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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Portugal antes de 25 de Abril de 1974.

A Capital que se publicava antes de 25 de Abril de 1974 permite-nos vislumbrar o que acontecia de relevante no país e no estrangeiro pouco tempo  antes do golpe de 25 de Abril daquele ano.

Tenho dificuldade em compreender qualquer análise social e política ao que sucedeu antes dessa data e em pleno regime de Marcello Caetano, ainda com a guerra no Ultramar,  sem uma compreensão de certos fenómenos que se espelhavam no quotidiano dessa época.

A melhor forma de observar esses fenómenos parecem-me ser os veículos que os registavam e neste caso as publicações periódica, como os jornais.
Apesar da existência de censura prévia a liberdade de informação em geral não estava tão limitada como se pretende fazer crer agora. As notícias que eram publicadas tinham um arrimo que excluíam certas veleidades hoje em dia corriqueiras, mas não se pode dizer que a realidade em geral não se encontrava espelhada nos jornais de modo talvez mais perfeito que hoje.

As notícias relativas as fait-divers no jornal daquela época eram bastante elucidativas do ambiente social e mesmo político que se vivia.

Na edição de 5 de Setembro de 1972 as notícias sobre acidentes rodoviários eram parecidas com as que o Correio da Manhã hoje publica com uma diferença: seria praticamente impossível ver agora uma imagem de um ferido como a que se pode ver em baixo.


Ou esta página de 29 de Maio de 1972, do idêntico teor.




Na edição de 18 de Abril de 1973 as notícias ainda são mais interessantes e curiosas, envolvendo padres da hierarquia da Igreja de Braga,  que se rebelavam contra o então arcebispo D. Francisco Maria da Silva...e recorriam aos tribunais civis para fazerem valer direitos de publicação em jornal local ligado a essa mesma hierarquia.

Nesta mesma edição, para além da imagem à vista, em imitação dos jornais ingleses, aparece uma notícia que pode parecer estranha por arremedar a algo muito mais antigo: fala num "João Semana" que ainda andava de burro, em Mação...e ajudava os necessitados com a sua profissão. Hoje temos o caso do S. José. É comparar...


Na edição de 29 de Julho desse ano escreve-se sobre um assunto delicado e com a maior naturalidade: os paraplégicos de Alcoitão, devido a "doença, guerra e acidentes de viação". Hoje não me parece possível nem esta linguagem nem esta abordagem do assunto.


O jornal começou então a usar um estilo que hoje é banal: a omissão dos artigos no início dos títulos. Tal suscitou reparos...na edição de 22 de Maio de 1972. Ao lado uma transcrição de declarações de Marcello Caetano e que não tem qualquer chamada na primeira página, apesar de serem declarações importantes.


Na edição de 8 de Maio de 1972, aparece um cantor que se tornou muito conhecido no tempo do PREC pelas cantigas inflamadas de comunismo: Samuel. E um concorrente de um concurso televisivo chamado Jogo do Galo que testava os conhecimentos dos concorrentes com perguntas triviais. Ainda me lembro do concurso, deste concorrente e do modo como perdeu.



Finalmente, na edição de 14 de Outubro de 1973 escreve-se sobre um acontecimento de que não há memória de outro igual depois disso, nos últimos 40 anos. A construção de uma siderurgia no Norte do país, fruto de investimento privado de Champallimaud e da sua sociedade anónima com milhares de pequenos accionistas. O capitalismo portugues dos "monopólios" como esta faz-nos uma falta de morte e quem o matou foi o partido Comunista e a extrema-esquerda, mais o partido Socialista a ajudar. Isto é tão claro que deve ser dito, repetido e escrito em todos os lugares, para que se desfaçam mitos e este PCP e a extrema-esquerda deixem de ter a influência que detêm no país de há 40 anos a esta parte. Chega! Basta! A miséria que temos foram eles quem a trouxeram porque nela vicejam e nela prosperam.

