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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Francisco Miguel, o comunista ideal: sapateiro tocador de rabecão de amanhãs a cantar

Francisco Miguel foi um comunista da estirpe funcional de um Cunhal. Aprendiz de sapateiro, acabou a tocar o rabecão dos amanhãs a cantar para todo o sempre.

Em 1977 escreveu a sua biografia singela de propaganda ideológica como se tivesse nascido a mamar na teta comunista.  Todo o livro de 180 páginas se passa num exercício de vilipêndio do "fascismo" português e na exaltação das maravilhas comunistas, num delírio expositivo que nem os chineses mais imaginativos conseguiriam reproduzir na altura da revolução cultural.


Em 1935 esteve na URSS e o relato que faz, na primeira pessoa, desse tempo que por lá passou é encantador. Não podia haver lugar algum no mundo que fosse tão maravilhoso quanto Moscovo, em 1935!
 O preâmbulo explicativo é precedido por um breve prefácio da autoria de Margarida Tengarrinha, uma das figuras da Esquerda nacional. 


 Em meia dúzia de páginas consegue descrever as maravilhas da sociedade soviética sem mencionar uma vez sequer o terror estalinista que então passava nas ruas daquela cidade como espectro de morte sempre presente e que dizimou um número de vítimas maior que dez tarrafais o conseguiriam fazer.

Nada disso perturbou Francisco Miguel ou o ajudou a reflectir melhor sobre a natureza intrinsecamente maléfica do comunismo soviético.


A omissão é tanto mais grave quanto naquela altura de 1977 eram sobejamente conhecidos os chamados processos de Moscovo , uma ínfima parte de todo o panorama de terror estalinista da época, denunciado até pelo sucessor Nikita Krutschev e tornado doutrina oficial nessa altura de "desestalinização".
É tanto mais grave quanto em 1977 já tinha sido publicado em Portugal O Arquipélago de Gulag, de Soljenitsine, relato impiedoso e na primeira pessoa do terror estalinista nos campos de concentração e cuja publicação do 2º volume, pela Bertrand foi boicotada pela comissão de trabalhadores dessa empresa que terão destruído até algumas "palettes" de livros já prontos para distribuição. Sob o pretexto de que era um livro reaccionário...e daí a raridade deste 2º volume, entre nós, nos alfarrabistas.

Francisco Miguel passa o livro a escrever sobre o fascismo, o Tarrafal e outros terrores salazaristas e nem uma palavra para pôr em questão o regime soviético que Soljenitsine descrevia assim, nessa mesma altura que Francisco Miguel lá esteve:


A maioria das pessoas detidas são realmente inocentes, logo acreditam que tudo será esclarecido e que a verdade aparecerá, por isso não oferecem resistência, não gritavam, pelo contrário, tinham um comportamento nobre e faziam tudo o que os guardas mandavam. Muitas vezes tratava-se apenas  de causalidade: Um simples  coleccionador tinha guardado uma lista de funcionários do governo, quando isso foi descoberto, foi condenado ao fuzilamento. Os guardas estavam disfarçados em todos os lugares: electricistas, ciclistas, motoristas de táxi, as pessoas se sentiam vigiadas todas as horas do dia.

O PCP continua o mesmo do tempo de Francisco Miguel, sem tirar nem pôr uma vírgula. 

De que estão á espera para denunciar esta fraude que é o PCP e o sistema horrendo que defende?


3 comentários:

Floribundus disse...

conheci um ´português que em 1951 esteve na urss integrado numa excursão inglesa

era um homem habituado a fazer o que entendia sem olhar às consequências

em Moscovo apesar da apertada vigilância dos controleiros do kgb
tirou fotos que mostravam ser uma cidade onde a vida era desumana

mostrou fotos de bairros da lata muito piores que os do fascismo português

horrorizou-me pensar como seria passar invernos de 30º negativos em casas de bairros operários
onde as janelas não tinha vidros

dizia-se que o pessoal vinha para a rua aquecer-se batendo os pés no chão e diziam
'-fechem a porta por causa da corrente de ar'

Floribundus disse...

conheci este médico em 54
estava na Av da Liberdade com um conhecido meu, ambos no começo dos 40,

um de cada lado da faixa central a tourear os autocarro da Carris.

usavam o casaco como capote para executar Chicuelinas e Gaoneras

João Amorim disse...

Reza um credo nacional que ser comunista é estar do lado dos pobres, dos doentes, dos coitadinhos e que ao fim de uns anos chega-se a "intelectual". É o "desprendimento" a favor dos outros, a lágrima a favor do "trabalho", a língua a favor dos "direitos" e mais trampa falada que vai garantindo a impunidade de tal gente. Como bem diz, uma fraude...