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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

As amplas ideias do PCP: social-fascismo

Leia-se este pequeno texto tirado ao Avante  do PCP:

"Em texto divulgado anteontem, que abaixo reproduzimos na íntegra, o PCP condena o golpe de Estado na Ucrânia e solidariza-se com os trabalhadores, o povo, o Partido Comunista da Ucrânia e os seus militantes.
«Perante a recente e dramática evolução da situação na Ucrânia, o PCP expressa a sua condenação pelo autêntico golpe de Estado levado a cabo pelos sectores mais reaccionários da oligarquia ucraniana com o apoio do imperialismo, após meses de desestabilização e de escalada de violência, desencadeadas com o anúncio da suspensão da assinatura do acordo de associação com a União Europeia, em Novembro passado.

«Os acontecimentos evidenciam a instrumentalização por parte das potências imperialistas da NATO – concertadas com as classes dominantes na Ucrânia – do profundo descontentamento acumulado entre os trabalhadores e amplas camadas da população, resultante do desastre social e económico da restauração do capitalismo na Ucrânia nas últimas duas décadas."

Agora lei-se este pequeno artigo e vejam-se as fotos tiradas da Visão de hoje:



O PCP nunca muda. Jamais mudou, desde 1974. Continua um partido fossilizado em ideias criminosas segundo padrões ocidentais e democráticos e que eles mesmo diziam combater no tempo do Estado Novo. São contra a Liberdade, em nome de uma opressão a que chamam precisamente isso, com um "s" a mais: Liberdades. E um adjectivo: Amplas.
O PCP é um partido que se poderia dizer fascista, segundo a sus própria terminologia. Sendo comunista, será social-fascista, como lhe chamava a extrema-esquerda do MRPP, in illo tempore

Basta de realizações. Queremos promessas!

Esta frase aparece citada por António Nóvoa, antigo reitor da Universidade de Lisboa e actual consultor da Unesco no Brasil. Teria sido escrita "numa parede, no México".

Como está muito bem apanhada e lembras as frases anarcas dos anos setenta, fica aqui.

Crónica de costumes na Visão: política e negócios as usual

 




A revista Visão de hoje traz na capa um assunto que me levou a comprar: "Negócios depois da política", referindo-se a várias personagens da nossa vida pública recente e os seus negócios por esse mundo fora, com associações a angolanos, principalmente.

O artigo de sete  páginas, assinado por Miguel Carvalho,  visa Menezes, o antigo presidente de Câmara que depois de perder a dita, desta vez no Porto, decidiu mudar de vida e  deixar para trás os "16 anos de empobrecimento" ( é preciso ter lata...)  Estava disposto a continuar o sacrifício, no Porto, mas o povo não quis. Lá saberá porquê, o povo do Porto...

Menezes fez-se então à vida, depois de se empobrecer a si e à câmara de Gaia ( uma dívida de mais de 300 milhões de euros...). Contou à revista as suas misérias, nomeadamente uma casa declarada no valor de mais de meio milhão de euros, para a compra da qual contraiu um empréstimo de 165 mil euros, mais coisa menos coisa. Daria o rendimento auferido como presidente de Cãmara ( nunca superior a 3500 euros líquidos) para tal? Responda quem souber. E já agora responda também sobre um assunto não mencionado na revista: clínicas privadas. Sim, isso mesmo.

Agora, portanto, nova vida. Negócios com antigos parceiros da política, angolanos e o mais que adiante se poderá ver, se calhar.

O que a Visão conta não indicia qualquer facto obviamente ilícito. O relacionamento negocial destes parceiros pensadores com Angola é o normal: um banco angolado ( BAI) a sustentar investimentos fabulosos e sócios de alto coturno na política local, retratados na foto supra. Tudo dentro dos conformes da normalidade actual.
Então porquê a reportagem da Visão? Uma crónica de costumes, certamente. Um pouco mais sofisticada do que dantes se fazia, mas vai dar ao mesmo.
É evidente que a Visão e outros que conhecem factos não costumam comer miolo de enxergão. Esperemos então por desenvolvimentos ulteriores...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

ATENÇÃO!

Alguém entrou neste blog e pirateou-mo. É um hacker, um engraçadinho que me estragou o texto, modificando-o.

Isto é um crime, claro.

Este blog acaba aqui, da minha parte.

José

ADITAMENTO em 27 de Fevereiro 2014 às 9:09:

Aparentemente está tudo como penso que deveria estar, no blog. Mas como não alucinei ( acho) vou esperar para ver, afinal. Não acabo já...e logo se verá.

José

Os pisteiros da pedra filosofal




António Barreto, sociólogo reformado, deu uma entrevista ao Jornal de Negócios de hoje, á semelhança de muitas outras que ao longo dos anos tem dado aos media. António Barreto é um dos nossos salteadores da pedra filosofal que de há quarenta anos para cá andamos a tentar encontrar, em Portugal. Perdeu-se a velha magia que nos fez durante um pouco mais de 40 anos ser um povo mais livre do que somos agora, paradoxalmente.