De notar o teor do discurso de Amílcar Marques, administrador da Siderurgia, em nome do patrão, ausente da cerimónia. " os empresários de indústria siderúrgica portuguesa só em tais casos especiais e a título temporário aceitaram ou aceitarão protecção, ajudas, sobrecustos dos seus fabricos"...

Que diferença para o que se passa nos dias de hoje!


E...política pura, não havia? Havia. Na edição de

Quem é que faltava, neste contexto? Só aqueles que costumam fazer tanta falta como uma viola num enterro: o PCP e a extrema-esquerda. E isso fazia do regime um "fassismo"? Segundo eles, fazia. Dois anos depois do golpe de 25 de Abril de 1974 comprovou-se que essas forças políticas nenhuma falta faziam ao regime e tornaram-se a origem e a causa de bancarrotas, problemas sociais diversos e degradação do país até ao ponto em que hoje nos encontramos.

Teria Marcello Caetano razão ao proibir tais partidos? Tinha nesse aspecto. Não tinha ao contribuir para que esses mesmos partidos se tornassem alguns dos mais desejados durante o PREC. É aquela velha questão do "fruto proibido"...

Nos demais países europeus, o comunismo tornou-se inofensivo porque nunca provocou tantos danos sociais e económicos  como por cá.
Basta ler a última página publicada acima, sobre os "transportes públicos" para perceber isso.  E basta ler esta para entender como estávamos economicamente na véspera do 25 de Abril:

Capital, 8 de Maio de 1972:


A "conta provisória" do Orçamento, no primeiro quadrimestre de 1972 era positiva, com superavit. As receitas superavam as despesas. Estas incluíam despesas de guerra em três frentes e os impostos eram mais baixos, mas muito mais baixos do que hoje...

E nem é preciso falar nas reservas de ouro que então existiam no Banco de Portugal, uma herança que depois foi aproveitada pelos magníficos do PREC comunista e socialista para evitar a bancarrota ainda mais depressa do que se verificou.

Que dizer a isto? Para que precisávamos do PCP e da extrema-esquerda? Para dizermos que éramos como os outros na Europa? É pouco...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O juiz da Lava-Jato é a figura do ano para a Veja



No Brasil, o exemplo vem dos juízes e como tal é reconhecido. E por cá?

Por outro lado, para escrever sobre o juiz, cujo trabalho merece encómios, os jornalistas da Veja foram ver...o seu trabalho. Leram centenas de sentenças ( em média com uma dúzia de páginas) e relataram métodos, decisões e citações. O essencial, portanto e anos-luz do jornalismo de cá, ocupado no fait-divers e no acessório. 

A Capital, 11 de Novembro 1971

Aqui ficam 20 paginas do jornal A Capital de Domingo, 14 de Novembro de 1971. Faltam apenas 4 páginas centrais, dedicadas integralmente ao futebol e demais "informação desportiva" e uma página de publicidade à Míele e ainda 12 páginas do suplemento "Extra". 

A Capital parece-me um pouco, no estilo,  o Correio da Manhã daquele tempo. A ficha redactorial reserva algumas surpresas nos nomes indicados. Alguns deles vieram a ser fundadores do futuro O Jornal, dali a meia dúzia de anos ( 1 de Maio de 1975).  Por outro lado, a secção de "artes & letras" estava entregue aos cuidados de Maria Teresa Horta (a cripto-comunista que foi uma das "três Marias" censuradas pela escrita das Novas Cartas Portuguesas).

De notar, na página 6 os comunicados das Forças Armadas, sobre a guerra no Ultramar.  Seria a linguagem utilizada "fascista"? 



