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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Poder local: os fala-barato que nos saem caro

No jornal i de hoje aparece em destaque a notícia de que quatro autarquias do país estão sem dinheiro para pagar salários aos seus funcionários porqu estão simplesmente falidas, em bancarrota.

Uma delas, Vila Nova de Poiares teve durante 40 anos um presidente que é um fala-barato que vai aos programas de tv da Campos Ferreira ( Prós&Contras) debitar tiradas de demagogia muito aplaudidas na hora.
Sabe-se agora que Jaime Marta Soares deixou um legado, nas últimas autárquicas, de pelo menos 16 milhões de euros.

Em entrevista descarta qualquer responsabilidade justificando assim o descalabro evidente e a bancarrota notória:

Este tipo de autarcas justifica sempre tudo com a necessidade das obras para o "desenvolvimento local e a qualidade de vida dos cidadãos", sem se preocupar demasiado em saber quem pagará realmente as contas mal feitas e a gestão do "gaste-se que alguém há-de pagar".  Um gestão de irresponsabilidade financeira que fatalmente redunda em bancarrota.
Atenta esta mentalidade, muito espalhada pelo país autárquico, não admira que este "autarca-modelo" sinta que "não tenho nenhuma responsabilidade na actual situação". Claro que a responsabilidade é colectiva, do governo autárquico a que o mesmo presidiu. Porém, um presidente de Câmara tem que ter juízo, senso e capacidade em orientar os destinos de uma população local de modo a não os conduzir à falência por despesismo insensato. Marta Soares não teve.

Em 1971, Portugal vivia um regime de apertado controlo orçamental das despesas públicas, incluindo as das autarquias locais, ainda sem poder autónomo para gastar em barda e à farta e permitir que quem o fizesse viesse depois dizer que não se sentia responsável.
Por isso mesmo, em 6 de Março de 1971 o Século Ilustrado trazia uma reportagem sobre as 3600 povoações ainda sem electricidade.


O dinheiro que escasseava para estas infra-estruturas fundamentais viria mais tarde, certamente, mas com peso, conta e medida e segundo as disponibilidades financeiras do país, como acontecera com as grandes urbes.
Em 29 de Junho de 1974 a revista brasileira Manchete dava uma imagem aérea do país do Norte, em fotos que vale a pena mostrar.







Quem compara o Portugal de 1971 com o de agora, evidentemente nota as diferenças recultantes desse Poder Local e das melhorias urbanístias, de infra-estruturas, arquitectónicas etc que ao longo das últimas décadas foram introduzidas.
Mas...a que custo e com que custos para todos? Mais: com que critérios estéticos que aparentemente foram metidos a mascoto em vilas do Alentejo e lugarejos de Trás-os-Montes, sem esquecer o Algarve turístico, onde abundam as bolas delimitadoras nos passeios e as baías e lajedos uniformizados pelo Polis e quejandos?
Ao longo das últimas décadas,  Portugal modernizou-se ou simplesmente copiou modernismo parolos lá de fora, nem se sabe de onde, tipo Estação do Oriente, onde chove e faz frio no Inverno e no Verão se torra ao calor?

10 comentários:

zazie disse...

Eu ainda conheci Vila-Nova de Milfontes sem electricidade.

Não ia para lá ninguém. Apenas nós e uns alemães.

Andava-se de burro por uma terra limpinha e linda de morrer.

Floribundus disse...

tinha 26 aqnos quando a electricidade chegou a casa de minha Mãe me viviam perto de 2 barragens Nisa e Ocresa

a aldeia duns primos a 9km da nossa tinha electricidade desde 1950

as barragens hidroelectricas são uma pesada herança do fascismo

acrescentaram 2 no tejo : Fratel e Belver

da I rep herdei um candeeiro de cobre de 3 bicos que funcionava a azeite

o telefone chegou nem 1952

o telemóvel chegou pelo ano 2000 quando já o dispensava
a culpa de não ter chegado mais cedo é do fascismo sem falência da camaras que esbanjam o dinheiro dos contribuintes

por minha vontade não recebiam um 'tusto' nos próximos 10 anos

deviam fazer uns concertos com xico fininho e tordo para angariar dinheiro

PQP

Dudu disse...

Há poucos tempo o anterior presidente da câmara de Benavente viu-se em dificuldades de tesouraria e teve de pedir um empréstimo bancário por conta da contribuição autárquica que haveria de receber no final do ano. Questionado pelo repórter da rádio local, justificou que tinha andado a elaborar o orçamento anual com base nas receitas que esperava obter com as licenças de construção imobiliária; e, como tinha havido um "arrefecimento" no sector ...

joserui disse...

Melhorias arquitectónicas? Nem pensar nisso caro José… casos pontuais e excepções que confirmam a regra do pato-bravismo e do puro e simples mau gosto.
Temos dos melhores arquitectos do Mundo e é olhar para a paisagem… algo correu muito mal…
As cidades mais agradáveis, resistiram em boa parte a essa praga "urbanística" (que muitas vezes é tão só e apenas corrupção), como Ponte de Lima (que por coincidência tem boas contas!), Évora, Óbidos, Valença… -- JRF

Floribundus disse...

perto de Gavião deve ainda existir uma aldeia 'Degracia' provavelmente 'de Garcia'

essa e outra do concelho em total abandono mostram um rectângulo que nunca mais existirá

vieram os bandos de autarcas de várias cores e estragaram a paisagem por falta de bom gosto

basta aterrar na Portela de Sacavém para ver a arquitectura do 25.iv naquele bairro fronteiro

cada trabalhador do sector privado anda há 40 anos a trabalhar para aquecer

e enriquecer os 'barões da caliça'

Aladdin Sane disse...

Suponho que já tenham ouvido falar disto: http://malomil.blogspot.nl/2013/08/monumento-raca-poiarense.html

A "coutada" de JMS é uma das vilas mais feias e urbanisticamente mal planeadas que já vi.

Floribundus disse...

Alguém disse que o rectângulo surgiu

'por erro civilizacional num local destinado a uma pastagem'

os parolos deslumbrados com o poder desconhecem que tudo o que se faz ou deixa de se fazer tem custos humanos e sociais

no post anterior ninguém referiu o povo Rom (vulgo ciganos)

leio diariamente que os bivalves acumularam neurotoxinas

há 6 anos ofereci um trabalho de 50 pg ao Min da saúde
sobre as toxinas que acumulamos em nossas casas

continuo a aguardar resposta

por isso gosto de ouvir o elogio feito a quem manda na introdução a
'tonga da mironga'
feita pelo 'viniculus'

Amélia Saavedra disse...

Caro Floribundus conte-nos lá... que toxinas são essas?

Devem passar pelos detergentes para limpeza, produtos sintécticos - tecidos, plásticos, tintas - e a própria localização da casa assim como a sua limpeza...é qualquer coisa deste género?

lusitânea disse...

308 Dachas espalhadas por aí sempre bem governadas porque era tudo "olhos nos olhos" ah ah ah...

Lura do Grilo disse...

Aveiro ainda paga o novo-riquismo dos estádios do Euro. O presidente de então: pois, excelente em ricos cargos!