António Barreto durante esses anos sessenta foi comunista, inscrito no partido mais estalinista do mundo ocidental. Não deu pelo que se passou na Hungria em 1956 e voltou a não ver os tanques de guerra soviéticos nas ruas da Checoslováquia em 1967. Pouco importa. Em 1970 lá achou que era demais e abandonou o Partido, tornando-se em mais um arrependido do comunismo.

Por causa desse antifassismo primário nunca concederá razão ao inimigo de então, procurando sempre subterfúgios para encontrar a pedra filosofal nacional nos últimos 40 anos, esquecendo outros tantos que os precederam, a não ser para vituperar a falsificação dos ingredientes alquímicos e a charlatanice dos alquimistas de então.

Portanto, agora, "Portugal pode desaparecer", como disse há uns tempos e nesta entrevista retoma o estribilho: temos mais 20 ou 30 anos de vacas magras.
Não resisto a uma pergunta: se o fassismo tivesse evoluído para uma democracia à espanhola e com o PCP liderado por um Santiago Carrilho em vez de um estalinista de trazer por casa, chamado Cunhal, que país teríamos hoje? Seria o mesmo diagnóstico miserável e o mesmo prognóstico assustador?

Não creio.

Em 1976, António Barreto era ministro do PS. Passou do PCP para o PS e foi apoinante da AD de Sá Carneiro e também apoiou o inevitável Soares, praga que nos atingiu como as do Egipto. Agora chora o leite derramado e não se dá conta inteiramente das razões profundas da crise: a esquerda que temos não presta, é essa a razão principal. A esquerda chamada PS, entenda-se.
 Nessa altura, Barreto foi o primeiro inimigo declarado do PCP, no I governo Constitucional, por causa da Reforma Agrária. O Partido moveu-lhe uma guerra política de morte e Barreto, antigo comunista, aguentou. Assim, como conta o Jornal de10 de Dezembro de 1976.



 A prova de que a acção de Barreto era mortal para o PCP está aqui nesta entrevista de Cunhal ao mesmo O Jornal de 25 de Agosto de 1978.

António Barreto parece ser pessoa sensata e equilibrada. Depois de passar pelo PC e pelo PS,  acantonou-se ao mecenato de um dos maiores capitalistas portugueses, na Fundação Soares dos Santos. O líder do grupo, em 1973, quando Barreto estava na Suíça, fugido à tropa, era já um capitalista com negócio familiar importante na área de produção e distribuição.

O que Alexandre Soares dos Santos pensa e diz publicamente é consentâneo com o que pensava nessa altura, acho. E Barreto, como é que fez o trespasse?

A questão é importante, a meu ver, pelo seguinte:

Quem agora procura a pedra filosofal não deve desprezar os alquimistas do passado. Os de há mais de 40 anos, por muito que isso lhes custe. Se não estão a chover em molhado. Ou, no caso, a malhar ferro frio.
No poema de António Gedeão, os versos alinhavam assim:

"Eles não sabem que o sonho....é uma constante da vida; tão concreta e definida como outra coisa qualquer...[...] Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida..."

A Esquerda foi sempre isto: um sonho. E que ameaça tornar-se pesadelo se não se descobrir o remédio certo, a pedra filosofal para sairmos do marasmo económico e social.  António Barreto precisa de ir urgentemente ao seu passado de juventude e recuperar o tempo que perdeu a tecer loas a Estaline, lendo aquele cujo nome não pronuncia: Salazar.Sem essa chave aquelas análises não fazem sentido e o que se obtém não é pedra filosofal alguma, mas apenas chumbo e mais chumbo.

O paradigma do pequeno génio de Contenças

RR

O socialista Jorge Coelho está de volta à política activa no PS, pelo menos nos bastidores.
Na terça-feira, o ex-ministro de António Guterres participou numa reunião no Largo do Rato para falar com os presidentes e vice-presidentes das federações distritais do partido sobre as eleições europeias.
O antigo deputado, que há um ano deixou a administração da empresa Mota Engil, foi apresentado na sede do PS como um dos mentores da convenção “Novo Rumo”, iniciativa que semanalmente se reúne em conferências temáticas e que está a servir como base ao programa de Governo dos socialistas.


No fundo, isto não tem nada que saber.
Este Coelho, primo do Sacadura, aquando do 25 de Abril acreditava que a UDP era o futuro. Inscreveu-se e militou. Descobriu tarde que não era e desinscreveu-se passando a militar no sindicalismo democrático de um Janeiro, na Carris socializada. Passou de quase amanuense para as chefias condignas a que um militante esforçado tem direito e inscreveu-se no PS e na Maçonaria e naturalmente acabou em Macau, durante algum tempo, a preparar a transição.
Por artes mágicas da militância carreirista chegou a ministro de Guterres e aproveitando a queda de uma ponte, assumiu culpas que não tinha e pôs-se ao fresco das responsabilidades políticas que queimam carreiras. Associou-se a outro grande artista da democracia,  Dias Loureiro, como batuteiro de truques eleitorais e passada meia dúzia de anos passou "à privada", num tempo em que as vacas gordas engordavam a olhos vistos dos donos que prosperavam. Algumas PPP´s depois, deixou a actividade, muito cansativa e já sem úberes disponíveis no Estado e aí o temos, outra vez ao leme dos truques eleitorais.

