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sábado, 15 de outubro de 2016

A Esquerda é a dona disto tudo e faliu-nos como país

O ministro das Finanças que Pedro Ferraz da Costa considera um "coitado" porque anda a fazer na política quase tudo ao contrário daquilo que estudou e escreveu, disse agora que este Orçamento de Estado é de Esquerda.

É notável que um ministro das Finanças que estudou e escreveu tudo ao contrário diga algo tão sintomático como a referência a uma palavra mágica. "Esquerda" tem sido uma dessas palavras porque concita logo um capital de simpatia nos supostos beneficiários ideológicos que num país pobre em tudo tende a constituir maioria eleitoral.  

Isto não é de agora. De agora é apenas a arrogância da superioridade da ideia de Esquerda que afasta qualquer veleidade dos que não partilham a epifania. De agora é apenas a falta de vergonha em colar um conceito a algo que não tem raiz nessa Esquerda a não ser nas causas.

O Orçamento de Estado deste ano é apenas um compromisso com os ditames que recebemos da União Europeia em que estamos inseridos. Esta UE não quer saber de orçamentos de esquerda para nada. Quer apenas que paguemos o que devemos e demos garantias disso.
E o que estes pataratas da mistificação permanente fazem é mascarar a nossa desgraça colectiva de que aliás foram autores directos, em vitórias de uma ideologia que nos conduzirá novamente ao desastre.

Isto tem décadas. Primeiro começou com os intelectuais esquerdistas pró-comunistas, no tempo do Estado Novo. Nessa altura estavam escondidos nas catacumbas clandestinas a copiar avantes e merdas parecidas do  género que um qualquer Pacheco Pereira escondia por baixo do capote de inverno para sabotar o regime.
A par desses pírulas ideológicos caminhavam alegremente os "compagnons de route" que liam tudo o que vinha de França e queixavam-se depois da Censura que nunca os impediu de tal.

Esta actividade granjeou-lhes o estatuto de "esquerda" de que agora se ufanam. Com o advento do golpe que acabou com o fassismo e o ar livre da estrumeira em que transformaram culturalmente o país a capitalização ideológica prosseguiu ainda mais afoita até chegarmos a isto: a Esquerda é que manda ideologicamente em tudo.

Até quando?

Eduardo Lourenço, um dos expoentes da estumeira ideológica apontada, já o previra e explicara a um dos órgãos máximos do fedor mediático ambiente: "A partir de 1940 a esquerda intelectual domina culturalmente o panorama português. Será assim praticamente até à Revolução." Claro como água.

Expresso de 16 de Março de 1985, escassos dez anos após o golpe de Esquerda.


83 comentários:

Adelino Ferreira disse...

É meu propósito ajudar a conhecer melhor o Pedro


http://ablasfemia.blogspot.pt/2006/08/trs-notas-sobre-direita.html?m=1

Floribundus disse...

no início do liceu marchava-mos fardados de MP

'-esquerda, direita! acerta o passo!
-mete os ... debaixo do braço'

actualmente a esquerda marcha tristemente e atira-nos para o abismo

centeno com cara de defunto à porta do jazigo da família rato

Floribundus disse...

morreu dario fo, um actorzeco de teatro do meu tempo de Roma

que há uns 20 anos recebeu o nobel da dinamite, por ser do pc

zazie disse...

Impressionante. Não me lembro de outro ter dito uma coisa assim. É de Esquerda= é bom.

O que seria um homólogo dele do PSD dizer que o orçamento era de Direita.

Eles sabem de onde vem a impunidade e como basta a palavra mágica para a ter.

joserui disse...

Dario Fo foi um nobelizado de facto… nem me lembrava… é prémio a que não dou crédito e este Dylan vem confirmar o que já sabia e irrita-me particularmente por é personagem por quem nutro um certo asco. Mas reconheço algumas boas letras, que gosto por vezes cantadas por outros (sou um sucker for covers). Mas talvez faça parte de uma estratégia de dizer que tudo pode ser literatura e até um baladeiro da treta anasalado pode ser literatura. Na minha opinião, se tudo é literatura, nada é literatura. -- JRF

joserui disse...

Se o orçamento é de esquerda é bom! É como o Nobel e o Dylan! É tudo bom! -- JRF

zazie disse...

O lay de Aristóteles pelo Juan José Arreosa- grande escritor de pequenos contos.
http://www.poesi.as/jja72325.htm

Este foi uma sátira tremenda aos "intelectuais". Aqui

Os lais (leich) deram "leeds" musicais posteriores.

As formação das próprias línguas autóctones deriva da métrica musical. Acho espantoso quem estuda isto.


O original era cantado, tal como toda a poesia trovadoresca, ou de toda a forma literária no seu início.

De umas ainda existem as pautas, de outras apenas a passagem a escrita. Já não é preciso cantá-las e esse som original também já nada nos diz.

Então como é? vamos banir toda esta poesia das selectas literárias por ter sido feita por uns meros "baladeiros".

Ou a questão é que as nossas memórias não têm distanciamento para essa avaliação no presente, por toda a diferente vivência das coisas?

luis barreiro disse...

Este país só se desenvolve quando grande parte das pessoas que hoje votam PS, BE e PCP renegarem o partido e votarem em políticas liberais. Quando? Quando faltar o dinheiro físico para pagar subsídios, pensões e salários da função pública, até lá a direita que meta a viola ao saco.

joserui disse...

Este baladeiro canta particularmente mal…
A questão é se *hoje* tudo é literatura. Para o comité Nobel, parece quem sim… talvez aqueles escritos nas cagadeiras públicas sejam literatura e sejam nobelizáveis — um Nobel para todos os escrevinhadores anónimos que não aguentam até chegar a casa.
Para mim, Nobel, da economia, paz e literatura já há muito que não significavam nada. É uma estratégia ou uma táctica lá do comité (isto até tresanda a PC).
Mas para quem se leva a sério (o tal comité) e quem os leva a sério, vamos dar um prémio à literatura, diz que o mais importante de todos… e é só um por ano. E então, o Dylan? Realmente não há melhor literatura neste Mundo triste? O Philip Roth ou o Lobo Antunes são melhor literatura e sobre isso não tenho qualquer dúvida.
Mas se a estratégia ou táctica passa por "tudo é literatura e é democrático que assim seja" e atenção mediática, já ganharam os sacanitas. Nunca escrevi mais que uma linha sobre qualquer dos outros "nóbeis". Este irrita. E canta mal o palerma. -- JRF

joserui disse...

Dito isto, acho fascinante que vários (vá lá) conservadores gostem ou adorem este tipo de música, baladeiros, que muitas vezes representam valores completamente ao arrepio do que defendem todos os dias. A mim acontece-me, não sou excepção, mas não com este nem com a maior parte desta geração e, digamos assim, movimento. É tropa que a mim não diz nada — heranças de 68 e quejandos, Bela herança. Só se foi o meu nascimento que se aproveitou nesse ano, porque o resto valha-me Deus.
Acho uma época de decadência atroz e rápida. Talvez inevitável.
Mas deve ser por estas e por outras que a arte é perigosa, põe a esquerda a gostar de coisas de direita e a direita a gostar das coisas de esquerda. Se bem que para o intelectual que se preze e o português bem falante, a arte é toda de esquerda :) . -- JRF

zazie disse...

Acerca destes seus últimos comentários, acho que o José tenta fazer entender isso. Foram os tais "ventos da História". Não há volta a dar. E isso entende-se tendo vivido a época.

Eu acho que também se entende percebendo a tal invenção da "juventude". Recomendo isto: A Criação da Juventude

zazie disse...

O poder da música é mil vezes maior que qualquer propaganda de Estado. Acho que já me fartei de tentar explicar isto ao Muja.

No entanto, essa mmúsica foi excelente e hoje é que não se faz nada que se aproxime.

Bic Laranja disse...

O texto do intelectual de esquerda (passe a redundância) merecia exegese a preceito. A análise factual é geralmente correcta; a interpretação que ele faz, bom...
A mediocridade da produção cultural pelo Estado Novo é um cliché de propaganda marxista; o valioso produto do marxismo cultural como sendo «a cultura», desde os anos 40, é um balão de ar que se esvaziou com a «libardade». — Não saíram da gaveta as obras geniais de esquerdóides na clandestinidade como se podia esperar. — Estranho fenómeno, a produção cultural (marxista), que viceja em ditadura e se esvazia em liberdade. Morrem pelo ideal em ditadura, acabam por morrer realmente dele em liberdade (seja ele o que bem eles entendem). Isso é a frustração do tal Lourenço. É vê-lo de novo na menção a Franco Nogueira sobre o que escrevia Salazar que nada tinha, nem tem, de medíocre e a aflição subjacente que lhe isso causa. Justamente quando a liberdade fazia definhar a sua cultura marxista. Pelo meio, a reverência a Agustina é concessão à aparência de ser ele próprio um tipo isento. (Ainda nisto, a menção a Joel Serrão e a omissão de A.J. Saraiva a propósito da «História da Literatura Portuguesa» é ainda maior sintoma de isenção.)
O entendimento de que a direita revive no 25 de Novembro faz rir. A retoma dessa direita nos meios de comunicação depois daquela data ou é outro monumental lugar-comum de propaganda marxista, ou é um primor de análise. Grande intelectual quase filósofo, este que se chama Lourenço. Se não é de Braga é de Panteão!...

