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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Em tempo de Syriza falemos de Salazar e da terra de Santa Maria

O Diabo de hoje traz estas duas páginas sobre Salazar e um estudioso que reparte o seu tempo entre a Argentina e Portugal.
Apesar de ter publicado vários livros sobre Salazar, particularmente sobre a influência de Charles Maurras, não se espere que alguma editora nacional se interesse em publicar...
Salazar continua a ser o nosso maior tabu.


59 comentários:

Miguel Dias disse...

Entretanto soube pela Internet que faleceu José Freire Antunes, historiador e intelectual. Um silêncio hipócrita e nem uma palavra sobre a personalidade, seja nos media seja nos meios académicos. Como não era de esquerda não possui direito a umas palavras meritórias no meio intelectual nacional.

José** disse...

Caro José,

Muito obrigado pelo posta em linha deste artigo que ainda não li.

Todavia, temos que ser muito cautelosos com as tentativas de associações "Salazar/Maurras" - ainda mais quando elas vem de um natural de Argentina...

Para Salazar, Maurras foi pouco coisa.


Saudações.

Floribundus disse...

vi a notícia de AOS na capa do Diabo que lia no tempo da corajosa Maria Armanda Falcão

li a notícia da morte de JFA num blogue.

toda a esquerda rejubila com o Synapismós, mas omite a sua aliança com a direita reacionária.

a vantagem dos tempos de AOS eram os planos de fomento muito bem elaborados para um desenvolvimento harmonioso da sociedade.

hoje o 'arco da governação' é uma 'casa de alterne'

na CML do costa syriza até há assessores dos assessores

com o novo alex, o grande, dizem que os gregos vão comer 'tripas à moda do Porto'. Carago!
ou seja vão ficar a dever os 1.100 milhões € emprestados pelo 44

o advogado do 44 continua inteligentemente a insultar o juiz Alex

no final do ano vamos ser atirados para a fossa

José disse...

Mas lendo o livro pode saber-se um pouco mais sobre Maurras e é isso que o autor pretende.

Por cá, censura.

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José disse...

O Freire Antunes não me interessa. Que descanse em paz.

Floribundus disse...

a Action Française é considerada fascismo, tal como o franquismo

a picareta falante condenou a Áustria por ter um partido de direita

os judeus comemoraram a tomada de Auschwitz para condenar o nacional-socialismo

e esqueceram propositadamente o Povo Rom aka Ciganos
porque pertencem ao 'gueto' dos mal-cheirosos, para não ser mais cáustico

José disse...

No outro dia, na sexta em que ainda não se sabia quem tinha morto o Charlie, parei junto a Cluny e estava um tipo a apregoar evender na rua jornais.
Eram Action Française que não se encontram nos quiosques.

Abordei o vendedor ao mesmo tempo que uma moça passou olhou e disse para o vendedor: "oh, c´est facho! "

Por isso comprei. Fui Charlie, ou não fui?

José disse...

Dantes, há uns 40 anos quem vendia nas rua os jornais eram os gauchistes...

Sinais dos tempos.

José** disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José** disse...

Sem reduzir a pertinencia do trabalho do autor argentino, indico 4 pensadores que partilham a nacionalidade de Maurras, mas, estes, com prova provada de "influencia" sobre AOS, sua formação, seu pensamento politico e sua acção de governante.

Maurras, talvez, teve sua parentalidade com certos conceitos politicos franceses dos governos de Vichy. Não há nada que prova o mesmo em relação ao Estado Novo.

Os 4 sao :

1/Frederic Le Play, iniciador dos primeiros "sociólogos" com pensamento "corporatista" em França.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Pierre_Guillaume_Frédéric_Le_Play

2/Edmond Demolins, fundador da "École des Roches". Citado como punto de referencia central na biografia de Salazar cujo autor é Filipe Ribeiro de Menezes.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Edmond_Demolins
http://fr.wikipedia.org/wiki/École_des_Roches

3 e 4/ Léon Poinsard, sociologo, discípulo de Le Play, produtor de monografias encomendadas especialmente por D. Manuel II - estas foram juntadas e publicadas em 1910 numa obra que foi obviamente estudada por AOS enquanto seminarista.

