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sábado, 24 de janeiro de 2015

A diplomacia económica com o reco às costas




O Correio da Manhã de hoje transcreve pequenas mas significativas partes do recurso da medida de coacção aplicada, interposto pelo advogado do recluso 44,  Araújo.

Tal recurso versa sobre os elementos de facto e de direito que ficaram nos despachos das autoridades judiciárias e serviram para fundamentar aquela medida de coacção máxima. Como se adivinha pela notícia de hoje, contém os elementos que podem alimentar durante semanas as notícias de jornal.
Violação de segredo de justiça? Equivale à que a defesa tem feito...e não adianta proclamar que se é Charlie e depois não admitir esta liberdade de informação...


O recluso 44, segundo o teor do recurso agora exposto,  admitiu claramente no interrogatório judicial  que a empresa Lena e o amigo Santos Silva eram "pessoas a quem devo atenções".

"Atenções" neste contexto preciso são vantagens claras e inequívocas. O recluso 44 foi apanhado em escutas a pedir favores para essa empresa, a um dirigente angolano e agora chama a isso "diplomacia económica". Compara tal actividade à desenvolvida pelas instituições oficiais que "vendem empresas" pelo mundo fora. Obviamente a troco de algo e raramente pro bono, tal como se evidencia pelo teor do recurso.

No caso do recluso 44 tais vantagens já tinham sido aproveitadas e tratava-se agora de recompensar as prendas a favor de quem lhas deu, confessadamente.

Quando é que o recluso 44 teve oportunidade para fazer algo que lhe rendeu, "confessadamente" tais vantagens? É essa a outra parte da equação da corrupção.

Assim, basta ligar os factos: vantagens recebidas, favores trocados, e muitas, muitas adjudicações anteriores de contratos a favor do grupo Lena e daquele amigo particular, durante os governos desse consulado.
Qual o "link", a prova irrefutável deste fenómeno de corrupção? Não se deve esperar uma declaração formal e escrita sobre tal entendimento tácito porque é mesmo assim. 

Só não vê isto quem não quer e só não dará importância a isto, como decisiva prova indirecta,  quem assuma que o bácoro às costas do malfeitor é afinal um bicho sem importância e de que  nem o próprio se dava conta, chamando-lhe agora "diplomacia económica". É preciso ter lata!

Por outro lado, o jornal menciona a profunda ofensa com que  que terá sido atingido o recluso 44 quando as mesmas autoridades judiciárias o trataram no interrogatório por José Pinto de Sousa, presume-se que precedido de "engenheiro" ( que parece que nem será sequer...).

O recluso considera agora que tal foi um acto de "despersonalização, de desidentificação e de desmoralização".
Ora bem. Aquando da sua inscrição na célebre Sciences Po da rua Saint Guillaume, em Paris, ( para preparar um lançamento mediático que, aparentemente tão bem feita  e escrita,  suspeito de que ainda  se venha a falar...) como é que o recluso 44 quis dar-se a conhecer, como personalidade? Assim: José Carvalho Pinto de Sousa, tal e qual. Mais: o endereço de correio electrónico confirma-o.
É preciso ter ainda mais lata para vir agora argumentar que o uso do nome sem o apelido do meio o prejudica como pessoa...

Portanto, a "extravagante e uníssona opção onomástica dos senhores procurador da República e juiz de instrução" mais não foi que uma homenagem singela ao próprio e a alegação de que tal constituiu uma " violação de personalidade, ao nome a à integridade moral" apenas mais uma ignomínia do recluso e a que o advogado Araújo dá guarida, sem qualquer pudor ou réstea de boa fé e de caminho usando, isso sim, uma táctica de achincalhamento dessas autoridades judiciárias, pressupondo ainda a superioridade institucional do recluso 44 sobre o poder judicial, como se confirmou por vários exemplos concretos, desde o dia da sua tomada de possse como governante.

16 comentários:

Zé Luís disse...

eh, eh, eh, um gozo, um glorigozo!

O mais interessante está, para mim, no fim, no finzinho: o CM vai ouvir o Camões do JN na CMTV!

Isto é ser Charlie!!!

Floribundus disse...

um pequeno entremês trágico-cómico
entre duas tragédias agonizantes protagonizadas pelo largo dos ratos

'saia mais uma falência bem tirada e com muita espuma'

habituem-se que hadem ver mais araujices

lusitânea disse...

A casa de banho do Sócrates em Paris de França dá para dois gajos ao mesmo tempo...e com a bênção da Fava claro...

foca disse...

José
Para responder à questão do 44 ser ou não engenheiro, pode ver em

http://www.ordemengenheiros.pt/pt/a-ordem/pesquisa-de-membros/pagina-2/?nome=Pinto%20sousa&security_code=3sszjt&

Há minutos atrás não havia lá ninguém com o nome dele, seja o real ou o artistico (presumo que a OE não aceite pseudónimos!)

foca disse...

