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terça-feira, 30 de abril de 2013

TVI: quem manda é um conde barão...

Para quem não saiba, a TVI já foi uma estação de televisão em que o jornalismo atento à realidade obscura da governação oculta tinha alguma atenção. Este tipo de governação, como devia ser óbvio para qualquer jornalista digno desse nome, é o core business da profissão de informar, nesse campo específico do controlo mediático, como contra-poder necessário numa democracia. Era isso que faltava antes de 25 de Abril, em pleno, mas não in totum porque os jornais já estavam enxameados por esquerdistas que assim se revelaram logo no dia 25 de Abril, nas manchetes dos jornais e nos editoriais inflamados que mudaram a linguagem corrente. Ou seja, antes de 25 de Abril de 1974 uma maioria de jornalistas era do contra, como se costuma dizer.
Hoje, paradoxalmente ou talvez não,  a maioria dos jornalistas são da situação e situacionistas. Os exemplos são às mãos cheias, particularmente nas televisões, nas direcções de informação. Todos assumem os papéis dos antigos directores da RTP antes do 25 de Abril. Tudo pelo poder, mesmo fático e nada contra o poder. Anas Lourenços, Josés Albertos de Carvalho e outros inenarráveis na RTP seguem o guião de um poder ideológico adaptado ao tempo que corre por um  motivo muito simples e prosaico: dinheiro. Esses jornalistas que mesmo assim ainda se entendem como profissionais do ramo, ganham mais que a média, muito mais, por causa disso mesmo e enquanto desempenharem esse específico papel situacionista e avesso a fazer ondas que  não convêm a quem manda no momento. Por isso é o dinheiro, salpicado de ideologia difusa,  que manda nesse tipo de informação. Como percebem perfeitamente tal esquema tácito, vergonhoso mas que aguentam muito bem, recusam, por isso,  qualquer reportagem ou notícia que sendo recolhida por repórteres ainda não arregimentados nesse percurso de  panurgo, lá vão mostrando algumas situações escandalosas do sistema político que temos e cujos guardiães se ocupam em preservar da atenção da opinião pública. É o caso evidente da jornalista da TVI Ana Leal, para citar o último. Enquanto esses assuntos não aparecem nos media, pura e simplesmente não existem e daí o esforço sempre renovado do poder político em domesticar quem manda na informação. Os exemplos desta pouca-vergonha institucionalizada nos partidos são por demais evidentes e recorrentes para merecerem apontamento explícito. Um dos episódios mais  grotescos desta saga vergonhosa para a democracia ocorreu no tempo de José Sócrates e está bem revelado no processo Face Oculta, apesar dos cortes de tesoura do antigo PGR que simbolizam bem este estado de coisas.
O caso da licenciatura vergonhosa do mesmo Sócrates é também um exemplo dessa estratégia em que a democracia desta gente se especializou: enquanto não foi notícia de jornal de referência não existia mediaticamente, apesar dos factos concretos e precisos terem sido apresentados noutro lado, no caso no blog Do Portugal Profundo.
Hoje a TVI envereda por esse percurso panúrgico tendo como flautista o conde barão da estação, dono esquisito com sócio da estranja. Segundo conta o Público de ontem,este conde é um aristocrata da informação arreigada ao respeitinho pelos poderes. Segundo o mesmo conde, o baronato dos jornalistas não alinhados neste rebanho, não presta. Não é boa informação. Boa, mesmo boa, para o conde, é a informação do tal José Alberto Carvalho, por exemplo. E da Judite de Sousa, claro, esse exemplo ímpar do jornalismo nacional que tem como única rival a exemplar Fátima Campos Ferreira do Prós & Contras da RTP. Isso sim, é jornalismo "sério e competente". O outro é de latrina ou abaixo de cão. "Travestido" como dizia o outro tratante. Mouras Guedes ou Anas Leais ou outros da mesma laia são jornalistas de terceira divisão, sem honra de seriedade garantida pelo conde do baronato.
O jornalismo "sério" da mesma Judite de Sousa é aquele que convida um expoente da nossa indústria exportadora, no caso o chefe da BIAL, Luís Portela, para o mesmo explicar a excelência da sua empresa exemplar ( até agora, mas logo se verá). Este tipo de jornalismo era o típico que existia antes de 25 de Abril de 1974, no tempo do regime de Salazar/Caetano. Era o jornalismo do  jeito a quem de direito, sem explicitar a intenção e da manipulação publicitária travestida de informação.

Judite de Sousa antes de ter entrevistado (?) o tal Portela, ontem, na presença de Medina Carreira ( como é possível que este ainda não tenha percebido a farsa?) foi convidada do mesmo Portela para apresentar um programa, um "fórum", assim, realizado no final do ano passado: "No Fórum Bial Cardiovascular 2012, a jornalista Judite de Sousa moderou um debate sobre as doenças cardiovasculares, reunindo médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar.

