Páginas

domingo, 30 de outubro de 2016

Las canciones dell´arcobaleno

Para escrever sobre música espanhola e italiana dos anos sessenta e setenta do século passado é preciso voltar atrás muito tempo.
No Portugal desse tempo e também nesses países a música popular que se produzia, ouvia e vendia era mais cosmopolita e eclética, porque não havia domínio quase absoluto, como hoje, da sonoridade produzida em estúdios anglo-saxónicos. Felizmente tal situação poderá desaparecer com a relativa facilidade em produzir música, actualmente e dá-la a conhecer via internet.

Nesse tempo, os espanhóis e italianos tinham os seus cantores que por cá se ouviam com muito proveito.
No final da década de sessenta alguns nomes mais conhecidos eram divulgados nos rádios, em discos pequenos e tinham êxitos ocasionais.

Para além do grupo alargado dos cançonetistas que emparelhavam por cá com as doses diárias de Roberto Carlos ou Maria da Fé e António Calvário e que davam por nomes como Los Bravos , Massiel ou Janette, ou cantavam La La La ou Un rayo de sol, havia outros que se ouviam doutro modo.

O Pop, em Portugal do inicio dos anos setenta era mais ou menos assim, como escrevia José Cid na Mundo da Canção nº 13 de Dezembro de 1970:


Em Espanha não era muito diferente. Entre os espanhóis,  o tempo de Júlio Iglesias ainda não chegara com o Canto a Galicia, só aparecido em 1972 ( Mundo da Canção, Março de 1972).


Mas chegara o de um desconhecido Joaquin Diaz, cujas canções ainda hoje se ouvem com muito proveito. o You Tube mostra tudo. A imagem é de Dezembro de 1969


Outra figura da cantoria espanhola "de qualidade" era Joan Manuel Serrat cujo disco de 1971, Mediterraneo é um clássico, particularmente a cançoneta ( Nena) Que va a ser de ti...( lejos de casa)



Serrat era um cantor preferido da esquerda portuguesa que escrevia no Mundo da Canção. Talvez seja o autor espanhol que mais letras teve nesses anos de transição dos sessenta para os setenta.





Outro era Patxi Andión que até teve capa na edição de Abril de 1970:


E também Paco Ibañez, em Janeiro de 1970:


Ou Manolo Diaz e os Aguaviva, grupo vocal de grande categoria e que se poderia inserir na corrente folk progressista ( musicalmente). Os Aguaviva têm dois discos fundamentais da música popular espanhola, para além do primeiro: Poetas andaluces de ahora 8 1975) e Apocalipsis ( 1970):

Aqui uma reportagem de Outubro de 1970:


Para além desses, em 1970, Waldo de los Rios apresentou uma parte coral da 9ª Sinfonia de Beethoven, a Ode à Alegria em tom festivaleiro que fez um grande sucesso. Reincidiu depois com parte da sinfonia nº 40 de Mozart, na mesma tonalidade ligeira. Se há música que me lembre essa época com todos os toques de nostalgia é esta:



Ainda se ouvia o grupo Mocedades com o inolvidável Eres tu, em 1973. E pouco mais. Havia um grupo C.R.A.G. que julgo não se ouvia por cá, mas devia porque tem um tema, de 1974 que é de antologia:

Solo pienso em ti, romântica até mais não se poder ouvir ( e nos anos oitenta, ouvi vezes sem conta...):



Da Itália, muito para além das Gigliola Cinqueti  vinham Sergio Endrigo, da casa que não tinha tecto nem tinha nada ou seobre a Arca de Noé, muito ouvida e já um clássico e Claudio Villa com uma canção à la crooner, sobre Il tuo Mondo. Tudo em 1970




Porém, o grande contributo da música italiana para o panorama português que o escutava nessa época reside noutro tipo de música que emparelha plenamente e por vezes com vantagem sobre os progs ingleses da época.

Alguns grupos aparecidos na primeira metade dos anos setenta são simplesmente fabulosos.

Arti+Mestieri, com discos como Un Giro di valzer per domani, de 1976, um dos melhores desse ano em toda a música popular.
Area e os discos Crac, de 1975 ou Arbeit Macht Frei, de 1973 ou Maledetti de 1976.
Premiata Forneria Marconi, com os discos Storia di un minuto de 1972 ou Photos of ghosts que contém o hit de 1973 Celebration que passava por cá no rádio e até servia de indicativo a programas:



E por fim Eugenio Finardi que em 1976 publicou o disco Sugo que contém a cançoneta La Radio que ouvi inúmeras vezes e tenho o disco em versão original italiana e nacional.




