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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Portugal e o cadinho das bancarrotas

Marcello Caetano tinha avisado em Fevereiro de 1974: vinham aí tempos difíceis, principalmente por causa da inflação e da "vida cara". Mas tinha confiança em que as coisas se poderiam resolver a contento. 


Nessa altura não havia greves políticas nem sem o serem. Não havia greves, ponto. Havia corporações e sindicatos que discutiam assuntos laborais, mas greves não.

Logo a partir do 25A soltaram-se as amarras e as greves tomaram o freio nos dentes, como mostram estes jornais publicados cerca de um mês depois dessa data.


Curiosamente, o PCP, designado como partido de classe trabalhadora, desaprovava certas greves que não lhe pareciam democráticas e eram assim denunciadas como "reaccionárias" e quiçá, fascistas.


O ambiente no Rossio em dias de greve da Carris, era assim: "bichas" e mais "bichas" que era assim que se escrevia dantes.O jornal A Capital dava destaque à notícia sobre o modo como o Governo provisório tentava resolver os inúmeros problemas surgidos. Uma notícia dizia respeito á colocação de Vítor Constâncio como secretário de Estado do Planeamento Económico. Não admira que a bancarrota estivesse à espreita...


  
Todo este ambiente deletério reflectiu-se num pequeno fait-divers que passou então na tv como acontecimento significativo e relevante.
O então general Galvão de Melo, da Força Aérea e membro inicial da Junta de Salvação Nacional apareceu na noite de 27 de Maio na RTP numa alocução estranha e divergente do happening que então se vivia nas ruas. Leu então uma carta que lhe fora dirigida por uma pessoa anónima e que Galvão de Melo estendeu simbolicamente a muitos outros "portugueses autênticos", numa primeira alusão ao que dali a meses, em 28 de Setembro, surgiria como sendo a "maioria silenciosa".

Na carta se aludiam aos desmandos da revolução e à anarquia compante e enunciavam-se exemplos como os de se "libertarem terroristas sem pátria e transformá-los em heróis nacionais". O subscritor que afiançava ter aderido ao Movimento das Forças Armadas interrogava-se sobre o que se passara naquele mês era mesmo a Liberdade desejada...

Foi este o primeiro sinal público da clivagem que aparecia já aos olhos de muitos: as pessoas que tendo apoiado o golpe militar e que esperavam apenas a devolução de uma certa liberdade, surpreendiam-se com o surgimento de uma anarquia que já se manifestava abertamente nas greves selvagens e outros fenómenos sociais,  citados pelo articulista José de Freitas, em baixo, e no Diário Popular de 28 de Maio de 1974.

Dito de outro modo, os ingénuos da revolução surpreendiam-se com a abertura dos portões dos asilos e com os doidos à solta.

O reflexo disso mesmo é este artigo de um jornalista de A Capital republicado na revista musical Mundo da Canção, tipicamente comunista e cujo número saído em Junho de 1874 trazia já citações de Mao Tse Tung ( a" a reeducação ideológica é uma tarefa de longa duração", escrevia-se). Para encurtar tempo para essa "reeducação" publicava-se isto, a propósito daquela carta que o general Galvão de Melo leu na tv:






Na capa anunciava-se a formação de um Colectivo de Acção Popular e os subscritores são os cantores que faziam armas das cantigas...



Os dados estavam lançados e dali a dois anos a primeira bancarrota surgiu, inevitável. Marcello Caetano dava então entrevistas no Rio de Janeiro em que explicava que nada do que sucedia em Portugal deveria admirar quem quer que fosse...

Então como é que foi possíve a loucura que se instalou em tão pouco tempo em Portugal?

2 comentários:

BELIAL disse...

Memórias arrepiantes: da corja.

O cadastro da corja

Floribundus disse...

a escumalha convenceu o zézinho estúpido
que era o único inteligente