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sexta-feira, 28 de março de 2014

A fonte luminosa do Norte

Em 1974-75 quem combateu eficazmente o comunismo? A pergunta é logo considerada pestilenta pelos comunistas porque pressupõe a natureza maléfica daquilo em que acreditam.

Em Portugal, esta lógica tem sido sempre assim: o partido comunista e o comunismo esquerdista em geral, aqueles que o PCP apoda de doentes infantis ( e que por isso lhes trataria da saúde logo que pudesse...) foram sempre acaparados pelos media, logo nos primeiros dias a seguir a 25 de Abril de 1974. O aparecimento de Álvaro Cunhal, no aeroporto de Lisboa, acompanhado pelo cunhador do "fassismo", Domingos Abrantes e mulher, foi um happening logo, ali. Cunhal subiu para uma chaimite e discursou e a partir daí foi uma caminhada triunfal até ao 11 de Março de 1975, com um PREC acelerado que se estampou de tanta velocidade, em 25 de Novembro desse ano.

Durante esse tempo quem se opôs a que o PCP e o comunismo esquerdista tomassem conta do destino político do país? Todos dirão: Mário Soares. E é verdade. Soares, vendo o chão político a fugir-lhe debaixo dos pés, abandonou por uns tempos o papel de Kerenski ( que estava apostado em retomar, logo no final de 1977 quando fez um pacto secreto com o PCP que no entanto não chegou a vigorar) e lutou em palavras e actos, com muitas omissões pelo meio, porque Soares é, naturalmente, um pecador. Fez demasiadas concessões ao PCP e continuou a fazê-las pelos anos fora, tendo uma recompensa final: foram eles quem o elegeram presidente da República e isso não se deve olvidar.
O maior acto de Soares, contra o PCP, foi o da Fonte Luminosa, em Julho de 1975, em que Soares, depois do almoço lauto da praxe ( desta vez com Michel Rocard) foi para a fonte como leonor pela verdura, fermoso no discurso  mas não seguro das consequências. Coragem, dizem agora...

Pois, Soares lutou por si próprio e coragem também houve noutros lados e com outra gente que sempre lutou contra o comunismo por saber o que essa ideologia gastava em opressão e massacres.

Em finais de 1974, enquanto Soares ainda andava a namorar o esquerdismo do PCP; havia no Norte de Portugal quem se lhe opunha de um modo eficaz e contundente: o arcebispo de Braga e o cabido da Sé, pelo menos, com ajuda de alguns "homens bons" da cidade e arredores que sabiam o que os esperava no caso de o comunismo ganhar: no mínimo a prisão e a pena de morte em consequência acidental. Alguém duvida?

O ambiente era este tal como contado pelos jornais da esquerda, na época. O Expresso de Junho de 1974 já mostrava a "preocupação" com a Igreja e houve reuniões a propósito, com os habituais peixinhos vermelhos no aquário, como se podem ler.

Em Dezembro de 1974 a diplomacia das reuniões deu lugar à acção contra a "reacção". O Expresso de 21 de Dezembro de 1974 contava como era o problema...e o jornal comunista Sempre Fixe ( Ruella Ramos, também director do Diário de Lisboa) dava o mote: abaixo a reacção da Igreja.



E onde estava esta "reacção"? No Norte, particularmente em Braga, capitaneada pela hierarquia eclesiástica, onde avultava o arcebispo, D. Francisco Maria da Silva e o cónego Melo. Foram eles que polarizaram a "reacção" ao comunismo, com as razões certas e que eram sempre omitidas nos media, como ainda hoje o são.

No Sempre Fixe de 16 de Novembro de 1974 até se anunciava a intenção de "sanear o arcebispo", atribuida aos "cristãos de Braga", tipo sei lá, aqueles que se reuniam na livraria Vítor ou coisa assim...


O que é que isto poderia dar? Nada de bom. E em Agosto de 1975 o ambiente estava ao rubro, literalmente, porque "o chibo vermelho" ( letra de Zeca Afonso numa cantiga de 76)  tomou o freio nos dentes e foi o que se viu: estampou-se a todo o comprido em Novembro de 75.

A Paris Match de 23 de Agosto de 1975 mostrou o que mais ninguém mostrou em Portugal, nessa época. Curiosamente, a "igreja reaccionária" não tinha rostos, apenas nomes...

