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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Voltar a Voltaire

Voltaire é um dos filósofos das Luzes e morreu em  1778, um pouco antes da Revolução em França.
O autor do Tratado da Tolerância, agora muito citado por causa dos atentados de Paris, em Janeiro, ao Charlie Hebdo, era um defensor da liberdade de expressão e de imprensa.

Contudo, como mostra a revista cujos textos tenho vindo a passar, tinha facetas desconcertantes para quem vê uma unidimensionalidade simplista nesse pensamento "progressista".
Afinal o pensador das Luzes seria um esclavagista homofóbico, racista, anti-semita, anti-islamita e misógino? É ler...


10 comentários:

zazie disse...

ehehe

Não sabia do esclavagismo nem no investimento no tráfico de escravos.

O resto era mais ou menos comum na altura- o racismo também vem com as luzes e misoginia e dita homofobia sempre foi assim (a moda do contrário é que tem para aí 3 décadas ou pouco mais).

Agora essa da despenalização da violação é muito estranha mesmo.

Defensores do semitismo são poucos mas aparecem mais tarde, como o Lord Byron e assim.

Floribundus disse...

de Voltaire só li alguns temas do Dicionário

porque estava interessado numa pesquisa

os franceses dessa época nunca me interessaram grandemente

por influências várias estava mais virado para alemães e ingleses

sempre estive muito próximo dos critérios de utilidade

o naufrágio de Spengler é quase centenário
e muito actual
'a idade da pedra não terminou por falta de matéria-prima' (raw material)

também a know-how prefiro modus faciendi ou operandi

BELIAL disse...

Era tão infame como talentoso.

Não fora o seu génio, o seu "génio" tê-lo-ia perdido.

Teve sorte. Muita sorte: o celerado patife.

muja disse...

Cuidado, não acabem a dizer que é para censurar...

zazie disse...

eheheh

Censurando nem se sabe e depois torna-se vítima e cria mito.

Bic Laranja disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lusitânea disse...

Agora e por cá os avançados purificaram-se.Vamos ver no que vai dar.Coisa boa não será...

Maria disse...

egando nas palavras de Fluribundus (outro sobredotado:), também não sou perita em Voltaire, longe disso. Conheço apenas e de um modo geral o que toda a gente conhece sobre a personagem em questão.

O que aqui me trás é, se me é permitido, tecer modestamente uma opinião muito pessoal para, digamos, acrescentar um grão d'areia a outras opiniões elaboradas por pessoas bem mais conhecedoras e abalizadas para o fazer, de certeza absoluta.

Pelo que tenho lido, por alto, em alguma literatura que tenho aqui em casa, Voltaire, como pessoa, era exactamente tudo o que se pode ler em título introdutório a algumas das notícias no interior da revista - e mais. Era racista, xenófodo, anti-semita(?!?), egocentrista, polémico, quezilento, sarcástico, vaidoso, orgulhoso, provocador, dasafiador dos costumes, insultuoso, etc., etc. Pelo que se lê, também foi um bon-vivant, um pinga-amor, dir-se-ia um pseudo-casanova e sem dúvida um sedutor que se apaixonava com uma facilidade extrema sendo igualmente objecto de paixões assolapadas por parte do sexo feminino, como poucos porventura o terão sido no seu tempo. Era muitíssimo rico por direito próprio já que publicava livros e panfletos pràticamente todos os anos, sempre com enorme sucesso de vendas, além de dar conferências muito concorridas (só se bem pagas, naturalmente...), tudo isto se tornando d'imediato o que hoje vulgarmente se designa por best-sellers, obtendo bons proventos dos vários cargos políticos importantes que desempenhara e herdando simultâneamente uma fortuna considerável de seus pais (mais por parte da mãe, muito rica) e beneficiando também de somas importantes (e pelo menos uma extensa propriedade) doadas pelas várias senhoras com quem havia mantido relações amorosas, assim como e igualmente através das duas mulheres legítimas, uma das quais de família muito rica.

Este homem foi preso diversas vezes devido às suas tomadas de posição contra o Regime, bem como ao conteúdo desbragado e ofensivo de alguns dos seus livros. Foi corrido de Berlim, para onde havia ido viver, dois anos depois e pelos mesmos motivos. Sucedeu-lhe exactamente o mesmo em Londres, cidade onde viveu poucos anos. Foi nesta cidade que levou uma lavagem ao cérebro pela maçonaria lá do sítio, regressando a Paris (embora já dela padecesse, em parte, com anterioridade) com uma aversão exacerbada ao cristianismo e ao islamismo, um ódio que não mais o abandonou. O que é que esta atitude, sinónimo de maus princípios, má formação moral e intolerância cega, quer exactamente dizer? Hummm..., não é preciso ser psicólogo para a detectar a milhas de distância e com uma hipótese considerável de não errar.
(cont.)

Maria disse...

egando nas palavras de Fluribundus (outro sobredotado:), também não sou perita em Voltaire, longe disso. Conheço apenas e de um modo geral o que toda a gente conhece sobre a personagem em questão.

