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domingo, 30 de junho de 2013

Os pivots privilegiados da RTP

Daqui:

O jornalista da RTP José Rodrigues dos Santos recusou reduzir o seu salário de cerca de 13 mil euros mensais, segundo a edição de sábado do 'Expresso'.
Já Fátima Campos Ferreira, Carlos Daniel e João Adelino Faria mostraram-se receptivos a um entendimento com a administração da RTP, liderada por Alberto da Ponte, para baixarem.
José Rodrigues dos Santos terá invocado a "perda real de 50 por cento do seu vencimento ao longo dos últimos anos" em que a empresa pública procedeu a alguns cortes, atingindo todos os profissionais.
De recordar que várias estrelas do entretenimento viram os seus salários baixarem mais de 30 por cento, entre os quais Catarina Furtado e José Carlos Malato, cujos ordenados estavam entre os 20 e os 30 mil euros.
A medida está a ser aplicada também a vários rostos da informação. Porém, e ao que o CM apurou, as conversações que decorrem desde maio, não estão a correr de forma pacífica.
O CM tentou contactar o jornalista e o conselho de administração da empresa pública de televisão, mas sem êxito.
Fonte próxima de José Rodrigues dos Santos disse ao CM que este pode "vir a ponderar e a negociar a sua saída da RTP".

Teresa Oliveira | Correio da Manhã | 30-06-2013

 Como é que estes privilegiados da televisão pública conseguiram o estatuto? Que especial recomendação lhes assegurou um rendimento superior, em alguns casos o triplo dos titulares de órgãos de soberania  e igualmente pagos pelo erário público? 
O facto de serem vedetas popularizadas pela aparição contínua nos écrans a apresentar notícias ( por vezes nem sequer redigidas pelos mesmos) ou a apresentar programas de entretenimento, pode justificar a diferença  pelo factor concorrência e pela qualidade pessoal única e intransmissível dos beneficiados. Ou seja, pela categoria profissional dos visados que no mercado audiovisual valha o que lhes pagam.

Será assim?  Esse mercado existe, em Portugal? Será que o jornalista José Rodrigues dos Santos merece o que ganha pelo valor profissional que tem e pelo facto de ser esse o "preço de mercado"?  Duvido, apesar de achar que José Rodrigues dos Santos é um dos poucos jornalistas que não toma partido por causas ideológicas.
O problema é que ganhou notoriedade na televisão pública e os vencimentos que aí atribuíram aos chamados "pivots" tiveram outra razão de ser, a meu ver: controlar o sentido das notícias de modo a acautelar a tentação de se tornarem demasiado independentes e começarem a redigi-las de modo incómodo para os poderes do Estado do momento ou sem qualquer agenda político-ideológica como hoje acontece generalizadamente, nos media.
O modo como o poder tutelar do Estado conseguiu tal desiderato é notável e digna de um pequeno maquiavel: os pivots ganham o vencimento da tabela salarial, como base e relativamente modesto, em termos de salário em geral, mas ainda assim já privilegiado em termos de função pública. E enquanto forem pivots ganham um suplemento remuneratório que em termos de direito laboral se tornou permanente e portanto integrado no salário, que assim sobre facilmente para os tais 13 mil euros de Rodrigues dos Santos. Uma habilidade saloia que só serviu para inglês ver e ao mesmo tempo condicionar o "respeitinho" dos mesmos que assim sabem perfeitamente que ganham o suplemento enquanto forem...pivots.

Por outro lado, a noção de "serviço público" que se exige à RTP implica necessariamente a moralização destes privilégios que afectam a credibilidade de quem apresenta notícias. José Rodrigues dos Santes faz muito bem em sair da RTP. Os outros nem deviam lá estar...

sábado, 29 de junho de 2013

João Abel Manta o pintor da manta do PREC

O pintor João Abel Manta, comunista retinto e permanente mesmo após a queda do muro, em 1975 era um cartoonista de grande classe e mérito. Os seus desenhos e "cartoons" marcaram o panorama do PREC de modo que a lembrança visual dos seus cartoons dá uma impressão que vale mil palavras.
Em 1978 as edições de O Jornal publicaram um álbum de recolha de algumas das suas caricaturas " do tempo de Salazar". Lembro-me muito bem de ver o belíssimo livro na montra da livraria Bertrand, mas...era demasiado caro para o meu bolso de então. Desde aí é um dos livros ( a edição original, claro) de um culto que procuro sempre em alfarrabistas. Até agora, sem sucesso...





O sua ilustração mais célebre, desse tempo, será porventura esta, de apoio ao camarada Vasco e em ligação com o MFA...

Depois colaborou activamente na campanha de "dinamização cultural" e apoiou a "batalha da produção" que acabou miraculosamente com as greves em Portugal. Nessa altura, os trabalhadores passaram de repente a ter deveres e os direitos ficaram suspensos porque a Intersindical assim o quis.
A ilustração é de O Jornal de 14 de Novembro de 1975.

E esta beleza em página dupla do mesmo O Jornal de uma semana antes, 7 de Novembro de 1975 mostrava bem o sentido real das ocupações de casas muito em voga naquela altura...

