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quarta-feira, 31 de julho de 2013

A entrega do Ultramar pela Esquerda portuguesa

Durante o ano de 1974 e até 1975 consumou-se em Portugal a entrega dos territórios ultramarinos aos...africanos. A África portuguesa deixou de o ser num espaço breve de alguns meses e acordos para inglês ver. Foram todos promovidos pela Esquerda nacional que entendia que a solução para a guerra no Ultramar e para os portugueses de todas as raças que aí viviam era entregar o domínio político e militar aos movimentos terroristas que até aí tinham feito a guerra aos portugueses, em nome da "libertação", conceito universalmente aceite pelo politicamente correcto e adoptado pela Esquerda portuguesa em nome da ideologia comunista e "terceiro-mundista". Na base de tudo está a ideologia anti-capitalista que via na colonização portuguesa nada mais que a expressão do "imperialismo" a abater. De nada serviam os discursos de Marcello Caetano e Salazar que apontavam, muito justamente, para outros colonialismos que apenas acabaram quando a ideologia comunista ruiu fragorosamente com o muro, em Berlim.
Como o que tinha quer ser passou a ter imensa força, a "descolonização exemplar" processou-se em meia dúzia de meses, com guerras civis garantidas nas ex-províncias ultramarinas que provocaram milhares e milhares de mortos, sem comparação com os que morreram durante os 13 anos de guerra do Ultramar.. Os nossos "estadistas" de então, tinham à cabeça um Mário Soares e um seu "homem de mão", verdadeiro arquitecto das ideias brilhantes que conduziram a mais uma tragédia: Almeida Santos. Um advogado colonial, suficientemente esperto para se por ao fresco de Moçambique em tempo oportuno, resguardando teres e haveres que em relação aos demais portugueses que aí se encontravam foi incapaz de assegurar com idêntica sabedoria e presteza. Foram estes os "estadistas" da entrega do Ultramar aos movimentos e libertação que não tardaram a degladiar-se entre si pela conquista do poder, em guerra civil fratricida e trágica que durou décadas.

Tudo isso tinha a ver com ideologia e com um complexo de esquerda relativo ao "fardo do homem branco", uma parvoice que a Seara Nova de Julho de 1974 lembrava para mostrar o "crime" e o pecado original, relacionado com os Descobrimentos e a gesta heróica dos portugueses. É preciso lembrar que esta época histórica sempre tinha sido exaltada pelo regime do Estado Novo e o que se seguiu, de Caetano, como uma época de patriotas e guerreiros dignos de Portugal. De repente, a linguagem mudou, em 25 de Abril de 1974, e o que era digno passou a ser desprezível, em nome de uma ideologia estrangeira, soviética, celerada e que prometia o céu na terra com amanhãs a cantar. Parece parvoíce? É porque o foi e continua a ser.



Nada melhor para recordar esses "estadistas" do que lembrar o que fizeram e como fizeram, pela imprensa da época.

Em primeiro lugar, pelo Século Ilustrado, verdadeiro arauto desta esquerda dita moderada com laivos comunistas. Em 26 de Abril de 1975, para comemorar "um ano de revolução rumo ao socialismo" a revista fez um "apanhado" do processo de descolonização e entrevistou o mentor principal, Almeida Santos. Fica aqui o registo para a posteridade.

Estes "estadistas" deviam todos ter uma lápide comemorativa do seu feito histórico, junto ao Padrão dos Descobrimentos, com os seguintes dizeres: "estes são os que entregaram o Ultramar português aos movimentos de libertação". Para registo histórico e para lembrar aos vindouros os que descobriram aquelas terras e os que as entregaram de mão beijada aos que se intitulavam seus donos, sendo apenas da tribo a que pertenciam. A História os julgaria.

