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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Até tu, J.M. T.?


Este texto de João Miguel Tavares no Público de hoje, de fim de ano, suscita-me o seguinte comentário por causa da nostalgia e da memória histórica que tento refazer por aqui, com um único propósito: compreender como chegamos onde chegamos.

O texto é típico daqueles  que exercitam o optimismo serôdio, o que surge e se sobrepõe ao realismo pesssimista da observação do tempo que passa. Coisa  que aliás também costumo fazer para me convencer que afinal "tudo vale a pena quando a alma não é pequena".
Infelizmente esse optimismo esbarra quase sempre na realidade analisada mais a frio.
Nós estamos melhor do que há 40 anos? Como não?! Era o que mais faltava! Eppure...

Há 40 anos- as fotos de Alfredo Cunha mostram-no- havia mais pobreza do que hoje, nas instituições e habitações? Talvez sim; talvez não. Havia bairros de lata em maior número, sem condições mínimas de habitabilidade? Talvez sim; talvez não. Depende do que se possam considerar "condições mínimas de habitabilidade" no contexto histórico das épocas.

E os hospitais são melhores? Sem dúvida. Mas...a esperança de vida e principalmente o limiar da vida média para cada um, aumentou significativamente em relação ao progresso das décadas e às descobertas da medicina?Há mais ou menos cancros, hoje em dia, do que há quarenta anos?

E a alimentação? É um facto que podemos ver e comprar em supermercados, melões em Novembro e uvas em Janeiro, tal como cerejas no Natal. E daí?
E é um facto que os produtos disponíveis para mercar são mais variados e alguns serão mesmo melhores. O peixe parece ser melhor do que antes e em quantidade maior do que havia para consumir. A carne idem. As bolachas e bebidas igualmente. Os vinhos mudaram exponencialmente de qualidade com uma diferença: os bons, mesmo bons, agora pagam-se mesmo bem e dantes bebiam-se em qualquer tasca de aldeia das respectivas regiões. E o azeite acompanhou o percurso qualitativo do vinho.
A agricultura em Portugal está melhor do que há 40 anos, parece nnem haver dúvidas. E a construção civil e arquitectura igual e exemplarmente.
Viajamos muito mais do que há quarenta anos, mas não é por obra da nossa inventividade e progresso.

Temos por aí uma frota automóvel que não se distingue da francesa, por exemplo. No tempo dos nossos emigrantes dos anos sessenta, eram eles quem vinha mostrar as máquinas que havia lá fora e que nas aldeias não apareciam a não ser nas festas de Natal. Agora nem se distinguem.Mas não foi por obra nossa. Um Renault Dauphine dos sessenta não se compara com um Mégane da actualidade e nada tivemos a ver com isso.

Eppure...o que falta, afinal, para esquecermos o passado e relegarmos a nostalgia para um sentimento mórbido de passadismo juvenil?
Falta uma coisa que João Miguel Tavares não viveu porque é novo demais para tal: alegria de viver como havia dantes, provavelmente haverá, na juventude de agora. Porém falta o sentimento de um continuum espaço-temporal. Explico:
Nos anos sessenta houve uma pequena revolução nos costumes em Portugal e na Europa, com o advento de modas e tendências que se espalharam como fogo em palha. A música passou a ser outra; as leituras mudaram ligeiramente; a televisão e cinema trouxeram  uma modernidade desconhecida e aos poucos a sociedade foi mudando, em todo o lado.

Há porém um aspecto de mudança que se operou em Portugal e não ocorreu na Europa. Pego num exemplo que poderia servir para extrapolar para outros níveis. Há quarenta anos quem lia a L´Expresss ou o Nouvel Observateur franceses, a Der Spiegel alemã ou mesmo a Time e Newsweek na edição europeia encontrava uma qualidade que em Portugal não havia. Desde então, esses símbolos culturais modificaram-se ligeiramente, aprimorando o aspecto gráfico mas o conteúdo não mudou essencial e qualitativamente. Essas revistas continuam excelentes e até melhoraram de algum modo, por causa das novas tecnologias.
Em Portugal, as técnicas gráficas e publicitárias e as tecnologias de informação foram absorvidas mas a essência do conteúdo piorou. Ou seja, a qualidade do que se escreve hoje em dia nos media é pior, a meu ver objectivamente ( o que é contraditório mas fica assim) do que há quarenta anos. E o que se diz publicamente nas tv´s reflecte uma involução cultural e não o contrário.

Por que razão tal fenómeno terá acontecido por cá, sem paralelo lá fora? Gostava de saber o que se passa nos novos países de Leste em relação a esse fenómeno.

Porque razão a evolução cultural em Portugal estagnou de um modo assutador para quem olha rectrospectivamente?

Tal fenómeno- repito, para mim objectivo- ocorreu porque houve uma corrente cultural que se tornou dominante em Portugal e assumiu foros de pensamento único em relação a aspectos essenciais da nossa vida colectiva: economia, organização do Estado, saúde, educação, etc etc.
A nossa actual Constituição não é mais que um reflexo notório desse fenómeno e o que os media em geral transmitem são o produto desse efeito.

Assim, a questão que João Miguel Tavares e quem se interessa por isto deve colocar e tentar perceber será esta:

Em quarenta anos tornámo-nos um país mais evoluído, com certeza que sim e seria impossível que tal não sucedesse por força de uma inércia de um devir social e universal. Mas será que evoluimos como poderíamos ter evoluído, se tivéssemos seguido outros caminhos que não os das "outras políticas" ?
Porque razão somos ainda o país mais atrasado da Europa e com sinais de nos podermos tornar ainda mais atrasados?