Sobre o assunto post, acho que estão a caminhar na direção certa.
É pela diplomacia económica que devem avançar. Algures na ponta do novelo estarão as imensas ajudas estatais a paises "amigos", através de delegações politicas com empresas associadas, que fornecem serviços muito bem pagos.
Não é preciso inventar muito, procurem pela cooperação
- computadores
- casas
- infraestruturas de água, esgotos, estradas, escolas, hospitais
- candidaturas a fundos da ONU, OMS e banco mundial (cujos cadernos são elaborados por escritórios de advogados nacionais).
Enfim, os Perestrelos, Campos e outros do género estarão algures no extremo do arco iris, com o pote para trazer ao chefe.

Como é bom de ver, isso foi antes mas continua, mudaram as moscas mas ...

josé disse...

A equação é essa; o teorema tem que se bem demonstrado, mas a essência é mesmo essa e terá que existir uma consciencialização do poder judicial para isso.

Neste caso do recluso 44, o crime verificou-se porque houve mesmo vários atentados ao Estado de Direito e a corrupção está à vista.

Isto não é uma corrupção tipo sucatas.

Logo que tal seja devidamente entendido e delimitado, porque não se deve alargar a mais que isso, sob pena de impunidade, está demonstrado o teorema.

Como na Itália.

josé disse...

Terão as autoridades judiciárias consciência deste teorema e do modo como se deve propor?


É o que espero ver.

Rui Moringa disse...

Hihihihih, Hahahahah,

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=4360271

Só uma barrela acabaria com a pouca-vergonha.

BELIAL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BELIAL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BELIAL disse...

O trafulha zé das botas - foi, é e será, por muitas décadas, o maior tramoieiro da 3ª República.

Não lembro quem tenha tramoiado com mais qualidade e quantidade como ele.

É um talento, inato, tão natural e compulsivo como respirar.

O emaranhado labirintico de relações pressões, opressões, ameaças, cunhas, pedidos, "nomeações" e comissões . é tão vasto e dilatado que a cada semana mais surpreende.

É bem verdade: a realidade ultrapassa muitas vezes a fantasia.

Como ficção - moita flores tem aqui para uma série, com várias temporadas.

Moita parte da realidade criminal e faz filmes - o zé via filmes criminais e transformava-os em realidade.

Por comparação, até o begueiro caga -e -tosse - aparenta amadorismo beócio.

24 de janeiro de 2015 às 14:07
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Floribundus disse...

não sei como investigam a origem do dinheiro, mas sei como tentaria saber ao estabelecer o histórico simultâneo do 44 e do css,
provavelmente caminho próximo

-bens declarados anualmente a partir de 1980
-investigar empresas ligadas a: cova da beira / Magalhães / Lena / octapharma etc
(depósito de valores em contas bancárias dentro e fora do país)
-contas bancárias de outros dependentes políticos e familiares, inclusivé advogados, dos quais não se tem falado
-araújo é pro bono ou vai declarar
recebimentos e de que contas
-destino do dinheiro da venda da casa ou casas de Paris
-gastos feitos por familiares próximos: filhos e outros (Perna)

haverá certamente dados não coincidentes

até à acusação para julgamento o Sus domesticus ou barrasco continua à vista de todos
e vai crescendo

entretanto os 2 amigos beneficiam de 2 meses de descanso

S.T. disse...


O Costa está a propor a livre circulação entre os países da CPLP...

hajapachorra disse...

O que não entendo é como ninguém liga o pinto de sousa ao salgado. Esse é que foi o grande negócio, o da obstrução doirada da opa e da venda da vivo com imediata distribuição do valor da venda pelos accionistas espíritas. Esse é que é o crime de lesa pátria, a destruição da Pt. Desde então alguma grossa contrapartida houve por parte de quem a elas, às contrapartidas, estava habituado, em favor de quem usou tão servilmente a golden share. O resto, lenas, são amendoins quando comparados com isto. Rico salgado devia estar a ser espremido para dizer o que sabe do soçretino. Mas não, porque o regime vinha mesmo abaixo.

BELIAL disse...

O tramoieiro-mor é feliz nos eufemismos, como todo o trafulha burlão.

Muita "letra", muita treta.

Salta-Pocinhas, rapoisinha raposeta, pintalegreta, senhora de muita treta - como apodou, aquilino ribeiro, a sua personagem.

Santos Dias disse...

Por outro lado, o jornal menciona a profunda ofensa com que que terá sido atingido o recluso 44 quando as mesmas autoridades judiciárias o trataram no interrogatório por José Pinto de Sousa, presume-se que não queriam ofender o filósofo.