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sábado, 8 de junho de 2013

O prec está de volta...


O Expresso publica hoje uma sondagem que atribui ao PCP e ao PS um número de votos superior a 50%. Mais, o PCP atinge 13%, uma meta invejável e que o CDS nunca atingiu. Incrível.

Incrível? Vejamos...porque o tempo dá-nos pistas para a compreensão do fenómeno. Regressemos a 74 e ao PREC.
Nas primeiras eleições legislativas alargadas a vários partidos comunistas, realizadas em 25 de Abril de 1975, em pleno PREC, e das quais resultou o primeiro parlamento após o 25 de Abril, com funções constituintes, o resultado foi este:

Partido Votos Votos (%) Assentos Assentos
(%)
Partido Socialista 2 162 972
37,87%
116 46,4%
Partido Popular Democrático 1 507 282
26,39%
81 32,4%
Partido Comunista Português 711 935
12,46%
30 12%
Centro Democrático Social 434 879
7,61%
16 6,4%
Movimento Democrático Português 236 318
4,14%
5 2%
Frente Socialista Popular 66 307
1,16%
0 0%
Movimento de Esquerda Socialista 58 248
1,02%
0 0%
União Democrática Popular 44 877
0,79%
1 0,4%
FEC(m-l) 33 185
0,58%
0 0%
Partido Popular Monárquico 32 526
0,57%
0 0%
Partido de Unidade Popular 13 138
0,23%
0 0%
Liga Comunista Internacionalista 10 835
0,19%
0 0%
Associação para a Defesa dos Interesses de Macau 1 622
0,03%
1 0,4%
Centro Democrático de Macau 1 030
0,02%
0 0%
Totais 5 315 154 250
Votos em Branco 0 0%
Votos Nulos 396 765 6,95%
Participação 5 711 919 91,66%

 Mais coisa menos coisa, exactamente como agora...

E como é que a Esquerda portuguesa de então analisou o resultado das eleições? Assim, na Vida Mundial de 15 de Maio de 1975, a situação foi escalpelizada sob vários ângulos possíveis para acantonar a Esquerda a um projecto que se preparava desde o Outono do ano anterior: tornar Portugal um país comunista, mesmo à revelia dos países do Leste ( parece que a URSS não estava lá muito de acordo...) e em dessintonia com os demais países europeus. Uma aventura que o PCP evidentemente quis mesmo experimentar., tendo feito tudo para isso, menos o essencial: pegar em armas, associados a um MFA do "poder popular" e arriscar a Revolução sangrenta de uma guerra civil. Esteve quase e nesse Verão de 75 o ambiente era bem explicado por estas revistas onde pululavam esquerdistas comunistas como estes que assinam os artigos.




Em 24 de Maio, um dia antes das eleições a mesma revista publicava um artigo demasiado explícito das intenções da Esquerda comunista, prevendo a derrota eleitoral: "novo conceito de poder", "partido revolucionário", um "MFA civil", capitaneado por um Rosa Coutinho, por exemplo e o receio de que "o peso do resultado eleitoral, se chegar ao nível dos 30-35% para um único partido, poderá subir à cabeça dos seus dirigentes e determinar a exigência de uma maior representatividade política na vida nacional". Isto é tão claro que logo que o PS atingiu e ultrapassou essa fasquia, o problema agudizou-se com o caso República, surgido logo em Maio desse ano. O PCP demarcou-se do caso mas estava evidentemente na sombra e prontinho a aproveitar os resultados e a lamentar "os filhos devorados" pela Revolução...o jornal do PCP ( ML) contava a história, assim:






No número de 29 de Maio de 1975, já em plena efervescência do PREC ( e apesar daquele resultado eleitoral) um capitão Dinis de Almeida que se iria celebrizar dali a meses, dizia claramente: " quase todo o estado-maior é reaccionário". Ou seja, contrário à Revolução...
Mais claro que isto? Não pode haver.