Para perceber isso tenho colocado por aqui as pistas que me parecem essenciais, mas não basta colocar pistas.É preciso pisteiros para as farejar intelectualmente.
Será que hoje em dia temos disso por cá, como dantes tínhamos?

É esse o problema e a razão deste blog.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Pelo sonho é que a Esquerda vai...

Na terceira parte do "estudo" sobre os nossos últimos 40 anos, o Público dá hoje à estampa um artigo assinado por Ana Cristina Pereira, sobre a "Emigração". Ficam duas páginas com estatísticas e histórias pessoais de emigrantes, com inserção de comentários avulsos de Pedro Lomba e mais dois especialistas em sociologia e outro em geografia.

E a seguir fica um artigo, sem citações de especialistas e da responsabilidade editorial da revista Observador de 26 de Novembro de 1971 sobre o mesmo problema da emigração.



Qual a diferença substancial de "tratamento" do assunto igual? A linguagem. A de 1971 é nossa, portuguesa, não esconde os problemas reais e enfrenta-os como se fôssemos uma família a tentar resolvê-los. A linguagem traduz o sentimento geral na época, sem politizações polarizadas em blocos, mas assente na realidade política vivida.

A linguagem de 2013 é estrangeira, fantasiosa, de "sonho". Numa palavra que a esquerda conhece bem: "alienante".
Quem é que trouxe esta linguagem para os media? A Educação, principalmente. E quem Educa, hoje em dia? A Esquerda dos ISCTE´s e afins.
É assim a vida...



domingo, 29 de dezembro de 2013

O neo-realismo reciclado no Público

Depois da fome, da guerra
da prisão e da tortura...

Estes primeiros versos de Ary dos Santos, para a canção do "povo unido", podiam ser a epígrafe para o texto de hoje, no Público, da autoria de Paulo Moura,  sobre o que se passou em Portugal   nos últimos 40 anos e para ilustrar o que era o país em 1973.

O texto é hiper-neo-realista e tem todos  os chavões e lugares comuns do discurso oficial sobre o "fassismo".
Senão vejamos, com frases soltas:

"Em 1973, o ano em que Mónica nasceu, Portugal tinha (...) a mortalidade infantil mais elevada da Europa".
"O país estava em guerra desde 1961. Milhares de jovens que nunca tinham visto o mar nem a cidade partiam para o Ultramar".
"Menos de metade das habitações portuguesas tem água canalizada e só em cerca de 60% havia electricidade e saneamento básico".
"Na infância, o pai de Mónica ia descalço para a escola" .
"Em 1973, mais de 35% dos portugueses eram analfabetos".
"O ideal, em termos de cultura, era `saber ler, escrever e contar`, tal como fora definido por Salazar."
" A mãe de Ana era analfabeta. O pai estudou na Casa Pia e encontrou emprego na Sacor, em Lisboa."
"Ana tinha dois irmãos mais velhos: um rapaz e uma menina com o síndrome de Down".
"Na escola da Gafanha, os colegas chamavam-lhes nomes por virem de Lisboa, armados em finos".
"Nas outras famílias, se havia uma criança mongolóide, ou doente mental, punham-na a viver com os animais, no curral".
"Ana andou anos a recolher o bacalhau dos barcos, com as mãos cheias de feridas infectadas pelas picadas das espinhas do peixe".
"A mãe de Ana fugiu aos 9 anos de casa, numa aldeia da Bairrada. Foi para Lisboa servir numa família.(...) A mãe dela, tal como as tias, era prostituta. Teve nove filhos, de pais diferentes". 

Chegado aqui , desisti das citações tanto o nojo que me provocam, pela cretinice e tendenciosidade. Este jornalista não teve melhor exemplo para mostrar o que era o Portugal de 1973 e as suas raízes, do que isto.
O que esperar deste jornalismo e destes jornalistas que são muito piores, a escrever e a relatar,  do que os que havia em 1973, mesmo os comunistas clandestinos que abundavam nas redacções?
Nada. Nada há a esperar porque este analfabetismo encapotado de ilustração letrada é o mlehor exemplo do que se passou socialmente nestes últimos 40 anos: um retrocesso cultural, levado a cabo pela intelligentsia esquerdista.

Portanto, só mais uma para terminar:


" Quando Ana contou o incidente ao pai, ele, que era militante clandestino do Partido Comunista, emtrou em pânico".

Arre!

Por último, só uma sugestão para os (...)* que escrevem destas coisas:

Porque não foram entrevistar e saber a história da vida do engenheiro que subsidia o jornal, falido, e que daria um óptimo retrato social do país de há 40 anos para cá?

* tinha escrito um insulto light, mas já me passou a indignação que o provocou.

Em tempo:

Valendo-me de informações deste blog - BicLaranja- copio e transcrevo este quadro que esclarece os analfabetos ilustrados do Público sobre o analfabetismo no tempo de 1973.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Portugal, as vinte famílias que já não temos

Vasco Pulido Valente, hoje no Público, para gozar com Pacheco Pereira e Esquerda em geral,  escreveu isto:

Citando Álvaro Cunhal como tendo escrito que Portugal estava também dominado pelas 200 famílias, é preciso lembrar que em 1975, uma jornalista americana, correspondente em Portugal da Time escreveu este artigo em que reduzia drasticamente o número das famílias perversas para...20.


