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terça-feira, 26 de abril de 2016

O 25 de Abril de 1974 dez anos depois

O dia 25 de Abril de 1974 foi contado dez anos depois pelo O Jornal, na edição de 27 de Abril de 1984. Torna-se interessante ler o que pensava a esquerda de então, praticamente a equivalente à união de esquerda que hoje em dia governa sob a batuta do PS.

O Jornal era o mais fiel representante dessa linha ideológica e como tal o 25 de Abril já era um mito. Sobre as duas bancarrotas entretanto sobrevindas, moita carrasco, como se tivessem sido um castigo do destino. E se calhar foi mesmo.

Interessante também é ler uma entrevista de Mário Soares a propósito da efeméride e do modo ultra complacente como explica o que sucedeu nesse dia, o que motivou e o que adveio.

No balanço desses dez anos uma realidade avulta: Portugal regrediu económica, cultural e até civilizacionalmente quando comparado às restantes nações europeias de quem nos íamos aproximando lentamente.

O balanço desses dez anos, no O Jornal, porém é diverso: a mitificação é bem evidente na opinião do cantor José Afonso que ainda sonhava com mundos paralelos em que a riqueza aparecia do nada e a pobreza desapareceria como por encanto, se fosse liquidada a burguesia do poder económico. Ainda hoje é assim para os seus seguidores que se juntaram à União de Esquerda.
Na realidade o que se ganhou mesmo com o 25 de Abril foi uma liberdade para a esquerda comunista se manifestar e concorrer a eleições e sapar o regime pró-ocidental que tínhamos, principalmente na vertente económica. Enquanto povo ganhamos alguma coisa com isso? Absolutamente nada, só perdemos e muito. Décadas de maior bem-estar para todos, incluindo os próprios.
Será isso que ainda celebram? Parece que sim porque nada mais haverá a celebrar, para além da abolição de uma estúpida censura e o fim de uma guerra no Ultramar que estava por um fio, de qualquer modo.
O que me parece no entanto que celebram, principalmente a classe jornalística maioritariamente subsidiária dessa esquerda, será o mito da liberdade de se poder dizer e escrever o que bem entendem. Ora nem tal acontece hoje em dia porque os donos dos media é que orientam as linhas de discurso oficializado que tacitamente é aceite pelos jornalistas que hoje são menos livres do que eram dantes, com censura prévia, paradoxalmente.
O patrão Balsemão pode agora dizer mal do fassismo antigo mas se disser mal do comunismo do mesmo modo, fica marcado com um ferrete ainda mais visível do que o do lápis azul da censura dos coronéis reformados que não deixavam ver o Último Tango em Paris ou a Laranja Mecânica, entre outros.
É essa a liberdade celebrada? Duvidosa liberdade... que afinal lhes aproveitou sempre a esses que contestavam o regime anterior mas não permitem agora que se possa dizer com a mesma liberdade que defendiam,  tudo o que seja prejudicial a essa união de esquerda hegemónica e censória.
Nos canais de tv a formatação editorial é de tal ordem que até os programas ditos culturais têm que se apresentar como antifassistas primitivos. Caso contrário, a nova censura clamará contra o regresso desse hediondo fassismo...e os seus autores relegados para a inexistência mediática.
Quem não afinar pelo diapasão da vituperação do fassismo do regime anteriror está condenado a desaparecer do espaço público, em qualquer programa ou coluna de jornal...

É esta a liberdade conquistada? Não me parece muito diferente da anterior, de há 45 anos...e sendo assim, liberdade por liberdade ainda prefiro a antiga.






E para terminar uma ilustração de um comunista-artista de grande valia: João Abel Manta.


 O que era então a televisão única pode dar uma ajuda a compreender o panorama cultural da época...como mostra o Diário de Notícias de 22 de Abril de 1984:


25 comentários:

zazie disse...

"Quem não afinar pelo diapasão da vituperação do fassismo do regime anteriror está condenado a desaparecer do espaço público, em qualquer programa ou coluna de jornal..."

