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quarta-feira, 29 de maio de 2013

A corrupção nos tempos da ditadura e na democracia

Paulo Morais, um activista do combate à corrupção, em vias de profissionalização, acha agora que   "a corrupção não é um problema da democracia" mas que vinha da ditadura, considerando que o regime "falhou completamente" a combatê-la e organizou-se para a fomentar."
E mais: "A corrupção não é um problema da democracia, é um problema que já vinha do tempo da ditadura. Quando se dá o 25 de Abril, no manifesto do programa do Movimento das Forças Armadas, na primeira página, um dos combates que é lá preconizado é o combate à corrupção", recorda."

Ora bem. Vamos ser directos e consequentes: Paulo Morais não sabe do que fala, quando fala assim. Ponto.
Ao discursar deste modo, perante um Marinho e Pinto ( olha logo quem!), precisava de apresentar factos e nomes, como faz relativamente aos pretensos protagonistas da corrupção em Portugal, actualmente, sendo certo que Paulo Morais confunde desvios morais ( ou éticos) com crimes de corrupção. E não sabe distinguir, aparentemente.
Portanto, ao dizer publicamente que a corrupção é problema que já vem do tempo da ditadura não se percebe o que quer dizer. Porém, ao falar assim, vai ganhar respeitabilidade acrescida porque é assim o discurso corrente do politicamente correcto ambiente.

Por mim, conheço muito poucos casos de corrupção clara e flagrante vindos desses tempos. Um deles, muito falado, tem a ver com um certo major que vendia batatas ao Regimento, ficando com os trocos.
Porém, sobre contratos de armamento, por exemplo e num tempo de guerra no Ultramar, nada se fala...ou se falou. E hoje? Que dizer do caso dos submarinos ou dos casos avulsos do SIRESP, etc etc?
Sobre negociatas entre empresas de obras públicas e o Estado haveria muitos jorges coelhos a falar fassista? E sobre as firmas de advogados da consultadoria permanente em parecerística, havia sequer disso?
E na Assembleia Nacional quantos deputados havia com interesses particulares em firmas privadas?
E sobre os governantes, haverá algum que tenha sequer tido suspeitas de casos tipo Face Oculta ou fax de Macau?
Estamos a brincar, quando tentamos sequer o paralelismo...
Se Paulo Morais quer falar dos corruptos morais que então existiam, em paralelo com os de hoje, vai ter muita dificuldade em encontrar exemplos concretos, porque um deles, apontado como tal, era o Almirante Henrique Tenreiro. Apesar do perfil que lhe é traçado pelos falsificadores ideológicos da História, há factos contra os quais não há argumentos: morreu pobre, destituído de honrarias militares e tudo. 

É certo que há muito poucas pessoas a contarem a História, porque esta foi capturada pelos Rosas e Flunsers que adquiram o monopólio narrativo. Mas ainda vai havendo quem se lembra e saiba contar...e Paulo Morais devia ler, em vez de fazer estas tristes figuras desnecessárias.

Será que se pode dizer o mesmo de certos figurões, tidos como patronos da actual democracia? Onde foram buscar o que têm?




116 comentários:

Mirza disse...

Que idade tinha o procurador José Forte no tempo da ditadura ? Estaria provavelmente no início da adolescência na fase final de Marcello Caetano.
Como na altura não se podia falar em certas coisas, o nosso procurador presume que elas não existiam. Conveniente.Para ele, os casos Tenreiro, Norte Importadora, por exemplo, só devem existir nas mentes de gente mal intencionada.
Uma das vantagens da democracia, que tanto o incomoda, é que é possível falar nas coisas. E, calcule-se, há mesmo gente que fala nas coisas e nas pessoas e dá a cara. E sem ser incomodada. Ao contrário de certos procuradores anónimos.

Manuel disse...

ó Mija, também deves comer da gamela . Até apostava...

Vivendi disse...

Mirza vá pá o caralho!

Que vir provocar quem dá a sua opinião livre não é coisa de ditador ou democrata, é de besta quadrada mesmo.

josé disse...

Mirza: o procurador José Forte aqui não existe, entende ou ainda é preciso fazer-lhe um desenho mais recortado para tenta extrair do neurónio solitário que ainda o habita, qualquer coisa de relevante?

Aqui há um José que tem um endereço de correio electrónico e que espera que o Mirza de identifique para não me obrigar a apagar-lhe os comentários.

Este é o primeiro e único aviso.

Da próxima vez, serão apagados. E depois diga que é censura que não me importo.

josé disse...

Entretanto, se quiser apontar um único exemplo da corrupção do Tenreiro, esteja à vontade e faça o que mais ninguém conseguiu fazer a não ser em modo difamatório, como é o que utiliza: demonste com factos credíveis. Não é preciso provas judiciárias. Bastam factos credíveis e aceites por todos.

josé disse...

E já agora, dê a cara já que é assim tão importante que até se esconde sob o pseudónimo Mirza.

Vá lá!

Kaiser Soze disse...

A análise daquilo que sabemos das ditaduras (não me lembro de uma única excepção) leva-nos a crer que é mais que provável que esta também tenha sido corrupta.

A particularidade portuguesa é que da Direita à Esquerda (o que é espantoso e, por isso, ainda mais fiável) ninguém pôs em causa a honestidade de Salazar e, por isso, tenho isso como verdade...mas a ditadura não era só Salazar.

A este respeito lembro-me da questão do Volfrâmio mas nada foi provado de forma alguma.
Ou porque não aconteceu ou porque não se podia provar.

Floribundus disse...

em minha modestíssima opinião não há ditaduras de civis.
são os militares que suportam certos partidos políticos e os seus dirigentes.

o boxexas deseja preparar uma mexicanização ou cubanização do regime se possível através duma plataforma institucional de esquerda.
os escravos de serviço já se implantaram no terreno

josé disse...

A corrupção do regime de Salazar/ Caetano está por demonstrar. Digo mais: está por apontar um único facto que revele efectivamente esse fenómeno.

É preciso não esquecer que é necessário saber o que significa a expressão corrupção.

Pode haver corrupção moral, política, económica, criminal.

Aquela de que aqui curamos é a criminal, a que resulta de favores de entidades ou pessoas do Estado para com pessoas singulares ou colectivas e que sejam indevidas e tenham uma contrapartida para quem autorizou em nome do Estado a vantagem indevida.

Arranjem um único caso semelhante ao de um, sei lá, Abílio Curto, da Guarda. Ou até de um Isaltino.

Arranjem um único caso de pessoa que se deixasse corromper no aparelho de Estado e ficasse incólume e impune.

josé disse...

Arranjem um único caso semelhante ao do fax de Macau ou do Face Oculta ou do Freeport ou de outros que tenham sido aventados nos media nos últimos trinta anos.

Luis disse...

Só faltou dizer que o tal major foi expulso da tropa e que depois do 25 de Abril, qual tenebroso prenuncio, foram-lhe pagos os retroactivos desde a data da sua expulsão até aquele momento. O major meteu-se no negocio dos electrodomesticos (e já nessa altura se dizia à boca cheia que era negocio que cheirava mal), comprou fabricas texteis que não pagou (conheço pessoalmente um caso), ganhou fama com o desporto e com a politica.
Um exemplo claro do xico-espertismo desonesto-democrático que nos tomou e pelo qual agora estamos (quase) todos a pagar.

mujahedin مجاهدين disse...

Ahahaha!

Olhai bem para este bacoco.

Escrevinha a aleivosa criatura que uma das vantagens da democracia é ser possível falar-se "nas coisas".