Cerca de dez anos depois, o Semanário reduzia ainda tal número para uma mais consentânea dimensão nacional. Esta gente da Esquerda esquece que as fortunas vão e vêm. E quem não as faz frutificar, por esforço individual e talento, corre o risco de as perder. Em Portugal está sempre a acontecer. Mesmo com os Salgados...



As razões da mudança nos últimos 40 anos

O Público de hoje consagra duas páginas, com chamada de primeira página, ao estudo daquilo que "mudou na economia do país em 40 anos", prometendo para amanhã o estudo sobre o que mudou "na sociedade". Estou para ver...e se for como hoje ( artigo assinado por Sérgio Aníbal) fico na mesma como de costume, com este jornal: continua o típico jornalismo para quem é bacalhau basta.

Hoje o paralelo entre três datas - 1973, 1993 e 2013- faz-se com números e estatísticas e com opiniões, através de citações.

Há duas ou três que merecem destaque. A principal é a atribuição a factores externos, como as crises internacionais, do facto de as "reformas" desses anos terem soçobrado de algum modo, por interronperem os "ciclos de desenvolvimento económico". Como não sou economista limito-me a entender que as crises internacionais afectaram quase todos os países ocidentais e no entanto, nem todos resolveram os problemas do mesmo modo. O nosso país, a partir de 1973 resolveu os seus problemas de um modo que continuou  sempre na cauda dos países europeus. Insistir nas receitas do descalabro que têm todas a marca de água da Esquerda, tal como sucedeu em 1974-75, conduz a este resultado. As "novas políticas" são a garantia da "nova miséria " assegurada para todos, por igual, menos para os da "vanguarda" dos comités centrais.

A questão principal que se coloca a qualquer economista, historiador ou jornalista diletante é a de saber quais foram os factores determinantes para nunca termos saído da cepa torta do subdesenvolvimento relativo.
A minha opinião, valendo o que vale, é a de que em 1973 tínhamos uma economia pujante, um empresariado notável, uma estrutura social em franca mutação mas o que hoje se apelidaria "sustentada" e as mudanças que se operariam com a crise do petróleo e a correlativa económica seriam sempre para melhor do que o foram com o advento do 25 de Abril e a mutação da economia por força da Esquerda que entendeu nacionalizar e transformar Portugal num país "a caminho de uma sociedade sem classes".
Esta perspectiva nem de perto nem de longe é sufragada pelo autor do artigo que nem sequer a terá ponderado, servindo de exemplo o facto de ter convidado um tal Pedro Lains, economista,  para comentar a mudança. Este perito entende que a "realidade internacional" é que condicionou tudo, justificando o falhanço,  não lhe ocorrendo que os demais países também foram confrontados com essa realidade particular...
Por outro lado, como é que o autor explica o que ocorreu em 1974-75? Como a coisa mais natural deste mundo, apesar de notificar que houve "alterações profundas na estrutura económica do país. Nesse ano, a economia não cresceu e, em 1975, em particular, o PIB caiu 4,3, um valor não superado por crises posteriores". Isso apesar de o PIB, poucos meses antes crescer a um ritmo de quase dois dígitos.
Este fenómeno é entendido pelos economistas como fruto "da Revolução". Assim e pronto. Como se fosse uma coisa com causas naturais e sem explicações sociais e políticas que condicionam todo o modo de entender a História contemporânea do país.
Estes especialistas analisam assim " a economia", como se fosse um fenómeno estático e dado somente a variações numéricas influenciadas pela conjuntura do momento que é entendida como resultado do devir normal de um qualquer país. Nenhum país da Europa sofreu o descalabro económico que sofremos em 1974-75 e nenhum país da Europa teve uma Esquerda ( comunista e socialista) como tivemos por aqui naqueles anos e ainda temos e que revolucionaram a economia nacional para todo o sempre. Conseguiram fazer aprovar uma Constituição absurda e com laivos de país das maravilhas em que não deixaram tocar durante mais de uma dúzia de anos ( só em 1989 se fez uma revisão a sério e mesmo assim, sem tocar nas vacas sagradas do socialismo).
Este fenómeno é despachado pelos tais analistas como o gato que passa pelas brasas da memória e os pedros lains todos juntos entendem sempre que isso foi epifenómeno circunstanciado a um período muito breve e sem consequências que não as situadas nesse tempo.
Quando ao esforço de Marcello Caetano se ter  gorado em 1974-75., foi-o também devido à "crise económica mundial": Assim fica  tudo explicado, para esses especialistas. 

É por estas e por outras que este jornalismo é assim, tipo para quem é bacalhau basta.  A Esquerda não tira ilações das suas derrotas porque não as entende sequer. E a linguagem que usa é a chamada "língua de pau" do economês, sem relação dinâmica com a realidade social e política e muito menos com a língua comum ao entendimento comezinho dos fenómenos. Se houve alguma coisa que mudou essencialmente nestes últimos 40 anos foi a linguagem corrente de quem escreve sobre assuntos específicos. Todos apostam nos estrangeirismos, nas figuras linguísticas sem conotações que sejam fáceis de entender e numa espécia de dicionário de rimas do politicamente correcto que empobrece a escrita e principalmente a explicação de qualquer fenómeno.
Se alguma vez me perguntassem qual foi o fenómeno mais duradouro que se verificou em Portugal nestes últimos 40 anos diria que foi esse e que está espelhado em todos os media, porque todos os jornalistas actuais escrevem do mesmo modo, com uma linguagem que os especialistas deveriam estudar. Falta-nos um Umberto Eco para tal e para nos explicar porque é esse o nosso maior empobrecimento.