E não só- nem é preciso chegar aí- já existem vigilantes em muito mais áreas.

Acho que isto está pior que o PREC. Na altura foi histerismo; agora é coisa de prepotência manhosa porque tem o Poder e tudo o resto.

zazie disse...

Reparei que nos festejos do 25 de Abril lá apareceram umas velhas comunas do Alentejo mas agora a escardalhada da moda chama-lhes outra coisa- "as toupeiras".

Voltaram aos grupos das toupeiras da LCI.

Isto tem de ter o dedo do Louçã e há-de ser coisa internacionalista. São os mesmos grupos dos "okupa" e coisas assim. Uma bruta organização internacional que por cá chama toupeiras às velhas comunas alentejanas.

aguerreiro disse...

São verdades verdadeiras que o Portadaloja diz. Eu Fui censurado pelos jornaleiros do Observador por ter feito comentários antipaneleiredo ás notícias dadas sobre o Colégio Militar. Fui riscado (provavelmente a vermelho e não a azul), impedindo-me de comentar. Isto é um exemplo. Claro que se tecesse louvaminhas aos maricões e mariconas concerteza que não era censurado!

zazie disse...

Olhem aqui os trostkistas em acção

https://gyazo.com/a72d8fdb442e35d7d03edc90fa651bef

https://gyazo.com/e52f5f1129161b98f57a178289b9f2ea

https://www.facebook.com/As-Toupeiras-753586108055172/photos/?tab=album&album_id=831380996942349

zazie disse...

Isso de censura em jornais nem conta.

Eu estava a falar de ser patrulhado na vida real. Na vida académica, no trabalho, em tudo o que é clã da escardalhada.

No PREC foi por saneamentos e agora a coisa está mais surda mas vasta. Há mesmo patrulhas de pensamento e fecham a porta a quem não é do gang escardalho ou quem não se vende a dizer que até respeita muito toda aquela trampa (como diz o insurgente amaral).

Portuga disse...

Ontem foi um fartote de dar vivas ao comunismo. As televisões e as rádios embandeiraram em arco porque só por um dia tiveram o dia por que tanto ambicionam. Até fizeram uma reportagem de "as clandestinas" como heroínas. Onde isto chegou. Comunistas, traidoras que estavam ao serviço de moscovo e que se pudessem, elas e os seus pares, tinham impingido cá uma ditadura comunista pior que a que tínhamos. Agora intitulam-se de democratas. Voltaram a dizer que no antigamente nem se podia sonhar nem abrir a boca, como se o fassismo também proibisse as pessoas de sonhar e andassem com um tapão na boca para não falarem. O exagero tem sido o máximo só para florescer o partido que na sombra está a comandar isto tudo. Nas escolas é um escândalo a contarem histórias às crianças como se antigamente vivesse-mos no pior dos mundos. Vejam lá se dizem quantas mortes e quanta amargura provocaram com a descolonização exemplar. E a guerra civil que lá ficou? E os assaltos e mortes que há todos os dias? E os crimes de colarinho branco? Isso não conta em democracia? Custa-me sinceramente enaltecerem figuras que nada fizeram para a bem do nosso país e outros, ilustres portugueses, estarem abandonados em campas rasas e outros em cemitérios brasileiros. Li em tempos o livro do Professor Veríssimo Serrão sobre Marcelo Caetano e calculo quanto aquele homem sofreu. Não há palavras...

josé disse...

Não há palavras nem justiça que equilibre os factos e reponha a verdade.

O que temos é a propagação de um mito, pura e simplesmente.

Aquilo que me parece mais claro desde o 25 de Abril é isso mesmo: a construção de um mito gigantesco com a reescrita da nossa História e a manipulação ideológica para justificar um desastre económico sem paralelo.

josé disse...

Sem paralelo a não ser em países da América do Sul, actualmente em grandes dificuldades e pelos mesmos motivos. Argentina e Venezuela.

Paulo Moreira disse...