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A Geni (alidade) do arrivismo

O director de informação da TVI, alcandorado ao devido sítio por quem manda na estação, com a conivência activa senão determinante de certos  sectores políticos  agora outra vez na ribalta, escreve hoje um apontamento no Diário de Notícias, lamentando-se como se fosse "geni".
Para quem não saiba, "geni" é personagem de uma obra musical de Chico Buarque, A Ópera do Malandro, de 1979. É um travesti desprezado que encanta um bárbaro invasor, tripulante de um zeppelin,  prestes a aniquilar a terrinha que visitou e que se demoverá se a desgraçada se lhe entregar. E entrega...perante as súplicas lancinantes dos restantes habitantes que a desprezavam antes, durante  e...depois. E daí a "pedra na Geni" ( a canção que assim se intitula é a melhor do disco)  que este antigo administrador de fundação ( EDP), agora director de propaganda informativa, portanto travestido de jornalista,  menciona identificando-se com tal personagem.
Sintomática esta pequena genialidade arrivista, esta identificação com o alvo de um desprezo, da rasquice e da marginalidade que se sublimam na entrega ao sacrifício pela liberdade de informação, contra os que o fustigam. Em vez de um cristo habitual temos por isso uma geni num voo de zeppelin. Um artigo de opereta, portanto.
Quando tenta explicar o que fez na TVI no passado Domingo à noite, a propósito do Banif-  "Sim, a TVI soube antes de todos que o Estado Português tinha uma semana para evitar a liquidação do Banif"- antevê-se o sacrifício de entrega ao domínio do dever e à submissão de quem manda, lá do   zeppelin que paira no alto.
Vai daí, antes que fosse tarde demais, a notícia foi lançada ao ar como pedrada definitiva, com a funda da Geni,  ao banco que assim perdeu logo a seguir, num efeito necessário, previsto e eventualmente desejado ( só quem é estúpido não entenderia tal efeito e não parece que este sofra desse defeito) o capital necessário para eventualmente se recompor. 900 milhões, escreveu-se na primeira página de um jornal que este jornalista agora travestido refere como sendo o que "publica mulheres nuas nas primeiras páginas". A nudez cruel de uma verdade  jornalística, premente e sem adiamento possível, desta vez já não é liberdade informativa mas  apenas de jornal com mulheres nuas na primeira página...

Só falta referir quem lhe terá encomendado o recado, porque a fonte de informação não o fez desinteressada do efeito e particularmente se foi alguém deste Governo ou outrém, em paralelo assimétrico, na sombra da administração que  pilota o comando do zeppelin rutilante. Prefere assim proclamar a excelência do seu jornalismo de fretes políticos variados, como se viu na última entrevista a outra sacrificada geni e que subentende como tal no requisitório que escreve sobre alguns proscritos da sua ópera particular contra malandros sem nome.


Para justificar porque decidiu afundar um banco de um dia para o outro, liquidando-o de facto, com uma simples notícia de rodapé, conta uma história alheia que "gostaria de ter escrito" e que aparece na revista do Expresso da semana passada.
Por causa disso fui comprar o jornal e li o artigo de Pedro Guerreiro e Isabel Vicente intitulado "o diabo que nos impariu".

O artigo tem seis páginas da revista, em duas colunas e que começam quase a meio da página. Duas páginas inteiras chegavam e está escrito num estilo que se lê como um artigo de blog, sem grandes ademanes e fracote no conteúdo substancial.
Aquele putativo Geni gostaria de o ter escrito mas duvido que fosse muito mais além desta frase sobre um dos casos citados: " Quando o Expresso revelou no início do verão deste ano quais eram os 50 maiores devedores do BES antes do colapso, mostrou que eles agregavam mais de 700 empresas que tiveram um crédito total de dez mil milhões de euros. Muitas dessas empresas faliram, em prejuízo do ainda chamado BES, que ora é nome de banco mau, O peso dos construtores e promotores imobiliários nessa lista de 50 é avassalador, incluindo o Grupo Mota-Engil, que era chamado construtora do regime" na década passada, e o grupo Lena, que foi colocado sobre suspeita pelo Ministério Público num alegado esquema de favorecimento envolvendo José Sócrates".