O que significa este tipo de jornalismo, afinal?

Significa o mesmo que o do País Positivo, um suplemento que de vez em quando aparece junto a alguns jornais ( o Público et pour cause) em que jornalistas daquele tipo "sério" se encarregam de entrevistar chefes de empresas públicas e privadas a quem dão tempo de antena escrita para dizerem o que bem entendem sem qualquer entrave do jornalismo "travestido".

É este o jornalismo típico que o conde quer para a sua TVI. E que as anas lourenços praticam há muito e na RTP sempre foi norma caseira.

Esta miséria não há meio de acabar.

Swaps: o crédito que falta

Este artigo sobre os cds, escrito por um economista no Jornal de Negócios de hoje ( é oferecido e não sei quem lhes paga o almoço...) vale a pena ler porque se trata de alguém que sabe  tocar rabecão sobres estes assuntos e sintoniza com as dúvidas que muitos sapateiros têm sobre isto. Até eu...


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Judite da TVI e o saber

A jornalista Judite de Sousa que pelos vistos censurou notícias na TVI, recentemente, acaba de dizer a Medina Carreira, no seu programa semanal, hoje com a presença de Luís Portela da BIAL, que no tempo de Salazar "o saber estava concentrado em meia dúzia de pessoas".

Judite de Sousa talvez tenha uma razão: no tempo de Salazar o saber não ocupava lugar e Judite de Sousa não teria o lugar que tem.

Outra coisa: Medina Carreira não sabe destas coisas? Está para ali a comentar o ensino actual, pobre comparativamente ao passado e ouve estas coisas sem pestanejar? Mais: saberá Medina Carreira que tipo de jornalista é Judite de Sousa e o que tem feito recentemente na TVI? Isso não conta nada?
Se não conta, a conta de Medina Carreira vai a pique...

O princípio da igualdade de tratamento...

 Sol:

"Rui Verde entregou uma participação ao Ministério Público junto do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa para pedir a anulação da licenciatura em Engenharia Civil de José Sócrates pela Universidade Independente, alegando que o caso é em tudo semelhante ao de Miguel Relvas e pedindo tratamento igual para o ex-primeiro-ministro.
Na participação a que o SOL teve acesso, Rui Verde explica que, ao ler a fundamentação do relatório da Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) que propôs a nulidade da licenciatura de Relvas, "rapidamente se vê que a factualidade descrita é demasiado similar com a ocorrida com José Sócrates de Carvalho Pinto de Sousa na Universidade Independente".
Além disso, sustenta o antigo vice-reitor da Independente, "também o enquadramento jurídico-administrativo da Universidade Lusófona é idêntico ao da Universidade Independente".
Aquele que é apontado pelo Ministério Público como um dos principais responsáveis pela falência da antiga universidade privada conclui, por isso, que situações idênticas devem ser tratadas de maneira semelhante e vem pedir ao Tribunal que instaure uma acção pública para declaração de nulidade da licenciatura de Sócrates.
Para defender esta posição, Rui Verde recorda o que diz ser o historial do grau obtido pelo ex-primeiro-ministro, lembrando que também ele teve direito a equivalências dadas por um órgão alegadamente sem competências para tal.
"O processo de equivalências foi preenchido manualmente por uma funcionária da secretaria e não está assinado. Não intervém qualquer Conselho ou órgão competente para a concessão de equivalências", lê-se na participação assinada por Rui Verde, que é um dos principais arguidos no caso Independente e cuja ex-mulher, juíza, já foi condenada num outro processo sobre os mesmos factos.
Uma das testemunhas agora arroladas por Rui Verde é Eurico Calado, que à data era responsável pela cadeira de Inglês Técnico e que já afirmou anteriormente em Tribunal que "não teve conhecimento de qualquer facto ligado à passagem de José Sócrates na Universidade", apesar de ser a pessoa que "superintendia as equivalências".
De resto, Rui Verde socorre-se de outras testemunhas que já depuseram no caso da Independente para defender a ideia de que houve irregularidades na licenciatura de José Sócrates: "Bruno Silva foi o responsável pela administração escolar da universidade desde 1995, o departamento encarregue do expediente académico como equivalências. Disse, debaixo de juramento no processo supra mencionado, em 12-12-2011 desconhecer qualquer procedimento relativo ao aluno José Sócrates, nunca viu equivalências ou pautas".
E, à semelhança do que concluiu a IGEC em relação a Miguel Relvas, Rui Verde sublinha o facto de Sócrates ter sido avaliado de forma diferente do que os restantes alunos inscritos numa mesma cadeira, neste caso Inglês Técnico.
"A metodologia utilizada não estava de acordo com a utilizada com os restantes alunos", frisa o ex-vice-reitor da Lusófona, que já escreveu um livro sobre a licenciatura de Sócrates, alegando que o processo deveria ser reaberto – algo que Cândida Almeida recusou – por alegadamente o DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) não ter tido acesso aos documentos reais sobre o curso do ex-dirigente socialista."