E no entanto, bastaria a esta gente mergulhar no passado escrito para entender melhor que se passou.

Por exemplo,  no Observador de 7 de Janeiro de 1973, uma edição especial de 176 páginas sobre "as linhas de força da economia portuguesa" um artigo sobre "planeamento" permite entender facilmente, numa linguagem que os economistas de hoje não dominam nem aplicam ( aprendem tudo em inglês, em escolas portuguesas que se gabam disso mesmo), as diferenças de vulto e relevantes para o caso.


Sobre números e estatísticas, as do Público provêm do INE, do bdP e da Pordata, além de outros. O Observador também tinha estatísticas. Sobre o PNB ( em vez do PIB que se distigue daquele de modo teórico e aqui explicado) e outros indicadores de nível de vida.


Naquele pequeno artigo do Observador sobre o "planeamento" fica explicado com toda a clareza, com 40 anos de antecedência, o que correu mal na economia portuguesa durante esse período, incluindo o de 1993, também considerado no artigo. Nessa época, a economia começou a funcionar de modo mais consentâneo com as regras de mercado. Mas nunca como antes funcionava. E é esse fenómeno, ou seja, o de entender porque é que de 1973 a 1993 a economia deixou de funcionar com os mesmos paradigmas, até organizatórios, que os economistas actuais se recusam a explicar ou ignoram mesmo a explicação.

Ao não entenderem a sociedade portuguesa de 1973 os analistas correntes nunca conseguirão perceber porque falhamos sempre as metas, durante estes 40 anos.

E isso apesar disto que é o espelho da nossa vergonha colectiva, tal como mostrado  no Diário de Notícias de 30 de Maio de 2013 ( o seu director Marcelino, às vezes tem lampejos de qualidade):

Apesar dos milhões continuamos a ser o país economicamente mais atrasado da Europa, quando poderíamos mesmo estar no "pelotão da frente", o que é um desiderato positivo na medida em que a melhoria da qualidade de vida de todos é uma meta que todos prometem alcançar.

Por mim, tenho uma explicação prosaica: a Esquerda é a responsável por este atraso económico. Se fizermos como a Polónia que afastou a Esquerda do comando da economia, retomaremos o bom caminho de 1973.
E julgo que teremos todos, toda a vantagem em atinarmos com essa via. Já perdemos 40 anos nesta choldra de palavras ocas, de ideias vâs de de promessas falsas.

Afastem a Esquerda do poder e teremos o problema nacional reasolvido em menos de uma dúzia de anos. Essa mesma esquerda precisou apenas de um ano e meio para destruir economicamente um país durante décadas.
Só um cego político não conseguirá entrever esta evidência.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A esquerda e a direita em 1969

Nestas duas páginas da revista Vida Mundial de 14 de Fevereiro de 1969 há dias coisas interessantes. A primeira, à esquerda, os nomes que integravam a lista vencedora às eleições para a A.A.F.D.L.
Do lado direito, o modo como Marcello Caetano via a distinção entre direita e esquerda...


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O presépio da minha aldeia no dia de Natal

Este presépio da minha aldeia, fotografado no dia de Natal é uma das imagens do meu Natal de sempre, com Missa no dia de manhã e o ritual de "beijar o Menino".
Há décadas que é assim e assim é que é.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Boas Festas e Feliz Natal

Como ando a rememorar assuntos de há 40 anos aqui fica a imagem de duas revistas da época. O Tintin na edição nacional e o original, belga, ambos desta quadra natalícia de 1973 e que me davam uma grande alegria sempre que os lia, geralmente ao fim de semana ( o Tintin português saía ao Sábado).


A ideia de esquerda: os radicais livres.

Anda por aí uma onda mediática tendente a fazer emergir uma nova ideia de Esquerda, como se tal fenómeno pudesse surgir das mentes velhas da Esquerda antiga que nunca abandonou os paradigmas de sempre.
O assunto resume-se a coisa mais prosaica que o aparecimento de novas ideias salvíficas para o país:  apenas a táctica mais recente para alcançar uma fatia do poder político que lhes escapa desde 25 de Novembro de 1975, apesar de terem consolidado um poder mediático nada despiciendo e que justifica as presentes contradições. 
A velhíssima ideia de Esquerda, agora sem a retórica marxista, de rigor nos setenta,  permanece inalterável, como permanecem inalteráveis os propósitos e consequências práticas da mesma: a miséria assegurada para todo um povo, em proveito de uma classe de "vanguarda" que governaria em nome do "povo". É essa classe de vanguarda que anda por aí nos media, com a cumplicidade activa e permanente dos mesmos, a promover o embuste de sempre e o logro do costume.

Senão, vejamos:

Hoje no i, um dos cabecilhas desta nova fronda de descontentes da Esquerda, de seu nome Daniel Oliveira, cuja notoriedade advém única e exclusivamente dos favores mediáticos que obteve ao longo dos anos, esportula ideias de Esquerda sem objectivo que não o acima apontado: participar no poder e poder ir ao pote, neste caso nas eleições europeias e as que venham a seguir. Um objectivo meritório, como se pode entender...