Os funcionários públicos e o tempo que gastam a escrever em blogs...



Rui Pereira, agora komentador de serviço permanente na CMTV, em horário nocturno, aliás com grande mérito porque sabe do que fala, teceu ontem um comentário fugidio acerca dos bloggers e do tempo que gastam na ocupação.
O tema  do assunto era o famigerado Abrantes que Rui Pereira conhece sob o apelido de Peixoto, com quem falou algumas vezes, quando o mesmo seria assessor algures num ministério do tempo do primeiro governo de Sócrates. Aí, por 2006-2007, referiu Rui Pereira, quando andava em trabalhos preparatórios para a revisão das leis penais que saíram depois, em consequência directa do terramoto do caso Casa Pia.
Como se sabe, Rui Pereira foi um dos artífices silenciosos da manobra  engendrada para prevenir ocorrências futuras com tão elevado grau de magnitude política. Uma das medidas avulsas consistiu em proteger o primeiro-ministro de escutas espúrias por polícias a mando do MºPº e JIC de primeira instância. Ficou tudo entregue aos cuidados do STJ que é pessoa colectiva de bem e distinta dos flibusteiros  que não respeitam nada nem ninguém. Enfim, adiante.
O comentário em causa referiu-se com a brevidade suficiente e a imponderação necessária ao tempo que as pessoas que escrevem em blogs gastam nessa tarefa.
Subliminarmente entende-se que quem trabalha, mormente os funcionários públicos não devem ocupar o seu tempo de trabalho a escrever nessa coisa que como dizia o saudoso Pinto Monteiro…”é uma vergonha”. Nada que se pareça com almoços regulares com advogados de prestígio que defendem entalados de  prestígio ainda mais relevante e que o MºPº anda a investigar. Ou outras ocupações mais dignas que essa e teria uma miríade de exemplos que me escuso a elencar.  Enfim, outra vez e já são duas.
É recorrente ouvir essa farpa agarrada a súbita  incompreensão de quem não escreve e apenas lê,  para quem escreve e ocupa tempo precioso a fazê-lo na tal “vergonha” que é a internet dos blogs e afins. O tempo de leitura é um tempo diverso do da escrita e este é mais pernicioso que aquele destinado ao escrutínio do tempo de quem escreve.

Subentende outra coisa mais propícia à crítica de inspector: o tempo de funcionário público não é para desperdiçar em coisas privadas ou, pior, publicamente inadmissíveis por implicar um roubo de tempo à função e ao múnus. É um peculato mental o que se imputa ao funcionário faltoso. Rouba tempo precioso à função para o gastar em ocupações estranhas e até nocivas à reputação do funcionário ideal, modelo de destino em geringonça afinada.

Rui Pereira não é pessoa destituída e deveria, tal como outros, falar por si. Não seria capaz de escrever com a frequência diária de vários postais, em blogs? E fazê-lo sem ser a horas mortas, de noite ou em noitadas de insónia, e portanto  sem roubar tempo ao horário de trabalho efectivo?  Pois será pena essa confissão de impotência. Poderia sempre experimentar a hora de almoço, depois de uma sandes rápida e ainda a sujar o teclado com molho de tomates.

Quem escreve em blogs fá-lo-á por diversos motivos. Cada um deve outra vez voltar a falar por si. De Rui Pereira sabemos agora que conhecia um dos Abrantes da Câmara Corporativa. Falou com ele meia dúzia de vezes, foi-lhe apresentado por um advogado e trabalhava perto de si, num local conveniente num ministério qualquer da Administração Pública. Nem se lembrava bem do nome ( caramba, 60 anos e já assim?!) e enfim, nem sabia que alguém lhe pagava um ordenado igual ao que auferiria em funções públicas para fazer o trabalho de sabujo habitual. Sobre este desconfio que Rui Pereira sabia porque confessadamente era leitor de blogs, dos tais que o mesmo não compreende como é que os autores arranjam tempo para escrever. No caso, nem era a feijões...mas na maioria é apenas isso. Um hobby como outro qualquer. Há quem prefira outros, como olhar bovinamente para o tempo a passar.
Olhe, Rui Pereira: até aqui demorei meia hora a escrever isto, cronometrado e incluindo o fazer o café para o pequeno almoço.E tomá-lo, quase frio, acompanhando uma maçã quase portadaloja ( royal gala de Alcobaça).
A seguir só me resta dizer o seguinte: os funcionários públicos são em Portugal muitos e muito por causa dos amigos políticos de Rui Pereira. Reduzindo e restringindo aos juristas da função pública, incluindo os magistrados, o seu tempo de trabalho pode ocupar-se de formas diversas.
Alguns nem horário fixo têm porque até trabalham em casa ( magistrados de tribunais superiores por exemplo). Esses gerem o tempo como sabem e podem. Consta que alguns, muito mal.
Os professores universitários da área jurídica também é um pouco assim: fazem do seu tempo o que verdadeiramente querem. E assim estará bem se assim for, sem prejuízo para ninguém. E ainda podem trabalhar em horário nocturno, pago principescamente como tal.
Então para quê chagar subliminarmente pessoas que gerem o seu tempo de modo que sabem e podem, sem prejuízo para o erário público ou a respectiva função?
Depois de passar uma noite a pensar nisto cheguei a uma simples conclusão: pura hipocrisia ou puro despeito. Ou outra ainda, que remete para uma das últimas palavras dos Lusíadas.  Nada recomendável, qualquer uma das opções.
Sete minutos mais foi o tempo que isto durou.
Enfim, pela última vez.