Era isto que "gostaria de ter escrito"? Não perde pela demora porque poderia tê-lo feito depois de perguntar devidamente como é que estas coisas aconteceram, ao próprio José Sócrates aquando de uma das quatro vezes que foi a casa do mesmo para preparar a tal "entrevista".  Está sempre a tempo e pode escrever outro artigo em que parta a pedra que falta partir e então arranje lenha para se queimar. Pode começar por inquirir sobre o que se passou com o caso BCP, Joe Berardo, Armando Vara e a CGD. Depois até pode indagar sobre o BES e Hélder Bataglia. Se há alguém que sabe de gingeira o que se passou é o seu protegido da TVI...e nem precisa de perguntar nada pelo "gordo" ou mencionar a palavra "offshore"

"É pau, é pedra, é o fim do caminho" é paráfrase das palavras que encerram aquele artigo...deste arrivista social do jornalismo caseiro.










domingo, 27 de dezembro de 2015

O obituário pela revista do Público




Estas duas páginas de prosa corrida, no Público de hoje,  acerca do fim da revista semanal do Público deixam-me indiferente porque não me convencem de nada que tenha interesse.

São da autoria de Alexandra Lucas Coelho que se diz jornalista e escreve como se fosse ensaísta de circunstância, uma especialidade de alguns jornalistas que deixaram de redigir notícias, para ensaiar em "colunas" de imprensa,  ideias sobre assuntos que julgam interessar   leitores do jornal.

Li o artigo do princípio ao fim, a fim de encontrar no mesmo uma razão plausível para a decadência do jornal que ao longo dos anos foi perdendo leitores e anunciantes respectivos. Não encontrei, porque as razões aduzidas são desculpas de quem não entende o essencial: o jornal Público e em particular a "coluna" da jornalista interessam cada vez menos gente que ainda se ocupa a comprar e ler jornais. Comprar, acima de tudo, como costumo fazer e fiz neste caso.

Um jornal não deve ser um sítio onde alguns jornalistas blasé(es) espalham a sua idiossincrasia particular sobre tudo e o habitual par de botas.
Esse desentendimento básico da profissão tem sido a cova de muitos projectos e vai ser mais uma para este Público, apesar da "jornalista" apontar como desejo  a alternativa do mecenato puro e simples para esse exercício solipsista, comparando-se aos projectos mirabolantes vindos de algures, num exercício de mendicidade ao grupo Sonae que incomoda.

Já o escrevi aqui: o actual jornalismo do Público não presta. O do Correio da Manhã é muito melhor e não arma ao pingarelho todos os dias, com artigos de fundo para ninguém ler.
Essa realidade comezinha não entra na cabecinha pensadora destas jornalistas que continuam a desejar um cantinho que lhes garanta a vida de todos os dias, com ordenado certo, escrevendo opiniões que ninguém lê porque não interessam a ninguém.

Os leitores de jornais estão fartos de opiniões avulsas de pretensiosos, pedantes e ignorantes, no fim de contas. Preferem a opinião muito contada de quem sabe mesmo escrever com distinção e que provaram ao longo dos anos saberem dizer alguma coisa que explique a realidade circundante.

Os circunlóquios  de conceitos vazios apenas se toleram em quem sabe escrever superiormente e se destaca dos demais, precisamente porque deixam de o ser devido a essa questão de forma. Um Baptista Bastos, por exemplo e para não referir um Ferreira Fernandes,  é um cicunloquial que tem um estilo legível e que aprendeu a escreve ao redigir notícias.  O que escreve geralmente pouco presta como conceito mas aproveita-se na forma e no estilo para lhe emprestar a dimensão de crónica interessante.
Nem todos podem ser assim, mesmo querendo e isso é um problema insolúvel para quem o não entenda. Um drama.

