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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Cabras, cabritos e cabrões

Expresso:

Grupo Lena diz que pagou €3,3 milhões a amigo de Sócrates Comunicado do grupo de construção civil e obras públicas divulga valor exato recebido por empresas de Carlos Santos Silva entre 2005 e 2010.
Ao longo de cinco anos, entre 2005 e 2010, o Grupo Lena pagou serviços a empresas detidas por Carlos Santos Silva no valor de 3.287.600 euros, revela um comunicado divulgado esta quarta-feira pelo grupo Lena. Numa reação a notícias que têm dado conta das suspeitas do Ministério Público de que 23 milhões de euros depositados em contas na Suíça tituladas por Santos Silva (mas cujo verdadeiro beneficiário seria o ex-primeiro-ministro José Sócrates) teriam alegadamente origem naquele conglomerado de construção civil e obras públicas com sede em Leiria, o comunicado sublinha que não há "nenhum facto que comprove esta teoria, porque é falsa".

De acordo com o documento, "Carlos Santos Silva tem trabalhado com empresas do Grupo Lena desde finais da década de 80, designadamente prestando assessoria técnica e fazendo projetos de obras para Portugal e vários países". O valor agora divulgado refere-se ao intervalo entre 2005 e 2010, anos que vão da tomada de posse de Sócrates como primeiro-ministro à data de transferência dos 23 milhões de euros da Suíça para Portugal, porque esse tem sido "o período geralmente citado pelos meios de comunicação social como sendo aquele em que alegadamente terão ocorrido os supostos pagamentos ilegais, informação que é falsa". 


Segundo esta notícia e do que dela se pode inferir, haverá cerca de 20 milhões de euros, pelo menos, que falta explicar de onde provieram e quando, para provisionar a conta de Carlos Santos Silva de quem ninguém fala ou se interessa. Os milhões estavam na Suíça. aconchegadinhos e vieram cá parar a contas do BES, para suprirem necessidades "momentâneas" do recluso 44. 
Ainda por cima os pouco mais de 3 milhões foram pagos a "empresas de Carlos Santos Silva"o que é substancialmente diverso de serem pagos ao próprio seja a que título for.

Temos aqui mais uma situação clássica de cabritos que não têm cabras, pelos vistos. Mas de certeza que os cabrões do costume aparecerão na hora certa...a assumir a paternidade.

 Em contraponto a isto, importa publicar um artigo que o Expresso publicou em 22 de Novembro passado, assinado por Abílio Ferreira:

Lena, a construtora do regime socrático
Nos Governos de José Sócrates, a Lena era acusada pelos concorrentes de ser a construtora do regime. A intimidade residia no amigo e colega de curso Carlos Santos Silva.

  A pressão da banca conduziu à nomeação de Joaquim Paulo Conceição, quadro do grupo da área automóvel para presidente da comissão executiva do Grupo Lena, com a missão de racionalizar o conglomerado e conferir rentabilidade ao negócio / José Ventura

Nos Governos de José Sócrates, o grupo Lena, da família Barroca Rodrigues, era visto pelo mercado como a construtora do regime.

Segundo os seus concorrentes, era a própria Lena que invocava uma relação privilegiada com o poder para ganhar capacidade de influência. Nas missões ao estrangeiro, os gestores das outras construtoras estranhavam a informalidade com que os representantes da família se referiam ao José, então primeiro-ministro. Era vulgar, na altura, presidentes de construtoras gracejarem, entre amigos, que nos "consórcios o melhor é incluir a Lena, sempre dá uma ajuda".

O ex-gestor de uma construtora confirma ao Expresso que eram os próprios responsáveis que tornam essa proximidade "pública e notória" ao invocar repetidamente "facilidade de acesso ao José".

A Lena integrava sempre as comitivas ao estrangeiro do primeiro-ministro, mas a verdade é que também não falhava as viagens presidenciais. Até Miguel Relvas, dirigente do PSD, considerava, na altura, injusta a colagem ao poder socialista do maior grupo industrial da região centro.

A pista Carlos Santos Silva
Já na altura se comentava no sector da construção que a pista que ligava Sócrates ao conglomerado de Leiria residia num administrador do grupo, Carlos Santos Silva, seu amigo de infância e colega no ISEC - Instituto Superior de Engenharia de Coimbra.

O engenheiro era quadro da Lena Construções e subiu em 2008 até administrador. Carlos frequentara o mesmo curso e partilhou o mesmo quarto de Sócrates, em Coimbra. O engenheiro tornara-se um dos braços-direitos dos irmãos Joaquim (52 anos) e António Rodrigues (51 anos), que sucederam ao pai no comando do grupo Lena.

O contrato para fornecer cinco mil casas à Venezuela e a inclusão no consórcio, liderado pela Teixeira Duarte, para a ampliação do Porto de la Guaria, em Caracas, surgiam como sinais exteriores da bênção do Governo Sócrates. A Venezuela tornou-se o maior mercado exterior da Lena.

