyber_Intelligence_Sharing_and_Protection_Act

Kaiser Soze disse...

Um socialista...a implementar o fascismo...

Voando sobre um ninho de cucos...

Vivendi disse...

Óh amigo fascismo é socialismo.

Não sabia dessa?

E em Portugal nunca existiu o fascismo havia liderança autoritária.

Mussolini e o Nazismo esses sim é foram regimes fascistas. O nazismo até era conhecido como nacional-socialismo.

O fascismo tem como principais características: o totalitarismo, a liderança carismática, o corporativismo, o nacionalismo, o militarismo, o expansionismo e o companheirismo entre os fascistas.

No totalitarismo, as liberdades do indivíduo eram suprimidas e o povo era subordinado ao poder sem limites do Estado.

O fascismo está situado entre o comunismo e o socialismo apesar de muitos quererem apelidar como sendo de extrema direita.

Ora qualquer direita liberal ou conservadora não se revê nestes valores.

Vivendi disse...

Alguma vez Salazar promoveu em Portugal um espetáculo como o de Boston? E olhe que ele até sofreu uma tentativa de atentado à bomba.

naoseiquenome usar disse...

O José acha mesmo que conhece o "portugal Profundo" de antes de 74 e acha que até era mais fácil ir, então, para a Universidade do que hoje. Hoje não é fácil - as médias, os custos - mas na época (e reporto-me à época de meu pai), em lugares sem água nem luz ( a casa de banho era nos currais ou lojas, por baixo ou em contíguo às casas), em que se praticava uma agricultura de sobrevivência, quem tinha estímulo e condições para ir para a Universidade? O meu pai tem hoje 80 anos. Conta que após concluir a 4.ª classe os professores insistiam com ele e a família para continuar a estudar. Mas como faria? Se os irmãos não tinham ido, se não existiam transportes...Bem, fê-lo já em adulto. Por que teve e tem uma vontade férrea. Mas não me venha com tretas ...

naoseiquenome usar disse...

Para ser mais realista ainda, nessa época do meu pai, e por maioria dos meus avós, para além de o WC, ser como referi, o papel higiénico era uma folha de couve ou um carolo. Era este o saneamento básico. Claro que isto contribuía para o estrume que se distribuía pelas terras, que produziam depois os alimentos básicos à subsistência...

naoseiquenome usar disse...

Já agora: os colchões eram de palha (de milho),num convite a todo o tipo de bicharada! O meu tio foi mandado prender pelo pai, porque fugiu com a mulher que queria casar. O meu pai só conseguiu ficar com a minha mãe, porque a "desonhonrou" (já que a minha mãe era de "casta superior" e com isso consegui uma ruptura de décadas com a família); a minha avó (materna) teve dois filhos, afirmando nunca ter visto o meu avô nu. É a esta época que se refere como sendo de valores e progressista e com equilíbrio?

naoseiquenome usar disse...

perdão: de progresso (eventualmente controlado, não?)
... a verborreia já vai grande, mas pense lá um pouco. Era um privilegiado sim senhora. Quantos eram filhos de alguém que não vivia exclusivamente da pequena propriedade rural, sem acesso a saneamento básico, ou outras coisas elementares como um colchão? O 5.º ano nessa altura era um Doutoramento. ... Mas... também não me diga que hoje o ensino só produz párias. Felizmente, tenho uma filha que com ou sem calculadora, sempre teria 20 a matemática, em escolas públicas. E pronto :) parece-me que já descarreguei um pouco sobre o que senti ser uma injustiça!

Kaiser Soze disse...

Pois.
Este retrato coincide mais com o que me foi transmitido pelos elementos mais velhos da minha família.

José - uma homenagem paterna disse...

Liberdade, querida liberdade...

Tu que viveste antes de abril e não nasceste em berço d´ouro...sobrevives.
Tu que penaste na árdua vida para a sobrevivência...estás vivo.
Tu que desconhecias o poder da pseudo-política, não tiveste problemas com o regime.
Mas tu crescestes e depois de abril achavas que os teus deveres e direitos se cruzavam.
Enganaram-te.
Tu só tens deveres e não direitos.
Mas se te achas com direitos, és amordaçado...
Mandam-te a policia a casa e intemidam-te...
Mas tu és inocente e até dizes e escreves umas verdades.
O tribunal não te perdoa e aplica-te uma pena.
Então, qual é a diferença do antes e do depois?
Simplesmente, sabias que tinhas que andar alinhado. Hoje não sabes se deves andar alinhado se desalinhado.
Aqui está a diferença, embora digam que o lápis azul tenha desaparecido