O Público, como está, pode acabar porque pouca falta faz à tal democracia que a escriba-jornalista entende associar em quase antonomásia.
A democracia parece que exige respeito por ideias diversas e controversas e o Público não respeita as ideias políticas que vigoravam por cá, antes de 1974. Essa marca de intolerância diminui a tal democracia e por isso o Público não é exemplo dela  e não se deve arvorar em bandeira da mesma.

O Público assumiu que a Esquerda é a democracia e fora dela só existe outra coisa a que chama "fascismo" ou algo que o valha. Ora isso nem chega a ser democracia alguma que se proclame nesses termos.

Só um exemplo, entre vários: no passado dia 25 de Novembro, os 40 anos da efeméride de 1975 foram silenciados em consonância com a conveniência da actual democracia parlamentar. Isso é censura mas o Público nem deu por ela.

Logo a seguir, sobre o caso Banif tenho procurado artigos que expliquem devidamente e o Público não os tem. É preciso ir a outros locais para ler alguma coisa que explique. Mas tem muitas coisas sobre "o Costa", sempre em tom de positivismo entusiástico. A questão do apartamento do dito na Avenida da Liberdade não lhe interessa. A questão dos direitos de autor e do IRS devido, idem aspas. Fosse outro o inquilino no lugar do poder e o galo a cantar até incomodaria os vizinhos.

É esse outro pecado original do Público: politizou-se como jornal e isso nota-se à légua. Sem necessidade alguma, mas com oportunidade de quem não sabe fazer jornalismo de outra forma.

É por isso que não presta e se acabar não se notará nada, porque quem escreve bem encontrará outro poiso para dizer o que pensa.
Os demais que aprendam com o Correio da Manhã que não precisa de Lucas Coelho para lhe explicarem o óbvio: quem sabe, faz; quem não sabe, ensina...

O advogado do cinismo estulto

Magalhães e Silva costuma aparecer nas tv´s a defender os seus. No outro dia apareceu a defender José Sócrates, atacando o sistema judiciário in totum que não protege inocentes desse calibre e os fustiga com investigações que duram tempo infindo por não serem capazes de obter e ler documentos à velocidade imposta na lei processual. O advogado conseguiria e se não conseguisse que se danasse o processo porque acima de tudo estão as garantias de quem é imputado. A verdade material é um simples adereço deste efeito.
As garantias de defesa são o bem supremo para este advogado de tijela maçónica e a absolvição de culpados um dever de ofício se forem da seita.
Não sendo tão boçalmente educado quanto alguns que debitam o mesmo tipo de inanidades e que aprenderam a argumentar na lota de Matosinhos, este M.e Silva é dos piores castigadores de inocentes que conheço porque absolve culpados como quem come tremoços: de enfiada se o tempero político lhe aprouver.

Hoje, no CM,  regurgita mais um atestado de inocência anexado a um certificado de culpabilidade transitada em julgado, por tais motivos esconsos.




A inocência declarada é a de Leonor Beleza que enquanto ministra escreveu numa correspondência que os hemofílicos lhe enviaram, a avisar para uma catástrofe anunciada, "à minha mãe", a frase mais terrível que alguma vez li em documentos. Nunca teve dolo eventual quando escreveu tal frase. Nem lhe passou pela cabeça que o que dizia o papel a si endereçado, alguma vez ocorresse...e evidentemente ela o saberá melhor que ninguém.

A culpabilidade agora assumidamente afirmada, sem presunção de inocência alguma, é dos responsáveis pela falta de médicos ao fim de semana, no hospital de S. José. Os políticos, acima de tudo.

O advogado Magalhães e Silva, estudioso da culpa dos outros, atira esta culpa presumida de dolo eventual para o ministério da Saúde e para a ARS, porque "estavam avisado, i.e. sabiam que pessoas iam morrer, pela sua omissão, e nada fizeram".
Não sei, mas acho que este Magalhães e Silva, como amigo do então primeiro-ministro estava também demasiado avisado do que ele era... ou não? Não estaria muito bem avisado de que a política que levou a cabo conduziria a uma bancarrota inevitável? E conformou-se com isso, assumindo o risco inerente dos cortes ainda maiores do que os que ocorreram,  nos hospitais e noutros lugares.