Bic Laranja disse...

sobre o que escrevia de Salazar

josé disse...

A música é qualquer coisa de extraordinário no conjunto das manifestações artísticas do Homem.

Citando Frank Zappa:

“Information is not knowledge.
Knowledge is not wisdom.
Wisdom is not truth.
Truth is not beauty.
Beauty is not love.
Love is not music.
Music is the best”

A Música é o melhor e no que a Dylan se refere tem tantas músicas com essa característica, associada aos poemas que o Nobel da Literatura, por esse conjunto, é merecido.

Ouvir Desolation Row no final do filme sobre o festival da Ilha de Wight em 1970, enquanto passa o genérico em paisagem sobrevoada do recinto é um achado artístico que a mim diz tanto como outra obra de arte que possa apreciar.

A sensação que qualquer obra de arte nos provoca é a de nos elevar o espírito para algo superior e reconfortante ou provocar um choque que acorde sentidos adormecidos.

A música é algo que nos reconforta o espírito e eleva o pensamento, seja uma obra coral, religiosa, de Schubert, seja o Like a Rolling Stone do Highway 61 Revisited de Dylan dos anos sessenta ou ainda Wouldn´t you believe in me, dos Beach Boys de Pet Sounds.

A magia da música associada a palavras certas é o que determina a arte de Bob Dylan nos seus melhores momentos.

josé disse...

O que eu tenho lido sobre o Nobel de Dylan nos jornais portugueses é de uma pobreza confrangedora e poderia ser escrito por um programa informático como parece que já existem.

A esta gente dos jornais falta paixão pela arte neste caso musical. Escrevem apenas por dever de ofício.

Porca miseria.

zazie disse...

Completamente de acordo, José. E essa citação do Zappa foi muito bem lembrada.

Só para chatear, acho que o Nietzsche também andou sempre a dizer o mesmo...

Bic Laranja disse...

Històricamente as formas de fixação da cultura passaram da oralidade à escrita. Os meios de fixação devieram no que devieram fruto da técnica.
É acertada referência da Zazzie às raízes da literatura e do romance. Todavia a literatura como expressão artística teve, mercê do devir histórico, a sua alforria e é nesse contexto que estamos, ou estávamos. O próprio critério do Nobel assenta(va) naquele pressuposto. O que sucedeu agora foi uma subversão da ordem das coisas. A conclusão que daqui se tira é óbvia e elementar: o triunfo da subversão. Eis o estado da Arte: qualquer coisa é o que se queira pois tudo se justifica, porque se admite que tudo pode já ser tudo e o seu contrário. Se não é isto o trunfo da alucinação colectiva e global...
Cumpts.

Bic Laranja disse...

Triumpho, digo.

zazie disse...

E considerar esse efeito estético e de grande prazer, algo menor por ser menos purista é que é uma ideia perfeitamente hegeliana.

zazie disse...

Estou-me nas tintas para o Nobel e nem por aí tem purismo algum literário na sua tradição. Em 1902 quem o recebeu foi um monumental historiador que nunca escreveu um romance, ou poesia ou obra de ficção. E foi talvez o mais acertado reconhecimento como património para a Humanidade que o Nobel deu.

zazie disse...

O v.o problema é ideológico. É por terem encasquetado a k7 de esquerda que o Dylan foi um cantor de protesto. Um panfletário anti-capitalista como também já li por aí a quem nunca o deve ter ouvido e muito menos lido as letras.

zazie disse...

A única questão é mesmo a que o José resumiu- o Dylan foi um músico. Não dá para separar uma coisa da outra. E é pelo todo que se entende. Não há categoria para isso no Nobel, portanto lá a metaram na literatura.

Ou por outros motivos mais prafrentex uma vez que academicamente também já é dado, tal como o Cohen.

Agora o que não é argumento para nada- é dizer-se que por ter música um poema não pode ser incluído na categoria da poesia.

A estupidez está aí e foi por isso que reeditei o post dos pseudo-intelectuais e cagões.

zazie disse...

Se a poesia existe é porque o ser humano cantava. A literatura deriva disto.

josé disse...

o Cohen não me apetece como músico. E as letras ainda menos. Apetecia nos anos sessenta quando ouvia Suzanne ou Who by fire, por ser novidade muito estimulada pelos media de então. Depois gostei outra vez por causa da música de Death of a ladie´s man, produzido por Phil Spector. Só por isso.

Não me parece que Cohen chegue aos calcanhares de Dylan no todo que a música de ambos representa.

O Dylan do primeiro disco de 1962 ( que tenho em prensagem original usa, second press, de finais de 1962, na versão stereo da Columbia "360 sound") tem man of constante sorrow e baby let me follow you down que já são antológicos.

É isso que distingue Dylan: uma simbiose entre pose, letra, música e inovação artística pop.

Bic Laranja disse...

O que sucedeu agora foi uma subversão da ordem das coisas. A Zazzie é uma rebelde.
😄

Bic Laranja disse...

O Dylan é um enjoo. Nada contra quem aprecia.

zazie disse...

Pois sou. Penso nas coisas, sou medievalista, gosto de arte, não tenha pancas com purismos e o Dylan deu-me muito prazer a acompanhar outros prazeres na altura certa com a idade certa.

":OP

zazie disse...

Podia dizer como aquele da série: "já fui muito feliz a ouvir o Dylan"

ehehehe

E sim, tenho pavor a tudo o que é purismo hegeliano- tudo em gavetinhas estanques por hierarquias de importância tanto mais superior quanto menos não material e física. Encanita-me o Kant pelo mesmo. Gosto do Nietzsche por ter feito isso em cacos.

Por último, é verdade que uma das coisas que mais me fascina é o estudo das línguas. Ainda agora estive em Edinburgo e vi uma exposição de arte celta onde, às tantas, passava um excelente documentário a explicar as diferentes línguas por eles criadas e sua ligação a escalas musicais.

Gosto de imaginar civilizações onde o canto e a dança eram sagrados e profanos e como tudo isso foi transmitido e a Humanidade levou mais longe. Estou-me nas tintas para darwinismos de macacadas. O ser humano é isto.

zazie disse...

errata: Quanto menos material

joserui disse...

E no fim a arte acaba em questões de gosto… o que o José diz do Cohen ouvi ontem alguém dizer o contrário: Se era para isto, seria sempre primeiro o Cohen. E para citações, como diziam The Cramps "I don’t know about art but I know what I like". :) -- JRF

joserui disse...

Zazie a questão é ideológica parcialmente… é sabido como a esquerda se apodera de tudo, mas reconhecendo que possa ser excelente músico, autor, compositor, como cantor é uma nulidade como haverá poucas que chegaram onde o man chegou… O próprio Cohen disse que é como dar uma medalha ao Everest por ser a montanha mais alta. Neste caso, na minha modesta opinião, a montanha pariu um rato e tresanda a ressabiamento de uma geração "nobel", assim como Abril não se cumpriu, também os 60's não se cumpriram e os velhadas dos do comité Nobel resolveram dar um prémio ao tempo em que andavam com aquelas cabeças cheias de fuminho. -- JRF

joserui disse...

Eu não tenho pancas de purismos… se fosse assim, não ouvia nada (nem lia, etc.). Tendo a separar as coisas… A questão da idade certa também acho interessante. Os músicos que eu ouvia/ouço, teriam 20-30 anos nos anos 80, está bom de ver que agora são sexagenários… e já (re)vi vários em palco e não consigo associar aquela música enérgica pós-punk aos anciãos a tocá-la (provavelmente melhor que nunca)… o único que me conseguiu convencer foi o Nick Cave.
Concluí há muito que a idade ser uma questão mental é uma treta do tipo "auto-ajuda" para pessoas muito achacadas a surpresas desagradáveis. Há um tempo certo para tudo e o tempo não volta para trás é a minha única certeza. -- JRF

josé disse...

Nunca ouvi Nick Cave e acho que nunca vou ouvir.

