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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Um MES dos pobrezinhos

Económico:

Depois de abandonar o Bloco de Esquerda por discordâncias com o partido, Ana Drago junta-se a Daniel Oliveira na Associação Fórum Manifesto, no seguimento da corrente fundadora Política XXI do BE de que faziam parte. O primeiro evento é já na quarta-feira e tem como mote o "momento de urgência" que o país vive.

Dizem os promotores, num comunicado enviado às redacções, que esse momento "exige a construção de um programa que impeça o desmantelamento do Estado Social e de uma plataforma política disposta a participar na governação".

Além de Ana Drago e Daniel Oliveira, estarão no evento da Casa da Imprensa, às 18h, Filipa Vala, bióloga, José Reis, professor universitário em Coimbra e participante no Congresso Democrático das Alternativas, e Ricardo Paes Mamede, professor universitário em Lisboa e promotor do Manifesto 3D.


Estas duas figuras do antigo BE querem tacho político em modo governativo. Cheiram o poder de ilusão que se irá criar novamente no país nos meses que virão e acalentam esperança de um ministério da Coltura ou coisa que o valha.  Como ainda não valem nada eleitoralmente, ninguém lhes vai dar nada politicamente. É a vida.

19 comentários:

Pedro Lopes disse...


O Paineleiro e paneleiro ainda vai salvar o pais da bancarrota.

Quer transformar este quintal num paraíso gay-friedly e atribuir vistos Gold ao Helton John e outros que peguem de marcha a ré.



Rui disse...

José,
Acha que os que refere são piores do que as alternativas? Porquê?

É porque a mim face às alternativas até me parecem ser relativamente sérios e coerentes face às alternativas que se antevêm, mas admito estar enganado, não seria a primeira vez e provavelmente não será a última.

Anibal Duarte Corrécio disse...

Arrogância e mais arrogância.

Representam-se a si próprios e valem em termos de mercado eleitoral zero.

Em matéria de ideias melhor seria dedicarem-se às telenovelas.

Só parra, nenhuma uva.

josé disse...

Acha que não temos que pagar o que Sócrates e sus comparsas dos BES, Motas Engis e tutti quanti conseguiram sacar, em nome do quem governaram?

Não acho que sejam piores do que as alternativas se forem obrigados a pagar o que devemos.

Mas a retórica que usam não é essa.

Rui disse...


Dentro das alternativoas políticas previsíveis o único que me parece defender o pagamento da dívida a todo o custo é o atual primeiro ministro Passo Coelho. Mesmo o Portas não tenho propriamente a certeza da sua posição política quanto a esta matéria se é que a tem.

Por acaso gostei da atitude de firmeza do Passos em relação ao caso BES.
Fora isso e tendo em conta os anos a que já lá está não sei se terá grande mérito. Do meu ponto de vista foram tomadas medidas algumas medidas completamente estúpidas e contra o interesse nacional mas admito que me possam ter passado despercebidas outras com maior mérito.


Por acaso das reformas mais importantes para o país seria a da justiça e neste campo o governo parece ter implementado algumas reformulações importantes dos códigos. Aí o José saberá melhor que eu se foram no bom sentido ou nem por isso.

Em relação à sua pergunta. Penso que não. Do meu ponto de vista um político capaz e que realmente defenda os interesses pátrios terá de ser alguém capaz de renegociar a nossa dívida e baixar o valor pago periodicamente com juros. A atitude demasiado passiva e de bom aluno que temos atualmente não me parece ser a que melhor defende os nossos interesses na atualidade.

José disse...

"renegociar a nossa dívida e baixar o valor pago periodicamente com juros."

Vai ser este o argumento para o PS ganhar eleições.

Parece-me errado, completamente, por um motivo:

os devedores nunca estão em posição de renegociar , a não ser que ameacem não pagar. E se ameaçarem, os juros sobem automaticamente tornando inútil o primeiro esforço.

José disse...

Salazar,em 1926 não fez isso e em pouco tempo equilibrou as contas: cortou onde tinha de cortar e por isso a ditadura se tornou essencial.

Rui disse...

"os devedores nunca estão em posição de renegociar , a não ser que ameacem não pagar. E se ameaçarem, os juros sobem automaticamente tornando inútil o primeiro esforço."

Fosse a política assim tão simples :) é preciso saber fazer as coisas, disso não há dúvida.

Penso que qualquer pessoa com um melhor conhecimento do que eu de política internacional será capaz de explicar melhor que eu que a realidade não é, nem de perto, assim tão linear. E neste ponto não tenhamos dúvidas, o que interessa é a Política com P grande, a não ser que nos tornemos produtores de petróleo.

Mas quem lê os livros de Franco Nogueira, como o que recomendou num dos posts anteriores, certamente que tem a perceção de qua a política internacional não se molda nesses termos tão simplistas.

José disse...

Portugal fazer Grande Política?

Fez. Uma vez: com Salazar. E nunca mais.

José disse...