Mais palavras para quê? É um artista português. Uns caçam com Relvas; outros, com Coelhos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

VPV: a trilogia da decadência postiça




Vasco Pulido Valente dedicou as três pequenas crónicas do último fim de semana, no Público,  ao assunto magno da nossa pretensa decadência atávica.

Fiquei com dois recortes, o de Sexta e o de Domingo. Li o de Sábado que é mais do mesmo; o de Domingo cita  Eça e a mania portuguesa de copiar modas da estranja. Uma anedota.

VPV parece concluir do esforço intelectual deste mini ensaio que Portugal, desde o fim do Séc XIX que não sai da cepa torta. Resta saber é se alguma vez fez parte da boa cepa e principalmente qual é a coisa qual é ela que ainda agora falei nela.

VPV parece que estudou o Séc. de Eça e da geração de setenta, através de muitas leitura, designadamente dos próprios "vencidos da vida" desse tempo e transporta para o presente as ideias feitas por aqueles desse passado distante que ninguém vivo chegou a viver. Nem o decano Oliveira dos filmes castello lopes.Por mim, não compreendo como alguém pode compreender uma época sem a viver. Fatalmente interpreta uma compreensão alheia...
Sobre o fim do Séc. XIX cita o desesperado Antero que se suicidou mesmo ao lado da palavra Esperança, para indicar as razões que o mesmo putativamente descobriu como causas da "decadência" nacional,  já nesse tempo: o catolicismo do concílio de Trento; o Absolutismo e a obsessão pelas conquistas longínquas. VPV acha que estas razões não o são, mas permanecem enraizadas num certo consciente colectivo que anda por aí à solta e que ás vezes escreve em jornais, em parábolas indecifráveis e ideias confusas tipo Lourenço.  Isto sou eu a dizer que VPV não diz tanto.

Sobre o nosso tempo, dos últimos vinte anos, realmente o que interessa, VPV recolhe-se outra vez ao cavaquismo. VPV foi Secretário de Estado da Cultura em 1980, na AD de Sá Carneiro e em 1986 apoiou Mário Soares à presidência. Tanta clarividência  política até cega, mas enfim, é o que temos. É verdade, no meu entendimento modesto, que a AD de Sá Carneiro foi o que de mais moderno tivemos depois do PREC, mas ainda assim durou pouco porque o mentor morreu.

Quanto ás verdadeiras razões da decadência, elencadas sumariamente, não acredito nelas. Tanto faz, cada um acredita naquilo que entende e há por aí cada crença que sabe Deus!
 Mas vou tentar explicar porquê e começando por dizer que me parece ( quem sou eu para me aparecerem estas coisas, com um halo de luz que brilha?) que Portugal não decaiu coisa alguma. Portugal foi-se arrastando no meio ambiente e nos finais do Séc XIX não estava mais atrasado ( em relação a quê e a quem, já agora que falta dizer? À Alemanha ou ao Império que nos legou o herdeiro do Trono caído?) do que alguns países que agora estão economicamente muito mais adiantados, designadamente os nórdicos.
Talvez valha a pena pensar e descobrir se Portugal está atrasado, agora, por outros motivos que não aqueles apontados. Fundamentalmente, Portugal atrasou-se economicamente e é preciso saber quem é que produz riqueza num país e como a produz. É essa, a meu ver, a chave do enigma da suposta decadência. Quem se der ao trabalho de explicar como é que Portugal produziu riqueza nos últimos vinte anos sabe a resposta.

Para ilustrar como éramos culturalmente no fim do  Séc XIX e início do XX, deixo aqui cópias de duas obras dessa altura.

A primeira é o já por aqui citado Manual Encyclopedico para uso nas escolas de instrucção primaria, de Achilles de Monteverde e aprovado pelo conselho superior de instrucção publica, ainda nos finais do séc. XIX ( 1886). Provavelmente foi por este manual que Salazar e outros notáveis da época aprenderam a instrução primária. Lendo o indice da obra dá para entender que não éramos assim tão decadentes na cultura básica elementar.








A segunda obra popular é o Rifoneiro Português de Pedro Chaves, de 1928. A obra reune toda a sabedoria popular em forma de rifões antigos e compilados segundo uma lógica que o autor expõe e nos explica implicitamente porque somos esquecidos do que fomos: não queremos saber do nossoo passado ou de quem fomos. Agora aparece VPV a dizer que somos decadentes há décadas...








Portanto, decadentes, nós? Como assim? Nós nunca estivemos em posição de poder decair. Nem mesmo aquando das descobertas ultramarinas. Nós somos como os outros só que nos atrasamos estas últimas décadas.
Gostaria de saber porquê, mas tenho por aqui tentado perceber as razões. E uma delas, para mim, é esta: Não aproveitamos os ensinamentos da verdadeira sabedoria de Salazar e Caetano. Isto nos últimos 40 anos.
VPV sobre isto, porém, é esconso. Evita escrever, mas deveria pensar melhor, porque ganharia com tal exercício. Poderia abandonar um pouco os preconceitos de uma esquerda, essa sim, decadente e ler António José Saraiva. Por exemplo, mas há outros...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Confessem livremente e sem reservas...

