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terça-feira, 24 de junho de 2014

Ricardo Salgado é outro do grupo dos finórios

 Observador:

Ricardo Salgado nega que tenha conhecimento, desde 2008, das dívidas escondidas no Grupo Espírito Santo, ao contrário do que diz o ex-contabilista. Olhemos para este diferendo na perspectiva que Hercule Poirot teria, usando as “celulazinhas cinzentas”.


No verão de 2007 rebentou a crise do sub-prime nos EUA, que não afectou directamente os bancos portugueses, não devido a qualquer superior sagacidade dos nossos banqueiros, mas simplesmente porque o sistema bancário português sofria de um enorme défice de recursos, colmatado no exterior, não sobrando fundos para investimentos mais criativos.

Aquela crise provocou estragos profundos no sistema financeiro mundial, tendo levado quase à falência o até então prestigiado banco de investimento Bear Sterns, salvo em Março de 2008. Em Setembro desse mesmo ano não foi possível evitar a falência de outro banco importante, o Lehman Brothers. A partir daí, a crise passou do sistema bancário para a economia, gerando-se a mais grave crise económica mundial desde o crash de 1929.
Os mercados monetários paralisaram, com todos os bancos a desconfiarem de que todos os outros também poderiam estar falidos. Neste contexto é totalmente improvável que tenha havido um único banqueiro no mundo que não tenha reavaliado, de fio a pavio, todos os seus activos e passivos, para se inteirar da verdadeira situaçãodo seu próprio banco e de todos os outros com quem mantinha relações comerciais.

A brusca queda de liquidez nos mais variados mercados, colocou o risco de fortíssimas desvalorizações de activos, sobretudo dos menos padronizados, e foi necessário definir cenários de cotações a partir das quais os bancos entrariam em situação de falência técnica.

É do domínio da mais risível implausibilidade imaginar que, em 2008, sob o espectro da falência, o BES e todas as empresas do grupo não tenham sido submetidas a um excepcional e exigentíssimo exame contabilístico. Em contrapartida se, por absurdo, Ricardo Salgado não tiver realizado esta verificação, isto seria razão – mais do que suficiente – para o declarar como o mais irresponsável e incompetente banqueiro português e a ser banido pelo Banco de Portugal, para o resto da vida, de exercer qualquer cargo num banco português.

Mas regressemos a Poirot e à sua pergunta chave: “qual o motivo?”. Que teria o contabilista a ganhar se escondesse à administração do grupo BES a verdadeira situação do grupo? Todos conhecemos casos de contabilistas que “embelezaram” as contas para se apropriarem indevidamente de dinheiro. Neste caso, o contabilista não é acusado de desviar um único euro. Não se descortina nenhum motivo que poderia ter levado o contabilista a agir isoladamente, porque não teria nenhum ganho significativo com isso.

Em contrapartida, o que teria Ricardo Salgado a ganhar de esconder a verdadeira situação do grupo? Tudo. Manteria o beneplácito dos accionistas do GES; manteria a supremacia dentro da família (verificamos como tem sido duramente contestada); ganharia muito mais exibindo lucros em vez de prejuízos; manteria clientes do BES, entre outros benefícios. Repare-se no que o grupo foi agora obrigado a fazer, inclusive perder o controlo do BES, para se perceber o gigantismo da motivação do banqueiro.

De tudo isto podemos concluir que a probabilidade de o contabilista estar a dizer a verdade é mil vezes superior à de o mesmo se passar com o banqueiro.

É preciso ser totalmente destituído de “celulazinhas cinzentas”, ou, em alternativa, ser patologicamente ingénuo para acreditar na mais do que inverosímil versão de Ricardo Salgado.

Para além de tudo isto, devemos lembrar que em inúmeros casos de corrupção que têm vindo a lume, tivemos quase sempre o envolvimento do BES, para além de um esquecimento de Ricardo Salgado de declarar rendimentos ao fisco, “distracção” que foi alvo de uma benevolência surpreendente.

  Pedro Braz Teixeira, nvestigador do Nova Finance Center, Nova School of Business and Economics.


