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sábado, 31 de agosto de 2013

Expresso: o nacional-jornalismo histórico

O Expresso de hoje reincide na reescrita da História recente de Portugal. Para comemorar  a passagem de 40 anos sobre o aparecimento do jornal, anda a repescar ideias feitas pelo revisionismo histórico dos Rosas&Pereira, sempre com o "fassismo" em pano de fundo e o jornalismo nacional do costume.
José Pedro Castanheira, um dos lídimos representantes da corrente histórica do jornalismo luso é o autor do artigo de hoje.

Como se verifica, o assunto é a censura que o jornal sofreu semanalmente, desde que saiu, em 6 de Janeiro de 1973. Com destaque particular, neste caso, para as notícias do "caso Wiriamu". O assunto já foi tratado aqui, em  14.7.2013.
O caso Wiriamu foi devidamente noticiado no Expresso de 14 de Julho de 1973. Com Censura, naturalmente e que o jornal deveria explicar agora, num contexto em que o revisionismo histórico-jornalístico tivesse em conta um maior respeito pelos leitores.

O jornalista José Pedro Castanheira lamenta-se agora, como já o tinha feito quando publicou o livro O que a censura cortou, em Abril de 2009, sobre o leite derramado no regime anterior nas notícias que pretendiam abertamente pôr em causa o mesmo regime, autoritário, não democrático, segundo o modelo actual ( que é uma maravilha como todos reconhecem...). O regime, era sabido, tinha uma mão de ferro sobre notícias que envolviam assuntos de guerra. Aliás, que país a não tem? Os EUA, actualmente, o que fizeram ao soldad@ Manning? Condenaram-n@ a dezenas de anos de prisão, precisamente por revelar segredos de Estado, que tinham a ver com a guerra.
Mas...o que pretendia o Expresso de então e o de agora, com José Pedro Castanheira? Liberdade total de publicação? Denunciar uma Censura que era institucionalizada e com base legal? Voltar a insistir que o regime de Marcello Caetano era fascista, como pretendem os Rosas&Pereira?
O que é que pretendem com esta reescrita da História? Voltar aos mesmos temas de sempre que ocuparam o relato e a narrativa das últimas décadas, sobre a realidade portuguesa anterior ao 25 de Abril de 1974 e que era o que foi, mas não exactamente o que tem vindo a ser relatado, com falsificações histórias a eito e a preceito, como mais esta o é?

O regime movia-se numa legalidade  que era a que existia no Estado Novo, com uma Constituição referendada ( esta que temos que tal é?) e com leis que balizavam claramente o que se podia ou não fazer, incluindo os jornais. Sobre a Guerra no Ultramar, como era o caso, seria de esperar melhor cobertura jornalística do que a permitida pelo Governo e Estado de então? Haverá actualmente algum governo democrático, no mundo, que tal permita? O massacre de My Lay, no Vietnam de então, não lhes ensinava nada a estes profissionais do nacional-jornalismo que agora ensinam os novos ( tipo Ana Lourenço), perpetuando a essência da Mentira?
Então porque é que o Expresso pretende confundir as pessoas e reescrever sempre a mesma História?
E sobre o caso da capela do Rato? Estamos na mesma. O Expresso queixa-se que não o deixaram colocar a notícia logo na primeira página...mas seria de esperar tal coisa, num contexto daqueles em que o assunto da guerra era delicadíssimo na sociedade portuguesa, havia soldados portugueses a lutar, e o livro de Spínola já elaborado e a sair, escassas semanas depois, viria a colocar tal discussão na ordem do dia?
O que pretendia mesmo o Expresso? Noticiar que alguns católicos e não católicos, esquerdistas todos, queriam protestar em manifestação, que sabiam ser proibida por lei, suscitando por isso uma reacção policial imediata como sucedeu, com todos os pormenores que agora o Correio da Manhã costuma dar mas o Expresso nem por isso ( vide caso das secretas, uma vergonha para o jornal e o seu actual director)?
Pois a notícia seria notícia, mais ou menos desenvolvida ( mas não do modo como o Expresso pretendia. Nem na Inglaterra se admitiria tal coisa, como se viu durante a guerra das Malvinas) em quase todos os países europeus, mas não aqui, por autorização legal, cuja legitimidade o Expresso contesta. E o Expresso sabia-o muito bem. Vem agora protestar contra quê, afinal? Contra a Censura que se percebe muito bem o alcance num caso destes, ou contra o regime de então que integrava tal instituição?
Queria viver em democracia burguesa num regime que não a admitia abertamente? E a contradição resolvia-se de que maneira? Com o ser e não-ser? Com a condescendência do regime de Censura de uns coronéis reformados, aliás conhecidos da direcção do jornal que pactuava pessoalmente com tais pessoas, e  que pretendiam enganar sempre que podiam e com o objectivo oculto de contribuir para a "democratização" que veio a acontecer em 25 de Abril de 1974?
Era isso?  Se era, não entendo bem a estratégia, porque o que veio a seguir mostra o que ganharam com a troca: bancarrotas sucessivas, liberdade de imprensa igualmente limitada, perigo iminente para a mesma democracia que pretenderam ( a Ala Liberal infliltrou-se na Assembleia Nacional para conseguir maior democraticidade a um regime que era essencial e declaradamente corporativo) implantar.

Com a troca, ganhamos a Liberdade de expressão? Nem tanto. Logo nos meses a seguir, instalou-se uma nova censura, mandatada pela Esquerda bem pensante do MFA e com apoio de alguns jornalistas comunistas ( uma boa maioria dos jornalistas portugueses de então), esquecidos da Censura anterior, porque os comunistas são mesmo assim.  Ganhamos maior liberdade de expressão? Sem dúvida. Mas...para quê? Para dizer que a temos? Mas se não temos? O Expresso hoje em dia publica tudo o que poderia publicar, por exemplo para colocar em causa certos interesses e poderes como os que Balsemão acapara desde que foi primeiro-ministro, depois da morte de Sá Carneiro, altura em que ganhou o jackpot do poder mediático? Os interesses de certa banca nacional estão ou não protegidos com estes tipo de jornalismo que o Expresso faz? Que diferença faz a Censura de antes e a de agora, interna, de consciência dos interesses do patrão e dos poderes instalados na sociedade portuguesa?
Atrevo-me a dizer uma heresia: a Censura actual é bem pior que a que existia antes de 25 de Abril de 1974. E provo-o se necessário for.
Para já deixo os habituais recortes.