Daqui, InVerbis:

A procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, emitiu esta sexta-feira uma directiva onde proíbe os procuradores de realizarem acordos em sentenças penais, uma solução rara que foi esta semana sugerida por alguns advogados no âmbito do processo Remédio Santo. O tribunal suspendeu por uma semana o julgamento dos 18 arguidos acusados de burlar o Serviço Nacional de Saúde em quatro milhões de euros, para dar tempo às defesas de negociarem com o Ministério Público.

Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República já divulgara uma nota em que esclarecia que "a hierarquia do Ministério Público considera que o simbolismo do caso, as finalidades de política criminal envolvidas na sujeição dos arguidos a julgamento, bem assim como a circunstância de haver posições divergentes no seio desta magistratura quanto à questão dos acordos sobre a sentença" determinam que esse não deve ser o caminho, "até que se proceda a uma reflexão mais aprofundada sobre a matéria, que permita ao Ministério Público, no seu conjunto, assumir uma posição unitária".

Os advogados deste processo que defenderam o acordo, Dantas Rodrigues e Artur Marques, lamentaram esta sexta-feira a directiva da PGR. "Foi um golpe profundo numa solução que não devia ser excluída por via administrativa", critica Artur Marques.


Vejamos: 
As cautelas da PGR perante este problema que surge no nosso Direito Penal e que já foi abordado pela escola de Direito de Coimbra, são caldos de galinha. Nunca fizeram mal a ninguém por um motivo:

Os arguidos estão dispostos a "negociar" as eventuais penas com o MºPº, admitindo os factos. Portanto, admitindo uma condenação. Segundo ouvi a um dos advogados ( Artur Marques) na tv, as penas seriam suspensas mediante o pagamento de certa importância, "razoável".

Pois bem: os arguidos ainda assim têm toda a possibilidade de usufruir de alguma clemência penal, do tribunal, confessando livre e espontaneamente o que fizeram.
Segundo as regras de processo penal, tal evita a audição de testemunhas e produção de prova em audiência de julgamento, para além da que consta dos autos ( documentos e perícias, por exemplo).
Com essa atitude- confissão espontânea, livre  e sem reservas-os arguidos podem esperar uma pena mais consentânea com aquela que esperariam se fosse admitida a "transacção".

Então porque razão é que Artur Marques lamenta a atitude da PGR que afinal se limitou a ser mais conservadora do que as PGD´s de Coimbra e Lisboa?

Não tem que lamentar. Tem apenas que aconselhar os clientes a confessar...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O "horror" de Eduardo Lourenço

Sol:

O ensaísta Eduardo Lourenço disse hoje que houve uma invasão por "uma espécie de vampiros", que são quem controla o sistema inventado pela modernidade, vivendo-se agora um "apocalipse indirecto" em "estado de guerra permanente".

Durante a primeira mesa da 15.ª edição do Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, sob o título "Pensamentos não são correntes de ninguém", Eduardo Lourenço disse: "Dá a impressão de que, de repente, fomos invadidos, não por uns castelhanos arcaicos nossos vizinhos e que são nossos irmãos e primos, mas por uma espécie de vampiros como aqueles que o cinema de Hollywood ilustra. Não é por acaso que o tema dos vampiros se tornou um tema da moda, os vampiros são emissários da morte, é como se estivéssemos a viver uma espécie de apocalipse indirecto".


Eduardo Lourenço escreveu em 1976 um livro sobre o "fassismo", ironizando que nunca tinha existido, para pretender demonstrar que sim. Ao longo dos anos, Lourenço, um filósofo esquerdizado, um pequeno Sartre caseiro, escreveu sempre artigos ilegíveis. Desafio quem quer que seja a demonstrar o contrário, ou seja que Lourenço é um escritor de ideias claras e precisas.

Portanto, agora vampiriza Conrad e fala no apocalipse. Outra fantasia.

Que se passa? Então isto não é uma ameaça?

O cantor Fernando Tordo saiu para o Brasil ( está bom tempo por lá, agora...) e o filho que escreve livros escreveu-lhe uma carta que já é aberta e com significado mediático.
Ontem, as tv´s deram voz e imagem à carta e ao autor e este disse uma imbecilidade: a culpa do pai sair, emigrado para o Brasil, é da austeridade. E ainda outra: "os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país."

Por outro lado, a carta tem uma passagem que merece reflexão e respeito porque é assim mesmo:


"Eu entendo o desamor. Sempre o entendi; é natural, ainda mais natural quando vivemos como vivemos e onde vivemos e com as dificuldades por que passamos. O que eu não entendo é o ódio. O meu pai, que é uma pessoa cheia de defeitos como todos nós – e como todos os autores destes singelos insultos –, fez aquilo que lhe restava fazer."

 Tem muita razão o filho de Fernando Tordo, João que até escreve bem. E ganhou a minha simpatia com essa passagem, porque eu também não entendo o ódio ( palavra que detesto porque importada no significado).