Costa Andrade e o fruto envenenado pela aldrabice secante do Direito

O professor Costa Andrade, da faculdade de Direito da Universidade de Coimbra publicou mais um escrito no jornal Público do passado dia 14 do corrente, sobre assuntos candentes e falhei o acontecimento porque já não compro regularmente o jornal. Hoje, mão amiga trouxe-me o artigo em causa que mostro aos leitores interessados e registo por aqui.

Vale a pena ler porque apesar do estilo barroco a fugir para o bizantino ou vindo daí em primeiro lugar, relata a sua visão particular de jurista sobre a magna questão da igualdade entendida pelo tribunal Constitucional como ferida na asa com o tiro do Orçamento de Estado para 2013. E vai daí, o chumbo do TC, por esse motivo.
Costa Andrade, muito arredio do convívio público e ainda mais recluso em dar a estampa virtual o seu pensamento sobre assuntos penais de monta ( e nada teria a recear porque é autoridade na matéria) , recusando tacitamente entrevistas a esse propósito, escreve em modo engraçado mas sustentado em ideias jurídicas que sendo discutíveis, são, como dizia o seu antigo colega, já falecido ( Orlando de Carvalho) fruto perene de aldrabices secantes.
Detecte-se, por isso, onde residirá neste caso a aldrabice em que o professor de Coimbra  incorreu para dar o seu parecer jornalístico contra a corrente.


domingo, 28 de abril de 2013

25 de Abril de 1974: os dias depois

Depois do dia 25 de Abril de 1974 e de 1 de Maio, o estado da Nação modificou-se substancialmente. Politicamente foi uma revolução. Economicamente ainda não. Mas havia sinais evidentes do que se viria a passar nos meses seguintes.

Por exemplo, nesta imagem do Século Ilustrado de 18 de Maio de 1974,  de tomada de posse do general António de Spínola como presidente da República, conferida pelo general Costa Gomes, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e membro da Junta de Salvação Nacional já se podem ver as figuras do dissenso futuro. Já lá estavam o então coronel Vasco Gonçalves, majores Vítor Alves e Melo Antunes e capitães Vasco Lourenço e major Carvalho...e outros figurantes da cena política dos anos vindouros.

Nessa cerimónia estiveram presentes quase todos os membros da nova classe política porque também o novo Governo lá esteve. Nenhum governo europeu da época tinha um ministro comunista e muito menos um ministro como Cunhal. Nenhum. Nunca. Portugal, teve...bem como um ministro socialista que ainda não tinha colocado o socialismo na gaveta. Porém, foi apenas uma questão de semanas. A Maçonaria não era comunista...e Palma Carlos foi o primeiro Primeiro-Ministro.

Menos de dois meses depois, já havia crise no Governo, como mostra esta imagem do Século Ilustrado de 13 de Julho 1974. Porquê? Ora...pelo costume de sempre.


As crises, porém, não se limitavam à política. Para ficarmos apenas num campo que teve muitíssima importância nos anos seguintes, provavelmente mais do que as crises políticas houve a "crise no ensino".
Esta página do Século Ilustrado de 1 Junho de 1974, sobre o ensino secundário da época, dá-nos uma imagem muito aproximada da génese das "ciências da Educação" que nos estragaram completamente o sistema de ensino nestes últimos 40 anos ( começou antes do 25 de Abril).
A frase que começa com "Pedro Nunes" é de um professor, José Mango que ensinava História nesse liceu Pedro Nunes. É bem reveladora do espírito da época e do que nos sucedeu...após o 25 de Abril de 1974: a destruição de um sistema por um outro que não tinha hipóteses de se construir coerentemente. Ainda hoje vivemos o problema e cada vez mais, parece.


O jornalismo trash do Correio da Manhã: manchas de sujidade na primeira página

Ontem o jornal Correio da Manhã tinha esta mancha na primeira página:

Quem leu percebeu o quê, exactamente? Que Durão pode ter sido um estudante "à Relvas", cujo significado entrou no domínio do discurso corrente: facilidades académicas para obtenção de curso superior.
A mancha do jornal é grave porque associa as "cadeiras à Relvas" com a "passagem administrativa a 8 disciplinas", "no Prec", acrescenta o jornal na mancha suja de primeira página.