Por essa banda o máximo que ouvi foi Peter Hammil.
Faz agora 40 anos que ouvia religiosamente Still Life. E nem sequer tinha o disco. Ouvia do rádio e gravava, como tinha gravado antes Godbluff.

zazie disse...

Se vai por aí, então eu volto a insistir no lobby pencudo. Parece que até o Alfred era pencudo. A marina é que andou a ver isso.

O Dylan não era nada um militante escardalho anti-capitalista e coisas assim que se dizem.

(A "idade certa" a que me referia era mais para os "acompanhamentos hedonistas à música, Ou vice-versa ahahaha)

Faça a pergunta de outro modo: a poesia é ou não é literatura?

Se é, onde está a diferença de ter sido musicada ou não.

à falta de Nobel para música ligeira, pois então.. sei lá. Estou-me nas tintas.

Só não estou se disserem que o D. Dinis ou o Pero Meogo eram fanhosos e por isso aquela treta também nunca passou de uma treta menor de baladeiros fanhosos. Já para não falar da pouca vergonha que faziam para depois também comporem aquelas Alvas.

":OP

josé disse...

Nem Nick Drake, já agora.

josé disse...

Prefiro Randy Newman...ahahah.

joserui disse...

Poesia é literatura. O Dylan poeta? A verdade? Não conheço para dizer que será um expoente digno do Nobel (ou do que fazem dele) — a minha desconfiança é que não, não é. É uma habilidade lá do comité. Mas é verdade que se fosse o não sei quantos que nunca ouvi falar, não estava aqui a discutir os seus méritos. Talvez seja preconceito mesmo, que hei-de fazer? -- JRF

zazie disse...

A idade certa é outra coisa- o filão artístico está sempre sob ameaça de extinção. É uma coisa muito frágil e efémera. E a voz também.

zazie disse...

Deixe a treta do Nobel para o caso.

Faça a pergunta simples- se é poesia, então é ou não é suficientemente boa para ser confrontada com outra. Depois confronta. Depois fica com uma ideia mais válida.

Mas largue o preconceito de quem sabe são lá os pascácios da academia do Nobel da dinamite.

joserui disse...

Ui, Peter Hammill nem perto… Quando o Nick Cave formou os Birthday Party, já o Hammill andava há 10 anos ou mais e nunca foi punk, pós-punk ou "alternativo". Esses junto de Nick Drake, Randy Newman e mais uma catrefada dos anos 70, ouvi muito fugazmente e muito novo, concluindo que não gosto…
Depois veio a new wave com um disco genial dos B-52's (homónimo) de 1979 se não me engano… tinha 11 anos e nunca mais olhei para trás. Alguém deu um gira-discos tipo "caixa com colunas" à minha prima, mais Ramones, Dr. Feelgood… O que ficou foi B-52's, ainda ouço esse disco — e sou eu que, por algum motivo (apego às coisas) tenho esse vinil :) . Hoje sou eclético (bastante). Gosto de alguma música moderna (herdeira do que já gostava) , o meu jazz, clássico, clássico contemporâneo… está a acontecer uma coisa que já nem contava: Estou finalmente a ficar farto de grande parte dessa música que ouvi durante 30 anos ou mais (essa coisa pós-punk e assim). Deve ser a idade. -- JRF

joserui disse...

Pois já respondi a isso antes :) . A Zazie dá-me sempre a volta! -- JRF

josé disse...

A música pop é de gostos e estes não se discutem. Quando muito apreciam-se para se ver se entram no ouvido.

Dos B52´s lembro-me de ouvir no rádio o António Sérgio a debitar o disco da moda. É um rock pós-punk que ouvia nessa altura, com a voz feminina em destaque. Da mesma época preferia o Jonathan Richman ou os Devo. Ou os Cars de que gosto e tenho os discos.

O que eu não consegui foi passar para a música rock dos anos oitenta e coleccionar discos dessa época porque não me interessam.

Prefiro andar à procura de uma boa prensagem do Physical Grafitti dos Led Zeppelin do que ouvir esses sucedâneos.

Os Gun n´Roses para mim nunca existiram. Os Skorpions muito menos.

Prefiro ouvir os Rolling Stones outra vez nas prensagens originais de Sticky Fingers ou Exile on main street.

Ou todo o Steely Dan, em primeira prensagem abc records.

Ou todo o Kevin Ayers. Ou Brian Eno nas prensagens originais da Island e depois da Polydor ( Before and after science.
Ou Jackson Browne nas prensagens originais da asylum com rótulo branco e abertura dos discos, por cima, com a capa rugosa.

Só essa procura desses originais já me ocupa o interesse todo.

E a música também se divesifica. Ouvir o LiveEvil de Miles Davis é uma descoberta. Ou outros da mesma época.

josé disse...

Ou um Magnificat ( et misericordia) de Nidarosdomens jentekor & TrondheimSolistene em dsd 128.

joserui disse...

Eu musicalmente sou filho dos 80's, mas não da pop, que abominava. O Som da Frente de António Sérgio era a minha referência (se fosse hoje teria ido directamente à fonte, ao John Peel). Disso que diz só Devo (que tenho discos) e Cars. Brian Eno, claro. Essa procura é um dos dramas que vivemos… o nosso tempo é limitado a uma geração se tanto, mas vivemos uma época com acesso a mais de 100 anos de música e cinema (literatura muito mais)… de alguma forma temos de nos limitar, o que é difícil para quem se interessa por tudo, como eu.
(Os Gun n´Roses para mim nunca existiram. Os Skorpions muito menos. — subscrevo, estes últimos considerava particularmente maus. Aliás quando surgiram estes baladeiros hard rock ou heavy metal, só queria tapar os ouvidos.) -- JRF

joserui disse...

Houve uma certa satisfação ao constatar que "som da frente" ou "vanguarda" não eram apenas nomes ou slogans sonantes. Muito depois, músicas que ouvi a partir dos 15 anos, começaram a aparecer em todo o lado — séries de tv, filmes de todo o tipo (Sofia Coppola grandes bandas sonoras desse tempo), documentários, publicidade, centros comerciais… Talvez tenha ficado farto por isso, Joy Division como música ambiente no Norte Shopping ou "How Soon Is Now" dos Smiths numa versão Psychedelic Furs na terrível série "Charmed"? Há limites. Mas é sintomático: A música é de 1985, os Psychedelic Furs acabaram em 1991 (depois regressaram como todos), a série é de 1998-2006. -- JRF

josé disse...

O programa de John Peel Top Gear, ouvia-o no rádio em 1975. Apontei um desses programas, sobre os tops do ano. No youtube é possível ouvir esses hits, alinhados no programa, muito ecléticos ( jack the lad e Bebop Deluxe, por exemplo.

Mas o que gostava de ouvir era o indicativo do programa ( que se pode ouvir no YOutube): Grinderswitch, um grupo do sul da América e um blues bem típico tocado em guitarra eléctrica.

Maria disse...

Se o Dylan é aquele génio da música como alguns proclamam que é e ele provàvelmente nem isso pensa dele próprio por não se considerar merecedor de prémios de carreira (viu-se o ar indiferente dele quando recentemente o Obama o condecorou com uma Ordem qualquer, nem agradeceu, não alterou a expressão de quase indiferença e foi-se logo sentar, continuando de rosto fechado e com os óculos escuros que nunca tirou..., se calhar resolveu aceitar esta condecoração ùnicamente por simpatizar com o presidente) e naturalmente menos ainda merecedor do Nobel. Se ele pensa assim concordo com ele. Se tudo o que dizem da sua genialidade for verdadeiro e ele lá saberá se é ou não, então, José, explique-me lá, por favor, por que motivo ele nunca quis responder aos inúmeros telefonemas que lhe têm vindo a ser feitos pela Academia Sueca nem, quase de certeza absoluta, tenciona deslocar-se àquele país para receber o dito prémio? Não quererá esta sua atitude, embora estranha mas honesta, dizer mais da sua personalidade e ter porventura mais mérito do que ele ir aceitando contra vontade todas as homenagens que lhe possam ir fazendo, produzindo hipòccritamente discursos d'ocasião sem a mínima autenticidade?

Há algo curioso que demonstra, mais do que poderá parecer à primeira vista, aquilo que o próprio músico pensará dele próprio como cantor popular, bem como das músicas e letras que compôs e interpretou e que o tornaram famoso. E este facto curioso e sintomático veio pela voz da insuspeita Joan Baez, sua companheira daquelas lides durante anos e ela própria uma contestatária (chegou a pedir aos admiradores que não ligassem só à sua música, que prestassem atenção sobretudo às letras das suas canções..., que incitavam a juventude a revoltar-se contra a ordem social estabelecida, o que veio a verificar-se não só nos E.U. como em todo o Ocidente), certa vez de passagem por Lisboa, ainda não vão muitos anos e já com os cabelos grisalhos, à pergunta se não tinha saudades dos tempos em que ela e Dylan actuavam em conjunto e eram adulados por multidões e se não gostaria de organizar concertos para em conjunto voltarem a interpretar alguns dos seus mais famosos temas, a resposta dela veio rápida, sincera e suficientemente esclarecedora "eu?, que horror!, saudades daqueles tempos?!... não tenho nenhumas e nem me fale nisso!".

