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sábado, 21 de fevereiro de 2015

O conservadorismo antigo do tempo de Salazar

O cronista António Lopes Ribeiro, cineasta do tempo do Estado Novo, escreveu na revista Observador de 9 de Julho de 1971 esta carta aos nascituros, ou seja à geração que está agora na meia idade dos 40 e aos seus filhos.

Nela elenca um conjunto de fenómenos sociológicos e políticos que afectaram a geração que nasceu com o aparecimento do séc.XX ( ALR nasceu em 1908, Salazar em 1889) e traduz a amargura de ver a sociedade a mudar e os costumes a modificarem-se, no entender daquele para pior.
O tempo de António Lopes Ribeiro era o tempo de Salazar e de quem foi educado nessa época segundo os costumes do tempo, com forte influência da igreja Católica que o jacobino Afonso Costa pretendia  eliminar, "em  duas gerações" ou quantas fosse preciso. Porém, quem foi eliminado da cena dali a poucos anos foi ele mesmo que teve de se pisgar para Paris... e por lá se finou, só tendo o   que dele restava sido trasladado para cá, precisamente em 1971.

O que nesta carta se diz incomoda a esquerda burguesa que era já nessa altura a percursora da mudança social e pretendia a mudança política para a impor aos cidadãos. 

40 anos passados o que resta dos assuntos desta carta que ainda hoje seja válido como tema de discussão? É ler...clicando na imagem com o botão do lado direito do rato e abrindo uma nova janela no computador e a partir daí aumentar a imagem.


11 comentários:

muja disse...

Obrigado por entregar a carta aos destinatários, José.

josé disse...

é isso que faço aqui: carteiro de ideias.

Floribundus disse...

'desce tudo o que sobe' ou
'ascensão e queda'

regra geral as ideias e concretizações duma geração
nascem e morrem com ela

ALR era pessoa consciente das profundas alterações que se preparavam para 'entrar em cena'
dizia '1º prepara-se o filme para o público
2º prepara-se o público para o filme'

Atenas, Lisboa, etc são cidades onde se concentra a burguesia que vive do trabalho dos sectores I e II
onde se avoluma:

aborto, cães, sida, droga, hepatite C, excesso de peso, diabetes, cancro, paneleiros, fufas

no mínimo 2 automóveis por casal, off-shores, REFORMAS, dívidas à banca

BELIAL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BELIAL disse...

APENAS TRÊS MIMINHOS que ele merece...

http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2010/10/antonio-lopes-ribeiro-1908-1995.html

http://www.colorizemedialearning.com/detalhe_biografia.php?pag=12


https://www.youtube.com/watch?v=c9pKhCYZEoQ

BELIAL disse...

Sempre gostei deste homem.
A forma de ser e de escrever.

Alma inteira.
Excelente intelecto

Li algumas crónicas - e claro " a procissão" dita por joão vilarett e cujo texto constava dos antigos livros de leitura escolar

josé disse...

O António Lopes Ribeiro nunca seria um fascista. E muito menos um prócere nazi, tipo Riefensthal.

António Conceicao disse...

Não percebi por que merece destaque o texto de um velho incapaz de perceber que o tempo em que viveu não pára. A não ser, porventura, para nos lembrar dessa perdoável incapacidade que nos atinge quase a todos: a de julgarmos sempre de forma idiota que, depois de nós, vem o caos.

josé disse...

Humm...pela imagem temos a réplica dessa lógica em uso.

De facto os velhos pensam geralmente que o que virá a seguir será pior do que aquilo que experimentaram.

Porém, tal não deve ser razão para afastarmos liminarmente as ideias dos "velhos".

Aliás, vivemos segundo as ideias dos velhos, ou seja os que nos precederam.

De resto, por aqui não se procura fazer uma apologia acéfala dessas ideias ou de outras.

Em princípio mostram-se e os comentários são mais do género- leiam e pensem no assunto.

josé disse...

Quanto ao António Lopes Ribeiro que gosto eu teria em conversar com tal velho. Seria uma experiência única.

E muitos outros, alguns que ainda são vivos, como o catedrático Pedro Soares Martinez que é um salazarista. E precisamente por isso é que gostaria de falar com ele.

Joaquim Carlos disse...

Sempre gostei dele pois em criança ainda o vi na TV. O que escreve parece-me sábio, descontando o facto do avanço inexorável das liberdades e dos direitos e a possibilidade de afirmação de uma Ética a que se adere e que se não impõe.