Curiosamente, é vantagem de que não tira proveito: não se lhe ouve falar em "coisa" alguma de concreto. Despeja um nome, que quem quisesse saber saberia facilmente, e... mais nada.

Já quanto a mim, se "comer de gamela" significa viver à conta do Estado, não é à minha pessoa que se aplica certamente. Se o significado é literal, bom, a criatura há-de ter-se perdido da vara a que pertence, e tolhido pela solidão vislumbra semelhantes onde os não há.

Criatura: olha que isto não é a PIDE para vires para aqui bufar (pela afoiteza com que o fazes já deves ter hábito. Em calhando até tinhas nome de código, dize lá). Também não é pocilga onde chafurdem os teus semelhantes.

hajapachorra disse...

Bem, não se deve comparar o que não é comparável. A corrupção tem formas diferentes conforme os regimes. Em sentido amplo é antiquíssima sim. Radica na 'cunha', na troca de favores, nas 'obrigações', no séc. XVI cá chamava-se 'aderência', forma que devia ser recuperada, porque uma das corrupções mais frequentes hoje é um fabiano aderir a certas sociedades para logo ganhar sinecuras, empregos ou contratos. No antigo regime o 'condicionamento industrial' era outra forma de proteger alguns contra outros e as corporações funcionavam mesmo, no estado corporativo... É claro que se o José quiser falar apenas de 'corrupção criminal' tal só é possível quando passa a ser criminalizada.

josé disse...

"É claro que se o José quiser falar apenas de 'corrupção criminal' tal só é possível quando passa a ser criminalizada."

A corrupção era criminalizada antes de 25 de Abril. E tinha nomes como "peculato" ( com pena correspondente ao crime de roubo), "Concussão" ( prisão maior de 16 a vinte anos); "Aceitação de interesse particular" , "peita, suborno ou corrupção".

josé disse...

E até tinha um de " aceitação de oferecimento ou promessa", relativo ao funcionário público que aceitasse por si ou por outrém oferecimento, ou promessa, ou receber dádiva, ou presente de pessoa que perante ele requeira desembargo ou despacho, ou que tenha negócio ou pretensão dependente do exercício de suas funções públicas."

O Código Penal era o de 1886... e já previa tudom ,em certas partes muito melhor que o de 1982 que o substituiu.

Floribundus disse...

para quem não viveu profissionalmente problemas industriais

devo dizer que actualmente é muito pior o problema do condicionamento

de tal modo dificilmente alguém com consciência dos problemas investirá neste rectângulo

tenho uma longa e triste experiência pessoal
até lhe chamavam o 'preço certo'

as próximas décadas vão ser de pobreza generalizada qualquer que seja o partido ou dirigente.
os que esperavam avidamente a sua vez são todos tipo tózero

Pedro Lopes disse...


Antes do 25 de abril não havia internet nem telemóveis porque o regime facista tinha medo que as pessoas se informassem e conhecessem a verdade.

Havia um gajo da PIDE de gabardine á espreita em cada esquina.

Duas pessoas não podiam falar numa rua pois era proibido, podiam estar a congeminar uma rebelião.

A Televisão era a preto e branco.

Os gajos do BPN e do Banif roubavam o povo todos os dias. Eram os piores facistas.

Não havia GPS, os carros não tinham ABS, os comboios andavam devagar. Era uma miséria.

zazie disse...

ehehehe Ninguém sabe nada, é o que fica provado.

Fala-se de qualquer coisa antes do 25 de Abril e inventam um mundo absolutamente diferente.

Sem leis, até. Chegam a dizer que nem era um Estado de Direito.

Zephyrus disse...

O meu instrutor de condução foi amigo do merceeiro que era pai do major. Contou-me o caso ao pormenor, isso e a ascenção de Belmiro de Azevedo.

hajapachorra disse...

Claro que previa. Antes de 1886. Desde sempre. Só que era a como a terrível lei do aborto que precedeu essa humaníssima lei da liberalização do dito. Previa apenas. Quantos condenações houve por peculato, peita, corrupção? Condenações por concussão seria prodígio maior que mula prenhe, não? Há crimes que só em democracia se tornam possíveis. É verdade, em democracia há mais crimes dos particulares, mas, espera-se, que menos do Estado. E antes do 25 de Abril, a polícia de facto era muito amiga de quem se opunha ao regime e como se pode ver em qualquer hemeroteca havia jornais para todos os gostos e feitios, eleições limpas e o analfabetismo estava praticamente erradicado. Aliás, nem havia guerra no Ultramar, o exército limitava-se a oferecer safaris à mocidade portuguesa que frequentava depois de 12 anos de escolaridade obrigatória precisava de arejar antes de ir em massa para as dezenas de universidades que floresciam entre as melhores do mundo. A ditadura não existiu, só na cabeça de comunas e de esquerdalhos maçónicos. Salazar era um brilhante académico conhecidíssimo no seu meio que aceitou sacrificar-se pela pátria durante décadas morrendo pobre e em odor de santidade. Por modéstia impedia que o bom povo fizesse dele um émulo do santo Padre Cruz. Era para isso que existia a pide, ó Lopes.

hajapachorra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
hajapachorra disse...

Peço desculpa pela duplicação e pelo 'frequentava' que está a mais. Na minha ignorância da história do direito - nunca tive a sorte de ter Cabral de Moncada, Marcello caetano, nem sequer Nuno Espinosa Gomes da Silva como mestres, apenas queria dizer que para mostrar a merda que é este regime não é preciso comer a merda do regime anterior e chamar-lhe um regalo. Há gente para tudo eu sei. Mas admitam a minha repugnância. Prefiro couves.

hajapachorra disse...

Peço desculpa pela duplicação e pelo 'frequentava' que está a mais. Na minha ignorância da história do direito - nunca tive a sorte de ter Cabral de Moncada, Marcello caetano, nem sequer Nuno Espinosa Gomes da Silva como mestres, apenas queria dizer que para mostrar a merda que é este regime não é preciso comer a merda do regime anterior e chamar-lhe um regalo. Há gente para tudo eu sei. Mas admitam a minha repugnância. Prefiro couves.

hajapachorra disse...

Então isto agora sai aos pares?! Se algum invertido, mirza ou aparentado, quiser os meus contactos é só dizer.

josé disse...

hajapachorra:

Não quero eudeusar ou dourar a pílula da ditadura de Salazar/Caetano. Já escrevi que estava farto do regime de Caetano e fiquei contente com o 25 de Abril 74.


Porém, com o passar do tempo, tenho reflectido que o regime de Caetano era diferente do que o pintam e legalmente não era o monstro ou o horror que apresentam os politicamente correctos, como agora o Paulo Morais pretende ser.

Isso é falsificação histórica e nada mais.

Agora, escrever que havia previsão criminal que era para inglês ver é um pouco pior.

Por esta razão: a lei processual penal de 1929 era bem mais acertada do que aquela que a escola de direito penal de Coimbra engendrou, com garantias à banditagem, plenas de direitos e quase sem deveres.

E a investigação policial não tinha pruridos em "malhar" sempre que fosse preciso em suspeitos para arrancar confissões. Não era apenas a PIDE/DGS que o fazia. Era também a PJ e nessa altura até tinha juízes privativos.

Portanto, os meios de investigação criminal eram mais eficazes e eficientes e o major das batatas que o diga.
Hoje seria uma cabala e gritaria na tv como gritou aquando do apito dourado. Um sem-vergonha.

Portanto, o essencial é isto:

havia coronéis corruptos, como nos países da América do Sul? Não havia. Pura e simplesmente não havia e se fosse hoje haveria porque o dinheiro das armas era muito.

