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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Champallimaud e João Martins Pereira. Quem tinha razão?

Tenho escrito e parece-me cada vez mais evidente que após o golpe militar de 25Abril de 1974, se mantivéssemos o sistema produtivo que existia à época, com  os capitalistas e grupos económicos subsistentes e a organização social assente nos valores então prevalecentes, teríamos ultrapassado a crise que então se apresentava no nosso país e ter-nos-íamos tornado noutro país, mais próspero e moderno.

No fundo, se tivéssemos mantido o anterior regime, liberalizando o sistema político e encontrado uma solução para o problema do Ultramar, não andaríamos hoje a discutir três bancarrotas em menos de 40 anos e uma situação económico-social que se afigura preocupante, com figurinhas políticas de baixa extracção e um ex-primeiro-ministro preso por corrupção.

Essa noção torna-se para mim mais evidentes quando se contrasta o pensamento politico-económico dos que alteraram as regras do jogo, nos meses a seguir ao 25A, ou seja a esquerda, incluindo a socialista democrática, com o que então era a nossa tradição e que aliás seguia a europeia, capitalista e burguesa.

O melhor exemplo que se pode ler para tal poder demonstrar-se reside no que sucedeu ao grupo Champallimaud, logo a seguir ao 25 de Abril.

Nestes recortes de revista Vida Mundial  de finais de 1974 e início de 1975 mostra-se o que pensava essa esquerda e o que dizia e pensava o próprio Champallimaud.

Preparando já o assalto às empresas privadas e grupos económicos que ocorreu após o 11 de Março de 1975, João Martins Pereira, falecido há relativamente pouco tempo e que era uma espécie de guru dos Louçãs e companhia esquerdista habitual, questionava na revista, no número de 5.12.1974,  a Siderurgia de Champallimaud.

Este, no número de 9 de Janeiro, respondia-lhe assim:
 




João Martins Pereira respondeu no número seguinte:


A resposta de JMP, do tipo das que Louçã hoje em dia debita  quase todos os dias na SICN, falha na explicação de uma coisa prosaica e simples de entender e que Champallimaud dizia claramente:

"Tivesse tido a Siderurgia Nacional o Estado como proprietário e ela não passaria hoje de um lamentável empreendimento a custar ao erário público, isto é, a todos nós, fortunas sobre fortunas, contribuindo, como tantos outros negócios para que alguns políticos impelem o Estado, para o agravamento sucessivo dos impostos e o retardamento da elevação do nível de vida da população".

 Foi exactamente isto que se produziu dali a meia dúzia de anos, já com uma bancarrota em cima.

A esquerda, essa, nada aprendeu, nada esqueceu e está na mesma, passados estes 40 anos.

Por isso estamos como estamos.

Quanto ao resto, ou seja aos recortes destes "pasquins",  é preciso lê-los para se entender o que informam.  Basta clicar nas imagens e ampliá-las noutra página...a não ser que não se dê qualquer importância a isto e tudo continue como dantes, na tranquilidade do realismo fantástico ou da loucura ambiente da esquerda reinante. A diferença entre ambos reside apenas no lugar de observação...

8 comentários:

Floribundus disse...

a política canhota precisa de empresas públicas

para

arranjar tachos para os 'bóis'

'fumentar o crechimento' ... da dívida dos contribuintes

com o costa monhé como barman
'saia mais uma bancarrota ... com muita espuma'

zazie disse...

ehehehe


Estas boca têm muita piada.

Fazer Históira é um trabalho lixado e pequenino pois funciona com factos.

Há quem não tenha pachorra para os catar e até podem fazer excelente literatura.

Ma alguém tem primeiro de fazer esse trabalho chato para lá irem buscar informação

Seguir livros em vez de factos, como fontes, porque até podem vir bem assinadas é que pode dar bode.

