Páginas

sábado, 25 de maio de 2013

Marcello Caetano por Vasco Pulido Valente na K de 1990- parte 2

E para complemento, dois artigos de antigos ministros de Marcello Caetano publicados no Diário de Notícias de 17 de Agosto de 2006 por ocasião do 100º aniversário de Marcello Caetano, o qual mereceu muito menos destaque público do que o dado actualmente a Álvaro Cunhal, esse farol do comunismo internacionalista e que foi um dos causadores principais da nossa actual desgraça.
Os autores - Adriano Moreira e Veiga Simão- evidentemente não fazem o paralelo do tempo presente, mesmo o de 2006, com o do passado em que foram ministros. Não fazem mas devem lá ter na consciência o peso do mesmo e da pouca-vergonha com que pactuaram estes anos todos de regime em que se inseriram como se nada fosse, aproveitando as novas benesses, porque afinal de contas " as lágrimas de Portugal" não os afectam nada.
O Adriano Moreira ainda tem a distinta lata de escrever sobre" a faculdade  ter manifestado o desejo do seu regresso à cátedra logo a seguir à Revolução de 1974" quando sabe perfeitamente como era o clima em Portugal, nessa época, relativamente ao antigo presidente do Conselho de Ministros. Sabe perfeitamente que  o mesmo era vilipendiado como "fascista", "fassista" e outros mimos que nunca o permitiriam pôr sequer o pé em Portugal, sem ser preso por factos que aliás o novo regime em que Cunhal e Soares eram ministros sem pasta, nunca conseguiu identificar em corpo de delito. Não conseguiram julgar nem um só dos responsáveis do antigo regime porque não descobriram crimes para tal...


ADITAMENTO em 28. 5. 13:

Sobre Marcello Caetano e Veiga Simão, vide estes documentos escritos, enviados pelo comentador mujahedin مجاهدين




 





25 comentários:

zazie disse...

Muito obrigada, José.

Serviço público.

lusitânea disse...

Agora é Portugal(isto é os mesmos de sempre) que chamam por África.Como se pode agora ver na Praça do Império...e tudo por nossa conta claro!Até nem houve descolonização do salve-se quem puder, com expulsões em massa e confisco de bens...
Mas dão boas votações nos primos...

Floribundus disse...

condenaram Ramiro a quem chamaram 'Valadrão'

sou tão velho que conheci veiga simão em Coimbra antes de aceitar a reitoria da universidade de Lourenço Marques. era considerado fascista de 1ª

simão e moreira deviam arder na mesma fogueira, mas, ao que dizem, conseguiram protecção: o 1º de militar da família, o 2º ...
cada um que recorde aquilo a que assistiu

zazie disse...

ahahahaha "sou tão velho que conheci..."

":O))))))))

Floribundus disse...

Coimbra, Fac Ciências, 53 ou 54.
o meu Amigo Carlinhos, mais tarde Irmão da Loja, pro de matemática falecido há uns 15 anos, circulava, após aula de física, por um corredor do lado poente.

viu jornais abandonados num banco. apanhou por curiosidade e verificou, com espanto que alguém que corria à sua frente abandonara um maço de 'avantes'. pensou entregá-los, mas foi apanhado com eles na mão. o prof que o viu com o maço debaixo do braço conseguiu que o meu Amigo passasse um valentíssimo mau bocado.

a certas denúncias chamavam 'ximãozices'

Vivendi disse...

O texto de VPV sobre a transição africana debruça-se muito sobre as causas nacionais quando o papel determinante foi da ordem internacional.

A guerra colonial foi também quem enfraqueceu as bases do regime.

A visão de Marcello era a visão correta e natural das coisas, Angola e Moçambique deveriam ser como o Brasil.

Aliás ainda hoje se teima na procura de tal desígnio depois do muito tempo perdido em guerras a mando do tio Sam e dos marxistas que só prejudicaram os portugueses e as populações de origem africana.


António Barreto disse...

Bem dito Vivendi. Isto está mesmo a pedir um trabalhito sobre Marcelo.

mujahedin مجاهدين disse...

Acho que esta parte do artigo está melhor. Continua sarapintado de cretinices, mas vê-se que o assunto é melhor dominado, o que não admira.

Mas há coisas que se não entendem, como dizia.