Tal é desenvolvido no interior do jornal em modo ainda mais manchado e com sujidade ainda mais carregada. Assim:

A jornalista Diana Ramos que provavelmente não viveu o PREC e não sabe o que foi exactamente, atira a mancha de sujidade escrita para cima da foto de Durão Barroso, o apanhado do dia neste jornalismo trash que não sei em que escola foi aprendido e com quantas cadeiras se fez.
Escreve a mesma que Barroso "tirou o curso no período da revolução de 1974", o que é falso, porque Barroso acabou o curso em 1978. Escreve ainda que "do total de 23 cadeiras, 8 foram feitas com a atribuição de notas de forma automática, uma prática comum naquele tempo". Falso novamente. Não foram oito nem era comum "naquele tempo" que  porque tal só ocorreu num mês daquele tempo, precisamente o mês de Maio ou Junho de 1974, no rescaldo do 25 de Abril e na confusão que se gerou nas faculdades, mormente de Direito, a propósito de disciplinas "fascistas", professores "fascistas" ( o grande professor Martinez que o diga) e de curricula "fascista". Como passou quase tudo a ser "fassista" ( Domingos Abrantes repetia o termo ad nauseam) o curso de Direito, onde Barroso se encontrava inserido no MRPP, movimento cripto-comunista contra o "fassismo" e o "social-fassismo", levou uma volta ideológica e em Junho de 1974 foi aprovada em RGA ( estive lá, numa dessas reuniões gerais de alunos e vi o ambiente revolucionário, fervilhante dos garcias pereiras, barrosos e tutti quanti) a suspensão de exames na faculdade. Tal determinou, por decisão sabe-se lá de quem, as tais passagens administrativas para aqueles que se encontravam inscritos em exames e só para esses. Barroso estaria inscrito em dois exames nessa altura e beneficiou por isso de duas passagens administrativas e não oito como escreve a jornalista-trash. O jornal de hoje, aliás, refere que Ana Gomes também beneficiou de tal coisa, a uma cadeira...

A explicação deste fenómeno ocorrido em Junho de 1974 não é devidamente contextualizada no artigo em causa porque o objectivo não seria esse, notoriamente. O desiderato que a mancha de primeira página confirma é apenas um: declarar urbi et orbe, com a autoridadae jornalística do Correio da Manhã, sancionada pelo seu director que neste caso devia ter grande vergonha, que afinal Durão Barroso é da mesma estirpe académica de um Relvas. E não é, evidentemente. Mas com a mancha de primeira página do CM passa a ser para muita gente que passou no escaparate do quiosque e leu a sujidade manhosa. Esse efeito ninguém lho tira, ao Correio da Manhã e os jornalistas trash sabem perfeitamente que assim é e deixam que seja porque lhes rende leitores e dinheiro. Obsceno, portanto. Criminoso, eventualmente. Indesculpável, sempre.

A prova de tal malfeitoria vem na edição de hoje do mesmo jornal. Com a mancha suja na primeira página de ontem, a reitoria da Universidade fez horas extraordinárias num dia de descanso semanal, eventualmente por pressão do visado ( será que fariam o mesmo com outra pessoa?) e o jornal publica hoje mesmo um esclarecimento cabal que deveria aparecer na primeira página. Mas não aparece porque o efeito de ontem já surtiu todo o curso possível. A mancha de hoje é sobre a"pornografia infantil" atribuída a uma juíza ( uma magistrada jubilada mas tal só se descobre lendo no interior. O que interessa é, mais uma vez, a mancha suja na primeira página).

Apesar de Durão Barroso solicitar a "correcção imediata da notícia, com o mesmo destaque com que foi publicada" tal não acontece porque o jornalismo trash é mesmo assim: faz o mal, aproveita para fazer caramunhas logo a seguir, se lhe interessar, e não tem emenda, porque não há modo de o emendar, a não ser com medidas drásticas que a democracia não permite, em nome da liberdade de informação que esta gente por vezes avilta sem punição alguma.

A única correcção decente à tal mancha suja seria um esclarecimento cabal na primeira página em que se desse conta dos erros e asneiras da notícia assinada pela tal Diana Ramos que provavelmente nem se dá conta da gravidade destas coisas.
O Correio da Manhã deveria ter escrito muito simplesmente isto na mancha da primeira página de hoje:

"Ao contrário do que o Correio da Manhã afirmou ontem, em primeira página, Durão Barroso não fez o curso com cadeiras à Relvas. O jornal errou em vários factos que se esclarecem no interior e pede desculpa aos leitores e visado". Era assim, pelo menos. Pois bem, nada no jornal de hoje reflecte tal mea culpa que evidentemente não sentem. Nada de nada e a página que consagram à reposição dos factos é esta, simples e sem comentários a pedir desculpas ou a explicar o jornalismo de manchas sujas.