Assim como esta relativa a uma equação difícil de resolver mas facílima de entender, apesar da complexidade aparente: como é que o comunismo tendo todos os instrumentos económicos na mão política conseguiu afundar economicamente o país em menos tempo que o diabo esfrega um olho. Esta, de facto, nem o Einstein se daria ao cuidado de analisar porque a estupidez do que é óbvio não precisa de grandes análises...



A fuga dos Pides/DGS de Alcoentre em 1975: "que se passa?"

Em pleno PREC, em 29 de Junho de 1975, um Domingo,  ocorreu um episódio caricato e ao mesmo tempo exemplar do tipo de país que somos: 89 agentes da DGS, polícia política do regime que caiu com Marcello Caetano estavam presos, juntamente com mais 754 colegas, em Alcoentre, futura prisão modelo de segurança, mas na altura "mera fantasia", como escrevia o O Jornal em 4 de Julho de 1975, a relatar a fuga espectacular e que ocorreu do modo mais simples e prosaico que é costume: bastou que dois agentes da temível "PIDE/DGS" explorassem as fraquezas do sistema de segurança, para se porem ao fresco e só não aconteceu o mesmo aos restantes por mera sorte e voluntarismo de um GNR que " ao presenciar a passagem de pessoas pelo topo do morro, a praça da GNR apercebeu-se de que se tratava de uma fuga"...

O jornalista solícito de O Jornal- Hernâni Santos- até deu conta do modo como foram ridicularizados...

E por isso mesmo o vigilante Pedro Rafael dos Santos, um jornalista "engagé" como dantes se dizia, modelo actual do jornalismo das anas lourenços e tutti quanti, escreviam uma cronica lancinante no mesmo número de O Jornal.

O episódio motivou depois uma canção do cantor "engagé" Fernando Tordo que lamentava em modo canoro a fuga dos 89...com letra de José Carlos Ary dos Santos que aqui declama o poema de "ódio aos cães que rosnam..."

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O julgamento dos fassistas

Um dos problemas surgidos com o levantamento militar em 25 de Abril de 1974 e que depôs o regime de Marcello Caeatano foi o que fazer com os seus representantes. Caetano foi para o Brasil, depois de passar pela Madeira. Tomás idem. Outros foram presos logo no dia 26 de Abril de 74 como César Moreira Baptista ou o comandante Tenreiro, o temível manda chuva do bacalhau que teve tanto poder que não ficou com um tostão no bolso para si próprio, que não fosse devido. Enfim, houve outros "fascistas" que acabaram presos no dia 28 ou 29 de Setembro de 1974, na sequência do "golpe" da "maioria silenciosa", oportunamente denunciada pelos antifascistas e comunistas em geral e que obrigou Spínola a fugir.
O programa do MFA não aludia a nada que se assemelhasse a qualquer caça a bruxas fassistas ou  quejandas, mesmo da PIDE/DGS, desmantelada na hora. Nada. Não obstante as prisões dos "facínoras" do fassismo, pides que foram para a grelha em dois tempos e sem qualquer imputação de culpas concretas a não ser essa, sucederam-se logo no dia 25 de Abril. Às dezenas, na "grelha" e sem culpas concretas de imputação de qualquer crime a não ser o de pertenceram à famigerada polícia política.
Porém, nas semanas seguintes, com o aparecimento do PCP e outras forças "democráticas", "sempre, sempre ao lado do MFA", tornou-se objectivo do primeiro governo provisório reorganizar o Estado. Só em 7 de Junho de 1974 foi criada uma "comissão" que só foi extinta em...1991:
O Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, criado a 7 de Junho de 1974, na dependência directa da Junta de Salvação Nacional, era uma entidade essencialmente de justiça, encarregado de instruir os processos crime pelos quais os responsáveis, funcionários e colaboradores das extintas PIDE/DGS e LP eram apresentados a Tribunal Militar para julgamento.
A incriminação dos agentes e informadores da PIDE/DGS e LP, o levantamento das redes de informadores, as ligações e o envolvimento daquelas organizações com acontecimentos de interesse ou repercussão nacional, a colaboração nos processos de reclassificação, saneamento e reintegração eram atribuições e competências deste serviço. Para efeitos de contagem de .tempo de serviço ou de reabilitação, este serviço devia facultar as declarações e os certificados que lhe fossem solicitados, quer por parte dos antigos funcionários e agentes da ex-PIDE/DGS e LP, quer pelos indivíduos perseguidos pela PIDE/DGS.
O Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, era composto pela Presidência, por um Gabinete de Instrução de, Processos e por um consultor jurídico. Da Presidência dependiam a Repartição de Apoio e Serviços, a Repartição Judicial, a Repartição de Análise e Investigação Documental, a Delegação de Coimbra e a Delegação do Porto. 


 Esta imagem do Século Ilustrado de 1974 mostra o aparato bélico na prisao de um PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 1974. O desgraçado tem mesmo cara de réu... e por isso precisou de meia dúzia de G-3 apontadas e empunhadas por tantos magalas, mais alguns vigilantes em riste, não fosse o perigoso fascista da PIDE fugir dali.

