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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BANIF: chegamos mesmo à Madeira...

Observador:


O presidente do banco britânico Lloyds, Horta Osório, defendeu a realização de uma auditoria externa que mostre aos portugueses o que aconteceu no Banif, considerando que é “um assunto chocante” que tem de ser “devidamente explicado”.

“Acho que é um assunto chocante e que tem de ser devidamente explicado”, afirmou Horta Osório, em declarações aos jornalistas à margem do Conselho da Diáspora, que decorreu no Palácio da Cidadela, em Cascais.


Lembrando que se sabia que o banco estava fragilizado há uns anos e que recorreu à ajuda de uma linha europeia no valor de menos de mil milhões, Horta Osório defendeu ser necessário perceber porque agora se chegou à conclusão que os contribuintes têm de injectar mais do dobro desse montante no banco, num total de três mil milhões de euros, ou seja, “mais de mil euros por cada família portuguesa”.

“Acho que tendo o banco recorrido a cerca de mil milhões de euros há dois anos e agora ser injectado mais do dobro desse valor, este valor é demasiado para não ter um apuramento claríssimo das responsabilidades”, enfatizou.



Pouco ou nada percebo de economia, se calhar quase tanto como a Mariana Mortágua e por isso não sei dizer melhor do que citar quem sabe muito mais e melhor e que também declara não saber. Acredito no que Horta Osório diz e quero ver se os factos que o esquerdismo radical apresenta são verdadeiros e se isto é mais uma pouca vergonha do estilo BPN.
Se calhar será, o que significa que temos na sociedade portuguesa um vírus activo e que atinge diversas pessoas que precisam de estar assim infectados para sobreviver. Política, social e se calhar economicamente.

Veremos o que sucede. Para já a esquerda radical diagnostica o fenómeno...

Já se sabia que os governos de Cavaco Silva deram a conhecer ao mundo pessoas com vontade de dar cartas na finança, como ficou à vista com o BPN, cujo buraco de 7 mil milhões de euros (na última avaliação) está a ser pago pelos contribuintes sem que se conheçam consequências para o património dos que ganharam com desfalques. Olhando para os atuais e antigos detentores de cargos no Banif, encontramos mais ex-governantes dos dez anos de cavaquismo.
Jorge Oliveira Godinho foi secretário de Estado das Pescas de Cavaco durante seis anos e a seguir passou uma década na administração da EDP até entrar em 2009 no Conselho Consultivo do Banif Investimento. Neto da Silva, que diz ser o fundador da Loja Mozart, o grupo maçónico que integrava o atual líder parlamentar laranja Luís Montenegro e outras figuras ligadas ao PSD, aos serviços secretos e à empresa Ongoing, ocupa hoje um lugar no Conselho Nacional do PSD, ao mesmo tempo que fiscaliza as contas do Banif como vogal do Conselho Fiscal. Foi secretário de Estado do Comércio Externo de Cavaco Silva. A lista de governantes de Cavaco no Banif fica completa com Manuel Carvalho Fernandes, que foi secretário de Estado do Tesouro e trabalhava de perto com Oliveira e Costa, seu colega responsável pelos assuntos fiscais. Carvalho Fernandes viria a demitir-se na sequência do escândalo da fracassada OPV de sete empresas da Sonae. Tanto ele como o seu ministro, Miguel Cadilhe, vinham do BPA, um dos grandes clientes da Sonae e o banco por trás da operação bolsista. Hoje é acionista de empresas do grupo Banif e administrador do banco.
O próprio Cavaco Silva também quis estar associado ao crescimento do Banif na última década. Em janeiro de 2003 participou na conferência que assinalava os 15 anos do banco, ao lado de Horácio Roque e Alberto João Jardim. E dois anos mais tarde, um mês antes de anunciar a sua candidatura às eleições presidenciais, o antigo primeiro-ministro deslocou-se a Londres para participar enquanto convidado de honra no jantar que assinalou a abertura de um escritório do Banif Investimentos. A notícia do jantar londrino, no qual Alberto João Jardim foi o grande ausente, ainda aparece no site do banco. "Segundo foi possível apurar, o presidente do Governo Regional foi convidado directamente por Horácio Roque - o presidente do Grupo BANIF - só que o facto de Jardim estar envolvido nas mais de sessenta inaugurações e igual número de festas partidárias impedem a sua saída da Região", relatava o Diário de Notícias da Madeira.
O perfume da rosa chega à Madeira
Ao contrário do BPN, os donos do Banif procuraram integrar todo o bloco central nos seus órgãos sociais, convidando ex-governantes do PS para cargos no banco. Muito antes de Luís Amado assumir a presidência do banco em tempo de crise, a Global Seguros - seguradora do grupo - contratou para seu administrador José Lamego, ex-secretário de Estado socialista, entre 2001 e 2005. Curiosamente, foi nesse intervalo de tempo que Lamego foi nomeado para ajudar a redigir a Constituição aprovada após a ocupação norte-americana no Iraque. Depois da experiência acumulada no Funchal e em Bagdade, Lamego transferiu-se para o grupo BPN, com um cargo no banco Efisa.
A Global Seguros foi a empresa escolhida para dar emprego a figuras de peso do PS como Vera Jardim, ex-ministro da Justiça e atual membro da Comissão Política socialista, que presidiu à AG da seguradora entre 2009 e 2010. O seu colega no governo de Guterres com a pasta da Defesa, Júlio Castro Caldas, fez parte do conselho geral e de supervisão da Global Seguros pelo menos entre 2007 e 2010.

7 comentários:

Portas e Travessas.sa disse...