Peço desculpa a quem não concordar, mas nunca apreciei a voz ou as canções deste Dylan e na minha segunda permanência em Londres e embora ainda novita já ouvia falar dele sobretudo do que ele representava para a juventude norte-americana e pràticamente nada para a inglesa. O mesmo me aconteceu com o bom do Elvis e até com os irrequietos Beatles, salvo algumas das suas primeiras e engraçadas interpretações. Dos Rolling Stones nem é bom falar, sempre os detestei, o Jaeger só gritava e continua a gritar sem nunca ter tido voz de jeito e agora então nem se fala. Tentaram sempre imitar os confrades Beatles, que apareceram um pouco antes deles, mas nunca o conseguiram.
(cont.)

Maria disse...

(Conclusão)

Se me falarem da extraordinária voz e das lindíssimas canções, com letras apaixonantes, do fabuloso Sinatra desse mesmo tempo; dos maravilhosos e únicos Platters; do romântico Dean Martin; do também romântico Tony Bennett; das belíssimas vozes quase líricas de Gordon MacRae e de Howard Keel; do inesquecível Chico Buarque e relativamente ao bel-canto sempre gostei muito da voz portentosa de Pavarotti (resolveu tornar-se tenor depois de ouvir Mario Lanza cuja voz adorava, com Plácido Domingo aconteceu o mesmo) de José Carreras, outro apaixonado pela voz de Lanza; de Plácido Domingo, do meu eternamente idolatrado Mario Lanza (que o é desde os meus nove ou dez anitos quando vi o seu primeiro filme) cuja amplitude de voz, clareza e timbre eram inigualáveis (o grande Toscanini, depois de ouvir Lanza, afirmou emocionado nunca tinha ouvido uma voz tão poderosa e bela desde a de Erico Caruso - cusiosamente foi por ouví-lo diàriamente desde pequenino e por vontade do pai, italiano, que aos dezaseis anos e a instâncias da mãe, também italiana e uma soprano frustrada, que começou a receber aulas de canto com a intenção de um dia vir a ser tenor) e todos estes cantores na altura tinham mais do dobro da minha idade. Voltando ao início, perante os factos em presença já estamos a entrar noutro campo completamente diferente cuja beleza e espiritualidade das músicas e das letras das personalidades citadas quase nos transportam para uma outra dimensão que perdura enquanto se escuta qualquer um dos seus antigos 78rpm ou modernos CD's, São canções de sonho e árias belíssimas que nunca nos farão esquecer qualquer um destes enormes senhores da canção romântica e lírica. Quantos dos cantores rock, pop, punk, heavy metal ou ritmos deste jaez serão lembrados daqui a décdas ou séculos? Nenhum. E daqueles acima citados e outros mais da mesma ordem de grandeza, é garantido que jamais serão esquecidos pelos séculos vindouros.

Aparte os citados, meio rock meio pop (e nadinha do horror de punk e menos ainda do pavor heavy-metal), também gostei muito de algumas canções dos famosíssimos Beach-Boys e do não menos famoso e bom cantor John philips mais os seus excelentes acompanhantes. E houve mais alguns cantores pop, não muitos, de que gostei de ouvir mas cujos nomes não me ocorrem neste momento..., já passou muito tempo:)

Peço desculpa a quem discordar mas concordo totalmente com as palavras de Bic Laranja e de Muja sobre Dylan. Aliás nunca apreciei a sua voz fanhosa. Para mim as vozes dos cantores populares ou líricos têm que ser de tonalidade cristalina, as palavras bem pronunciadas, a voz audível e a dicção perfeita. Vá lá, dos pop's dos anos sessenta os Beatles (o Paul sim, o Lennon não) possuíam mais ou menos estas duas últimas qualidades vocais e algumas das suas músicas, sobretudo pelo ritmo, eram atractivas.

Devo ainda acrescentar que também concordo com muito do que joserui escreveu sobre o tema em debate.

josé disse...

Maria:

gostos musicais não se discutem em termos de validade absoluta. Por mim, gosto de música, incluindo os autores e músicos que mencionou, mesmo Tony Bennett.

Quanto a Bob Dylan gosto até 1975, de todos os discos e são uma referência da minha cultura musical. Sem Dylan não seria o que sou em termos culturais, porque a minha formação passou também por aí, pelas suas obras, discos e mito.
E isso é dizer muito.

josé disse...

Mas tal é difícil de explicar.

Um dia, no comboio descendente de Vigo ao Porto encontrei por acaso José Afonso, o verdadeiro que vinha de Vigo de tratamentos à garganta, suponho.

Vinha em segunda classe, com uma saca grande cheia de livros. Sentei-me no mesmo banco e encetei conversa porque era um dos músicos que mais apreciava.

Falamos exactamente sobre a sua música e a do Fausto e tal aconteceu porque mencionei que costumava ouvir a Rádio Popular de Vigo e lá passava muitas vezes o Se tu fores ver o mar, do Fausto, uma balada que é uma composição genial em qualquer parte do mundo.

Depois passamos ao rock e ele disse-me que não tinha interesse nenhum para ele, tal coisa porque já ouvira a mesma música no final dos anos cinquenta, com Elvis Presley e assim.

Fiquei a pensar porque de facto, a música que então ouvia e considerava fantástica ( e é a mesma que ouço hoje porque não evoluí, tal como José Afonso de então...) tinha a sua raiz na música anterior dos anos cinquenta. Era em muitos casos uma cópia ou apenas uma glosa.

Mas é exactamente isso: a música que nos toca o espírito é apenas isso e mais uma coisa: o ambiente cultural em que tal acontece.

O ambiente cultural dos anos setenta era diferente do dos anos sessenta e do dos oitenta.

Eu fiquei nos anos setenta, musicalmente. E com muito, muito gosto, confesso.

josé disse...

Ainda hoje dei a pensar que o rádio da época moldou o meu gosto musical porque saiam obras musicais nessa altura que eram obras-primas e assim continuam a ser.

Foi uma época de ouro e o rádio divulgou-as.

Mas atenção! Quem divulgou foram certos programas de rádio, escolhidos por mim para ouvir.

Os programas da Página Um, do EM Órbita ( mesmo após 74) do Programa 4 da Rádio Comercial com Jaime Fernandes e João David Nunes, de António Sérgui, de Fernando Balsinha, de Jaime Lopes e uns poucos mais.

Foram eles quem passou a música que me influenciou e que ainda hoje é de grande qualidade e constitui a música clássica do rock/pop.

Tive sorte em apanhar tal época e tal ambiente.

zazie disse...

Quanto à poesia que agora inventam que era só porcaria de intervenção, aqui fica uma e expliquem-me lá qual a razão que a faz menor. Até gostava é que quem assim fala desse exemplos poéticos que considera superiores.

The festival was over and the boys were all plannin' for a fall
The cabaret was quiet except for the drillin' in the wall

The curfew had been lifted and the gamblin' wheel shut down
Anyone with any sense had already left town
He was standin' in the doorway lookin' like the Jack of Hearts

He moved across the mirrored room, "Set it up for everyone" he said
Then everyone commenced to do what they were doin'
Before he turned their heads

Then he walked up to a stranger and he asked him with a grin
"Could you kindly tell me, friend, what time the show begins?"
Then he moved into the corner, face down like the Jack of Hearts

Backstage the girls were playin' five-card stud by the stairs
Lily had two queens, she was hopin' for a third to match her pair

Outside the streets were fillin' up, the window was open wide
A gentle breeze was blowin', you could feel it from inside
Lily called another bet and drew up the Jack of Hearts

Big Jim was no one's fool, he owned the town's only diamond mine
He made his usual entrance lookin' so dandy and so fine

With his bodyguards and silver cane and every hair in place
He took whatever he wanted to and he laid it all to waste
But his bodyguards and silver cane were no match for the Jack of Hearts

Rosemary combed her hair and took a carriage into town
She slipped in through the side door lookin' like a queen without a crown

She fluttered her false eyelashes and whispered in his ear
"Sorry, darlin', that I'm late" but he didn't seem to hear
He was starin' into space over at the Jack of Hearts

"I know I've seen that face before, " Big Jim was thinkin' to himself
"Maybe down in Mexico or a picture up on somebody's shelf