Se fosse a Magalhães e Silva e com a sua lógica poria as barbas de molho, não vá o MºPº seguir à letra os seus conselhos tão avisados.

Escapando-lhe esses pormaiores, exige por isso acusação sumária para os prevaricadores de secretária política ou administrativa, ou seja rápida, por dolo eventual, agora sim, devidamente comprovado na mente do jurisconsulto penalista e especialista da culpa dos outros.

Ora quem estava avisado e tinha o dever de comparecer no hospital eram os profissionais de saúde. Não eram os dirigentes do ministério ou da ARS. E aqueles só não o fizeram porque queriam mais dinheiro e o governo não lho dava, por acto legítimo de governação e escolha política.
A responsabilidade de quem governa é política essencialmente. A culpa penal directa ou eventual advém se existir um nexo causal, uma causalidade adequada. Se houve momento em que a responsabilidade política andou mais associada à criminal, foi precisamente com aquele José Sócrates que o mesmíssimo Magalhães e Silva tanto defende como inocente absoluto.

Quem poderia salvar a vida a doentes eram os médicos e enfermeiros,  em primeiro lugar, como bem sabe o jurisconsulto da culpa alheia vista com palas. Quem omite deveres que não pode omitir, quem actua contra os preceitos legais incriminatórios e quem se conforma com essa atitude conhecendo bem os respectivos efeitos.

O hospital de S. José é o único daquele sítio? Os demais têm os mesmos problemas de carência especializada devida a cortes de orçamento?
Se a resposta a isto for um não redondo e explícito, a teoria do jurisconsulto da culpa alheia imputável politicamente fica a coxear do bestunto como é costume nas suas habituais récitas morais de uma estultícia estudada no cinismo.

Este advogado é um dos mais lamentáveis que conheço na praça pública.


A obra do maçónico Arnaut redundou num "sistema convidativo" à fraude institucionalizada como costume

 António Arnaut, um maçónico bem intencionado e provindo da parolice coimbrã foi ministro socialista, dos "Assuntos Sociais",  em 1978, quando podia ter sido ministro da Justiça. É verdade e tal foi contado aqui, pelo próprio.
A Maçonaria mandava no Governo e o irmão Arnaut estava bem emparelhado com o irmão Almeida Santos, o Sombra do regime ( ele o disse quando afirmou que andava sempre na sombra de Mário Soares...)

Como é típico dessa parolice que copia modelos estrangeiros sem medir distâncias ( em Direito também há disso, lá em Coimbra) na altura o maçónico Arnaut, muito preocupado com os pobrezinhos e desvalidos, contando com o dinheiro que não tinha, mandou estudar um sistema de saúde que aliás vinha a ser estudado desde 1971, por Marcello Caetano.

Conforme conta o mesmo:




«Tempo Medicina» — Tem a responsabilidade de ter criado o SNS, quando foi ministro, em 1978. Como é que tudo se passou?
António Arnaut — Fui designado ministro dos Assuntos Sociais, Saúde e Segurança Social por um acaso. O primeiro-ministro Mário Soares convidou-me para ministro da Justiça do II Governo Constitucional. Uns dias depois, quando já tinha o programa do ministério praticamente pronto, no qual incluí o esboço de um serviço nacional de Justiça, Mário Soares pediu-me para, afinal, ser ministro dos Assuntos Sociais, porque estava com dificuldade em encontrar alguém para essa área. Disse-me que era uma missão que me pedia e acabei por aceitar. Convidei Mário Mendes, médico muito prestigiado, para secretário de Estado da Saúde, e pedi a Victor Vasques, que tinha sido secretário de Estado da Segurança Social do I Governo, para continuar. Comecei então a esboçar mentalmente o programa do Ministério dos Assuntos Sociais e disse ao primeiro-ministro, logo nessa altura, que iria avançar com a criação do SNS. Ele deu-me plena liberdade, e assim fiz.
«TM» — O que o levou a decidir criar o SNS?
AA — Estávamos em 1978 e, nessa altura, o SNS era, além de um imperativo ético e de justiça, uma imposição jurídico-constitucional. Estava previsto na Constituição e se não fosse criado havia uma inconstitucionalidade por omissão. É neste plano ético e jurídico que se coloca o imperativo da criação do SNS, da sua manutenção e do seu aperfeiçoamento, adaptado à circunstância de cada momento. Há 30 anos, 90% das unidades e dos profissionais de saúde estavam no Litoral, 80% dos quais em Lisboa, Porto e Coimbra, e o resto do País era uma mancha negra que não tinha nada, a não ser as misericórdias e um ou outro médico, literariamente chamados de «João Semana», que deram um contributo inestimável para a saúde das populações. Havia uma situação de gritante injustiça e desigualdade social, e para uma pessoa sensível a estas questões, e socialista, a quem foi dada a possibilidade de ocupar aquela pasta, a sua obrigação era tentar minimizar este drama humano. Foi o que tentei modestamente fazer.
«TM» — Foi preciso força para impor essa ideia?
AA — A força das minhas convicções. De facto, começaram as maledicências e chamaram à lei a «Lei Arnaut», ligando-a só a uma pessoa para reduzir a sua força. Eu assumo orgulhosamente a responsabilidade política do SNS. Foi na lógica das minhas convicções e de um compromisso que sempre tive com o povo português, como cidadão e como socialista, que tomei essa decisão política. Mas quero dizer, em nome da verdade, que não tenho a responsabilidade técnica. O modelo e as linhas doutrinárias estavam traçados na Constituição e a responsabilidade técnica e a organização pertencem a uma comissão, e especialmente a Mário Mendes e a Gonçalves Ferreira, também médico, que em 1971 começara verdadeiramente a fazer o SNS, ao criar os primeiros centros de saúde.
«TM» — A oposição ao SNS foi imediata?
AA — Sim, porque logo que tomei posse, a 23 de Janeiro, disse que um dos objectivos do Ministério era a criação do SNS. E na apresentação do programa do Governo, a 9 de Fevereiro, propus-me apresentar um anteprojecto de lei para discussão pública no prazo de cinco meses. Mas apresentei-o antes, a 3 de Abril, e pouco tempo depois o projecto, que teve o apoio do Conselho de Ministros. Aí as críticas redobraram, chegando a roçar a maledicência e a intriga política, mas não me afectaram.

«TM» — Quem se manifestou contra?
AA — Sobretudo uma parte da classe médica e a própria Ordem dos Médicos, e também o nosso parceiro de Governo, o CDS. Uma reforma desta abrangência afectava muitos interesses instalados. A Ordem reagiu pela voz do seu presidente, Gentil Martins — de quem entretanto me tornei amigo —, que me acusava de querer estatizar a Saúde e de acabar com o direito à livre escolha. Mas não havia livre escolha, não havia médicos, nem condições económicas para ir ao médico. Penso que os médicos que estavam contra eram a minoria, mas era uma parte substancial, sobretudo aqueles a quem chamei os «barões da Medicina». Não gostaram nada, mas existiam, inclusive no meu partido. Reagiram também os sectores mais conservadores do CDS. O Governo tinha três ministros do CDS, que apoiaram o SNS. Freitas do Amaral também o apoiava, mas começou a ter problemas com médicos e militantes do partido, por o CDS estar a apoiar um projecto socialista, socializante.
«TM» — O Governo caiu, mas a lei do SNS foi aprovada...
AA — A questão do SNS, juntamente com o que se passava no Ministério da Agricultura, na sequência da chamada «Lei Barreto», deteriorou as relações entre o PS e o CDS e levou à queda do Governo. A Lei n.º 56/79 foi aprovada a 28 de Junho e publicada no Diário da República a 15 de Setembro de 1979, era primeira-ministra Maria de Lurdes Pintasilgo e secretário de Estado da Saúde Correia de Campos, que fez os primeiros decretos regulamentares do SNS. O artigo 64.º da Constituição, relativo à Saúde, tinha sido votado por unanimidade, por todos os partidos, mas três anos depois, na votação da lei do SNS, o PSD e o CDS abstiveram-se na votação na generalidade e votaram contra na especialidade. 