Aqui, em PDF e, lamento, em francês, a obra em questão. Mas existe também uma edição em português intitulada "Portugal ignorado". https://archive.org/details/leportugalinconn01poinuoft

Enfim e na sequençia deste ultimo, Paul Descamps. Descamps era também discípulo de Le Play e foi especialmente encomendado por AOS, enquanto ministro das finanças, para prolongar o trabalho já iniciado por Poinsard. Isto é, Salazar deu continuação a uma initiativa original do ultimo Rei português. Deixo aqui este extracto de uma obra, em francês, relativa a relação de Salazar com os discípulos de Le Play.
https://books.google.fr/books?id=cxeh3L4IqyAC&pg=PA213&lpg=PA213&dq=paul+descamps+sociologue&source=bl&ots=I3X3uhvnq4&sig=bM3_PhHPEt1hxBE-4s-Ifg6DmiI&hl=fr&sa=X&ei=7wnIVLj6NKut7gannoDoBA&redir_esc=y#v=onepage&q=paul%20descamps%20sociologue&f=false

Vivendi disse...

O Marcos Pinho Escobar é português, um grande intelectual e até tinha presença na blogosfera.

Quem quiser conhecer um pouco mais do seu pensamento:

https://www.youtube.com/watch?v=YzFNlpr1NmQ&noredirect=1

https://www.youtube.com/watch?v=LRuxBs9j9BI

http://www.alamedadigital.com.pt/n8/buenos_aires.php

http://do-futuro.blogspot.pt/2013_03_01_archive.html

Floribundus disse...

Maurras era monárquico orleanista.

os portugueses mais próximos dele ideologicamente eram os Rebelos de Gavião, fundadores do Integralismo
e António Sardinha, etc

a Action Française surgiu como reacção ao caso do judeu Dreyfus

trouxe para o rectângulo uma colecção do Rouge dos gauchistes da 3ª

vendiam nas Facs com a designação de 'canard' em alusão ao agrilhoado

a Rive Gauche aburguesou-se e descaracterizou-se como bairro estudantil.
os movimentos passaram parcialmente para a Cité do Bd Jourdan

Cluny 'c'est vachement jolie'

o corporativismo tem raíz na maçonaria operativa medieval católica
passou para a simbólica, daí a criação dos sindicatos

AOS atraíu facilmente muitos elementos maçónico, José Alberto dos Reis, Caeiro da Mata, Carmona, e outros menos conhecidos


Vivendi disse...

Correctas as suas observações caro Floribundus.

Ainda bem que no Porta da Loja não há censura nem tabus.

Vivendi disse...

De salientar, a maçonaria operativa medieval é bastante diferente da maçonaria moderna.

Bic Laranja disse...

Leon Poinsard, Portugal Ignorado; estudo social, economico e politico seguido de um appendice relativo aos ultimos acontecimentos, Magalhães & Moniz, Porto, 1912.

Cumpts.

Maria disse...

Concordo com Vivendi, também aprecio e muito tudo o que tem vindo a escrever nos últimos anos esse grande português, brilhante escritor/historiador e notável patriota Marcos Pinho de Escobar.

Igualmente concordo com as doutas palavras de Floribundus inseridas no seu comentário das 23.34

Floribundus disse...

A Igreja de Cristo instalou-se na capital do Império e S. Paulo copiou a sua estrutura. Com a destruição dos Bárbaros, Roma teria desaparecido e seria hoje local arqueológico.
Bento de Núrsia criou em Monte Cassino a ideia de Europa.
Na Idade Média sobressaiam duas profissões artesanais: a dos canteiros das catedrais ou trabalhadores da pedra; ferreiros por fabricarem espadas, armaduras, ferraduras, utensílios de cozinha.
A Igreja criou corporações para as diversas profissões manuais. Os artesãos portugueses, por terem auxiliado D. João I a chegar ao poder, beneficiaram duma cúpula corporativa: a casa dos 24. Foram-lhes atribuídas ruas para instalarem as oficinas. Ainda conhecemos em Lisboa as ruas: ouro. prata, fanqueiros, correeiros.
Após o terror da revolução francesa, o 1º Império criou sindicatos baseados nas corporações medievais.

José** disse...

Eu começo apenas a ler a entrevista e quero desde ja dizer a minha oposiçao. Por quê?