Havia ministros e governantes envolvidos em esquemas de angariação de financiamento partidário? Não havia como hoje há e o devorismo não era o que hoje é. A corrupção no Estado, nesse tempo era residual e muito recatada, a tal ponto que nem era notícia cá dentro ou lá fora.

O único que foi apontado como corrupto entre os que tinham poder efectivo e real, foi o Tenreiro. Morreu pobre e quando foi para o Brasil era pobre.
Isso é indesmentível.

Marcello Caetano vivia do que ganhava. Salazar idem. Os ministros idem aspas.

Será preciso dizer mais alguma coisa para demonstrar que não havia a corrupção que há hoje, no aparelho do Estado e que é generalizada do PCP ao CDS?

Mas será ainda preciso ou a fantasia de dizer que havia corrupção escondida é tanta que até dá para a falsificação histórica?

zazie disse...

É preciso fantasiar, claro.

Nem que seja em nome de um qualquer ideal abstracto como a Liberdade- assim em absoluto, porque os ideais são sempre absolutos e é chato não se ter grandes ideais políticos.

josé disse...

O Tenreiro tinha amigos e familiares? Tinha mas ninguém se lembrou de dizer que roubou para eles.

E os governantes da época eram todos assim. O pai do Nuno Rogeiro era um indivíduo notável no antigo regime. Impoluto.

Comparando com o que se vê hoje com esse patarata do Soares( O Champallimaud, nos anos oitenta chegou a dizer que se fosse governante, Soares seria seu ministro da parlapatice) e outra banditagem socialista que encheu os bolsos em Macau e lá deixou a pouca vergonha que tinha, o regime anterior era exemplar e impoluto. E isso parece-me indesmentível.

Alguma vez em tempo algum seria possível um caso como o do BPN?

Cavaco que tenha vergonha também, por causa disso.

zazie disse...

E também é preciso usar muitas falácias para rebater o ponto em questão do post.

Até me admira não terem falado da falta de vacinas, ou da mortalidade infantil, que é outro ponto que explica essa questão da inexistência da corrupção.

josé disse...

Alguma vez um Inenarrável poderia viver num prédio de luxo tendo comprado um andar de luxo, com a mãe a comprar outro idêntico, sendo o indivíduo "mero deputado" ou apenas secretário de Estado e não tendo fortuna, sendo certo que o empréstimo que fez ao banco não dava para pagar tudo?
Alguma vez a vida desse indivíduo poderia ser o que é com um regime como o de Caetano?

E quem diz esse diz dezenas de amigos e correlegionários. Tudo igual.

josé disse...

Será que as pessoas acham isto tudo muito normal? Acham que esta democracia é que é?

Zephyrus disse...

Zazie, na área da Saúde não éramos tão atrasados quanto se pensa. Pelo menos é o que diziam os meus professores da FMUP. Talvez sejam uns perigosos «fássistas».

hajapachorra disse...

Pois, democracia é o regime em que um inenarrável pode chegar onde chegou. Não devia mas pode. No regime faxista não devia nem podia. E se a fantasia era mim, saiu ao lado, porque já não idade para fantasias. Queria apenas que este regime, este e não outro, fosse um estado de direito. De facto creio que não temos estado de direito desde 1910. Satisfeita zazie?

hajapachorra disse...

Quanto à mortalidade infantil, temos hoje os melhores números do mundo, sim é verdade, mas isso aconteceu só nos últimos 15 anos. Desgraçadamente temos outros números de que ninguém fala e que agora são reais não extrapolações, oficiais e não 'clandestinos': mais de 20 mil abortos por ano. Esta é uma das razões, a maior, que me leva a afirmar que não vivemos num estado de direito. Porquê? Porque não somos todos iguais perante a lei. Os seres humanos não nascidos não tem direito à vida.

hajapachorra disse...

Se quer falar do post, mas vale não ligar ao sr. Morais. Posso estar a ser injusto, mas creio que ele está a ocupar espaço, a desempenhar uma função conveniente para certas seitas, um pouco à imagem do que faz o pc com as comissões de utentes, os verdes, etc. Nunca acreditei nesse Morais porque sei como se afastou de Rio.

josé disse...

"mais de 20 mil abortos por ano."

Quais eram os números da mortalidade infantil, antes deste pogresso?

lusitânea disse...

No tempo da outra senhora não havia as "garantias" de hoje.Em que com dinheiro todo o mundo (quase) se safa.Os democratas tomaram todas as medidas legislativas para deixar vulgares gatunos subir por aí acima.Até o expulso capitão.No antigamente não havia cenas de "apagamento da fotografia" ao estilo de registos criminais às fatias.Vinha tudo sempre.Depois havia o CJMilitar o RDM e o tal CPP antiguinho que não deixava escapa nenhuma...
O PM socorreu-se dum papel qualquer do MFA que como é óbvio nos remete para as guerras do Ultramar e para os poderes locais que julgando já safos os cabedais demonstravam certa falta de consideração e pouca colaboração para quem lhe andava a servir de guarda- costas.No resto e até porque servi o anterior regime os democratas da treta não venham com comparações.Isto está uma bandalheira pegada e só mesmo uma ditadura voltará a salvaguardar a nação, agora comida por todo o lado e por todos...

zazie disse...

Zephyrus:

ironia, não lhe diz nada?

zazie disse...

hajapachorra:

ironia, também não diz nada?

mujahedin مجاهدين disse...

Já uma vez no Portugal Contemporâneo lá mostrei num comentário - usando apenas números do Pordata - que essa cantiga da mortalidade infantil é treta.

O grande salto não foi nos últimos quinze anos não senhor. Foi nos anos sessenta e setenta. Nesses anos é que se deu o maior decréscimo. A tendência manteve-se apenas. E a ritmo cada vez menor, porque quanto mais se aproxima do zero, mais difícil é diminuir, claro.

O mesmo para o analfabetismo. O mesmo para a electrificação. O mesmo para as estradas. O mesmo para os hospitais. O mesmo para a generalidade das condições e "progressos".
A única coisa que realmente melhorou muito mais, foi o saneamento público. E, ainda assim, numa freguesia a sete kilómetros da terceira maior cidade do país, apenas o ano passado se construiu o saneamento público...

Está lá no Pordata. Números.
É ver.


zazie disse...

Fala-se de alhos e vêm com os bugalhos e depois ainda se dão ao trabalho de esmiuçar os bugalhos para se perceber o problema dos alhos

zazie disse...

Mujah:


O post fala da tremenda corrupção anterior ao 25 de Abril- assim, como um dado adquirido e quem disser que é mentira é fassista.

O contraditório nas caixinhas apareceu para rebater, falando na mortalidade infantil e analfabetismo e em toda a panóplia apalermada porque não têm um único exemplo da dita corrupção enunciada pelo Paulo Morais.

É surrealista, esta falta de lógico e tanto histerismo com a parvoeira.

zazie disse...

lógica.

Há-de ser uma treta mais básica.

Aposto que o problema é o Paulo Morais ser morcão.

Só pode. O bairrismo é assim, uma pancada que ataca os melhores.

mujahedin مجاهدين disse...

Eu percebi o que a Zazie queria dizer.

Eu estava a escrever sobretudo para o hajapachorra (mas também para quem vem ler, porque nunca é demais repor a verdade), por dizer que foi nos últimos quinze anos que se deu o maior salto.

Mas não foi. Isso foi mito que se criou. Os números lá estão, para provar o contrário.

Quanto à corrupção, não posso dar opinião porque não sei. O que sei é que o José põe documentos, os mirzas deste mundo põem... poias.

Zephyrus disse...