No plano interno, a concorrência queixava-se de que a construtora de Leiria tinha conhecimento dos concursos antes de serem lançados no mercado.

A malha autárquica
Num primeiro momento, a Lena dominara a faixa até Castelo Branco. Depois rumou a Sul, convivendo com autarquias de todas as cores partidárias. A partir de Leiria, encetou a conquista do país, seguindo a malha autárquica.

Na sua origem, nos anos 50, está uma empresa de terraplanagens fundada por António Vieira Rodrigues, condecorado em 2007 por Cavaco Silva, e que se reparte por Portugal e o Brasil.

Consolidou a sua base regional e entrou depois numa espiral de novos negócios (turismo, ambiente e energia, comércio automóvel e comunicação social). Em poucos anos, evoluiu de uma pequena construtora para um conglomerado diversificado de 80 empresas e uma faturação que nos melhores anos ficou perto dos 700 milhões de euros.

Em 2007, arriscou a compra da Abrantina, por um valor excessivo, uma 'noiva' que tardava a seduzir pretendentes e cujo processo de fusão está agora em fase de conclusão.

O projeto "i"
A curiosidade sobre o conglomerado de Leiria cresceu com o anúncio do lançamento do jornal "i", em 2009. O projeto era ambicioso (15 milhões de euros) e tinha uma carga política, prometendo disputar o mercado do "Público" e do "Diário de Notícias".

Quando na Federação do PS do Porto se comentou a notícia do lançamento de um novo diário, o presidente Renato Sampaio logo esclareceu que se tratava de um projeto "de gente amiga". A comunicação social era um dos negócios do grupo que explorava uma rede de sete jornais regionais.

O grupo Lena sempre lidou mal com esta ligação ao poder socialista e o atual presidente, Joaquim Paulo Conceição, refere que a Lena "mantém com todos os Governos relações no plano institucional", desmentindo colagens a qualquer poder.

A nova Lena
Quando o mundo mudou e o mercado da construção ruiu, os sinos tocaram a rebate na sede do grupo, em Leiria. O grupo carregava uma dívida de 720 milhões de euros e a imagem de ser a construtora do regime socrático, sofrendo com a aquisição desastrosa da Abrantina e a infeliz diversificação de negócios. A pressão da banca conduziu à nomeação de Joaquim Paulo Conceição, quadro do grupo da área automóvel para presidente da comissão executiva, com a missão de racionalizar o conglomerado e conferir rentabilidade ao negócio.

A racionalização levou à venda de 28 empresas e à fusão ou dissolução de mais 35, abandonando, por exemplo, o negócio dos 'media'. O grupo reduziu o universo laboral, num clima de paz social, passando de 4170 (em 2010) para 2457 (em 2013) assalariados.

Na carteira de 4,1 mil milhões de euros, as obras estão quase todas no estrangeiro. Por isso, o fator crítico do novo ciclo da Lena reside na transferência da liquidez. A geração de dinheiro é feita no exterior e os compromissos financeiros estão em Portugal.

A Lena opera em dez mercados externos e ambiciona marcar presença no México e Colômbia, 15 anos depois de se ter estreado no exterior pelo Brasil. Na Colômbia negoceia a construção de três mil casas sociais, num valor estimado de 115 milhões de euros, nos arredores de Bogotá.

Mas a grande exposição do grupo está na Venezuela. O mercado pesa mais de 50% da carteira, alicerçada num contrato geral de 50 mil casas sociais. Nesta fase, a construtora "está a meio do primeiro subcontrato de 12.500 casas, com a instalação de duas fábricas de prefabricados", refere Joaquim Paulo Conceição ao Expresso. Na Argélia, a construtora ganhou este ano novas empreitadas no valor de 100 milhões de euros.Em 2013, o grupo Lena faturou 527 milhões de euros, 40% dos quais no exterior.

8 comentários:

BELIAL disse...

Poupadinho, bons jurinhos, dinheiro fêmea...

foca disse...

Eh pa!
Se o dinheiro não é de ninguém avisem que eu disponibilizo um nº de conta.
Até me comprometo a pagar imposto de selo como se do totobola se tratasse.

Vivendi disse...

A pesada herança de Sócrates

http://jornaldiabo.com/nacional/socrates-heranca/

Floribundus disse...

continua a malcheirosa
'ópera bufa'

dizia o generalíssimo Franco
'os politicos não se podem deixar sós'

esqueceu-se de incluir amigos, advogados,
jornalistas

descobriram a geração expomtânea

zazie disse...

O Olrik foi caçado nas escutas.

José disse...

Como isso? Where?

José disse...

Já vi. Vem no i de amanhã. Huummmm...

foca disse...

Brutal
O Toze tinha um Brutus na equipa!