Amigo dame algo
Dame algo que estimule
Algo que me ponga a tono
Y me haga funcionar

Ay amigo cuanto valgo
Cuanto valgo y no lo dudes
Que me cambio por el polvo
Que levantas al andar

Paulo Moreira disse...

dizia ontem a Fox que se juntaram os outros gajos da direita para fazerem o caldinho ao Donald...já agora está a passar aqui nos meus "oscultadores", no Tidal, o Pitbull Terrier...die antwoord e não digo mais nada despediu-se do funcionalismo que não era para o seu feitio e agora trabalha na casa de banho do centro comercial do rossio...batman...fúria do açucar...

José, já é assinante do Tidal ou não? é que eu também tenho a primeira edição inglesa do sticky fingers em vinil...sister morphine...

Joana bate-me à porta...

Paulo Moreira disse...

247 by tina turner wembley one last time in concert...a zazie é que "disse" há uns tempos passados nesta caixa de comentários que eu de gajas não sabia nada...

Paulo Moreira disse...

https://www.youtube.com/watch?v=VEJnK8nvlk4

josé disse...

Sobre o Sticky Fingers:

A grande dúvida é saber se a primeira prensagem da edição inglesa é superior à americana.

Esta dúvida colocou-se quando li Phillipe Manouevre da Rock & Folk a explicar que a edição americana é que era...e eu fui atrás e acho que não me arrependo.

A prensagem americana que tem uma capa com lettering diferente é muito boa mesmo e satisfaz a minha mania de perfeição sonora.

Mas já tenho outros casos notáveis de edições repetidas por causa do graal sonoro que busco.

Do Eldorado dos Electric Light Orchestra que é um disco fétiche para mim, por misturar música orquestral com o rock puro e duro e que saiu em 1974, sendo uma revelação, tenho oito cópias diferentes. Inglesas, americanas e portuguesa.

E a conclusão ainda não é certa embora a edição inglesa leve a palma, para já. No entanto tenho dúvidas que nem a audição cuidada com auscultadores resolve, acerca da qualidade da versão em prensagem original first press ou a reprensagem de 1976, da Jet Records.

Tudo problemas do camano! Ahahahahaa!

josé disse...

Do Harvest de Neil Young, outro magno problema sobre a qualidade da prensagem original.

Aqui o problema ainda é maior: entre as first press qual delas é preferível? A que foi prensada pela Sterling de New York, por Lee Hulko ou a da Monarch?

Ora aí está uma questão que só pode ser respondida por quem ouviu as duas...

josé disse...

E do disco Physical Grafitti dos Led Zeppelin, de 1975?

É melhor a americana ou a inglesa? Tenho as duas e hesito...

josé disse...

Sobre o cd nem me pronuncio porque é produto manifestamente inferior. Ahahahaha.

josé disse...

Sobre o Tidal não conheço e fui ver...e verifico que é um site de "streaming" musical.

Ora se eu acabo de escrever que o cd é coisa inferior, então o streaming a uma velocidade internética abaixo do cão do cd, então ainda é pior.

O máximo que se consegue no streaming parece-me que não ultrapassará os 320 kbs ou seja coisa tipo mp3 que é muito inferior à amostragem digital que o cd permite ( 44. 100 kbs por segundo em 16 bits).

O que me interessa a mim, no mínimo é o streaming em hires, ou seja em 192.000 kbs e em 24 bits. Isso é o mínimo apesar de haver quem jure que o lp não chega a isso e que o ouvido humano muito menos.

O meu e o de muitos outros conseguem ouvir a diferença e garanto que é abissal.

Basta ouvir o Harves na prensagem original e a prensagem em dvd-audio que também tenho. Apesar da resolução em 24/192 deste, o vinil continua a ser o meu preferido. E sabe porquê?

Porque desde as primeiras batidas do baixo e da caixa de baixos da bateria se consegue distinguir a sonoridade de um e outra através do ar. Exactamente, do ar.

Será que me faço compreender ou é demasiado esotérico?

Para mim este é o assunto que me ocupa mais os tempos livres...

josé disse...