But then the crowd began to stamp their feet and the house lights did dim
And in the darkness of the room there was only Jim and him
Starin' at the butterfly who just drew the Jack of Hearts

Lily was a princess, she was fair-skinned and precious as a child
She did whatever she had to do
She had that certain flash every time she smiled

She'd come away from a broken home, had lots of strange affairs
With men in every walk of life which took her everywhere
But she'd never met anyone quite like the Jack of Hearts

The hangin' judge came in unnoticed and was being wined and dined
The drillin' in the wall kept up but no one seemed to pay it any mind

It was known all around that Lily had Jim's ring
And nothing would ever come between Lily and the king
No, nothin' ever would except maybe the Jack of Hearts

Rosemary started drinkin' hard and seein' her reflection in the knife
She was tired of the attention, tired of playin' the role of Big Jim's wife

She had done a lot of bad things, even once tried suicide
Was lookin' to do just one good deed before she died
She was gazin' to the future, riding on the Jack of Hearts

Lily took her dress off, buried it away
"Has your luck run out?" she laughed at him
"Well, I guess you must have known it would someday"

"Be careful not to touch the wall, there's a brand-new coat of paint
I'm glad to see you're still alive, you're lookin' like a saint"
Down the hallway footsteps were comin' for the Jack of Hearts

The backstage manager was pacing all around by his chair
"There's something funny going on" he said
"I can just feel it in the air"

He went to get the hangin' judge, but the hangin' judge was drunk
As the leading actor hurried by in the costume of a monk
There was no actor anywhere better than the Jack of Hearts

No one knew the circumstance
But they say that it happened pretty quick
The door to the dressing room burst open and a cold revolver clicked

zazie disse...

And Big Jim was standin' there, ya couldn't say surprised
Rosemary right beside him, steady in her eyes
She was with Big Jim but she was leanin' to the Jack of Hearts

Two doors down, the boys finally made it through the wall
And cleaned out the bank safe
It's said that they got off with quite a haul

In the darkness by the riverbed they waited on the ground
For one more member who had business back in town
But they couldn't go no further without the Jack of Hearts

The next day was hangin' day, the sky was overcast and black
Big Jim lay covered up, killed by a penknife in the back

And Rosemary on the gallows, she didn't even blink
The hangin' judge was sober, he hadn't had a drink
The only person on the scene missin' was the Jack of Hearts

The cabaret was empty now, a sign said, "Closed for repair"
Lily had already taken all of the dye out of her hair

She was thinkin' 'bout her father, who she very rarely saw
Thinkin' 'bout Rosemary and thinkin' about the law
But most of all she was thinkin' 'bout the Jack of Hearts

Written by Bob Dylan • Copyright © Bob Dylan Music Co.

zazie disse...

E só mais esta que é outra que também dizem que serve apenas para se cantarolar (palavra que gramava que quem diz isso a cantarolasse de cor a ver se era capaz)

Sad-Eyed Lady Of The Lowlands
With your mercury mouth in the missionary times
And your eyes like smoke and your prayers like rhymes
And your silver cross, and your voice like chimes
Oh, who among them do they think could bury you?
With your pockets well protected at last
And your streetcar visions which you place on the grass
And your flesh like silk, and your face like glass
Who among them do they think could carry you?
Sad-eyed lady of the lowlands
Where the sad-eyed prophet says that no man comes
My warehouse eyes, my Arabian drums
Should I leave them by your gate
Or, sad-eyed lady, should I wait?
With your sheets like metal and your belt like lace
And your deck of cards missing the jack and the ace
And your basement clothes and your hollow face
Who among them can think he could outguess you?
With your silhouette when the sunlight dims
Into your eyes where the moonlight swims
And your matchbook songs and your gypsy hymns
Who among them would try to impress you?
Sad-eyed lady of the lowlands
Where the sad-eyed prophet says that no man comes
My warehouse eyes, my Arabian drums
Should I leave them by your gate
Or, sad-eyed lady, should I wait?
The kings of Tyrus with their convict list
Are waiting in line for their geranium kiss
And you wouldn’t know it would happen like this
But who among them really wants just to kiss you?
With your childhood flames on your midnight rug
And your Spanish manners and your mother’s drugs
And your cowboy mouth and your curfew plugs
Who among them do you think could resist you?
Sad-eyed lady of the lowlands
Where the sad-eyed prophet says that no man comes
My warehouse eyes, my Arabian drums
Should I leave them by your gate
Or, sad-eyed lady, should I wait?

Oh, the farmers and the businessmen, they all did decide
To show you the dead angels that they used to hide
But why did they pick you to sympathize with their side?
Oh, how could they ever mistake you?
They wished you’d accepted the blame for the farm
But with the sea at your feet and the phony false alarm
And with the child of a hoodlum wrapped up in your arms
How could they ever, ever persuade you?
Sad-eyed lady of the lowlands
Where the sad-eyed prophet says that no man comes
My warehouse eyes, my Arabian drums
Should I leave them by your gate
Or, sad-eyed lady, should I wait?
With your sheet-metal memory of Cannery Row
And your magazine-husband who one day just had to go
And your gentleness now, which you just can’t help but show
Who among them do you think would employ you?
Now you stand with your thief, you’re on his parole
With your holy medallion which your fingertips fold
And your saintlike face and your ghostlike soul
Oh, who among them do you think could destroy you?
Sad-eyed lady of the lowlands
Where the sad-eyed prophet says that no man comes
My warehouse eyes, my Arabian drums
Should I leave them by your gate
Or, sad-eyed lady, should I wait?
Copyright © 1966 by Dwarf Music; renewed 1994 by Dwarf Music

zazie disse...

Para terminar fica aqui o desafio ao Muja e a Bic laranja, caso queiram, para explicarem mesmo a trampa menor que estas letras são ou o motivo pelo qual não se aguentam sem a trampa da música anexa.

E isto porque também pertenço aos tais "jarretas" que eles andam a glosar.

Palavra que fiquei foi curiosa com outra coisa. E essa outra coisa é de ordem artística e poética.

O que gostam então eles de ler em poesia?

Ou não gostam de poesia?

zazie disse...

E podia ir buscar mais letras porque, não há volta a dar, o Bob Dylan foi muito bom poeta.

Claro que vale por ser musicado. Não se separa na nossa memória uma coisa da outra.

Mas, a cretinice, quanto a mim, é que quem diz que é coisa menor nem sequer tem memória musical de tudo isto. E duvido que alguma vez tenham lido as letras.

zazie disse...

A única crítica poética que li ao Bic Laranja foi este detalhe:

«The times they are a-changin'» nem bom inglês é».

No comments.

zazie disse...

Só mais uma treta de badaladeiro menor e porcaria de intervenção para trautear.

Visions of Johanna

Ain't it just like the night to play tricks when you're tryin' to be so quiet ?
We sit here stranded, though we're all doing our best to deny it
And Louise holds a handful of rain, tempting you to defy it
Lights flicker from the opposite loft
In this room the heat pipes just cough
The country music station plays soft
But there's nothing really nothing to turn off
Just Louise and her lover so entwined
And these visions of Johanna that conquer my mind.

In the empty lot where the ladies play blindman's bluff with the key chain
And the all-night girls they whisper of escapades out on the D-train
We can hear the night watchman click his flashlight
Ask himself if it's him or them that's really insane
Louise she's all right she's just near
She's delicate and seems like the mirror
But she just makes it all too concise and too clear
That Johanna's not here
The ghost of electricity howls in the bones of her face
Where these visions of Johanna have now taken my place.

Now, little boy lost, he takes himself so seriously
He brags of his misery, he likes to live dangerously
And when bringing her name up
He speaks of a farewell kiss to me
He's sure got a lotta gall to be so useless and all
Muttering small talk at the wall while I'm in the hall
Oh, how can I explain ?
It's so hard to get on
And these visions of Johanna they kept me up past the dawn.

Inside the museums, Infinity goes up on trial
Voices echo this is what salvation must be like after a while
But Mona Lisa musta had the highway blues
You can tell by the way she smiles
See the primitive wallflower frieze
When the jelly-faced women all sneeze
Hear the one with the mustache say, "Jeeze
I can't find my knees."
Oh, jewels and binoculars hang from the head of the mule
But these visions of Johanna, they make it all seem so cruel.

The peddler now speaks to the countess who's pretending to care for him
Saying, "Name me someone that's not a parasite and I'll go out and say a prayer for him."
But like Louise always says
"Ya can't look at much, can ya man."

As she, herself prepares for him
And Madonna, she still has not showed
We see this empty cage now corrode
Where her cape of the stage once had flowed
The fiddler, he now steps to the road
He writes everything's been returned which was owed
On the back of the fish truck that loads
While my conscience explodes
The harmonicas play the skeleton keys and the rain
And these visions of Johanna are now all that remain.