O Expresso de 18 de Maio de 1974 só queria a "irradicação definitiva do fascismo". Tal e qual, o que revela muito bem qual era o espírito fundador do jornal de Balsemão: associar o regime de Caetano a um suposto "fascismo", expressão tomada de empréstimo aos comunistas e reciclada imediatamente por um jornal que fora guarida de uma "Ala Liberal" ( de que Balsemão fizera parte) com assento no lugar do bicho careta, a própria Assembleia Nacional. Coisa mais canalha, e de vira-casaca, é difícil de encontrar. Só num Machete e figuras semelhantes. 


E como é que o Expresso convivia com a famigerada Censura que agora denuncia em livro e em ediões comemorativas? Assim, como o Expresso de 14 de Dezembro despudoradamente mostrava, sem qualquer vergonha em dar à estampa a prova da promiscuidade com o tal regime fascista que agora queriam "irradicar". Nojo maior é difícil de encontrar. Só na atitude de um Balsemão ao longo dos anos...

Balsemão este que não se coibiu de confirmar e contar a história da relaçao do jornal com a Censura, no tal livro acima citado. Edificante sobre a dignidade institucional e humana e que teve como protagonista outro personagem deste Estado de coisas a que chegamos: Marcelo Rebelo de Sousa, quase a filhado do "fascista" que pretendia depois "irradicar"...
Como se lê, a promiscuidade com o tal regime a "irradicar" era total e completa. E não tem sequer vergonha de o dizer agora...

E a Censura depois de 25 de Abril funcionava ainda de modo mais insidioso e atingia as franjas políticas a extrema não alinhada, fazendo adivinhar o que se preparava num futuro próximo, caso a Esquerda alinhada tomasse o poder como chegou a deter por escassos meses, em 1975.
O Diário de Lisboa de Lisboa de 3 de Maio de 1974 dava o mote: liberdade sim, mas limitada aos "antifassistas". E quem definia o género? Ora...será preciso dizer?


 Em 24 de Agosto de 1974, o mesmo Expresso, porém, já dava mostras de preocupação com os novos poderes censórios...e a coisa não ficou por aqui, com o famigerado "documento Jesuíno" que pretendia reinstaurar a Censura, novamente e não de modo prévio mas com multas pesadíssimas para quem infringisse os cânones mal definidos dos novos poderes.

Portanto, o Expresso deveria ter mais vergonha, memória e recato. Ou então não censurar estas coisas que ocorreram e têm um contexto que não é contado, tal como não se conta o outro do "fascismo".

E afinal como é que o regime "fascista" que o Expresso queria "irradicar" era segundo as palavras do próprio Marcelo Caetano? Assim e que agora simplesmente é ignorado em prol de uma versão histórica que estes jornalistas tipo José Pedro Castanheira aproveitam, tomando a narrativa de empréstimo aos inimigos figadais de tal regime, os comunistas de todos os matizes?

Era um regime que falava em "moral" em vez de "ética " porque os conceitos eram outros ( agora são melhores, com a roubalheira desenfreada na classe política de poder que se instalou?).
A imagem é do livro de ensino para o 6º e 7º anos liceais de Organização Política e Administrativa da Nação.


E a legalidade era explicada em termos simples que não conflituavam com uma Constituição marxista e que aqueles consideram aceitável nos tempos que correm. Os textos são extraídos do livro  Quinto Ano de Governo de Marcello Caetano, publicado em 1973 pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo. Direcção-Geral de Informação. Propaganda política, claro está. Mas leia-se e compare-se com a actual...para ver as diferenças.


Evidentemente que podem discordar dos valores e métodos do regime a que Caetano presidia. Podem até considerar tais valores utrapassados, mas pelo menos citem-nos. Digam quais eram. Mostrem a realidade histórica, para além da fachada "fascista" que pretendem sempre apresentar como essência do regime.
Isso é falso, rotundamente falso e como tal pouco valor tem , como História. Serve apenas um propósito, aliás o de sempre: o ideológico de que nunca se libertaram. O da Esquerda comunista travestida em democracia para o papalvo ver e votar ou num socialismo que só nos tem conduzido à miséria de bancarrotas sucessivas.






sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A actual Constituição é o problema.

 Económico:

O primeiro-ministro levantou hoje a possibilidade de Portugal pedir segundo resgate financeiro.
Menos de 24 horas depois do Tribunal Constitucional ter anunciado o chumbo às regras da mobilidade dos funcionários públicos, um dos eixos centrais da reforma do Estado, Passos Coelho admitiu publicamente a eventual necessidade de um segundo resgate. O primeiro-ministro afirmou que sem "uma reforma estrutural do Estado", Portugal precisará desse novo pedido de financiamento aos credores internacionais. E dramatizou as consequências de um segundo resgate, falando mesmo de "um calvário".
"Se não formos capazes nos próximos meses de sinalizar aos nossos credores esta reforma estrutural do Estado, que garanta que a despesa do Estado desça de forma estruturada, não estaremos em condições de prosseguir o nosso caminho sem mais financiamento, sem um segundo programa que garanta ao Pais os meios de que ele precisa", avisou Pedro Passos Coelho, esta tarde em declarações aos jornalistas.
"Tenho dúvidas que um segundo programa não exija, do ponto de vista dos nossos credores externos, que essas condições sejam garantidas pelo país. Por isso espero com honestidade que possamos evitar esse calvário que seria negociar um segundo programa de apoio em que das contrapartidas que os nossos credores oficiais exigiriam seriam ainda piores do que as actuais", concluiu.
Decisão do TC abre buraco de 167 milhões no Orçamento
O chumbo do diploma da requalificação na Função Pública abre um buraco de 167 milhões de euros na despesa do Estado até 2014. Mas o impacto potencial desta decisão pode ascender aos 419 milhões de euros, já que este veto retira eficácia a outro instrumento de redução da factura salarial pública, as rescisões amigáveis, que entram em vigor já no próximo domingo.
Esta decisão sobre o primeiro diploma da reforma do Estado vai abrir assim um buraco de 167 milhões de euros em 2013 e 2014, de acordo com as contas do Fundo Monetário Internacional. O Governo tem assim, em vésperas do início da oitava e nova avaliação do programa de ajustamento e a menos de dois meses da apresentação do Orçamento do Estado para 2014, de encontrar medidas alternativas de valor idêntico, já que, de acordo com as metas em vigor, o défice tem de passar de 5,5% em 2013, para 4% do PIB em 2014.
Mas o impacto orçamental da decisão do TC pode chegar aos 419 milhões de euros, tal como o Económico já tinha avançado. Isto porque o sucesso do programa de rescisões - com o qual o Executivo de Passos Coelho prevê poupanças de 252 milhões de euros - está dependente da pressão que representa o regime de requalificação dos funcionários (que, na fase terminal, funciona na prática como um instrumento de despedimento). O próprio Governo já admitiu que se o programa de rescisões tiver bons resultados, os serviços não terão tanta necessidade para colocar trabalhadores em regime de requalificação. Com as duas medidas, o Executivo espera reduzir em 30 mil o número de trabalhadores no Estado.
Como tenho escrito por aqui, a actual Constituição da República Portuguesa é tributária do socialismo comunista, desde a sua origem. O preâmbulo di-lo claramente e é por isso que os comunistas se agarram como carrapatos ao texto primoroso de 1976, pouco ou nada modificado desde então nesse aspecto essencial. Os demais partidos, incluindo agora o CDS juram sempre fidelidade ao mostrengo com medo de perderem audiência eleitoral. Não são capazes nem têm coragem de denunciar o PCP e o BE como partidos anti-democráticos por natureza e que enganam as pessoas constantemente com paleio oco.
Em rigor, se os juízes do Constitucional assim o entendessem ( que não entendem porque foram nomeados por partidos definidos e seguem geralmente a cartilha doutrinária dos mesmos) poderiam chumbar quase todas as leis por inconstitucionalidade. Afinal, Portugal vai ou não paro o socialismo, como o proclama o preâmbulo da actual CRP, nunca modificado ao longo destas décadas porque o PS e o PCP mai-la Esquerda unida nunca deixaram?
O PS, só na revisão de 1989, mais de uma dúzia de anos depois de a actual CRP garantir que iríamos a caminho de uma sociedade sem classes, aceitou tornar reversíveis as nacionalizações, apesar de saber desde então ( tenho por aí, no blog, uma entrevista de Mário Soares dessa época, 1976 que assim o proclama, mas nunca foi coerente com tal afirmação) que tal caminho era sem saída e um atalho para as bancarrotas que se seguiram.  E tal revisão só ocorreu porque tínhamos entrado na CEE e o espírito europeu não se coadunava com o espírito neo-estalinista de Cunhal e próceres. Era uma aberração e por isso o PS lá condescendeu no favor ao "capitalismo monopolista", atirando o PCP para o muro das lamentações permanentes em que se encontra. No entanto, as demais aberrações ficaram e o texto tornou-se...inconstitucional por natureza, porque contraditório nos princípios e normas programáticas, com o texto da constituição econnómica. Temos um mostrengo jurídico como Constituição de que muitos se orgulham. O socialista Jorge Miranda ( já foi do PPD) é um deles. Porventura um dos padrinhos da dita, o Vital de Coimbra que adora figurar em comissões de remuneração de empresas públicas, também será. Até um dia em que se lembre de dizer que afinal só sabe que nada sabe.
Portanto, sem os dois terços necessários para a revisão fundamental do espírito da CRP e a monumental varridela democrática que o PCP e a extrema-esquerda do BE precisam, para nos tornarmos verdadeiramente europeus, nada se fará de essencial e andaremos sempre a reboque das troikas.
Como tal revisão essencial não vai acontecer iremos passar por muitas e graves dificuldades para baixar a despesa pública para níveis aceitáveis.

O problema não são os juízes esquerdistas do Constitucional. Isso é um dado assente. O problema é a CRP em si. 

Bandidos com autoridade

Sol:

Dois agentes da PSP do Porto foram hoje detidos pela Polícia Judiciária do Porto, suspeitos de um roubo por carjacking, cometido recentemente na zona da Maia, segundo apurou o SOL junto de fontes policiais.
As detenções foram executadas por investigadores da Secção Regional de Combate ao Banditismo/Unidade de Contra Terrorismo, da Directoria do Norte da PJ.
Os dois agentes da PSP serão apresentados esta tarde ao juiz de instrução criminal da comarca da Maia, segundo acrescentaram ao SOL as mesmas fontes policiais.


Um comentário: em princípio, suspeitos são apenas isso. Se se comprovar a culpa, será necessário apurar quem os admitiu na PSP e que testes fizeram para tal. Não é crível que os testes não possam detectar meros bandidos, sob a pele de agentes de autoridade.
Das duas uma: ou os testes não servem para nada ou estão mal feitos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

PCP, partido refossilizado e parasita

O último número da revista do PCP, O Militante, saído estes dias para os meses de Julho e Agosto ( todo neorealista, a preto e branco, mas com papel "couché"  e a custar €1,70) mostra o que é o Partido Comunista Português para quem costuma andar distraído.

Continuando a saga da entronização no santuário comunista do santo do partido, Álvaro Cunhal, mostra em duas páginas o que foram os últimos 40 anos para o PCP: um continuum espaço-temporal em que nunca sairam do estado fóssil em que já se encontravam, vivendo a expensas de uma democracia que execram e de um sistema que nem toleram porque o discurso é sempre de subterrâneo, clandestino e de obscuridades idiossincráticas. O PCP tem sido um parasita ideológico desta democracia burguesa que não partilha e cujo conceito não aceita. Antes como hoje.

Houve uma altura, em 1974-75, em que sairam brevemente dessa letargia tornando-se verdadeiros vampiros do sistema que depuseram, sugando-lhe o sangue vital da economia florescente e cravando-lhe os "crocs" de uma Constituição que engendraram ideologicamente. Após lhe sugarem os recursos e abaterem os resistentes ao estado de "zombies", ao aparecer a luz do dia democrático, em 25 de Novembro de 1975, recolheram à cave de onde nunca mais saíram, tornando-se então carrapatos da mesma democracia, onde se alapam para lhe sugar o sustento suficiente, escondidos atrás de uma Constituição que os protege da luz do dia, com palavras equívocas e conceitos falaciosos que misturam com o discurso corrente.
A natureza actual do PCP é a de sempre: parasitas da democracia burguesa que não seguem nem aplaudem, mas lhes serve os desígnios de que nunca abdicaram e à qual se alapam.