Queria dizer o Harvest de Neil Young que também tenho em versão bluray numa caixa restrospectiva que saiu há uns anos chamada Neil Young Archives vol.I
Aí tem imagem e som e este parece-me muitíssimo bom e por vezes preferível ao vinil, apenas por causa das imagens que acompanham. O som é reproduzido em 24/192, também, embora duvide que se consiga ouvir tal efeito apenas com a ligação de um cabo hdmi.
Enfim, o meu está ligado a um amplificador antigo e por isso a sonoridade é boa. Eventualmente não será a tal 24/192 mas é muito boa na mesma.

Ouvindo em auscultadores a diferença com o vinil percebe-se que este é superior no modo como o som "respira". É esta a única forma de dar a entender o que o som é.

Paulo Moreira disse...

haja alguém que sabe o que é o som analógico. o meu Yamaha P-200 acompanhado do Audioanalyse pa 60 comprados em 94 continuam a debitar som de qualidade superior...fora a agulha os cabos e as colunas...nem vou dizer as marcas não vá o Centeno vir com coisas...vou ouvir o heart of gold no tidal, josé. A esta hora é só por comodismo...o meu Hervest é de "print" nacional não tem qualidade. o meu Physical dos led é de prensagem americana mas de 1982, Já agora, alguma vez ouviu o Tracy Chapman de 88 em puro digital? num Technics de 1990? excepto, claro, cabos e colunas..
Por último o Tidal não é um site de streaming musical, é o site que reproduz digital a 1411 kbps

Paulo Moreira disse...

Quanto ao Sticky Fingers...levei com uma dose de sapiência que, no mínimo, me fez pensar em, futuramente, não meter o nariz onde não sou chamado...Seja como for o meu foi-me oferecido por um tio que o comprou na África do Sul.

josé disse...

Sobre o analógico e esse gira-discos em particular:

leia por favor o que aqui se escreve, sobre as cabeças de leitura ( cartridges) para esse modelo específico da Yamaha, dos anos oitenta.

os foruns da internet especializados nesses assuntos são a minha fonte preferida de informação porque são inesgotáveis e contêm informação de particulares que dizem o que pensam dos aparelhos que têm.

Foi assim que substituí o meu gira-discos Thorens modelo td 166 mkII quando partiu um relé para baixar o braço e a cabeça de leitura, por outro Thorens, modelo td 160 Super, com um braço da autoria de Pierre Lurné, um francês com quem agora me correspondo acerca de assuntos de equilíbrio do braço com a cabeça de leitura.É um sujeito impecável, já reformado das lides do hi-fi e com um rigor que em encanta. Mandou-me fazer uma "coquille" em madeira específica para colocar em cima do braço e da cabeça de leitura e ando a tratar disso, com o desenho que me enviou que é rigoroso das medias e equilíbrios.

Quanto a esta escolhi uma Dynavector 10x5 depois de ler e reler opiniões sobre o som de várias ( tinha anteriormente uma Audio Technica oc7) num lugar da internet que isso permite. Não estou arrependido e tal seria sempre muito difícil porque comparar assim cabeças de leitura só mesmo...ouvindo-as e por cá nem se arranja a tal Dynavector 10x5 em lado algum a não ser em mercado paralelo de ebay. Em França foi logo. 500 euros.

O que é que eu tiro disto tudo? Um prazer dos maiores em ouvir o som como deve ser ouvido.

Basta dizer o seguinte: tenho vários discos em cd que não consigo ouvir a não ser por curiosidade. Por exemplo, um do Lowell George, dos Little Feat. Em cd ouvi uma ou duas vezes. O vinil original é um prazer ouvir repetidamente. É uma diferença abismal que se esconde em pormenores que só malucos como eu e alguns outros entendem.

Por outro lado não tenho ninguém com quem falar disto mas não me ralo porque tenho os foruns onde vou beber a informação que preciso.



zazie disse...

ehehehe

Que coisa deliciosa.
Acho que não há mulheres dedicadas a estes preciosismos.

josé disse...

Que eu conheça, não. Ahahahahaha!

josé disse...

Mas apreciam o resultado...ahahaha.

zazie disse...

ehehehehe