O que aqui me trás é, se me é permitido, tecer modestamente uma opinião muito pessoal para, digamos, acrescentar um grão d'areia a outras opiniões elaboradas por pessoas bem mais conhecedoras e abalizadas para o fazer, de certeza absoluta.

Pelo que tenho lido, por alto, em alguma literatura que tenho aqui em casa, Voltaire, como pessoa, era exactamente tudo o que se pode ler em título introdutório a algumas das notícias no interior da revista - e mais. Era racista, xenófodo, anti-semita(?!?), egocentrista, polémico, quezilento, sarcástico, vaidoso, orgulhoso, provocador, dasafiador dos costumes, insultuoso, etc., etc. Pelo que se lê, também foi um bon-vivant, um pinga-amor, dir-se-ia um pseudo-casanova e sem dúvida um sedutor que se apaixonava com uma facilidade extrema sendo igualmente objecto de paixões assolapadas por parte do sexo feminino, como poucos porventura o terão sido no seu tempo. Era muitíssimo rico por direito próprio já que publicava livros e panfletos pràticamente todos os anos, sempre com enorme sucesso de vendas, além de dar conferências muito concorridas (só se bem pagas, naturalmente...), tudo isto se tornando d'imediato o que hoje vulgarmente se designa por best-sellers, obtendo bons proventos dos vários cargos políticos importantes que desempenhara e herdando simultâneamente uma fortuna considerável de seus pais (mais por parte da mãe, muito rica) e beneficiando também de somas importantes (e pelo menos uma extensa propriedade) doadas pelas várias senhoras com quem havia mantido relações amorosas, assim como e igualmente através das duas mulheres legítimas, uma das quais de família muito rica.

Este homem foi preso diversas vezes devido às suas tomadas de posição contra o Regime, bem como ao conteúdo desbragado e ofensivo de alguns dos seus livros. Foi corrido de Berlim, para onde havia ido viver, dois anos depois e pelos mesmos motivos. Sucedeu-lhe exactamente o mesmo em Londres, cidade onde viveu poucos anos. Foi nesta cidade que levou uma lavagem ao cérebro pela maçonaria lá do sítio, regressando a Paris (embora já dela padecesse, em parte, com anterioridade) com uma aversão exacerbada ao cristianismo e ao islamismo, um ódio que não mais o abandonou. O que é que esta atitude, sinónimo de maus princípios, má formação moral e intolerância cega, quer exactamente dizer? Hummm..., não é preciso ser psicólogo para a detectar a milhas de distância e com uma hipótese considerável de não errar.
(cont.)

Maria disse...


(conclusão)

Sendo ele um homem muito inteligente e reconhecidamente um escritor, dramaturgo, poeta e conferentista genial, era por isso mesmo adulado e seguido nas suas conferências por uma legião d'admiradores grangeados através da imensa literatura publicada sempre com bastante sucesso de vendas, mas, exactamente e pelo mesmo motivo, suscitando ódios exacerbados entre o público francês.

O que é que se pode dizer de semelhante personagem d'antologia? Para além de todos os méritos que lhe possam ser justamente atribuídos e podem, só me ocorre classificar um tão diabólico quão genial carácter como pertencente a alguém d'origem judaica. Descendente directa ou indirectamente de antepassados que o foram, parentes porentura próximos ou afastados, não obstante quase de certeza judeus. Porquê? Porque está patente no seu temperamento tortuoso, belicoso, quezilento e intolerante, mas também na sua desmesurada vaidade, na sua prepotência, no orgulho exacerbado na sua pessoa, no constante alardear da sua genialidade como intelectual superior e melhor escritor dentre os demais, no ódio dispensado às outras raças (defeito iniludível e intrínseco a estas gentes), pela sua tendência em provocar intencional e desnecessàriamente o próximo com atitudes desbragadas, originando polémicas graves e provocando mesmo duelos, assim como não se coibindo de proferir ofensas gratuitas atentatórias do bom nome e reputação de outrem, tendo como alvos prioritários a nobreza, a burguesia (sendo ele próprio um produto da mesma) e inclusivamente seus pares escritores e poetas.

É certo que na fisionomia de seus pais não se detectam traços judaicos..., o que não quer dizer nada. Ainda hoje (como de resto em todos os tempos) há muitos judeus que os não possuem, todavia muitíssimo no seu carácter. No entanto desconhece-se como eram seus avós, facto que seria interessante de ser analisado. Contudo o seu perfil não o desmente e é aliás através deste que se podem ler como numa carta aberta os traços definidores do seu temperamento absolutamente detestável, mesmo execrável, porém e paradoxalmente deveras atraente (como acontece de um modo geral com este género de personalidades) levando-o a ser tanto idolatrado como assaz odiado por multidões no seu tempo, do mesmo modo que para muitos ainda hoje o seu talento literário é largamente elogiado, deixando outros tantos àquele totalmente indiferentes. Tal facto deveu-se/deve-se sem dúvida à sua indesmentível genialidade como dramaturgo, encenador, conferencista, poeta, escritor e enciclopedista, por um lado e por outro, ao seu temperamento dissoluto e radicalismo político.