O que fazer com este tipo de jornalismo? Nada de especial. Parece que a Universidade recorreu à ERC. Perda de tempo. Os tribunais também não são para este tipo de jornalismo porque a jurisprudência do TEDH assegura que isto pode ser liberdade de informação legítima,  porque há factos que são verdadeiros e o exagero noticioso é algo com que as sociedades modernas têm que conviver.
Pois então sugiro outra coisa mais eficaz e pessoalizada: aos responsáveis por esta mancha suja no jornal onde trabalham e de que vivem, far-lhes-ia o que dantes no far-west se fazia aos pequenos delinquentes sem emenda: um balde de alcatrão e penas, com passeio pela Rua Principal. Por cá, o alcatrão está pela hora das ppp´s e as penas já as devemos aos pássaros. Por isso mesmo, pode haver alternativas mais viáveis: um balde de entulho de papéis velhos do jornal que escrevem, com tinta fresca por cima.
Estou em crer que não farão queixa do tratamento...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Economistas e Historiadores: quem sabe melhor?

Vasco Pulido Valente, na sua crónica  no Público ( que não comprei nem li) de Domingo passado escreveu qualquer coisa sobre um livro de Vítor Bento, "Euro Forte, Euro Fraco". Bento não gostou do que leu e queixou-se no mesmo jornal, hoje em carta à directora. Assim:


VPV leu a carta antes e respondeu também hoje no jornal. Assim:

Quem tem razão? Humm...quando era pequeno, o meu irmão e eu sentávamo-nos à beira do meu pai nas noites de início de Verão, fora de casa a ver as estrelas e a apreciar o ar quente da noite,  e ele, um ano e meio mais novo que eu,  tinha o hábito de fazer perguntas fantásticas. Estou mesmo a imaginar uma pergunta dessas: pai, quem sabe mais: um Historiador ou um Economista?
Quase que adivinho a resposta: talvez o Historiador porque Economista não sei bem o que seja... ( nos anos sessenta era uma ciência esotérica, aliás tal como hoje).

O partido nacional-syriza quer tachos...

RR:

O coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo afirma que o partido está preparado para subir ao Governo.
“Confiamos que esta é a hora da esquerda governar e dizemos que, pela nossa parte, estamos não apenas disponíveis, mas prontos para governar, para fazer parte da solução", garantiu durante um comício do partido em Lisboa, na quinta-feira à noite.
"Um governo de esquerda que rejeite a austeridade, que ponha termo ao memorando da ‘troika’ e imponha aos credores uma renegociação da dívida - este é o nosso Governo de esquerda”, explicou.
Esta sexta-feira, começa o congresso do PS.


Então não estão prontíssimos para governar o país? Mais que prontos: ansiosos. Em seis meses abrem falência no Estado e vão dizer que a culpa é do capitalismo neo-liberal.  Já tem o Ferro-que devia ter vergonha na cara mas não tem- Rodrigues e o Alegre poeta e outros que irão assegurar que o BE é um partido tão democrata quanto eles o são. O PCP, esse, vai fazer a figura do costume: fossilizar ainda mais.
O neo-PREC já começa a dar os seus frutos envenenados e o velho PREC pariu estas abencerragens. Os portugueses em geral, esses, fazem a figura de campónios prontos a ser burlados por estes chico-espertos do  novo conto do vigário.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O que ganhamos com o advento do dia 25 de Abril de 1974?



Quem era estudante, como eu, numa capital de distrito do Norte de Portugal,  no próprio dia teve uma manhã de incerteza nas aulas. Os professores sabiam tanto como os alunos, sobre os acontecimentos que se desenrolavam em Lisboa. 
Numa época em que os media se resumiam a jornais diários, com saída de manhã e à tarde, esperavam-se os jornais da tarde para saber notícias do “golpe de estado” que decorria por conta das Forças Armadas. A tv só à noitinha daria notícias e portanto o rádio era o mais perfeito que havia para se saber algo de novo.  Mas o rádio estava calado de notícias e só passava marchas militares, o que era enervante para quem nada mais sabia ou podia saber. As poucas notícias eram para avisar que as pessoas não deviam sair de casa e portanto esperar passivamente o que se passaria a seguir.
Os jornais da tarde desse dial, alguns deles em 2ª edição como o República ( de oposição socialista embora não declarada e maçonicamente evidenciada) anunciava em primeira página que ”As Forças Armadas tomaram o poder”. As linhas de notícias eram lidas sofregamente por quem queria saber mais. 


Ou o Diário Popular desse mesmo dia



 Imagens  tiradas  daqui. 