Não obstante, em 19 de Maio de 1974 o Expresso mostrava com erros ortográficos que o país carecia da "irradicação definitiva do fascismo", uma nova expressão nascida por aqueles dias, talvez na primeira semana daquele mês e que pegou de estaca junto de todas as personalidades públicas que prestaram juramento no primeiro governo provisório presidido por um mação de gema, Palma Carlos.




 Em 13 de Julho de 1974, o Século Ilustrado mostrava pela primeira vez imagens dos perigosos fascistas encarcerados por malfeitorias ao povo português. Tenreiro era um deles. Moreira Baptista e Silva Cunha outros.


Em 28 de Setembro de 1974, nova leva democrática de fascistas. Desta vez, "numerosos" que foi para aprenderem com a democracia.Moreira Baptista que tinha sido preso da primeira vez e fora solto entretanto, voltou para a grelha. E Silva Cunha também.


Evidentemente que se criou logo um problema não previsto pelo antifassismo militante: os "numerosos fascistas" que crime tinham cometido? O Diário de Lisboa tinha um código penal particular, usado pelo director Ruella Ramos e que definia o crime como "envolvimento na tenebrosa conspiração que pretendia roubar a liberdade ao povo português". Tal e qual e chegava-lhe muito bem porque não precisava de outro.

Ora o jornal Expresso, em 19 de Maio de 1974 tinha apresentado um esquisso sobre a nova legalidade vigente, relativamente aos elementos da PIDE/DGS: tortura, "todo o castigo cruel, desumano ou degradante dos presos". Portanto à PIDE/DGS imputar-se-ia tal crime se fosse possível enquadrá-lo em provas e haveria certamente algumas relativamente a alguns agentes e inspectores, como Sachetti ou outros próceres da política política do antigo regime. Mas...e os outros que não tinham torturado ou mandado torturar e que foram simplesmente chefes, presidentes, responsáveis politicos? Seria possível, legalmente, incriminá-los nos mesmos termos?
E ainda subsistia outro problema de base, teórico é certo, mas pedra de sapato insuportável numa democracia: nullum crimen sine lege. Não poderia haver incriminações de ninguém sem que houvesse previamente lei a suportá-la. E não havia. O que havia era o Código Penal fassista, vindo de 1886 e não se estava a ver o regime democrático a usar o argumento da actividade subversiva usado pelas leis "fassistas" ( entretanto revogadas) para incriminar os novos presos políticos...
Este dilema só provocava coceira de cabeça aos "socialistas democráticos", porque aos comunistas o assunto tinha sido resolvido em dois tempos e à maneira soviética e sem grandes sobressaltos cívicos e de consciência.
E de resto, aos novos antifassistas não interessava por aí além condenar um Sachetti com provas irrefutáveis e deixar à solta uma miríade de outros "pides" que passaram pela grelha mas não se chamuscaram. O que lhes interessava mesmo era condenar criminalmente um regime e meter na grelha, durante anos, os seus representantes directos e disso não faziam segredo pelo que a frustração em não o fazerem logo, como queria o director do Diário de Lisboa e outros, era grande e dolorosa.

Portanto, como diria Lenine- que fazer?
Uma lei, ora. E assim nasceu a Lei 8 / 75 de 25 de Julho, em pleno PREC. Legalizar era o caminho, mesmo retroactivo, mascarando-o com outras leis "universais" dos direitos humanos que legitimariam a aplicação para o passado de factos com importância no futuro, como se fizera na Segunda Guerra mundial com os facínoras nazis. Os fassistas portugueses mereciam tratamento idêntico, claro está, porque o crime era imprescitível e atentatório da Humanidade em geral.
Portanto, para harmonizar legalmente tudo, já havia a Convenção de Genebra ( para crimes de guerra); a Declaração Universal dos Direitos do Homem ( para tudo e mais alguma coisa); a Convenção internacional sobre direitos cívicos e políticos ( para se aplicar a factos passados mas não ao então presente...) e a Convenção sobre o Genocídio ( é mesmo...) e ainda a Convenção Europeia os direitos do Homem. Parece que havia convenções não ratificadas por Portugal mas que era isso para um caso destes, de julgar o "fassismo"?


Para se resolver o problema teórico, em primeiro lugar era preciso saber o que era isso de "fascismo", ou como diria Domingos Abrantes, o "fassismo" que para o indivíduo de dentes raros era coisa mais clara que o futuro radioso dos amanhãs a cantar.
O República de 13 de Janeiro de 1975 dava uma ajudinha para se perceber o que seria o tal de fassismo...à falta de melhor caberia lá tudo o que fosse "reaccionário" e estava a definição dada.


É certo que estes conceitos não eram suficientes para algumas almas complicadas que gostam de estragar tudo, como por exemplo um advogado como Joaquim Pires de Lima, conhecedor profundo do processo do "Ballet rose" e que escrevia no Expresso de 15 de Fevereiro de 1975 algo que qualquer jurista sabia de cor: "se em 25 de Abril não houve uma revolução, mas um golpe de poder, só será possível sancionar pessoas ligadas ao regime anterior através da lei antiga". E mais: " após a revolução do 25 de Abril e a libertação nacional do regime fascista, ou se destruíam os inimigos da revolução ou não é admissível sancioná-los com leis criadas e mantidas naquele regime".  Um dilema, portanto.