A prova está aqui, a páginas tantas (diga 33) da mesma revista:

A páginas outras ( 35) aparece um dos aparatchicks, saído há pouco do casulo protector, para mostrar a verdadeira fonte de vida do PCP: a actual Constituição.

E os militantes que deixaram de fazer parte do Partido são...oportunistas. Eventualmente por quererem fazer parte do ambiente político noutros partidos, fora da cave dos fósseis.

É este o PCP de hoje e de sempre, um fenómeno de vida longa como a célebre figura de Stoker.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lá foi mais um dos meus heróis da música: J.J. Cale

J. J. Cale morreu em 26 de Julho passado e só agora o soube. O músico de Oklahoma City é um dos meus heróis musicais e de quem tenho todos os discos da década de setenta e princípio da seguinte, do século passado, em vinil. Naturally, de 1972; Really, de 1973; Okie, de 1974 e Troubadour, de 1976; Five, de 1979; Shades, de 1981 e Grasshopper, de 1982 ( o primeiro Lp que comprei, do músico, no ano em que saiu), são imprescindíveis na discografia de J.J. Cale.
Esta fotografia, um dos melhores retratos de alguém em modo foto,  apareceu na revista Guitar Player, de Junho de 1990 e cheguei a perguntar ao fotógrafo- Ray Olson- como a tinha feito. Respondeu-me amavelmente por correio electrónico como tinha colocado a iluminação e que lente usara.


Em tempos, nos anos oitenta, gravei uma cassete com uma espécie de best of, dos discos. Já contei a história, aqui.  Assim, de memória, devo recordar Precious memories, de Okie; Call me the breeze e Don´t go to strangers, de Naturally; Hey babe, de Troubador e Love has been gone, de Shades.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BE: estalinista, diz um dos fundadores.

Um dos fundadores da LCI ( trotskista), partido estapafúrdio da época das loucuras políticas do PREC, e que redundou depois noutro ainda mais estapafúrdio que deu pelo nome de PSR, congregador de margens sociais, agora todas no BE ( daí o papel fundador do dito) dá uma entrevista ao i de hoje, para se interrogar, em dado ponto, se o Bloco de Esquerda será um partido democrático, (como o pretendem muitos, a começar pela televisão que lhe dá toda a publicidade necessária e muito para além da audiência suficiente).
O Bloco de Esquerda está eivado de cultura estalinista, diz João Cabral Fernandes...
Olhá admiração! Como se na Esquerda, em Portugal, particularmente naqueles que saíram da extrema-esquerda para se travestirem de democratas, não fosse essa a marca de água. Pacheco Pereira, não diz nada a ninguém?

ADITAMENTO em 27 de Agosto:

A seguir, na entrevista, o mentor da LCI e do PSR, psiquiatra de profissão, diz o que qualquer esquerdista encartado desde o 25 de Abril de 74 acredita como credo. É notável como a razão e a inteligência crítica não têm qualquer papel relevante nestas opções políticas, que se revelaram sempre desastres onde quer que fosse. O capitalismo, evidentemente, é rechaçado como mal absoluto e como mézinha para os males do mundo,basta a ideia de igualdade social. Porque é preciso " acabar com a desigualdade social, onde não existam privilégios e uma casta que se apropriou do poder". Este discurso simplista e obnubilador de uma realidadade é a matriz de uma esquerda que se gosta de assumir pelas palavras, apenas. Esquerda é uma delas. Revolução, para este psiquiatra, é outra. O idealismo acéfalo é o caldo de cultura de sempre. A realidade que se dane. Enfim.

Ainda acredita na revolução?
Acredito.
E como se faz a revolução?
Como se está a fazer no Brasil... Mas é muito complicado. A revolução árabe foi um fiasco. O que está a acontecer no Egipto é dramático. E é porque o regulador de tudo isto é o capital financeiro a nível mundial. E o capital financeiro está maduro para cair mas tem muitos anos de experiência e uma grande capacidade.
Mas não opõe a revolução ao parlamentarismo?
Não! O Bloco devia dividir-se entre uma acção parlamentar, desmascarando todos os actos e propostas, mas não meter a cabeça na areia. E ter outra parte, dirigida autonomamente, que era o movimento de massas.
Mas aí o PCP é melhor...
É melhor, mas não é mais revolucionário que o Bloco de Esquerda. Talvez tenha mais tradição. O PCP não é um partido revolucionário, é um partido de esquerda, como o Partido Socialista também é.
Mas então o que é um partido revolucionário?
É aquele que consegue as transformações sociais adequadas em determinado momento. Acabar com a desigualdade social, onde não existam privilégios e uma casta que se apropriou do poder. O que quer dizer revolução? A retomada da evolução! Esse nome que assusta tanto apenas quer dizer o retomar da evolução. Um revolucionário não é um tipo que põe bombas! É um tipo que retoma a evolução e não pode haver evolução com o sistema capitalista.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os maiores empregadores nacionais em 2013 e em 1974

O jornal Sol publica hoje um pequeno artigo sobre os maiores empregadores portugueses. Os dois maiores são a Jerónimo Martins e a Sonae-Modelo Continente.

Em 1974, antes de 25 de Abril, o jornal Sempre Fixe publicou um quadro com as maiores empresas portuguesas, segundo o número de empregados. Na altura chamava-lhes "os grandes patrões"...


Palavras para quê?

Salazar e a sociologia de Domingo

Em 30 de Novembro de 1960 Salazar pronunciou um discurso na então Assembleia Nacional no qual definia a posição política de Portugal perante os sociólogos de Domingo de então, os que fustigavam Portugal por causa do seu "colonialismo" e "racismo"  e se preparavam para apoiar activa e ideologicamente os movimentos de guerrilha na África que então era portuguesa há mais de 400 anos. Alguns traidores ( não há outra palavra para os designar) estão ainda entre nós e gozam das maiores regalias de voz barítona. Não têm qualquer vergonha do papel que desempenharam ao contribuirem para entregar tais territórios aos "indígenas" que se degladiaram logo a seguir em guerras fratricidas que ceifaram a vida a muitos milhares de concidadãos, mais que a guerra "colonial" até então mantida.

O discurso de Salazar, tal como muitos outros foi publicado em opúsculo, do SNI. Ficam passagens significativas que a sociologia de Domingo não alcança porque é preciso saber ver para reparar. E sobre o racismo encontramos várias passagens que deveriam fazer reflectir um pouco mais aqueles sociólogos de Domingo, antes de escreverem asneiras graves e tratarem o tema à maneira do jornalismo nacional: para quem é, bacalhau basta. Ou seja, os epítetos assassinos chegam para mostrar o panorama.