Com esta ideologia à ilharga os media nacionais, dando eco aos sentimentos comunistas e socialistas faziam capas como esta, em 7 de Setembro de 1974, na qual se exaltava um dos movimentos de guerrilha, promovido a grande movimento de libertação, esquecendo os demais que representavam uma parte substancial desse povo a "libertar". A ideologia comunista foi assim e se o socialismo entendeu, dali a algum tempo, apoiar o outro movimento, Unita, tal se deve simplesmente a interesses partidários obscuros. E nada mais.

 Portanto, em Janeiro de 1975 a independência de Angola "estava por um fio". Dois dos representantes dos movimentos de libertação, aqui fotografados ao lado de outro herói nacional, que aliás os combateu meses antes, foram liminarmente afastados, por um dos outros,  da partilha do poder e o processo durou décadas e milhares de mortos pelo meio.


A libertação de Moçambique, em Julho de 1975 também ficou bem encaminhada, com a entrega do país a um dos movimentos de libertação, Frelimo, de Samora Machel.


E como é que tal sucedeu? Explica-se rapidamente. Em Setembro de 1974 a Guiné já era. E os demais foi logo a seguir. E os portugueses que lá estavam? Ah! Esses, coitados, às centenas de milhar, foram abandonados à sua sorte e muita sorte tiveram em lhes terem arranjado à última hora umas pontes aéreas para os trazer de volta ao "puto" com a roupa que tinham no corpo e as bagagens mal amanhadas no porto de mar à espera de barco que viria ou não.

O acordo de Lusaka está aí, com as assinaturas daqueles "estadistas".

 E aqui estão todos os "estadistas" que merecem lápide comemorativa ao lado do Padrão dos Descobrimentos. Falta um que não compareceu porque ninguém o convidou, mas é um dos inspiradores do feito: Álvaro Cunhal, o herói lendário e centenário do comunismo.


Para se compreender ainda melhor como pensavam estes estadistas, dá-se a palavra ao maior deles todos, o Sombra deste regime tão edificante. Este merece ainda, ao lado da lápide uma estátua. Em plástico, para perdurar durante os séculos vindouros, sem se degradar.

As "negociações" que estes "estadistas" levaram a cabo estão retratadas noutro número da Flama de 17 de Janeiro de 1975. Devem orgulhar todos os portugueses, do mesmo modo que a gesta dos Descobrimentos. Por isso a lembrança ao lado do Padrão...

Em que é que isto redundou? Simples e que todos os verdadeiros estadistas sabiam e adivinhavam. Isto que se vê na imagem, multiplicado por milhares de vezes. A consciência daqueles "estadistas" está ali, no chão. Ao lado da lápide poderá colocar-se esta imagem porque fica bem.



terça-feira, 30 de julho de 2013

O 25 de Abril de 1974 e o Ultramar

O Movimento das Forças Armadas que fez o 25 de Abril em 1974 tinha como objectivo alcançar a paz no Ultramar, na sequência do livro de Spínola, Portugal e o Futuro.
O programa do MFA e os primeiros comunicados saídos já em 25 de Abril, reconheciam uma alteração fundamental na polícia utramarina seguida até então: tal como Spínola propusera implicitamente no livro " a solução das guerras no Ultramar é política e não militar".


Esse princípio deu origem a todo o problema da "descolonização exemplar" e começou logo nos meses seguintes.

O Expresso de 2 de Agosto de 1974 abria a discussão com um caderno dedicado ao assunto.

A "mesa redonda" já não enganava ninguém: o director do semanário, Balsemão, baseado num discurso de Spínola proferido dias antes, a 27 de Julho, deixava-o convencido que o caminho era a independência dos territórios ultramarinos.
Acontece, porém, que Spínola anos mais tarde ( em 1978), no livro País sem Rumo, veio esclarecer que afinal o que disse nesse discurso não foi o que lhe atribuiram...

