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segunda-feira, 31 de março de 2014

A sopa dos pobres democratas

 Daqui, InVerbis:

Aumento inusitado de utentes" para comer na Casa da Democracia. Assembleia criou uma lista de quem pode comer no refeitório e uma tabela de preços. O refeitório da Assembleia da República serve refeições a preços que variam entre 4,27 € e 7,30 €.
A Assembleia da República decidiu actualizar o regulamento interno de acesso ao refeitório devido a "um aumento inusitado de utentes". Segundo um despacho de 26 de Março publicado no Diário da Assembleia da República, passa a ser necessária uma autorização prévia, pedida com uma antecedência de 48 horas, a quem esteja de visita ao Parlamento e recorra aos serviços.

Criou-se uma lista de quem tem acesso no dia a dia e apontam-se critérios para acautelar excessos. "A referida autorização deverá, em regra, ser solicitada com dois dias úteis de antecedência e a eventual desmarcação da refeição deverá ser comunicada com 24 horas de antecedência", lê-se no texto definido para garantir um melhor controlo, não só no acesso, mas também para a "necessária previsão quanto ao número de refeições a fornecer".

Deputados, assessores, funcionários, membros do Governo e adjuntos, elementos da GNR e da PSP, além de funcionários da CGD e CTT instalados no palácio, têm acesso directo, sem contar com jornalistas credenciados.

O regulamento prevê ainda que um parlamentar ou um elemento das bancadas dos partidos com assento parlamentar possa levar, sem aviso prévio, até dois convidados, "desde que acompanhados". Uma parte das regras já existiam, mas, a avaliar pelo argumento de aumento de número de refeições servidas, o Parlamento apertou os critérios para se almoçar no refeitório da Casa da Democracia.

Cristina Rita | Correio da Manhã | 30-03-2014


Que dizer disto? Quem tolera isto? Porque é que isto acontece? Como é que isto se tornou possível? Que país somos? Quem paga tudo isto? Quando é que isto acaba?

ADITAMENTO:

Em função de um comentário que lembrou a atenção já dedicada a este tema pelo site "Má despesa pública", aqui fica o assunto, bem mais condimentado:


O Má Despesa já esteve a consultar o caderno de encargos do concurso para o fornecimento de refeições na Assembleia da República (AR) e encontrou várias pérolas, incluindo o facto de o documento ir alertando para a grafia pré e  pós-Acordo Ortográfico.
Um leitor já tinha chamado a atenção para o facto da ementa constituir “o critério mais importante na avaliação e subsequente selecção do fornecedor das refeições. Esta avaliação é feita tendo por base os tipos de produtos constituintes da refeição, sendo a ementa mais valorizada se dela fizerem parte os seguintes produtos: Perdiz, lebre, pombo torcaz, rola e similares, Lombo de novilho, Lombo de vitela, Lombo ou lombinho de porco preto (bolota) e Camarão/gamba grande (24 por Kg ou maior)”.
Que contrato é este?
“O contrato tem por objeto o fornecimento de refeições no refeitório e no restaurante do Palácio de S. Bento e a exploração de cafetarias da Assembleia da República, o fornecimento de café e chá nas reuniões de Comissões, ou outras que ocorram na Assembleia da República e, bem assim, o fornecimento de bebidas, produtos de pastelaria, salgados habituais, canapés e fruta nos coffee breaks, em quantidades e condições estabelecidas no presente Caderno de Encargos.”
A AR tem um restaurante para 10 almoços por dia!
A AR tem um restaurante e um refeitório. Tirando os dias de plenário, o restaurante da AR serve apenas 10 refeições por dia  A maioria das refeições são servidas no refeitório. “Durante o ano de
2011 no refeitório foram servidas, em média 280 refeições diárias, e no restaurante cerca de 40 nos dias de reunião plenária (quarta, quinta e sextas feiras) e 10 nos restantes dias.”
Cinco pratos à escolha no refeitório
Segundo o caderno de encargos, no refeitório terá de ser servida:
“-Sopa: normal e dieta (obrigatoriamente elaborada com base em nvegetais frescos e/ou congelados, sendo proibido o uso de bases pré-preparadas. São admissíveis sopas com elementos proteicos uma vez por semana – sopa de peixe, canja de galinha, etc.)
-Carne, peixe, dieta, opção, Bitoque;
-Pão, integral ou de mistura;
-Salada;
-Sobremesas incluindo, no mínimo, 4 variedades de fruta e 4 de doces/bolos/sorvete, além de maçã assada e salada de frutas.”
Mas há mais:
“- uma mesa com complementos frios (saladas), com no mínimo 8 variedades entre as quais se incluem, obrigatoriamente, tomate, alface e cenoura, além de molhos e temperos variados;
- uma mesa com um prato vegetariano e mais 4 componentes quentes vegetarianos (cereais, leguminosas e legumes).”
Curiosidades sobre ingredientes
Café: “O café para serviço nas Cafetarias deverá ser de 1ª qualidade, em grão para moagem local, observando lotes que incluam um mínimo de 50% de “arábica” na sua composição.”
Bacalhau: “O Bacalhau deverá ser obrigatoriamente da espécie Cod Gadusm morhua. Pode apresentar-se seco para demolha, fresco ou demolhado ultracongelado, observando-se como tamanho mínimo 1 Kg (“crescido”), para confecções prevendo “desfiados” (à Brás, com natas ou similares) ou 2 Kg (“graúdo”) para confecções “à posta”.
“Carnes de Aves:
“Peru (inteiro em carcaças limpas com peso superior a 5 Kg, coxas, bifes obtidos exclusivamente por corte dos músculos peitorais). Frango (inteiro em carcaças limpas com peso aproximado 1,2 Kg, coxas e antecoxas, bifes obtidos exclusivamente por corte dos músculos peitorais).
Pato”
A informação consta das fichas técnicas dos ingredientes pretendidos.
E qual o critério de adjudicação?
Determinante para vencer o concurso é mesmo a qualidade e variedade da ementa.
“1 - A adjudicação é feita segundo o critério da proposta economicamente mais vantajosa, pela
aplicação dos seguintes fatores:
a) Qualidade e variedade das ementas apresentadas. Nível qualitativo das matérias-primas indicadas nas respetivas fichas técnicas: 50%;
b) Preço da refeição: 30%;
c) Preço do encargo fixo com o pessoal das cafetarias e manutenção: 20%.”