Em 1963, num discurso do dia 12 de Agosto desse ano ( fez agora 50 anos), Salazar definia o multirracialismo. Até refere, numa prognose, os sociólogos de Domingo, ao dizer " Se não fora a clamorosa exemplificação que dessas sociedades mistas- luso-tropicais- pode ser hoje apresentada, talvez mesmo nos negassem que para a sua existência histórica tivéssemos concorrido". Ora é esta mesma negação histórica que os sociólogos de Domingo, mais os historiadores Rosas&Pereira contribuem activamente hoje em dia. Negam o que nunca conheceram nem querem conhecer porque o país era "fascista" e "colonialista" e isso lhes basta.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Os sociólogos de ideias feitas com palavras mortas

O Público de hoje inaugura uma nova série de falsificações históricas da História de Portugal. É uma espécie de História alternativa a que nos contam os historiadores do "fassismo", tipo Rosas&Pereira e agora os sociólogos que estudam cobaias através da ideologia de sempre, de Esquerda.

Hoje aparece um tal Nuno Domingos, "investigador do ICS-UL" ( há ligação por aí mas até dispenso a indicação) que em duas páginas apresenta o Portugal de Salazar e Caetano como o exemplo mais flagrante do país racista e colonialista ou vice-versa que vai dar ao mesmo sinónimo: fassista. As teias mentais estão de tal modo espessas naqueles neurónios que só através de chavões ideológicos se conseguem juntar e produzir pensamento. Deste tipo a que o Público chama um figo ( gostaria de saber o que Belmiro de Azevedo pensa desta porcaria e principalmente porque é que a sustenta):

A "tese" principal do artiguelho é simples de expôr: " É evidente que as retóricas integracionistas do Estado Novo na década de 60 obrigavam a outras representações do africano, noemadamente a de um sujeito colonial assimilado à sociedade portuguesa".
Portanto, a política portuguesa em África, reconhecida geralmente como avessa ao racismo puro e duro de uma África do Sul dominada por europeus do Norte, é reduzida num ápice a um apêndice do mesmo fenómeno. E todos os epifenómenos que a poderiam desmentir afinal confirmam tal ignomínia porque Portugal foi sempre "falso e mitificador" neste aspecto. Só por isso se dá a volta ao texto, literalmente, citando Franco Nogueira, como tendo dito em 1965 que "o nosso primeiro princípio orientador é a igualdade racial". Tal proclamação, para este entendido na matéria sociológica de raiz africana, é falsa e mitificadora. E porquê? Essencialmente porque o Eusébio foi apenas uma figura mediática aproveitada para esconder aquele racismo atávico. É assim. E cita depois o "indigenato", sem perceber tal coisa e outras coisas sem entender o essencial.
Esta sociologia fede a ideologia e por isso não presta. Espero que não tenha sido subsidiada por dinheiros públicos.

Há diversas afirmações que se tornam caricatas, no artiguelho. Uma delas é a de que " No Portugal metropolitano de então, onde rareavam os naturais de África" é sintomática. Porque é que "no Portugal metropolitano de então" os naturais de África não deviam ser raros?
Talvez a explicação esteja aqui, num artigo do Século Ilustrado de 26 de Março de 1971:

O fenómeno de imigração e de emigração, no Portugal dos sessenta e setenta ( e agora) intensificou-se por um motivo simples de explicar: as condições de vida por cá eram bem melhores para os africanos de origem portuguesa ( que falavam português) do que por lá, onde nasceram, tal como os emigrantes de cá iam para a Europa mais rica ganhar melhor. Em 1971 haveria umas escassas dezenas de milhar de africanos a trabalhar em Portugal, naturalmente nas obras e em empregos semelhantes aos que os nossos emigrantes tinham na Europa. Mas o sonho dos africanos não era bem ficar em portugal: era exactamente irem para a Europa do Norte...como escreve a revista. Até refere que na Itália era chique ter uma criada, perdão "empregada doméstica", como já escreve a revista,  africana da Somália ou Cano Verde. A Somália era colonizada por quem?  Portanto, a sociologia ideológica não quer entender isto.

Outra afirmação de rir: "Na guerra colonial, o africano era o inimigo, o "turra". Era? E os contingentes de negros integrados nas nossas Forças Armadas de então? E este exemplo da Guiné ( afinal é em Moçambique, como relata o texto- o erro é meu), apanhado na revista Obervador de 21 de Maio de 1971, com um "guerrilheiro" anti-turra, com 30 comandos pretos?

De resto não parece ilusão ou mistificação e portanto não eram falsas as palavras de Franco Nogueira em 1965 se tivermos em atenção que a política nacional na época, para o Ultramar era diferente daquilo que nos querem fazer crer estes apóstolos da Esquerda fossilizada.
Em 3 de Fevereiro de 1973 o Expresso ( no seu 5º número) publicou uma entrevista com o general Spínola em que este afirmava o mesmo e ainda mais que Franco Nogueira:

Contudo para esta sociologia embebida em ideologia, bafienta e sem valor científico algum, Eusébio não estava sozinho na ribalta dos media da época. E pretos havia vários em diversos campos em que se distinguiam: no futebol, na música ( Eduardo Nascimento que até ganhou um Festival da Canção), na televisão ( havia apresentadores pretos, ao contrário de agora...) e até... na tourada ( Ricardo Chibanga).

A Flama de 17 de Maio de 1968 mostrava na capa o Benfica de Eusébio: também lá estava um Coluna. Basta perguntar a qualquer português que tenha idade de os verem jogar se acham que então havia racismo encapotado nestas actividades e se o regime se ocupava em mistificar tal coisa. Só um mentecapto poderia julgar tal coisa.
Eusébio, aliás e para quem não se lembra, depois de 25 de Abril de 74 tentou um regresso ao seu país, afirmando-se moçambicano e assim e esteve lá. Foi coisa de pouco tempo. É perguntar-lhe porquê...

É por isso que estes artiguelhos armados ao pingarelho intelectualóide, cheios de referência bibliográficas,  ferem a inteligência média do português médio e contribuem para uma "narrativa" falsa, enviesada e ideologicamente marcada do que foi o nosso passado.

Nessa época, no mundo e sobre racismo, Portugal tinha lições a dar. Não a receber fosse de quem fosse. E muito menos dos mentores ideológicos desta gente, os esquerdistas de todos os matizes com pátria no Leste.