E por isso em 7 de Agosto de 1975, a mesma revista, através de um Miguel Serras Pereira, escrevia que " não será recuando para o capitalismo privado que se evitará, com proveito e gosto o capitalismo de Estado." A solução estaria na "gestão operária, no poder popular, na democracia directa." Humm...o PCP não alinhava bem nisto, claro.


Mas alinhava noutra coisa. Cunhal, em Junho de 1975, tinha sido entrevistado por Oriana Falacci, para a revista L´Europeo, italiana, com a entrevista publicada no número 23 daquele ano, a 6 de Junho. E que dizia Cunhal de importante, para nós? Algo que desmentiu, claro está, mas que a jornalista assegurou ser verdade e colocou até à disposição de quem duvidava as cassetes gravadas da entrevista.


Como contava o Expresso no obituário à jornalista:

Oriana Fallaci entrevistou Álvaro Cunhal em 1975: os ecos do trabalho publicado pelo "Europeo", a 6 de Junho, obrigaram a Secção de Informação e Propaganda do PCP a emitir um categórico desmentido. De acordo com o "Europeo", Cunhal afirmou não haver possibilidade de Portugal ter uma democracia ou um parlamento ao estilo ocidental. A nota divulgada pelo PCP no mesmo dia referia ter havido uma "grosseira deturpação das palavras de Cunhal". Fallaci não só reiterou a "exactidão da tradução" da conversa com o secretário-geral do PCP como anunciou que colocaria as cassetes com a entrevista à disposição de quem duvidasse da sua palavra. Como afirmaria numa entrevista que concedeu a Álvaro Guerra para "A Luta", "não é de mim que têm medo, é da verdade".

Hoje, em Portugal, o PCP em sondagens terá mais de 13% de votos. Mais que em 1975...o que é de desconfiar. Ou as pessoas não sabem que o PCP é um fóssil ideológico que só nos traria desgraças inomináveis, o que em 1975 adivinharam bem; ou então, não percebo. Palavra que não percebo.

Alguém percebe?

Se não percebe é bom que passe a perceber que isto vai aquecer, como no Verão quente de 1975. Agora como farsa, com o Bernardino e a troika Avoila, Arménio e Jerónimo.
Nada que se pareça com um Cunhal que já não existe. Mas não temos um MRPP para lhes fazer frente pela esquerda e a dita direita está como dantes: a dormir se é que já não dorme o sono dos justos...

Este PCP e esta Esquerda afundaram-nos uma, duas vezes e querem completar o serviço. Estão no bom caminho.

22 comentários:

Zephyrus disse...

Percebe-se josé, percebe-se.


Esta corja formatou toda a minha geração, depois de dominarem os programas de História ou de Português. Abafaram os crimes da Revolução Francesa, dos Liberais, abafaram o atraso em que Portugal mergulhou devido à diletância e irresponsabilidade dos Republicanos. Contaram a sua versão do que se passou no Estado Novo, e ocultaram dos jovens as desgraças e os crimes de sangue do PREC e dos comunistas. Amplificaram até á exaustão os crimes do nazismo mas puseram de parte os crimes do comunismo na Ásia, Rússia ou América Latina. Fizeram do branco o mau da fita, em África, e ocultaram a selvajaria dos costumes dos nativos negros e as guerrilhas e o racismo que há por lá entre etnias distintas. A minha geração não sabe o que foi o PREC, quem foi e o que defendeu Álvaro Cunhal; não conhece as ideias de Marcel Caetano nem sabe como Portugal se desenvolveu naqueles anos; desconhece os crimes de sangue das FP 25 de Abril e o clima de terror imposto pelos comunistas (o meu avô teve ameaças de morte dos empregados e dormia com uma caçadeira junto da mesa de cabeceira por ser patrão, ou seja, «facho»). Mas há mais.

Zephyrus disse...

Como disse, há mais. O Regime tornou o povo dependente do Estado. A nível local há famílias e famílias dependentes do emprego na empresa municipal, na autarquia, nas escolas e centros de saúde, da habitação social e das ajudas e apoios da câmara. Que há além disto? Há agricultura, fábricas, cultura independente do Estado? Morreu quase tudo nas últimas décadas. De uma forma ou de outra, boa parte da população depende do pote. O socialismo é um cancro difícil de erradicar: torna o povo dependente do Estado e mata a independência do povo.

josé disse...