Não obstante, Mário Soares pronunciava-se abertamente por essa solução, sem alternativas, em entrevistas à Der Spiegel alemã, em 19 de Agosto de 1974, publicada no livro "Mário Soares- Democratização e Descolonização", publicado em 1975 pela dom Quixote. E também se refere ao discurso de Spínola de 27 de Julho de 1974...
Esta entrevista de Mário Soares, acompanhada de  uma outra em 6 de Maio de 1974, praticamente do mesmo teor, permitiu interpretações deveras acintosas parra com Soares, uma vez que lhe extrairam das entrevistas propósitos que o mesmo não declarou, como por exemplo o de querer lançar os antigos "colonos" portugueses aos tubarões ou coisa que o valha, se os mesmos não aceitassem o programa político do MFA e do governo da época, de que fazia parte, juntamente com o Sombra Almeida Santos...


António Barreto quer as cabeças dos PPP´s e das swaps numa bandeja política


O sociólogo António Barreto acusa todos os partidos e responsáveis políticos que estiveram no poder ao longo dos últimos anos que terem "deixado Portugal debaixo de uma ameaça terrível de bancarrota".

"Todos os partidos sempre quiseram aumentar os benefícios e as benesses e os contratos a pagar daqui a dez, 20, 30, 40 anos", diz António Barreto em entrevista à Antena 1, considerando um "escândalo nacional" as PPP (Parcerias Público-Privadas) e os swaps (Contratos de Gestão de Risco Financeiro).

"As operações deste género que vieram hipotecar um país inteiro por muitos e muitos anos", acrescenta.

Segundo António Barreto, "os dirigentes políticos que os fizeram" obtiveram "vantagens para si próprios nalguns casos, para seus partidos noutros casos, para os seus governos noutros casos ainda" e permitiu-lhes "arranjar emprego para outras pessoas para depois ganharem os votos" e "concursos para empresas e grupos económicos para poderem repartir um bolo melhor com pagamentos a longo prazo".

"Toda esta operação, de repente, verificou-se que tinha deixado Portugal debaixo de uma ameaça terrível de banca rota", remata.
"Todos devem ser responsabilizados"
Para António Barreto, todos os políticos e gestores de empresas públicas que lesaram o Estado "devem ser responsabilizados politicamente e judicialmente só aqueles que cometeram verdadeiras ilegalidades".

"Quando agora se descobre que vamos ter de pagar hospitais e autoestradas durante mais 30 ou 40 anos e que o preço final é várias vezes superior ao que seria com outros procedimentos, não vejo onde haja crime nisto", disse, para logo acrescentar: "O que acho é que essas pessoas, esses partidos, essas instituições, com nome, deveriam ser tornadas públicas: quem é que fez o quê e quem é que assinou o quê, não para meter na cadeia, mas para os impedir de voltar a fazer política, para os impedir de voltar a ter acesso à decisões".

Decisões sobre PPP´s e "swaps"?  Responsáveis? 
A revista Visão, em Outubro de 2012 "desmontou" o esquema e mostrou o nome dos responsáveis directos, enquanto políticos.

António Barreto quer o nome deles? Alguns estão aqui. Veja-se onde param estes criminosos políticos e que percurso fizeram desde os "crimes" políticos que cometeram ( há já quem fale em "crimes em série")...e quem os nomeou para os cargos que ocupavam e ocupam. Veja-se depois quem autorizou em conselhos de ministros o que os mesmos promoveram, quem promulgou e quem publicou. E quem elegeu...esses mesmos. Ou seja, quem votou nas eleições. Será assim que se defenderão sempre...os maiores responsáveis pelo descalabro.
E de resto é ver quem é que a SIC das anas lourenços convida sempre para explicar a "crise". Geralmente estes nomes que estão envolvidos até ao pescoço nestas negociatas de alto coturno.
O "crime" não é apenas politico. Esses foram os executantes directos. Mas há os cúmplices e co-autores. Entre os mesmos avulta a Impresa de Balsemão e demais universo mediático e...os bancos, com destaque para um certo Ricardo Salgado. Quanto a este basta saber como foram inventados os RERT´s de amnistia fiscal, logo em 2005 ( é ler o artigo 5º desta lei que alterou o Orçamento de Estado para esse ano, publicada em Julho de 2005, ou seja a meio do ano e metida a mascoto por alguém) , repetido em 2010 e em 2012, sempre metidos a mascoto no Orçamento de Estado. Basta saber quem foram os governantes que tal decidiram, como e porquê, exactamente.  
Acho que há um indivíduo que sabe exactamente o que se passou. É este e trabalhaou para o BES durante muitos anos, até 2005, precisamente. Era ministro deste Governo, desde Março de 2005.

