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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Proença de Carvalho, o pomba branca do regime toca baixo


Imagem de Proença, numa das suas interpretações com o célebre " trio los dos"...
 
A história de Proença de Carvalho confunde-se com a história das nossas três bancarrotas. Poderia mesmo ser um pequeno roteiro das suas causas, a meu ver.

Em 1974, com 33 anos,  era um modesto advogado, depois de ter sido delegado de procurador da República e inspector de polícia, no Estado Novo de Salazar. Segundo um biógrado improvável ( Afonso Praça de O Jornal) Proença tinha um lema: "os fins justificam os meios". Maquiavel no seu melhor, portanto. Proença vinha da Soalheira, no Fundão, pobre como se era na época. Em 1968 passou a funcionário de Champallimaud, no contencioso da empresa Cimentos de Leiria.
Foi nesse tempo que começou o julgamento da herança Sommer de que Champallimaud era interessado. Proença, segundo Praça, teria participado, enquanto inspector da Judiciária na instrução de um processo crime relacionado mas tal não o impediu de tomar a defesa da causa do patrão. Eticamente, estava bem preparado...e quando aparece o 25 de Abril, sendo amigo de José Niza, inscreve-se no...PS, pois claro. Partido que abandonou logo que os ventos começaram a mudar, ou seja por altura da primeira bancarrota ( 1976-77) Proença já era de "direita", no Jornal Novo que então dirigia. Uma direita sui generis, entenda-se.
A história conta-se melhor aqui, no O Jornal de 7 2 1986:


Proença foi então ministro da propaganda ( Sá Carneiro dixit) do VI governo de bloco central, de Mota Pinto, em 1978, quando se preparava já a segunda bancarrota, dali a uns anos. Sá Carneiro no entanto, nomeou-o presidente da propaganda na RTP, em 1980. Em 1983, Vítor Cunha Rego terá mesmo escrito no jornal A Tarde, que " há muito que o sistema político deste País teria desabado se Proença de Carvalho não estivesse onde estava." Em 1983 estávamos noutra bancarrota...

Dali em diante foi sempre somar e encher o bolso, para Proença. Vejam-se os recortes que nos contam tudo ou quase...a partir de 1981 e depois da AD de Sá Carneiro.
Expresso de 3 Janeiro de 1981:


O Jornal de 5 de Junho de 1981:

O Jornal de 11 de Abril de 1986 em que Fernando Dacosta escrevia sobre a "direita" portuguesa a propósito de Freitas do Amaral (!) e de Proença de Carvalho (!!!) supostos representantes da dita cuja...

Em 1986 Proença, foi, naturalmente, mandatário de Freitas do Amaral na corrida presidencial que este perdeu para Mário Soares. Como o Expresso escreveu na época...ficou às portas da terra prometida...

Em 1991, o governador de Macau, Carlos Melancia, indicado pelo vencedor das presidenciais, teve problemas com a Justiça. Corrupção. Quem foi o advogado? O representante da "direita", voilà!

Em 1995 a antiga ministra do PSD, Leonor Beleza, designada futura líder sabe-se lá de quê, foi pronunciada por um juiz de instrução da prática de crimes de homicídio doloso. Quem foi o advogado de defesa da dita? O nosso homem do trio de los dos, voilà! 
Expresso revista de 1 de Novembro de 1996:


Aproveitou entretanto todas as entrevistas generosamente concedidas pelos media do sistema da bancarrota, para destilar o ódio particular às instituições judiciárias, particularmente ao MºPº. Proença, nunca o escondeu, preferia um MºPº à maneira do Estado Novo. Era bem mais seguro para os interesses que representa, como se vê agora no caso de Angola...

E por isso mesmo, em 1999 já destilava as habituais catilinárias, desta vez contra o então PGR Cunha Rodrigues ( houve apenas um PGR que agradou a Proença: o seu amigo Pinto Monteiro...).
Expresso de 27 Março 1999:

E actualmente, por onde anda Proença? Ora, ora. Depois de defender José Sócrates dos ataques soezes que lhe fizeram, a esse paladino da transparência pessoal e governativa, anda agora a acompanhar o presidente do BES, Salgado de sua graça, nas deambulações angolanas por causa da maldita Escom que ainda os vai desgraçar...
Como já se escreveu por aqui, citanto o abruti:

Proença de Carvalho é um exemplo típico: advogado de José Sócrates, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud, presidente do Conselho de Administração da Zon Multimedia, membro da Comissão de Vencimentos do BES – um interessante cargo -, “chairman” da Cimpor, ao todo, só no mundo empresarial, 27 cargos. Proença de Carvalho, como muitos outros neste universo de “sempre os mesmos”, não é “dono”, mas amigo dos “donos”.
Competência? Nalguns casos sim, noutros não. Mas não é a competência o critério fundamental. É a confiança. Estes são confiáveis, são dos “nossos”, são dos “mesmos”. Já foram testados mil e uma vezes, no governo, na banca, na advocacia de negócios, no comentário político nos media, e mostraram que estão lá para defender sem hesitações, os “nossos” interesses. Confiança é a palavra chave nos “sempre os mesmos”.