Sobre o cantor Fernando Tordo mais haveria para dizer e é para já.

No final de 1973, ou seja há quarenta anos surgiu no rádio uma cantiga fantástica e diferente do que ouvira até então. Chamava-se O Café, tinha letra de Ary dos Santos e a música era de Fernando Tordo que a cantava também e de um modo impressionante. A letra, sarcástica, tinha piada e para mim é das melhores cantigas da pop portuguesa, de sempre.
Fernando Tordo já dera sinais de si desde 1969 e em 1971 cantara Cavalo à Solta no festival da Canção da RTP, acontecimento sempre marcante no ambiente cultural da época.  Em 1973 cantara no mesmo festival a célebre Tourada, capa da Flama de 6 de Abril desse ano.


 Tordo, então com 24 anos já sabia o que a casa portuguesa gastava em matéria de música e por isso dizia candidamente à revista o que agora já esqueceu: o mercado da música em Portugal é pequeno para tanta gente..."no entanto desde que as pessoas se disponham a trabalhar muito ( gravando díscos e participando em espectáculos) podem conseguir um pequeno rendimento para sobreviver. É o meu caso."

Quer dizer, nessa altura não se lembrava de deitar culpas ao Estado pelo mercado ser pequeno. Agora, parece que a culpa é da "austeridade"...



Fernando Tordo, depois do 25 de Abril de 1974 associou-se aos camaradas que já entendiam antes que a canção era uma arma. Em 1978 fugiram da prisão de Alcoentre, onde se encontravam detidos por serem "fascistas",  89 "pides", ou seja agentes da DGS, uma polícia do regime anterior. Tordo fez então uma canção panfletária que soava no rádio como uma anedota.  "Que se passa? Então isto não é uma ameaça? " Era, porque os tempos estavam a mudar e o PCP perdia influência política.

Segundo escreve o filho, Tordo está afastado de tais actividades: "associam-no à política, de que se dissociou activamente há décadas (enquanto lá esteve contribuiu, à sua modesta maneira, com outros músicos, escritores, cineastas e artistas, para a libertação de um povo)".
Afastado estará. Esquecido, não. Melhor esclarecido, duvido.

Portanto, resta-nos sempre um magnífico tema para ouvir, por exemplo aqui, de onde copiei a letra:

O Café
música Fernando Tordo, letra Ary dos Santos (1973)

Chegam uns meninos de mota,
 Com a china na bota e o papá na algibeira
São pescada marmota que não vende na lota
Que apodrece no tempo e não cheira
Porque o tempo
É a derrota

Chegam criaturas fatais
Muito intelectuais tal como a fava-rica
Sabem sempre de mais,
Escrevem para os jornais com canetas molhadas na bica
E a inveja (sim, a inveja!)
É quanto fica

Como quem está num chá dançante
Duas velhas de penante depenicam uma intriga
Debicando bolinhos vários
Dizem mal dos operários que são a espécie inimiga

Chegam depois boas maneiras
Com anéis e pulseiras e sapatos de salto
São as bichas matreiras que só dizem asneiras
Sâo rapazes pescado do alto
E o que resta
É pó de talco

Chegam depois os vagabundos
Que por falta de fundos não ocupam a mesa
Têm olhos profundos,
Vão atrás de outros mundos que pagaram com sono e beleza
Mas o troco
É a pobreza

Chegam finalmente os cantores
Os que fazem as flores neste mundo de gente
São os modernos trovadores
Que adormecem as dores numa bica bem quente

Como quem está num chá dançante
Duas velhas de penante depenicam uma intriga
Debicando bolinhos vários
Dizem mal dos operários que são a espécie inimiga

Chegam depois boas maneiras
Com anéis e pulseiras e sapatos de salto
São raposas matreiras que só dizem asneiras
Sâo rapazes pescado do alto
E que resta
(Evidentemente que é) Pó de talco

Chegam depois os vagabundos
Que por falta de fundos não ocupam a mesa
Têm olhos profundos,
Vão atrás de outros mundos que pagaram com sono e beleza
Mas o troco
É sempre a pobreza

Chegam finalmente os cantores
Os que fazem as flores neste mundo de gente
São os modernos trovadores
Que adormecem as dores numa bica bem quente.

Para terminar: Tordo é um grande artista da canção nacional, sans blague. Tem uma voz com um timbre magnífico que me lembra no feminino a cantora Tonicha e canta muito bem, temas sempre interessantes e com músicas ainda mais.
É pena que não consiga viver bem de canções,  em Portugal, mas como dizia em 1971, "o mercado é pequeno". E nada mais. A não ser isto: em 1973, em pleno "fascismo" o mercado ainda era mais pequeno, mas Tordo tinha audiência e era capa de revistas. 
Quarenta anos depois, a qualidade artística manteve-se, mas quem faz as capas de revistas são outros artisticamente bem piores. De quem é a culpa? Do mercado... porque a cantiga deixou de ser uma arma contra a burguesia e a cultura é panorama muito mais vasto do que alguns entendem que deve ser. Quem deixa de ser figura do mercado deve procurar saber porquê.
Às vezes nem é por nada a não ser por moda que é coisa intangível e fugidia, como o aroma agradável de uma bica nem quente.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Portugal há 40 anos era de Esquerda?