António Barreto se quiser fazer uma caça a estes bruxos, inteiramente justificável, aliás, deve começar por enunciar as razões contextuais que tal permitiram e agora que se sabe a extensão dos "crimes" cometidos, impedi-los de facto de governarem seja o que for, com relevância pública. Nos casos mais gritantes, como é o de Jorge Coelho, a meu ver só haverá uma medida de justiça à altura: expropriá-lo de tudo o que tem, ganho na Mota-Engil, e colocá-lo no tempo do "hádem". No "hades", exactamente.
E anda-se a falar do BPN...como se esse escândalo financeiro, envolvendo na sua maioria entidades privadas ( até à nacionalização e esta deve também entrar no rol dos crimes políticos aqui enunciados) fosse coisa que se visse ao pé disto.

Nunca como agora as Parcerias Público Privadas estiveram sob tal escrutínio. O Tribunal de Contas confirmou a "falta de transparência" dos contratos assinados com as concessionárias; no Parlamento, vão ser ouvidas 182 pessoas a esse respeito; no DCIAP, investiga-se a eventual troca de favores entre empresas privadas e ex-governantes. Saiba quem foram os ministros que "patrocinaram" as PPP, quais os desvios e quanto custou ao Estado cada um desses negócios
  • Recorde aqui o percurso dos governantes das PPP
FERREIRA DO AMARAL, 67 anos - Assinou uma das primeiras PPP, em 1995, e deixou o Governo nesse mesmo ano, assumindo o cargo de deputado. Manteve-se na política ativa até 2001. Antes de ingressar na Lusoponte, em 2005, passou pela Cimianto, pela Semapa, pela Inapa, pela Engil e pela Galp Energia
ANTÓNIO MEXIA, 55 anos - Ministro das Obras Públicas durante oito meses, entre 2004 e 2005, sempre se moveu no mundo das empresas públicas. Antes de 2004, esteve na Galp Energia, no ICEP, no BES Investimentos, na Gás de Portugal e na Transgás. Em 2006, passou a presidir à EDP
VALENTE DE OLIVEIRA, 75 anos - Foi várias vezes ministro entre 1979 e 2002. Foi, também, professor catedrático, passou pela AEP, pela Parque Expo, pela Comissão de Coordenação da Região do Norte e tornou-se coordenador europeu das Auto-Estradas do Mar
JOÃO CRAVINHO, 76 anos - Depois de ser ministro do Equipamento de Guterres, foi deputado e propôs um pacote anticorrupção, na AR. Em 2007, o Governo designou-o para administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres
JORGE COELHO, 58 anos - Abandonou o Governo de António Guterres após a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001. Depois disso, manteve-se como deputado até sair, em 2006, para a empresa de consultoria que fundou, a Congetmark. Deixou de ser conselheiro de Estado pouco antes de se tornar presidente da Mota-Engil, em 2009
FERRO RODRIGUES, 62 anos - Substituiu Jorge Coelho no Governo, em 2001, e sucedeu a Guterres na liderança do PS, entre 2002 e 2004. Foi nomeado embaixador português junto da OCDE, em 2005, cargo que deixou para regressar ao Parlamento, em 2011, onde é deputado e vice-presidente
MÁRIO LINO, 72 anos - Deixou o Governo de José Sócrates em 2009. É, desde maio de 2010, presidente do Conselho Fiscal das companhias de seguros do grupo Caixa Geral de Depósitos
ANTÓNIO MENDONÇA, 58 anos - Saiu do Governo, em 2011, na sequência da queda de José Sócrates. É professor catedrático de Economia no ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão e preside a um centro de estudos na mesma faculdade
PAULO CAMPOS, 47 anos - Até 2005, altura em que se tornou secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e Comunicações nos dois Governos de José Sócrates, foi administrador de várias empresas do grupo Águas de Portugal. É deputado