Álvaro Cunhal em Junho de 1975 a Oriana Fallaci.

O assunto da entrevista de Cunhal à jornalista italiana Oriana Fallaci, do semanário L´Europeo de 6 de Junho de 1975, já foi por aqui tratado, por duas vezes.

Porém, ainda não se publicou tal entrevista integralmente, em Portugal e que eu saiba. Publicou-se no República, numa edição publicada em França, para emigrantes, com quatro páginas, pelo vespertino parisiente Le Quotidien de Paris, que  em 23 de Julho de 1975 publicava também um documento muito secreto que um certo Boris Ponomarov, muito próximo de Cunhal,  elaborara em Moscovo.

A revista Paris Match de 28 de Junho de 1975 publicou aquela entrevista de Oriana Fallaci, integralmente.

É ler e sublinhar a parte em que Cunhal afirmava todo lampeiro que "em Portugal jamais haverá oportunidade para uma democracia de tipo ocidental, com há na Europa".

Tal afirmação ocasionou um dementido do PCP. Oriana Fallaci reafirmou então tudo o que publicara e como publicara, informando que a entrevista estava gravada e que se quisssem poderiam confirmar. O PCP e Cunhal nunca quiseram...porque "as verdades também podem ser relativas"...

Quanto à imprensa portuguesa da época, na generalidade não tomou conhecimento do assunto. Eventualmente por não saberem italiano, não conseguiram traduzir a entrevista e apenas o Expresso a mencionou, assim muito ao de leve e com a frase mais polémica, associada ao desmentido do PCP.
O jornalismo português é singular. E o de 1975 ainda mais era. 

Sobre este assunto, é caso encerrado. Assim como o é o facto de o Pravda de 23 de Junho ( segundo o livro de Joaquim Vieira, Nas bocas do Mundo) ter escrito preto no branco que "o pluralismo [em Portugal] e só uma fase de transição da revolução.".
Pena não haver por lá um Milhazes que trouxesse a notícia nessa altura...mas também agora, porque afinal o PCP é o mesmo: o pluralismo é apenas uma fase...e eles não mentem porque só se referem a essa fase. A outra...


Mais suores frios para mr. Constâncio...

 
Em declarações ao Expresso, Nuno Melo explica que como eurodeputado tem o poder de interpelar diretamente o Banco Central Europeu, onde Constâncio ocupa o lugar de vice-presidente. É à luz desse mecanismo que Melo irá enviar uma carta onde vai pedir explicações.
O centrista, um dos deputados que mais se destacou na 1ª comissão de inquérito ao BPN, quer perceber se Constâncio confirma os alertas de Barroso, o que é que lhe foi transmitido pelo então primeiro-ministro e o que é que fez em consequência.
Na carta, que será enviada esta terça-feira, Melo explica que não só irá citar as declarações de Barroso, como também vai lembrar o buraco deixado pelo BPN, que já chega aos oito mil milhões de euros.
A propósito desse prejuízo, o eurodeputado lembra ao Expresso que Constâncio o acusou de ser "ignorante" quando, em comissão parlamentar, em 2008, Melo referiu que o prejuízo do BPN já ia em três mil milhões.
Em entrevista exclusiva dada ao Expresso e à SIC, Durão Barroso revela que, quando era primeiro-ministro, chamou "três vezes Vítor Constâncio a São Bento para saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade".
Por causa destas declarações, também o PSD, através do deputado Duarte Marques, decidiu questionar a "negligência" do Banco de Portugal. O deputado enviou uma carta ao atual governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, com várias questões que pretende ver esclarecidas sobre a atuação do organismo. 
 
 Pronto, já está. Vamos ver outra vez o Constâncio "muito competente", com os suores frios do costume...


Aos papéis, literalmente...


E a bufar como um desalmado...






Coitado do Constâncio. Tão competente e sempre a questionarem-lhe o raio da competência...


domingo, 30 de março de 2014

Otelo, "um adolescente imaturo" escolhido para mandar...

Otelo Saraiva de Carvalho não tinha sequer 40 anos em 25 de Abril de 1974 quando ficou encarregado da estratégia militar que levou a cabo o golpe de Estado.
 Salgado Zenha um dia chamou-lhe "adolescente imaturo" e passados 40 anos anda por aí, por escolas básicas a contar a crianças como foi o "25 de Abril". Não sei o que contará, mas sei o que contava logo na época e alguns anos depois.

