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domingo, 13 de março de 2016

Um príncipe a quem chamaram lelé ( da cuca) e o futuro da direita nacional.

A jornalista Maria João Avilez alinhou há  dias um texto em modo de testemunho pessoal, no Observador, sobre Francisco Pinto Balsemão, por ocasião da passagem do grupo Impresa para as rédeas da família, novamente. Intitulou-o "Um príncipe do jornalismo. E da política". A parte mais interessante é esta:

Só uma única vez vi Francisco Sá Carneiro “triste” com o seu amigo: como é que o proprietário do Expresso consentia na “pouca vergonha” em que se encontrava naquela altura? Tudo “tinha limites”… Subentendido: trabalhar mediaticamente a política daquela forma enviesada mancharia de “indiferença” quem era suposto estar em posição de não consentir – nem apreciar – tal estado de coisas. Falava-me com um misto de espanto e pena. E tanto assim era, que ele, Sá Carneiro, decidira patrocinar um novo jornal (avisando-me de resto que eu iria ser contactada para a empreitada e cheguei a sê-lo por um dos seus secretários de Estado com quem, apercebi-me depois, muito o então chefe do governo já discutira e detalhara tal projecto).

Fica-se a saber, portanto, que se Sá Carneiro não tivesse morrido em Camarate, teria aparecido um jornal para concorrer com o Expresso. E provavelmente não se confundiria com um Semanário, surgido anos mais tarde.
Tal projecto jornalístico aparecia porque o Expresso não era o lugar ideal para se escrever sobre a mudança política e social que se impunha, após os anos de PREC e as bancarrotas em sucessão.

Sá Carneiro tinha essa noção e provavelmente tudo teria sido diferente nos anos a seguir, na década de oitenta, do modo como foram.

Tal como Jaime Nogueira Pinto escreve no DN de hoje, há uma direita que há quarenta anos desertou em combate e o lugar foi tomado pela esquerda que ainda predomina. No entanto, os  valores daquela direita continuam vagos nessa herança que ninguém quer assumir, para já.


O tal príncipe a quem o actual presidente da República, em 1978 chamou lelé da cuca, num arroubo irreverente ou mesmo num retrato impiedoso, foi um dos protagonistas da derrocada da direita que repudiou toda a herança do que vinha de antes de 25 de Abril de 1974.

Balsemão foi do grupo "liberal" na Assembleia Nacional e em 1973,como o mostra o Observador original, em 8 de Agosto de 1973 participava numa reunião desse grupo de liberais que se posicionavam como futuros políticos social-democratas .



Como "militante nº1" acompanhou a fundação do PPD/PSD e foi jornalista antes e depois disso. A hora de maior glória política de Balsemão surgiu logo após a morte de Sá Carneiro, sucedendo-lhe no cargo de primeiro-ministro, em nome de uma AD que não duraria muito mais.
O Jornal de 19 de Dezembro de 1980 mostrava um retrato em foto-maton, acompanhado de uma vinheta do jornalista Baptista-Bastos, amigo do dito. 



Esses  meses de AD, que se seguiu a um PREC de efeitos devastadores e a uma bancarrota logo consequente, são um dos períodos menos esclarecidos sobre os efeitos económicos que se procuraram reverter e com medidas assinadas pelo ministro das Finanças de Sá Carneiro, de seu nome Cavaco Silva.

Em 8 de Fevereiro de 1980 o economista Silva Lopes fez uma análise no O Jornal desses anos pós-PREC:

Estávamos condicionados por um regime político e económico esquerdista, sem perspectivas de mudança a curto prazo.

O clima era este no primeiro trimestre de 1980, com a AD no poder: obstáculos da esquerda a uma mudança na estrutura económica do país. Não queriam mexer nas nacionalizações e não queriam altera a Constituição. E a AD sózinha não conseguiria tal desiderato e o PS não queria.

Para Almeida Santos a lei das privatizações era inconstitucional porque não lhe interessava mexer no assunto.
A Esquerda portuguesa portou-se então como força reaccionária e contrária à mudança de sistema económico que tínhamos herdado do PREC.


E que fez então Cavaco Silva entre outras coisas? Isto:






Provavelmente para dar uma ideia de evolução e de maior desenvolvimento económico, algo fictício mas bom para a "confiança", diminuiu o ritmo da desvalorização do escudo, afectando irremediavelmente a indústria exportadora e contando que a inflação desse ano se situaria na casa dos 15% e não nos 20% inicialmente ponderados. Isto aconteceu em Junho de 1980. Dali a três anos estávamos outra vez no limiar da bancarrota.  E a revisão Constitucional de 1982 só acabou com o Conselho da Revolução porque economicamente deixou tudo na mesma. Seria preciso chegar a 1989 para se conseguir algo mais e ainda assim tirado a ferros à Esquerda que temos, incluindo um PS que é o que é.

Entretanto, durante esse ano e para alterar a propaganda esquerdista, nomearam para a televisão do Estado, a única existente, um figurão que ainda hoje anda por aí: o grande democrata Proença de Carvalho. No fim do ano foi corrido. A diferença destes dois recortes é de seis meses, entre Junho e Dezembro de 1980.



Culturalmente, no país, tínhamos isto que o mesmo O Jornal mostrava em Dezembro de 1980:


Proença usou o poder de informação na tv apenas como modo de exercício de propaganda partidária. Nada mais. A mudança cultural era impossível e ainda hoje é assim.
E é esse o nosso problema, em Portugal, tal como Jaime  Nogueira Pinto o expôs acima.

Entretanto, sobre essa mesma direita desaparecida em combate de que desertou e que repudiou a herança jacente, em 6 de Junho de 1981, o actual presidente da República que ainda era jornalista-director no Expresso, retratava assim um expoente dessa direita e do jornal que lhe deu corpo durante um par de anos.



Quanto a Balsemão anda por aí a ganhar dinheiro com os media. É o príncipe desse reino, de facto.


1 comentário:

Floribundus disse...

O PS FOI UM DEPÓTICO DE FASCISTAS

balsemão é um negociante,
1ºministro por acidente

a direita cresce em França e a partir de hoje na Alemanha

o bce e os refugiados go centro da Europa

vão liquidar a frágil economia que o monhé anda a ordenhar até à última gota

resta o turismo do tabuleiro na mão