Porque eu não entendo a pertinencia de explicar Salazar recorendo a um estrangeiro e, ainda, um estrangeiro que não teve actuaçao de dirigente, ainda mais, um estrangeiro que não produziu nehum trabalho dedicado a Portugal.

Salazar foi português e foi chefe de estado enquanto Maurras foi francês e, a nivel politico, apenas foi polemista (e ainda por cima falhado).

Primeiro, tentar criar uma filiaçao entre os dois é reduzir a dimensao especificamente portuguesa, e particular no panorama politico internacional, de Salazar.

Isto é, para os que se pretendem ser de Salazar, se isto, ao final o em parte, quer dizer ser de Maurras entao vocês trancam a excepçao portuguesa dentro de um outro sistema de pensamento, o pensamento contra-revolucionario francês – este destruido, julgado e condenado a morte em 1945. E Salazar, não estava neste banco de arguidos.

Portanto, bem se esta hipótese de filiaçao intelecual parece ser sedutora em termos de posicionamentos politicos actuais, tendes juizo e muito cautela com as consequençias possiveis que esta filiaçao se ela passa a ter mais publicidade. A primeira das quaes é muito perversa : associar Maurras e Salazar é dar aos oposantes uma boa razao de manter todos os seus esforços de apagar as obras do mestre e obter todos os apoios.

Segundo, para sermos justos em termos de comparaçao, os portugueses que deveriam ser associados a Maurras, tanto em termo de corpo de ideas e de tempo historico, sao os Monarquiços Integralistas.

Terceiro e enfim, Portugal precisa de um centro de estudo da obra de Salazar, a nivel intelectual, politico e geo-estrategico. Um centro que deve ser referencia a nivel dos paises lusofonos para poder servir de corpo de critica a situaçao contemporanea.

Associar Salazar a um poeta-philosopho-gaulês não vai neste sentido. A tèse, sem a querer menospresar, é como tentar explicar Poutine recorendo a Soral.


PS: obrigado Bic pela ligação para o livro de Poinsard traduzido em português. Uma leitura que aconselho a todos para entender o estado em que se encontrava a gente de Portugal no ponto de partida do Estado Novo. Util para medir concratemente a obra realizada. Uma obra dessas, nehum fulano da Action Française a fez.

josé disse...

A ligação a Maurras é de um estudo de um intelectual. Por isso mesmo permite e impõe discussão.

Ora é essa discussão que não tem lugar na sociedade portuguesa mediática.

Ninguém quer saber disto e têm vergonha de Salazar como se fosse um parente desprezível.

Miguel Dias disse...

José disse "O Freire Antunes não me interessa. Que descanse em paz."

O meu comentário não tinha como objectivo principal falar do mérito ou demérito da obra intelectual de José Freire Antunes, mas sim sublinhar o intencional silêncio dos media e dos meios intelectuais nacionais de uma personalidade, e da sua obra, apenas porque não era de esquerda. Silêncio e obscuridade, que também procuram, em maior abrangência, lançar sobre a obra de Salazar.
Censura com carimbo de esquerda.

muja disse...

Acerca de Poinsard e da mediocridade, nas "Entrevistas a Salazar" de A. Ferro, 2ª entrevista:

‹‹ Mediocridade

Junto agora um post-scriptum ao capítulo:

- Não acha picante o falso ardor com que certas personalidades e órgãos da democracia defendem o Comunismo? Como se o Comunismo não fosse um dos maiores inimigos da democracia...

- Claro está, - concorda Salazar -. Quem defenda o Comunismo, ou quem pretenda converter-se a essas ideias, tem de renunciar, se a sua atitude é sincera, à defesa da liberdade... Liberdade e Comunismo são duas ideias antagónicas...

Acrescento:
- Contradição tão assombrosa, afinal, como se essas personalidades e órgãos começassem, de repente, a defender a Ditadura...

