Páginas

terça-feira, 30 de abril de 2013

Swaps: o crédito que falta

Este artigo sobre os cds, escrito por um economista no Jornal de Negócios de hoje ( é oferecido e não sei quem lhes paga o almoço...) vale a pena ler porque se trata de alguém que sabe  tocar rabecão sobres estes assuntos e sintoniza com as dúvidas que muitos sapateiros têm sobre isto. Até eu...


23 comentários:

zazie disse...

Eles fizeram asneira e esconderam os prejuízos. Depois devem ter feito renegociações com os bancos mas foi pura imbecilidade de quem criou estes hedge funds com dinheiros públicos

Luis disse...

Asneira só ou talvez asneira matreira! E é por isso que o autor diz que o DCIAP deverá inspeccioar comportamentos fora dos habituais padrões de vida! Inclino-me mais para luvas e comissões pagas aos «gestores» envolvidos e a provar-se (ou a poder ser provado) poderá ser um importante trunfo negocial com os bancos. Vamos ver!

Ricciardi disse...

Eu não sei se foi asneira. Na verdade, em 2005, quando se efectuaram estes contratos a ideia era a de que as taxas de juros podiam subir bastante. Não havia jornal economico ou casa de investimentos que não dissesse que as txas iam subir. Mas aconteceu a crise do subprime e as txas colapsaram por causa da decisão dos bancos centrais.
.
Eu não consigo atribuir culpas a alguém que efectuou estes contratos. Com Cap ou sem Cap, a opção que foi tomada era de perfeita precaução quanto aos efeitos de uma subida das taxas de juros.
.
Fala-se de empresas públicas, mas as empresas privadas que conheço e aonde vendi em tempos alguns swaps destes fizeram o mesmo. Não foi com taxas de juros, mas foi com o preço de materias primas. lembro-me perfeitamente de fazer um negócio semelhante com uma empresa que queria fixar o preço do aluminio que usava muito nos seus produtos. E correu-lhe bem. O aluminio subiu muito de preço e ele manteve o custo antes das subidas. Mas tambem se fez negócios que deu ao contrario. Um gajo sabe lá.
.
A ideia do Swap é poder orçamentar o ano das empresas com custos previamente acordados e previsiveis.
.
Estranho seria se tivessem sido efectuados swaps fora do ambito do negócio de cada empresa. por exemplo, se a refer contratasse Swaps sobre a cotação do ouro, do sumo de laranja, do café etc.
.
Nada disto invalida uma boa investigação, obviamente, a ver se não há por ali comissões a dirigentes de empresas publicas para vender coisas que eles não precisam e contrarias à logica de mercado da altura.

Rb

Rui disse...

investigue-se. quanto mais nao seja para fazer uma certa "elite" sair da sua zona de conforto.

zazie disse...

Mas eles não fizeram contratos directos com os bancos.

Criaram hedge funds e compraram produtos marados.

Depois tiveram prejuízos e esconderam-nos.

E tiveram de renegociar contratos com os bancos.

Quanto muito os bancos tiveram comissão com os contratos, mas quem escondeu os prejuízos foram eles, com dinheiros públicos que andaram a jogar em hedge funds.

Ia jurar que a história é esta.

Floribundus disse...

como habitualmente os contribuintes pagam
e os xuxas que fizeram a desgraça são recompensados com a subida ao poder

Floribundus disse...

sobre mais este buraco lembrei-me que
na minha juventude ainda se cantava esta quadra da campanha anticlerical do final do séc xix que levou à criação do Asilo de São João do Golu:
«as irmãs da caridade (pum)
têm um buraco no .. (pum)
que lhes fez o Gungunhanha (pum)
com a chave do baú (pum)»

era de Meninas e falou-se de abusos a seguir à revolução sobre os quais não ouvi 'catalinárias' vindas da pia

LuisPizarro disse...

José,

O artigo é fraco e vê-se que o autor não sabe do que fala, independentemente de ter escrito um livro sobre mercado de capitais.
Posso só deixar uma nota: fazer um cap ou um swap é praticamente a mesma coisa, com a diferença de que no CAP paga um prémio à cabeça.
Pelo que sei os swaps foram todos feitos sobre empréstimos reais, logo todo este ruído é uma falsa questão.
Qualquer dia também vao dizer que crédito habitação de taxa fixa é um instrumento especulativo eheheh.

Capitalista Facista disse...