A "reacção" ao comunismo foi violenta no Norte e em Braga, Famalicão e Ponte de Lima, as sedes do Partido foram assaltadas. Como se mostra nessa revista, começando com os rostos da reacção, os verdadeiros corajosos do Norte e da Igreja: precisamente o arcebispo D. Francisco e o cónego Melo, atrás da mão que ostenta um anel que anos antes tinha beijado, no meu Crisma.


Como se pode ver, o povo "saiu à rua num dia assim", em Braga, como em mais nenhum outro lugar do país, para lutar contra o comunismo, uma luta que seria de morte. Esta imagem nunca apareceu em lado algum na imprensa portuguesa da época, et pour cause.  Esta foi a fonte luminosa do Norte de Portugal.

No Porto, na mesma altura, Otelo era aplaudido de modo entusiástico. Assim: "vai p´ra Moçambique, p´rá tua terra!" Deve lembar-se, o Otelo...porque estas coisas não esquecem, com o carro cercado coisa e tal e  como as ordem de captura assinadas em branco, para o freguês a quem as entregou, preencher...
O das barbas, ao lado, de Lacoste, estava preocupado...e Otelo parecia querer abrigar-se dos impropérios das gentes do Norte. Agora anda por aí, a contar historietas da carochinha democrática e do joão ratão fascista, ele que meses antes disto jurava que na Suécia é que sim...


A imagem da capa, respeita, segundo a revista, a um desgraçado comunista, salvo in extremis do linchamento popular, em Braga.

Violência gera violência, já lá diziam os antigos.

Entre os católicos havia também os que colaboravam com o comunismo. Assim como se mostra no Sempre Fixe de 30 de Setembro de 1974  e agora escrevem no Público, ao Domingo. Seria o futuro Primaz...caso Novembro não fosse o que foi. Ainda terá pena?



Já agora ficam também as restantes páginas da Paris Match.


62 comentários:

Zephyrus disse...

A minha avó contava que os comunistas fizeram reunião em Faro no Verão Quente. Um empresário da cidade entrou no edifício e houve homens a rebolar pelas escadas. Forte pancadaria e ficou por ali. Na terra dizia-se que o meu avô devia ser morto por ser fascista. Durantes dias nesse Verão os empregados não foram trabalhar. Os donos das terras viviam em Lisboa e não passaram por isto.

Zephyrus disse...

E houve pancadaria noutros locais. O dono da padaria de Olhão deu sova nos empregados.

JC disse...

Lembro-me bem dos assaltos às sedes dos comunistas em Famalicão e noutros locais mas não tinha ideia da grande adesão popular a essa luta contra esses ditadores de esquerda, que aquela fotografia tirada de um varandim ilustra.

A fotografia é impressionante!

JC disse...

Tinha 13 anos no Verão quente de 75.

Dudu disse...

Mario Soares esteve na frente da luta, mas com Salgado Zenha a inspirar.

josé disse...

JC:

O varandim é a Sé de Braga. Uma construção com mais de 900 anos...

O comunismo tem cem. O Afonso Costa apostou que em duas gerações erradicava a Igreja e a Religião de Portugal. Quem foi erradicado foi ele, dali a dois anos, para França. Se não fugisse ficava sem tosse.

josé disse...

Aquele tipo da Lacoste, com o Otelo é que me mete espécie. Acho que o conheço, mas não sei de onde.

josé disse...

Nesse "varandim" a primeira figura de costas, com o cabelo ligeiramente ondulado é o cónego Melo, o flagelo do comunismo, na altura.

Floribundus disse...

o boxexas passou todo o tempo a pisar a bosta que fazia.

só o meu Amigo Moita, velho comuna, dizia no verão de 75 'isto não chega ao fim do ano'

o Prof Manuel Antunes contava que o movimento bracarense estava a estimular um sector das Forças Armadas a quem aconselhava.

os boxexas tiveram medo de ficar em Lisboa e no sul do Tejo com os comunas e o resto das pessoas se refugiarem no norte

seria trágico-cómico

agora andam todos muito preocupados com a redução do MONSTRO

e a emissão de metano pelo anus das vacas que não frequentam o sns

Dinada disse...

Um Grande, Grande Obrigada, José.
Às vezes (como quando aqui passo, diáriamente), ainda Acredito!
É só.

Lura do Grilo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lura do Grilo disse...

