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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Proença de Carvalho, de novo e sempre.


 A imagem é da revista Sábado de hoje.

Mais uma vez, Proença de Carvalho surge dos bastidores de mais um escândalo financeiro, a puxar pelo trunfo da influência fundamental para se manter em sintonia com o sistema.

Isto dura há décadas, praticamente desde 25 de Abril de 1974, com raízes anteriores no caso da herança Sommer.

Como este assunto é repetido, apresento cromos correspondentes. E um pequeno texto antigo sobre o assunto:

 O advogado Proença é da Soalheira, no Fundão. Foi funcionário público, incluindo polícia e magistrado do MP, até 1968, altura em que se tornou partner de Salgado Zenha, no caso da herança Sommer. Desde então, advoga em causas ligadas ao poder. Literalmente ou em procuração informal. Em todas as causas importantes deste país pequeno, Proença aparece destacado como advogado, conselheiro, reposteiro político, biombo de políticos ou defensor de vínculos políticos de fama periclitante.
Em todas as crises políticas importantes, recentes ou antigas, derivadas de escândalos, políticos, sexuais, sociais ou apenas criminais tout court, Proença aparece. Tal como agora. Em entrevistas de circunstância, a falar da vida, da concepção do mundo, do direito, da justiça e tutti quanti.

Os jornalismo caseiro, nessas ocasiões, como agora, sempre se prestou ao frete dispensável de lhe dar audição, para Proença esportular com oportunidade, a sua autorizada voz de advogado de currículo, geralmente em defesa dos entalados do sistema e do regime.

Foi no tempo das crises do poder cavaquista, com o jornalismo do Independente e com o caso Leonor Beleza e do ministério da Saúde, em que atacou a justiça e o ministério público em particular. Foi no caso Casa Pia em que se manifestou de modo ambíguo e chegou a defender as vítimas(!) Foi depois e é agora, como advogado de José S. em casos avulsos contra jornalistas.

Proença, a par de Marcelo Rebelo de Sousa e poucos mais, é um dos que atravessou os regimes de ditadura ( em que foi polícia e agente do MP) e passou para este regime democrático sempre em lugar de relevo social e político. É um dos conhecedores por dentro de tudo o que se passou à vista de todos e ainda conhece o que ocorreu nos bastidores, à vista de poucos. Foi um dos fundadores do Jornal Novo, em 1976, em oposição ao poder de esquerda comunista que se implantava.
Na política, aliás, sempre esteve, como aparatchick de bastidor, fosse como mandatário de campanhas eleitorais ( Freitas do Amaral e Cavaco Silva), fosse como ministro " da propaganda" no final dos anos oitenta e depois como propagandista-mor na RTP dos anos oitenta da AD.
Este pendor direitista, com o advento do poder socialista democrático, converteu-se em adesão ao bloco central de que será talvez o seu representante mais repelente e apenas com outro companheiro de perfil: José Miguel Júdice.
Esta associação ao poder político abre portas de proveito, naturalmente, e Proença sabe tocar baixo, com parceiros de guitarra como Dias Loureiro.




Para dar o toque do tempo que passa:

Proença de Carvalho é um exemplo típico: advogado de José Sócrates, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud, presidente do Conselho de Administração da Zon Multimedia, membro da Comissão de Vencimentos do BES – um interessante cargo -, “chairman” da Cimpor, ao todo, só no mundo empresarial, 27 cargos. Proença de Carvalho, como muitos outros neste universo de “sempre os mesmos”, não é “dono”, mas amigo dos “donos”.
Competência? Nalguns casos sim, noutros não. Mas não é a competência o critério fundamental. É a confiança. Estes são confiáveis, são dos “nossos”, são dos “mesmos”. Já foram testados mil e uma vezes, no governo, na banca, na advocacia de negócios, no comentário político nos media, e mostraram que estão lá para defender sem hesitações, os “nossos” interesses. Confiança é a palavra chave nos “sempre os mesmos”.


Ainda falta mencionar que Proença de Carvalho é amigo de Pinto Monteiro, o antigo PGR, que  foi ao lançamento do livro de Sócrates, como amigo. 

Quanto a Paulo Mota Pinto: não sei quem é, exactamente, nem isso interessa muito para o caso. Parece ser mais um aprendiz destas feitiçarias que desgraçaram Portugal e discípulo deste sistema que se não for limpo, voltará a desgraçá-lo. A Itália fê-lo nos anos noventa. Por cá, como somos mais pindéricos, ainda nem percebemos a podridão que isto representa.