LuisPizarro: voce esta' errado, as caps e floors devem ser feitos nestes contratos e em troca, o banco que emite as swaps pode ter a opcao de terminar o contrato periodicamente de ano em ano. Com essa opcao adicional por parte do banco, os custos da cap & floor sao eliminados. Acho que quem se devia informar melhor é o senhor. Outra coisa a eslcarecer: os prejuizos da entidade que entrou na swap nao sao lucors para o banco porque entretando o banco fez re ajustamento do risco do produto, ou seja, apostou na mesma direccao que o cliente. O banco ganha "apenas" dinheiro com as comissoes na emissao destas swaps.

Capitalista Facista disse...

LuisPizarro: "fazer um cap ou um swap é praticamente a mesma coisa". Falso, é falso o que diz porque o risco associado numa "vanilla swap" é completamente diferente de uma cap ou floor. Eu espero que voce seja apenas um auto didacta que vem aqui comentar estes assuntos e nao ocupe qualquer lugar de relevancia numa instituicao financeira em Portugal. Porque se assim for, mal de nos termos individuos como o senhor em tais posicoes. Voce nao passava da primeira ronda de entrevistas comigo.

aragonez disse...

Não quero contestar nenhuma das opiniões dos mestres presentes.
Mas parece-me que a coisa, sem descer a pormenores e sobretudo acreditando que todos os intervenientes estavam de boa fé e eram minimamente competentes, se resume a trocar riscos por custos fixados. Às vezes ganha-se e outras perde-se.
Quando era jovem fartei-me de fazer coisa similar com uma matéria prima, que comprava muitas das vezes com mecanismos de "futuros" e outras no "spot".
Sorte, saber e honestidade são essenciais, sobretudo se se está a jogar com o dinheiro dos outros...

Capitalista Facista disse...

Sim, mas ha swaps para cobrir riscos (vanilla) e swaps para fazer especulacao (toxic). Ora o que se trata aqui é uso de instrumentos financeiros para fins especulativos usando dinheiro publico. Se for com dinheiro privado, cada um faz o que bem entender, desde que seja dentro da legalidade internacional. Os bancos vendem apenas o que o cliente pede.

aragonez disse...

É isso.
Nem mais.

LuisPizarro disse...

Mais uma vez insistem numa ideia errada. Daquilo que se sabe, os swaps foram usados para cobrir financiamentos reais. Não tem nada de especulativo.

"voce esta' errado, as caps e floors devem ser feitos nestes contratos e em troca, o banco que emite as swaps pode ter a opcao de terminar o contrato periodicamente de ano em ano. Com essa opcao adicional por parte do banco, os custos da cap & floor sao eliminados"

Espero que consiga perceber que do ponto de vista da empresa, essa seria uma má opção para cobrir risco de tx de juro.
Quanto à decisão de fazer um swap ou CAP, ela tem mais a ver com a estrutura de cash flows do negócio da empresa do que com qualquer outra coisa.

Mais, o que acabou de dizer deve ser só para tentar mostrar que sabe alguma coisa sobre isto, visto que não acrescenta nada ao tema. Dizer que consegue eliminar o custo do CAP para o cliente é óbvio e essa nem é a única maneira de o fazer. No entanto, na realidade não o elimina, incorpora-o de outra forma.

"Porque se assim for, mal de nos termos individuos como o senhor em tais posicoes. Voce nao passava da primeira ronda de entrevistas comigo."

Esta forma arrogante de se discutir assuntos em Portugal é mesmo provinciana. Eu quero lá saber das suas entrevistas. Não se apercebe do ridículo com uma afirmação dessas? estes rapazolas queques que se apanham a trabalhar numa sala de mercados e já acham que são os melhores da sua aldeia. Santa paciência.


Mas já agora, gostei muito dessa sua definição. swaps para cobrir risco são vanilla ou outros chamam-se "toxic" ehehehehe. Excelente. ehehehe

Capitalista Facista disse...

Voce ainda nao percebeu que as swaps divulgadas sao toxicas no sentido de ter componentes hibridos agregados com taxas de juro e preco do petroleo ou taxa cambial, para o qual existe elementos de correlacao entre essas variaveis. No entanto, nao vou perder mais tempo consigo, tal como nao perco tempo com individuos que falam pelos cotovelos mas no fundo nao percebem do assunto. Os bancos contratam PhD de Universidades mundialmente conceituadas para analisar tais riscos. Voce ai na sua empresa tem alguem do mesmo calibre ?