E Salazar, que se entusiasma, que quase gesticula, depois de já ter sorrido, depois de já ter rido, depois de já me ter provado que tem reacções visíveis diante de certas ideias, como qualquer português sensível:

- Retórica, mentalidade de comício, processos eleiçoeiros, que nos inferiorizam, que são os maiores obstáculos para uma obra desempoeirada, renovadora e sã. Poinsard, que fez um inquérito à vida portuguesa há vinte e tantos anos, a convite do sr. D. Manuel, viu-nos como somos, à luz de uma boa observação. Fazendo justiça às nossas qualidades, acreditando no nosso futuro, ele impressionou-se principalmente com o nosso provicianismo, com a nossa mediocridade, mediocridade na indústria, no comércio, na agricultura, na vida política, no jornalismo, na arte e na literatura de então. Muito se tem andado desde esse momento, mas é preciso não parar, é preciso lutar continuamente contra a falta de elevação nas ideias e nas atitudes, contra essa mediocridade de processos, que atinge, por vezes, as inteligências mais altas e os valores mais sérios...

- Não acredita, portanto - pergunto eu, em busca da frase final da conversa de hoje - na sinceridade de certas promessas, nas declarações avançadas, extremistas, de certos homens públicos?

E Salazar, rindo com gosto, com exuberância, como os seus compatriotas não fazem uma ideia:

- Olhe... Porque não diz a esses estadistas, tão amigos do povo, tão amigos da igualdade, que regulem a sua vida particular, a sua vida íntima, pelas ideias que defendem? Talvez lho prometam, e até com boa fé, mas daí à realidade...

E ditas estas palavras, as últimas da tarde, o dr. Salazar, despedindo-se de mim, entrou para sua casa, na rua do Funchal, essa casa que não seria mais simples e mais modesta se ele fosse um comunista praticante, que vale mais para o povo, no seu exemplo raro, do que todas as palavras ao vento, do que todas as promessas...››

muja disse...

E agora, sobre a sua formação política e Maurras, da 5ª entrevista:

«A formação política de Salazar

Abordo um dos ângulos mais delicados deste inquérito:

- Qual a sua formação política? René Richard, na página sobre Portugal publicada no «Je suis partout», atribui-lhe uma formação maurrasiana...

Salazar não foge e não se esconde:

- Eu não pude receber René Richard no Verão, no Caramulo, por falta de saúde. Se houvéssemos conversado, certamente teria dito o que havia a retocar na afirmação. Li os livros políticos de Maurras; eles seduzem pela clareza, pela lógica da construção... se se lhes admitirem as premissas. Entre mim e os admiradores incondicionais do doutrinário francês há, porém, uma diferença de atitude, digamos, que tem influência dominante no campo da acção. Para Maurras e seus discípulos o fenómeno político é o fenómeno social por excelência, e a política o grande factor da vida dos povos, determinante da sua evolução. A sua bandeira de guerra Politique d'abord, fala claro e sintetiza admiravelmente a dinâmica dos maurrasianos puros. Mas o que se contém nessa expressão é um erro em história e em sociologia, e constitui um perigo para a formação das novas gerações. Certamente a política tem o seu lugar, desempenha a sua função, importante, dominante em certos momentos. Sem ele não haveria a Ditadura e possivelmente eu não estaria aqui... Mas a vida dum país é mais complexa, mais larga, escapa mais aos órgãos e à acção do poder do que muitos o poderiam julgar: história duma nação não é apenas a história dos seus conquistadores, dos seus grandes reis; ela é, sobretudo, a resultante do trabalho que o meio impõem aos homens, e das qualidades e defeitos dos homens que vivem nesse meio. Acho salutar para a mocidade que à máxima de Maurras, Politique d'abord, ela oponha a interrogação (que é uma resposta negativa) de Demolins - A-t-on intérêt à s'emparer du pouvoir?. Isso a desviaria de pensar que o problema nacional se resolve unicamente com o assalto aos órgãos do Estado. Nós precisamos duma coisa que nunca tivemos e cuja falta sensível tem sido a causa dos nossos altos e baixos: formação das vontades para dar continuidade à acção. De quando em quando, aparece na História de Portugal um rei, um estadista, um chefe, que levanta a Nação, que faz um pedaço de História, e que a deixa cair quando desaparece ou morre. O nosso passado está cheio de beleza, de rasgos, mas tem-nos faltado, no último século, sobretudo, um esforço menos brilhante mas mais tenaz, menos espectaculoso e com maior perspectiva. Tudo quanto seja apelar somente para o heroísmo da raça, sem modificação da mentalidade geral, do nosso modo de fazer as coisas, pode trazer-nos momentaneamente páginas de epopeia, mas queima-nos, nessas labaredas contínuas, entregando-nos, depois, a esse fatalismo doentio, de que o Fado é a expressão musical. É essa a razão por que nós somos um povo eternamente saudoso, longe das realidades por termos vivido demasiado, em certos momentos, uma realidade heróica mas falsa... Para fazer, portanto, obra nova, obra reformadora, é necessário, antes de mais nada, renovar o indivíduo, transformá-lo, pô-lo de acordo com o seu próprio ambiente, com a sua própria terra...»

muja disse...