O saneamento e a água canalizada são dois problemas complicados. A população está muito dispersa por aldeias e montes, e parte substancial do território não é plana. Nas serras escassos milhares de almas distribuem-se por dezenas de aldeias e casais.

Zephyrus disse...

Mesmo assim o Estado Novo encheu as serras de escolas primárias, em locais onde nem havia pontes ou estradas asfaltadas.

Zephyrus disse...

É que o atraso é muito anterior ao Estado Novo e isso os xuxas não referem. Já nos guias da Grand Tour, do século XVIII, se dizia que para lá de Lisboa não havia boas vias de comunicação, ao contrário do que sucedia em França ou no norte da península itálica. Era complicado chegar rápido e em segurança a Évora ou Coimbra.

Zephyrus disse...

O analfabetismo foi um problema que nem a Monarquia nem a Primeira República conseguiu resolver. No final da Monarquia Constitucional sugeriu-se que os pais que retirassem os filhos da escola antes destes saberem ler e escrever fosse punidos. A lei não foi aprovado por «ferir os brandos costumes portugueses».

Zephyrus disse...

*conseguiram

Zephyrus disse...

E as bases do SNS foram lançadas por Marcelo Caetano.

Ah.

Outra que os jacobinos escondem.

Havia melhor urbanismo e Ordenamento com Salazar.

Zephyrus disse...

Em democracia nunca tiveram coragem de aprovar uma lei dos solos. Em parte, por causa disso, estamos falidos. É que boa parte da dívida privada está no betão.

josé disse...

Amanhã há mais Caetano, antigo, bem antigo.

hajapachorra disse...

É verdade, quanto mais se aproxima do zero mais difícil é diminuir. Precisamente por isso é que digo e repito que foi nos últimos 15 (corrijo para 20) anos que o maior salto se deu. Porquê? Porque, apesar de ser muito mais difícil reduzir, a mortalidade perinatal e neonatal foi reduzida três vezes entre 1990 e 2010. Já sabia que assim era porque tenho contacto diário com maternidades e obstetras, mas faço-lhe a vontade, muhjadoin, está aqui no pordata http://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+mortalidade+perinatal+e+neonatal-529

hajapachorra disse...

O que eu comecei por dizer que é que há coisas que não podem ser comparadas. Não se pode comparar uma sociedade estratificada, hierarquizada, sob um regime autorirário, com uma sociedade onde, apesar de tudo, há alguma mobilidade social e liberdades na política e na economia. Comparar com a América Latina também é despropositado. Porquê? Porque para haver corrupção é preciso que não haja autoridade do estado, é preciso que haja riqueza. No Portugal salazarista, autoritário e pobre, NÃO havia razão para haver corrupção criminal, cada macaco estava no seu galho. A grande corrupção era estrutural, do sistema que mantinha um país na miséria. Sei do que falo. No meu tempo da escola primária a grande maioria dos miúdos da escola primária andava sem sapatos. Éramos um país descalço, com Caetano um país melhor, mas de emigrantes, como agora estamos outra vez a ser. Quem cresceu em Lisboa não sabe o que era a miséria. Mesmo assim, até os nosso ricos eram pobres e por isso não houve coronéis, como antes nunca houve nobreza que afrontasse o Estado. A questão do analfabetismo não tem que ver com o Estado Novo nem com a República, tem que ver com Pombal e a expulsão dos Jesuítas. De um momento para o outro foi riscada do mapa uma rede apertada de escolas excelentes que cobria todos o país no continente nas ilhas e nas colónias. Ficámos um país de analfabetos, evidentemente.

josé disse...

A sociedade de 1973 era uma " sociedade estratificada, hierarquizada, sob um regime autorirário" ?

Se assim pensa, acho que está profundamente errado.

josé disse...

"A grande corrupção era estrutural, do sistema que mantinha um país na miséria."

Não era o sistema que mantinha o país na miséria. O país, nessa altura, crescia a taxas de 11% ao ano.

Imagine-se o que seria hoje...

A miséria vinha do tempo antigo, da balbúrdia da I República. E levou décadas a erradicar, de tal modo que seria mais rápida essa erradicação se não tivesse ocorrido o 25 de Abril do modo como ocorreu, com a Esquerda a tomar conta disto.

josé disse...

Como já aqui foi dito, os planos de fomento ( keynesianismo puro) funcionaram melhor que agora, com a corrupção das empresas de obras públicas.

É essa a questão que quero realçar.

josé disse...

Não havia borras botas tipo jorge coelho a tomar conta do aparelho partidário e a fazer as negociatas com os capitalistas do betão, indo depois trabalhar para eles.

josé disse...

E tais coisas são absolutamente comparáveis.

hajapachorra disse...

Moçambique tem crescido a taxas ainda mais elevadas e é um país miserável.

Rui disse...


o ballet rose não envolveu também corrupção?

qual foi o desfecho desse caso?

josé disse...

Claro. Moçambique é um país com quantos séculos? E está em que continente? O Malawai é capaz de ser mais rico...

josé disse...

Rui:

Sabe o que foi o Ballet Rose?

Pode ler aqui, a versão em do protagonista do caso.

Serve para desfazer dúvidas sobre certas coisas.

hajapachorra disse...

Portugal começou lentamente a sair da miséria no final dos anos sessenta e por isso, e por causa da guerra que foi factor de desenvolvimento (foi sim), o regime caiu. Com o progresso económico, que quando se parte de baixo se faz a taxas altíssimas, nenhuma ditadura se aguenta, a menos que seja uma ditadura comunista. Entre 45 e 65 tivemos duas décadas perdidas. Muitos apoiantes do regime sabiam isso e tentaram mudar alguma coisa com Marcello.

josé disse...

"Entre 45 e 65 tivemos duas décadas perdidas."

Todas as escolas públicas, todos os edifícios públicos, todos os organismos públicos, todas as universidades, todos os caminhos de ferro, todas as pontes, todas as realizações legislativos, todo o acervo cultural, todo a estrutura de um Estado que este nunca foi, aconteceu dessas duas décadas...aqui e no Ultramar. Uma boa parte dos edifícios públicos do Ultramar ainda lá estão.

naoseiquenome usar disse...

"mais de 20 mil abortos por ano."

Quais eram os números da mortalidade infantil, antes deste progresso?
Que relação tem uma coisa a ver com a outra?

Zephyrus disse...

Caro José,

algo que me fez sempre confusão foi a saída de jovens da Casa Pia para os EUA. O Pedro Namora diz que nunca mais voltaram. Parece que foram para a América para serem submetidos a experiências de Medicina Dentária.

lusitânea disse...

As escolas "fassistas" ainda aí estão a durar.Os democratas já as construíram(tipo abarracado) e já as deitaram abaixo.É tudo efémero...como vão ser as "conquistas de Abril", porque não estão assentes em nada...

Zephyrus disse...

Os jornalistas não investigaram, que se saiba. Nomes dos jovens? Voltaram ou não? Quem era o Americano que andava a violar rapazes? Quem autorizou a sua saída do país?

Zephyrus disse...

Diz-se que foram participar em experência de Medicina Dentária. Quais experiências?

lusitânea disse...

Os democratas entregaram tudo o que tinha preto e não era nosso, com expulsões em massa e confiscos mas agora dividem com um milhão que anda já por aí.É colonização da boa...porque os pobres dividem com outros pobres e se mantém até ao infinito o "temos que receber menos para outros receberem mais" que é o que já andam a praticar há mais de uma dezena de anos.E quem é que se tem lixado quem é?as classes médias.A caminho do bairro social multicultural onde terão que participar na feitura do Homem Novo e mulato a grande obra internacionalista dos traidores...