Nós dependemos totalmente do estrangeiro. Literal e politicamente.

José disse...

E vai ser o Costa do castelo, o filho da Palla que agora vai ao estrangeiro falar grosso para com os nossos credores?

Um pindérico intelectual que ainda no outro dia confessou na Quadratura que leu em Jacques Julliard uma ideia qualquer que agora já nem quer ter...

Rui disse...

Desde D. Afonso Henriques, a bula papal, o Tratado de tordesilhas que andamos a fazer grande política. Acredito que Salazar não foi nem de perto o primeiro nem há de ser o último.

Felizmente o que não falta em Portugal são pessoas competentes, cultas e com pouca ocupação profissional.

"Nós dependemos totalmente do estrangeiro. Literal e politicamente"
Como quase todos os pequenos países sem recursos naturais. Mas na Suíça ou no Luxemburgo vive-se
melhor do que por cá...

Rui disse...

Infelizmente as referências "filho da Palla" e "Jacques Julliard" não conheço. Mas por outro lado se o Passos Coelho falasse todas as semanas na TV imagino que as bacoradas seriam muito maiores e mais numerosas. Mas sinceramente para mim isso até é meio indiferente. Interessam-me mais os resultados e a verdade é que o Passos+Portas não conseguiu mais do que agradar aos credores estrangeiros e manter a estabilidade governativa. Basta olhar para os números da emigração para constatar que nem de perto o país vai no bom caminho. E se houve quem teve um contexto favorável para mudar algo a sério no país foi esta coligação.

Não me parece que ir ao "estrangeiro falar grosso com os nossos credores seja propriamente a melhor estratégia". Da leitura desse mesmo livro vê-se que esse tom raramente era adotado por Salazar com as potências estrangeiras e a verdade é que ele sabia o que fazia.

José disse...

O Costa é filho da Maria Antónia Palla uma jornalista que se diz "de esquerda" desde sempre e trabalhou no jornalismo esquedizante deste os anos sessenta.
Pode ver aqui

Quanto ao Jacques Julliard é um escritor e cronista de esquerda da revista Marianne.

José disse...

Há quarenta anos que andamos a fazer política caseira e má.

É isso que nos importa porque da política dos antepassados nem sequer a ensinam nas escolas.

É ver como tratam o período Salazarista.

mujahedin مجاهدين disse...

Rui,

não se iluda. A dívida tem de ser paga.

Salazar, que fazia política com "P" grande, como diz, foi exactamente a primeira coisa que fez. Não renegociou, não vociferou, nada.

Tratou foi imediatamente de a estancar - "à bruta", que é a única maneira. Pôs, de um ano para o outro, o Estado a gastar menos que recebia.

Repito: não se iluda. Os nossos credores não são flor que se cheire. E encalacram isto enquanto o diabo esfrega um olho. E não têm escrúpulos nenhuns. Os "mercados" são tudo menos abstractos. São pessoas bem reais, com poder bem real e com recursos tais à sua disposição que nem as grandes potências são capazes, por vezes, de se lhes opor.

É por isso que essa gente que V. refere, na melhor das hipóteses, não sabe o que diz nem o que faz. Ladram, ladram, mas em lá estando faziam o que fazem todos porque não têm alternativa. Aliás, se reparar, a única coisa que conseguem é fazer-nos subir os juros. Tudo quanto dizem e fazem se resume nisto: aumentar e perpetuar a dívida.

E a seguir vai-se ver de onde lhes vem o cacau para para os manifestos e causas fracturantes, etc... e não andamos muito longe da "finança internacional" - outro nome para "os mercados". Dantes chamavam-se "especuladores". Não sei se eles sabem - provavelmente nem quererão saber - mas é irrelevante.

A Mim Me Parece disse...

Caro José, em 1926, como em 1927, Salazar deu aulas em Coimbra. Só a muito custo e com o empenho de Duarte Pacheco e aconselhamento de um alto dignatário do Vaticano que na altura se encontrava em Coimbra aboletado no Convento dos Grilos, aceitou em 1928 vir para Lisboa para ser Ministro da Fazenda na condição de "ditar" os orçamentos de todos os Ministérios.

A Mim Me Parece disse...

Se me recordo bem esta passagem do livro de Franco Nogueira esse tal delegado papal ter-lhe-á dito qualquer coisa do género: « António, hoje vais meditar. Peço-te que amanhã me coadjuves na missa que vou celebrar às 07:00 horas e que nela tomes a comunhão. Depois resolves o que achares que é tua obrigação fazeres pelo teu País». E terá sido assim que Salazar resolveu finalmente ir para Lisboa, segundo Franco Nogueira.

José** disse...

"Tristezas não pagam dívidas"
AOS

O clerigo em questão era o padre Mateo Crawley.
https://www.google.fr/search?q=ordem+imaculada+conceicao+salazar+coimbra&ie=UTF-8&oe=UTF-8&hl=fr&client=safari#hl=fr&q=mateo+crawley+salazar