Em Viseu também houve reboliço. Os populares entraram na sede do PCP e os gajos dispararam. Vale que o afoito se abrigou e evitou o pior. A coisa esteve feia. Os militares apareceram e encostaram as traseiras do camião militar à entrada do prédio fazendo, longe da vista, a "evacuação" não sem antes dispararem umas rajadas de intimidação para o ar. Veio parar tudo cá abaixo.

Floribundus disse...

deve guardar essa fabulosa foto para a capa do livro que deve publicar

devia colocá-la no you tube

como dizia um militar do antigamente
tenho barbas até aos tomates e stes até aos pés

foi a melhor comemoração do centenário do barreirinhas

Mauro Germano disse...

Veja lá se não demora muito a editar um livro com tudo o que tem exposto aqui no blogue. O José merece-o e os Portugueses ainda mais.
Citando os "outros"... Para termos acesso à verdade a que temos direito.

É uma opinião sincera. Não demore muito. Depois pode ser tarde ;)

Choldra lusitana disse...

Lembro-me de a 18 de Junho de 75 (tinha então 16 anos) ter ficado barricado junto ao Patriarcado de Lisboa ,no Campo de Santana,durante toda a noite. Tinha ido apoiar a Rádio Renascença contra a ocupação dos emissores e dos estúdios pela esquerdalha comunista PCP/UDP e quejandos. Só conseguimos sair porque aquela escumalha devia estar com fome,tendo alguns arredado pé para o aconchego de outra manif e os militares lá conseguiram libertar-nos. Que corja imunda,o ódio que destilavam pelos poros.

Choldra lusitana disse...

Acima de Rio Maior os comunistas não tinham qualquer hipótese. Ficaram afamadas as mocas do sítio e que devem ter servido para amachucar alguns lombos comunistas.
Hoje o jornal i publica um discurso do Marcello de há 40 anos e em que diz que "o egoísmo é a nova lepra das sociedades contemporâneas " (o papa diz o mesmo e ninguém o acusa de fascismo porque é apenas uma evidência de senso comum) e que a desagregação da sociedade terá de terminar na anarquia.E como os povos não podem viver na anarquia é fatal que a reacção virá necessàriamente sob a forma de um regime autoritário. Avisando de que os comunistas são implacáveis na repressão da anarquia. Razão tinha ele porque sabia-se que a actuação dos comunistas passava por minar o estado criando instabilidade política,social e económica para depois tomarem o poder e eliminarem os idiotas úteis à sua estratégia .Como bons devoristas que são,imagine-se o que seria se o PCP tivésse conseguido tomar as rédeas do poder neste país.

josé disse...

Se os comunistas tivessem tomado o poder em 1975 estaríamos agora livres deles. Como acontece na Polónia.

Assim temos que aguentar a ouvir Jerónimos e Arménios a repetir as mesmas lenga-lengas e as mesmas mentiras.

josé disse...

Esse é o paradoxo.

Choldra lusitana disse...

Também é verdade,serviria de antídoto eterno para o contágio comunista. Este povo ficaria vacinado para sempre.
Ontem houve o 2.º festival da canção popular no Coliseu dos Recreios. O 1.º ocorreu há 40 anos. Se esta gente não conseguiu fazer mais nada nesse espaço de tempo revela bem da criatividade (ou falta dela) das criaturas envolvidas. Ouvia também ontem o Manuel Freire (outro batuqueiro que há décadas não faz nada de jeito e que se limita a viver da fama do que criou antes do 25) na TSF a falar de canções proibidas ,fascismo,repressão e a lengalenga do costume. Mentira de tantas vezes repetida que se quer ver transformada em verdade inquestionável. Tendo vivido em Moçambique até 1975 o meu pai comprara todos os discos do José Afonso antes do 25 de Abril. Estavam todos disponíveis para venda ou para quem os quiséssem adquirir.

CCz disse...

Mais um grande postal José.
.
Bem haja!!!

José disse...

Choldra:

Em Moçambique havia maior liberdade, paradoxalmente vinda da África do Sul...

Os discos dos cantores de intervenção foram pontualmente proibidos por cá, com por exemplo os do Luís Cília ou até do Sérgio Godinho, durante um tempo curto. Os do José Mário Branco também e havia uma cantiga, a do soldadinho que era completamente proibida no rádio.

Em 74 só os do Cília eram, acho.

No entanto, na mesma altura havia censura dessas na Inglaterra, por exemplo.

José disse...

