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sábado, 28 de dezembro de 2013

As razões da mudança nos últimos 40 anos

O Público de hoje consagra duas páginas, com chamada de primeira página, ao estudo daquilo que "mudou na economia do país em 40 anos", prometendo para amanhã o estudo sobre o que mudou "na sociedade". Estou para ver...e se for como hoje ( artigo assinado por Sérgio Aníbal) fico na mesma como de costume, com este jornal: continua o típico jornalismo para quem é bacalhau basta.

Hoje o paralelo entre três datas - 1973, 1993 e 2013- faz-se com números e estatísticas e com opiniões, através de citações.

Há duas ou três que merecem destaque. A principal é a atribuição a factores externos, como as crises internacionais, do facto de as "reformas" desses anos terem soçobrado de algum modo, por interronperem os "ciclos de desenvolvimento económico". Como não sou economista limito-me a entender que as crises internacionais afectaram quase todos os países ocidentais e no entanto, nem todos resolveram os problemas do mesmo modo. O nosso país, a partir de 1973 resolveu os seus problemas de um modo que continuou  sempre na cauda dos países europeus. Insistir nas receitas do descalabro que têm todas a marca de água da Esquerda, tal como sucedeu em 1974-75, conduz a este resultado. As "novas políticas" são a garantia da "nova miséria " assegurada para todos, por igual, menos para os da "vanguarda" dos comités centrais.

A questão principal que se coloca a qualquer economista, historiador ou jornalista diletante é a de saber quais foram os factores determinantes para nunca termos saído da cepa torta do subdesenvolvimento relativo.
A minha opinião, valendo o que vale, é a de que em 1973 tínhamos uma economia pujante, um empresariado notável, uma estrutura social em franca mutação mas o que hoje se apelidaria "sustentada" e as mudanças que se operariam com a crise do petróleo e a correlativa económica seriam sempre para melhor do que o foram com o advento do 25 de Abril e a mutação da economia por força da Esquerda que entendeu nacionalizar e transformar Portugal num país "a caminho de uma sociedade sem classes".
Esta perspectiva nem de perto nem de longe é sufragada pelo autor do artigo que nem sequer a terá ponderado, servindo de exemplo o facto de ter convidado um tal Pedro Lains, economista,  para comentar a mudança. Este perito entende que a "realidade internacional" é que condicionou tudo, justificando o falhanço,  não lhe ocorrendo que os demais países também foram confrontados com essa realidade particular...
Por outro lado, como é que o autor explica o que ocorreu em 1974-75? Como a coisa mais natural deste mundo, apesar de notificar que houve "alterações profundas na estrutura económica do país. Nesse ano, a economia não cresceu e, em 1975, em particular, o PIB caiu 4,3, um valor não superado por crises posteriores". Isso apesar de o PIB, poucos meses antes crescer a um ritmo de quase dois dígitos.
Este fenómeno é entendido pelos economistas como fruto "da Revolução". Assim e pronto. Como se fosse uma coisa com causas naturais e sem explicações sociais e políticas que condicionam todo o modo de entender a História contemporânea do país.
Estes especialistas analisam assim " a economia", como se fosse um fenómeno estático e dado somente a variações numéricas influenciadas pela conjuntura do momento que é entendida como resultado do devir normal de um qualquer país. Nenhum país da Europa sofreu o descalabro económico que sofremos em 1974-75 e nenhum país da Europa teve uma Esquerda ( comunista e socialista) como tivemos por aqui naqueles anos e ainda temos e que revolucionaram a economia nacional para todo o sempre. Conseguiram fazer aprovar uma Constituição absurda e com laivos de país das maravilhas em que não deixaram tocar durante mais de uma dúzia de anos ( só em 1989 se fez uma revisão a sério e mesmo assim, sem tocar nas vacas sagradas do socialismo).
Este fenómeno é despachado pelos tais analistas como o gato que passa pelas brasas da memória e os pedros lains todos juntos entendem sempre que isso foi epifenómeno circunstanciado a um período muito breve e sem consequências que não as situadas nesse tempo.
Quando ao esforço de Marcello Caetano se ter  gorado em 1974-75., foi-o também devido à "crise económica mundial": Assim fica  tudo explicado, para esses especialistas. 