O livro donde isto veio tem o título "Entrevistas a Salazar", é de António Ferro, edição de 2007 da Parceria A.M. Pereira.

Livro este que desaconselho a comprar. Para além de ter prefácio de Fernando Rosas - que não sei se é bom se é mau pois não estive para o ler -, tem tal número de gralhas que é de a gente se perguntar se alguém o reviu ou editou.

Mais vale obter edição mais antiga, que pior que esta não há-de ser e com jeito até menos dispendiosa.

Miguel Dias disse...

Muja,

O livro que refere comprei-o há uns anos num alfarrabista, "Salazar, O Homem e a sua Obra", por António Ferro, Empresa Nacional de Publicidade 1935, com prefácio do próprio António Oliveira Salazar. Desconhecia essa reedição de 2007, com prefácio de Fernando Rosas.

Neyhlup Josand disse...

Hoje comprei Pensamento e doutrina política: textos antológicos. Já leram?

muja disse...

Miguel,

fez V. muito bem. Esta edição nova é uma bosta, e não é pelo prefácio que até pode ser bom. Mas tem muita gralha. Trabalho mal feito.

muja disse...

Neyhlup,

não conheço.

Anjo disse...

Miguel,

Há uma Antologia da Coimbra Editora, com Discursos, Entrevistas, Artigos, Teses, Notas e Relatórios 1909-1966(enumero tal como vem no subtítulo), 3.ª Edição, 1966. A escolha de textos é de Eduardo Freitas Costa. Será a mesma obra, em reedição posterior a que tivessem mudado o título?

Dignos de estudo são os Discursos e Notas Políticas, em VI vols. São as verdadeiras fontes primárias para o pensamento político de Salazar. Infelizmente, já só disponíveis em bibliotecas e alfarrabistas (pela módica quantia de 250 euros o conjunto, geralmente mal estimado). Faz falta reeditar estas obras, mas ninguém o faz.

Sobre uma possível influência política, ainda não li o livro de Paulo Otero: "Rocha Saraiva, o Professor de Salazar".

muja disse...

Faz falta reeditar estas obras, mas ninguém o faz.

Pode crer. Tenciono desembolsar a quantia e adquirir esse conjunto um destes dias.

E quando o fizer, é certinho que o hei-de digitalizar, reconhecer opticamente e disponibilizar. Nem que demore vinte anos.

Se ficarmos à espera dos bacocos dos editores, o melhor que haveremos de ter é uma edição com prefácio do Rosas e com mais gralhas que páginas...

muja disse...

Tenho lá outro que hei-de começar a ler, que é a correspondência do cardeal Cerejeira com o antigo companheiro. Também tem prefácio do sinistro personagem.

O gajo controla a cena toda.

Anjo disse...

É necessário ler as fontes (Discursos e Notas) sem a intermediação destas personagens. São suficientemente claras, não precisam de exegetas. Comecei a digitalizar um dos volumes (que arranjei na biblioteca do ICS), mas a tarefa é longa num digitalizador corrente e as imagens ficam muito "pesadas" para divulgar. Não sei se o OCR funcionará bem.

Os "Discursos e Notas", em mestria no uso da Língua e da Retórica (no sentido nobre da disciplina), metem a um canto a maior parte dos actuais professores universitários de Português. A exposição das ideias é de uma limpidez assombrosa. Já ninguém sabe escrever assim... vale a pena, a todos os títulos!

Muitas das visões de Salazar são de uma actualidade espantosa!

A correspondência com Cerejeira ainda não encontrei, mas tenho interesse em lê-la.