O malvado do Sócrates, preso 44, está moribundo à 1 ano - dão um arrebenta no banco do Banif - até o Osório mete as mãos na cabeça,ai jesus - e aqui ninguém vai preso - isto é uma bola de "cebo" que rola à 4/5 anos.

Como é que é possivel? pergunta o Osório e o José escreve sobre oe "xuxualitas"?

Já o BPN foi o que foi e o Banif é o que é

Francamente José

Zé da Adega

Luis disse...

Como é possível tanta incompetência da entidade reguladora, dos governos e da troika? Todos eles andaram a dormir ou foram coniventes com tanta gestão danosa.
Aguardo por ver quem vai ser responsabilizado por mais esta. O que sei é que muitos cidadãos andaram a penar com grandes cortes e muita austeridade para se concluir que qualquer esforço foi inglório face a esta pouca vergonha dos banqueiros.
O BPN está em julgamento, o BCP passou ao controlo da maçonaria, o BPP foi pelo esgoto, o BES andou a gamar com os políticos a beijar a mão ao Salgado e Cia. Espero para ver o que vai acontecer aos responsáveis por mais esta. Curioso é que mais ninguém fala de Luís Amado (PS), mas até há algum tempo era rosto do Banif como presidente do conselho de administração deste banco. Só são importantes para ganhar anualmente percentagens dos lucros (que não existem mas que inventam) e auferir ordenados monstros: para serem responsabilizados das asneiras ou de negócios ruinosos, não aparecem.

Octávio Diaz-Bérrio disse...

A pouca-vergonha continuará até que páre o "grande roubo" que está na origem de todos estes saques.
O ditado é velho: "Tu que sabes e eu que sei, cala-te tu que eu me calarei". E entretanto vão todos ao pote.
E o José até conhece pessoalmente a vítima do "grande roubo"!

Floribundus disse...


diz-se e leio ou ouço:

* o bdp é u depósito de parasitas de esquerda que deviam analisar o que se passa nos banquinhos

* que a sua decadência começou com sir constâncio ao serviço do ps e dos banqueteiros

* que é fácil emprestar o dinheiro dos outros

* que é mais fácil ainda salvar o dinheiro dos Amigos

* que os contribuintes pagam sempre a factura

* que a rataria vai comer até haver

* 'eles comem tudo e só deixam dívidas'

Portuga disse...

São estas coisas que não se ouve dizer nos debates televisivos. É lamentável que continuem a empurrar as responsabilidades de uns para os outros sem que haja uma entidade independente que diga frontalmente quem são os responsáveis por este descalabro financeiro. Só falta dizerem que isto ainda é herança do fassismo.

Luis Filipe disse...

O Banif foi vendido ao "melhor".Esta é uma espressão bolsista e dos mercados financeiros quando já nao se faz mais nada do que receber o que querem dar pelo activo, ou seja colocá-lo no mercado sem preço,ao que quizer "agarrá-lo". Foi apenas isso que Horta osorio quis dizer por palavras mais abrilhantadas.Quem vende ao melhor perde sempre muito.
Estimado José, desta vez não foi a "esquerdalha" foi a direitalha que estavam com olho nas eleições e caladinhos que nem ratos a ver se havia um milagre até depois do fim de ano por causa do déficit.
A "direitalha" sabia perfeitamente que o Banif ia ser vendido ao "melhor" e tambem sabia que ia haver " margin Call" que ia ser satifeita pelo povão, que é manso, salvo seja.
Eu pergunto, e o Pais e o futuro, quem o proteje?
Respondo: não tem proteção porque não irá existir no futuro, não é possivel ter futuro assim.

Desejo-lhe uma época natalicia agradável, e a todos os leitores.

Ricciardi disse...

A situacao do Banif é semelhante a todos os bancos da praça. Todos, sem excepção. A causa tem origem directa na desvalorização abrupta dos activos dos bancos, isto é, dos créditos concedidos. Os activos desvalorizaram devido ao incumprimento massivo de empresas e particulares das suas obrigações crediticias.
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A origem do problema não esteve nos activos tóxicos da crise de 2008 (Portugal estava pouco exposto), mas sim na aceleração da austeridade efectuada. O incumprimento dos clientes dos bancos cresceu imenso em 2012, 2013 e 2014, levando a q os bancos precisassem de mais capital para compensar essas 'perdas'. Esse capital foi emprestado pelo estado. A quase todos os bancos, à excepção do bes q aumento o capital por meios próprios.
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A Aceleração da austeridade na lógica 'quando mais e mais intensa for melhor', acelerou o incumprimento duma forma nunca vista e soma recordes todos os anos, incluindo 2015.
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A ideia de conter a expansao do sector da construcao era boa, contudo sabendo q este sector pesava muito nos balanços dos bancos, o governo devia ter tido mais cuidado. Quer na política de rendimentos, quer na política fiscal.
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Era e é preferível um défice ligeiramente maior mas sem as consequências no desemprego e incumprimento e falencias do que fazer colapsar todo o sector de construção de supetão. Espanha e Irlanda tem défices superiores ao portugues, mas crescem o triplo e o quádruplo, respectivamente.
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O resultado é simples. Uma espécie de efeito boomerang. Ao fazer colapsar todo um sector, a banca que o suportava foi de arrasto e o défice volta a patamares anteriores. No ano passado foi de 7,5% e este ano será de 4%. Não valeu a pena a austeridade, acabamos por pagar o mesmo. Com uma agravante. Desperdício de recursos.
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A construção estava demasiado alavancada? Estava
Precisava de ser parado o crescimento da construção? Sim
Era preciso deitar as empresas para o lixo? Não.
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Rb