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sexta-feira, 18 de março de 2016

Os parágrafos perdidos de Ferreira Fernandes, tal & qual.

Ferreira Fernandes, sem parágrafos,  no Diário de Notícias:


De um lado, Lula, investigado e em vias de ser acusado, que foge para ministro para adiar a sua ida a tribunal. Do outro, um juiz que grava um telefonema da presidente Dilma e a lança aos jornais e telejornais. E os brasileiros, no meio. De um lado, Lula que diz : "Vou para ministro porque, se não for, sou apanhado pelo golpe armado pelo juiz." Do outro, o juiz que diz: "Faço isto porque é a única forma de desarmar as politiquices de Lula." Os fazeres de ambos são, no mínimo, indecentes. E os brasileiros são interpelados como se tivessem de aceitar, pela tramoia de um, ser cúmplices de outro. Ora, o que se exige é cada macaco no seu galho. Um político não pode abusar da garantia de independência que lhe é emprestada para ser ministro, transformando-a num truque público para o proteger da justiça. Um juiz não pode abusar de um poder que lhe é confiado para investigar, quebrando levianamente o sigilo telefónico de uma chefe de Estado, o que, por ser uma questão de segurança nacional, não pode ser decidido por ele. E tendo ambos os macacos falhado no seu respetivo galho, tornando-se mau político e mau juiz, não podem empurrar os cidadãos a agarrar, também eles, um galho errado. Esse seria o supremo crime do político e do juiz. Porque com tão fraca gente a ter poder, enfraquecer aqueles que não o têm seria fatal para o Brasil. Eu, que tanto admiro os cronistas brasileiros, não perdoarei a nenhum que seja, a partir de hoje, vesgo.



Eduardo Dâmaso, no Correio da Manhã:



 Entre estas duas prosas jornalísticas sobre o mesmo assunto vai a mundivivência que as distingue.

Do jornalista Eduardo Dâmaso sabemos o que tem escrito e a coerência que mostra, já ao longo de vários anos. É um jornalista que merece o nome.

De Ferreira Fernandes e da sua prosa engraçadinha que suplanta em estilo a de muitos outros, sabemos o que lemos, mas agora sabemos mais o que ouvimos.

Consta por aí em escutas malditas que Ferreira Fernandes era um dos preferidos de José Sócrates para liderar um jornal como o DN, com prosas de Camões...
Outra escuta revelada pelo semanário ‘Sol’. Com Camões a dirigir os dois jornais, eram precisos homens de confiança enquanto executivos. E para o ‘DN’ a escolha era óbvia: Ferreira Fernandes. "A solução é o homem da última página, com reputação e aceitação da redação", desabafava o ex-governante a Afonso Camões.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/tv_media/detalhe/20160220_2248_socrates.html

Outra escuta revelada pelo semanário ‘Sol’. Com Camões a dirigir os dois jornais, eram precisos homens de confiança enquanto executivos. E para o ‘DN’ a escolha era óbvia: Ferreira Fernandes. "A solução é o homem da última página, com reputação e aceitação da redação", desabafava o ex-governante a Afonso Camões.



 No catálogo de idiossincrasias de FF temos vários exemplos que explicam aquela primeira prosa. Por exemplo esta, já um bocado datada:

Intrujão, pantomineiro, aldrabão, farsolas, sicofanta, maltês, embusteiro, impostor, falso, peteiro, trapaceiro. Enfim, Sócrates. Sócrates, o Pinóquio. A última: perguntado sobre Eusébio, ele reconstruiu a História. Disse que no Portugal-Coreia do Norte, em 1966, saiu de casa, na Covilhã, já Portugal perdia e quando "ia para escola" ouvia os golos de Portugal. Chegado à escola, já Portugal ganhava. Relato vulgar. Só que, neste país de grande jornalismo de investigação e de sucessos de PJ que deixam boquiaberto o Mundo (o país onde os mentirosos não são coxos, são tetraplégicos), logo o intrujão, pantomineiro, aldrabão, farsolas, sicofanta, maltês, embusteiro, impostor, falso, peteiro, trapaceiro, enfim, o Pinócrates, foi apanhado: o dia do jogo, 23 de julho, calhou nas férias grandes, quando não havia aulas. E como entre nós as investigações são como as cerejas, logo outra profunda averiguação revelou: 23 de julho foi sábado! E sábado à tarde (um analista em Tempo Médio de Greenwich conseguiu a hora do começo do jogo: 15.00)! Eh,eh,eh, o gabiru ficou cercado pela verdade dos factos... Mas, vão ver, o manhoso vai escapar como de costume: logo aparecerá um colega a dizer que os garotos de oito anos na Covilhã se reuniam no pátio da escola, até aos sábados e nas férias. Malandro, o Pinócrates, por isso disse que "ia para a escola", não "para as aulas"... Sempre com esquemas e álibis. Mas não é isto prova de farsante?!

Sob uma capa diáfana de fantasias engraçadinhas vai um mundo de descrédito que devia envergonhar qualquer pessoa, já nem digo jornalista. E para estes, esse capital é o principal activo.

Entretanto, o jornalismo que  Dâmaso frequenta e Ferreira Fernandes aparentemente aborrece, parece começar a dar os seus frutos...

5 comentários:

Floribundus disse...

há mais asnos a escrever ou dar 'a opinião' oral do que burros na minha aldeia quando era jovem

'a mentira útil'e a hipocrisia
sobressaem neste socialismo de 'máscara',
mas por baixo dela só 'mudam as moscas'

zazie disse...

Completamente do lado do que escreve o Dâmaso e sempre do lado de um qualquer Moro quando o Estado de Direito é ultrapassado por caciques vigaristas.

Ricciardi disse...

Completamente ao lado do respeito pelas Leis, nunca ao lado de quem quer que seja. Sobretudo aquelas leis que obrigam os moros deste mundo. Principalmente a estes que tem de dar o exemplo.
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Passar por cima dos sigilos judiciais, da reserva de publicidade para certos cargos, é o mínimo.
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Qualquer dia um qualquer juizeca resolve escutar um general (o presidente é o general em chefe) e publicar segredos militares.
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Publicitar matérias que obrigam (bem ou mal) a segredo de justica devia ser caso para condenação à taxa de IVA máxima. Traição à pátria.
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O crime eventual de corrupção tem valor inferior à prática da quebra e publicidade do segredo de Justiça.
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Rb

zazie disse...

Lá tinha de vir o fariseísmo.

Unknown disse...

O Féfé não convence.
A sua pseudo-independência tomba sempre para o mesmo lado - e, curiosa coincidência, justificando, ou desculpabilizando, o detentor do Poder que tenha emblema "canhoto"...
Daí a defesa desta parelha de vigaristas - apedeuta e bicharel .
Se lhe fizerem a encomenda , ainda "desarrinca" uma redacção encomiástica à dilma metralha...