Estas ideias são, obviamente, sufragadas pela directora-adjunta do jornal ( outro falido e que não se sabe quem é que o sustenta economicamente)  Ana Sá Lopes, trânsfuga do Público ( mais um falido mas que se sabe quem é que o sustenta- o grupo Belmiro que quer manter esse berloque à custa de milhões de um mecenanto improvável).
No Público, a ideia de Esquerda é a mesma de sempre, como o prova este artigo de 18 de Setembro de 2012, com a ideia básica em proeminência equívoca e paradoxal ( porque a injustiça não é uma ideia política nem deve se empregue como metonímia):



Torna-se também claro que esta gente que dirige jornais falidos e que não tem competência para mais, é de esquerda. Desta Esquerda que se afirma como uma "atitude ética e cultural"...e só podia ser.
Sobre o projecto político concreto dessa mesma esquerda, a vacuidade é a norma porque actualmente não há soluções marxistas evidentes e consequentes e a sua proclamação, de qualquer modo, está tomada pelo PCP, há muitos anos e anos. Com os desenganos que os media não assumem nem interiorizam, em Portugal.
Assim, o que resta a estes daniéis com as suas harpas de crentes nos amanhãs a cantar?
Pouco: Plataforma de Esquerda, Política XXI, Bloco de Esquerda e agora um Polo ou um Livre.  Até agora todos falharam os objectivos de federar umas ideias de Esquerda mal definidas mas sempre proclamadas pelos seus próceres.

Em França, terra de origem destas ideias, há muito que estes daniéis oliveiras mais os fósseis que os geraram estão arredados do poder ou mesmo da ideia de poder partilhado.  A revista Nouvel Observateur desta semana é eloquente no editorial do seu director e em notícias sobre os mesmos.

E como é que chegamos até aqui, a este absurdo de ver todos os dias nas tv´s, convidados pelas anas lourenços activistas, os próceres destas ideias ultrapassadas e fossilizadas noutros países?

Tudo tem uma explicação e a minha é esta:

Em 1982, Vasco Pulido Valente escreveu no jornal A Tarde ( dirigido por Victor da Cunha Rego) um resumo desta malina que nos atinge há décadas e que começara alguns anos a minar o panorama social e mediático nacional. Já nessa altura, em que o tal Daniel ainda andava de cueiros, a Esquerda se definia como "uma atitude ética e cultural". Enfim.


Porém, a origem desta "atitude" remonta aos primórdios da Revolução de 1974. Nessa altura, quem não alinhava pelo padrão de Moscovo e preferia outras paragens, tentava inventar um paradigma, como este, proclamado num jornal apelidado de Esquerda Socialista de 16 de Outubro de 1974, congregante de várias sensibilidades que se opunham à "direita", fosse lá isso o que fosse e que os mesmos nem sabiam ao certo,  talvez o diabo secular que se oporia a uma ideia fixa: a igualdade como meta de amanhãs a cantar.


Entre os prosélitos deste proto Polo Livre, já com alguns radicais livres, antecedente remoto dos blocos, estavam luminárias que depois se arrependeram das asneiras de juventude, como Augusto Mateus ou Jorge Sampaio. Arrependeram-se é um modo de dizer, porque não há arrependimento sincero de quem nunca deixou de pensar à Esquerda. Veja-se o caso singular do mesmo Jorge Sampaio que em 1978 ainda acreditava no pai natal dessa esquerda, como se vê pelo O Jornal desse ano. Tal como agora, divergiu do antigo "Movimento" para fundar uma "Intervenção", ou seja, um "polo". Lacoste, provavelmente.
Poderia pensar-se que esta gente mudou e que afinal aquelas ilusões de juventude que aliás não atingiram toda a gente mas só esses inteligentes, foram abandonadas e repudiadas. Que nenni!
No Público de há uns anos, o mesmo Vasco pulido Valente fazia-lhes o epitáfio, assim:



E tudo isto se resume a uma ideia mais simples e que os mesmos acabaram por aceitar  sem repudiarem aquelas antigas e bem enraizadas: Sá Carneiro, explicava-a claramente no Expresso, pouco antes de 25 de Novembro de 75, em 17 de Outubro desse ano, assumindo desse modo o papel de líder da "direita" ( imagine-se!) tal como a entendiam aqueles mesmos acabadinhos de nomear e tantos outros que agora querem repescar as mesmíssimas ideias, como  Pacheco Pereira, nostálgico certamente das andanças esquerdistas.
Sendo evidente e claríssimo que a única ideia de esquerda viável em Portugal ( e em França como mostra aquele editorial do Nouvel Obs) é a referente à social-democracia, o que o PS  descobriu logo a seguir a meter o socialismo na gaveta da História, por causa de ter sido governo e notado que não havia alternativa, o que pretendem estes pândegos que há dezenas de anos andam a perseguir um fantasma que lhes surgiu em manhãs de nevoeiro marxista?

Não se percebe, evidentemente. Um dos primeiros trânsfugas do comunismo fossilizado, Francisco Louçã, há uns anos, em entrevista à Sábado ( Agosto de 2009) mostrava claramente as contradições destas ideias peregrinas e que são as mesmas dos daniéis oliveiras e ruis tavares dos polos livres.

 
Sobre Louçã e os seus seguidores ideológicos, enquistados nas ideias económicas de um João Martins Pereira, há muito que não oferecem qualquer dúvida os seus propósitos porque foram também já explicados devidamente, aqui:


Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:


"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."





 

domingo, 22 de dezembro de 2013

João Marcelino, o decano do jornalismo tipo para quem é...bacalhau basta.

Daqui, InVerbis:

João Marcelino - Quando um tribunal político, como o Constitucional (TC), decide por unanimidade não fica qualquer margem para o jogo partidário.

O corte das pensões acima dos 600 euros dos antigos funcionários públicos é inconstitucional, ponto! - porque viola o princípio básico da confiança (dos cidadãos no Estado) e, até, da proporcionalidade.