Assim se criou aquilo que agora temos, o SNS. O objectivo declarado do virtuoso maçónico cujas colunas nunca o abateram, dizia assim ao O Jornal de 17 de Março de 1978: o objectivo do SNS, declarado, era acabar com os "exploradores da medicina". Quem eram esses tais "exploradores" que o maçónico Arnaut tanto detestava? Alguns deles tornaram-se seus amigos como o médico Gentil Martins.




Ninguém contesta as melhorias no sistema de saúde, em Portugal, nestes quase 40 anos de experiência do SNS. Era o que mais faltava ser assim tão reaccionário quando é certo e sabido que o governo de Marcello Caetano tinha os mesmos propósitos de preocupação social que o maçõnico Arnaut. Porém, os métodos e valores intrínsecos não eram certamente os mesmos e o diletantismo de alguém que poderia ter sido ministro da Justiça e acabou, por acaso na pasta dos assuntos sociais, nunca teria ocorrido.
Assim, como geralmente acontece com estes diletantes socialistas que pensam no bem e acabam por fazer o mal que todos pagamos, com língua de palmo, o SNS desvirtuou-se e perverteu-se.
Assim... o que aconteceu de novo na medicina em Portugal? Foi alcançado o desiderato do maçónico, de acabar com os tais exploradores ou os mesmos conseguiram afinal multiplicar-se e vicejarem como cogumelos na humidade?

A história que se passou no Hospital de S. José pode dar uma ideia aproximada das virtualidades do actual SNS para certos médicos que agora são os tais herdeiros do "exploradores". Com uma diferença: quem paga a exploração, agora, somos todos nós porque é preciso que se diga que o SNS é uma das maiores fontes de despesa do país e sempre que se questiona o assunto aparece a demagogia que até um Marcelo Rebelo de Sousa usa e abusa com os objectivos expostos de ganhar a corrida presidencial. 



Atente-se nesta notícia do Correio da Manhã de hoje para perceber porque razão há tantos candidatos a estudantes de medicina em Portugal e tão poucas vagas controladas pela Ordem dos Médicos desde há mais ou menos 40 anos...o que parece ser caso único de preservação de uma espécie que o maçónico Arnaut bem acapara.



 A notícia refere-se a este tal Cunha Ribeiro que ocupava um apartamento ao lado do de José Sócrates e que era de um amigo chamado Paulo Lalanda de Castro.  É o tal do "sistema convidativo".  Um médico que entre os médicos devia saber de alguns casos de ordenados de 50 mil euros por mês, à conta do sistema convidativo das horas extraordinárias, um expediente de chicos-espertos que arruína qualquer sns e principalmente a credibilidade do mesmo.

Com o sistema de saúde de Marcello Caetano uma coisa me parece absolutamente certa: nem haveria casos destes nem a saúde estaria entregue a estes diletantes pindéricos que só querem arrebanhar o seu. Os doentes que paguem e às vezes com a própria vida.

O que terá o maçónico Arnaut a dizer sobre esta pouca- vergonha? Nunca discutiram isto nas reuniões de irmãos?!
Não lhe ocorrerá que há imensos exemplos destas iniciativas socialistas maçónicas em que o bem desejado acaba por se tornar o mal inconveniente?

Mais uma "porca miseria".