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Marcello Caetano e o Ultramar

Marcello Caetano quando tomou o poder do Governo, em 1968, sobre o Ultramar pensava exactamente o que Salazar dizia nos discursos. E justificava tal entendimento em diversas alocuções e escritos que compilou num opúsculo editado em separata de alguma publicação oficial, em 1971, intitulado Razões da presença de Portugal no Ultramar.
Nele se elencam algumas ideias dispersas que mostram como o Ultramar não tinha outra solução para Marcello Caetano do que a continuação do esforço de guerra que começou a cansar a partir dos anos 70 e que originou o 25 de Abril de 1974.


Em  1973 a livraria Moraes editou um volume de conversas de Alçada Baptista com Marcello Caetano. O autor, falecido há uns anos, contava na Introdução como se desenrolaram essas conversas e dava o seu testemunho sobre um percurso pessoal que alguns intelectuais da altura fizeram, no sentido de tomarem consciência política.

Aliás, citava logo Montalembert: " Vous avez beau de ne pas vous occuper de la politique, Elle s´occupera quan même de vous..."
 Nessas conversas foram tratados diversos temas como a liberdade, a democracia, a censura, etc e que merecem uma atenção particular futura.

A parte que publico tem a ver com a noção de Marcello Caetano da guerra no Ultramar. Não era diferente da de Salazar,


 

domingo, 28 de julho de 2013

Marcelo sobre Machete: um pum. Um pim e também um pam.

Marcelo Rebelo de Sousa falou hoje na sua prédica dominical no caso Machete. No pasa nada. Conhece Machete há 50 anos quando o mesmo já era assistente na faculdade de Direito ( Constitucional, o que MRS acha uma vantagem para o Governo porque sempre poderá colher o parecer prévio do suposto constitucionalista...).

Sobre o BPN? Ainda menos. Só recebia senhas de presença e declarou tudo ao IRS. O conselho de supervisão era uma espécie de verbo de encher pelo que não há problema algum em Machete nada ter visto na supervisão. Sobre o BPP? Idem aspas. Então se o presidente da supervisão era o Balsemão, como é que o Machete, mero ajudante, seria responsável fosse do que fosse?
A FLAD? Ainda menos. Os americanos afinal só não gostavam do administrador Machete porque o mesmo investia nos bancos portugueses e não nos estrangeiros. Um patriota, com atestado passado pelo MRS que o conhece de ginjeira há 50 anos.
Talvez por isso mesmo declarasse logo no início que esperava que Machete não aceitasse o cargo. Mas porquê, se no pasa nada?
MRS sempre foi assim...desde o tempo dos dez negrinhos.

Salazar e o Ultramar

Em 30 de Novembro de 1960 Salazar proferiu um discurso na Assembleia Nacional em que expôs claramente as ideias pelas quais Portugal não devia abandonar, sem mais, o Ultramar que como o mesmo refere começava a ser contestado por causa da ideia expandida, logo depois da descolonização que outros países europeus fizeram, no sentido de que "A África é dos africanos". Uma ideia básica e que fundou o combate dos movimentos de libertação que vieram a impor-se em todo o continente africano com os resultados que se conhecem e após séculos de colonização mais ou menos pacífica.