Nos EUA de então, no final dos anos sessenta, ainda se esperavam progressos nos "direitos cívicos", apesar de uma população negra bem mais representativa e importante. Nos estados do Sul ainda havia racismo verdadeiro e segregação a sério. Por cá, em Portugal, nunca existiu tal coisa, com essas características que esta gente pretende agora ilustrar a mascoto ideológico, revelando a ignorância de sempre.

Por exemplo, esta imagem do Século Ilustrado de 8 4 1967, que mostra um Cassius Clay ( antes de se trasmudar em Mohamed Ali) bem afirmativo e racista:

O que dirão disto os sociólogos de tretas?





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Os bonzos do nacional-jornalismo

o Jornal de Negócios de hoje consagra quatro páginas da série " 2013 os mais poderosos da economia portuguesa" a três comentadores televisivos ( Marcelo, Mendes e Sócrates) e aos que os convidaram em nome e por conta do establishment nacional. Aparecem assim o director de informação da RTP, um inenarrável Paulo Ferreira; Vítor Matos, jornalista biógrafo de Marcelo ( o Rebelo, não o outro); Ricardo Costa, José Alberto Carvalho e Carlos Andrade.
Estes indivíduos, por si mesmos, congregam a essência do jornalismo português da actualidade: medíocre, cretino e sem interesse. Os comentadores poderiam ser o melhor espelho que os mesmos arranjaram para se reverem.
Basta ler o que Ricardo Costa diz sobre Sócrates: que o seu papel de comentador é " marcar a agenda política e dar trabalho ao governo". Está tudo dito sobre o fino recorte de inteligência deste sagaz director do jornal arregimentado ao sistema.
Os demais não destoam desta balada triste e melancólica do nacional-jornalismo tipo para quem é, bacalhau basta.
É deste tipo de indivíduos que O´Neill se lembrava quando escrevia que são exemplos de um 
País dos gigantones que passeiam
a importância e o papelão,
inaugurando esguichos no engonço
do gesto e do chavão. 
E ainda há quem os ouça, quem os leia,
lhes agradeça a fontanária ideia!

Para rematar este tipo de jornalismo de convencidos ( cada um deles, para fazer o trabalho que faz, do modo como faz, ganhará mais do dobro do presidente da República), fica a crónica do cronista Camilo Lourenço que apesar de não esguichar jactância como aqueles, mai-lo outro citado, o compadre Sousa Tavares, escreve mal sobre os tribunais, mostrando não perceber o que é básico e essencial para não se debitarem asneiras avulsas. Quando alguém escreve sobre a sentença de uma juiza singular, no caso MAC ,dizendo que se trata de um "acórdão". qualquer coisa anda mal no entendimento básico dos conceitos judiciários. E tal só aparece reforçado quando destaca o acessório para atingir o essencial inatingível, neste caso.
É este um pequeno exemplo da falta de rigor e competência de quem escreve em jornais. Aqueles acima citados são os expoentes desta desgraça da qual são encartados há vários anos, contribuindo em modo significativo ( daí o poder que têm) para o empobrecimento do jornalismo e da democracia, no final de contas.
Poderíamos dizer que cada povo tem aquilo que merece. Será assim?


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Santos Ferreira, um esperto

No Diário Económico de hoje - edição oferecida- aparece mais uma "entrevista de Verão" a  Carlos Santos Ferreira, jurista com notas brilhantes (parece ter sido o melhor do curso que também teve Marcelo Rebelo de Sousa) gestor público e privado durante anos, antigo banqueiro na CGD ( desde 2005 até 2008) e no BCP até há pouco.

Santos Ferreira é protagonista de um dos maiores delitos económicos das últimas décadas- a tomada de poder no BCP, pelos jacobinos e afastando a direcção de Jardim Gonçalves em proveito de certos interesses, designadamente da concorrência banqueira-que ficou impune e ficará eventualmente sem se apurar os contornos exactos da participação no esquema do antigo primeiro-ministro José Sócrates e o que ganhou com isso.

Santos Ferreira, na entrevista revela-se uma enguia inteligente e já desprovida de carga eléctrica. Um exemplo: o jornal pergunta-lhe a propósito da escolha de Armando Vara para a administração da CGD, se tal foi escolha sua ou imposição do então primeiro-ministro. Resposta: " não há escolhas, nem imposições, nem pedidos. Posso dizer-lhe que, quando fui escolhido para presidente da Caixa ( por quem?, já agora que não lhe foi perguntado...), perguntei ao ministro ( que ministro? O inenarrável Pinho dos tamancos?) quem é que ele queria como representante do accionista. E não foi apenas o dr. Armando Vara que foi sugerido."

Esta resposta é por demais elucidativa da inteligência aplicada por esta gente que se governou durante mais de meia dúzia de anos. O nome não foi imposto. Foi escolhido pelo ministro que o indicou a pedido do escolhido para presidente da Caixa. A propósito disto, Eduardo Catroga disse publicamente que estes nomes ( Armando Vara e depois Bandeira) "abandalharam" a Caixa. Quem os escolheu, particularmente o "dr. Vara" (que tirou o curso ainda mais à pressa que Miguel Relvas, na Independente e que chegou a pôr as barbas de molho no auge do caso da licenciatura de Sócrates)? É tão evidente que até dói, mas Santos Ferreira é estóico.

Depois, outro caso ainda mais dramático da chico-espertice desta gente (apetecia-me chamar-lhes outro nome pelo que fizeram ao país...): no caso BPN, Santos Ferreira diz agora que na altura achou que o banco devia ser nacionalizado, mas afinal mudou de ideias e agora pensa que não o deveria ter sido. A explicação para a mudança? Não havia risco sistémico como chegou a temer. Mas não havia outros gestores e políticos tanto ou mais conceituados que a criatura que diziam na altura que tal risco sistémico era marginal e improvável? E não o diziam com números em apoio?  Então porque é que esta gente preferiu correr um risco maior do que o dos "swaps"? Ou alguém tem dúvidas que o maior descalabro do BPN surgiu após a nacionalização?
E ainda outra coisa que Santos Ferreira aponta: porque é que a SLN não foi igualmente nacionalizada?  Santos Ferreira diz não perceber porque ficou de fora tal operação...mas percebe, olá se percebe! Não o diz, porém, uma vez que tal coisa seria cuspir na sopa ou coisa que o valha.
O que diz sobre a origem da nossa crise mostra bem como fomos governados durante uns anos, por uma  comandita de incompetentes, irresponsáveis e a final de contas, criminosos que fizeram do país  um quintal dos seus interesses e dos amigos de empresas afectas e banqueiros corruptos. Nunca no Estado Novo acontecera tal coisa.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

João Miguel Tavares e os tribunais

No Público de hoje, João Miguel Tavares responde ao artigo de Ricardo Sá Fernandes em modo de polémica de Verão. Veremos então, em primeiro lugar a crónica de hoje porque a de Domingo já está no postal anterior.