 Quase todos os que mandavam no poder político-militar, com excepção dos comunistas e socialistas, estiveram mancomunados com o tal "fassismo", a começar pelo próprio presidente da República. E como resolver o dilema?
Fazendo uma lei à medida e arranjando justificação plausível para a sua aplicação retroactiva com base naquelas convenções gerais e abstractas que tinham aplicação directa nesses casos mas não nos entretanto criados com a prisão dos tais "numerosos fascistas".

O grande advogado tonitruante, algoz de homosexuais parlamentares, Carlos Candal de seu perfil, que deixou descendência no hemiciclio, escrevia a sua solução miraculosa no O Jornal de 22 de Outubro de 1976:

E tal porque no O Jornal de 7 de Maio 76 já se alvitrava o que poderia acontecer aos PIDES na grelha, na altura cerca de quatro dezenas, depois da fuga espectacular de Alcoentre que originou a cantiga de Fernando Tordo, "que se passa?" antologia da nova ideia democráticas de justiça:


 Infelizmente, o primeiro julgamento dos tais PIDES na grelha correu mal porque o réu foi absolvido, por uma razão simples e que já deveria ser previsível: a lei 8/75 de 25 de Julho era inconstitucional. Assim, sem mais.
Tanto bastou para se levantar um coro de protestos de antifassistas encartados nas leis penais e constitucionais ( não encontrei a posição de Vital Moreira mas devia ser conforme...)

Claro que este tipo de leis atamancadas e materialmente inconstitucionais para todos menos para os que afeiçoam o direito às conveniências políticas, tinha que dar nisto, tratado no O Jornal de 23 1 de 1976: um dos "numerosos fascistas" presos na sequência do 28 de Setembro e que estivera preso sem conhecer auto de culpa alguma, Kaulza de Arriaga acabou solto e até prometia concorrer à presidência da República. Ultraje! gritaram os comunistas.
E quanto ao juiz que considerou inconstitucional a lei? Atacado logo no O Jornal, com nome posto. Assim:


Tudo isto acabou por dar em...nada jurídico, para grande desgosto do Candal que não desarmou de "irradicar" o fascismo. E para tal, como para grandes males só grandes remédios, o Candal , passados dois anos de opróbrio jurídico, teve uma ideia luminosíssima como só de um fumador de cachimbo poderia sair:

E foi assim que nenhum PIDE/DGS foi jamais condenado e os "fassistas" se livraram das garras da grelha e alguns até se inscreveram depois no PS...por inépcia do regime e por incapacidade em provar os crimes que imputaram àqueles. Para resolver o imbroglio que criaram inventaram outra ideia luminosa do tipo daqueloutra: amnistias em catadupa.
Enquanto durou o folclore houve foguetes no ar.

Em Itália não há RERTs...

Expresso online:

Um bispo, um membro dos serviços secretos italianos e um intermediário financeiro foram detidos hoje no âmbito de uma investigação da justiça italiana ao Instituto das Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano, anunciou a imprensa.

De acordo com o portal do jornal Corriere della Sera, o prelado detido é o monsenhor Nunzio Scarano, bispo de Salerno, no sul de Itália. Os outros detidos são Giovannni Maria Zito (ex-funcionário dos serviços secretos) e Giovanni Carinzo, todos suspeitos de fraude e corrupção.

Segundo o diário "La Repubblica", há indícios que apontam para a existência de um acordo entre Scarano e Giovanni Zito para repatriar, desde a Suiça e usando um jet privado, 20 milhões de euros pertencentes a amigos do bispo.

Este é o mais recente desenvolvimento de uma vasta investigação lançada pela justiça italiana em Setembro de 2010, visando o então presidente do Instituto, Ettore Gotti Tedeschi, e o então diretor-geral, Paolo Cipriani, por branqueamento de capitais.

Fundado em 1942 por Pio XII, o Instituto das Obras Religiosas - que tem um património avaliado em cinco mil milhões de euros e gere as contas de milhares de ordens religiosas e de associações católicas - conheceu vários escândalos de grande dimensão no passado.



Se a Itália tivesse um RERT nada disto acontecia. O Salgado do BES que já recorreu a três RERT´s que vá lá explicar como se faz e como é que os legisladores de cá ( o pessoal político, claro) estão sempre dispostos a conceder oportunidades de ressocialização fiscal a este  dono de Portugal...ou então peça ao seu empregado de bigode vassoura que não corta "nem que a vaca tussa", agora na UGT, que vá lá elucidar aquelas almas cristãs que não sendo bom roubar ao Estado,   por cá há sempre perdão...

O paroxismo do novo prec

RR:

As autoridades identificaram mais de 135 manifestantes que tentaram cortar o trânsito em direcção à Ponte 25 de Abril, em Lisboa, ao final da tarde desta quinta-feira. Ao que a Renascença confirmou, junto de fonte da PSP, foram detidos para identificação "por obstrução de via rodoviária”.

Na prática, significa que podem vir a ser notificados para comparecer esta sexta-feira de manhã no Tribunal de Pequena Instância de Lisboa.