Se houvesse um método prático de copiar, não me importaria de o fazer e disponibilizar. Estou a ler os vols todos. Lêem-se de uma penada, de tão fluentes e claros que são (não me canso de repetir isto).

Creio que há problemas de direitos, pois contactei esta organização (http://www.oliveirasalazar.org) e também apenas disponibilizam 30% dos textos.







muja disse...

Pois, digitalizar livros não é um problema trivial.

Tenho adiado essa tarefa e até mesmo a actualização do meu blogue por causa desse problema.

Se eu tivesse mais espaço aventurava-me a construir um scanner de berço, que são os melhores. Mas não tenho onde o pôr por ora.

Mas se realmente está a digitalizar, e quiser disponibilizar, tratarei do OCR com o maior prazer. Aí já estamos noutro domínio, no qual as minhas competências podem ser úteis.

Em relação aos direitos, o único direito que tenho em conta, e penso dever ser tido, é o da população portuguesa ter acesso e poder ler o que escreveu um dos seus maiores estadistas.

Francamente, acho que o interesse nacional se sobrepõe neste caso nitidamente a qualquer outro e não reconheço legitimidade a ninguém para se lhe opôr. Nem o oliveirasalazar.org, nem os descendentes, nem ninguém. O que ele escreveu pertence à Nação e a mais ninguém.

Se o estado da putrefacção nacional for tal que seja necessário fazê-lo sob bandeira "pirata", assim seja e é mais uma razão para ser feito.

muja disse...

Je suis Salazar!

ahahahah!

Anjo disse...

;-)))

É cá dos meus... passe o prosaísmo.

Como faço para lhe enviar o volume que digitalizei? Dropbox? Para vermos se o OCR dá alguma coisa?

Como pensava digitalizar todos e os tenho trazido da biblioteca aos poucos (não emprestam todos de uma vez), comecei aleatoriamente e nem foi pelo I. Mas não interessa...

E sim, não poderia concordar mais consigo: trata-se de algo que pertence a todos os Portugueses e ponto! Ao diabo com os direitos, que nem sei a quem pertencerão.

A digitalização apanha 2 páginas de cada vez, dado o tipo de paginação.

muja disse...

Anjo,

qual é o tamanho de cada digitalização, mais ou menos?

Miguel Dias disse...

Caro Anjo,

desconheço se nessa Antologia de 1966, por Eduardo Freitas Costa se encontra a entrevista feita por António Ferro a Salazar, mas é provável que sim.

Relativamente ao Cardeal Cerejeira há uns meses atrás vi, num alfarrabista, uma obra dele sobre São Francisco, mas infelizmente a mesma já estava reservada.

Anjo disse...

Muja,

O Vol II zipado tem 21 MB. É possível que a compressão nem sequer tenha reduzido significativamente. Cada digitalização produziu um ficheiro PDF. Também não sou exactamente um génio em informáticas...

Anjo disse...

Cada 2 páginas origina um PDF que ronda os 100 ou cento e poucos KB.

Anjo disse...

Caro Miguel,

Não, parece-me que esta Antologia não inclui a entrevista do António Ferro. Do que vi até agora, trata-se apenas de excertos dos vários volumes dos "Discursos e Notas Políticas" (sempre devidamente identificados) e de uma ou outra conferência pronunciada em Liceus, etc.

A ideia do organizador dos textos é interessante: facultar uma antologia arrumada por temas, o que facilita o seu estudo a quem não possa ler os 6 vols de fio a pavio. Deixo aqui os grandes temas do índice, os quais incluem subtemas:

OS GRANDES PROBLEMAS NACIONAIS
O PROBLEMA FINANCEIRO
O PROBLEMA ECONÓMICO
O PROBLEMA SOCIAL
O PROBLEMA POLÍTICO INTERNO
O PROBLEMA POLÍTICO EXTERNO

Peço desculpa ao José por estar a utilizar assim a caixa de comentários.

Bic Laranja disse...

«Os "Discursos e Notas", em mestria no uso da Língua e da Retórica (no sentido nobre da disciplina), metem a um canto a maior parte dos actuais professores universitários de Português. A exposição das ideias é de uma limpidez assombrosa. Já ninguém sabe escrever assim... vale a pena, a todos os títulos!»
(Anjo, 29/I/15 às 13h16m)

Isto deve ser repetido a todos.

muja disse...