Ultimamente disse ao i, no passado 26 de Março, o seguinte:

Tive de tomar decisões – enquanto comandante da região militar de Lisboa, do Comando Operacional do Continente (COPCON) e conselheiro da revolução – ao minuto. Muitas delas foram tomadas sobre os joelhos”, afirmou.
Nessa corrente, confessa o agora coronel, ter-se-á excedido: “Eu excedi largamente as minhas funções. Fiz coisas…”
“Coisas” que fez porque “as pessoas não queriam assumir as suas responsabilidades”. Por isso, viu-se “obrigado” a decidir, às vezes “sem ter dez minutos para pensar”.
“Parecia o Passos Coelho: vamos vender os quadros do Miró, afinal não se podem vender…”, ironizou.
Quatro décadas depois, reconhece excessos embora não se arrependa: “Era necessário tomar decisões, mesmo que elas fossem más. Tinham de ser tomadas. Depois logo se via.”
“Foi o que aconteceu inúmeras vezes, uma delas com a reforma agrária, quando mandei ocupar as terras”, contou. Nas duas semanas seguintes, “1,2 milhões de hectares de terras foram ocupadas no Alentejo”.

Em 17 de Maio de 1975  dizia ao Expresso coisas sobre o poder político, o MFA e os partidos. Passado um ano depois do golpe, Otelo que confessadamente nessa altura ainda nem sabia quem era Álvaro Cunhal,  já se informara e formara suficentemente para alvitrar modelos políticos de organização do Estado.


Nessa altura, como comandante adjunto do COPCON e governador militar de Lisboa. Otelo tinha um poder fantástico, sem grandes limites que não os de um senso comum que por vezes lhe faltava, como admitiu agora e antes, a propósito de ocupações selvagens de terras, quintas e casas.

Em 17 de Abril de 1999 o Expresso ( José António Lima e Fernando Madrinha)  entrevistou-o longamente e transcreveu a entrevista em mais de vinte páginas.

Algumas delas reportam-se às funções exercidas no COPCON, a propósito dessa e outras acções, como a emissão de mandados de captura em branco. Otelo diz que " se não assinasse os mandados de captura seria eu o sabotador do processo revolucionário"...

As prisões, arbitrárias porque não há outro nome para tal ( "nós não tínhamos informação concreta sobre quem estava por trás da ´maioria silenciosa`e decidimos prender figuras de proa do regime fascista") , teriam sido ordenadas e autorizadas pelo próprio Costa Gomes, segundo Otelo. Logo em 28 de Setembro de 1974.

Quanto às ocupações de terras de que agora fala, é assinto da sua inteira responsabilidade. E a explicação que dá é incrível 





Depois destas aventuras, Otelo teve outras, por conta da doença infantil do comunismo que o afectou gravemente. Precisou, por causa disso, de um período de repouso prolongado. 18 anos era o prazo previsto, mas acabou por se tratar em cinco anos, com amnistias e perdões do poder político que foi estando.
Anda agora pelas escolas...tra la la la la....quanto terão custado ao povo português estas aventuras de Otelo?  Será que se justificam pelo que fez em 25 de Abril de 1974?  Ou teria sido preferível ficar quieto e calado, deixando o regime evoluir "à espanhola"?

sexta-feira, 28 de março de 2014

A fonte luminosa do Norte

Em 1974-75 quem combateu eficazmente o comunismo? A pergunta é logo considerada pestilenta pelos comunistas porque pressupõe a natureza maléfica daquilo em que acreditam.

Em Portugal, esta lógica tem sido sempre assim: o partido comunista e o comunismo esquerdista em geral, aqueles que o PCP apoda de doentes infantis ( e que por isso lhes trataria da saúde logo que pudesse...) foram sempre acaparados pelos media, logo nos primeiros dias a seguir a 25 de Abril de 1974. O aparecimento de Álvaro Cunhal, no aeroporto de Lisboa, acompanhado pelo cunhador do "fassismo", Domingos Abrantes e mulher, foi um happening logo, ali. Cunhal subiu para uma chaimite e discursou e a partir daí foi uma caminhada triunfal até ao 11 de Março de 1975, com um PREC acelerado que se estampou de tanta velocidade, em 25 de Novembro desse ano.

Durante esse tempo quem se opôs a que o PCP e o comunismo esquerdista tomassem conta do destino político do país? Todos dirão: Mário Soares. E é verdade. Soares, vendo o chão político a fugir-lhe debaixo dos pés, abandonou por uns tempos o papel de Kerenski ( que estava apostado em retomar, logo no final de 1977 quando fez um pacto secreto com o PCP que no entanto não chegou a vigorar) e lutou em palavras e actos, com muitas omissões pelo meio, porque Soares é, naturalmente, um pecador. Fez demasiadas concessões ao PCP e continuou a fazê-las pelos anos fora, tendo uma recompensa final: foram eles quem o elegeram presidente da República e isso não se deve olvidar.
O maior acto de Soares, contra o PCP, foi o da Fonte Luminosa, em Julho de 1975, em que Soares, depois do almoço lauto da praxe ( desta vez com Michel Rocard) foi para a fonte como leonor pela verdura, fermoso no discurso  mas não seguro das consequências. Coragem, dizem agora...

Pois, Soares lutou por si próprio e coragem também houve noutros lados e com outra gente que sempre lutou contra o comunismo por saber o que essa ideologia gastava em opressão e massacres.

Em finais de 1974, enquanto Soares ainda andava a namorar o esquerdismo do PCP; havia no Norte de Portugal quem se lhe opunha de um modo eficaz e contundente: o arcebispo de Braga e o cabido da Sé, pelo menos, com ajuda de alguns "homens bons" da cidade e arredores que sabiam o que os esperava no caso de o comunismo ganhar: no mínimo a prisão e a pena de morte em consequência acidental. Alguém duvida?