É por estas e por outras que este jornalismo é assim, tipo para quem é bacalhau basta.  A Esquerda não tira ilações das suas derrotas porque não as entende sequer. E a linguagem que usa é a chamada "língua de pau" do economês, sem relação dinâmica com a realidade social e política e muito menos com a língua comum ao entendimento comezinho dos fenómenos. Se houve alguma coisa que mudou essencialmente nestes últimos 40 anos foi a linguagem corrente de quem escreve sobre assuntos específicos. Todos apostam nos estrangeirismos, nas figuras linguísticas sem conotações que sejam fáceis de entender e numa espécia de dicionário de rimas do politicamente correcto que empobrece a escrita e principalmente a explicação de qualquer fenómeno.
Se alguma vez me perguntassem qual foi o fenómeno mais duradouro que se verificou em Portugal nestes últimos 40 anos diria que foi esse e que está espelhado em todos os media, porque todos os jornalistas actuais escrevem do mesmo modo, com uma linguagem que os especialistas deveriam estudar. Falta-nos um Umberto Eco para tal e para nos explicar porque é esse o nosso maior empobrecimento.

E no entanto, bastaria a esta gente mergulhar no passado escrito para entender melhor que se passou.

Por exemplo,  no Observador de 7 de Janeiro de 1973, uma edição especial de 176 páginas sobre "as linhas de força da economia portuguesa" um artigo sobre "planeamento" permite entender facilmente, numa linguagem que os economistas de hoje não dominam nem aplicam ( aprendem tudo em inglês, em escolas portuguesas que se gabam disso mesmo), as diferenças de vulto e relevantes para o caso.


Sobre números e estatísticas, as do Público provêm do INE, do bdP e da Pordata, além de outros. O Observador também tinha estatísticas. Sobre o PNB ( em vez do PIB que se distigue daquele de modo teórico e aqui explicado) e outros indicadores de nível de vida.


Naquele pequeno artigo do Observador sobre o "planeamento" fica explicado com toda a clareza, com 40 anos de antecedência, o que correu mal na economia portuguesa durante esse período, incluindo o de 1993, também considerado no artigo. Nessa época, a economia começou a funcionar de modo mais consentâneo com as regras de mercado. Mas nunca como antes funcionava. E é esse fenómeno, ou seja, o de entender porque é que de 1973 a 1993 a economia deixou de funcionar com os mesmos paradigmas, até organizatórios, que os economistas actuais se recusam a explicar ou ignoram mesmo a explicação.

Ao não entenderem a sociedade portuguesa de 1973 os analistas correntes nunca conseguirão perceber porque falhamos sempre as metas, durante estes 40 anos.

E isso apesar disto que é o espelho da nossa vergonha colectiva, tal como mostrado  no Diário de Notícias de 30 de Maio de 2013 ( o seu director Marcelino, às vezes tem lampejos de qualidade):

Apesar dos milhões continuamos a ser o país economicamente mais atrasado da Europa, quando poderíamos mesmo estar no "pelotão da frente", o que é um desiderato positivo na medida em que a melhoria da qualidade de vida de todos é uma meta que todos prometem alcançar.

Por mim, tenho uma explicação prosaica: a Esquerda é a responsável por este atraso económico. Se fizermos como a Polónia que afastou a Esquerda do comando da economia, retomaremos o bom caminho de 1973.
E julgo que teremos todos, toda a vantagem em atinarmos com essa via. Já perdemos 40 anos nesta choldra de palavras ocas, de ideias vâs de de promessas falsas.

Afastem a Esquerda do poder e teremos o problema nacional reasolvido em menos de uma dúzia de anos. Essa mesma esquerda precisou apenas de um ano e meio para destruir economicamente um país durante décadas.
Só um cego político não conseguirá entrever esta evidência.


