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terça-feira, 5 de julho de 2016

O presidente da República não é uma estrela pop: é o supremo magistrado da Nação.

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República e professor de Direito, com larga experiência política e jornalística, mais a pessoal de ter conhecido todos os intervenientes políticos de há 50 anos a esta parte, anda a fazer figuras polémicas, no mínimo.

Ontem, em Trás-os-Montes, por ocasião de uma homenagem a um escritor português já falecido, Adolfo Rocha, de pseudónimo Miguel Torga, lá foi proclamar que "as pessoas precisam mesmo de comunicar, de desabafar, de sentir que se está próximo, nem que mais não seja para entregar uma carta que eu depois leio à noite".  Esta declarações foi proferida depois de uma circunstante lhe ter chamado primeiro-ministro e o PR ter achado que era "como se fosse"...

O presidente Marcelo diz isto como quem bebe o copo de circunstância sem perceber, porventura, que a ignorância da populaça também não permitirá perceber qual a sua função no Estado e o significado político que pode ter um encontro de um presidente da República com um arguido que esteve preso durante um ano, preventivamente, por suspeitas de crimes gravíssimos contra o Estado. A circunstância de esse indivíduo ter sido primeiro-ministro ainda agrava mais a situação concreta e o encontro do supremo magistrado da Nação com esse arguido, em tom de "porreiro, pá!" é deletério para as instituições, sendo inadmissível que um PR se dê a esse papel em modo ligeiro como sucedeu, atento o significado objectivo e a imagem subjectiva que tal projecta no povo ignorante.

O antigo primeiro-ministro que lá esteve a convite de um autarca, apaniguado ou não, correlegionário ou não, isso pouco importa, a não ser para se poder ver melhor a pouca-vergonha, procura tal exposição porque não tem qualquer vergonha que o demova e não vive no mundo dos princípios materiais do Estado de Direito. Percebeu que a sua salvação poderá ser apenas a da colagem explícita aos políticos que o poderão proteger de longos anos de prisão. E como não é burro, aceita tudo o que lhe aparece para se mostrar como é e esconder o que sempre foi, numa aparente contradição que lhe assenta como uma luva.

O presidente da República ao aparar-lhe este jogo só se desprestigiou, julgando que é muito inteligente não dar importância a estes assuntos e tergiversando sobre a "gratidão" putativa que é devida aos políticos que servem o país e a quem as populações devem ficar gratas...como se tal fosse assim e o exercício do poder político fosse uma benesse de quem governa para com os governados.

Estamos bem arranjados com estas personagens de ópera bufa...

5 comentários:

Vivendi disse...

O PR está em sintonia com os tempos modernos trazidos pelos ventos da história.

Habitue-se ao catavento, José.

Floribundus disse...

estou a recolher elementos para um pequeno estudo sobre a senilidade
ou senescência

o que se vê e ouve é um pavor

parece um monólogo de terror

principalmente com sinais de degradação irreversível

a tele-novela continua até à exaustão

Apuleio deixou-nos 'o asno de ouro'
por cá sempre a olhar-se ao espelho

'espelho meu! ...'

joserui disse...

Este presidente é mais um que transitou desse partideco menos mau que é o PSD. A mim não convence. Uma amiga disse-me que ao ser eleito PR, Marcelo tinha uma bela oportunidade de mostrar que é de facto inteligente. Isso não sei, mas tem mostrado em cada oportunidade que se julga o mais esperto da rua dele…
Li para aí a treta com o automóvel deixado por Cavaco, não o quis por ser ostentatório ou coisa que o valha e caiu muito bem no seio da populaça. A solução foi mandar esse para a presidência do conselho de ministros e comprar outro, em ALD… se isto não é um chico-esperto, não sei o que é. -- JRF

José Domingos disse...

Existem povos muito burros, outros existem para servir de tapete, outros para andar de canga ou ainda para viverem numa pocilga.
O único consolo, é que agora, já não existe Fátima Fado Futebol.
Nestes ultimos quarenta e quatro anos, como povo, tornámo-nos grandes.....merdas

BELIAL disse...

Como maquiavel da pantominocracia - tudo é (tão...) relativo, curta a memória, espuma dos dias que se esvai.

De qualquer modo, a bem dizer: as contas fazem-se ao fim.