O ambiente era este tal como contado pelos jornais da esquerda, na época. O Expresso de Junho de 1974 já mostrava a "preocupação" com a Igreja e houve reuniões a propósito, com os habituais peixinhos vermelhos no aquário, como se podem ler.

Em Dezembro de 1974 a diplomacia das reuniões deu lugar à acção contra a "reacção". O Expresso de 21 de Dezembro de 1974 contava como era o problema...e o jornal comunista Sempre Fixe ( Ruella Ramos, também director do Diário de Lisboa) dava o mote: abaixo a reacção da Igreja.



E onde estava esta "reacção"? No Norte, particularmente em Braga, capitaneada pela hierarquia eclesiástica, onde avultava o arcebispo, D. Francisco Maria da Silva e o cónego Melo. Foram eles que polarizaram a "reacção" ao comunismo, com as razões certas e que eram sempre omitidas nos media, como ainda hoje o são.

No Sempre Fixe de 16 de Novembro de 1974 até se anunciava a intenção de "sanear o arcebispo", atribuida aos "cristãos de Braga", tipo sei lá, aqueles que se reuniam na livraria Vítor ou coisa assim...


O que é que isto poderia dar? Nada de bom. E em Agosto de 1975 o ambiente estava ao rubro, literalmente, porque "o chibo vermelho" ( letra de Zeca Afonso numa cantiga de 76)  tomou o freio nos dentes e foi o que se viu: estampou-se a todo o comprido em Novembro de 75.

A Paris Match de 23 de Agosto de 1975 mostrou o que mais ninguém mostrou em Portugal, nessa época. Curiosamente, a "igreja reaccionária" não tinha rostos, apenas nomes...

A "reacção" ao comunismo foi violenta no Norte e em Braga, Famalicão e Ponte de Lima, as sedes do Partido foram assaltadas. Como se mostra nessa revista, começando com os rostos da reacção, os verdadeiros corajosos do Norte e da Igreja: precisamente o arcebispo D. Francisco e o cónego Melo, atrás da mão que ostenta um anel que anos antes tinha beijado, no meu Crisma.


Como se pode ver, o povo "saiu à rua num dia assim", em Braga, como em mais nenhum outro lugar do país, para lutar contra o comunismo, uma luta que seria de morte. Esta imagem nunca apareceu em lado algum na imprensa portuguesa da época, et pour cause.  Esta foi a fonte luminosa do Norte de Portugal.

No Porto, na mesma altura, Otelo era aplaudido de modo entusiástico. Assim: "vai p´ra Moçambique, p´rá tua terra!" Deve lembar-se, o Otelo...porque estas coisas não esquecem, com o carro cercado coisa e tal e  como as ordem de captura assinadas em branco, para o freguês a quem as entregou, preencher...
O das barbas, ao lado, de Lacoste, estava preocupado...e Otelo parecia querer abrigar-se dos impropérios das gentes do Norte. Agora anda por aí, a contar historietas da carochinha democrática e do joão ratão fascista, ele que meses antes disto jurava que na Suécia é que sim...


A imagem da capa, respeita, segundo a revista, a um desgraçado comunista, salvo in extremis do linchamento popular, em Braga.

Violência gera violência, já lá diziam os antigos.

Entre os católicos havia também os que colaboravam com o comunismo. Assim como se mostra no Sempre Fixe de 30 de Setembro de 1974  e agora escrevem no Público, ao Domingo. Seria o futuro Primaz...caso Novembro não fosse o que foi. Ainda terá pena?



Já agora ficam também as restantes páginas da Paris Match.


Chamava-se José Miguel, o Alentejo o viu nascer...

Tal como Catarina Eufémia, nasceu no Alentejo e era comunista. Em 1961, foi morto por causa disso. Porém, não teve a sorte de ser cantado por Zeca Afonso, como herói e mártir, porque foi considerado traidor e inimigo do povo, pelo Partido.

Uma investigação da jornalista Felícia Cabrita, na revista Tabu do Sol de hoje, dá conta que terá sido o próprio Partido a executá-lo, com dois tiros, ao "traidor", num exercício muito típico de aplicação de uma justiça privada com um código penal particular.  Foi assassinado pelo Partido, tal como outros, aliás, nos anos 50 e 60 do século que passou e por motivos semelhantes: traição. Um crime com pena de morte, abolida em Portugal no início do século XX  e uma prova que o comunismo mata em função de um direito penal privativo que não reconheceu esse avanço civilizacional.

Estes factos, porém, para os comunistas actuais significam quase zero. Em primeiro lugar, por muitas provas circunstanciais que apareçam, serão sempre calúnias e falsidades, engendradas por forças obscuras. Dantes era a CIA, a autora de tais histórias fabricadas para denegrir o sagrado comunismo. Agora é a extema-direita, dos fascistas e reaccionários, como este blog será eventualmente classificado.Uma loca infecta da extrema-direita e fica o caso arrumado, sem mais aquelas.
Os factos para os comunistas são sempre relativos e funcionais. Como Álvaro Cunhal dizia numa entrevista ao Expresso ( Maria João Avilez) em 30 de Março de 1985, "as verdades também são relativas". Absolutas são apenas aquelas que se referem ao fascismo reaccionário do obscurantismo salazarento do Estado Novo. Essas são indiscutíveis porque são dogmas do Partido. O resto não interessa.