15 comentários:

Floribundus disse...

'tem andado a esquerda no gamanço,
a trabalhar para uma revolução estraveculosa'

espero que se verifique esta expressão lapidar
'da delapidação à lapidação'

Maria disse...

Vê-se numa das fotos esse estuporado do Soares, o principal culpado da situação caótica e de bancarrota em que o país se encontra desde há pelo menos 30 anos, fruto de um plano diabòlicamente gizado pelo grupo traidor de Paris com a colaboração prestimosa do igualmente traidor de Argel e òbviamente coordenado pelos seus patrões mundialistas a quem obedecem cegamente, a assinar o documento que nos daria acesso à CEE, todo pimpão e a rebentar de gozo e de uma ganância jamais saciada, perante a entrada de dinheiro a rodos (para a sua conta) em perspectiva. Pois, pudera!, com um milhão por dia a entrar em Portugal sem imediatas contrapartidas (estas seriam a doer muitos anos depois mas seria o povo e não ele a arcar com elas) até os seus batimentos cardíacos terão triplicado e a salivar nos milhões que iriam directamente para as suas várias contas bancárias porventura já em off-shore.
Este homem, de tão mau que é, só causa repulsa e não digo ódio porque eu fui educada a não alimentar este sentimento desprezível, mas sei de muito boa gente que o cultiva e lhe tem um ódio de morte.

E proclamaram durante anos, este, o Cunhal e mais uns tantos traidores da mesma igualha, que Portugal tinha que deixar de ser "uma coutada de meia dúzia de famílias"... Claro que não era verdade mas se acaso o fosse essas pelo menos eram famílias prestigiadas, honestas e patriotas que não nunca haviam roubado o Estado nem traído a Pátria, contràriamente a este bando de ladrões que nos traíu desalmadamente e nos anda a roubar desavergonhadamente vai para quarenta anos ciente de que pode praticar as piores malfeitorias que imaginar se possam porque, sabendo-se protegido pelos donos do mundo, ninguém lhe pode deitar a mão.

Estes falsos democratas que nos desgraçaram irremediàvelmente como país e como povo, mentiam despudoradamente quando diziam que Portugal era governado por meia dúzia de famílias. Inveja e mais inveja era o único sentimento que os possuía. Inveja doentia do patriotismo e do sucesso dessas mesmas famílias; inveja do brilhantismo e rigor governativo do Estadista Salazar; inveja mórbida e cobiça desmedida da imensidão territorial de Portugal e da riqueza a ela inerente, ainda que disso jamais tivesse tirado o proveito que lhe competia.

Agora era bom que alguém comparasse a integridade e o patriotismo dessas pretensas seis famílias com a governação mafiosa, a pilhagem aos cofres do Estado, o assalto contínuo ao erário público, a corrupção monstra que atinge quase todos os políticos no activo bem como quase todos os que por lá passaram desde o 25/4 - e lhes e
esfregasse um trapo encharcado do pior esterco nos focinhos para ver se eles aprendiam de vez, emulando o modelo de integridade absoluta dos políticos do E.N.; o que é ser-se um português de lei; e sobretudo a jamais trair a Pátria.

JC disse...

O Público escreve:

"Nesse ano, a economia quase não cresceu e, em 1975, em particular, o PIB caiu 4,3%, um valor não superado por crises posteriores. Em três anos, o peso do PIB per capita português na média da UE diminuiu 5,2 pontos percentuais.

Marcelo Caetano tentava, baseado numa estratégia económica que tinha até aí assegurado taxas de crescimento positivas, ganhar tempo para reformar o regime e a economia internamente e de forma progressiva. A crise económica mundial tornou a concretização dessa tarefa ainda mais improvável."

ISTO É INCRÍVEL!

E ainda falam estes gajos em mentiras (a nova palavra inventada para atacar quem não é de esquerda).

Nem uma palavra sobre o efeito que a revolução dos cravos teve sobre o crescimento económico de Portugal, que, até 1974, e na antecedente década, rondava os 7%!