Written by Bob Dylan, Dylan Bob • Copyright © Bob Dylan Music Co.

josé disse...

A primeira letra é do BLood on the tracks de 1975 e da faixa que agora gosto mais de ouvir, a mais longa e elaborada em tom country: Lily, Rosemary and the jack of hearts. Quando a ouvi pela primeira vez, na Página um de início de 1975 era longa demais mas a música não passava sem a letra e o ritmo que as acompanhava.

Essa música sem essa letra é outra coisa que não aquilo que para mim é: uma das mais belas composições de Dylan. E bem simples.

Essa música foi gravada em finais de 1974 em Nova York e tal como outras do disco, foi regravada semanas depois, em Minneapolis a conselho do irmão de Dylan, David Zimmerman, porque o disco não parecia ser "comercial".

Assim, a versão que se conhece oficialmente e que ouvi em 1975 é diferente da produzida inicialmente. Já ouvi outras dessas canções do disco original, com a gravação primitiva e considero que num caso ou noutro, a primitiva seria melhor ( por exemplo, Idiot wind).

Porém, esta versão que saiu oficialmente, de Lily Rosemary and the jack of hears nunca poderia ser melhor, para mim, porque adquiriu uma tonalidade que é inseparável do tema, do ritmo, da instrumentação utilizada, da produção do disco e da letra em si.

É esta a beleza da música: contextualiza sentimentos e condiciona sensibilidades artísticas.

zazie disse...

Então estamos de acordo
ehehe

E eu sou dura de orelha. Não tenho mesmo nada grande ouvido musical e admiro quem o tem. E nem sou nada especialista em poesia.

Mas há coisas que entram directamente. E estas sempre entraram e não consigo é entender como se pode chamar a isto coisa menor.

Ou é preconceito ou desconhecimento ou falta de gosto.

Ricciardi disse...

Margaret Thatcher believed that direct taxes, especially progressive direct taxes like the income tax, reduced the incentive to work. One of her key objectives as the prime minister was to cut direct taxes, especially the income tax.
She did not have the same attitude towards indirect taxation"
.
Thatcher, a dama de ferro, ex-líder dos conservadores e governante da Inglaterra, defendia a diminuição dos impostos directos e o aumento dos impostos indirectos.
.
Em Portugal, o partido mais próximo dos conservadores ingleses é o psd. O ps o partido mais próximo dos trabalhistas ingleses.
.
Pois bem, com o advento do coelhismo no controlo do psd, que transformou um grande partido num ensaio clinico do doutor Frankenstein, este partido passou a defender aquilo que as esquerdas defendiam. Taxar os ricos com sobretaxas, aumentar os impostos directos.
.
Em contrapartida o ps passou a defender o contrário daquilo que as esquerdas defendiam no que a impostos diz respeito. Aumento dos impostos indirectos e diminuição dos directos.
.
Sendo assim, o ps transformou-se no psd e este no ps.
.
Até ver. Estou convencido que a morte política do nosso doutor Frankenstein fará com que as ideias voltem a ser o que eram. Já é tarde, mas não perco a esperança.
.
Rb

joserui disse...

Zazie, não desfazendo (mais), parece-me perigosamente poesia a metro… E não sou só eu que entro em contradição: o Nobel se não tem valor, é indiferente se foi para o baladeiro anasalado. Os que dizem que está bem atribuído é porque também reconhecem que tem algum significado. De facto não vou mudar de opinião: é uma habilidade. Sendo o Nobel o que é, eu preferia mais estrito… o cinema tem os seus prémios, a banda desenhada tem os seus prémios, outras manifestações literárias têm os seus prémios… a música tem os seus prémios (se são só showbiz, azar). Quem escreve para cinema, tv, bd, pode almejar ao Nobel da literatura? Para mim faz pouco sentido.
De qualquer modo, fui e sou sensível aos seus argumentos da poesia cantada e tudo o mais.
Já faltou mais para o prémio príncipe das astúrias ir para o Julio Iglesias… -- JRF

zazie disse...

Acha que é poesia a metro?

Eu não acho. Mas pronto, são gostos. Penso que se aguenta autonomamente para além da música e tem imagens bem curiosas, mistura estilos e até faz pequenos contos e sempre de forma elíptica. Não é nem básica nem coisa extremamente intelectual.

Quanto ao resto, é lá com o Nobel e com as categorias daquilo e essa parte nem me interessa. Apenas não consigo alinhar na caricatura do perigo de ser um panfletário ou de a literatura séria ter de ser pura e sem misturas de mais nada.

Os desgraçados dos japoneses tinham de ser banidos da tradição poética acompanhada de desenhos e rimas.

Quanto ao resto, de acordo- prémio de canção popular, só que isso já existe e a querela prende-se com a poesia deixar ou não deixar de o ser por ser musicada.

Por aí não abro mão do que penso e basta conhecer-se o Cocanha para se perceber que eu sempre me interessei por essas misturas entre erudito e popular ou o sagrado e o profano, o sério e o jocoso e, por algum motivo, pesquisei e estudei marginalia medieval.

zazie disse...

Não abro mão no sentido de não conseguir contradizer-me.

E sei que para muita gente "mais séria" esse gosto por marginalia é visto com olhar de desconfiança.

Ou o inverso- esta malta mais nova com cabeça feita por outras andanças de outras margens que se tornaram lei, também me confunde.

Percebi isso uma vez que recebi um convite para fazer umas comunicações num qualquer festival ou lá o que era de "queer".

Até me ia dando uma coizinha má. E nem sabia como explicar que não tem nada a ver. Mas enfim... acho que o David Lynch também deve ter problemas por ser um conservador com gostos artísticos mais estranhos

eeheehe

zazie disse...

Mas não sou mesmo expert literária. Sei reconhecer isso. Se fosse questão de artes plásticas ou cinema estava à vontade para avaliar sem medo.

Reconheço as minhas limitações, ainda que tenha suficiente confiança que também é muito difícil (se é que não mesmo impossível) eu correr o risco de gostar do que é fatela.

Pode é acontecer não aderir a mais rebuscado. Por exemplo- o Herberto Helder. Acho que não me diz nada. Deve ser problema meu. Mas pego no Teixeira de Pascoaes e diz-me tudo.

zazie disse...

E olhe, para fechar- penso mesmo que a mania do purismo artístico e das categorias estanques tem algo de moralista que sempre existiu.

Dou-lhe um exemplo- o S. Bernardo condenava a música meramente instrumental, sem ser acompanhada de salmos, porque tinha uma bruta sensibilidade artística e achava que por aí os monges podiam deleitar-se esteticamente e cair num pecado hedonista profano.

Muito mais tarde o Hegel vai dizer o mesmo de outra maneira- ao explicar que quanto mais abstracto mais estético.

E tudo o que esteve ligado a grotesco, a decorativo de margem foi sempre condenado pelo mesmo motivo- por ser um acessório com o perigo de poder contaminar o superior mais puro.

E v. nem imagina o que em termos de arte sacra acabou por ser destruído à conta disto. Nos restauros do século XIX até citavam o S. Bernardo para não perderem tempo com essas tretas.

E eu estudei-as. E penso que elas conseguem ser uma espécie de monumental depósito de antiquíssimas tradições. E acho deliciosa a busca desses fios e desses percursos.

O Dylan consegue fazer isso. Vai a tudo e mais alguma coisa com raízes perfeitamente inesperadas. Da Bíblia aos nursery rymes. E a transmissão musical é simples mas estão lá sedimentações e sedimentações de muito mais.

Ora eu sempre achei que o mais difícil em arte é conseguir fazer passar por emoção ou sensação directa as coisas e elas até nem serem tão simples quanto as sentimos.

zazie disse...

Já agora em relação ao timbre que parece ser o ponto chave para quem não gosta como cantor.

Acho curioso porque numa voz feminina, sim, prefiro o mais feminino possível e até me incomodam vozes muito poderosas mas demasiado graves.

Numa voz masculina, todo o "erro" sempre me pareceu um acréscimo característico e que dá personalidade. O Dylan nos tempos áureos tinha boa voz. Depois perdeu-a. E o "fanhoso" era mais um "erro" que acrescenta e não o inverso.

Em matéria de vozes masculinas, mesmo sem serem cantadas, até fiz uma vez um concurso no Cocanha e garanto-lhe que é no timbre que para mim está tudo. E isso nunca é o "perfeitinho".

zazie disse...

Ainda me estou a rir por causa de uma coisa que agora li.

Aqui na blogo tem sido engraçado acompanhar as reacções ao prémio literário. Acho que se resumem no problema da voz roufenha ou na gaita.