O António Filipe e o Bernardino da câmara pensam assim? Que remédio...o que iriam fazer na vida se não fosse o Partido?

Mais uma vez, estas histórias trazem á colação so crimes do comunismo por esse mundo fora, particularmente na Uniãoo Soviética, que Cunhal frequentava e onde era acolhido como um dos "deles", ou seja, um traidor nacional típico e que de bom grado nos entregaria enquanto país, à órbita da então URSS e do comunismo internacional, em 1974-75.

Nessa pátria do comunismo tinha estado, em meados dos anos trinta, um outro herói comunista ( não traiu), Francisco Miguel,  preso no Tarrafal durante um pouco mais de meia dúzia de anos e que foi a Moscovo em 1935 onde passou ano e meio em "formação política". Nessa altura decorriam os tristemente célebres "processos de Moscovo", devidamente denunciados por Krutschev, nos anos 50 após a morte de Estaline, o guia luminoso de Cunhal e outros comunistas portugueses, incluindo os actuais dirigentes. Essa denúncia dos crimes de Estaline foi obliterada pelo PCP como "verdade relativa"...

A revista francesa L´Histoire, de Outubro de 2007. escrevia assim sobre o assunto:


Em Janeiro de 1974, a revista francesa L´Éxpress, a propósito do lançamento do livro de Soljenitsine, O arquipélago de Gulag, de que muitos portugueses nunca ouviram falar, porque os media silenciaram o facto, censurando objectivamente uma notícia de relevo mundial, na época ( precisamente na altura do 25 de Abril de 1974) , publicava estas duas páginas em que se relata um facto que o PCP deve atribuir a propaganda da CIA ou da extrema-direita:  entre 1942 e 1946, os comunistas soviéticos internavam em campos tipo Tarrafal, como traidores á pátria,  os soldados que regressavam da "frente" depois de terem sido presos pelo inimigo nazi, em lugares apropriados a "descontaminação", por entenderem que o simples  facto de os terem capturado, os tornava suspeitos de contaminação pelo capitalismo. A revista, citando Soljenitsine, escreve que a URSS seria o único país no mundo que tinha tratado dessa forma jovens caídos nas mãos do inimigo, mesmo por causa de erros estratégicos de Estaline...o que aliás valeu a Soljenitsine o internamento num desses campos, por ter criticado e gozado o supremo líder numa carta particular escrita a um amigo...e lida pela Tchecka ou o sucedânio ( mas é igual porque para o PCP só há PIDE)


Estes factos e esta História não existe para o PCP e apanigados do Partido. Tudo isto é propaganda anti-comunista que nem merece a menção noticiosa. Nunca mereceu, porque logo nos dias a seguir ao 25 de Abril, o Partido tomou conta do controlo dos media e designou logo para esse efeito o grande Letria que agora preside à SPA ( escrito por ele mesmo no seu livro de memórias a recordar o tempo em que "tudo era possível"). E era, mesmo estas censuras e obliterações da História, alás nunca contada.
 O jornalismo português nunca deu relevo a estes factos e a estas histórias, nem sequer na altura da queda do muro de Berlim, em 1989

Como dizia Cunhal, " as  verdades também são relativas"...porque isto é tudo mentira para denegrir o comunismo. Os processos de Moscovo não correram nada assim. A desestalinização não foi nada disto. Soljenitsine foi um traidor que só não apanhou com dois tidos porque ganhara o prémio Nobel em 1970 e o que contam da exURSS é falso  e calunioso.

É assim que o Jerónimo dirá se lhe perguntarem. Que aliás não perguntam porque os jornalistas portugueses também não querem saber destas coisas. E se os factos forem evidentes e ululantes arranjam uma táctiva velha e relha: apontam para o outro lado e mostram que também mataram e esfolaram...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sousa Franco em 1978: Portugal perante o futuro...

O  Jornal de 4 de Agosto de 1978 publicou um notável artigo de Sousa Franco, na esteira de um outro, alguns anos antes ( 1975) sobre a "classe política".

Aqui fica para leitura:


São Rosas, senhor...

Fernando Rosas, historiador nas horas vagas de contos da carochinha democrata e do joão ratão fascista, coordena um "grupo de investigadores" que descobriu um furo para notícia de cacha :

Uma equipa de historiadores coordenada por Fernando Rosas já identificou, só na fase inicial de uma investigação em curso, cerca de três centenas de portugueses que foram utilizados pelos alemães como trabalhadores forçados durante a Segunda Guerra Mundial.


Pronto. Ainda não sabíamos o quão horríve foi o regime nazi, apesar de sabermos, com as histórias da carochinha do historiador Rosas o quão hediondo foi o regime fascista de Salazar e Caetano. Temos por isso uma novidade de arromba cachas e notícas de abrir telejornal.


Rosas já foi comunista do PCP, nos anos sessenta; fundou o MRPP nos setenta e nos oitenta arranjou um PSR, altura em que se concluiu em mestrado que lhe permite ser apaniguado da  fundação emérita do grande Mário Soares, paga por todos nós.


AInda não teve tempo para coordenar um grupo de historiadores que nos dessem conta do que era a pátria do socialismo que defendia para Portugal logo no 25 de Abril de 1974. Um socialismo de olhos em bico e chicote na mão...com muitas histórias para contar, melhores que as da carochinha democrata e do joão ratão fascista. Sobre essa parte da História, Rosas emudece, desvia e dedica-se ao estudo do "fassismo" e do nazismo, com mais pano para mangas de diversão.