Exactamente, Zephyrus. E há quem diga depois que contam pouco...


Contam, contam...

Zephyrus disse...

O que poderia ter feito a Direita quando esteve no poder?
1) Mudado os programas escolares, tornando-os isentos.

2) Erradicado a comunada de cargos públicos importantes.

3) Paulatinamente, deveria ter emagrecido o Estado e tornado a população independente do pote.

E que fez a Direita? Nada.

Passos Coelho tem-se dado ao luxo de proteger os socráticos, em vez de os eliminar e perseguir.

Zephyrus disse...

Eliminar no sentido de retirá-los dos cargos que ocupam. Passos vai pagar caro por não ter perseguido o socratismo.

lusitânea disse...

Não esquecer o milhãozinho doutrinado no bem bom do comunismo que nos veio enriquecer.Aí até a "direita" contribuíu com mais 170000 em 2 aninhos.É a política da terra queimada.O zé povinho marcha alegremente para a africanização e para o homem novo e mulato depois da entrega de tudo o que tinha preto e não era nosso.E com confiscos e expulsões em massa.Mas a máquina de propaganda é poderosa...

lusitânea disse...

Glorifica-se a traição como agora vimos com o brâmane(a provar) Costa a celebrar o Cunhal na capital do sobado

Vivendi disse...

Subscrevo inteiramente as suas palavras Zephyrus.

A nossa geração pós-abrileira foi completamente alienada.

E a esquerda aí está pronta para conquistar o terreno com o apoio dos medias e da maçonaria.

Eu prefiro confiar e ser liderado pelos alemães do que esta esquerdalha que por aí anda. Esta década vai ser decisiva quanto ao futuro de Portugal.

zazie disse...

Eu já tinha tido essa noção mesmo entre conhecidos.

Com vergonha mas anda tudo comuna, à conta da crise e da treta da culpa da banca.

António Barreto disse...

Bom trabalho, José, muito bem Zephirus.

Floribundus disse...

Oriana era uma mulher de esquerda democrática que creceu num ambiente contrário ao do socialista Mussolini.

li as suas entrevistas em livro.

barreirinhas pensava dominar o rectângulo com a ajuda do boxexas, da urss e dum sector dos EUA. sentia-se dono disto.

o rectângulo vai piorar muito porque todos os mais bem classificados nas sondagens estão sem se aperceber a fazer o jogo do grande capital, com excepção do ps, o grande beneficiário.

venho dizendo há anos que se preparem para o pior, com o regresso do ps ao poder.

mujahedin مجاهدين disse...

Para perceber, basta perceber o Avante:

é festival, é festival, mas a ver se a abrir e a fechar não dança tudo a musiqueta do partido...

É extraordinária a quantidade de gente que lá vai dizendo que "é apenas um festival", e "eu não tenho nada que ver com o partido". Mas quando se lhes pergunta se dançam a toque do hino comuna, dizem "toda a gente dança".

lusitânea disse...

No PREC a dinamização kultural foi feita com base nos milicianos dos partidos.E por uns poucos militares dos QP que andavam pela 5ª Divisão, pelo COPCON e que gostaram de agarrar o combóio.O filho do Soares não quis aprender o "assalto à cubata" e começou aí a bandalheira na tropa...então quando foi lançado o grito de "nem mais um soldado para a s colónias" ruíu tudo...
Curiosamente agora são adeptos das expedições salvadoras e claro da assunção das respectivas despesas...ao mesmo tempo que tornam a dar a nacionalidade a aquem a combateu de armas na mão...

a disse...

O que era engraçado saber é quantos destes iluminados que aqui comentam são funcionários públicos. Hahaha!!!

No Túnel... disse...

