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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O BES é o regime, segundo Pedro Santos Guerreiro.


Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios tem este editorial, hoje, sobre o caso BES. Vale a pena ler porque sumariza o assunto BES sem lhe acrescentar nada de substancial ao que já trouxera a lume na passada Sexta-Feira. A não ser uma pequena coisa que se lê nas entrelinhas: Pedro Guerreira acredita que Ricardo Salgado está de saída, mas não o diz claramente porque as informações sobre o banqueiro do regime, perdão, segundo Pedro Guerreiro, o regime em si mesmo, são escassas e temerárias.

Para entender a análise do editorial, passemos primeiro a vista de olhos habitual, pelo mesmo:

Em determinado passo refere "os inimigos de Ricardo Salgado- Sobrinho, Queiroz Pereira, Ricciardi, juiz Carlos Alexandre- não podem ter urdido uma conspiração, mas podem ter-se encorajado mutuamente ou feito alianças de circunstância."
Esta frase suscita vários reparos de maior. Um deles é o entendimento particular sobre a noção de "inimigos de Ricardo Salgado", incluindo um juiz de instrução, no caso e no ponto que interessa realçar, associado a outros malfeitores do dito Ricardo. Um deles, o tal Sobrinho, chegou mesmo a sofrer seriamente por causa de decisões do mesmo juiz, num processo com "os angolanos". Isso fará dele um "aliado"? Estranho e incoerente.

Na "sociografia" ( termo aprendido recentemente) junta ao Jornal de Negócios  de fim de semana, lá aparecem os amigos e inimigos, ou dito de outro modo, os aliados e adversários,  do dito cujo, assim:

O guião para a definição de papéis está aqui:

No que se refere ao poder judiciário, digamos assim, Pedro Santos Guerreiro ou não sabe como funciona nos casos concretos que envolveram o BES ou então arquitecta uma daquelas teorias de conspiração dignas do antigo blog do queijolimiano...ou seja, "não deixar que a verdade estrague uma boa história"...

Os problemas judiciários do patrão principal do BES são conhecidos e até o editorialista os elenca assumindo a gravidade dos mesmos. O dinheirinho aos milhões, lá fora a estagiarem nos cofres da UBS, em flagrante fraude fiscal, foi resolvido de modo elegante: uma lei à medida destes problemas em modo de RERT.
Mas tem mais: o crime de mercado nas acções da EDP com a BES Vida não tem perninhas para se aguentar porque as eventuais escutas não podem ser usadas para o comprovar. A pena é mixuruca e não estamos nos States, inde Ricardo Salgado ou outros, a esta hora já tinham que receber comida na cadeia.  
Sobre as suspeitas de branqueamento de capitais nos casos Monte Branco e Escom, já foram tratados os assuntos em devido tempo. Por causa disso, o editorialista considera o titular dos processos penais no DCIAP um "aliado" de Ricardo Salgado. Enfim...a tal coisa da verdade e da história que estraga tudo. Rosário Teixeira, do DCIAP entendeu suspender os processos crimes de fraude fiscal decorrentes do Furacão porque a lei assim o permitia. O juiz de instrução Carlos Alexandre entendeu de modo diverso, como já por aqui foi analisado em tempos. E daí? Isso quer dizer que um é aliado e o outro inimigo? A verdade é que a história acabou mesmo em suspensão dos processos mediante pagamentos avulsos. E quem dirige os processos penais é o Ministério Público. O Juiz de Instrução controla directamente nesses processos os assuntos que contendem com direitos, liberdades e garantias. Mas não acusa ou arquiva os processos...