A Censura era uma realidade difusa, mas agora também o é. Muito mais subtil, não deixa de ser censura, do mesmo modo que o era antes.

E isso não se diz.

Choldra lusitana disse...

Tem razão José quando fala da maior liberdade existente em Moçambique. Tínhamos as boas consequências de viver junto a dois países como a África do Sul e a Rodésia (íamos todos as férias grandes a Salisbury e Untali,um sítio lindo nas montanhas) sem sofrermos do que pior aí havia,como a segregação racial. Coisa que nunca houve em Moçambique,embora o Mia Couto afirme o contrário para limpar a consciência de ter de justificar o frelimista assumido que foi pós-25. Havia um outro tipo de segregação,mais subtil porque menos evidente,e que era a segregação económica dos negros. Poucos eram os que se podiam considerar de classe média. Terá sido esse o grande erro do regime anterior,o de nunca ter conseguido criar uma elite negra com quem se pudésse negociar a independência.

José disse...

Choldra:

vou fazer uma pergunta proibida mas que todos sabem a resposta:

os pretos, em geral, gostam de trabalhar?
Melhor ainda: trabalham como os brancos trabalham?

Não tenho qualquer medo que me chamem racista porque sei que não o sou, mas quem lida com pretos sabe a resposta muitíssimo bem.

Falo em geral e não de excepções que as há, felizmente.

Não são as mulheres quem tem que tratar dos filhos e do "calção", etc etc?

Responda quem souber e sem preconceitos.

José disse...

Em 40 anos, a chamada "elite angolana" o que é que fez de notável?

Há um país independente de ajudas estrangeiras em todos os sectores de actividade' Se não fossem essas colaborações, frutuosas para ambas as partes, onde estaria Angola?

Estaria no nível de um país esquecido de África. Sei lá, como uma república ganesa.

Choldra lusitana disse...

Em Angola e Moçambique não havia nenhuma elite negra. O Agostinho Neto,médico de formação,até tinha nível até se ver com o poder absoluto nas mãos. O Amílcrar Cabral também mas teve o fim que se sabe,morto pelos correligionários . O Mondlane também. E o resto? O Machel era um zero à esquerda,nem para ajudante de enfermaria servia (chumbou no exame ,daí o ódio aos brancos). O Holden era um lacaio dos americanos da fundação Ford. O Savimbi não passava de um instrumento das igrejas evangélicas. Todos os demais ainda conseguiam ser piores que os lideres. Mas não havia uma elite estruturada de negros.
Quanto ao gosto inato dos negros pela preguiça até dou de barato que o tenham. Mas também é preciso ver que a lei do indigenato (suprimido apenas no tempo do Moreira) era aviltante e tratava os negros sem qualquer dignidade. E sabe quem é que levava à prática o verdadeiro "colonialismo" das populações nativas? Os administradores de posto que,na maioria dos casos,era gente sem qualquer formação,vindos directamente das berças para escapar à miséria e que ali podiam dar curso livre ao seu poder absoluto. Foi esse o escol onde se formou o pior da nossa colonização no século XX. Eram verdadeiros sobas com um poder inquestionável sobre toda a gente,brancos incluídos. Mesmo os formados na Escola Superior Colonial tinham um nível educativo baixíssimo e era esta gente quem governava o ultramar.

Miguel Carvalho disse...

Portugal antes e depois do 25 de Abril, pelo secretário geral da Associação de Oficiais das Forças Armadas, Coronel da Força Aérea António Mota. Mais do mesmo!

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=718198374866904&set=a.215414665145280.54625.215406995146047&type=1&stream_ref=10

zazie disse...

Aquilo é geral de sorna mas até os cabo-verdianos dizem que os angolanos só foram feitos para serem sobas.

Já os tugas também têm aura de muita coisa que nem são.
Isso de serem os maiores lá fora há-de ter sido por geração diferente.

Porque, por cá o que se nota é que não conseguem trabalhar em conjunto, passam o tempo a queixar-se de "falta de condições" e depois também acham que todos nasceram para patrões (em particular, não o sendo).

zazie disse...

Há uma frase gira que é muito ouvida nas "queixas por falta de condições" e mais faltas do que for preciso- é dizerem que estão fartos de trabalhar para os outros eheheheh

zazie disse...

Mas têm jeitinho para mandar os outros fazer no lugar deles. Talvez em África esse talento tenha servido.