Os manifestantes, que participaram numa manifestação da CGTP no âmbito da greve geral, saíram das imediações da Assembleia da República em direcção à ponte, fazendo o trajecto pelo Largo do Rato. Seguiram para a entrada da A5, junto ao centro comercial das Amoreiras, e foi nesse ponto que foram travados pela polícia. O acesso à 25 de Abril faz-se a partir deste local.

O trânsito na A5 no acesso à ponte esteve cortado durante alguns minutos antes das 19h00, enquanto a polícia de intervenção tentava impedir o avanço do protesto. Ouviram-se palavras de ordem como "a ponte é nossa" e "fascismo nunca mais". A polícia formou nessa altura um quadrado para cercar os manifestantes e procedeu à sua identificação numa rua lateral.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, já veio demarcar a intersindical deste protesto. A greve geral desta quinta-feira foi convocada pela CGTP e a UGT contra as medidas de austeridade do Governo. Esta é a quarta vez desde o 25 de Abril que as duas centrais se juntam em greve geral, que é a segunda que o actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enfrenta.


As tv´s ( TVi 24, no caso) passou há pouco ( 1:00) imagens da manifestação que saiu da manifestação da Intersindical e seguiu para os acessos à ponte 25 de Abil, junto às Amoreiras, gritando claramente que " a ponte é nossa" e outros ditos que fazem lembrar os tempos do PREC que o Arménio lembra com saudade .
A PSP ( polícia de segurança pública) como lhe compete e porque não estamos no PREC embora aqueles assim o pretendam, interveio e deteve para identificação os manifestantes que queriam cortar a via pública, porque se sentiam donos da ponte.

Uma manifestante ouvida pela TVI 24 não tinha dúvidas em considerar a actuação da PSP como anti constitucional. Tal e qual.
A palermice desta gente já atingiu o paroxismo e a lembrar os tempos do PREC de há trinta e oito anos.
Só faltam as brigadas de vigilância popular a mandar parar os carros para vigiar as bagageiras...

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Como o PREC comunista limpou o sebo à economia nacional em 1974-75 e nos levou à bancarrota

Durante o PREC que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974 os comunistas e esquerda em geral tomaram conta do discurso oficial, ideológico, mediático e corrente. Toda a gente foi no engodo, com excepção dos que não se pronunciavam publicamente e que Spínola em 28 de Setembro de 1974 julgava que eram uma "maioria silenciosa"...e já não era, por factores que seria muito interessante e importante explicar.

Um dos factos mais estranhos, estúpidos e incompreensíveis segundo uma lógica racional e de senso comum, ocorreu em Agosto de 1974, como já aqui foi indicado: os capitalistas que ainda estavam no país, membros das tais 20 famílias que eram os "donos de Portugal" como o bloco de esquerda agora define, mas já ao tempo se denunciava, ofereceram-se para "ajudar" a economia e o país cujos destinos políticos estavam nas mãos de uns quantos militares, do MFA, rapidamente lavados cerebralmente e que se associaram ainda mais depressa ao PCP e PS e esquerda em geral, como a do MES.  Para exemplo basta dizer que Vasco Gonçalves, no espaço de semanas passou de admirador de países "como a Itália, Suécia" para outros de latitudes mais a Leste. Igualmente, Otelo. E outros que se entregaram de alma e coração à Revolução em curso, de transformação de Portugal numa sociedade sem classes ou socialista e contra a "reacção e o fascismo" incorporados em todos os que representavam o regime deposto.
A simplicidade desta opção justificou a rejeição daquela "oferta" que era genuína porque afinal os capitalistas portuguesas queriam investir para não perderem o que tinham e que afinal vieram mesmo a perder, por força e influência exclusiva dessa esquerda e do PCP em particular. O mesmo querem hoje em dia com as "outras políticas" que chamam de maneira obscena, "patrióticas" e as marias de são josé da rádio mais as anas lourenços das tvs aplaudem durante todas as emissões mediáticas, porque acordam a tomar pequenos-almoços de esquerda todos os dias.

Para além da proposta de investimento de 120 milhões de contos do MDE/S havia outros projectos em carteira na economia nacional que pura e simplesmente foram abandonados em prol das ideias "patrióticas" iguais às que o PCP e a esquerda comunista reclamam hoje em dia porque o ideário não mudou uma vírgula nos programas.

Um desses projectos, muito falado antes de 25 de Abril de 74 e já com compromissos assinados pelo anterior governo de Caetano era a construção de uma fábrica de grandes dimensões ( maior que a Autoeuropa?) para fabricar automóveis ( não apenas componentes) da Alfa Romeo. 60 000 veículos por ano seria a meta.
Pois bem. Em finais de 1974 o projecto era pura e simplesmente, além de estupidamente, abandonado. Porquê? Precisamente pelas mesmas razões que levaram ao abandono do projecto do MDE/S. De quem a culpa e responsabilidade por esta estupidez gigantesca? Do PCP e satélites, mais a esquerda em geral. Não foi do PREC. Foi mesmo do PCP.
A propósito: a Autoeuropa aderiu à greve geral? Não? É porque esteve imersa na "batalha da produção". Já lá iremos...

O Expresso conta na edição de 23 de Novembro de 1974, com um desenho que vale mil palavras.