Quando se fala de história estes Srs deviam também falar o quanto enriqueceram com o ouro vindo das conquistas, que o gastaram como quiseram enquanto o povo passava fome. Sabem de história mas só contam o que querem... e estes Srs feudais que tanto falam do povo, da plebe, que só existe para os servir... falam, mas alguns ainda vivem de subsídios do Estado e de rendimentos que para os ter não trabalharam nem uma hora.... pessoas com faltade memória é do pior....

No Túnel... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mujahedin مجاهدين disse...

Mais engraçado seria saber-se quantos iluminados como tu, que aqui vêm deitar aleivosia (não comentam, porque lhes não agrada o assunto - é compreensível), são disfuncionários públicos...

Eu cá aposto que todos. Todinhos. Que isto de ter que acautelar o pão de amanhã, não dá inclinação para a 'solidariedade' esquerdista militante, pois rápido se compreende de que bolso sai a dita solidariedade e com que suor se paga...

Quanto a funcionários públicos, espero que sejam todos, que bem precisos são. Afinal, para folgar todos os jotas e correligionários de partido ou ideologia a disfuncionar no Estado, sempre é necessário alguém que dê despacho à burocracia pública - alguém que trabalhe, em suma.

Eu, todavia, não sou nem um nem outro. Não sou disfuncionário porque não gosto de lamber cus. Não sou funcionário porque não gosto que me estorvem cus à espera de serem lambuzados quando é para trabalhar.

Não lhes gabo a sorte aos ditos funcionários. Se me achasse eu na posição deles, com tanto cu lambuzado à minha volta a estorvar, acho que ia trabalhar de vime na mão...

Dize lá, ó letra singela, a que ramo do Disfuncionalismo Público pertences tu? Ainda andas a lamber cus, ou já graduaste em Cu-a-Lamber?




a disse...

Claro que não, tu não és nem de uns nem de outros. Então és o quê, afinal? Um independente de quê? E pagas os impostos todos, ou só os que te apetece declarar? E exploras o trabalho dos outros ou fazes tu o teu trabalho? Que isto de «acautelar o pão de amanhã» sei eu bem para o que dá «inclinação»: para a exploração dos outros a 60 horas semanais ou para a economia paralela de quem não declara impostos.

Cus lambuzados é o que não falta no privado, e não se ficam pelos cus: se ajoelhou vai ter que rezar é o pão nosso de cada dia. Amén Salazar.

mujahedin مجاهدين disse...

Olha letrinha singela, não tenho que prestar contas de coisa nenhuma. Mas até te digo que pago impostos à ladroagem que governa o meu país, que nem precisava de pagar, que agora com este mundo globalizado e internacionalista como vocês apregoavam, é tão fácil escolher o país onde se pagam os impostos...

Mas podes tirar o cavalinho revolucionário da chuva nã se vá ele molhar em vão: eu não exploro ninguém, que eu não preciso de empregados. Não sou um 'empreendedor'. E também não sou de minoria étnica para poder explorar os outros e ser louvado por isso por pessoas como tu.

Quanto a não declarar impostos, aposto que conheces mais gente que o faz que eu. E até aposto outra coisa: que não seria longa a linha que começando em ti acabaria nalgum partido. E em termos de contabilidade, nenhum sítio há mais interessante que a tesouraria de um partido. Quantos generosos donativos não pertenceriam, ao invés, aos cofres do fisco, por exemplo...

Kaiser Soze disse...

...eu acho que as pessoas não têm noção de que o PCP não é um partido democrático.
Entendem-no como um bando de tresloucados mas não como estalinistas.

Ainda assim, como tenho vindo a dizer, há que agradecer ao actual governo a subida do PCP. O PCP não fez nada por isso.

Kaiser Soze disse...

Ah!
Quanto à questão levantada pelo "a" parece-me desajustada apenas porque o pessoal aqui é anónimo e, se assim o pretende, deve continuar.
Agora, a dúvida de quantos dos que falam de "pendurados no Estado" são funcionários públicos é, de facto, curiosa.

zazie disse...

Essa dúvida só faria sentido se isto fosse o Blasfémias- os neotontos é que são funcionários públicos

Aqui ninguém é tonto, fora os que fazem essas perguntas.