Zephyrus disse...

Estas foram mais recentes:

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=51221

Isto é nojento e viola códigos éticos que devem ser tidos em conta quanto se elaboram estudos desta natureza.

Mas o Pedro Namora fala em crianças que abandonaram o país nos anos 80.

hajapachorra disse...

Não, José, esses edifícios foram as auto-estradas de Salazar e nesse ponto, sim, o regime teve laivos de fascista. O que Salazar fez à alta de Coimbra foi um crime de lesa-pátria. E não é verdade: a maioria das repartições públicas, dos tribunais, das câmaras, dos quartéis, das esquadras, das instituições, a começar pela Assembleia Nacional, continuou a funcionar nos conventos e mosteiros roubados à Igreja. O Estado Novo foi muito bom em propaganda, tão bom que até tornou aceitável a porcaria do regime republicano. O modo como o salazarismo continuou a mitificação do marquês mostra bem a sua natureza.

zazie disse...

Experiências de medicina dentária?

Para não morderem?

eheheheh

Cada coisa mais louca

":O))))))))))

hajapachorra disse...

José, estava a falar da sociedade portuguesa durante o Estado Novo, não em 1973; obviamente de 69 a 73 a sociedade mudou muito, tinha havido o Vaticano II, porra, mudou o que era mais importante na vida da maioria dos portugueses. Havia a guerra e o desenvolvimento do Ultramar, feito depois das tais duas décadas perdidas. Houve o Maio 68 e a nova cultura juvenil. Em 1973 o país era outro e por tudo isso deu-se o 25 A.

Mentat disse...

"Havia melhor urbanismo e Ordenamento com Salazar."

Nem está em causa se era melhor nem pior!
Existia!
Quem souber um nadinha de matemática sabe que dividir por zero é igual a infinito.
O que daria para dizer que o urbanismo e o ordenamento do território do Estado Novo é infinitamente melhor do que o inexistente actual.
Actualmente isso é coisa de muito papel, burrocracia, corrupção, PDM, PGU, RAN REN, Parques, etc. e o resultado é termos um "urbanismo" e uma "ordenação" tipo 3ºmundo mas do mais rasca.
A CRIL e a CREL foram estudadas e previstas nos planos de fomento.
Os abortos que são hoje devem-se à grande conquista da "liberdade" autárquica.
O aborto criminoso da EN 125 é outro resultado disso.
Tivesse sido cumprido a lei e aquela estrada não seria o que é hoje.
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Mentat disse...

“Moçambique tem crescido a taxas ainda mais elevadas e é um país miserável.”

Moçambique não tem nada de miserável.
A sua desgraça proveio da Guerra Civil em que se envolveram, quando os Portugueses cometeram a traição histórica de os abandonaram na mão de corruptos e arrivistas.
O actual desenvolvimento de Moçambique mais não é do que a concretização actualizada do Plano de Ordenamento e Desenvolvimento do Vale do Zambeze, deixado pelos Portugueses.
Aliás refira-se que os Portugueses foram os primeiros que em África criaram um parque de proteção ambiental, a Gorongosa.
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Mentat disse...

Caro José

Claro que havia corrupção no Estado Novo.
Mas que se saiba, ou que alguma vez tivesse sido provado, nunca aconteceu ao nível superior do Estado.
Agora, desde o contínuo dum ministério até um qualquer diretor-geral, claro que houve.
Mas por vezes eram apanhados e davam com os costados em Peniche.
E o meu Pai, que vai fazer 90 anos, já me contou por diversas dum caso, num organismo qualquer parecido com a ASAE de hoje, em que PJ não descansou enquanto não o pôs mesmo (o diretor-geral) em Peniche.
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Mentat disse...

"A sociedade de 1973 era uma " sociedade estratificada, hierarquizada, sob um regime autorirário"

Essa “sociedade” foi aquela em que eu, um filho dum Pai com a 3º classe e duma Mãe que tirou a 4ª classe depois de mim, consegui licenciar-me no Técnico.
A actual sociedade, é aquela em que só os filhos dos ricos, (ou de quem se empenhe até ao osso, como é o meu caso), é que conseguem que os filhos tenham uma educação com algum sucesso.
Bardamerda para esta sociedade “democrática”.
O Regime, assumidamente autoritário, de 73, não incomodava nem atrapalhava os desejos de ascensão social do Povo.
Mais estratificado do que o actual regime é difícil de conceber.
Agora é que quem não for rico ou engraxador e lambe-cus não se safa mesmo.
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josé disse...

A conclusão inevitável e implacável é que o regime de Caetano e mesmo o de Salazar era mais próximo da justiça social que este que agora temos.

Paradoxal? Nada disso: valores diferentes e coerentes.

josé disse...

A minha mãe contou-me no outro dia uma coisa formidável: na minha aldeia havia uma vizinha que nada tinha. Nem subsídios porque não os havia; nem ajudas de familiares que não os tinha; nem capacidade de trabalhar porque era idosa.

Era sustentada pela aldeia, a meias. Um mês, uma parte da aldeia e outro mês, a outra parte. E toda a gente colaborava com pouco. E isso era norma moral nessa altura.

Hoje, as pessoas morrem em casa, sozinhas e às vezes dão por elas passados anos. Este ano aconteceu isso por diversas vezes.

É comparar o sistema de valores em humanismo. O jacobinismo anda por aí a proclamar um humanismo tosco e balofo e faz as leis de acordo.

JC disse...

Quem diz mal do Estado Novo - e quase todos dizem - fazem-no por um de dois motivos apenas: ignorânica ou má-fé.

Quem pegar num qualquer compêndio da História de Portugal ou ler algum romance histórico, fica a saber o que foi a monarquia constitucional, o período final da monarquia e a 1ª República.

Fica a saber o clima de guerra civil que se viveu nos finais dos anos 1800 e principios de 1900, onde se mataram reis e presidentes da república (Sidónio Pais foi assassinado, para quem não saiba).

Fica a perceber o atraso "colossal" em que Portugal se encontrava e o estado de bancarrota a que chegou.

Foi nesse cenário que surgiu Salazar e o Estado Novo, que pegou num País totalmente devastado, atrasado, falido e o transformou naquilo que neste blogue se tem vindo a tentar explicar.

Um País que no início da década de 70 do século XX, por ocasião do marcelismo, era dos que mais cresciam economicamente a nível Mundial.

Quando estes Paulos Morais vêm falar de cátedra sobre a corrupção no Estado Novo, a única coisa com que me preocupo é tentar perceber se é dos que são ignorantes ou dos que estão de má-fé.

Zephyrus disse...

Por falar em ascensão social, em democracia criou-se um sistema perverso que limita o acesso às universidades por parte dos alunos da escola pública. Isso é bem notório em Medicina.

Os alunos de certos colégios privados conseguem obter médias mais elevadas que os alunos da escola pública. Foi feito um estudo, aqui na UP, que prova isto das diferenças de médias. Sucede que esses colégios têm professores mais generosos, que podem dar um 20 no final do ano lectivo a um aluno com média de testes 16. Por sua vez, na escola pública, pelo menos há uns anos, havia professores que se recusavam a dar mais de 18, a alunos com média de testes superior a 18.5; ou que davam 17 a alunos com média de testes 18, devido a um relatório menos bom ou à pouca «participação» na aula.

Há quem compre casa no Porto, ou arrende, para os filhos estudarem no colégio R..., e assim entrarem em Medicina.

E agora perguntam? E os exames nacionais? Bem, essa parte é resolvida pelos explicadores. Conheci em tempos uma filha de um deputado do PSD que chegou a gastar mais de 1000 euros num mês em explicações, para conseguir entrar em Medicina. Só entrou porque nesse ano pediam apenas uma específica na Covilhã. E tinha 17.5 de média do Externato R...