Proença de Carvalho pode dizer-se que será um dos indivíduos mais qualificados em Portugal para explicar como é que sofremos três bancarrotas em menos de 40 anos. Por uma razão simples: esteve em todas elas, como figura proeminente, parda por vezes, mas sempre presente. E aproveitou bem o regime que as produziu. Seria interessante que alguém revelasse o seu património...

CODA: Este indivíduo mai-lo seu apoderado da época, candidato a presidente da República,  seriam os putativos representantes da "direita". Havia outro, ainda. Um certo José Miguel Júdice que até teria sido de extrema-direita, cultor de um tal Primo de Rivera.  Veja-se bem a pinderiquice intelectual desta gente. Bastou que os ventos de mudança de regime passassem a soprar um pouco mais a levante, para se postarem a jeito de aproveitarem a maré.
Cedo mudaram para o centro e daí para a esquerda e até se aproximaram do PS, o tal que se diz de esquerda e que teve um esquerdista notório como Sócrates, que todos aqueles louvaram como um grande estadista português.

Lembrar isto é tão deprimente quanto lembrar as bancarrotas que nos provocaram. Até quando esta gente mandará em Portugal?

12 comentários:

Floribundus disse...

conheci-o em 80 à porta do escritório perto do Sheraton.
ao olhar para a minha lapela riu-se e disse que o Irmão que esperava ficara a arrumar o carro.

segui o seu percurso no centrão e na banca

a herança Sommer (verão) levou Caetano por causa dum familiar a exilar o Senhor António Champallimaud

as alianças no ps e no centrão levaram-no a onde se encontra

zazie disse...

O Dacosta diz isso. A esquerda espalhou-se culturalmente e o que poderia ser direita afundou-se com o Império.

josé disse...

O problema da esquerda portuguesa é que é estúpida. Imbecil, mesmo. E tem a mania que a direita é que o é.

Na França e na Itália não é tanto assim.

zazie disse...

É calhau, completamente.

lusitânea disse...

Um dos padrinhos maçónicos cujo farol é a conta bancária...

hajapachorra disse...

Há tanto cancrozinho mal distribuído que tem de haver inferno para escroques deste calibre. Ele ou portas ou socrates ou louça tivessem nascido na Alemanha por 1910-20 e teriam acabado em Nuremberga. Um verdadeiro familiar do Santo Ofício esse emproado do caralho.

josé disse...

Não é preciso recuar tanto. Bastava que o PCP tivesse dominado o sistema político em 1975 e tínhamo-los no comité central. Este seria chefe da nossa STASI, em alternativa.

zazie disse...

ehehehe É que é mesmo.

lusitânea disse...

Quem está com o poder come, quem não está cheira...

lusitânea disse...

E agora andam na fase de gostarem do cheiro da catinga depois de terem entregue tudo o que tinha preto e não era nosso...

Maria disse...

Olha que dois, são frescos... O da esquerda é um oportunista de marca e um conhecido lambareiro por mais e mais dinheiro e estatuto social. O outro é um corrupto em alto grau e um grandessíssimo ladrão. Estes dois maraus sempre tiveram total apoio do Dr. Cavaco, eram todos amigos entre si (falta o Duarte Lima para o trio estar completo) de longa data..., sendo este cliente privilegiado do mesmo Banco onde aquele também o era e, imagine-se, continuou a fazer orelhas moucas mesmo depois daquele ter sido acusado de graves crimes de traficância e desvio de milhões do dito Banco... Bem, o Loureiro se calhar até foi sócio do Dr. Cavaco noutros negócios igualmente escuros, quem sabe?, já que a protecção que dele recebia era tanta que começou a tornar-se suspeita (tal como igualmente suspeita havia sido a protecção dada a Duarte Lima que igualmente beneficiou e muito do mesmo protector...). Isto, porque o Dr. Cavaco não o queria dispensar/destituir de Conselheiro de Estado nem por mais uma, mesmo depois de ter sido múltiplas vezes instado a isso, estando como estava perfeitamente ao corrente das fraudes bancárias perpetradas pelo dito cujo. Aliás era impossível não o estar, elas vinham diàriamente escarrapachadas em todos os jornais e reportadas nas televisões e continuaram a sê-lo meses a fio...

João José Horta Nobre disse...

Publiquei:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2013/11/proenca-de-carvalho-o-pomba-branca-do.html

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