C'a gaita esta que com tanta leitura ainda ninguém entrou no pequeno acessório poético

":O)))))))))))

zazie disse...

Mais longe que isto só li que é grande ou que é curta.

(a poética; não a gaita)

":OP

Maria disse...

O José tem razão quanto ao Fausto. Esquei-me dele. As suas primeiras interpretações, músicas e letras, foram de facto quase geniais. Ouvi-las era um prazer. Depois..., bem depois esteve muito empo afastado destas lides e quando regressou apareceu a cantar umas coisitas mas sem voz, longe portanto das que fizeram sucesso. Uma pena.

A Zazie reproduziu um poema de Dylan (refiro-me ao primeiro, o segundo li em diagonal por falta de tempo, mas creio não ter o mesmo valor, porém, como digo, não o li ainda com a devida atenção) que adaptou a canção, de facto considero muito bonito. O meu problema com este cantor e outros do tempo dele e com as mesmas características musicais, é que vivi num ambiente em que a música que se ouvia em casa tinha outros contornos, origens e interpretes. O nosso Pai ouvia óperas, os meus irmãos era rock (e não durante muito tempo pouco, porque o Pai não queria grandes distracções por causa dos estudos) e eu era mais, além de algum rock, pràticamente só os primitivos de Bill Hayley (sobretudo o rock-araund-the-clock, o primeiro disco dele, que achava fantástico e dancei-o com os meus irmãos em festas de famílias amigas dezenas de vezes, mas este durou pouco tempo porque foi afastado pelas críticas acerbas e consecutivas feitas pelas ligas de decência que achavam aqueles rítmos obscenos..., foi sendo afastado dos concertos e abandonado pelas discográficas, morrendo novo e pobre - com o Elvis com os seus ademanes provocatórios passou-se o mesmo, mas vá lá, este sobreviveu); o frenético Jerry Lee Lewis, os seus discos passavam raramente discos deste no rádio, desapareceu cedo principalmente pelo escândalo que provocou em toda a América por ter casado com uma sobrinha de apenas quatorze anos!; também achava graça aos Beatles quando começaram a interpretar canções cujas letras e músicas ficavam no ouvido e poucos mais. Eu era mais adepta de canções românticas e dos cantores norte-americanos mais famosos que fizeram história pelos inúmeros best-sellers vendidos aos milhões cujas interpretações eu achava de sonho. E inúmeras árias interpretadas por tenores cuja amplitude de voz absolutamente fenomenal e dicção perfeita eu apreciava particularmente. Não me lembro de se ouvir lá em casa através do rádio o Dylan e outros cantores idênticos da sua geração, eis o motivo pelo qual nunca lhe prestei grande atenção nem então nem depois.

O José diz mais acima qualquer coisa que considero de primordial importância no que se refere aos defeitos de que a esquerda comunista padece (e eu acrescentaria a socialista, moderada ou não) desde que existe como ideologia. Os seus dois ou três comentários sobre este defeito incontornável que afecta de um modo trágico todos os partidos comunistas dada a fortíssima influência que mantêm sobre os povos dos países que dominam, são essencialmente dois e os mais perigosos e o José, nos seus vários comentários mais acima, ao mencioná-los, indentificando-os de um modo preciso e correcto, acertou no alvo. São eles, a mentira e a inveja.
(cont.)

Maria disse...

Os comunistas e socialistas de esquerda (e até da moderada) são criaturas que se valem da mentira permanente para vingar como ideologia e talvez pior do que tudo são sobretudo personagens extremamente invejosas. E quando diz que eles têm inveja dos ricos - e é a verdade pura como pode ser comprovada desde que eles existem como ideologia - basta ver como eles agem nos países em que tenham acesso ao poder ou, se não, que exerçam forte influência no poder através dos regimes que o permitam, fingindo falsa e hipòcritamente serem os verdadeiros defensores dos pobres e desvalidos (como o José frisou e bem), para com este estratagema diabólico conseguirem atraír as massas ignaras e com a persistência que lhes é característica e da qual nunca abedicam, de facto conseguem-no. Eles combatem sistemàticamente os ricos dos países cujo poder querem conquistar (e fazem-no furiosamente enquanto permanecerem na cladestinidade) e quando finalmente os regimes permitem a sua legalização é quando se preparam para afincadamente apoderarem-se de todos os seus bens desesperada e longamente cobiçados - propriedades, fortunas e tudo o mais que tiver valor - para delas viverem que nem sobas..., enquanto lhes for permitido, é claro. E aqui há uma particulariedade comum a quase todos eles e que não é de somenos, porque além de mentirosos compulsivos e doentiamente invejosos, são quase todos judeus ou seus descendentes próximos. Lembremos que os principais mentores da revolução russa e os seus posteriores dirigentes máximos e colaboradores próximos, que por lá se mantiverem até à sua morte, eram quase todos judeus ou deles descendentes. A excepção foi Gorbachov e a mulher que se afirmaram cristãos e que haviam sido baptizados. (Curiosamente o mesmo acontece com Putin). Terá sido por isso que Gorbachov foi afastado do poder? Quase de certeza que foi, embora a perestroika e a glasnost tenham contribuído e muito..., é que com uma cajadada mantam-se dois coelhos. Os judeus têm um ódio de morte aos cristãos e particularmente aos católicos e deles uma inveja desmedida. Não esquecer que na Rússia, para poderem apossar-se das riquezas incomensuráveis, dos palácios fabulosos e das imensas fortunas dos ricos, dos nobres e sobretudo da realeza, para se assegurarem que seriam bem sucdidos mandaram assassinar toda a família real e muitos nobres. O mesmo se passou com outras monarquias europeias, antes e depois da russa, pela especial malvadez com que se vingam dos que invejam (a vingança, consequência directa da inveja, é o terceiro defeito desta gente desnaturada e sem dúvida o pior deles pelas autênticas barbaridades que são capazes de cometer para satisfazer os seus malígnos instintos), tendo sucedido o mesmo com membros das respectivas famílias. É bom lembrar o ódio e a inveja que os comunistas e socialistas professam aos ricos e poderosos e isto desde sempre, tendo este ódio atingido o seu ponto máximo em crueldade desmedida durante a revolução francesa, culminando nos milhões de inocentes pró-regime bàrbaramente assassinados. E a prova iniludível da extrema maldade e da índole perversa de que as esquerdas comunistas são possuídas, está patente no ódio visceral que sempre devotaram e continuam a devotar aos ricos e poderosos e em especial às monarquias, aos nobres e muito particularmente aos monarcas. Este ódio satânico esteve patente sem a menor sombra de dúvida na horrenda decapitação dos infelizes Luís XVI e Maria Antonieta.
(cont.)

Maria disse...

Conclusão)

Não estou a exagerar quanto à malignidade dos judeus. Não de todos evidentemente. Repare-se nas raízes genéticas de pràticamente todos os dirigentes das democracias europeias e dos restantes membros que as integram. Atente-se ainda na origem genética de quase todos os militantes dos partidos comunistas e extremo-esquerdistas e também de muitos socialistas que fingem sê-lo quando a verdade verdadinha é que a ideologia comunista que começaram por professar na juventude, nunca deixando de o fazer, desmente-os mais que não seja pelas medidas comunistas que, disfarçadamente, tomam quando chegam ao poder. E são-no òbviamente também Portugal onde alguns dos militantes, simpatizantes - esquivam-se de o confessar os políticos no activo com a mesma origem - têm ao menos a frontalidade de afirmar terem ascendência judaica. Aqueles muitos que a possuem (cá e nas demais democracias onde eles peroram) tendo porém receio de o confessar por cobardia ou medo do que lhes possa vir a suceder caso os regimes mudem, não necessitam de o fazer, basta observar o paleio esquerdista que nunca abandonam nem a revolucionarite crónica que conservam desde os primórdios do seu combate permanente aos ricos, bem como o ódio com que falam dos "ricos" e como os desprezam. Mas também e principalmente pelos traços fisionómicos raramente ausentes, quando não pelos apelidos familiares e que em qualquer dos casos não deixam mentir.

Ainda outra coisa curiosa, sobre outro tema, que me fez reflectir. As palavras não serão exactamente estas, cito de memória. O José afirma que as letras e músicas que Zeca Afonso compôs e interpretou foram influenciadas pelo que, nesse campo, acontecia em França nos anos cinquenta. Tem piada, eu sempre o imaginei original e único na peculiar veia artística e sempre pensei que a inventividade e originalidade demonstradas nas músicas e letras das canções que compôs e interpretou, eram de sua inteira autoria, sem ter recebido influências exteriores de qualquer espécie... Mas é claro que o José percebe destas coisas melhor do que ninguém e nesta matéria está na posse de imensa documentação musical de diversa origem que sem dúvida o atesta. A criatividade, diversidade e indiscutível talento que, no seu campo artístico específico, sem dúvida Zeca Afonso possuía, levaram-me a apreciar q.b. três ou quatro das suas primeiras canções gravadas e publicadas. E quando as passam nas televisões agrada-me escutá-las.

josé disse...