Na pág. 172, no começo da secção III diz-se assim:

Segundo uma versão assaz duvidosa, quando Tomás escolheu Marcello Caetano para Presidente do Conselho, em Setembro de 1968, as Forças Armadas só o aceitaram na condição de ele garantir a defesa do Ultramar.

Ora não se entende porque é tão duvidosa esta "versão", já que é a dada pelo próprio Caetano no seu Depoimento e, segundo este, foi o Almirante Thomaz quem lho disse directamente: se Caetano perdesse as eleições - interpretadas como a vontade do povo em relação à guerra - as FA interviriam.
Está no Depoimento. O parágrafo seguinte também se baseia no Depoimento.

VPV, devia dizer que aquela era a versão de Caetano e, se porventura a considerasse duvidosa, deveria dizer porquê. Não se percebe porque o não faz. É um exemplo de para quem é bacalhau basta, presumo eu. Mas, apesar disso, o bacalhau até não é mau sobretudo se comparado com o que nos é servido normalmente nos dias de hoje. Este tipo de artigos já nem deve existir.

Como ideia geral, retiro uma sensação que me deu ao ler as últimas palavras do artigo. A sensação de que Portugal não mudou verdadeiramente. Hoje - como na altura - há duas facções: os que querem mais Estado para viverem dele, e os que querem menos Estado para os não estorvar nas negociatas. Ambas procuram explorar as pessoas, desentendem-se apenas em relação ao meio de o fazer. Tanto Caetano como Salazar, cada um ao seu tempo e à sua maneira, procuraram gerir esse conflito e impedir que consumisse Portugal, orientando-lhe até as energias para algo produtivo.

Hoje foram-se os homens mas as facções continuam; desta vez sem quem lhes oponha com determinação os interesses do País.


PS: Este Veiga Simão há-de ser uma porcariazinha muito reles...

josé disse...

V chama-lhe porcariazinha e para mim, o Veiga Simão sempre me pareceu um beduinozinho, sem ofensa para a raça em geral. aqueles que aparecem nos filmes americanos, sempre ambíguos e dispostos a jogar em dois ou mais tabuleiros, conforme a feição que lhes interessa no momento.

Kaiser Soze disse...

Fui vencido por todos estes plugs ao Marcello Caetano.
Vou ver se apanho uma biografia hoje.

Flávio Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mujahedin مجاهدين disse...

Pois será mesmo isso, José.

A propósito disto lembrei-me que n'O 25 de Abril e o Ultramar, vem um apêndice com documentos. Entre eles está uma carta enviada por Veiga Simão ao Mundo Português acerca do que dele diz Caetano nas entrevistas desse jornal (publicadas no mesmo livro). Está lá também a resposta de Caetano.

Como me parecia interessante, digitalizei-as e aqui as têm os leitores do blog e o José que, evidentemente, poderá fazer com elas o que entender.
Isto são coisas que deviam ser do conhecimento e do domínio público.

Ei-las:

https://www.dropbox.com/s/yoz5w3sxesb8rlg/p1.png
https://www.dropbox.com/s/nlnvzhs7qn5h8ul/p2.png
https://www.dropbox.com/s/wn2trojiexotfbs/p3.png
https://www.dropbox.com/s/bkf51v18xgnsdh3/p4.png
https://www.dropbox.com/s/55v8pgklnd8r50p/p5.png
https://www.dropbox.com/s/bdmglcwx2dva2pl/p6.png
https://www.dropbox.com/s/zyilzvzkdcv5y16/p7.png
https://www.dropbox.com/s/5znzoiyh0nxn738/p8.png

atrida disse...

"Segundo uma versão assaz duvidosa, quando Tomás escolheu Marcello Caetano para Presidente do Conselho, em Setembro de 1968, as Forças Armadas só o aceitaram na condição de ele garantir a defesa do Ultramar." Franco Nogueira, no seu "Um político confessa-se" (título recentemente decalcado por esse pulha do Mário Soares) conta que, convidado pelo Almirante Thomaz a manter-se no cargo de MNE, expressou dúvidas quanto à intenção de Caetano de lutar pela defesa do Ultamar, ao que Thomaz retorquiu que nunca aceitaria para Presidente do Conselho uma pessoa que não lutasse intransigentemente pela defesa do Ultramar.

josé disse...

"Vou ver se apanho uma biografia hoje."

Sim, mas...de quem?

O melhor é ler o que o mesmo escreveu porque está lá tudo. E o que ele escreveu não se encontra publicado por aí, como se encontram os discursos de Mário Soares, Cunhal ou mesmo Sampaio.

josé disse...