A média de Secundário vale 50%. Fica assim difícil para os alunos do ensino público a entrada em alguns cursos. Parece que nos tempos de Marcelo Caetano o ingresso era mais justo...

Zephyrus disse...

E isto é um mecanismo que limita a ascensão social. Pois quem tem mais dinheiro coloca os filhos em explicadores e em certos colégios. E tem a vida muito facilitada no acesso ao Superior.

Essa dos explicadores é algo que me faz confusão.

Eu sei por que paguei no 12.º ano. Os professores não terminaram o programa, aliás a professora de Matemática nem leccionou metade. Contaram-me que nos tempos de Marcelo Caetano, quando surgiu nos exames algum tema não leccionado, o aluno tinha direito a não responder; posteriormente, o Ministério consultava o livro do ponto para confirmar.

Zephyrus disse...

*surgia

mujahedin مجاهدين disse...

hajapachorra,

V. exagera.

Antes de mais, a mortalidade infantil. É como diz, de facto. Desceu assim.
Mas se é mais difícil quanto mais perto do zero está, não esqueça que dantes não havia auto-estradas, helicópteros, e tecnologia que há hoje em dia de incubadoras e por aí fora.
Mas seja lá como for, a tendência vem de antes de há dez ou vinte anos. Vem pelo menos de há cinquenta. Não me parece correcto dizer que o grande salto foi desde há vinte anos, como se antes disso não se fizesse nada. E o Pordata nem mostra para lá de sessentas...

Não, José, esses edifícios foram as auto-estradas de Salazar e nesse ponto, sim, o regime teve laivos de fascista. O que Salazar fez à alta de Coimbra foi um crime de lesa-pátria.

Então o Hospital de S. Maria, o de S. João, as barragens (feitas e projectadas), as pontes sobre o Tejo, o metro de Lisboa, o aeroporto da Portela, o porto de Sines, nada disso conta? É tudo propaganda?

Sabe o que lhe digo? Se calhar na altura as pessoas davam-se melhor conta da miséria porque a tinham que ver e passavam por ela na rua. Hoje como vêm o mundo pela televisão, conhecem o que a televisão mostra. E a televisão mostra um país que não existe. Continua a haver miséria, e agora vai aumentar e muito. Não me espantaria nada se a regressão fosse para uma coisa semelhante aos tempos do 28 de Maio. Quando a UE colapsar e tivermos que ajustar a despesa a sério, veremos o que nos espera.

Como diz o Mentat, agora a mobilidade social também é anedota. Talvez por jogador da bola, ou a fazer habilidades de circo num qualquer programa de talentos ou, evidentemente, as jotas - esse modelo de elevador social: entra-se bêbedo e drogado e sai-se deputado.

Acredito que lhe não agrade o regime anterior - a mim se calhar também me não agradaria. Mas penso que comete um erro ao ajuizar assim sobre ele: vê-o com os olhos com que o via na altura. E faz o mesmo com este, vê-o com os olhos com que viu o 25 de Abril e o que esperançosamente pensava daí vir.
Mas não pode ser. Tem de o ver com os olhos de hoje. E tem de o comparar objectivamente com o de hoje e vice-versa.

Diga-me a mim o que foi que se ganhou? Na práctica, objectivamente, que foi que se ganhou? Que foi que ganhei eu concretamente? Liberdade? Liberdade é poder forjar o nosso próprio destino ao lado da família e de quem se ama, não é dizer quaisquer boçalidades seja a quem fôr. E mesmo essa liberdade hoje não existe e existirá cada vez menos: os racismos, as anti-discriminações,etc encarregam e encarregar-se-ão de limitar a expressão mais eficazmente do que qualquer Exame Prévio.

Do ponto de vista material a coisa é cada vez pior. Do ponto de vista moral, enfim, é o descalabro. De modo que não sei o que há assim de tão superior neste regime em relação ao outro.
Tanto quanto se me dá a compreender, concluo que a democracia abrileira foi um falhanço do qual sofreremos e pagaremos graves e pesadas consequências, como começa a acontecer. E, do ponto de vista objectivo, do interesse comum e até particular da maioria das pessoas, o anterior regime de Caetano era muitíssimo superior.





Zephyrus disse...

Num dos colégios do Porto até dão o enunciado dos testes com antecedência. Sei porque resolvi testes de Francês para um conhecido levar em cábulas.

Um terço a metade dos alunos de algumas faculdades de Medicina não estariam lá se tivessem estudado na escola pública ou ingressado apenas através de exames de acesso ao Superior.

zazie disse...

Essa da sociedade hierarquizada e estratificada nem parece do Hajapachorra.

Na volta é muito mais novito e não sabe o que diz.

Não se pode ser genial em tudo

ahahahahhah

zazie disse...

Conheci vários casos como o que o José relatou.

Aldeias a cuidarem de famílias inteiras de mulheres solteiras.

Zephyrus disse...

Por falar em Urbanismo. Há tempos ouvi um professor de Coimbra, a falar sobre o tema. Disse que o Ordenamento em Portugal morreu no final dos anos 60. Não me recordo o ano, 1968 ou 1969. Antes do 25 de Abril Marcelo Caetano já teria percebido o erro, com o surgimento do mamarracho e o crescimento urbano da Margem Sul. O Professor Marcelo queria voltar ao modelo anterior, mas entretanto já não houve tempo porque o Regime caiu.

Com Salazar as cidades cresciam de forma ordenada. Era o Governo que abria as ruas e avenidas. As cidades tinham limites bem definidos e não havia zonas degradadas ou espaços desaproveitados. As fotos da época comprovam. E os edifícios tinham uma elevada qualidade estética. E os centros turísticos da época, como a Praia da Rocha ou Monte Gordo, criados em Lisboa pelo Regime, não estavam infestados de mamarrachos e de betão. Mais uma vez, as fotos da época comprovam.

No entanto o Regime cometeu alguns erros. O maior de todos foi a demolição da Alta de Coimbra. Os edifícios poderiam ter ficado na zona do Solum. Contaram-me em tempos que foi teimosia de alguns membros do Regime: a universidade deveria ficar junto da actual Faculdade de Direito e nunca no outro lado do rio ou no Solum. Também se demoliram alguns edifícios no centro histórico do Porto que não deveriam ter tido tal sorte.

Até hoje, nenhum governo teve coragem de aprovar uma lei dos solos.

josé disse...

A Alta de Coimbra era aproveitável? Ou antes: como era a Alta de Coimbra, antes das faculdades ( Medicina, Letras, Matemáticas, Químicas, Biblioteca Geral, etc.) serem construídas?

Confesso que não sei e o que sei e vejo por lá algumas vezes, junto ao CADC são muralhas muito antigas ( prè-medievais, algumas) misturadas com outras que se lhe sobrepuseram.

Por isso, a opção de demolir tudo para fazer o que lá está não sei se foi boa ou má ideia.

Porém, julgo que as pessoas da época terão sopesado os prós e os contras, porque não é como hoje, por mero interesse espúrio.

JC disse...

Zephyrus, não refuto a ideia que transmitiu, de que há notas inflacionadas em colégios privados.
Não conheço casos em que tal aconteça mas também não posso garantir que nãos os haja, como é óbvio.

O que sei é de casos em que os alunos dos colégios privados têm notas muito elevadas a educação fisica para poderem assim melhorar um pouco a média.

Isso sim, sei que acontece.