JMT comenta o artigo do advogado Ricardo Sá Fernandes ( aqui em causa própria, embora sendo de um cliente) resumindo a questão a um ponto essencial: a legitimidade de um tribunal em avaliar um acto de poder executivo, no caso o fecho da MAC.

Ora a este propósito já RSF tinha deixado claro que os actos do poder executivo podem ser escrutinados pelos tribunais por uma razão: estão subordinados ao princípio da legalidade. E o fiscal da legalidade é o poder judicial.
 Lá diz a CRP, no artigo  202ºº que nenhuma revisão constitucional ainda alterou que " na administração da justiça incumbe aos tribunais assegurar a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos, reprimir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses públicos e privados".

Este princípio que nem é apenas democrático porque o Estado Novo também entendia a função jurisdicional como  aquela que "consiste em declarar o alcance da lei na sua aplicação aos casos concretos, julgar as questões sobre situações jurídicas duvidosas ou controversas" ( do manual OPAN, para o 3º ciclo dos liceus, até ao fim do Estado Novo, em 1974).

Portanto, aceitemos como válido e indiscutível o seguinte: os tribunais, em Portugal, têm legitimidadae para analisar e decidir questões controversas como, no caso concreto, o fecho da MAC. Isso porque tal deriva de um acto normativo e os actos normativos, como os define a actual CRP, na parte III, no artº 112º são as leis e decretos-leis, incluindo-se os regulamentos que as explicitam melhor, como ensinava o professor Queiró, em Coimbra.

O fecho da MAC obedeceu a princípios de legalidade e que no entender do advogado da parte interessada ( politicamente) não foram respeitados. E em consonância com tal entendimento sindicou tal acto junto de um tribunal. no caso administrativo, por meio de providência cautelar porque a lei actual ( dantes não era assim) também o permite. Tal significa, como explica RSF, na crónica no Público que os princípios de admissiblidade de uma providência cautelar foram respeitados e o tribunal a quo a aceitou. Portanto, tudo está bem quando acaba assim. Ou seja, por enquanto, uma vez que a providência cautelar é isso mesmo: provisória e à espera de uma acção que diga o direito definitivamente. E nesta acção, evidentemente que os problemas legais podem novamente colocar-se e conduzirem o tribunal a declarar a ilegalidade do acto legislativo, por violação cuja sindicãncia a CRP atribui ais tribunais.
Haverá nisto alguma intromisssão ilegítima e indevida do poder judicial no poder legislativo ou executivo? Não me parece, se a decisão se mantiver nesses parâmetros. Já se viu que a decisão sobre a providência cautelar não serve para aferir tal coisa, devido ao carácter limitado da mesma. Porém, o efeito mediático surge porque tais providências ( em que RSF tem sido exímio-é dele a providência relativa ao túnel das Amoreiras, salvo o erro)  têm sido usadas como arma de arremesso político. Sim, parece que tal se verifica. E daí? Os tribunais têm culpa disso e deverão declararar casuisticamente que esta ou aquela providência têm esse cariz? Não me parece tolerável nem aceitável.
Tergiversar desse núcleo fundamental de razões para as acessórias considerações, dislatadas pela juiz do processo também será irrelevante ( como o serão no caso sindicado pelo tribunal de trabalho em que o trabalhador tinha sido despedido por trabalhar embriagado)..
Para finalizar: JMT cita em seu proveito argumentativo o velho comunista idiossincraticamente empedernido e arrependido em tempo serôdio e obsceno ( quando o muro ruía fragorosamente), Vital Moreira. O constitucionalista encartado,  mais uma vez  (é relapso nestas coisas) deixa de usar o bestunto académico e aplica a cartilha leninista, já com bedum,  aprendida na juventude.  Não reconhece legitimidade a um tribunal, mormente administrativo, para sindicar uma decisão que entende ser da exclusiva responsabilidade política do governo. Escreve algures que "numa democracia constitucional os juizes não governam nem se podem substituir aos governos".
Tal é verdade, assim escrito, mas  falacioso assim apresentado.
Os juízes não governam, de facto, nem têm que governar. Mas é seu dever, se a tal forem chamados por iniciativa processual, como foi o caso, a decidirem questões de legalidade estrita. Como aliás, sucedeu. Quem lhes permitiu tal coisa, aos juízes ( Vital não usa a palavra tribunais...) foi...o poder legislativo.

Vital Moreira, como de costume e tal já foi em devido tempo apontado por um seu colega académico e de reputação segura, ( José Manuel Correia Pinto), seu antigo correlegionário, limita perigosamente, em democracia, a possibilidade de sindicância dos actos de governo, pelos tribunais. Surge por isso em defesa do partido, perdão, governo, entidade que continua a entender como sendo a máxima para intervir e centralizar todas as decisões políticas virtualmente extensíveis a todos os sectores da vida em sociedade.
Passe a caricatura, Vital Moreira continua a ser leninista de coração e jacobino de acção. E como se sabe o coração tem razão que a razão desconhece.
Tal já foi dito pelo treinador Jorge Jesus numa tirara memorável, em televisão de horário nobre.

JMT faria bem em não recomendar tal personagem. O Vital, quero dizer. 

Aditamento:

A crítica de José Manuel Correia Pinto a Vital Moreira já tem barbas. Cinco anos, pelo menos e para além do conteúdo integral, tem isto de essencial:

 Em suma, o que por outras palavras eu quero dizer é que as pressões tendentes a limitar a actuação dos tribunais não são bem-vindas, principalmente naqueles domínios onde o tal princípio da separação de poderes, que o VM tanto invoca, mais justifica uma actuação livre dos órgãos encarregados de velar pelo respeito da legalidade democrática. Esta defesa ilimitada dos actos da Administração não augura nada de bom. É dela que sempre partem as grandes agressões aos direitos dos cidadãos. Se os tribunais se inibem de os defender, pressionados por um clima doutrinal ou político hostil, a democracia representativa fica reduzida a uma caricatura.
Este artigo do VM, em articulação com outros, nada felizes, sobre a liberdade dos jornalistas, a autonomia universitária, a cerceação da democracia participativa, dá uma visão distorcida e limitada do poder dos tribunais no controlo da legalidade democrática e pode ajudar a abrir a porta aos piores entendimentos ou aos maiores retrocessos nesta matéria. Por isso, é tempo de dizer basta!


