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domingo, 12 de julho de 2015

O ritual do advogado de classe


 Magalhães e Silva, advogado de firma com nome posto,  tem o costume de se indignar sempre com procedimentos judiciários que subitamente descobre serem atentatórios de direitos fundamentais de alguém que lhe é próximo. E fala disso nas tv´s e escreve sobre isso nos jornais, como o faz no Correio da Manhã de hoje.
Magalhães e Silva é um advogado de classe, como já escrevi aqui e por isso incomoda-o muito a falta de classe com que o sistema judiciário lida com suspeitos de prática de crimes graves na área dita do "colarinho branco" ( expressão já em desuso porque os colarinhos agora são de todas as cores e com predominância rosa).

Vejamos o motivo da indignação deste advogado de classe: então não é que prenderam o Vara, um impoluto cidadão que foi detido sem mais nem porquê e principalmente sem dar cavaco aos advogados desta classe de cidadãos?
Não se faz uma coisa destas! E a PGR tem que dar explicações e cumprir - já e afanosamente- , sempre que se plantem casos destes, o disposto no artº 86º nº 13 do CPP  que este advogado de classe ajudou a redigir.- "13 - O segredo de justiça não impede a prestação de esclarecimentos públicos pela autoridade judiciária, quando forem necessários ao restabelecimento da verdade e não prejudicarem a investigação:
a) A pedido de pessoas publicamente postas em causa; ou
b) Para garantir a segurança de pessoas e bens ou a tranquilidade pública.
"

Isto assim é um desaforo inadmissível e lesivo da majestade desta classe. Prender-se um cidadão como José Sócrates ou um da estirpe de Ricardo Salgado é desaforo sem igual, principalmente sem se dar a conhecer publicamente aos advogados de classe os motivos da detenção.

Isto assim lembra as infamantes práticas americanas das correntes nos pés com bolas de ferro atadas para não fugirem. Não se faz porque tal coisa é retrocesso civilizacional e só povos selvagens e incultos como os americanos as toleram.
Para além disso, prenderem-se tais pessoas excelentíssimas sem haver qualquer receio de fuga é manigância com resquício de selvajaria, porra! Então um impoluto já condenado em pena de prisão de cinco anos e à espera do trânsito, eventualmente para a cadeia, alguma vez iria fugir se o chamassem à pedra? Só um néscio acreditaria em tal coisa. Um tipo honrado e que já deu provas sobejas de carácter impoluto, com apitos estridentes na ponte para derrubar um governo e ir para lá fazer fundações ilegais, merece uma humilhação destas?
Não, não merece e ainda bem que há advogados desta classe para os defender e proclamar os princípios de dignidade mínima de um Estado de Direito.

E a senhora PGR ponha-se já em linha para esclarecer estes indignados, contando  publicamente tudo o que há contra eles, porque isto não é o da Joana apesar do seu nome...ainda não chegamos à Madeira e isto não é a Itália que trata alguns presos, assim:



2 comentários:

Floribundus disse...

a mafia do rectângulo tem outro nome

'são todos iguais no gamanço,
mas uns gamam mais que outros'

para Pitigrilli
um advogado
'é uma consciência de aluguer'

Luis disse...

Para mim, Magalhães e Silva tem de aparecer por querer ser protagonista neste filme.
É que já há nove arguidos neste "Marquês" e nenhum o "convidou" para o defender. E não será por não terem contas que possam pagar os mais de 500 euros à hora que aquele cobra.
E, além disso, ele também é irmão de avental.
Então, porque será que aqueles arguidos ingratos não o contactam para sua defesa?!
Será porque recebe para defendê-los fora do processo?