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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

José Sócrates: olhàs fresquinhas, fregueses!



José Sócrates já não se livra doutra. A Cofina pegou-lhe de cernelha outra vez e não vai largar, segundo a notícia de hoje do CM: "Dinheiro suspeito na casa de Paris" é a manchete que não deixa lugar a dúvidas sobre uma investigação criminal visando directamente aquele.
Os factos? O primo "gordo" teria sido apanhado no "monte branco" em movimentações suspeitas de capitais, "vários milhões de euros", e tem triangulação no empresário amigo de infância do político.

Quanto a factos, temos esse: está confirmado que há uma investigação autónoma em sede de inquérito, como diz o jornal, visando aquelas três pessoas? Está confirmado que José Paulo, o primo "gordo" é suspeito nesse processo do "monte branco" de ter movimentado milhões através da rede de lavagem de Francisco Canas, "Zé das medalhas"?
Estes dois factos são dados como assentes pelo CM. Só com confirmação será possível dizer que são factos jornalísticos.
Presumindo que os jornalistas ( Eduardo Dâmaso e Pedro H. Gonçalves, que são jornalistas com credendiais seguras) seguiram as regras da profissão, eventualmente confirmando através de várias fontes, assentemos no que vem a seguir: as suspeitas sobre José Sócrates. São simples e estão enunciadas na manchete: José Sócrates pode ser o verdadeiro proprietário do apartamento de Paris onde esteve alojado aquando da estadia breve nas Sciences Po e que lhe permitiu  assinar um livro sobre a tortura, aliás bem feito.
" As suspeitas dos investigadores apontam para José Sócrates como proprietário do imóvel, mas esse não é um facto confirmado", escreve o jornal.

Pois...então o melhor será confirmar com factos, mesmo indirectos e sujeitos a prova desse tipo.  O jornalismo tem que o saber fazer. A investigação jornalística destes factos não contende com a investigação criminal.
José Sócrates vai espernear mediaticamente com isto e jogar com o impacto das suspeitas levantadas, adiantando mais outra "canalhice". É pena que o faça, porque já o escrevi antes: ele mesmo poderia terminar com estas "canalhices", facilmente.

Porque é que existem suspeitas de que José Sócrates pode ser o real proprietário do apartamento?  Por um entre outros motivos: José Sócrates fez "caixinha" com o assunto. Não explicou como vivia em Paris e foi preciso o jornalismo de investigação descobrir. Não explicou em que apartamento vivia e nem foi possível ao jornalismo de investigação descobrir ao certo porque nem lá conseguiu entrar, no hall. Não explicou como aplicou os 100 mil euros de empréstimo que a CGD lhe deu, em condições desconhecidas. Segundo o jornal, foi preciso pedir tais coisas em tribunal e ainda assim José Sócrates recusou mostrar documentação para não comprometer a "privacidade". Sagrada privacidade que lhe dá tantos incómodos e permite estas suspeitas, torna-se por si mesmo suspeita.

De quem é a culpa deste clamor mediático à sua volta? De si mesmo, José Sócrates que só se limita a insultar quem lhe aponta o dedo, baseado nesses factos e nada esclarece para pôr um ponto final no assunto e lhe seria muito fácil fazê-lo. Porque não o faz?
José Sócrates prefere ir para os tribunais, com queixas-crime e acções cíveis, valendo-se das regras processuais que julga lhe serão favoráveis, a explicar publicamente as muitas dúvidas levantadas legitimamente pelos media que não lhe são afectos.

Torna-se um facto, do que se conhece, que José Sócrates enquanto primeiro-ministro tentou apoderar-se desses media por várias formas e tal  resulta de depoimentos de pessoas que já o declararam em entrevistas ( e que o mesmo não accionou nem civel nem criminalmente) . Isso para não falar das escutas do Face Oculta que revelam o que revelam a quem quiser dar atenção e que apesar de não poderem ser usadas em tribunal podem ser lidas porque foram publicadas em parte e existem, transcritas de documentos oficiais.
Ora tal facto que foi considerado por vários magistrados um crime de atentado ao Estado de Direito foi obnubilado após a violação de segredo de justiça ocorrida eventualmente em 24 de Junho de 2009 e cuja autoria não foi devidamente investigada por quem tinha o dever de o fazer, também eventualmente por tal se revelar quase impossível. Ponderou-se assim a oportunidade subjectiva e perdeu-se uma oportunidade única de fazer valer o Estado de Direito e o princípio da igualdade de todos perante a lei.

 Portanto, regressando a Paris: como se pode descobrir que um apartamento é realmente de uma pessoa que não tem a titularidade do mesmo? Juridicamente não pode e é nesse formalismo atávico a que se agarram os espertos que fogem a credores ou os criminosos impedidos de revelar o património. E que fazem estes indivíduos? Arranjam testas de ferro para ocultarem o património. Pessoas de inteira confiança e que ficam agarradas ao verdadeiro dominus por laços de fidelidade intangível. Quem são os testas de ferro, habitualmente? Pessoas frágeis e manipuláveis. Como se pode assegurar a fidelidade de um testa de ferro e como assegurar o usufruto permanente do dominus? Não há regras fixas a não ser a da confiança. No fim, se esta falhar, perde-se tudo.
A não ser que haja um instrumento jurídico escondido algures e que seja a garantia de tudo.
O caso de Jordi Pujol, citado pelo jornalista, é desse género.

José Sócrates tem a ver com isto e com esta  opacidade? É isso que se espera seja esclarecido de uma vez por todas, mesmo com todas as garantias de defesa do suspeito, porque o é e não aditanta fazer de conta que não.
José Sócrates chegou ao fim da linha na confiança. Ou demonstra, sem margem para dúvida, a falsidade de todas estas suspeitas e "canalhices" ( recado ao seu partido) e tal não é inverter qualquer ónus de prova porque não estamos em tribunal para tal; ou se perde na confusão e na irrelevância da argumentação formal em que tudo fica na mesma. E não vão ser os processos judiciais que vão parar a máquina mediática ou as suspeitas legítimas de muita gente.

José Sócrate, desta vez, não tem saída.A não ser a da política. Sair da política, quero dizer.

5 comentários:

Anibal Duarte Corrécio disse...

Andou tudo a fazer dinheiro à custa do mexilhão.

40 anos de tráfico de influências, corrupção e compadrio, uma classe politica e uma parte da classe empresarial totalmente desacreditadas.

Só os sociais fascistas esfregam a ideologia de contentes.

Pior que um apeneleirado não assumido é um apaneleirado corrupto e que brincou com as finanças do País.

Numa outra democracia a casa onde nasceu e foi criado Salazar nunca estaria à venda.

mujahedin مجاهدين disse...

Ora, eu cá vou por S. Tomé: ver para crer. Quando o vir engaiolado, creio.

De resto, tem piada a coluna de opinião do E. Dâmaso. Fala em papagaios mediáticos, o que é irónico vindo de um jornalista, porque hoje e dia - e já não é só de hoje - uma e outra são pela maior parte sinónimos.

E que "legalidade revolucionária" é essa tal do PND? Isso não era aquele partido do Manuel Monteiro?
É o fantasma do faxismo a insinuar-se (a ser insinuado)?

mujahedin مجاهدين disse...

Creio, digo, que o engaiolam.

Não o presumo inocente. Aliás, presumo-o bem culpado. Sou faxista e por isso posso dar-me a estes luxos... que ainda assim não custam 3 milhões ao contribuinte ahahah

josé disse...

A casa de Salazar de que fala o Aníbal não era dele. Era a do Estado e que herdou do regime anterior, segundo penso.
Depois do atentado de que foi vítima por banda da formiga branca jacobina e anarca, mudou para S. Bento.

Porém, estas residências oficiais nada têm a ver com a sua casa humilde no Vimieiro de Santa Comba Dão. Essa está em ruínas e ninguém a quer arranjar.

É tabu.

Anibal Duarte Corrécio disse...

Obrigado pelo esclarecimento, José. Sem o querer, escapou-me a mão para a falsidade (estas coisas do inconsciente...).