O Diário de Lisboa desse mesmo dia já adiantava mais um pouco sobre o programa das Forças Armadas e já se falava no “regime que oprimia” desde o 28 de Maio de 1926. O Diário de Lisboa era de Esquerda, comunista porventura, embora disfarçado.


A vida corrente dos trabalhadores que seguiam para os empregos, nos poucos carros que circulavam na cidade pequena, não alterou quase nada a actividade quotidiana e sentia-se que as pessoas estavam na expectativa. Já tinha havido uma revolta antes e não se sabia o que poderia acontecer a seguir.
O discurso do rádio, à noite, no  noticiário das 20h, no RCP, foi o da Proclamação do MFA vitorioso. O Governo de Marcello Caetano tinha caído e Lisboa era do MFA.  O povo saiu à rua.
Os dias que se seguiram foram de alguma euforia noticiosa. A principal novidade, para mim, foi o aspecto do telejornal da RTP, nesse dia à noite: Fialho Gouveia e outros apareciam sem gravata a relatar as notícias.  Já no concerto de Março de 74, no Coliseu dos Recreios, a assistência tinha gritado para um Carlos Paredes funcionário público e músico nas horas vagas  “tira a gravata, pá!” e isso deu-me um sinal de mudança.
O ambiente geral distendeu-se e o discurso mediático tomou forma e rumo diferentes do espartilho em que se orientavam até então.  Foi essa mudança notória e radical, de algum modo, que constituiu o primeiro sinal de uma maior liberdade trazida pelo MFA.
O resto,  nos dias que se seguiram foi a convocatória para manifestações em lugares públicos, feita por movimentos  como o MDP/CDE,  e depois pelo infatigável “partido”, o único, o que dominou o discurso político desde a primeira hora da Revolução e que começou a colocar os nomes aos acontecimentos e factos.  Através dos seus homens de mão nos lugares dos media conseguiram orientar toda a opinião pública para uma versão da “Revolução” a quem chamaram sua.
Portanto, o que se ganhou do dia 25 de Abril de 1974 foi a liberdade de poder sair à rua em manifestação, neste caso de apoio ao MFA, espontaneamente, o que ocorreu em todo o país. Antes não existia essa liberdade.  E principalmente o poderem fazê-lo sem sentirem que poderiam ser presas por actividades subversivas, porventura para mal dos pachecos pereiras que já se tinham habituado ao jogo clandestino que os viciou para sempre. 
Mas atenção que passados poucos meses, houve logo prisões de outros "subversivos" como eram os partidários indefectíveis do MRPP, prisões ordenadas por influência directa de quem, afinal? Dos mesmos que tinham sido as principais vítimas do anterior regime...

 Será que as pessoas davam muito valor a essa nova liberdade?  Assim, assim. Os políticos nascentes evidentemente que sim e que viveriam disso nos anos vindouros. A população em geral não entendeu tal liberdade como fundamental para lutar por ela. Nunca o tinha feito, aliás.
Outra liberdade importante que se ganhou nesse dia foi a possibilidade de ler os jornais e ouvir as notícias sem o crivo da censura prévia. Jornais houve, particularmente os de esquerda cripto-comunista e mesmo socialista que saíram nesse dia e seguintes ostentando o rótulo visível de que “não tinham sido visados pela comissão e censura”, como se isso fosse bastante para afastar o espectro de outra censura que não demorou tempo nenhum a surgir: o República, esse mesmo, que o diga porque passados alguns meses teve um conflito político-laboral que conduziu ao encerramento do jornal. Os tipógrafos, comunistas, queriam controlar o conteúdo do jornal, contra a direcção socialista. 
O Diário de Notícias, tido como um jornal espelho de regime, foi tomado meses depois pelos comunistas.  Saramago nomeado director, saneou e censurou, como o regime anterior não tinha feito.
O rádio, no caso a Emissora Nacional, pública,  teve os mesmos problemas com um tal Ançã Regala, logo em Junho de 1974. Regala, comunista encartado na extrema-esquerda julgava-se com o direito de impor ideias comuns à ideologia, no rádio da época, controlado pelo PS. Logo, foi despedido. Com justa causa, porque a lei dos despedimentos só apareceu dali a um ano, em 1975. Estas lutas políticas por lugares de influência mediática repercutiram-se em todos os media controlados pelo Estado nos anos vindouros. Entrava um partido, saiam os directores dos media, para regressarem tempos depois, se lhes aprouvesse. A Liberdade de imprensa tem sido isso, desde então.
Nenhum destes factos conflituava com a sensibilidade dos novos democratas que já vituperavam o “fassismo” à moda do inefável Abrantes do PCP ou mesmo do “fachismo”, com o  “a”   sovieticamente fechado dos demais militantes, com destaque para o herói regressado do exílio,  Cunhal, também apelidado de  Barreirinhas  pelos arqui-rivais do MRPP,  para achincalhar o ídolo.
A liberdade de imprensa que não havia antes de 25 de Abril passou a existir depois, mas com estas condicionantes e ainda outras mais interessantes: o discurso dos jornais, revistas e media em geral fazia-se seguindo um padrão e um guião oposto ao usado antes: o “fascismo”, a “reacção”, a “burguesia”, a “classe trabalhadora” ganharam dimensão inusitada nos meses seguintes.
Os acontecimentos e até os factos eram relatados segundo o ponto de vista da luta das classes trabalhadoras e da revolução socialista em prol da sociedade sem classes e outras utopias que faziam sentir saudados dos tempos do “Se bem me lembro” de Vitorino Nemésio.
Os novos heróis eram os vilões do antigamente e as novas palavras tomaram o curso normal da vida democrática em que passaram a ser  proibidas as organizações que supostamente quisessem fazer retornar o país ao Estado anterior e tal foi entendido como um exercício de plena maturidade democrática. A Europa não usava disso mas por cá passou a ser moda. Ou seja, a liberdade de associação foi amputada de organizações que putativamente “subvertessem” a democracia jovem e insegura.  Ou seja ainda, tal e qual a receita do antigamente que proibia as organizações  “Subversivas”.  Qual a diferença substancial?  Apenas uma: era e continua a ser possível denunciar publicamente tal entorse.  Dantes não era, ou não era se fosse dito de modo ofensivo para o regime, mas havia quem protestasse vivamente, sem ser castigado por isso.