Rosas, assim, não quer saber dessas lendas que queria  impingir  por cá. Sobre campos de trabalho e gulags, por exemplo, há quem saiba e  informe melhor do que Rosas o faz sobre a carochinha democrata.
Rosas é outro dos que falava O´Neill...




Costa Gomes, 1978: Portugal e o passado

Entrevista do general Costa Gomes ao O Jornal de 30 de Junho de 1978. Tinha então 64 anos e fora presidente da República durante dois anos a seguir a Spínola. Era a primeira vez, nesses dois anos que concedia entrevistas deste género. Vale como uma espécie de testamento político sobre o passado da "descolonização exemplar".
Em 5 de Abril de 1975, na revista francesa Paris Match, o jornalista brasileiro Carlos Lacerda escrevia que alguém lhe dissera,  provavelmente o próprio Spínola que se encontrava no Brasil para onde fugira por causa dos acontecimentos de  11 de Março desse ano  que "A questão é saber se Costa Gomes está ao serviço dos comunistas porque é um deles, ou porque os pretende usar".
Com o tempo, parece que nem uma coisa nem outra. Costa Gomes foi um traidor. Apenas. Embora com boas intenções, daquelas que enchem os infernos, mas que eventualmente ajudaram a salvar Portugal de uma guerra civil que começaria no Norte.

Há uma frase na entrevista que resume todo o drama da "descolonização exemplar" dos Soares, o propalado "pai da democracia" que era o pivot do exemplo político a dar e não apenas de combate ao PCP para manter lugar na política nacional. Por outro lado as entrevistas que deu em 1974, ao Der Spiegel por exemplo ( ver aqui) , denotam bem a falta de sentido de Estado que tinha na época em relação a este assunto e o desprezo objectivo que lhe mereceram os cidadãos nacionais do Ultramar. Dos Almeida Santos, negociador da "paz" com os movimentos que eram terroristas e passaram a ser de libertação, ministro da coordenação inter-territorial nos quatro governos provisórios entre 1974 e Julho de 1975, período crítico deste problema nacional e com entrevistas sempre enguiosas  e quejandos como Manuel Alegre ( enviado especial...), detentores na época do poder político e que deveriam ter má consciência do que fizeram mas ainda se gabam do feito. Sobre os militares de então nem é bom falar, ao lembrar um Rosa Coutinho enfeudado ao PCP.
Diz Costa Gomes que " Se tivéssemos tido umas Forças Armadas realmente dispostas a não permitir a entrada nas cidades de elementos armados dos três movimentos, a descolonização de Angola teria corrido melhor". É isto que deita por terra a ideia de inevitabilidade da fuga em massa e em ponte aérea, com quase nada nas mãos e é isto que permite dizer que Portugal deveria ter feito mais e melhor, porque o poderia ter feito se não fossem aqueles "estadistas" de meia tijela que passsarm 40 anos a usufruir de vantagens que o regime permitiu  se acaparassem, como "pais da democracia", olvidando estes crimes de lesa-pátria, como inimputáveis que são.

A História ainda os não julgou porque os media ( que ainda controlam) escondem estas realidades, mas um dia o fará. Por enquanto as culpas são todas de Salazar, Caetano e do "fassismo". 



Para se perceber o "quadro" das forças políticas nestes primeiros anos, torna-se curioso ver este quadro de O Jornal de 18. 8. 1978. Apesar de predominância de "moderados" quem mandava na rua era o comunismo, incluindo a rua mediática. E os políticos da "descolonização" deixaram-se conduzir pela "rua"."Nem mais um soldado para as colónias" era mote do MRPP. Saldanha Sanches foi preso logo em 1974, ( em Caxias, onde estivera antes durante oito anos)  por apelar à deserção de militares nas antigas províncias ultramarinas, a fim de a "transição" ser mais rápida...
Enfim, foi o mais completo desnorte que os nossos estadistas aludidos souberam gerir do modo e consequências que se conhecem. E gabam-se do feito...


quarta-feira, 26 de março de 2014

Jacques Monod, biologia, comunismo e enganos

Em cumprimento de promessa ao comentador Floribundus deixo aqui três recortes do Díário Popular de 20 de Julho de 1971 que guardei, na altura, por causa de um artigo de duas páginas sobre os "documentos do Pentágono sobre a guerra no Vietname" e que ia já na parte VII, "top secret".  Em bónus aparecia esta entrevista muito interessante com Jacques Monod e que foi mencionado no outro dia nos comentários deste blog.

A entrevista torna-se interessante porque Monod, tendo sido comunista durante a II guerra mundial,  explica que o foi   "tal como muitos homens de ciência. Acreditei que o marxismo era uma atitude científica trazida ao estudo dos problemas político-sociais. Dediquei um certo tempo a isso e então veirfiquei que era tudo um engano."

