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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Basicamente o diagnóstico da nossa doença é este

Rui Rio ao Económico:

"Chegámos aqui porque cometemos muitos erros - que se vão repetir na primeira oportunidade. Há erros inadmissíveis, que não podemos repetir: temos 40 anos de regime e 40 défices públicos - 40 parcelas de uma soma que se chama dívida pública. Um país que tem sempre défices, não tem amortecedor orçamental para aguentar uma crise económica." A somar a isto "temos a desorçamentação; isto não é suportável", disse.

"O segundo grande erro é o endividamento externo. Tivemos 10 anos seguidos" de acumulação do problema, afirmou Rio. "Mas há um terceiro erro gravíssimo que cometemos: termos dado direitos que se diziam adquiridos, que se sabiam insustentáveis a prazo; coisa particularmente notória na Segurança Social".

Finalmente, um outro aspecto é a qualidade da despesa pública, que não é monitorizada em termos da sua eficácia e benefício.

Para resolver o problema, "não há outra hipótese senão ter orçamentos com superavit. E, para isso, o rácio da dívida sobre o PIB é o objectivo primário. Paralelamente, disse, a única via é o crescimento económico. Mas isso recordou é o papel das empresas; o do Governo "é identificar factores facilitadores do investimento e das exportações" - duas áreas essenciais para o crescimento.

"Estabilidade política" é, nesse quadro, "fundamental; neste momento - a partir de Janeiros ou Fevereiro de 2015, o Governo" perde estabilidade. Estabilidade, a somar a coerência, na governação é outra medida fundamental.

Rio recordou ainda uma série de outros factores que têm a ver com a recuperação do país - mais ainda: da reputação nacional "que está num dos pontos mais baixos", salientou - nas áreas da justiça, educação, fiscalidade e legislação.

"Acordos de governação de médio e longo prazo - como o do PS no IRS - e acordos políticos para a governação", são, na óptica de Rui Rio, a matéria que deve enformar toda esta ‘cascata' de ‘obrigações'.

"Em 1974 caiu um regime que estava poder. O actual regime já fez 40 anos, achamos que ele é eterno, mas não é. Se todos os regimes políticos tiveram um fim, este também tem. Nada do que disse tem importância, se a sociedade não arranjar formas de revitalizar o regime, sob pena de a democracia desaparecer - cada vez mais o poder de decisão sairá da política para outros agentes. Chamamos democracia a isto só porque há eleições, mas estamos a eleger actores que não são mais que isso". Afirmou para concluir
.

Resta dizer que Rui Rio é um economista cuja cultura "num chega" para se poder dizer que algum dia será o estadista de que Portugal precisa. Rui Rio é apenas um contabilista que agora precisamos, numa emergência. Nos anos 20 tivemos um que além disso era um compêndio de sabedoria adequada àquela época e por isso  tivemos um Estado Novo que nem sequer mete inveja aos saloios que adoram a "democracia" das mafias a mandar.
Rui Rio é o estadista exíguo que nos sairá na rifa? Se for, as ideias que professa sobre justiça e educação deixam-me as maiores dúvidas. Mas está sempre a tempo de as explicar melhor. Por outro lado nota-se-lhe uma irreprimível tendência para o autoritarismo insuportável o que é handicap de monta nos tempos que correm. Conseguirá passar outra ideia? 
Estamos quilhados, como dizem os de Braga.

4 comentários:

Floribundus disse...

o meu rio predilecto é o Tejo; não desejo outro

parece-me Estado Novo requentado.

os tempos são outros. novas tecnologias.
os economistas já provaram que 'num' servem

temos absoluta necessidade de criar riqueza nos vários sectores alguns dos quais com aspecto desolador

importam-se trabalhadores

gasta-se dinheiro em psicólogos, sociólogos, politólogos e outros ólogos

em vez de investir em ciência e tecnologia

acabem com importações inúteis sem ser por decreto

sobretudo corram a cacete a mafia poltico-financeira e com o polvo do MONSTRO e dos sindicatos sociais-fascistas

Zephyrus disse...

Há muitos anos, numa palestra qualquer no Porto, ouvi o Dr. Rui Rio falar sobre o défice. E defendeu que o país deveria ter excedentes orçamentais em período de crescimento para compensar défices em época de crise. Lançou ainda farpas ao Estádios do Euro ou à política de habitação: o Porto perdeu mais de 100 mil habitantes nas últimas décadas, devido à ausência de Ordenamento.

Estávamos num período de bacanal despesista. Jornalistas, «economistas», formadores de opinião em coro a defender a despesa pública.

Parece-me um homem coerente.

Zephyrus disse...

A Instrução Pública não terá futuro enquanto pequenos pormenores que corroem as contas públicas não tiverem solução.

O Estado gasta milhões que não tem todos os anos para pagar os manuais escolares a alunos com apoio escolar. É uma grande PPP que engorda as contas das editoras. Estudei na antiga Telescola: os livros vinham da Imprensa Nacional, era muito baratos, com imagens a preto e branco, mas com um conteúdo que não tem paralelo nos manuais actuais. Ter estudado na Telescola não me impediu de ingressar no Superior com média de exames nacionais e interna superior a 18. Parece que o juiz Carlos Alexandre também foi aluno da Telescola...

Além de gastar milhões em manuais caríssimos, o Estado paga colégios com contrato de associação em zonas onde existem escolas públicas com condições receber aqueles alunos. Isto num país com um dos índices de fertilidade mais baixos do mundo. E haverá algum problema se os alunos de uma vila ou cidade percorrerem de autocarro 20 ou 30 km para uma Secundária? No Algarve, os alunos de Martinlongo percorrem mais de 60 km até à Secundária de VRSA. Há casos idênticos por todo o interior.

Temos então o problema dos livros escolares ou dos colégios com contrato de associação. E por falar em colégios, continua a pouca vergonha das médias internas «compradas» no Ensino privado, para facilitar o acesso a cursos como Medicina ou Arquitectura. Solução? Acesso ao Superior apenas com notas de exames de admissão, para alunos com aproveitamento no Ensino Secundário. E exames feitos em escola pública. A Esquerda ficaria com os cabelos em pé, a Associação de Pais nem se fala...

Nos anos dourados do guterrismo em muitas regiões de Portugal cada freguesia quis a sua Escola Básica, com ensino até ao nono ano. Foram contruídas inúmeras escolas em locais onde existiam Telescolas, que funcionavam, como se sabe, em escolas de Ensino Primário. O resultado? Há regiões com um parque escolar excessivo. Exemplos? Compare-se o concelho de Tavira com o Baixo Guadiana.

Tavira: concelho com ~26 mil hab. e ~700 km2. Tem uma Escola Secundária e um Escola Básica.

Baixo Guadiana (Alcoutim, Castro Marim e VRSA): região com ~26 mil hab. e 800 km2. Tem uma Escola Secundária e seis, repito, seis Escolas Básicas.

Temos então um Ministério que não consegue organizar o parque escolar, criar um sistema justo de acesso ao Superior e poupar.

Terá competência para resolver os grandes problemas da Instrução: elevado abandono escolar, um Superior que não consegue competir com o resto da Europa, elevadas taxas de reprovação e abandono no Superior, ausência de uma rede nacional de Ensino Técnico com qualidade...

Ficam aqui algumas ideias para reflexão. E disto as Marias de Lurdes e os Cratos da vida não falam.

Carlos disse...

"...da prática, vêem as ideias justas" Mao-Tsé-Tung.

Gostava, por isso, ouvir Rui Rio, falar do negócio das torres do Aleixo.