De qualquer modo, não se esqueça o seguinte: estes alunos do privado -e refiro-me ao caso concreto dos que seguem para Medicina - são sujeitos aos mesmos exames nacionais que os alunos do público, e tiram notas muito elevadas também nesses exames.

O que significa que são, efectivamente, bons alunos.

E o peso das notas dos exames nacionais na média final com que o aluno concorre à Universidade é muito elevado, muito superior ao peso das restantes notas.

Por isso, tenho muitas dúvidas sobre essa percentagem de 1/3 de alunos que nem estariam em Medicina se tivessem andado no público ou se tivessem feito apenas os exames nacionais.

Questão diferente é se os aluos no privado são melhor preparados que os do público para os exames de acesso à Universidade.
Aí tem toda a razão.
No privado, preparam melhor os alunos, que raramente precisam de explicadores.

Posso dizer-lhe que num colégio privado de Coimbra, para além do excelente acompanhamento que é feito ao longo do ano, com aulas suplementares, os professores, terminado o período normal das aulas, dão aulas extra de preparação para os exames.

Zephyrus disse...

José, há uns anos vi fotos da época. Eram da colecção do actual responsável pelo Museu da Misericórdia de Coimbra. Havia monumentos e edifícios com elevador valor histórico e estético que não mereciam a demolição.

Zephyrus disse...

Caro JC, no caso específico do ingresso em Medicina algumas décimas faz toda a diferença. São efectivamente bons alunos mas saem com médias de Secundário superiores a 190.

No ano que ingressei em Medicina vinha de uma escola pública com média de 180. Tive 195 nas específicas e fui um dos últimos colocados na minha faculdade. Era o segundo ou terceiro melhor em termos de notas de exames mas dos piores em termos de média de Secundário. Os meus colegas que vinham do Ribadouro tinham notas de exames bem mais baixas mas médias de Secundário elevadíssimas, em torno de 190. Quem quiser algum dia estudar o tema verá facilmente que digo a verdade.

Em Coimbra havia uma excelente escola, a Infanta Dona Maria, e no meu tempo os melhores alunos não costumavam ficar com mais de 18.5 de média interna. Mas tinham excelentes notas no exames.

O grau de exigência nem é muito elevado em alguns colégios de renome. Eu fazia os testes do Ribadouro e do D. Duarte e achava-os muito mais fáceis que os testes da escola pública.

Tinha colegas e amigos que frequentavam alguns colégios do Porto e era comum terminarem o ano com 19 ou 20, tendo média de testes 16 ou 17. Na escola pública isto é quase impossível. Por isso digo que um terço ou metade dos que estão em Medicina não teriam ingressado com outras regras.

Zephyrus disse...

E acrescento que isto é tudo legal. As escolas têm liberdade para definir os critérios de avaliação dos alunos.

No ano em que ingressei a diferença média entre a média interna e a nota de exames, dos alunos do Ribadouro, foi de 4 valores. Entretanto parece que as coisas mudaram um pouco e a diferença foi reduzida. Mas mesmo assim toda a gente no Porto sabe que é mais fácil ingressar no Superior estudando no colégio A ou B por causa da questão da média interna, que como referi vale 50% da nota.

hajapachorra disse...

Não, José, foi por mero interesse espúrio, ideológico, porque havia outras soluções. Foram demolidos três colégios universitários dos sécs XVI-XVIII, a Igreja de S. Pedro, alguns arcos do aqueduto quinhentista, a torre de menagem do castelo, e 250 prédios, em nome do progresso 'higienista' e do apego ao sítio, da tradição, um contradição nos termos. Mas não foi só na alta, na rua da Sofia e noutros pontos da cidade que é que aconteceu aos colégios? foram ocupados pelo estado para sem tribunal, hospital, governo civil e o raio que os partisse. Coimbra hoje podia ser uma das mais belas cidades universitárias do mundo, quase como Oxford, infelizmente na alta tirando o paço das escolas e os restos desfigurados dos Colégios de Jesus, S. Jerónimo e das Artes foi tudo arrasado.

hajapachorra disse...

Para uma informação mais factual http://gavetacomsaber.blogspot.pt/2007/10/quem-passa-pela-rua-da-sofia-em-coimbra.html
para uma visão mais conhecedora e interpretativa há um bom livro de Nuno Rosmaninho, que escapa, creio, ao jacobinismo maçónico do orientador, O poder da arte. Pode ser lido em parte no google http://books.google.pt/books?id=p1YkEvoHJiwC&printsec=frontcover&hl=pt-PT&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

Rui disse...

José,
efetivamente não conhecia muito bem o caso daí ter perguntado. Obrigado pela recomendação do artigo que li com interesse.


Neste assunto acho que tem toda a razão, vive-se um clima de impunidade atualmente em que para um determinado grupo de pessoas não existem consequencias para os seus atos a nível da justiça. Pelo que ouço dos meus pais a nível dos funcionarios publicos uma medida moralizadora era o fato de existir um efetivo risco de despedimento para alguem que fosse condenado em corrupção/burlas/negligencia/favorecimento.


Eu não sei exatamente porque mecanismos se consegue sempre bloquear a efetiva concretização dos processos, mas o José certamente conseguirá explicar melhor que eu. Da minha parte a impressão que tenho é sempre de uma relativa falta de "iniciativa"
do MP. Mas obviamente que falando de fora é sempre dificil apontar as causas.


Eu não vi as declarações do Paulo Morais, mas não será excessivamente duro classificá-lo de profissional da contestação? é que efetivamente esta nossa tolerância e falta de preocupação por este tipo de fenomeno é um grande problema. "crucificá-lo" só porque diz que a corrupção vem do estado novo não é excessivo? também se poderia culpar a existência de corrupção no estado novo por ela estar disseminada na 1ª republica...

Sinceramente com motivações mais ou menos sérias penso que o papel mediatico de pessoas como o Dr Paulo Morais e o José Gomes Ferreira é muito importante e acho que fazem falta mais "profissionais" da contestação desta cepa.








zazie disse...

É verdade, a destruição desses edifícios de Coimbra é incompreensível.

Tanto mais que se deve a Salazar a excelente recuperação do património medieval.

Sem a DGEMN não havia românico que sobrevivesse, nem muito do gótico.

Vivendi disse...

Os demagogos muito gostam de culpar o estado novo por tudo e por nada na tentativa de ir credibilizando a democracia feito à sua medida.

Fazem cagada sobre a cagada mas a culpa deve ser sempre imposta ao passado ou em alternativa servem os mercados ou os alemães mas os democratas são todos bestiais.

Os portugueses foram muito bem formatados pela engenharia social da esquerdalha em não conseguirem vislumbrar nada de positivo no estado novo.

Do estilo...

A realidade:

Havia escolas primarias espalhadas pelo país inclusive em cada aldeia de Portugal para ir tirando o povo do analfabetismo

A mentira:

Pouca gente naquela época tinha canudo universitário logo o estado novo era inimigo do ensino.

A desmontagem:

Qualquer mudança estrutural demora décadas a transformar uma sociedade.

Na área do ensino, ainda hoje o ensino deveria estar mais focado no ensino técnico do que no universitário.

O ensino técnico apareceu no estado novo mas foi desprezado pela democracia em troca de canudos formatados para as massas. O ensino técnico na Alemanha é considerado como uma das chaves principais para o sucesso da economia alemã.

Poderia ficar aqui a tarde toda a dar mais exemplos da falsa estratégia da esquerda.

Para terminar, atualmente os avanços e melhorias que se verificam no bem estar das populações devem-se mais ao capitalismo do que a qualquer política de esquerda. Pois foi o capitalismo quem trouxe mais inovação e tecnologia a cada vez mais pessoas e a custos cada vez mais reduzidos.