Ha quarenta anos, em Portugal havia Censura, por Exame Prévio dos órgãos de informação impressos. Apesar de não se comparar em rigor e eficácia com a que existia nos países ditos comunistas, a verdade é que por cá não era possível ver a foice e o martelo impressos num papel em modo de propaganda política. E muito menos se podiam ler alguns livros que fizessem a apologia do marxismo-leninismo mais esquerdista, porque não se publicavam por cá. Isso não quer dizer que não se lessem, em francês, principalmente e trazidos clandestinamente. Não consta que houvesse interessado nessa teoria que não a tivesse lido por falta de material.

Por outro lado, havia polícia política ( DGS) que velava pelos bons costumes políticos e perseguia, prendendo quem se dedicasse a actividades subversivas contra a Nação, como então se dizia. Tais actividades eram perfeitamente cognoscíveis pelos visados e por isso os que foram presos, geralmente comunistas, foram-no em função de lei nesse sentido. A legalidade do regime era essa; não era outra, apesar de quem a infringia pretender o contrário e tentar retirar qualquer laivo de legitimidade a quem exercia o poder nessa legalidade.

Havia ainda um assunto de grande relevo nacionall que era a guerra no Ultramar português, declarada por movimentos ditos então terroristas e que pretendiam a independência dos territórios ultramarinos sob o pretexto de que eram colónias e por isso ocupados ilegitimamente.

Estes problemas eram alvo de atenção permanente do regime político de então e o chefe de Governo, Marcello Caetano não perdia uma oportunidade nos seus discursos, de os trazer à colação, explicando vezes sem conta qual era a posição de Portugal nesses assuntos e quais as razões para o regime e o governo actuar como actuava, relativamente a essas questões.

Ninguém em Portugal desconhecia estes problemas ou a solução que o governo lhes pretendia arranjar, ou os métodos que usava para fazer cumprir essa política clara e bem definida.

Sobre o problema do Ultramar no Verão de 1973, Marcello Caetano foi a Londres retribuir uma visita de Estado no âmbito das comemorações dos 600 anos da aliança com a Inglaterra. Aí foi recebido com manifestações hostis, promovidas, além do mais pelos socialistas, incluindo Mário Soaresm, aí presente.

No regresso, Marcello Caetano foi recebido assim, com uma manifestação gigantesca no Terreiro do Paço. É escusado dizer que foi tudo menos espontânea porque não é verdade. Foi assim porque foi assim mesmo, como contava o Observador de 27 de Julho de 1973.


As pessoas em geral, nessa altura sabiam o que Marcello Caetano pensava sobre o comunismo, a guerra no Ultramar e quais os verdadeiros desígnios que escondia, etc.

Marcello desde que assumiu o poder político em 1968 falou inúmeras vezes sobre o assunto e particularmente na televisão, através daquilo que chamou "Conversas em Família",  que eram uma maneira de fazer passar um discurso político através de ideias claras e precisas, sem rodeios de maior. Toda a gente entendia essa linguagem.

No livro de propaganda política e governativa, III ano do Governo de Marcello Caetano, em 1971, este explicava claramente o que era o regime:



No ano seguinte, 1972, igualmente, explicando o que era a "ditadura do proletariado" e o que significava o "processo revolucionário". 



Em 1973, no V volume, explicava o que era  o socialismo comunista e o que era a "doença infantil do comunismo", ou seja a extrema-esquerda.


O que pretendo dizer com isto é que ninguém andava alheado destes problemas apesar de não saber exactamente o que era o "comunismo científico", matéria reservada aos "subversivos" estudados na clandestinidade.

Não obstante, em Portugal, há 40 anos, entre a classe dos jornalistas e pessoas de Letras, Artes e até Ciências, havia muitos comunistas e simpatizantes da causa, particularmente nas grandes cidades, Lisboa, Porto e Coimbra.

Seria tal fenómeno suficiente para explicar o que se passou logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, e por este logo pretendo dizer nos dias a seguir, uma semana se tanto?

Não creio.

Com toda a propaganda comunista e dos doentes infantis do comunismo, durante todo o ano de 1974 e primeiros meses de 1975, as primeiras eleições com participação destas " forças subversivas" ( e eram mais que as mães...) conseguiram um magro resultado eleitoral nas eleições para a Constituinte.  O PCP nem chegou aos 11% e os doentes infantis, ficaram pelas percentagens abaixo do meio por cento e nem conseguiram chegar à Assembleia.
Não obstante, contando com o PS, a esquerda obteve cerca de 80% dos votos expressos.. .

Como é que isto foi possível e como é que as pessoas que sabiam perfeitamente o que era e significava o comunismo apoiavam, principalmente nos meios urbanso, no Alentejo e em certas franjas de população, uma força política que fatalmente faria regressar o país à Idade da pedra democrática, com uma censura antes nunca vista, com perseguições e prisões antes nunca praticadas e com uma totalização da vida social impensável até para Salazar?