"O José afirma que as letras e músicas que Zeca Afonso compôs e interpretou foram influenciadas pelo que, nesse campo, acontecia em França nos anos cinquenta."

Não foi isso. O que referi da conversa com o José Afonso é que o mesmo não tinha interesse na música rock que se fazia no final dos anos setenta porque tinha vivido o rock inicial dos cinquenta. Só isso.

O José Afonso para mim vale mais que o Dylan. Em letras e música...

josé disse...

Experimente ouvir a "Mulher da Erva" ou "Os índios da meia praia" ou mesmo todo o disco Venham mais cinco. Despojando-o de toda a carga ideológica que contém e que Dylan nunca caiu verdadeiramente na tentação de seguir a não ser em meia dúzia de canções como Hurricane ou George Jackson. Curiosamente tudo letras em prol dos então chamados "direitos cívicos" e naturalmente esquerdistas.

josé disse...

Bem...retiro o que disse, no calor do patrioteirismo.

José Afonso nunca fez um Blonde on Blonde ou um Blood on the tracks.

O que aprecio no José Afonso é a voz, as letras buriladas num português que acho notável e a merecer um prémio e a música em muitas canções que é fantástica.

O Fausto desde cedo que cantava o comunismo. O primeiro disco dele, de 1969, salvo o erro e que está esgotadíssimo ( vende-se a 800 euros...) que contém Ó pastor que choras já o prenunciava. Tenho um single desse Lp precisamente o que contém essa canção e considero uma das melhores composições da música popular portuguesa.
Porém, a partir de 1974 com o disco Pró que der e vier tudo descamba no extremismo comunista mais típico, com letras panfletárias insuportáveis.

Tenho os discos (lp´s e cd´s) do Fausto porque gosto das músicas e também das letras que são comunistas mas fazem parelha com a música do mesmo modo que as letras de Dylan com a sua música.

josé disse...

A música francesa dos sessenta e setenta merecia um tratado. Tenho os discos dos autores principais ( excepto Leo Ferré, curiosamente e não sei porquê uma vez que era um dos cantores mais passados na transição 1973-75.

muja disse...

Só agora vi a mensagem no atendedor.

Não sei a que propósito sou chamado ao barulho. Eu não critiquei, que me lembre, a poesia dele.... Acho que até disse que apreciava algumas canções. Mas também sou como o JRF, há interpretações por outros artistas que gosto mais.

Acho que também disse que não era coisa que me despertasse grande interesse. E não desperta. Ao contrário, por exemplo, de Simon & Garfunkel.

Mas nisto cada vez mais estou como o José Afonso o verdadeiro: o estilo pedra cada vez me interessa menos. E, por outro lado, a música popular, folclórica e tradicional, mas não só, me interessa mais.

E só há relativamente pouco tempo percebi porquê. Gosto muito de ouvir falar outras línguas e estou fartinho de inglês, particularmente o gringo. Esse tipo de música dá-me essa oportunidade.

E, no caso da folclórica, aprecio muito a impressão - real ou imaginada - que me dá das gentes respectivas.

Por acaso até gostava que o José se dedicasse a esses artistas franceses (e italianos) desses tempos. Do já ouvi e vou ouvindo gosto muito. E o estilo de música até pode semelhante e muitas vezes imitação directa do americano.

muja disse...

Quanto à questão política, continuo a achar que isto foi cenisse de jarretas saudosos desses tempos e que sentem que estão prestes a ser submergidos pela torrente de porcaria que abriram. Tentaram preservar um símbolo. Em vão, na minha opinião...

Além disso, nas mais das vezes eram e são os artistas que associam um significado político. Ora, se eles o fazem porque não hei-de eu fazê-lo?

Acontece-me com os cantores da palidez portugueses. Não duvido nem contesto que a música é boa e os artistas tinham talento, e até tenho paciência para algumas coisas, mas não consigo abstrair-me da questão política. E nem eles conseguiram, desde logo. E, portanto, não me apetece aturá-los.

Se calhar sou eu que perco, dirão. Mas ao contrário desses tempos, felizmente, hoje em dia não é escasso o acesso à música de todos os tempos e feitios.

Maria disse...

"... José Afonso é que o mesmo não tinha interesse na música rock que se fazia no final dos anos setenta porque tinha vivido o rock inicial dos cinquenta." (José)

Não posso estar mais de acordo com esta opinião que o cantor teceu nessa altura. De facto os rocks que começaram a aparecer pelos setentas e oitentas, na minha opinião pessoal e salvo as raras excepções que confirmam a regra, eram cópias adulteradas do que havia sido feito nesse outro tempo. Mas isto sou eu a falar que por motivos diversos adquiri outros gostos musicais. É bom lembrar que o ambiente em que se cresce e se é educado contribui e de que maneira para os gostos musicais que se vão adquirindo e que ficam para a vida.

A propósito do horror que adveio com o despoletar da música punk e heavy metal que eu sempre detestei e depois passei a odiar. Pouco depois do 25 de Abril, creio que foi logo a seguir, como aliás era de prever com a tomada do poder pelas as esquerdas comunista, socialista e extremistas, facto que só muito mais tarde fiz a devida associação entre uma coisa e outra. Nessa altura abria-se a RTP e durante toda a tarde, TODA!, tudo o que a televisão passava era música punk e heavy metal, tinham-se acabado os agradáveis programas musicais, o teatro, as entrevistas e programas literários e documentários históricos. Um verdadeiro horror o que começou a ser a programação da RTP. O som daquela 'música' e os berros dos 'cantores' tornavam-se simplesmente insuportáveis, o barulho ensurdecedor furava os tímpanos, tudo aquilo era um autêntico pavor. É claro que fechava a televisão pouco depois de a abrir. Quando ao fim da tarde voltava a ligá-la, pensando ingènuamente ter terminado aquele pesadelo..., qual quê!, estava tudo como no início da tarde e aquele verdadeiro inferno perdurava, só vindo a ser interrompido pelo telejornal, que para mal dos nossos pecados era total e exclusivamente preenchido pelos comunas de serviço. E esta inversão de valores durou meses a fio, não sei quantos porque me recusava a abrir a televisão excepto para ouvir as notícias. O que é que originou esta lavagem ao cérebro dos portugueses em geral e da juventude em particular? Pois claro que foi o que estava na agenda para Portugal pela esquerda comunista e socialista ou seja, alterar por completo a ordem estabelecida, desvirtuar a moral pública, acabar com a autoridade, desrespeitar a família e os mais velhos, etc. Numa palavra, a harmonia familiar, a alegria dos portugueses, o seu bem-estar e a paz social que se vivia em Portugal foi-se esvaíndo à velocidade da luz. E nisto ficámos até ao presente. Afinal de contas era exactamene este estado de coisas que as esquerdas comunista e socialista tinham em mente quando, contra a vontade da maioria do povo, tomaram d'assalto o poder em Portugal.

"A música francesa dos sessenta e setenta merecia um tratado." (José)

Concordo em absoluto com esta sua afirmação. A música francesa desses anos era outra loiça. Tomara que os cantautores portugueses das décadas seguintes tivessem seguido essa linha poética e musical, teriam feito muito melhor figura.


"Acontece-me com os cantores da palidez portugueses. Não duvido nem contesto que a música é boa e os artistas tinham talento, e até tenho paciência para algumas coisas, mas não consigo abstrair-me da questão política. E nem eles conseguiram, desde logo. E, portanto, não me apetece aturá-los." (Muja)

"... Mas ao contrário desses tempos, felizmente, hoje em dia não é escasso o acesso à música de todos os tempos e feitios." (Muja)

No alvo, Muja. A sua frase "... não me apetece aturá-los" é sem tirar nem pôr o que eu penso das canções dos baladeiros contestatários e revolucionários comunistas e, com raríssimas excepções, para mim não prestam. Eu não podia ter dito o mesmo de melhor forma. Mais escrevera e mais acertara.

Pedro disse...

Tanta azia por a esquerda ter orgulho naquilo que é. De facto a direita tem vergonha de o ser. Porque será ? Consciência pesada ? Sabem ao que vão e ficam com medo que as pessoas o descubram ?

josé disse...

Não é bem isso...é que não percebo o motivo do orgulho. Não deviam ter nenhum.

Mas para explicar tenho este blog.

josé disse...

Aliás...a tal direita vai ao quê? Será vergonhoso ter esperança no que é natural e tradicional?