Estão aqui as ideias fundamentais que justificaram o combate às guerrilhas nas províncias ultramarinas, a Guerra no Ultramar que não costumam ser elencadas sempre que se fazem programas televisivos ou se escreve sobre o assunto.
Salazar escrevia então que "O comunismo, na sua luta contra o Ocidente, previu, estudou, montou toda a máquina com que espera diminuí-lo ou vencê-lo, desintegrando toda a África e subtraindo-a à sua direcção e influência. Não lhe importam outras consequências, exactamente porque sobre o caos construirá melhor."

Quem se atreve a contestar a validade profética destas palavras, tendo em conta os milhares de mortos das guerras civis em Angola e Moçambique? Quem se atreve a argumentar que a independência trouxe a liberdade aos povos africanos e ao mesmo tempo regimes cleptocratas e sem qualquer relação sólida com direitos humanos tais como os concebemos, apesar das aparências legislativas e institucionais que sufragaram?

Não se podendo defender a ideia de que o Ultramar português sê-lo-ia para sempre, uma vez que tal se revela agora, em prognose póstuma, utópico ou pelo menos de difícil imaginação, ainda assim, a chamada "descolonização exemplar" levada a cabo pelo regime que sucedeu a Marcello Caetano e com os seus próceres mais activos na altura- MFA, Mário Soares e seus ministros como Almeida Santos- poderia ter sido de outra forma e mais consentânea com os direitos humanos daqueles que lá estavam e eram portugueses. Incluindo a população nativa.
Porque é que tal não suecedeu? Porque não houve estadistas. Houve Mário Soares, voilà. E o esquerdismo em geral que entregaram de mão beijada, sem medir as consequências, os territórios que eram nossos e assim deixaram de o ser. Era o que os mesmos queriam. Salazar ( e Caetano) pensavam de outro modo.
Quem tinha razão de fundo e de forma?












sábado, 27 de julho de 2013

O BPN/SLN é o espelho do regime, apenas

 




















O Correio da Manhã, baseado em "autos do caso BPN" em processos que passaram no DCIAP ( procurador Rosário Teixeira) e já acusados, anda a publicar elementos desses autos para tentar mostrar o "escândalo BPN- o buraco do Estado". Logo, na CMTV, às 21h passará a "anatomia de um golpe".

No jornal de hoje trata o caso "Redal-Bladestone-Plêiade-Biometrics-Porto Rico" a que está intimamente ligado o nome de Dias Loureiro.
Essencialmente trata-se de negócios entre empresas privadas, um banco privado, comissões para lá e para cá, intervenções de estrangeiros e muito dinheiro em jogo. Segundo o jornal, o negócio Redal continua em investigação. Uma notícia em caixa dá conta de que "cerca de 17 milhões de euros em alegadas comissões ilegais da venda da Redal terão sido pagos a terceiros através de uma conta bancária aberta em Gibraltar, que é um paraíso fiscal". 
Duvido que se encontre algo criminal para além das habituais fraudes fiscais que em Portugal se tratam a RERTS que os ricardos espíritos santos conhecem de ginjeira. Seria sumamente interessante ( e importante) saber quem fomentou tais leis fiscais excepcionais e as conseguiu fazer aprovar numa AR obediente e submissa às maiorias políticas que governam. Saber quem lançou em primeiro lugar a ideia, de onde veio a peregrinação e quem foi, como nome posto em jornal o primeiro autor da proposta ou projecto de lei. Tal coisa seria mais importante para se perceber o que ocorreu em Portugal nas últimas décadas do que muito paleio estéril. E obviamente há quem saiba e muito bem. No Parlamento, quero dizer.

Conta ainda o jornal que já estão acusados"vários ex-gestores" do grupo BPN/SLN e outros como o banco Insular. Os crimes serão de "abuso de confiança" ( alguém guardar para si ou outrém algo que não lhe pertence); burla qualificada ( alguém enganar outrém através de um esquema fraudulento e enganador, prévio e causado prejuízo) e falsificação de documento. Também haverá fraude fiscal, mas pouco...