Sobre o Furacão importa por isso lembrar o seguinte:

O Furacão, enquanto processo começou em Braga e Barcelos com uma operação de natureza fiscal. O processo do MºPº local que se apercebeu da extrema gravidade dos factos ( lavagem de dinheiro aos milhões, fraudes fiscais gigantescas  e eventual branqueamento de capitais) transitou para o DCIAP que ficou com um menino nas mãos, delicado, em risco de vida e a carecer de intervenções cirúrgicas para o salvar de uma morte certa no seio da alta-finança.
O procurador do processo, Rosário Teixeira, encheu o processo de esparadrapos e pensos rápidos que pouco adiantaram: o juiz de instrução, o mesmo que agora continua a incomodar os entalados excelentíssimos do costume,  queria toda a gente na cadeia, em preventiva por causa de crimes simples de enunciar: branqueamento de capitais, burla fiscal agravada e ainda outros adereços criminais. Apareceram então nessa altura, tal como agora,  os advogados do costume a proclamar que era preciso outro juiz no TCIC. Não era porque o serviço, tal como hoje, estava todo em dia, não havia atrasos e os processos rolavam exemplarmente. Argumentos para contrariar isto? Não havia.
Sairam então a terreiro os preocupados de sempre que lograram obter uma punção e um unguento salvífico: uma mudança legislativa de relevo, salvo o erro em  2009,  que lhes permitia acabar com os processos terríficos mediante o pagamento do óbulo devido ao Estado. O processo criminal gigantesco pariu então os ratinhos todos que ficaram ao largo e transformou-se num processo administrativo de cobrança de dívidas que alegrou a própria directora do DCIAP e o PGR, naturalmente. Já são milhões, os óbulos recolhidos para o Estado e o processo deixou de ameaçar os entalados excelentíssimos.

Mas eis que surge agora outro perigo maior: na senda do mesmo Furacão ( o procurador Rosário Teixeira é o mesmo) o jornal Público de hoje noticia que "empresa suíça suspeita de fraude já tinha sido apanhada no Furacão".  Desta vez, os factos conduziram mesmo à qualificação de crime de branqueamento de capitais e não apenas de fraude fiscal. Já há três presos preventivos, cuja prisão foi ordenada por aquele mesmo juiz que conhece muito bem o Furacão e os filhos bastardos do fenómeno metereológico ambiente.

Ou seja, o perigo volta a rondar as hostes dos entalados excelentíssimos do costume que são sempre os mesmos, atravancam a nossa economia em modo inadmissível e criminoso e andam à solta porque em momentos críticos obtém sempre o que querem do Estado.
No final de contas são eles quem dão emprego aos apaniguados dos partidos, da governação e emprestavam dinheiro a quem queria. Algum dele sem garantias devidas.


 E há mais dois casos judiciários interessantes e muito perigosos para os do BES: o caso dos submarinos, em que a ESCOM está envolvida a par de escritórios de advogados bem conhecidos ( sempre os mesmos aliás) e o caso do tráfico de influências( ?) na privatização da EDP , segundo o editorialista do Jornal de Negócios.
Estes casos, sim, são de monta e de vulto. Porém, como já escrevi por aqui, jacinto que no dos submarinos o assunto vai afundar, com o silêncio cúmplice dos envolvidos.
Neste caso fala-se muito de Ricciardi e não se fala de Ricardo. Pois não?
Então, especulação por especulação, julgo que o nó górdio do problema de família entre primos pode estar aí...mas é um palpite abductivo, apenas.
O Pedro Santos Guerreiro nem esse faz...

Outra coisa para esclarecimento: admiro muito quem trabalha na banca como os Salgados e Espíritos Santos. Nada tenho de pessoal contra os mesmos. Tenho tudo quando sei que são suspeitos de práticas delituosas que puseram em causa o país e a nosso futuro. E nem sequer por uma questão ideológica, mas apenas pelo apelo inevitável do...dinheiro. E como aquele escreve, o BES não é apenas o banco do regime. O BES é o regime. Daí o interesse acrescido destes assuntos.

1 comentário:

lusitânea disse...

Um poder político empregado de meia dúzia de capitalistas o que poderia vir a dar? O que deu. Falência e ausência de Estado de Direito que eles tanto apregoam...
O zé povinho enquadrado pela propaganda do "avante camaradas" aceita tudo.Até africanizar agora só cá dentro e por nossa conta depois da entrega de tudo o que tinha preto e não era nosso...