Declarações como as de Braga de Macedo, sobre o carácter marxista na Constituição e de como ela obsta aos esforços patrióticos do Governo, são apenas delírios que ficam mal num professor e num homem com a sua experiência, mesmo que com o objetivo compreensível de defender um amigo (Passos Coelho) num momento sensível.

Esta extraordinária unanimidade do TC teve vários méritos, um dos quais, pouco realçado, é o de fazer perceber no estrangeiro, entre governos e credores, que não estamos perante uma sociedade bloqueada por "leis comunistas". Dá-se apenas a circunstância de termos no poder uma coligação pouco sensata, que escolhe com demasiada frequência caminhos impossíveis à luz dos direitos dos cidadãos. E que em prol de objetivos importantes, sim senhor, como a sustentabilidade do sistema de pensões, julga que pode subverter a qualidade de vida das pessoas e passar por cima da lei.

Os argumentos dos 13 juizes são uma enorme lição, que o Governo, acabado de sair de uma reprimenda do Tribunal de Contas sobre a ineficácia do Plano de Redução e Melhoria da Administração Central (PREMAC), devia saber ouvir com humildade democrática.


 Este jornalista, João Marcelino, dirige agora o Diário de Notícias depois de ter saído do Correio da Manhã e de antes  ter passado pelo Record, onde se afirmou a relatar jogos por escrito. Não sei onde aprendeu a ler e escrever e que formação tem, nem isso tem importância porque um jornalista em Portugal, maxime um director de jornal que vende cada vez menos, acha-se no pleno direito de esportular opiniões sobre tudo o um par de botas. Sei por isso que agora dá lições de constitucionalismo, criminologia, sociologia, educação, defesa, justiça etc. etc. e neste etcetera vem também o desporto e outras actividades avulsas porque não há limites para a sapiência de um director de jornal, nem sequer o do ridículo que nunca o atinge por causa da carapaça de dirigir um jornal falido e não sofrer qualquer consequência por isso. Marcelino não tira a ilação de um treinador de equipa de futebol que perde sempre porque não treina- está no banco a mandar bitaites.

Esta lição que aí fica, escrita no jornal que dirige é mais uma prova da sua ampla visão intelectual. A "extraordinária unanimidade" que consegue extrair da decisão constitucional de "um tribunal político" diz tudo da sua aptidão para o cargo que lhe assenta que nem luva de pelica em mão rugosa de trabalhador das obras. O argumento que percebeu como justificador da decisão do Constitucional - porque viola o princípio básico da confiança (dos cidadãos no Estado) e, até, da proporcionalidade. - chega para dizer que este jornalismo é do género típico para quem é, bacalhau basta.
O entendimento que Marcelino expende acerca do acórdão unânime do Constitucional, aliás, é o dos demais panurgos que seguem a manada que alegremente caminha em direcção a abismo. Assim que lá chegarem, farão como o coyote que pedala no vazio...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma lição de História alternativa à dos Rosas&Pereira

No jornal i de hoje, Jaime Nogueira Pinto  é entrevistado em três páginas. Aqui ficam para realçar a diferença de entendimento de factos históricos que alguns dos historiadores actuais viveram e que contam de modo diverso, interpretando a História como convém a uma certa ideologia.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A lição de Sousa Franco há trinta e cinco anos.

Sousa Franco, o professor de Finanças Públicas que Guterres chamou para seu ministro de Finanças fez jus ao ditado "quem sabe faz; quem não sabe, ensina".

Em 1978, no O Jornal de 4.8.1978 ensinava assim. Pouco mais de meia dúzia de anos a seguir arruinou as finanças públicas e está na origem do descalabro actual. Já nessa altura a Esquerda era a raiz de todo o mal. Como agora.


Cabotinismo no palácio Ratton




A decisão do tribunal Constitucional sobre a legislação do governo a propósito da convergência de pensões e particularmente no corte de uma percentagem no valor das mesmas, afigura-se como iminentemente cabotina e prejudicial ao país.
A Esquerda exulta em gáudio pela decisão que vai de encontro ao desiderato conhecido: quanto pior para o governo, melhor para a oposição. O país que se lixe! 

Ontem, o presidente do TC, um professor de Direito de Coimbra, explicou na tv e em directo, sumariamente,  as razões do "chumbo" e uma delas é incrível: se a medida fosse contextualizada num projecto global tendente a fazer convergir essas pensões entre o regime  público-privado, ainda vá lá...assim, uma medida avulsa deste género, desgarrada do "estudo" global que a poderia justificar constitucionalmente,  foi chumbo certo e unânime.
O relator do acórdão é um antigo aluno daquele, Lino Ribeiro, que se vê na foto de papel na mão e que foi juiz de tribunais comuns e depois administrativos, estagiou no início dos anos oitenta. É um típico do CEJ de Laborinho e evidentemente de esquerda, como é sina no panorama nacional. A argumentação teórica é como o Direito: dá para defender o que se defende e o seu contrário se preciso for. Como dizia outro professor do dito, em Coimbra, "o direito, por vezes, é uma aldrabice secante".
O que não é aldrabice é a dificuldade que o país terá com este tipo de decisões cabotinas que se fixam no direito constitucional, sem grande juizo, parafraseando o que dizia ainda há pouco, o professor Braga de Macedo.
Portugal caminha outra vez para o abismo da bancarrota, com o ruído da Esquerda amplificado mediaticamente, sem qualquer vergonha.