Porque é das coisas mais giras de observar qualquer zero à esquerda que nem o seu faz como deve ser, em tendo "ajudante" alivia-se e logo e dá as ordens que para ele não aceita.

zazie disse...

Grande documento, José.

Vivendi disse...

Última conversa em família de Marcello Caetano.

http://historiamaximus.blogspot.com.br/2014/03/a-ultima-conversa-em-familia-de.html

Miguel Dias disse...

Por vontade do PCP e de Álvaro Cunhal Portugal, após 1974/1975, ficara divido em dois (uma espécie de Coreia ou Alemanha), com o Sul governado totalitariamente por um governo comunista e o Centro/Norte entregue aos "outros". Quando deparou com a resistência popular que este post mostra o PCP simplesmente desistiu do "bocado" do País a norte do Ribatejo, e penso mesmo - embora possa estar enganado - que Álvaro Cunhal, entre 1974/75, nunca terá visitado o País real acima de Rio Maior, e se esteve no Centro/Norte terá sido apenas para se enfiar nalgum enclave partidário sem qualquer genuíno contacto com a população e os seus anseios, ao contrário daquela entidade mitificada e falsificada do «Povo» que o PCP hipocritamente venera.

josé disse...

Cunhal só veio ao Norte, em campanha política, em 79, no tempo da AD e do fascismo que anunciavam como próximo se tal força política ganhasse.

Ganhou e afinal o que tivemos a seguir foi o BLoco Central.

Balsemão e Cª que foi a origem deste sistema corrupto que temos.

Miguel Dias disse...

O ódio que o PCP, e a esquerda totalitária, votam ao Cónego Melo ficou bem patente aquando da instalação, em Braga, de uma estátua da personalidade.

Considero que se fosse necessário actualmente uma manifestação, e uma demonstração do poder popular, semelhante a esta que ocorreu em 1975 no Norte, e sobretudo em Braga, seria muito difícil de acontecer, quer porque as gerações mais novas foram envenenadas e pervertidas pelo "marxismo cultural" ou pelo niilismo esquerdista, quer porque o carácter, a força moral e as convicções tradicionais/católicas das gerações mais antigas foram manipuladas ao longo dos últimos anos pela "inteligentsia" cultural do regime actual.

Símbolo triunfal do niilismo cultural esquerdista, e da sua visão do mundo, é a Universidade do Minho e o seu corpo docente, sobretudo nas áreas das Humanidades.

josé disse...

"seria muito difícil de acontecer, quer porque as gerações mais novas foram envenenadas e pervertidas pelo "marxismo cultural" ou pelo niilismo esquerdista, quer porque o carácter, a força moral e as convicções tradicionais/católicas das gerações mais antigas foram manipuladas ao longo dos últimos anos pela "inteligentsia" cultural do regime actual."

Pois é assim mesmo, o que significa que quem ganhou foi essa gente.

Mas ainda há uns tantos que se lembram e que resistem.

"Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz... não", para citar o poeta alegre.

Anibal Duarte Corrécio disse...

Magnifica recapitulação histórica José!

Muitos parabens, muita gratidão.

Porta da Loja é o melhor blogue Português.

Um farol na revisitação da nossa História mais recente.

Muita Saúde e muitos anos de vida é o que lhe desejo!

Lura do Grilo disse...

Acho que valia a pena o José publicar também algo sobre o assalto às empresas, a reforma agrária, os saneamentos e as consequências "destas políticas": falências, escassez de alguns produtos nas lojas, etc

a disse...

Os católicos no seu melhor. Cristãos? Não, católicos. Esse é o vosso verdadeiro partido, «Jesus Cristo» é só um pretexto.
Um cristão nunca viria para aqui glorificar o trabalho («os pretos gostam de trabalhar?»), nem glorificar um assassino, nem sequer ter orgulho em beijar o anel dum bispo.
Nojo.

josé disse...

a:

Os cubanos em Angola tratavam os pretos abaixo de cão. É o Letria ex-comunista que o conta, no livro E tudo era possível.

Sabe o que é o Crisma? Se não sabe, porque perguntaria?

O tal "assassino" é o métido estalinista de classificação de inimigos. Não aprendeu nada e nada esqueceu e por isso não passa de um torcionário comuna, à maneira clássica. A PIDE-DGS, ao pé de vós, era a santidade em instituição, mas nem disse vos apercebeis porque as palas ideológicas não deixam ver mais.