Como é que em meia dúzia de meses aparecem na sociedade portuguesa centenas de milhar de pessoas com ideias comunistas e afectados em estado terminal pela doença infantil do comunismo? 

É um mistério e aceitam-se alvitres sobre os motivos.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Jornalistas portugueses, com certeza. Em 1975.

Na sequência da "rebelião" dos 30 jornalistas do DN, passados depois a "grupo dos 24" porque alguns se arrependeram, houve cobras e lagartos vermelhos na direcção do PC., perdão, DN, com o futuro Nóbél a assegurar a ortodoxia das orientações correctas. Em "plenário" de trabalhadores da empresa ENP ( Empresa Nacional de Publicidade) com uma representatividade duvidosa ficou deliberada a suspensão dos dissidentes da linha justa do DN. Ficaram à espera de um processo disciplinar que os colocaria na rua do desemprego, porque o PCP não brinca em serviço político.

No livro de Pedro Marques Gomes, conta-se assim, a manobra política orquestrada pelo PCP:


Contudo este episódio do DN foi mais um a juntar a outros, como o chamado "caso República", já versado em ensaios, mas nunca inteiramente esclarecido nos seus contornos precisos, com o PCP por trás, sempre por tràs, a aproveitar a situação política, em 1975.

Contextualizando:

Em 13 de Janeiro o República dava páginas ao problemas sindical da unicidade versus unidade, ou seja à tentativa do PCP organizar em torno da sua central sindical, a CGTP-Intersindical, correia de transmissão política ( em 74-75 passaram a existir greves contra-revolucionárias...), todo  o controlo dos sindicatos portugueses. Nem o Salazar sonhou com tal feito...  O PS queria um sindicalismo democrático, ou seja, em que tivesse também a sua central sindical de infuência ( que era e é a UGT, agora com o Silva empregado do BES que não corta o bigode nem que a vaca tussa) e o PCP queria totalizar o assunto numa espécie de nova confraria corporativa, sem margem para dissensões e sujeita ao respeitinho partidário e às ordens do Partido. Foi este problema que se espelhou nos vários conflitos laborais e políticos, com destaque para os dos jornalistas, maioritariamente de Esquerda e provavelmente de extrema que apelidavam os comunistas de "social-fascistas". 


Quando estalou o caso República, o PCP pôs-se logo de lado e a sacudir a água do capote. No caso, em concreto, punha-se o problema de os trabalhadores da parte gráfica quererem mandar efectivamente na orientação redactorial do jornal que era dirgido pelo velho maçónico anticlericalista atávico, Raul Rego, de boina sempre em riste.  Ou seja, era um jornal do PS e assim queria continuar a ser pela banda do velho maçónico e dos camaradas do largo do Rato. O problema é que os tipógrafos e outros trabalhadores, não eram e muitos eram comunistas e alguns afectados pela terrível doença infantil do comunismo extremista ( que seria curada a seu devido tempo com o remédio estalinista de comprovado efeito, mas já fora de prazo). Assim gerou-se o conflito tratado aqui e lá fora. Aqui o Jornal Novo de 22 de Maio de 1975 dava uma imagem.



Soares, coitado, queixava-se amargamente. Cunhal, defendia-se...como sucedia no Expresso dessa altura. "O PCP nada tem a ver com o caso República". Cunhal valia-se de uma entrevista em França de um dirigente do PS português. Sobre uma célebre entrevista, um ano antes, à jornalista italiana Oriana Falacci em que dizia que Portugal nunca seria uma democracia de tipo ocidental e europeu ou coisa que o valha, desmentiu-a. Por isso mesmo... Cunhal dizer que não tinha mesmo nada a ver, valia o que valia. E por isso o comunista José Jorge Letria ( depois passado para o PS e eventualmente Maçonaria) saiu do jornal e passou...para onde? Diário de Notícias, voilà. Onde já estava o futuro Nóbél.



É preciso dizer que nesta altura já tinha havido eleições para " a Constituinte" e o PS tinha-as ganho com quase 40% dos votos. seguido do PPD e depois o PCP com quase 11%. Estes 11%  porém, eram apenas um sinal. O Partido julgava-se então o maior da cantareira nacional e o PREC iria acelerar até Novembro. Jornal Novo de 28 de Abril de 1975, em que se dá conta do aparecimento de um novo jornal: O Jornal, com letra graficamente  pequena e jornalistas agremiados numa espécie de cooperativa, dirigidos por Joaquim Letria, irmão do José Jorge comunista. Um jornal que se pretendia independente, de esquerda e que comprei desde o número um porque era graficamente um mimo, desde o primeiro número. Era o nosso Le Nouvel Observateur em papel de jornal.