Tudo restos são falácias cheias de vaselina socialista que alguns gostam de enfiar pelo cu acima.

Vivendi disse...

A recuperação do património medieval foi mais uma dos sucessos imemoráveis do melhor governante que Portugal já teve.

Vivendi disse...

Tem dois blogues muito bons para quem quiser acompanhar como era Portugal no passado:

http://restosdecoleccao.blogspot.com

http://monumentosdesaparecidos.blogspot.com

Zephyrus disse...

O Estado Novo cometeu o erro da demolição da Alta de Coimbra. Mas este Regime tem sido... muito, muito pior. Lisboa está a saque com a dupla António Costa-BES. Nos últimos anos foram demolidos vários edifícios fáceis de restaurar com elevadíssimo valor estético. Tudo para construir mamarrachos com garagem.

Já agora, a construcção do Metro de Coimbra previa a demolição da Baixinha para fazer uns metros de linha. Creio que ainda demoliram alguma coisa há uns anos.

No Algarve o actual Regime destruiu a bela vila cubista de Olhão e parte da cidade de Faro, incluindo um belo edifício joanino.

No Porto o mamarracho do centro histórico é um bicho comum que infestou a cidade a partir de meados dos anos 70.

Zephyrus disse...

A famosa casa do familiar do Picasso em Cacela Velha foi construída em cima de dois grandes fornos romanos. Vi as fotografias dos fornos antes das obras. Pior, a mansão está em área protegida. O caso andou mais de 15 anos em tribunais, perderam o caso mas nunca houve demolição, e a moradia acabou por ser terminada. Foi um caso que deu polémica nos anos 90.

Bem perto, na praia da Manta Rota, com o PS na câmara de Vila Real de Santo António, foi destruída parte de uma vila romana. Também vi as fotos dos destroços dos mosaicos e do forno romano. Vila romana de grandes dimensões, identifica por Estácio da Veiga e Leite de Vasconcelos. Hoje no local da vila estão mamarrachos.

Na Primeira República desapareceram muitos monumentos! Estácio da Veiga identificou perto dessa praia da Manta Rota dois monumentos funerários pré-romanos, classificados como Monumento Nacional, que desapareceram na Primeira República. Creio que foi também na Primeira República que desapareceu boa parte da cidade romana de Balsa, no sítio da Torre de Ares.

Com a complacência das autarquias, nos últimos 30 anos, destruiu-se muito património desnecessariamente.

hajapachorra disse...

A destruir sempre fomos bons e continuamos. Nem vou maçar-vos com listas de destruicoes e abandonos. Dou só um exemplo, o maior mosteiro cisterciense depois de Alcobaça acabou nas mãos de um torna-viagem que dele fez fábrica de descaque de arroz, não encontrando sítio melhor para os fornos do que a igreja. Mandou erguer uma parede no arco de cruzeiro e dali fez crescer para os céus uma valente chaminé de uns bons 70 metros. Morreu de morte macaca, o sucessor tambem, agora dizem que o mosteiro está assombrado. Está mesmo. Os caseiros perseguiram-me quando andei por lá a tirar umas chapas. Seiça, Lavos, Figueira da Foz.

hajapachorra disse...

Ah, o estado novo não fez nada para salvar este nem nenhum outro dos sécs. XVI-XVIII. Só lhe interessava o que fosse medieval e desatou a reconstruir em muitos casos a inventar, pura e simplesmente, como em Guimarães. Neste ponto os Loffs tem alguma razão, o modelo estava em Roma na maquina de escrever que Mussolini encostou ao Capitólio.

zazie disse...

As invenções não foram culpa do Salazar mas dos historiadores que fizeram asneira.

E nem foram assim tantas.

Os verdadeiros culpados foram sempre os jacobinos. Esses é que destruíram e pilharam.

O Estado Novo recuperou da forma como se sabia na altura.

Desde aí parece que abundam entendidos mas não se recupera rigorosamente nada.

zazie disse...

O que é que o IPPAR fez?

Serviu para mais alguma coisa que pura e simplesmente piratear e duplicar fichas da DGEMN.

Se calhar serviu- serviu para dar tachos.

Porque o que se inventou na democracia e que os Loffs tanto gostam- são pessoas de carne e osso transformadas em património.

O que mais há é bolsas para artistas e o resto é show off de espectáculo.

Património passou à História se não for pré-histórico.

E isso por causa da má fama do "nacionalismo" e propaganda das origens nas "trevas medievais".

zazie disse...

E a Igreja também pode limpar as mãos às paredes que até mete dó a facilidade com despacham igrejas para festança camarária.

zazie disse...

Nas Ilhas sim; aí ainda há povo católico e muito zeloso das suas igrejinhas.

Por cá só no Norte. Os alentejanos são ateus e comunas e estão-se pouco lixando.

zazie disse...

Eu até sei o que os entendidos de agora fazem- fazem projectos para pousadas e estalagens.

Foi essa a evolução. Castelo que lhes chegue à mão é logo para turismo.

zazie disse...

Mas o lobbie dos dinossauros está bem e recomenda-se.

E a da mourama também. Destroem-se vestígios medievais católicos para se inventarem povoações mouras.

Zephyrus disse...

Perto da casa de férias de uns amigos da família, na aldeia de Santa Rita, perto de Tavira, havia uma das maiores barragens romanas em Portugal. O terreno foi vendido a um novo-rico que tratou de demolir a barragem, apesar dos prostestos de um grupo de arqueólogos. A Câmara não fez nada, até porque a barragem estava dentro de um ribeiro e aí, creio, poderia ter evitado o desastre. O novo-rico aproveitou as pedras da barragem para construir uma nora! Isto sucedeu em 2000.

Zephyrus disse...

Mas as maiores destruições ocorreram com o liberalismo, no século XIX. O património dos conventos ficou todo a saque. Penso que o único que conserva a totalidade do seu acervo é o de Arouca.

zazie disse...

Com as invasões francesas e com a trampa liberal/jacobina.

Vivendi disse...

Jacobinos sempre prontos para destruir a tradição e impor uma nova moral até ao cu, os portugueses com essa gentalha ficaram falidos como nunca mas agora andam com o cu cheio de direitos adquiridos.

Que bonito é!

hajapachorra disse...

É verdade que a Igreja pode limpar as mãos à parede com alguns descasos criminosos e o mal é velho vem desde o séc. XVIII. Mas obviamente nada que se compare à destruição total do património das ordens religiosas, das igrejas, das casas conventuais, do recheio, das livrarias. Arouca safou-se em parte porque era mosteiro feminino e estava no centro de terra cristã, tudo o mais foi roubado, vendido a preço da uva mijona (a transmissão dessas propriedades dava muito pano para mangas). Em todo o caso convém não esquecer que, tirando os mosteiros e conventos convertidos em pousadas (também no Norte, zazie, Santa Maria de Bouro, Santa Marinha da Costa são de holandeses e ingleses agora que ninguém agora mais lá pode entrar a menos que seja rico), convém não esquecer que o Estado nada fez, nem no estado novo nem em democracia, para preservar por exemplo, aí vai uma pequena lista que está muito longe de ser representativa, os mosteiros de: Fiães, Pitões das Júnias, Rendufe, Sande, Lafões, Maceira-Dão, Tarouca, Salzedas, Lavos, Cós, Santa Clara a Nova, etc........... S. Vicente de Lafões, a Cartuxa e mais alguns msoteiros foram recuperados por particulares. O única caso razoavelmente bem sucedido que conheço de conservação por parte do Estado é Tibães.