Anjo

Então sim, Dropbox é uma boa solução!

Anjo disse...

Muja, conta para convite? Ou há mais soluções? Vol. II pronto a seguir...

Anjo disse...

E, para compensar o José por este "trapicheo" com o Muja na caixa de comentários do Porta da Loja, aqui deixo duas oferendas musicais (num registo diverso do de comentários de Dezembro):

https://www.youtube.com/watch?x-yt-ts=1422579428&x-yt-cl=85114404&v=BBeXF_lnj_M&feature=player_detailpage

https://www.youtube.com/watch?v=qS4ssU10DVw&x-yt-cl=85114404&feature=player_detailpage&x-yt-ts=1422579428

muja disse...

Anjo, bote aí o link para o ficheiro que eu vou buscá-lo...

Anjo disse...

Aqui vai:

https://www.dropbox.com/s/73pmbcjmpkutnph/Discursos%20AOL%20VOL%20II.rar?dl=0

Anjo disse...

Muja,

Que tal esse volume? Já tenho o VI pronto para envio. Abre com uma interessante entrevista de Serge Groussard.

Diga coisas... dá para OCR?

jakim disse...

Uma achega: comprei agora "Salazar e a Revolução em Portugal", de Mircea Eliade (Esfera do Caos).
Tem alguma piada a correspondência trocada entre Salazar e Alfredo Pimenta, penso que editada pela Verbo.

muja disse...

Anjo, sim dá.

Embora fosse preferível que viesse em formato de imagem.

Mande lá o próximo.

Anjo disse...

Se me tivesse dito logo, este VI já estaria nesse formato... hesitei, de facto, entre jpeg e pdf.

https://www.dropbox.com/s/y51sfzu0pof2t6c/SalazarVI.rar?dl=0

Para os próximos, converto em jpeg.

Anjo disse...

Jakim,

Encontrei, recentemente, o "Diário Português" de Mircea Eliade.

Inclui o resumo que ele faz (coisa pouca, de 2 páginas) de uma audiência que teve com Salazar. A entrada é de 7 de Julho de 1942. Este Mircea passava informações sobre Portugal, segundo me disseram.

Anjo disse...

Jakim,

Encontrei, recentemente, o "Diário Português" de Mircea Eliade.

Inclui o resumo que ele faz (coisa pouca, de 2 páginas) de uma audiência que teve com Salazar. A entrada é de 7 de Julho de 1942. Este Mircea passava informações sobre Portugal, segundo me disseram.

Anjo disse...

Jakim,

Encontrei, recentemente, o "Diário Português" de Mircea Eliade.

Inclui o resumo que ele faz (coisa pouca, de 2 páginas) de uma audiência que teve com Salazar. A entrada é de 7 de Julho de 1942. Este Mircea passava informações sobre Portugal, segundo me disseram.

Anjo disse...

Jakim,

Encontrei, recentemente, o "Diário Português" de Mircea Eliade.

Inclui o resumo que ele faz (coisa pouca, de 2 páginas) de uma audiência que teve com Salazar. A entrada é de 7 de Julho de 1942. Este Mircea passava informações sobre Portugal, segundo me disseram.

Anjo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anjo disse...

Muja,

Este volume é muito mais "pesado". Tive de alterar os parâmetros, pois a acidez do papel era incompatível com uma boa qualidade a preto e branco. Seleccionei, por isso, "Grayscale".

Já o tinha alertado para a minha "insuficiência informática". Foi esta a forma que encontrei de resolver o problema.

jakim disse...

Anjo
Mircea Eliade foi, entre 1941 e 1945, diplomata da embaixada da Roménia em Lisboa. Era natural, dada a sua função, que "passasse"
informações ao seu governo. Seguramente positivas, dada a sua declarada admiração por Salazar e pelos princípios da Revolução Nacional portuguesa.

Anjo disse...

Jakim,

Tem razão, não sabia isso quando comentei. Conhecia o Mircea Eliade pela ligação à História das Religiões e à Filosofia. Não sabia que também era diplomata.

MC disse...

Ainda a morte de JFA...Se alguém desejar mergulhar nos contornos do que foi a Guerra Colonial a consulta dos seus livros é imprescindível.