Vital não se deu por achado, como nunca se dá.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Jornalismo para além do para quem é, bacalhau basta

No passado 9 do corrente o director do Sol publicou este texto na revista Tabu, em que procurava demonstrar que o "jornalismo político é muito complicado". Este tipo de jornalismo não é complicado e até é muito simples de entender: é um jornalismo de causas em que o redactor dá a sua opinião, nem que seja no modo como escreve e entrelinha a notícia ou a crónica jornaleira ( e são cada vez mais os jornalistas armados em croniqueiros).

Na edição do Público de 11 de Agosto de 2013, o advogado Ricardo Sá Fernandes escreveu um belíssimo artigo sobre os perigos de o jornalismo e a crónica de jornal enveredar pelo parece que é e portanto será, ou seja uma variação do tema do para quem é, bacalhau basta. Isso a propósito das decisões judiciais que versam sobre decisões de órgãos da administração pública. Uma lição ao cronista ( que aliás aprecio ler) João Miguel Tavares. E também ao director do SOl que anteriormente se tinha pronunciado sobre o mesmo assunto em modo desabrido e aqui já comentado depreciativamente. Desconheço se aquele lhe respondeu mas gostaria de saber que sim...


As memórias pervertidas do antifassimo militante

As memórias, em Portugal, sobre o tempo de Salazar e sobre o tempo do comunismo, mesmo o que por cá ameaçou ficar,  assumem feição particularmente curiosa pela interpretação que delas é dada pelos diversos protagonistas que emitem opinião sobre o assunto.

Vejamos duas delas, exemplares dessa idiossincrasia que se plantou de estaca e assim viceja há muitos anos, por cá.

Em primeiro lugar a opinião de um indivíduo que é artista plástico, Leonel Moura, sendo indivíduo de uma esquerda indefinida mas bem marcada no PS.

Que memórias traz este indivíduo sobre o tempo de um "Portugal antes de 25 de Abril"? Estas, publicadas na passada Sexta-Feira no Jornal de Negócios ( que dá guarida a estes espécimens):


Começa logo por dizer que as memórias são "dos últimos anos década de sessenta". E fala logo na Pide que em 1968 passou a designar-se DGS, mas para estes memoriados do fassismo tardio continua a ser pide porque é assim que preferem. A KGB fora NKVD mas não teve a mesma sorte idiossincrática.
Depois, o relato é o típico choradinho do fado alexandrino refeito. Prisões, buscas e apreensões pela calada da noite, numa manifestação clara do mais explícito estado policial, que qualquer cidadão esclarecido e maior de idade em 1974, viveu neste país, com uma repressão brutal, com tortura no aljube e coisas de meter medo por causa "das ideias" que justificavam as prisões do pai, do tio, do primo e talvez do cão.
"A miséria era visível por todo o lado" e "os portugueses eram na generalidade tristes", pelo menos os que viviam perto da avenida de Roma, em Lisboa. O resto da população vivia no medo e numa pobreza profunda". Na "província o panorama era ainda mais tenebroso".

É este o ambiente estético do Portugal de final dos anos sessenta, para este artista que alerta agora para o perigo de repristinação da besta ideológica. Na verdade ninguém tem culpa que estes indivíduos tenham vivido esses anos enjaulados na idiossincrasia "subversiva" e pretendessem substituir regime tão nefando por outro muito superior em valores, práticas e sobretudo modo de vida para o povo que vivia feliz e contente por causa dos amanhãs que já lá cantavam há décadas e que queriam replicar por cá.

Infelizmente, há outras memórias menos perversas e mais realistas: a dos desiludidos que confiaram cegamente nas promessas de pescadores de ilusões e acabaram nas redes da realidade nua e crua desses regimes que eram manifesta e implacavelmente fascistas, perdão, comunistas, ou se se quiser social-fascistas como diziam os seus adversários pela esquerda baixa.

Sobre este "social-fascismo" que não desapareceu porque está vivo e actuante no próprio parlamento português, através do PCP e satélites, nem uma palavra destes desmemoriados selectivos e pervertidos pelo vírus da intolerância e má-fé.

Aqui ficam duas páginas do jornal i de hoje em que um antigo comunista, o mediático televisivo José Milhazes, precisamente no tempo que o artista plástico recorda, viveu na pátria do sol que os mesmos pretendiam pôr aqui a brilhar intensamente, logo em 1975, desabafa para o leitor sobre a desilusão do comunismo. Ninguém liga, porém, a estes relatos vividos e testemunhados por muitas pessoas que assim diziam logo na época em que as ilusões se mantinham e não precisaram que o muro caísse para verem o social-fascismo de modo bem claro e prático, em execução diária e em modo mais horrendo que todos os relatos pervertidos dos artistas plásticos que temos e  que nunca os conseguiram lobrigar.

Há uma coisa que sempre me espantou nestes fenómenos: porque é que os leonéis moura proliferam nos media como mediadores de uma verdade aldrabada e trafulha e os que relatam as memórias vividas dos sítios que aqueles então preferiam, são ignorados como espécie folclórica de margem e sem qualquer ligação a uma realidade ainda hoje viva e actuante?
Quem implantou o discurso corrente que confere importância e credibilidade àqueles trafulhas, pervertidos e desvaloriza estes avisos sérios sobre a natureza do comunismo?
A resposta é simples: foram os antigos comunistas e seus compagnons de route habitual. Dominam os media desde que o 25 de Abril se transformou na sua festa. Isto devia ser intolerável numa sociedade dita democrática, mas não é porque a democracia é outra coisa.




A última manifestação deste tipo de artistas plásticos é esta, ainda do mesmo jornal de hoje:

Mas a tradição tem barbas. Já depois de 25 de Abril de 1974, como documenta a Flama de 7 de Junho de 1974,  os artistas engajados na trafulhice ideológica eram actores de censura que criticavam antes: