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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A escolha de elites

A revista Sábado na edição de hoje traz a história pessoal, resumida, da vida de António Domingues, o gestor bancário nomeado pelo Governo para administrar a CGD e de caminho tirá-la do imbroglio em que a meteram alguns génios anteriores, como Santos Ferreira e A.Vara sob os auspícios do patético José Sócrates.

O gestor de 59 anos saiu de Sabadim,  em Arcos de Valedevez com a fama de ser muito bom a fazer contas. Na Primária da aldeia era o melhor e foi educado pelo avô que tinha uma máxima vulgar na altura dos anos cinquenta: só se deve comprar um fato quando se tem dinheiro para três. Salazar, tal como milhares de portugueses nessa época, pensariam o mesmo, provavelmente,

Domingues estudou Economia no ISEG porque era muito bom em Matemática e acabou com 16, nota de mérito para aceder a altos voos na banca. Antes aprendeu a fazer a contabilidade pelo POC e ascendeu a lugares na banca pública e até em Macau o que é de desconfiar.

Na altura das privatizações, no dealbar  dos anos noventa, a seguir ao desastre das nacionalizações, integrou quadros dirigentes de gestores privados no BPA e depois no BPI, em 1989.

Agora aparece na CGD nomeado por este governo sob a influência de um Mário Centeno cujo perfil não deve andar longe daquele.

O interessante no pequeno ensaio biográfico da Sábado é ficarmos a saber que integrou o MRPP de Saldanha Sanches e Maria José Morgado ( e José Manuel Durão Barroso, já agora), logo em 1973, tendo sido preso por isso.



Espanta sempre um pouco saber que pessoas que se afiguram inteligentes ao ponto de serem muito boas a fazer contas,  tenham sido adeptas de ideologia macabra e como reconheceu o próprio Saldanha Sanches algo surrealista e infantil.

Não é pela idade, certamente. Aos 18 anos deveria já ter juízo suficiente para entender o logro. Nunca percebi muito bem porque razão estas pessoas, com inteligência qb caem nessa armadilha ideológica aparentemente fácil de perceber e desmontar e muito mais para quem sabe fazer contas.

 Será que essas pessoas entenderam verdadeiramente o maoismo e o que seria o seu resultado com a aplicação prática em Portugal?

Outro fenómeno vindo da mesma cepa é o advogado Vasco Vieira de Almeida. Igualmente pescado pelo "mercado" ainda estudante em virtude de méritos escolares, integrou também a banca, privada.
Em 1971 era administrador também do Banco Português do Atlântico. Em 1974 era ministro e depois embaixador.
Agora é advogado de uma das poucas sociedades que o Estado parcialmente também sustenta com pareceres avulsos, a eito . 
A história deste está aqui mas era notícia na Vida Mundial de 14.5.1971.

A escolha destas pessoas, essencialmente técnicos e sabedores de matérias específicas que lidam com dinheiros, bancos ou leis obedece a critérios de selecção supostamente rigorosos. Necessariamente assentes numa putativa competência para  lidar e resolver problemas específicos de natureza técnica. Mas igualmente política  porque estas pessoas estão de algum modo ligadas ao poder político por amizades ou afinidades.
Foi assim com o tal Vasco Vieira de Almeida e é assim com este Domingues.

Em 13.11.1970 a mesma revista Vida Mundial publicou uma lista, numa única página, de todos os ministros que exerceram funções desde 1926 até essa altura. Portanto estão aqui todos os ministros que Salazar e Marcello Caetano escolheram, até essa data.

Vale a pena ler e quem conhecer comparar com o que se passa hoje e nestas últimas 4 décadas de democracia...sensivelmente o mesmo espaço temporal. Portanto, pode comparar-se e ver qual regime privilegiava mais a competência efectiva e a qualidade intrínseca dos seus governantes...



6 comentários:

foca disse...

Salta à vista que o artigo é encomendado, para dar uma aura de brilhante ao individuo.
No BPI quem com ele lidou diz que é petulante, arrogante, e que liga muito mais à marca dos fatos que à inteligência e competência dos outros.
Um pavão para ser mais direto.

josé disse...

Ai sim? Então merece que o f. bem.

Dudu disse...

Pela maneira como se atirou ao Passos Coelho sobre a reestruturação da Caixa, tem muito a ver com a família do governo.
O BPI de Santos Silva sempre andou de mão dada com a família socialista.

joserui disse...

MRPP? Chocante! Essa trupe está toda bem na vida… não ficaram burgueses, andam a minar o sistema por dentro… a revolução e o amanhã a cantar não devem tardar. -- JRF

Floribundus disse...

os ca+italistas que conheci antes do 25.iv todos tinham gente da esquerda eoagavam o ordenado quando eram presos

depois foi o que se sabem.
fugiram com as calças na mão depois da
nacionalização dos bens

ser de esquerda estava e está na moda

o sistema está largamente infiltrado e agora definitivamente

resta-nos mandar para a pildra o fugitivo dos 39 dias
os 'caberças raradas'
e uns quantos pilha-galinha

a rede só apanha peixe-miúdo

'quem é grande tem sempre razão'

a Europa está mal
e isto é uma 'trampa'

ainda vai haver mais

muja disse...

É um fenómeno curioso.

E aqui há tempos deixei uma pergunta que volto a repetir:

Quantos dos da direita recauchutada (e.g. JPP, JMF, HM, VPV, etc) vêm do PC?

A minha impressão é que a maioria vem da doença infantil. Os do PC ou continuam ou, quanto muito, recauchutam-se para o PS. Isto não me parece ser um fenómeno português.

Em França ou nos EUA parece-me acontecer algo semelhante.

O que significa não sei, mas acho que significa alguma coisa.