Mas o grosso dos problemas com estas novas e amplas liberdades viria a seguir.

ADITAMENTO:

Numa reportagem da SIC- N que passou há minutos ( cerca das 20:45) o radialista João Paulo Diniz contou que dois dias antes do 25 de Abril foi contactado pelos capitães de Abril Costa Martins e Otelo que marcaram encontro com o mesmo no Apollo 70, em Lisboa, junto ao Campo Pequeno. Aí, pediram-lhe para passar uma canção às cinco para a meia-noite do dia 24 para 25 de Abril no RCP ( melhor, nos Emissores Associados de Lisboa- o lapso foi meu) , a fim de dar um sinal aos militares revoltosos contra o regime. Segundo aquele, pediram-lhe uma canção de Zeca Afonso ( com quem aliás se tinham cruzado ao descer as escadas do "drugstore" para a cafetaria da cave). João Paulo Diniz conta agora que lhes disse que José Afonso nem pensar porque era proibidíssimo ( foi a expressão que usou)  passar discos e músicas do cantor no rádio da época porque a Censura não permitia. Aliás, no Limite da Rádio Renascença não tiveram esses problemas porque passaram a Grândola...do mesmo Zeca Afonso.

Estranho muito tal afirmação porque sempre ouvi José Afonso no rádio, particularmente no RCP, onde tal devia ocorrer. Foi aí que ouvi o álbum Venham mais cinco e as canções A formiga no carreiro e o titulo tema, sempre nos primeiros meses do ano de 1974. José Afonso e os cantores de esquerda, todos juntos, tiveram o seu happening, aliás, no Coliseu dos Recreios. E aquelas canções, ouvi-as muitas vezes porque eram "hits" da época. Aqui fica a prova histórica da falsificação que esta gente pratica como exercício contínuo de uma memória mentecapta.  A imagem é da revista Cinéfilo de 6 Abril de 1974, quinze dias antes do dia.


Não percebo se esta gente perdeu a memória ou inventa memórias de esquerda. Talvez as duas coisas. E ainda outra coisa: o Portugal desta gente não é o meu e aposto que o meu seria bem melhor do que isto que esta gente nos legou. Bem melhor para todos, mas ainda vai demorar algum tempo a uma maioria perceber o embuste desta canalha.

25 de Abril de 74: o dia em que o regime caiu de velho

No dia 25 de Abril de 1974 o regime que Marcello Caetano representava caiu no Carmo, mas a Trindade não fechou.
Na verdade, o regime não teve ninguém de relevo que o suportasse nesse dia porque estava velho e morreria num dia daqueles. Foi em 25 de Abril como poderia ter sido quase um mês antes, com a revolta das Caldas. Ou seria dali a outros dias ou meses. Não creio que anos porque os asnos que não mudam desaparecem do mapa da relevância. Marcello Caetano tentou a mudança mas não conseguiu porque não tinha ânimo nem espírito suficiente para a protagonizar em modo eficiente e ninguém o ajudou nessa tarefa porque o regime já não o permitia. O regime caducou e por isso caiu.
Ninguém de relevo o chorou publicamente e tirando os apaniguados do mesmo, incluindo a polícia política e os seguidores acéfalos ( que depressa viraram de casaca) não houve vozes activas e consistentes contra a Revolução desse dia 25 de Abril. Toda a gente, maioritariamente, concordou com a mudança brusca. E por isso veio para a rua e deu vivas à Liberdade porque estava farta de certos tiques autoritários que já cansavam, alguns  sem sentido prático a não ser um hábito arreigado para fazer cumprir um respeitinho também caduco.