sábado, 29 de outubro de 2016

O espírito de seita de roque e enrola

No lançamento do livro em que José Sócrates figura como único autor estiveram presentes várias individualidades para além da turba arregimentada  conduzida em autocarro, desde Vila Real.

O CM de hoje dá conta em fotos:


Esta galeria de notáveis integra o incontornável fenómeno destas coisas, Proença de Carvalho. Mas já não integra os antigos presidente do STJ Noronha Nascimento e o antigo PGR Pinto Monteiro.Falharam esta, por motivos que só eles saberão...

Integra ainda algumas figuras da política do PS, com destaque para Pedro da Silva Pereira, cujo filho foi para Paris, onde foi ajudado pelo então residente e estudante da Sciences Po. Sérgio Sousa Pinto e Perestrello fazem as figuras tristes que se vêem. Os outros estão lá por que tinham que estar. O resto, não conta, a não ser para dar cor política ao evento.

O que dizem os jornais de hoje sobre o assunto? Para além do CM , o Público é inacreditável na notícia sobre o assunto: passa por cima de toda a polémica para dar atenção ao livro, como se fosse a coisa mais natural. Ai Dinis, Dinis, alguém assim o quis...

O Sol mostra a deputada Isabel Moreira a declarar que pelo que Sócrates já admitiu,  "teve um comportamento éticamente condenável", estribilho habitual de outro comentador de tv chamado Pedro Adão e Silva, inenarrável comentador provindo da madrasse do ISCTE e eivado de um espírito de seita que só se compreende no contexto político de um PS feito para o poder a todo o custo.


Para compreender melhor este espírito de seita e as consequências práticas da escolha de membros efectivos há hoje outra notícia sobre um colaborador do Governo, um chefe de gabinete de ajudante de ministro que  declarou licenciaturas falsas. Outro caso, em menos de uma semana, assim comentado por João Miguel Tavares:


O que espanta nisto tudo é a complacência geral para com estes assuntos que envolvem directamente o PS, o Governo de António Costa e o modus operandi na política habitual desse partido.

Parece que tudo se desculpa em nome da continuidade desta solução governativa. Tal sucedeu com os governos de José Sócrates e os sucessivos escândalos de que foi alvo.
Talvez por isso, o sobressalto ético de uma Isabel Moreira soe a falso também e seja apenas um modo de escolher campo político.

Ao que isto chegou!

Repare-se nesta que foi tirada daqui:



Este novel inenarrável teve a distinta lata de se pronunciar sobre um assunto escandaloso, há mais de três anos, sobre a quantidade de licenciados à pressão nas universidades privadas e agora teve o desplante de colocar no currículo informações falsas sobre a sua não licenciatura.
É amigo do actual ministro da Educação, outro inenarrável que pelos vistos não se demite nem é demitido.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O livro sobre a mentira chamada Carisma.

É apresentado hoje um dos livros mais extraordinários do ano. O autor que figura na capa é José Sócrates. O suposto revisor do texto, um tal Farinho, docente na faculdade de Direito de Lisboa  terá empochado cerca de 60 mil euros pagos à socapa.
O livro parece que trata do carisma enquanto tema politicamente filosófico e o autor que figura na capa diz que estudou tal assunto durante um tempinho, num estágio prisional, depois de uma estadia em Paris, numa universidade em que entrou pela porta do cavalo. Parece que também aí estudou algo sobre Tortura e talvez uma cousa tenha a ver com a outra, embora confessadamente tal estágio tenha sido ainda aproveitado para decoração de interiores e jogging, além do mais que representou uma vidinha boa.

A génese deste novo livro que é acima de tudo o resto, um pretexto para se falar do autor que figura na capa, envolvido em caso criminal de grande monta, seria digna de uma novela de Eco, pelo falso que inspira e pela intrujice que exala do seu contexto.

O Público, sabendo isto tudo ainda escreve esta sem-vergonhice na edição de hoje, dando o devido destaque ao autor que figura na capa, tal como ele pretende e esquecendo completamente o famigerado revisor digno de figurar no Guinness.

O Público continua como era: uma desgraça:




Como aviso, transcreve do texto: "Seja como for, tudo o que é apenas ensaiado e fabricado acaba por soar a falso".
A frase é do autor que figura na capa do livro e faz lembrar um artigo do mesmo Público, de quarta-feira, sobre um estudo da Nature Neuroscience em que se conclui que "o cérebro adpata-se à desonestidade e a mentira cresce. Mentir em benefício próprio vai diminuindo a reacção do nosso cérebro à desonestidade. E, assim, mente-se cada vez mais".

Só por este estranho fenómeno se compreende que quem vá apresentar o livro cuja revisão custou 60 mil euros, seja um tal Sousa Pinto.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Morreu Jaime Fernandes, voz no rádio

Observador:

Morreu esta quinta-feira, aos 69 anos, o antigo locutor de rádio Jaime Fernandes. O histórico da rádio portuguesa ocupava actualmente o lugar de provedor do telespectador da RTP. A informação é avançada pela própria RTP.

Jaime Fernandes era uma das pessoas com quem gostava de ter falado e nunca tive oportunidade de tal. A sua voz barítona de timbre suave encontrava paralelo na voz também extraordinária e felizmente ainda audível ao vivo, de João David Nunes, no rádio e nos anúncios da publicidade.
Nos anos setenta e oitenta era no rádio que se destacavam mais,  em programas como o "Dois pontos" da Rádio Comercial ou do antigo Programa 4 da rádio do Estado.
Esse programa, a par de outros no rádio desse tempo, era também extraordinário por vários motivos: passava discos lp´s inteiros, sem interrupção publicitária ou outra e permitia assim a gravação dos mesmos em cassete, num tempo em que comprar discos era caro e em alguns casos muito difícil porque nem apareciam no mercado português.

Era esse o caso dos discos de música country norte-americana que Jaime Fernandes, particularmente, ajudou a promover nos seus programas de "´Country, a música da América".


Foi com Jaime Fernandes que descobri os melhores discos representativos dessa música, dos melhores autores e fico-lhe agradecido para a vida. Era isto que gostava de lhe ter dito.

 Alguns desses discos estão aqui nesta imagem, comprados posteriormente e com base no gosto que aquele ajudou a formar.

Lembro-me particularmente do disco Will the cirlce be unbroken, de 1972 , dos Nitty Gritty Dirt Band, reunindo os expoentes da música country de então e que passou num dos programas de Jaime Fernandes, Lembro-me ainda do disco de Leo Kottke, Mudlark e também IceWater que contém Pamela Brown.
Um dos temas de Leo Kottke foi aliás indicativo de uma série de programas "Dois Pontos", nos anos oitenta.
Aqui estão discos de Albert Lee ( Hiding), Arlo Guthrie, Gram Parsons ( dos Flying Burrito Brothers) Linda Rondstadt, Leo Kottke, Doobie Brothers, Eagles, Flying Burrito Brothers, Byrds ( Untitled que também ouvi pela primeira vez no programa de Jaime Fernandes), Nitty Gritty Dirt Band ( incluindo o fantástico Dream, de 1975) e Doc Watson de quem tenho vários discos.


 Jaime Fernandes não era apenas especialista em música country mas um connoisseur de toda a boa música de expressão anglo-saxónica.

Foi muito devido a ele que o artista inglês Roy Harper, em 1977 ganhou um prémio da revista Música & Som, para o melhor disco desse ano, Bullinamingvase que escutei vezes sem conta e ainda é dos meus discos preferidos de sempre.
Nesta foto da M&S aparecem, entre outros,  Jaime Fernandes e Roy Harper na edição de entrega do prémio, de Abril de 1978.
Roy Harper era presença frequente com os seus discos dos anos setenta nos programas de Jaime Fernandes ( que gostava particularmente de Stormcock)  e assim se tornou um dos meus músicos preferidos. Aliás, os Led Zeppelin chegaram a tirar-lhe o chapéu numa canção...