Portugal tem um grupo alargado de finórios e Ricardo Salgado é um dos seus líderes. Já caiu mas ainda mantém a aura de banqueiro dos deuses. Estes devem estar loucos...


ADITAMENTO- Descubra as diferenças...

Isaltino Morais foi condenado em pena de dois anos de prisão  pela prática dos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Tinha uns dinheiros esquecidos na Suíça...e de nada lhe valeu pagar o montante de imposto devido.

Ricardo Salgado nunca foi condenado por nada, apesar de ser suspeito de várias coisas.
Tinha uns dinheirões esquecidos na Suíça...mas valeu-lhe o pagamento do imposto devido, por obra e graça dos  RERTS.

Isaltino saiu hoje da cadeia, com uma saca plástica de pertences. Ricardo Salgado anda por aí, em liberdade, sem fotos públicas.





11 comentários:

Floribundus disse...

a promiscuidade entre os poderes económico e político está bem à vista no rectângulo social-fascista

verdadeira 'ilha da Utopia'

no sentido contrário ao do Santo Thomas More 'suprimido' pelo rei do reino dos vivos

o mar continua salgado

zazie disse...

ehehehe

Há coisas que só se podem fazer se for em grande.

zazie disse...

Um banqueiro socialista é outra loiça

ehehehehe

hajapachorra disse...

Pois, mas o salgado está que nem um chino e o isaltino saiu esbelto e quase remoçado.

josé disse...

Conclusão lógica:

o Salgado anda a mesmo a precisar de uma cura de emagrecimento do mesmo género...

Kaiser Soze disse...

o BES Angola perdeu 5.000 e tal milhões de Euros.
Não perdeu no sentido de não os recuperar por motivos múltiplos...perdeu no verdadeiro sentido da coisa: não sabe onde estão.

Isto é a coisa mais espantosa que já ouvi!

josé disse...

Nem o BPN tinha tamanho buraco, nem Oliveira e Costa tanta lata.

Por outro lado este Salgado é um protegido do sistema.

Passos Coelho ganhou pontos ao não lhe dar a mão do Estado para mais outro escândalo.

Se fosse Sócrates tê-lo-ia feito com certeza. E o Pinho viria garantir que havia risco sistémico...

JPRibeiro disse...

Nesta história de gangsters o mais incrível é que nos queiram fazer acreditar que havia um e apenas um malandro, quando é toda uma cultura de gestão que está em causa. Se a pobre hidra tem 7 cabeças, quantas centenas de cabeças terá o grupo BES?
Não se pedem demissões, pedem-se prisões.

Ricciardi disse...

Apesar de tudo não consta que RS tenha ganho dinheiro para o qual não tenha investimentos/salário/divendos para o efeito.
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Ao contrario do famoso autarca que, além do salario de presidente de camara, não se conhece actividade empresarial que justifique a riqueza acumulada.
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O que realmente é preocupante não é o facto de haver 'massas soltas' do BES, mas sim o facto de haver entidades que têm por missão auditar contas que parece fecharem os olhinhos a alguns clientes.
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Quanto ao facto de o governo não ter suportado pedido de RS tem mais a ver com a debilidade financeira do país do que com uma verdadeira intenção ética. Se, eventualmente, o banco entrar em incumprimento (que não vai entrar) ou se Passos tivesse informações que isso poderia acontecer, lá estaria o governo a ter que cortar mais salários e pensões para segurar o banco. To big to fail.
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Rb

Ricciardi disse...

Já se sabe, qualquer empresa ou banco pode cometer irregularidades, fraudes e erros.
Pensar o contrario é puritanismo.
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O que é realmente grave, e um verdadeiro atentado ao sistema, é que as empresas que tem por missão fiscalizar e/ou auditar não o façam.
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São estas instituição que deviam dar segurança ao sistema. O capitalismo assenta nessa prerrogativa. Neste momento não tenho confiança nessas entidades de controlo.
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Incomoda-me mais do que haver delitos em bancos, o facto de nem se falar das auditoras.
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Isto significa que todas as instituições podem ter contas maradas... mas devidamente auditadas.
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Rb

José disse...

A similitude dos casos tem apenas a ver com dinheiros na Suíça, não declarados ao fisco. Não tem a ver com o modo como foram ganhos.