No âmbito jornalístico disputaram-se eleições para a direcção do Sindicato, em pleno momento de crise do DN, com o Nóbél a dirigir de facto ( O director de direito, Luís de Barros, agora no Diário Económico e que parece que não se lembra disto porque é assunto tabu, se calhar)  estava de férias, no Algarve e os comunistas não têm férias para estas coisas...).
O Expresso de 9 de Agosto de 1975 mostrava que havia duas listas em "confronto". O confronto era entre o PCP e os demais, e entre os demais estavam "fascistas" e socialistas "democráticos" e ainda, principalmente, os afectados irremediavelmente pela doença infantil de que muitos só se curaram muito tarde e a más horas. Alguns ficaram com sequelas ( Pacheco Pereira, por exemplo).  A lista dos "outros" ganhou e Mário Contumélias, um "peesse" hesitante, lá liderou as hostes. Foram tomar "posse", à casa de Mário Castrim, um dos comunistas mais retintos da época. Estava doente e por isso deu-lhes "posse" com a assinatura da acta de reunião, no corredor do seu sexto andar ( a foto está no outro postal abaixo).


O Jornal de 15 de Agosto de 1975 dizia que a nova direcção era "contra as censuras".


Estas "censuras" afinal vinham de onde menos se esperaria: do próprio MFA, ou melho do seu Conselho da Revolução já completamente dominado pelo esquerdismo afecto ao PCP. Por isso, a Censura era já de rigor conjecturado que isso de Liberdade é coisa muito séria para ser deixada a doentes infantis.
O Jornal de 12 de Setembro de 1975 mostra  como essa Liberdade era um caso sério entre estes democratas de pacotilha comunista. O jornal Tempo que era naturalmente "fascista", "reaccionário" e sério candidato a proibição futura, foi simplesmente boicotado na "luta" dos revolucionários contra o CR . O jornal não tinha direito a solidarizar-se nessa luta porque  nessa reunião de representantes de trabalhadores de vários órgãos de informação foi recusada a adesão daquele jornal "dada a disposição de não se permitir que reaccionários se tentem aproveitar da sua luta para fins contra-revolucionários".  Era isto a Liberdade, em 1975. Em 1973 era maior, provavelmente, mesmo com Censura.

E como é que disto dá conta um dos  protagonistas desta tentativa de assalto do PCP ao poder total, de seu nome José Jorge Letria, agora muito manso e quedo, num PS ledo e cego que o alcandorou a lugares de prestígio tipo Sociedade Portuguesa de Autores?

No seu livro de memórias confessa que "e tudo era possível". Porém, sobre o assunto é como gato por cima de brasas, a correr e sem muitas memórias concretas. Porém ,estas memórias é que também não se deviam apagar tão depressa...





segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como o futuro Nóbél tratava os jornalistas dissidentes em 1975, no Diário de Notícias.



O Diário de Notícias, num cartoon de João Abel Manta, pré-prec, com o director, José Ribeiro dos Santos a puxar a corda, à direita e o futuro co-fundador de O Jornal, José Carlos Vasconcelos, director-adjunto, tal como depois o Nóbél,  dependurado à esquerda...)

Já li quase metade do livro Os saneamentos políticos no Diário de Notícias, que tem como base uma dissertação de mestrado, segundo o seu autor Pedro Marques Gomes, um jovem investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. A obra é apadrinhada por pessoas como Irene Flunser Pimentel e São José de Almeida, o que não é recomendação por aí além que se possa ter, mas enfim, lê-se bem e não tem as pechas do costume, dos escritores habituais da História meme.
O livro, esse, foi completamente censurado no Diário de Notícias, pelo que me foi dado ver. No último Sábado, nada de nada, no suplemento Qº dirigido pelo antigo director do 24 H, Pedro Tadeu. Não admira porque  aprendeu o jornalismo no antigo "diário", sucessor do DN de 1975, como sendo um exercício da "verdade a que temos direito" e portanto esta não é entendida como sendo desses direitos fundamentais que o público leitor tenha o privilégio de conhecer no DN. Antes como agora, o jornal é das conveniências, não necessariamente do jornalismo e tem um director à altura das precisões.

Das cerca de 300 páginas de texto passo alguns excertos ( espero que mo autorizem tacitamente)  que explicam como o futuro Nóbél se comportava como jornalista, sub-director do jornal ( director na ausêndia do dito, em férias, nessa altura) sectário e com inequívocas tendências totalitárias a favor do Partido, na célebre reunião dos "30" jornalistas, depois reduzidos a "24" que contestavam a orientação política, sectária, do jornal, próximo do PCP e seu veículo de transmissão.
De salientar a subtileza do Partido não se deixar apanhar com a boca na botija, arranjando sempre uns testas-de-ferro sindicais para fazer o que devia ser feito.




O artigo do Expresso a que o autor se refere e que foi passado misteriosamente ao jornal por algum dos "30" nessa mesma noite ( pensava-se que teria sido Mário Contumélias, mas o indivíduo nega...) foi publicado no dia seguinte, Sexta-Feira, 15 de Agosto de 1975 ( sendo feriado o jornal saiu um dia antes). Um Verão quente...mas acho que nesse dia choveu.


O panorama jornalístico nacional estava ao rubro ( literalmente) nessa época, como mostra este artigo do O Jornal do mesmo dia  15 de Agosto de 1975. O tal Contumélias assegurava que "os jornalistas  estão cada vez mais progressistas e não reaccionários como se dizia"...