A propósito desta estupidez, havia por aí alguns "inteligentes" ( dos que nunca sairam dos  redondéis do esguicho da importância e papelão institucional, para citar ONeill) que davam palpites influentes sobre o assunto da economia nacional que pouco tinha que perceber: dinheiro privado, público, investimento, regulação e tudo andaria muito bem, se não se tivesse intrometido a maldita ideia de esquerda em socializar, nacionalizar, espoliar o capitalismo e acabar com os "monopólios". Essa ideia maldita que pegou de estaca por cá, estragou a economia que tínhamos em prol de uma ideia que nunca tivéramos mas que os mesmos apostaram que vingaria por cá como nespereiras enxertadas em macieiras portadaloja.
João Cravinho é o nome do inteligente do que então se iria chamar MES que agregou outros inteligentíssimos ( alguns deles até chegaram longe; um deles à presidência da República deste pobre país, imagine-se!) .


A prova de que a inteligência aguda destes indivíduos era fulgurante e ao ritmo do PREC que então viviam, reside aqui nesta edição do Diário de Lisboa de 20 de Fevereiro de 1975. E não, a explicação não vem na tira de banda desenhada, mas nas palavras cruzadas, na coluna vertical 4...


E como é que os "donos de Portugal" se defendiam destas investidas comunistas para acabar com os "monopólios" ( é preciso atentar que ainda hoje o PCP fala em monopólios...) ?
Ora, o comandante Mota que nunca foi ministro sem pasta, como o outro, mas foi governador de Macau ( maçonaria oblige e Soares obedece) explicava muito bem o que se faria com a Sacor do grupo Espírito Santo, indiscutivelmente um dos donos da economia nacional e inquestionavelmente um dos grupos que faria do capitalismo português um bem comum e não o que depois se verificou com a geração "Rikky" após o regresso dos Brasis e Suiças e que ultimamente tem comprovado e irá certamente comprovar...
Se a Sacor que era deles, se tivesse mantido não haveria GALP nem corrupção de Estado de alto coturno, nem Mexias ou Zeinais ou o raio que os parta ou pata que os lamba. Haveria outra coisa, mas não esta entidade híbrida que corrói o país, actualmente. Provavelmente mais sã, apesar do fruto Espírito Santo andar envenenado.  Coisas do destino.



Portanto, em 8 de Fevereiro de 1975 o Expresso explicava muito bem o que se passava na economia nacional com o protagonismo da esquerda e do PCP em particular, o grande responsável pelas "políticas patrióticas" que então nos arruinaram. O PCP a atacar,  o PS a defender o seu reduto de poder e apenas isso e o PPD na sombra do PS, sem se mexer e à espera do que viria a seguir.


O PPD de então era uma vergonha de compromisso como o provam as incríveis declarações de um inenarrável Rui Machete, no mesmo número do Expresso. Como é que o país aguentou este tipo de gente que nos conduziu a este beco? 
Este tipo de opções políticas generalizadamente veiculadas nos media como o caminho para o socialismo a encetar,  criadas pela Esquerda em geral, o PCP em particular, a displicência e desinteresse do PS e o alheamento táctico do PPD, criaram uma situação económica de bancarrota, em menos de dois anos. Assim, como explica e avisa muito bem um economista de então, ao Expresso de 4 de Outubro de 1975. O jornal até escrevia que isto devia ser servir como  "um aviso ao povo português". Aviso? Pois sim. Dali a mês e meio estávamos no auge do PREC e com o 25 de Novembro em vez de se denunciar isto que o PCP fez ao país, uma das maiores tragédias de todos os tempos, ainda lhes deram a mão democrática, com um Melo Antunes a assegurar ao país que o PCP era democrático que era essencial à democracia e portanto com um discurso conciliador que conduziu Portugal à Constituição de 1976 e à "irreversibilidade das nacionalizações". Com o aplauso fremente dos Machetes que assim ficaram à vontade para preparar a vidinha nas empresas e organismos do Estado.
Para ver como a Economia nacional passou a funcionar, depois deste assalto do PCP, basta ler a "caixa" sobre o modo de funcionamento da "banca" nacionalizada e as cartas que se trocavam...

Perante este gigantesco descalabro que se anunciava e teria o efeito de réplica das décadas seguintes o que fazia o autor do crime? Tergiversava na asneira e na ideologice. A primeira medida a preceito foi subtrair um dia de salário que por ter sido para a "nação" não foi roubo algum, como agora são e se denuncia em cartazes de tipografia idêntica à de trinta e oito anos atrás... Depois como um dia não chegava para nada passou a incentivar os trabalhadores como os chineses faziam, mas sem poderem ( não chegaram até aí, mas...) usar métodos mais eficazes. Assim, com a ideia fantástica da luta, da "batalha da produção". Até o Manta pintou a manta com a batalha final.
Nessa altura, apesar de estarmos porventura pior que hoje, deixou de haver greves gerais ou lutas de trabalhadores por melhores condições de trabalho. Afinal, o trabalho já era o dono do capital...ou não era?

