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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O macete de Machete

O Correio da Manhã de hoje publica duas páginas a propósito dos rendimentos dos políticos, declarados ao TC.
O de Rui Machete é uma pequena surpresa. Machete não tem rendimentos que façam jus ao que tem sido durante estes anos todos de actividade profissional e política. Jovens turcos, tipo, sei lá, um Relvas ou um Vara, têm rendimentos muito superiores. Qualquer político que se preze tem no banco, a render a prazo várias centenas de milhar de euros. Machete tem um pouco mais de 500 mil euros. Uma ninharia. Sei lá se um Marco António não terá mais que Machete...sendo certo que um Proença de Carvalho guardará um pecúlio que deve triplicar tal valor, por baixo. Fraca prestação de Machete. Francamente!

Enfim, aqui vai a conta do Correio da Manhã:

Portanto, pouco mais de 11 mil euros por mês, ilíquidos de impostos. Pouco. Pouco para quem tem cargos esparsos em sociedades de luxo e de bloco central, tipo estas:


Machete é do bloco  central desde os primórdios dos anos oitenta. Em 16 de Novembro de 1984 O Jornal mostrava-o muito preocupado com o Bloco Central em desagregação acelerada. Enquanto ministro da Justiça e primeiro vice-presidente do PSD, Machete, até então ( ao 25 de Abril)  um mero professor universitário, estava imerso na política activa do bloco central dos interesses todos instalados. Durante as décadas seguintes, Machete nunca se distanciou desse bloco de esquerda e direita confundidas. Aliás, em meados da década de setenta, quando o PCP queria chegar ao poder político, Machete assegurava ( em entrevista que já coloquei por aqui) que o socialismo era uma questão de método e portanto estava preparadíssimo para tal eventualidade. O socialismo real, entenda-se. Chegou agora outra vez a ministro e prepara-se para passar entre os pingos da chuva do BPN, abrigadinho mais uma vez no guarda-chuva do poder que está.


Machete deve ter uma fotografia destas em casa, bem emoldurada para mostrar aos descendentes, porque em 1985 estava nos Jerónimos a assinar em nome dos portugueses um acto solene de importância fundamental na nossa vida presente:



Sempre que vejo Machete lembro-me de um democrata cristão italiano, também presente nessa cerimónia e muito parecido no semblante e muito devoto ao  poder do mesmo bloco central de interesses italianos, onde se manteve durante décadas, até ser escorraçado em processos-crime com acusações gravíssimas de conluio com associações criminosas. Não é o caso de Machete, claro está que não tem pecados desse calibre. Aliás, tal como Andreotti, Machete não tem pecados de espécie alguma, porque já foi absolvido em indulgência plenária, pelo mesmo bloco central:


O título do Expresso, no artigo em causa é " A `questão moral´  no país da corrupção". Portanto, honni soit qui mal y pense da coda que ficou na imagem...

7 comentários:

Floribundus disse...

face à corrupção, sem corruptos, existente neste rectângulo
Giulio Andreotti era um 'menino de coro'

a camorra napolitana, a ndrangheta calabresa, a mafia siciliana têm que vir, quanto antes, receber aulas a este rectângulo

Floribundus disse...

«Processo Julgado a 19 de setembro de 2013 no 4º Juizo, 1ª secção dos Juizos Criminais de Lisboa

Ao Conselho Superior do Ministério Público
Exmos Senhores

Vem o signatário solicitar a abertura de um inquérito ao instrutor do processo em referência baseado nos factos que indica. No dia 19 de setembro de 2013 pediu este a absolvição do réu, facto que na minha qualidade de queixoso me surpreendeu. Levantou-se no meu espírito a primeira e fundamental questão: perdeu-se tempo e dinheiro dos contribuintes (num país falido no dizer de conceituados economistas), para nada em virtude do caso estar deficientemente apresentado.
Não permitiram ao queixoso a apresentação de antecedentes e consequências que coexistem com os factos, neste caso uma agressão na via pública por parte dum advogado a um seu ex-cliente ao qual roubou a ... e de quem não se queixa por lhe chamar ladrão.
Não se referiu o vídeo das câmaras exteriores de vigilância da Loja D (atual Universal Music) sita na Rua Professor Reinaldo dos Santos 12.
Não se procurou saber quem foi o fornecedor da cadeira onde sentaram o queixoso até à chegada do INEM. Era muito provavelmente da esplanada do restaurante onde o réu se encontrava quando o vi,
Não se identificou o autor do telefonema para o 112, o qual podia ter testemunhado a agressão.
Aceitou-se por boa a declaração da testemunha proprietária da tabacaria. Era cliente e deixei de o ser por falta de segurança. Há cerca de ano e meio entrei lá ao fim da tarde para comprar uma revista. Mal entrei acompanhado a senhora fez-se muito vermelha e quase gritou '-não o conheço de parte nenhuma'. Seguiu-se diálogo digno de ser apresentado em tribunal.
Descredibilizou-se o testemunho da minha única testemunha, uma romena de língua húngara que estava a meu lado (posso estar enganado mas é minha convicção que se trata de preconceito xenófobo num país de emigrantes). Não se pediu interprete.
Tenho de me queixar do incompreensível tratamento dos técnicos do INEM que se recusaram a chamar a PSP e que deveriam ter estado presentes como testemunhas. Nem sequer me trataram a ferida da mão esquerda por estarem mais interessados em descansar e fumar um cigarro.
Durante o meu depoimento fui interrompido e repreendido pela meritíssima Juiza. Fiquei tão limitado na minha concreta e factual exposição de 10 minutos que tive de dizer '-se me é permitido'. Totalmente em vão. Aguarda a sentença proferida no próximo dia 26.
A minha pretensão reside numa nova investigação do Ministério Público para solicitar novo julgamento. Vivo da minha reforma e não possuo meios para pagar a advogado e recorrer à 2ª Instância.
Fico novamente, como de há 12 anos a esta parte confinado ao andar onde vivo com receio de ser novamente agredido de modo a tentar fazer danos internos. Trombos, como podia ter acontecido neste caso. Se algo me suceder terão que ser apurados os responsáveis.
Saúde e Fraternidade