Quando ouço estes individuos a falar de democracia, e fazem-no quase sempre, apetece-me fazer como o Goebbels...e puxar de uma pistola imaginária.

10 comentários:

Floribundus disse...

os contribuintes limitam-se a fornecer alimento à manjedoura política e económica

não participam em nada que lhe diga respeito

os vampiros e as sanguessugas não permitem esperar nada de bom para o futuro próximo e longínquo

'quem tem pouco depressa o entorna'

Vivendi disse...

Este é que é um dos donos de Portugal.

Riqueza criada de valor acrescentado?

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Floribundus disse...

diz-se que o PR vai convocar um conselho de estado

especula-se.
ou seja a vários mamíferos a mirarem-se ao espelho

anda no ar um vago espírito parassimpático

ligado ao adeus a troica e à agitação da mãozinha masturbadora

os adolescentes continuam no crescimento

e os contribuintes a pagar um excursão de técnicos penteados ao Brasil

atrida disse...

José, essa citação está errada, e muita gente insiste em atribuí-la a Goebbels, a outros dignitários nazis, a Franco, quando na verdade é uma frase de uma peça de Hanns Johst.

mujahedin مجاهدين disse...

Qual citação?

Anibal Duarte Corrécio disse...

Vampiros é o que eles são.
"Sabem levar a vida".
Cantam e tocam viola para afugentar a tristeza.
Colossal.

atrida disse...

A citação implícita no último parágrafo era: "quando ouço falar em cultura saco logo da pistola", amiúde e erradamente atribuída a Goebbels.

mujahedin مجاهدين disse...

Ah, não conhecia essa...

josé disse...

Essa é muito citada pela esquerda para vituperar o nazismo e a sua aversão à "cultura".

"Cultura" é terreno de esquerda ( têm o monopólio) e por isso sentem-se atingidos na propriedade.

Maria disse...

Quando vejo criaturas como estas, especialmente este Dias Loureiro e me lembro de que a filha deste casou com o filho do Ferro Rodrigues, sem que aquele não prevenisse a filha sobre o perfil moral do sogro que lhe iria caber em sorte..., até sinto arrepios, não pelos filhos, que não têm culpa nenhuma dos pais que a natureza lhes deu, mas sim dos respectivos sogros... Um é embusteiro, corrupto e traficante de influências, além de criminosamente usurpador de muitos milhões pertencentes a outrem. O outro foi denunciado sem apelo nem agravo pelos jovens da Casa Pia como pedófilo declarado.

Se isto não significa o maior escândalo praticado por homens públicos, para mais dois políticos em funções - um teve responsabilidades governativas e só não continua devido aos brutos escândalos praticados e o outro ainda as conserva..., ambos passeando-se por aí livres que nem passarinhos e todos triques à beirinha - então não sei como classificar quem cometeu crimes de tal monta (será que ainda os praticam?, há quem diga que sim) durante um ror de anos e não obstante ambos sempre beneficiaram de total impunidade.

Relativamente a estes e a outros políticos que praticaram crimes com a mesma tremenda gravidade, o José escreveu uma vez qualquer coisa como "eles não se preocupam como são vistos pelos portugueses, não têm vergonha nenhuma" (e eu acrescentaria) um, vigarista consumado, pela sua conduta trapaceira e enormemente lesiva dos dinheiros públicos e dos depositantes; e o outro, pelos actos obscenos de altíssima gravidade praticados sobre crianças indefesas sob protecção do Estado cujo Ministério ele próprio tutelava.

E por favor, alguém tire a filha do Ferro da nossa vista, não que fique desempregada, nada disso, coloquem-na atrás das câmaras a fazer qualquer coisa de útil. Já se sabe que os programas em que aparece foram-lhes oferecidos por ser filha de um maçon e ter outro como patrão. Ou seja, todos os programas em que entra (e não só ela, há muitos mais, sobretudo na SIC, nas mesmas circuntâncias) devem-se única e exclusivamente à seita.
A rapariga, que não tem culpa daquele pai, é fraquíssima como apresentadora, mas o pior mesmo nem é isto, o pior é que ela é a cara chapada do pai..., só que melhorzita. E quando calha vê-la no écran, nem que seja por um momento (não se aguenta mais), vem-nos logo à memória, escarrapachada no mesmo, a focinheira do pai mais todas as suas práticas nojentas e criminosas puníveis por Lei em todos os países decentes do mundo, que não nas democracias, estas promovem-nas há décadas, para não dizer séculos, como é do conhecimento geral.