A questão que coloco é: como se explica que estes artigos de jornal popular, saídos em 1971 não tenham ajudado a formar a consciência colectiva que os franceses, por exemplo, já tinham em 1974, sobre o comunismo?
Porque é que o comunismo e esquerdismo em geral concitou tanto entusiasmo entre intelectuais portugueses e principalmente os pseudo-intelectuais que escreviam em jornais, mormente entre os jovens tipo letrias? Ah! E Monod não é propriamente de direita...
Não sei e ando à busca de resposta.  O Diário Popular dos anos setenta, até ao 25 de Abril de 1974, era um manancial de informação cultural, com suplementos de dupla página central de "letras artes" à "quinta-feira à tarde".  Tenho vários ( por  exemplo o de 28 de Janeiro de 1971, com artigos sobre escritores portugueses como José Cardoso Pires, a propósito de O Delfim ou Isabel da Nóbrega ou ainda uma recensão crítica ao livro A Sibila de Agustina Bessa Luís, escrita por Manuel Poppe, qu julgo ser pai de Pedro Mexia e ainda um poema de...Brecht).  Hoje não encontro paralelo nos media nacionais. Desconheço se nas bibliotecas nacionais se guardam exemplares deste jornal Diário Popular dos anos setenta. Porém, uma coisa me parece certa: os jornalistas que andam por aí, a escrever actualmente, depois de tirarem cursos de "relações internacionais" ou ainda mais específicos, com aulas dadas por ruisrangéis e outros marinhosepintos ou juditesdesousa e mais fatimascamposferreiras, deveriam antes aprender nestes jornais, como se fazia jornalismo. Aprendiam mais, sem qualquer dúvida.





O senhor Secousse

Ainda a propósito das aventuras prandiais de Mário Soares, O Jornal de 3 de Março de 1978, ano rico em manifestações pós revolucionárias que sedimentaram o antifassismo primário em forma de lei, temos hoje a coda dos recortes de ontem.

O episódio relatado por um inglês laureado por Oxford sobre uma entrevista de Mário Soares a propósito da "austeridade" de 1978. O jornalista Mortimer veio a Lisboa e entrevistou o português Mário Soares, para o The Times de Londres. A conversa fluiu em francês que inglês é dialecto sobre o qual o mesmo, à semelhança de Finanças, "sabe muito pouco".

Segundo relata o Jornal, na tradução algo se terá perdido em sentido literal que não semântico. Vai daí, desmentido à sócrates, aldrabando o sentido para atenuar o efeito.
Em bónus, a crónica de Eduardino PC, já falecido, para eterno descanso do cabotinismo e cretinice que transportava sempre a tiracolo, disfarçado de intelectualismo afrancesado.


terça-feira, 25 de março de 2014

Ó sr. Soares, desapareça!


Mário Soares assina hoje no Diário de Notícias uma crónica de risota. Para além do paleio de chacha e  já  chéché, tem na última coluna uma pequena antologia do seu modo de governar o país, nos anos setenta, particularmente em 1976-78, altura da primeira bancarrota.


A petite histoire que Soares conta, a propósito de um episódio patético ocorrido no II governo constitucional, a que presidiu durante meia dúzia de meses ( de Janeiro de 1978 a finais de Julho do mesmo ano) depois de lá ter estado no mesmo posto no I governo constitucional da democracia, merece destaque e comentário com memória do tempo que Soares parece ter esquecido em toda a extensão, guardando apenas uns episódios típicos de decrepitude senil.

Neste caso conta que sendo o seu camarada de internacional socialista, Helmut Schmidt, chanceler da Alemanha ( desde 1974 que o era e assim foi até aos anos oitenta) foi lá pedir esmola, em determinada altura que não indica mas necessariamente nesses  meses, porque levou consigo o sempre constante Constâncio então ministro das Finanças e do Plano, porque muito lá de casa da Maçonaria e considerado muito competente por insuspeitos como Freitas do Amaral ( afirmou-o nessa altura, sem rebuço), apesar dos resultados catastróficos da política económica seguida.

A esmola que Soares foi mendigar a Bona era de vulto porque estávamos na corda bamba da bancarrota, desde meados de 1976, quando Soares assumiu o comando do I governo Constitucional e não foi capaz de fazer melhor do que aguentar o barco da pátria, chamado o FMI e recorrendo a todas as ajudas possíveis. Assim lhe diziam que devia fazer e Soares fazia, porque de Finanças sempre "percebeu muito pouco"...

Em Bona, enquanto Vítor Constâncio expunha a situação dramática do país ao camarada Schmidt, particularmente a financeira de que Soares "percebia tão pouco" (assim o escreve) o bon vivant do costume resolveu sair e ir a ...um museu. Dali a uma hora, já com a situação financeira bem exposta, foram almoçar que foi para isso que fora convidado...e até recebeu os parabéns do camarada Schmidt que achou o tal Constâncio "excepcional". E tudo ficou resolvido, escreve Soares. Mas não ficou, porque de empréstimos víviamos então e para lembrar a quem não se recorda ou não quer recordar e mostrar a quem ainda não sabe, aqui ficam mais uns recortes para tal.

Em finais de 1977, o I governo Constitucional de Soares estava nas últimas. Porém, teve o topete de apresentar uma moção de confiança no Parlamento que naturalmente foi...chumbada e o governo caiu. Ramalho Eanes ficou com a batata quente nas mãos e o país com o FMI à perna e os empréstimos avulsos, alemães e americanos,  para pagar.

o Jornal de  9 de Junho de 1976 contava como estávamos, na sequência da aventura do PREC e da renitência do PS em alterar a situação económica, com uma Constituição que nos prometia ( e ainda promete) que íamos a caminho do socialismo ( até 1989 era até à sociedade sem classes, verdade- não é para rir...) e o PS a bater palmas ( ainda hoje bate).



Nessa altura,  Setembro de 1976, Medina Carreira era o ministro das Finanças de Soares que dessa matéria, confessadamente, percebia zero ( de política sabe ele...mas de Finanças é sempre com os outros e sempre foi assim ao longo de todos os governos. Agora arma-se em sabedor, o que não deixa de ser patético) e Medina Carreira que deve lembrar-se bem disto mas não fala muito, dizia que estávamos nas lonas. Daí o FMI e os empréstimos, claro.



