Tal como em 1975.

Em tempo:
Até o insuspeito Vital Moreira, no seu blog ( perdi a ligação e quero esquecer-me da mesma...) entende que esta decisão é cabotina. Coitado do juiz Lino, chumbado pelo seu antigo professor de Constitucional...

 O constitucionalista e eurodeputado do PS Vital Moreira considera que a posição assumida pelo Tribunal Constitucional (TC) de chumbar o corte nas pensões do sector público é “uma tese desproporcionada”.
“A ideia de que a redução de 10% de uma pensão pode afectar gravemente os planos de vida de uma pessoa, mesmo que se trate de valores elevados (no sector público há muitas pensões acima de 5000 euros) e mesmo que o titular tenha outros rendimentos (o Tribunal Constitucional não fez excepções nem qualificações), é uma tese pelo menos desproporcionada”, escreveu esta sexta-feira no seu blogue Causa Nossa.

Braga da Cruz: a acha que não saiu à racha

Sobre o professor Braga da Cruz produzi abaixo, no postal sobre os professores, um comentário em que apelidei o mesmo de "enguioso".  É um equívoco e que passo a explicar.

O professor referido, de apelido Braga da Cruz, foi docente em Coimbra e chamava-se Guilherme. Em 1973, como se pode ler, ocupava-se da reforma do ensino superior, com reflexões particulares sobre a formação dos professores do ensino secundário e básico ( entendia que não deveriam ser as universidades a proporcionar tal formação, mas sim os futuros politécnicos ou escolas superiores de educação). Braga da Cruz defendia, na então Junta Nacional de Educação uma proposta diametralmente oposta à do Governo de então e saiu. Braga da Cruz será, portanto um dos patronos no sistema actual das ESE´s e Politécnicos, com o reflexo no ensino que começamos a saber publicamente e denunciado agora pelo ministro Crato.

Não obstante, o referido professor Guilherme Braga da Cruz, nascido em 1916 e decesso em 1977,  não se deve confundir com o seu filho Manuel António Garcia Braga da Cruz, nascido em 1946 e autor deste artigo no O Jornal de 3 de Setembro de 1976, ainda o pai era vivo...
Manuel Braga da Cruz foi depois responsável por outras coisas, incluindo a reitoria da Universidade Católica, o que explica muitas coisas nesta universidade. E concluiu um doutoramento em sociologia política no ISCTE, o que explica outras tantas, principalmente a ausência de empenho visível e frutífero em combater uma ideologia de Esquerda que domina a sociedade portuguesa há décadas.
Está explicado e retirado o adjectivo à memória daquele pai que teve este filho.
E a sociologia explica este artigo de então que mostra bem em que águas intelectuais  nos fomos movendo e porque chegamos onde chegamos com esta ideia de Esquerda que não larga a sociedade portuguesa, de vez.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O homem que perdeu o combóio do pogresso

Em 1992 Cavaco Silva, como primeiro-ministro tinha tudo na sua mão de governante para modificar o país. Não foi capaz. Pode dizer-se que perdeu o combóio do progresso do país.

 Na Kapa de Março de 1992, Vasco Pulido Valente entrevistou-o.





Dali a três anos surgia o homem  que quis meter toda a gente no combóio atrasado, só conseguiu atrasá-lo ainda mais e ainda mudou a agulha para os trilhos do descarrilamento.

O deputado que palmou gravadores foi mesmo condenado...

Notícias ao minuto:

 O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a condenação na primeira instância do ex-deputado socialista Ricardo Rodrigues por atentado à liberdade de imprensa e de informação e ao pagamento de uma multa de 4950 euros.

O acórdão da relação, divulgada na página na internet daquele tribunal, foi proferido a 12 de Dezembro pelos desembargadores João Carrola e Carlos Benido.
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O ex-deputado socialista, recentemente eleito presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, nos Açores, foi condenando por se ter apropriado dos gravadores de dois jornalistas da revista Sábado, tendo o tribunal de 1.ª instância considerado que o arguido actuou de "forma irreflectida".
O caso remonta a Abril de 2010, quando, durante uma entrevista, no parlamento, Ricardo Rodrigues se levantou e abandonou a sala onde se encontrava, levando consigo os gravadores dos jornalistas Fernando Esteves e Maria Henriques Espada, depois de estes o terem questionado sobre o seu alegado envolvimento num escândalo de pedofilia nos Açores, o que o indignou.
No recurso para a Relação, o ex-deputado alegou que a sentença condenatória "é nula por insuficiente fundamentação", desde logo por omissão de exposição dos motivos e dos meios de prova que serviram para formar a convicção do tribunal relativamente a alguns dos factos considerados provados.
No acórdão, a Relação conclui que o crime de atentado à liberdade de informação, não constituindo crime de resultado, não pressupõe, para que o mesmo se verifique, a impossibilidade de publicação da entrevista ou a criação de uma dificuldade acrescida para que possa ser levada a cabo certa entrevista e a sua publicação.
Quanto ao exercício da acção directa invocado pelo arguido, a Relação entendeu que se mostra excluído à partida se a actuação dos jornalistas não constituir, naquele momento, qualquer facto punível - caso de entrevista concedida.
"Mesmo na perspectiva de a actuação dos jornalistas ser dirigida a uma utilização, futura, não autorizada da gravação ainda essa violação do direito à palavra não se mostra contemporânea com a actuação do arguido", conclui o tribunal superior, negando provimento ao recurso de Ricardo Rodrigues.