INCRÍVEL!

josé disse...

Falsificam a História; enganam as pessoas e dizem-se jornalistas.

Devem ser formados pelo ISCTE...

josé disse...

Amanhã, o artigo deve ser de arrepiar os cabelos. Veremos...

jbp disse...

Aqueles cálculos do PIB...algo me escapa, ora se o PIB per capita de 1973 era cerca de metade do de hoje... como é que é possível que o PIB de 1973 seja 1% daquilo que é hoje? Que saiba na altura não tínhamos 1 milhão de habitantes mas cerca de 9 milhões. Tal como diz o José, para quem é....

josé disse...

Os cálculos de 1973 respeitam ao PNB-produto nacional bruto que difere do produto interno bruto-PIB que está na base das contas actuais.

jbp disse...

Mas segundo as contas deles 7220 x 9 000 000 = 1 800 000 000 em vez de ~65MM

jbp disse...

Atenção que apenas estou a ter em conta os valores da "reportagem" do público.

josé disse...

Jornalismo de vão de escada...

Maria disse...

"... um milhão por dia..." não, foi lapso, mas sim NOVE MILHÕES..."(!!!) diàriamente(!!!). A maior parte deles imediatamente desviada pelos grandes democratas para benefício próprio e respaldados por um regime fabricado à sua medida, dando assim largas à sua insaciável ganância por dinheiro.
Maria

lusitânea disse...

Toda a gente se banqueteou com os dinheiros da CEE/UE que em tempo indeterminado passaram até a ser do "ps".Agricultores, comerciantes,industriais,pescas.
Agora são os funcionários públicos que nunca receberam nada a ter que pagar...

Antonio Cristovao disse...

Não devemos ser simplistas nas explicaçoes se não queremos ser enganados. Claro que em 1975 com a produção parada com greves e revoluçoes constantes(eu trabalhava numa e EP em que as chefias inventavam reparações para embolsarem comissoes, e a comissão de trabalhadores inventava razoes para parar o trabalho), com o fim das colonias que passaram a sorver dinheiro em vez de dar,não serve como comparação. Como argumentar com esquerda/direita para explicar seja o que for é enganarmo-nos com chavoes que são tudo menos informação (afinal quem tem beneficiado com os cambalachos de submarinos,PPP, Lusoponte..? a esquerda!!! espirito santo nos acuda!!). Que as seitas que tomaram conta da AR e governações camaras,regional,central,sindicatos,corporações profissionais, deviam ser explicadas aos eleitores para termos melhores votações e escolhas; isso concordo - mas pensem bem o mal ataca todos os espectros e não tem nada a ver com esquerda/direita. Tenho conhecidos comunistas que desejam tanto ver o país bem governado como eu que não voto nas esquerdas grevistas e fantasiosas.Simplificar entre bons e maus engana e tolda o raciocinio: desejem todos gente esclarecida mesmo que pensem o contrario de nós. o benfiquista acusar o portista de mau desportista é redutor e uma mentira que não devemos usar.

josé disse...

Quem é que fazia as greves e a revolução? Foram os capitalistas e empresários?

E a dicotomia esquerda/direita faz todo o sentido porque foi a esquerda que engendrou toda a mudança na economia.

Está tudo explicado neste blog de há meses a esta parte. Basta consultar, acho.

josé disse...

Relativizar tudo e confundir as noções claras das distinções não ajuda nada a perceber o que se passou.

Os cambalachos das PPP´s, submarinos e Lusoponte( a primeira PPP) foram o resultado das políticas de esquerda seguidas de acordo com a Constituição até ao final dos anos oitenta, porque o tecido económico demora anos e anos a formar-se e destrói-se em dois tempos. No caso ano e meio chegou, em 1974-75.

Portanto, o que foi destruído nunca mais foi reconstruído e foi a esquerda ( PS de Guterres e Sócrates) quem fez a política que ajudou os Espírito Santo e quejandos.

Não foi o Cavaco ou uma qualquer direita que nem sei o que é.