Floribundus disse...

a estátua de Pasquim próxima da Praça Navona

foi substituida pelos blogues onde se penduram críticas na forma tentada de postes

já começaram a assinalar a adolescência intelectual do tó monhé (está no crechimento)

já informar que sampaio da nóvoa era o presidente do juri que chumbou Saldanha Sanches por ser maoista
este devia ter repetido a indignação atribuida a Salvador Dalì quando o juri pensou sair para deliberar
''Vocês não vão a lado nenhum, eu é que me vou embora. Recuso-me a ser classificado por um grupo de analfabetos que de pintura sabem o mesmo que os ''payeses'' da minha terra, vocês só sabem de pintar paredes, e naturalmente não estão em condições de classificar um génio''.

diz-se que eanito, el estático. fez quanto pôde para Jaimite não ser general

zazie disse...

Nem era maoista em 2007 nem o outro chumbou coisa alguma.

luis barreiro disse...

O José afirma " A esquerda, essa, nada aprendeu, nada esqueceu e está na mesma, passados estes 40 anos."
Sinceramente julgo que a esquerda sabe muito bem isso, razão pela qual continua a querer as mesmas políticas.
Apenas sabem que assim comem do bolo, enquanto outros continuarem a pagar impostos.

lusitânea disse...

Os capitalistas indígenas eram maus, muito maus.Agora que são de fora e kamaradas é que é bom.Venha a actualização da antiga cassete...

Vivendi disse...

Discussões sérias na Assembleia da República no tempo do Estado Novo

O Orador: - Entre nós cedo se reconheceu o carácter da crise generalizada, e, conquanto se haja recorrido também, segundo as exigências do momento, a um intervencionismo moderado, logo se lançaram as bases da nova estrutura económica, agora a concluir a sua organização instrumental.

O Estado é levado a lutar contra o capitalismo e contra o colectivismo para instaurar a nova ordem económica. Contra o capitalismo hipertrofiado, ameaçando e limitando a própria soberania do Poder; contra o colectivismo, a hipertrofia do social, tão aniquiladora da personalidade como o capitalismo.

Diagnosticando a crise e origem do mal e o perigo dos remédios, ergueu-se a voz da Santa Sé, que, pela boca do Papa Pio XI, se exprimiu, na encíclica Quadragésimo Anno, nestes termos severos, mas exactos: «É coisa manifesta que nos nossos tempos, não só se amontoam riquezas, mas se acumula um poder imenso e um verdadeiro despotismo económico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, mas simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negoceiam a seu talante.

Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e de tal maneira a manejam que não pode respirar sem sua licença. Eis diagnosticado o mal profundo que abala o Mundo e simultaneamente indicado como o poder político se deslocou para os gerentes da empresa capitalista e o poder económico para a banca.

Burnhams já no livro célebre A Revolução dos Directores assinalara de maneira notável essa deslocação do poder político que a burguesia detinha desde a época liberal.

E, levantando a voz autorizada, o Santo Padre adverte igualmente contra o liberalismo, o colectivismo e também contra o estatismo, embora chamando o Estado à acção que, como promotor do bem comum, é sua obrigação exercer.

Von Mises escreveu, a propósito do intervencionismo, estas palavras sombriamente verdadeiras: «O intervencionismo é um tributo que deve pagar-se à democracia, a fim de manter o sistema capitalista».

Desejo acentuar que von Mises é um liberal puro, sacrificando ainda nas aras da livre concorrência e do equilíbrio espontâneo.