 E os "pacotes". Este foi o primeiro em Agosto de 1977...que Soares não se lembra mas foram duros. Se calhar mais duros que agora. O "empobrecimento"  então era palavra desconhecida, assim como os culpados directos. Aliás, estes eram conhecidos: os fascistas, claro.Os do antigo regime que desgraçaram a economia com os "monopólios" e o "condicionalismo industrial"...


Esta situação económica não podia levar a lugar que se visse, politicamente. Por isso, em final de 1977, Soares apresentou a tal moção de confiança, com este resultado, como mostra o Jornal de 9 de Dezembro de 1977:


O PCP era o pivot do chumbo ao governo.Repare-se no paleio de chacha de Soares, sempre o mesmo e com apelos constantes ao "fascismo" ( de direita e esquerda) , democracia e noções repisadas de desgraças de um porvir sem ele ou os camaradas a mandar. Como agora. O que pretendia Soares com isto? Manter-se no poder, apenas e só. O país? Estavam lá os constâncios para tratar das miudezas das finanças, matéria de que confessadamente, escreveu-o agora, "percebia muito pouco". Foi isto que nos calhou na rifa democrática e eleitoral durante décadas e ainda lhe dão ouvidos. Citando O´Neill, Soares é o típico governante de um país das maravilhas onde quem manda pode dar-se ao luxo de nada perceber de finanças. Basta saber de...política.

O país de Soares é " o País dos gigantones que passeiam a importância e o papelão, inaugurando esguichos no engonço do gesto e do chavão.E ainda há quem os ouça, quem os leia, lhes agradeça a fontanária ideia!"
Como diriam os italianos,  "porca miseria!"



Curiosamente, nas negociações para o II Governo Constitucional, o tal em que entra o fantástico Constâncio, sempre apresentado como muito competente ( ainda hoje é assim referido, sempre muito competente...) o  Jornal de 17 de Fevereiro de 1978 dava conta de um documento secreto que demonstrava que o PS e o PCP tinham negociado um acordo de governo...pelo que é fácil de entender de quem é a responsabilidade pela primeira bancarrota, com ideias tão brilhantes como esta. Sobre isto é que Mário Soares devia falar, se se lembrar o que se duvida:



Portanto, com estas companhias, o PS ia longe...com o tal Constâncio ao leme das Finanças, sempre muito competente.

Em 3 de Fevereiro de 1978, Medina Carreira, agora de fora do barco socialista em naufrágio com o país a rasto, fazia o diagnóstico: "grande empréstimo". Mas não era o da Alemanha que o sempre muito competente Constâncio foi explicar ao Schmidt. Era outro, o do FMI...



Medina Carreira, no programa Olhos nos Olhos é que podia falar nestas coisas e calar o velho Soares, de vez. Mas não fala...

A situação portuguesa era dramática, com mais de dois anos de governos socialistas. E por isso...austeridade era a receita, aliás já conhecida desde Agosto de 1977. 


Em Junho  de 1978, quase um ano depois, o O Jornal dava conta de quem eram os nossos credores, a "troika" de então e os fautores do nosso "empobrecimento", por causa da primeira bancarrota ( e ainda haveria de vir a segunda, dali a meia dúzia de anos e sempre com este velho Soares, muito querido dos media nacionais...)

E como é que Soares, o desmemoriado, defendia publicamente este empobrecimento? Sempre com grandes palavras e proclamações de relevo. O paleio de chacha do costume, sempre usado para enganar papalvos e assim levou uma vidinha de luxo(s). Assim, em Maio de 1978:


 Em finais de Julho de 1978 escassa meia dúzia de meses de governo, o II de Soares ia à vida. Ramalho Eanos, então presidente da República tirou-lhe o tapete, eventualmente farto da incompetência de Soares, mas sempre com o muito competente Constâncio ( que viria mesmo a ser convidado para o governo seguinte, de Nobre da Costa, mas não aceitou...)

O Jornal de 4 de Agosto de 1978 dava um pequeno vislumbre de tanta competência agregada nas ondas de fumo do cachimbo.


O perfil jornalístico, esse, tinha sido mostrado em 3 de Março desse ano, com um currículo invejável de competências avulsas. Até de catedrático sem doutoramento.


Assim perante tamanha competência governativa, Ramalho Eanes, não se comoveu e...demitiu o II de Soares, ainda infante e com dentes de leite. A demissão era semântica porque constitucionalmente poderia ser...exoneração. Ou não. Canotilho e Vital Moreira escreveram então um artigo sobre o assunto magno. Seja como for, Soares foi corrido e Soares nunca lhe perdoou, a Eanes. E até pensou na altura no tribunal Constitucional, tentando anular a decisão macaca que lhe tirava a possibilidade de ir a Bona almoçar com o camarada Schmidt e ver uns museus de passagem, enquanto o seu competentíssimo ministro das Finanças e do Plano tratava   de estender o chapéu para o empréstimo da praxe.


E as realizações do II governo, perguntarão então?

Em 4 de Agosto de 1978 , o mesmo O Jornal, pela pena de Luís Pinheiro de Almeida,   mostrava  o balanço do II Governo Constitucional. Fantásticas: empréstimos ao FMI, aos americanos e aos alemães.

Sempre de chapéu na mão e Soares a almoçar que de Finanças percebia muito pouco. Ainda percebe menos, agora.

E depois de 1978? Continuamos a saga dos competentes...de chapéu na mão perante os credores. Como agora.