Tenho para mim que este caso BPN irá saldar-se por um fracasso judiciário. O BPN assumiu foros de escândalo logo que entrou em falência técnica. As causas dessa falência, aliás nunca decretada porque o banco foi salvo pelo gong da nacionalização, não foram apuradas para além do que consta nesses inquéritos que, repito, me parece que irão saldar-se, em tribunal, por absolvições dos crimes imputados, por carência de elementos constitutivos da infracção criminal. Mas não sei absolutamente, apenas me parece.

O caso BPN/SLN, como o comprova a ressurreição política de um "dinossauro excelentíssimo" ( expressão de José Cardoso Pires, do antigamente) como Machete é um caso do regime político vigente. Machete, para além de accionista de luxo,  foi alto responsável  na SLN, como relata também o CM de  25 de Julho 2013:

 Rui Machete foi acionista da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), empresa que integrou o Grupo BPN/SLN, entre 2001 e 2005. Tinha, no final de 2005, um total de 25 496 ações da SLN, que foram vendidas em 2006 ou 2007 à Fundação Luso-Americana, da qual foi presidente entre 1985 e abril de 2010.
 Após a tomada de posse, Rui Machete foi questionado sobre a sua passagem pela SLN, onde foi presidente do Conselho Superior. "Isso denota uma certa podridão dos hábitos políticos, porque deviam saber em que condições eu passei, em vez de darem notícias bombásticas", afirmou o ministro. E considerou ainda que a sua passagem pela SLN não fragiliza a sua posição como ministro, dado que está de consciência tranquila "há muitos anos".

Claro que há muitos anos anda de consciência tranquila. A podridão nunca o afectou e a lembrança de que pertenceu ao conselho superior da SLN ainda menos. 
Rui Machete é um dos pivots do caso BPN/SLN por causa da posição política que ocupou e dos lugares onde esteve e amizades que frequentou. Quando afirma estar de consciência tranquila, fá-lo porque sabe de ginjeira em que meio sobrevive. E a prova é a designação para ministro, num escândalo inominável para quem tenha a noção deste fosso em que nos meteram os machetes, loureiros. sócrates e quejandos que não faltam por aí. Pequenos capos políticos desta mafia político-partidária que envergonha a noção de democracia, faz suspirar pelo Estado Novo de Salazar e que se organizou em Portugal há algumas décadas ( desde a morte de Sá Carneiro) para sugarem os recursos deste pobre país, em proveito próprio e de alguns amigalhaços e correlegionários.
A noção de "pote" preenche-lhes toda a ideologia e ir ao "pote", toda a praxis.
É este o problema de fundo e que as pessoas se recusam a perceber e a contextualizar. Enquanto os machetes deste pobre Portugal continuarem a dizer que "estão de consciência tranquila" tudo continua mal no país. Será preciso uma tragédia para as pessoas se aperceberem do mal que esta gente fez ao país? E da pouca-vergonha que ainda têm, aparecendo como salvadores de um barco que afundaram?

O caso BPN é evidentemente um caso político, na mais lata acepção do termo,  e os aspectos criminais foram nele introduzidos a mascoto politico-partidário pelo PS e esquerda em geral que têm tantos esqueletos no armário que preferem entreter-se com os dos outros. Por isso decretaram logo, mediaticamente, com apoio entusiásticos dos balsemões via telejornais, se esse um "caso de polícia". Ficou arrumado.
O caso BCP-Berardo-Vara-CGD-Sócrates, quanto a mim é muito mais grave, como caso de polícia e em termos criminais e nada se fez para investigar. A própria nacionalização do BPN, contestada e de contornos nebulosos ( não pega a justificação do perigo de contágio sistémico aos bancos em geral) que mereciam outra investigação criminal, a sério.

Enquanto isso não se fizer, os casos BPN e quejandos servirão apenas para alimentar tricas partidárias e notícias bombásticas de jornal.