O verdadeiro católico é o que partilha ideias com os que o vão destruir logo a seguir, não é?
Santa inocência.

O cónego Melo não foi um assassino. Foi um herói da luta contra o comunismo em Portugal. Porque o comunismo é o Mal, capito?

josé disse...

O PCP segundo a lógica da lei que proibiu as organizações fascistas deveria ter sido igualmente proibido, em Portugal. Pelo menos até se democratizar verdadeiramente.

Quem defende a Coreia do Norte, como dantes defendeu os Khmers não tem direito a expressão democrática, ou pelo menos tem tanto direito como os que não se podem associam em partido por serem considerados fascista, sem grandes razões de fundo ou de forma.
Basta o pretecto de alguns símbolos.

josé disse...

O problema é que vós não estais habituados a este discurso mediático que classificais como de extrema direita.

Ide à Polónia aprender o que é tal coisa...

josé disse...

Lá dir-vos-ão na cara quem é que é fascista, torcionário e totalitário.

josé disse...

Aqui não estais habituados porque dominais o discurso mediático, na totalidade da opinião única.

Mas aos poucos ide-vos habituando...

lusitânea disse...

As células dos comunistas já vêm saudações nazis por aí...e até nos guardas prisionais!

josé disse...

Quanto ao nojo, compreendo perfeitamente: o que fizéstes é nojento, de facto.

mujahedin مجاهدين disse...

os pretos, em geral, gostam de trabalhar?

Pergunta simples; mas de resposta, a meu ver, impossível.

Os brancos gostam de trabalhar? Quem poderá responder taxativamente a tal interrogação?

Há quem goste, há quem não goste e há quem nem goste nem deixe de gostar. Depende da pessoa, do trabalho, enfim, depende de tudo e mais alguma coisa.

Melhor ainda: trabalham como os brancos trabalham?

Esta é, realmente, muito melhor pergunta. Todavia penso que aqui ninguém está habilitado a responder adequadamente. Se estiver, pois que se mostre. Entretanto, eis o que diz o general Silvino Marques:

Outro aspecto consiste nos juízos de valor que se fizeram, e periòdicamente se renovam ao sabor de doutrinas, interesses, instruções, sempre com o perigo de reflexos internos e externos que não devem escapar aos responsáveis, acerca da capacidade de trabalho das populações. Esquecendo que já Norton de Matos salientava que 75% da produção de Angola era resultado do trabalho africano, esquecendo que em África há fome qualitativa de séculos, e há doenças parasitárias generalizadas que debilitam, e em muitas regiões recalques que se não esquecem em várias gerações, levanta-se de quando em quando o espantalho do trabalho e da preguiça e confunde-se o direito e o dever do trabalho. Ignora-se que, quando na Lunda, por exemplo, subsistiam sistemas de trabalho que não nos honravam, os trabalhadores do Moxico, do Cuando-Cubango, da Huila, e até da própria Lunda, ofereciam espontâneamente os seus braços para trabalhar minas, algumas de diamantes, da África do Sul, da Rodésia, do próprio Congo. Olvida-se que as plantações, as sementeiras, as colheitas, os trabalhos públicos, etc., etc., não são trabalhos essencialmente europeus. Este erro de apreciação tem dado lugar, e pode tornar a dar lugar, a desvios dos mais iníquos, dolorosos e perigosos efeitos.

Mais à frente, o general referencia um documento que nos poderia ajudar a compreender melhor esta questão. Sabe Deus se ainda existem exemplares e,ou , onde se poderão encontrar:

A dissertação de doutoramento do Presidente do Instituto de Trabalho de Angola, publicada pelo Instituto de Ciências Sociais e Política Ultramarina, é obra fundamental para o conhecimento dos problemas actuais do trabalho em Angola.

Floribundus disse...

em tempo de apóstatas reli parte do discurso actual de Juliano em edição bilingue Les Belles Lettres
Misopogon ou O inimigo da barba

sobretudo 'permitir que os homens injustos pratiquem injustiças'

foi coroado imperador nas termas de Cluny em Paris, pouco antes das mesma serem destruidas pelos Francos

mujahedin مجاهدين disse...

É preciso ver que o trabalho depende da sociedade em que se vive. Por exemplo:

A Banca de Angola foi convidada a apoiar uma campanha de aforro das pequenas economias dos camponeses, o que começou a fazer em 1966 no Uíge, nos mercados do café.