Sinais de tal estado de coisas socialmente relevantes não faltavam. Por exemplo, o cronista Ferreira Fernandes que no outro dia no DN escreveu uma crónica memorável sobre a estupidez humana, escreve hoje sobre os fait-divers que explicam porque a Nação ( tal como se chamava ao povo, então) já não suportava o regime.

O autoritarismo do regime que Marcello Caetano defendia, para o proteger dos "subversivos" comunistas, já não convencia ninguém e caducou a validade, em 25 de Abril de 1974.
A Censura prévia também era um óbice mas talvez menor do que se pensaria. A Nação percebia o que se passava essencialmente, talvez melhor que agora, com democracia aburguesada e liberdade de expressão condicionada pelas impresas que por aí pululam à cata de rendimentos.

Conforme explicava uma pequena sondagem no Diário de Lisboa de 1972...as pessoas em geral consideravam-se bem informadas… em assuntos internacionais. “Nos outros, vamos andando. Tiram-se umas pelas outras”. Tal e qual e era assim mesmo que as pessoas sabiam o que se passava porque percebiam a natureza do regime que não contestavam por aí além, tirando os fósseis comunistas e uma oposição crescente, de tendência democrática ocidental que queria outro regime mais aberto e com maior liberdade para dizer e escrever.





Ainda assim o que se escrevia antes de 25 de Abril de 1974 e que não era publicado devido à tal Censura era relativamente pouco e de pequena importância porque reflectia em quase tudo a ideologia comunista sobre a qual Marcello Caetano tinha carradas de razão como o tempo veio demonstrar amplamente, mas os portugueses actuais que provavelmente se consideram bem informados, pelos parâmetros da época,  não querem perceber. Ou não sabem o que é ainda pior.
Os “Livros proibidos” pelo regime eram assim, como mostrava um antifassista encartado, na revista do DN há uns anos ( 2007). Esses "livros malditos" e proibidos nunca foram óbice à leitura dos mesmos por quem nisso revelava interesse, mas ainda assim serviu para forrar os argumentos sobre a Censura terrível que havia antes de 25 de Abril que os proibia, preservando-os dos olhos sensíveis. Sussurrava-se então que havia livros escritos pelos escritores malditos que os guardavam na gaveta com medo da Censura. Depois de 25 de Abril descobriu-se que nem um só havia que valesse a pena ler. Patético.





Lendo a crónica do cronista do DN que no outro dia escreveu aquela coisa  inteligente, percebe-se que relata o caso singular de uma prisão de um boateiro, num quiosque. E relata também, sem lhe pôr o nome, o caso ainda mais singular de Alberto Martins que em Coimbra, perante o presidente da República, ministro da Educação e outros próceres do regime,  resolveu interromper e provocar os presentes. Mandaram-no calar, por respeitinho, mas isso tornou-se caso que lhe rende agora o prestígio de antifascista. Rende-lhe prestígio e cargos como o de ministro. Sinal dos tempos. ( Por esclarecimento de quem de direito, a personagem mítica do ex-ministro Alberto Martins não deve ser incomodada com a minha interpretação porque não é dele que se trata mas de um outro, também do PS, mas por enquanto no anonimato. Fica o esclarecimento que para o caso tanto vale. Si non e vero e ben trovato, no caso do mesmo Alberto Martins).

Ora sobre os boatos, não era só o regime de Marcello que se preocupava ao ponto de a polícia prender boateiros. Também no regime que se lhe seguiu “o boato era a arma da reacção- é preciso esmagar o boato”. Assim mesmo, nessa língua de pau que os comunistas, esses democratas da 25ª hora, inventaram para ludibriar papalvos.
Esses camaradas tinham aprendido com os cartazes da União Soviética, pátria dos povos que eles queriam irmanar por cá. Mas não diziam nada, como agora.




Portanto e rematando: o dia 25 de Abril de 1974 acabou com a Censura? Sim, com a do regime. Mas apareceu logo outra…mais subtil e menos brutal, mas eficaz também. E o tempo actual é a prova disso mesmo.

Devolveu a Liberdade aos portugueses que estavam fartos do autoritarismo salazarista/ caetanista? Sem dúvida, nisso. Mas…em que consistiu verdadeiramente essa Liberdade?

Veremos a seguir.