Capitalista Facista disse...

Alem de que quem veio aqui armado em esperto foi o senhor a dizer que o autor do artigo nao percebia nada e que voce é que é um genio da materia, porque "swaps e caps sao a mesma coisa". Enfim, depois admiram-se que isto esteja tudo na falencia !

Kaiser Soze disse...

Estes SWAPS não são, tanto quanto sei, CDSs. São uma coisa, em teoria mais simples.

Do pouco que consegui apurar deste assunto - e foi muito pouco - ou temos responsabilidade criminal ou uma imensa incompetência...e, sinceramente, não sei para qual dos dois me inclino mais.

Quando até o Soros (e digo "até" sem admiração mas por ser perito neste tipo de lixo) admite não compreender produtos financeiros deste tipo...

Capitalista Facista disse...

CDS = Credit Default SWAPS


O nome SWAP comecou por ser usado em produtos simples, troca de taxa fixa por EURIBOR mas com o tempo e evolucao dos derivados, SWAPS é um termo aplicado a todos os produtos financeiros, dos mais simples (vanilla swaps) aos mais complexos (structured swaps) e dos structured swaps, se nao tem proteccao cap/floor, podem ser classificados como toxic swaps. A terminologia de pouco importa aqui mas antes o contracto feito entre as partes.

Capitalista Facista disse...

SWAP apenas significa TROCA de um copao (fixo, EURIBOR, estruturado) por outro copao (EURIBOR, fixo) e pode ter componentes financeiras a tudo o que é indexado, desde a Credito, taxa de juro, taxa cambial ou como alguem disse aqui, preco do ouro ou das bananas. Ora a razao de empresas PUBLICAS fazerem SWAPS ligados a indexes de taxa de juro CONDICIONADOS a outros indices como preco do petroleo ou taxa cambial é bastante obscuro, ainda para mais quando tais copoes estruturados nao tenham proteccao cap/floor como supostamente foi o caso tendo em conta o artigo aqui mencionado. Isso é pura e simplesmente a fazer o papel de Hedge Fund com dinheiros publicos !

Kaiser Soze disse...

Não é exactamente isso que desconheço, isso foi o que consegui aprender.
O que desconheço e julgo ser ainda desconhecido do público em geral são os contornos exactos do negócio.

Não podem ser SWAPS simples como os de taxa de juros fixa, essa levantaria poucos problemas...

Capitalista Facista disse...

exacto ! As empresas tb fizeram dessas SWAPS simples, mas as que levantaram problemas foram outras, cujos pagamentos de copoes estao ligados a taxas de juro com condicionantes a taxas de cambio ou preco do petroleo. Ora para tais copoes, existem riscos de correlacao entre tais mercados alem de que pode haver alavancagem desse risco que se nao for protegido com cap&floors, as perdas podem ser brutais. Como aparentemente foi o caso. Alias, se fosse com vanilla SWAPS (as simples) nao vejo como podiam ter perdido tanto dinheiro. Teve que haver ALAVANCAGEM igualmente !

Kaiser Soze disse...

A minha visão, amadora, é mais ou menos esta...

Mesmo que tivessem sido das SWAPS mais simples tinha havido uma banhada porque a EURIBOR tombou forte mas, evidentemente, nunca se poderia falar de taxas de juros (de que se ouve, de facto, falar) em montantes como os 20% (o que me parece, evidentemente, usura).

O grande problema parece ser que a estrutura dos cupões impede, completamente, que o bancos percam dinheiro porque um indíce iria compensar outro. Ou seja, por exemplo, o índice do petróleo iria compensar uma eventualidade da EURIBOR subir.

E os contraentes, do lado do Estado, não estavam preparados para negociações deste tipo.

Capitalista Facista disse...

Ha riscos inerentes como o da correlacao que os bancos nao podem fazer o re ajustamento por inteiro e por conseguinte, as comissoes sao maiores para esse tipo de produtos. Mas em resumo, isto é como energia nuclear e quem nao está habilitado para brincar com isto, entao nao o deve fazer, muito menos com dinheiros publicos. As cap&floors mencionadas no artigo servem para conter prejuizos (e limitar ganhos como contrapartida) de tais copoes toxicos. Ora ao que parece, nem isso foi feito. É como tentar montar uma central nuclear empregando trolhas de Chelas (com o devido respeito).