Lisboa, 22 de setembro de 2013»

josé disse...

Caro Floribundus:

Julgo que essa participação será rapidamente arquivada pelos seguintes motivos:

O inquérito que foi organizado antes de os factos serem submetidos a julgamento poderia ter sido completado pela intervenção do ofendido se este se tivesse constituido assistente ( pagando taxa de justiça e arranjando advogado ou pedido apoio judiciário) e nessa qualidade tivesse requerido ao MºPº que fizesse as investigações que agora são indicadas como importantes para a descoberta da verdade.
Mesmo depois da acusação seria possível requerer mais diligências e apresentar as testemunhas no julgamento.

Portanto, o que o CSMP vai fazer é dizer-lhe isto que escrevi, se bem julgo.

zazie disse...

Isso, se não lhe pela Loja da Saúde & Fraternidade

AHAHAHAHAHAHAH

O Floribundus que não leve a mal mas tive um ataque de riso a imaginar uma cena macaca com cigana pelo meio e cadeira pela cabeça abaixo e a terminar com muita saudinha e fraternidade

":O))))))))))))

zazie disse...

Não percebi corno acerca da cadeira. Serviu para sentar depois?

eheheheh

Que maldade mas achei a carta tão engraçada.

Maria disse...

Essas três criaturas que na foto estão a assinar o documento para a nossa adesão à CEE, são os maiores vigaristas que o nosso País jamais viu nascer no seu solo. O primeiro é um traidor e um assassino, além de ser um ganancioso por dinheiro e poder e um hipócrita e cínico e um rematado aldrabão e, o mais importante, o principal coveiro de Portugal.
O segundo é aquilo que todos os portugueses sabem que é, segundo testemunhos verdadeiros das crianças da Casa Pia. E no entanto é outro sem-vergonha que tem vivido indiferente às graves acusações que pendem sobre a sua cabeça, tendo contìnuamente desempenhado cargos políticos de relevo desde que existe 'democracia' no país, uma vez que como bom maçon sabe estar totalmente protegido pelas maçonarias, a portuguesa (salvo seja) e a mundial.

O terceiro é uma personagem estranhíssima em variadíssimos aspectos. E é outro oportunista de marca. Tudo o que o tem movido durante as décadas que levamos de 'democracia', tem sido conservar uma posição social e/ou política elevadas e o dinheiro a rodos que estas conlevam. Cínico e hipócrita e melífluo como poucos, isto desde que se iniciou na política no seu então P.P.D., tem vindo a trair o País e sobretudo os amigos que, como por exemplo Sá Carneiro, teriam sido capazes de pôr as mãos no lume em defesa da sua integridade. Além de que terá outros defeitos morais graves a acrescentar a éticos não menos graves. Defeitos que a maçonaria e os partidos do centro e de esquerda, pelos quais se sente respaldado, tentam desde 2002 fazer-nos esquecer.

Sobre o quarto não me pronuncio por duas razões fundamentais. Por um lado já não se encontra entre nós e como tal merece respeito, mas também - que se saiba - não foi criminoso nem ladrão. Por outro, fiquei com boa impressão dele como político. Mas posso estar errada, também os tempos eram outros... Estando, salvo melhor opinião, como soe dizer-se a mais na fotografia.

João José Horta Nobre disse...

Este blog não pára de jorrar informação fantástica!

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http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/10/o-macete-de-machete.html

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JJHN