Da posse de dinheiro pelo camponês tem resultado nalgumas regiões espectacular desenvolvimento das aldeias onde a casa de pau a pique ou adobe está a ser substituída por casa definitiva, em muitos casos de tijolo coberta a chapa. O camponês começou a preocupar-se com a sua mobília. Pessoa importante de Malange referia há pouco que, nas suas dezenas de anos de Angola, nunca vira o camponês comprar mobília como agora, o que resulta evidentemente de dispor de dinheiro. Dentro de poucos anos, o imposto geral mínimo poderá certamente ser substituído por uma contribuição predial: milagre da posse e circulação do dinheiro que tudo irá transformando no interior


Penso que ninguém contestará que os frutos do trabalho, e poder-se deles dispor, são circunstâncias muito importantes.

Em vez de nos perguntarmos se os pretos gostam de trabalhar, talvez fosse melhor interrogarmo-nos se, pelo trabalho que fazem ou que se gostaria que fizessem, obtêm recompensa adequada ou interessante.
É evidente que a questão se aplica a todos, pretos ou não.

Floribundus disse...

soube que no tempo do fascismo a esquerda publicou um livro interessante sobre o trabalho agricola africano
L'Afrique est mal parti

mujahedin مجاهدين disse...

Aos comunas e outros, basta apontar que o transcrito acima, vem de alguém que facilmente se poderia colocar à direita, senão do Estado Novo, de certo do Estado Social que se lhe seguiu...


josé disse...

As perguntas sobre o trabalho são retóricas porque o que pretendo significar é se os pretos teriam e têm, depois de 40 anos, formação académida adequada a fazer trabalhos de engenharia, medicina, economia, biologia, matemática, letras, etc etc etc.

Ou seja se os pretos ( e uso esta expressão sem conotação pejorativa de espécie alguma, apenas para não usar a palavra negros) gostam em geral de estudar, trabalhar e esforçar-se por melhorar o nível de vida.

A pergunta é retórica apenas na formulação e não contém nada de racismo, mas apenas de psicologia social.

mujahedin مجاهدين disse...

Daqui, já agora, para quem queira ler mais:

http://ultramar.github.io/conjuntura-angolana-sintese-de-uma-doutrina-e-uma-accao.html#titulo

josé disse...

Por outro lado, quando refiro o que os cubanos fizeram aos pretos em 74-75 estou a referir factos relatados por outrém e que dão conta do racismo exacerbado e sem pruridos.

a disse...

Em nome desse tipo de teorias do «inimigo», não se esqueça que para alguns CRISTÃOS os CATÓLICOS também são o Mal, capito?
Aconselho a leitura de «O Diabo», de Papini, um católico (e fascista).

a disse...

Senhor José não se arme em paladino da luta anti-comunista, porque já os anarquistas combatiam os comunistas quando pressentiam a sua deriva totalitária, e por isso o Bento Gonçalves deu cabo dos anarco-sindicalistas, nos anos 30, facilitando a vida aos verdugos do regime.

a disse...

Quanto ao racismo, eu referi mesmo a sua glorificação do trabalho, não o acusei de racismo.
Os católicos e os protestantes gostam muito do trabalho, sobretudo se for assalariado e se for... o dos outros.
Mas isso é outra história.

a disse...

Quanto à sua lógica de ilegalização, é só ver o tipo de regimes que a Igreja Católica apoiou para perceber que também já devia ter sido ilegalizada.
Não passam de mais um partido, mais uma seita, cujo principal objectivo é a auto-preservação e mais nada. O «cristianismo« é só um pretexto para colonizar «almas», já que as «almas» são o produto do vosso negócio.

musaranho-coxo disse...

Que cheiro a enxofre

josé disse...

Que tipo de regimes é que a IGreja Católica apoiou para merecer tal exclusão?

E por acaso a Igreja Católica é um poder político-partidário ideologicamente configurado?

A Igreja Católica quer tomar o poder político em Portugal?

O PCP quer e já vimos que é um partido com semelhanças flagrantes com os verdadeiros fascistas.

josé disse...

Sobre o "trabalho" não percebeu nada do que escrevi.

Lura do Grilo disse...

Quanto a racismo basta lembrar Allende (com árabes e ciganos), Castro com os pretos e a URSS e países de leste com os pretos para sabermos onde mora o dito.