Esta gente que isto fez, sem qualquer rebuço de vergonha ou arrependimento, continua por aí, investida no mesmo papel já que nada esqueceram e nada aprenderam. Continuam a querer "outras políticas", porque seguem o esquema táctico dos passinhos. Primeiro um, depois outro. Desta vez ainda andam na fase das lutas por "outras políticas patrióticas". Se lhes fizerem outra vez a vontade, voltarão com a cantiga da luta pela "batalha da produção" e lá se vão as greves gerais e outras que tais.

O povo português está à espera de quê, para varrer esta gente para o caixote de lixo da História? Nâo chegam os exemplos que se vêem pelo mundo? Não chega o conhecimento do que aconteceu no Leste Europeu? Não chega o que se sabe de Cuba ou da Coreia do Norte?
Então porque razão os media dão toda a atenção a estes arménios avoilas e jerónimos? São masoquistas ou apenas estúpidos?

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O empurrão...

 Económico:

"Falar em traição é excessivo. Aquilo que achava transmiti com toda a lealdade. O primeiro-ministro sabia o que eu pensava. Com certeza que me ouvia. Não quero ter a vaidade de ter sido eu a dar o empurrão ao primeiro-ministro [em relação ao pedido de ajuda]", afirmou Teixeira dos Santos, em entrevista à TVI, relembrando os últimos episódios antes o Governo a solicitar ajuda externa.


 Está-se mesmo a ver o grande empurrão que Teixeira está a dar ao então primeiro-ministro...

Este Teixeira dos Santos é professor universitário.  E em tempos, em 3 de Maio de 2011 fez figura de mudo. Agora fala...e das duas uma: ou já esqueceu ou quer fazer dos outros parvos.

A Igreja "reaccionária" e o comunismo em Portugal, 1974

Logo após o 25 de Abril, a Esquerda comunista tomou consciência que a Igreja Católica, em Portugal, em certas áreas para além da capela do Rato não iria aceitar o comunismo sem luta. E tinha razão. Por isso mesmo preparou a habitual estratégia de aranha porque o meio era hostil e a complexidade do assunto ainda mais. Não seria tarefa fácil a lavagem ao cérebro numa área do espírito em que a razão é suplantada por outro fenómeno psíquico mais intenso: a fé. O comunismo, aliás, percebia muito bem a dificuldade na tarefa e daí entrou com pézinhos de lá, à excepção dos fanáticos do Sempre Fixe e do Diário de Lisboa, dirigidos por um comunista ainda mais fanático, A. Ruella Ramos. 

Ainda assim, em 22 de Junho de 1974, quem iniciou as hostilidades foi a imprensa "mainstream", no caso o Expresso. A "reflexão pastoral" derivada da capela do Rato, estava em marcha. Acelerada.

Em Setembro de 1974 o mais fanáticos dos jornais cripto-comunistas, o Sempre Fixe publicava esta página muitissimo interessante e um documento único sobre o que se deve entender por "reacção" e outros mimos anti-clericais, de jacobinismo requentado e refogado. Estão aí identificadas todas as fontes inquinadas da "reacção" e que tiveram sequência logo no dia 28 de Setembro de 1974, com a queima de alguns dos jornais mencionados, em auto-de-fé, por essa Esquerda do fanatismo mais exacerbado.


 Por isso mesmo, o Sempre Fixe de 7 de Setembro de 1974 não tinha qualquer dúvida:



Na sequência dessa focagem muito precisa a página seguinte, do Sempre Fixe de 30 de Setembro de 74 não ilude ninguém nem deixa lugar a qualquer dúvida sobre o que o comunismo faria aos "reaccionários" da Igreja Católica, se tivessem oportunidade. A entrevista é com frei Bento Domingues, um articulista de jornais., hoje em dia e que dizia na primeira página: " a divisão não é entre católicos e ateus. É entre oprimidos e opressores". Então não é, senhor frade kerenski!

Perante este problema, o MFA e o comunismo aliado,. entenderam que deviam proceder a campanhas de dinamização cultural ( muito inteligente, de facto...) e aparece em 5 de Outubro de 1974 o seguinte no mesmo jornal: democratizar a Igreja. Com voto de mão no ar, certamente...


O centro do reaccionarismo anti-comunista situava-se então em...Braga. E o arcebispo ( mais tarde iria ter de baixar as calças no aeroporto de Lisboa para mostrar que não levava divisas escondidas para o Brasil...) D. Francisco Maria da Silva, um algoz anti-comunista incomodava demais.

E o Expresso de 21 de Dezembro de 1974( "perfeitamente inserido no processo revolucionário") fazia coro:



A "reacção" ao ensino unificado dos comunistas

A "reacção" ao ensino unificado" instituído por Rui Grácio enquanto Secretário de Estado da Orientação Pedagógica de vários governos provisórios apareceu logo em 1976,  no primeiro governo constitucional.
"O que não se sabe, não se pode ensinar- e isto é um ponto de partida para  toda a política educativa", dizia o então secretário de Estado da nova orientação pedagógica, Romero Magalhães, ao O Jornal de 1 de Outubro de 1976.
A ideia básica do ensino unificado era contestada porque "insensatamente, em minha opinião -afirma-, foi lançada a unificação do ensino técnico e do liceal com cujos princípios todos concordaremos, no plano das ideias, mas já não tanto no dos meios. Não se tomou em consideração o valor do tempo de experiência, ou seja, lançaram-se não só um novo sistema curricular como novos programas sem prévia experimentação."
Ainda assim, Romero Magalhães não teve força suficiente nem tempo para estancar a sangria provocada porque só esteve nos governos de Mário Soares de 76 a 78.