 Chegou a ser designado para a administração do CEJ...este rapa-gravadores agora condenado.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Tecnologia, empresas e oportunidades perdidas

Ontem à noite, num programa da SIC-N com Mário Crespo, um dos convidados habituais,  Ângelo Correia falou sobre o caso dos estaleiros navais de Viana do Castelo. Disse que é uma pena perdermos uma empresa que têm muitos trabalhadores, no sector da soldadura,  que são do melhor que há no mundo.  E disse que mercê de erros de gestão, ao longo dos anos, a empresa foi entrando na falência e agora a solução será arranjar um parceiro, porventura asiático, que é onde se situam os maiores estaleiros mundiais,  para angariar clientes e barcos para construir, afinal o objectivo dessa mesma empresa.

A nossa indústria de manufactura, com excepção da CUF, um império industrial criminosamente desmantelado pelos comunistas,  nunca foi algo que se impusesse a nível mundial ou até europeu, mas em 1973 tinha uma relevância que depois perdeu em meia dúzia de anos, se tanto, logo a seguir às nacionalizações.
As grandes empresas nacionalizadas como a CUF e a Lisnave e Setenave, a Siderurgia, a indústria pesada, os estaleiros navais ( como o de Viana de Castelo) não ficaram melhor depois de passerem a pertencer ao Estado e "ao povo" porque a gestão foi sempre ruinosa, por incompetência pura e simples ou manipulação de interesses partidários consoante o partido do poder, geralmente de bloco central.

Em 1973 o panorama era outro, porém. O Estado, tido depois como demasiado intervencionista na Economia, por condicionar a actividade industrial, como se isso não fosse regra básica em todos os países civilizados, incluindo os EUA ( "o que é bom para a General Motors é bom para os EUA", dizia um político americano de então), era em 1973 um regulador da actividade económica e com a consciência de permitir que a iniciativa privada florescesse. Depois apareceu a teoria dos "monopólios" e do "imperialismo capitalista" e outras asneiras trágicas que os comunistas e socialistas impuseram como discurso corrente no país, para afastarem os "fascistas capitalistas" que foram obrigados a expatriarem-se para fugirem à cadeia arbitrária ( tal sucedeu a seguir ao 28 de Setembro de 1974) de pois de lhes surripiarem os bens sem qualquer indemnização e ainda por cima com uma carrada de vitupérios em cima. Coisas do comunismo luso que quase toda a gente de então aplaudiu e fixou como princípio constitucional orientador, em 1976. Ainda permanece, aliás, o espírito desse tempo de tragédia nacional e parece que não querem acabar de vez com o mesmo, agora que estivemos mais uma vez à beira da bancarrota. Coisas do socialismo luso que em tandem com aquele comunismo que  já nos arranjaram duas bancarrotas iminentes e apostam outra vez em arrancar a ferros uma terceira.
Os media aplaudem e quando estiverem na falência atribuirão a culpa ao "neo-liberalismo " e á "política de empobrecimento". Sempre o mesmo paleio oco, sem substância, sem razão e trágico que  tem sido o fadário nacional das últimas décadas.
Parece que não se aprende com os erros e que estes são para repetir sempre com os mesmos estribilhos a defender os pobrezinhos, a igualdade e a solidariedade.

Já então se falava nas "riquezas do mar", tal como hoje, mas com outro enquadramento porque tínhamos a vontade, os meios e a oportunidade de conseguirmos fazer o que hoje é apenas um desiderato vago e impreciso, como se vê pelo caso dos estaleiros navais de Viana.  No Observador de 17 de Agosto de 1973 escrevia-se que Portugal tinha na altura o know how em matéria de construção de barcos gigantes, estando na vanguarda dessa tecnologia ( Ângelo Correia falou ontem que em 1974 alguns técnicos e engenheiros  portugueses foram construir estaleiros para países do Médio Oriente,  exportadores de petróleo). De referir, ironicamente, que o discurso de Américo Tomás, então, é idêntico ao de Cavaco Silva, nos dias de hoje, sobre esse assunto...


Por outro lado, a tecnologia e o desenvolvimento eram assuntos que ocupavam as mentes que então governavam Portugal. Assim, como explica a mesma revista, em 30 de Março de 1973.

Depois das nacionalizações e do que se passou a seguir, nas décadas vindouras, sabe melhor do assunto um indivíduo que nunca se enganou na análise que foi fazendo do país que somos:Pedro Ferraz da Costa, aqui num artigo no Semanário de 1 de Março de 1986, ano em que Mário Soares ganhou o lugar de presidente da República por uma unha negra de um pouco mais de uma centena de milhar de votos, angariados entre os comunistas que nele votaram com os olhos tapados.


Esta reflexão ocorreu-me a propósito de uma entrevista na Wired deste mês, a um indivíduo- Vaclav Smil- que Bill Gates considera como um dos seus autores preferidos. Na entrevista fala precisamente sobre a indústria manufactureira e da sua importância para os países, citando a Alemanha que nunca descurou tal vertente do desenvolvimento económico.
Smil entende que em qualquer país é a manufactura que desenvolve a classe média baixa e que a inovação aparece principalmente em sectores da manufactura, antes de surgir em laboratórios. Tal como nos estaleiros de Viana do Castelo que formaram dos melhores soldadores de todo o mundo e que se arriscam a desaparecer...


Juntanto todos estes elementos poderemos vislumbrar com alguma certeza, quem foi que ao longo das últimas décadas deu cabo da economia nacional...e  nos colocou de chapéu na mão, estendida aos usurários internacionais.