Repudiando, portanto, o intervencionismo como antieconómico, parece admitir, contudo, um sistema intermédio entre o capitalismo, caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, e o colectivismo, ao escrever: e Só nos importa não ter alguém conseguido mostrar que - posto de lado o sindicalismo - é concebível e realizável ainda uma terceira organização social entre os sistemas, ou junto dos sistemas, da propriedade privada e da propriedade colectiva dos meios e produção. O sistema intermédio da propriedade individual regulada, dirigida e limitada por medidas governamentais é ilógico e está cheio de contradições; toda a tentativa para o realizar seriamente tem de levar a uma crise à qual só, o socialismo ou o capitalismo conseguiriam dar solução». Seja-me permitido notar que von Mises ressalva o sindicalismo e considera-o, portanto, capaz de realizar a terceira organização social intermédia. A ser assim, pode concluir-se que o corporativismo, como superacção do sindicalismo e sistema integrador deste, pode realizar essa terceira organização social, pois não me parece duvidoso que o corporativismo parte do sindicalismo para operar a síntese dos grupos sindicalizados.

Da opinião autorizada de von Mises há que reter, contudo, uma séria advertência política e social: ou o corporativismo consegue dar à economia uma nova estrutura ou a crise se agravará e só será possível sair dela ou para um capitalismo ainda mais monstruoso ou para o colectivismo. Aqui reside a delicadeza do assunto em debate.

Vivendi disse...

Ora para assunto de tanta monta pareceu-me escasso o tempo concedido para estudá-lo convenientemente e discuti-lo em muitos aspectos de suma importância. Da brevidade do tempo me valho, não para desculpar erros, mas omissões de que eu próprio tenho consciência.

Como estrutura económica, que novos elementos caracterizam o corporativismo e o opõem ao capitalismo e ao colectivismo ?

O fim do capitalismo é o lucro. A economia desumanizou-se no sentido de que o homem não é o fim exclusivo da produção, como sucedia na economia pré-capitalista e, de modo bem característico, na época artesanal. Aqui a produção era destinada a clientes certos e para satisfazer necessidades imediatas. Na economia de troca, que sucedeu à artesanal, e a que Sombart chamou economia de sustento ou manutenção, já o humanismo se esbate, pois o produto passa à categoria de mercadoria e, nessa qualidade, a fim da actividade produtora. Nesta fase a actividade lucrativa por excelência é o comércio.

Quando a produção teve ao seu dispor o equipamento que uma técnica científica em permanente progresso lhe fornecia o fim passou a ser a própria produção. A inversão enorme de capital que as grandes unidades industriais requeriam só poderia amortizar-se e garantir o lucro se as máquinas trabalhassem a pleno rendimento. A diminuição do trabalho, e, portanto, da quantidade de mercadoria, representava um prejuízo que não poderia suportar-se por muito tempo. Daqui que o gigantismo capitalista necessite de um consumo activo e em permanente desenvolvimento; daqui a técnica das vendas para fomentá-lo e as várias intervenções indirectas do Estado para manter ou aumentar o consumo e salvar a produção capitalista. A produção é, pois, e em si mesma, o fim a atingir e a manter em constante expansão. Ora esta economia em permanente expansão tem também limites que não pode forçar, mas se pára morre!

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - E o homem, que representa paru este gigantismo económico? O homem é, antes de tudo, o consumidor. O homem real pouco importa, mas importa a sua capacidade de consumo, que deve ser fomentada cada vez mais. Em resumo: o homem, escravo da máquina. A isto conduziu o liberalismo.

Ora o colectivismo, que, no fundo, é também uma forma de individualismo, surgiu como reacção e correctivo ao capitalismo. Enquanto o liberalismo erigiu a liberdade individual em fim e gerou o capitalismo, o colectivismo dirige-se para a igualdade pela supressão do lucro e supremacia da colectividade. Agora a produção, isto é, o lucro, já não interessa como fim, mas apenas o bem social, ao qual o homem é sacrificado.

Também aqui o homem real deixou de existir, massificado, absorvido pela sociedade e transformado em meio para atingir o bem social. O fim é a colectividade em si mesma, o seu bem.

Ora o corporativismo, tal como consigo entendê-lo, está entre os dois extremos.

Assembleia Nacional do Estado Novo, numa sessão realizada a 13 de Julho de 1957, pelo deputado António da Fonseca Abrantes Tavares.