E ficou tudo como dantes...



terça-feira, 25 de junho de 2013

O "projecto Jesuíno"- nova censura do pós 25 de Abril 74

Após o 25 de Abril acabou o Exame Prévio/ Censura, actividade muito vilipendiada pelo Expresso que até publicou há uns anos um livro dedicado ao tema e aos cortes que lhes manchavam as manchetes curriculares sobre os movimentos proibidos da oposição democrática, como as manifestações na capela do Rato.
Sobre a Censura após o 25 de Abril, os arbítrios, abusos e prisões correlativas bem como multas, no pasa nada. Agora não interessa para nada, como diria o outro. O fassismo é que era.
E no entanto, em 9 de Agosto de 1975 o Expresso ( cada jornal desta época é uma fonte de novidades e revelações esquecidas) dava conta de um projecto celerado gizado por um dos militares esquerdistas do comunismo rompante e que os preocupava . O então ministro Correia Jesuíno aprestava-se a apresentar este projecto ao almirante Rosa Coutinho, um comunista sem qualquer vergonha de o ser, militar da armada portuguesa, no activo e que o faria aprovar em Conselho da Revolução.

Jesuíno é actualmente um intelectual do ISCTE ( where else?)  e em tempos teve desempenhos destes...
Ao lembrar estas coisas parece-me que não saímos do séc. XIX.

Como escreve o Expresso, em nota de censura interiormente assumida e  que agora é moda corrente, " curiosamente, a quase totalidade dos órgãos de informação de propriedade pública ou sob gestão estadual silenciou a notícia e a crítica ao documento"...


O MRPP de 1975 visto por Arnaldo Matos em entrevista de Marcelo Rebelo de Sousa

Em 9 de Agosto de 1975 o Expresso publicou uma entrevista com Arnaldo Matos, o "querido líder" do MRPP. Quem o entrevistou? Marcelo Rebelo de Sousa que começa por escrever que já não o via desde os tempos da faculdade de Direito, seis anos antes ( em 1969...) . O que o mesmo conta sobre as prisões após o 25 de Abril, por apelidarem certos militares de fascistas ( como por exemplo Jaime Neves) é digno de nota e registo porque a regulamentação da censura era coisa que nessa altura fazia furor, precisamente no mesmo número do jornal com  o "projecto Jesuíno". Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa...palavras para quê?


As mesas redondas do Expresso em 1974: Rui Machete.

E por falar na antiga ministra da Educação que ocupa um lugar providencial numa fundação luso-americana cujos dirigentes são designados pelos governantes nacionais, onde aufere o rendimento necessário às necessidades imperiosas, vem a talhe de foice um dos autores da designação, o centralizador e sombra do regime, Rui Machete. Advogado, ministro duas vezes, ( uma em 1975-76, no VI governo provisório e outra em 1983-85 no governo que nos trouxe o FMI pela segunda vez), deputado quantas vezes quis e outros cargos de vontade política adequada à sombra de lautos rendimentos, Machete, em 26 de Outubro de 1974 já participava em "mesas redondas" do Expresso, a explicar aos leitores o seu elevado conceito ideológico de democracia que lhe garantiu nos anos vindouros todos aqueles postos de prestígio e relevo, sem ganho para o país porque se me afigura uma das figuras mais sinistras da governação tipo bloco central. E a prova está aqui, nesta participação registada pelo Expresso e que explica a designação daquela inenarrável para uma fundação.

Lendo o que Machete diz da conjuntura política do país, escasssos dias depois de 28 de Setembro de 1974 percebe-se como é que chegamos até aqui onde estamos, com esta gente que sempre fez a ponte com a ideologia de esquerda e lhe acaparou as propostas políticas, sem  problemas de consciência. Na altura, Machete era director do jornal do PPD, Povo Livre e ler o que o mesmo diz, provoca vómitos, pela poltranice ideológica que ressuma:
 "Ou as forças democráticas se conseguem unir na luta contra a reacção"...é uma das frases de nojo que proferiu e que revelam bem como se aguentou na crista da onda política, mesmo na sombra. Sobre a economia real, em 1974, só consegue articular ditos estereotipados sobre " os factores de crise económica anteriores ao 25 de Abril" e ainda consegue explicar, que " do ponto de vista histórico, a direita em Portugal tem recusado sistematicamente o jogo democrático. Disse-se aqui que as eleições poderiam favorecer a reacção, mas a verdade é que a reacção não tem esperado pelas eleições e as jogadas que por ela tem sido feitas têm sido pouco eleitorais, o que é indício que a direita não confia demasiado nas eleições".
Estas frases foram proferidas numa altura em que a "direita" era...o CDS, o que revela bem quem era Machete e como garantiu o futuro que desaguou na fundação e noutros lugares ( agora é "consultor" na PLMJ de Júdice). Que asco.

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