Para mim, os melhores guias para perceber Marcello Caetano são os livros de propaganda da Secretaria de Estado da Informação e Turismo- Direcção Geral de Informação, intitulados Terceiro ano do Governo de Marcello Caetano ( 1971) e Quinto ano do Governo de Marcello Caetano (1973) porque é aí que aparecem todas as coordenadas do Governo em vários capítulos, na produção legislativa, nos discursos político, em diversas áreas como a organização política e administrativa, organização dos seviços, política social, acção cultural e educativa, saúde e assistência, obras públicas e comunicações, administração financeira e mercado de capitais, fomento económico, fomento ultramarino, forças armadas, cooperação internacional, etc etc ( são tudo capítulos de um dos livros).

Estes livros não se apanham em lado nenhum a não ser em alfarrabistas e bibliotecas particulares.

Ninguém em Portugal está interessado em mostrar o que era o "fassismo" de Caetano.

Pudera! A diferença com o que vemos hoje até dói.

josé disse...

Marcello Caetano de registar em volumo, todos os anos que governou, "os factos mais relevantes da actividade do seu Governo".

O terceiro volume, de 1971, tem um intróito em que se escreve:

"Toda a actividade de um governo se norteia, evidentemente, por certos princípios essenciais, com assento na Constituição Política, e a que cabe dar realização em cada momento."

josé disse...

O que entendo fazer com esses documentos é publicá-los aqui, logo que puder.

Vivendi disse...

Força José!

Unknown disse...

O melhor blog português, em lado nenhum se tem acesso a estas preciosidades com aqui.

Já agora, um pedido de informação ao José ou ao Muja: sabem onde se pode encontrar o "Um político confessa-se" do Franco Nogueira? Tenho andado a vasculhar alfarrabistas, mas sem sorte... livrarias então nem tento...
Obrigado

josé disse...

Tenho esse livro, com capa verde escura, editado em 1986 pela Civilização, do Porto.

É um diário de Franco Nogueira que abrange o período de 1960-1968 e tem um interesse relativo, para se poder perceber melhor o que foi o tal "fassismo" de Salazar.

Por mim tinha mais interesse em recuperar, do mesmo autor, a História de Portugal ( 1933-1974) editado em 1981.
Ando à procura em alfarrabistas e é aí que deve procurar também, se quiser, o Um político confessa-se.

josé disse...

E já tenho mais material do mesmo género para publicar. É uma questão de tempo.

mujahedin مجاهدين disse...

Unknown,

contacte estes, pode ser que o tenham:

http://www.bulhosa.pt/livro/um-politico-confessa-se-franco-nogueira/

de resto, penso que o melhor é procurar em leilões ou coisa do género:

por exemplo:

http://santamariadosolivais.olx.pt/um-politico-confessa-se-iid-434400383

Unknown disse...

Meus Caros,
Muito obrigado e cumprimentos

Maria disse...

Acabo de ver aqui mais documentação sobre o tema em debate, no caso com a oportuna contribuição de Mujahedin, que vou ler de seguida.
Maria

Maria disse...

Excelente carta-resposta/depoimento de Marcello Caetano, colocando os pontos nos i's relativamente ao que afirmou esse traidor à Pátria e grande mentiroso. Traidor que o foi igualmente para com os seus superiores hierárquicos, para com os seus pares no Governo e, mais grave, para com o Presidente do Conselho a quem devia indiscutìvelmente a máxima lealdade institucional tanta quanto a pessoal. E por último mas não menos importante, traidor porque apunhalou pelas costas os próprios portugueses seus irmãos de raça. Este idiota inútil sempre navegou à bolina e sempre se encostou ao poder que estava/está em cada momento para nunca perder os brutos tachos que qualquer que ele seja conleva. Fê-lo no Estado Novo durante quatro anos, o qual serviu cínica e deslealmente e logo a seguir, sacudidos os miasmas alérgicos, aderiu da noite para o dia a este novo regime - outra ditadura, é claro, mas atenção!, agora é 'democrática' - integrando-a mais uma vez servil e denodadamente. Gente desta estirpe mete nojo.

Aproveitando um qualificativo (suave) que o meu pai empregava para classificar este género de oportunistas de coluna vertebral retorcida: é um poltrão. Isto, para não utilizar um designativo muito mais apropriado.