Neste artigo aparecido na mesma edição da revista Jaime Fernandes expõe os seus gostos musicais que apresentava depois nos seus programas e foi com ele que conheci estes músicos e discos. 



Bem haja Jaime Fernandes e repouse em paz onde estiver. 

Correio da Manhã de hoje, 28.10.2016, com uma mensagem de João David Nunes, outro senhor da voz:


O Público optou por uma pequena notícia de meia dúzia de linhas sobre o óbito. Todo o destaque noticioso vai para um cirurgião de famosos que se notabilizou no ambiente do sistema lisboeta. Tinha "tradição humanista"...
O Público continua na mesma.

Freitas do Amaral, um bom exemplo de governante português...



Freitas do Amaral, o antigo fundador do CDS "rigorosamente ao centro", está agora no centro do bloquismo centralizado no PS.

Hoje dá uma entrevista ao Público em que se pronuncia sobre José Sócrates e o processo que o envolve. Em resumo, diz que " Caso Sócrates é um mau exemplo da justiça portuguesa".

FA não leu certamente a entrevista recente da PGR espanhola ( A Fiscal General) que assumia abertamente que em Espanha tal caso não poderia ser muito diferente, atenta a complexidade dos assuntos em jogo e a demora no cumprimento de cartas rogatórias a países estrangeiros.
FA, professor de Direito assim não pensará e atirou afoito ao bode expiatório: a Justiça portuguesa, coitada que de tão maltratada por estes figurões parece aquela canção brasileira que fala em "de tanto levar frechada de teu olhar, meu corpo até parece tábua de tiro ao alvo...não tem mais onde furar".

Sobre a sua excelsa prestação governativa como Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do referido Sócrates, entre Março de 2005 e Julho de 2006, Freitas está muito orgulhoso de tal façanha. Até está contente com a Geringonça, imagine-se!

.E contudo se FA tivesse um pouco mais de vergonha que foi perdendo ao longo das décadas, teria reflectido no que disse sobre a Justiça em Portugal.

FA fez parte de um Governo que preparou uma revisão profunda em certos aspectos da lei processual penal que foi aprovada em 2007 e já se gizava quando saiu do Governo de que era ministro de Estado e que certamente acompanhou em conselhos de ministros a exposição dessas matérias.

Entre as modificações operadas em 2007 encontra-se aquela que permitiu a discussão jurídica acerca da competência em analisar escutas telefónicas nas quais intervenha um chefe de governo. Não se conhece o que FA pensava sobre isso e se aprovava a solução proposta.
Também não se conhece nenhum contributo seu, enquanto governante para evitar que a Justiça se tornasse um "mau exemplo", sendo certo que as modificações processuais e não só se operaram no tempo do governo de que fez parte.

É caso para dizer que é preciso ter lata, mas FA tem-na. Foi-a arranjando aos poucos desde que perdeu a presidência da República para Mário Soares, por algumas dezenas de milhar de votos, em 1986.

Desde então nunca mais se recompôs... nem mesmo quando foi para a Assembleia Geral da ONU em 1995 ou quando foi para a presidência da Administração da GALP em 2011.

Freitas do Amaral transformou-se num belíssimo cromo exemplar dos políticos que temos...até nesta maneira de julgar o sistema de Justiça que ajudou a estruturar: nunca é nada com eles, mas com os aplicadores das leis que aqueles  fizeram....

Nova ronda de fretes

 Observador:

A entrevista foi justificada pela TVI com o lançamento do novo livro que tem a assinatura de José Sócrates, intitulado “O Dom Profano – Considerações sobre o Carisma”, e de pouco se falou sobre o processo judicial onde o ex-primeiro-ministro é suspeito dos crimes de corrupção passiva para a ato ilícito, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

O director da TVI Sérgio Figueiredo não tem outro remédio que não aceitar as propostas de entrevista e o mais que adiante se verá...aquando do lançamento do livro. Ao Farinho é que nem vê-lo por perto.

É a vida.

É particularmente confrangedor assistir ao que se passa na TVI, com estes espectáculos avulsos e ocasionais. Qualquer pessoa minimamente inteligente percebe que aquilo se apresenta como irreal, ou seja, que a prestação do entrevistado de ontem não assenta em bases de congruência mental compatível com a realidade visível e perceptível do que já se conhece como facto.
Não acredito um momento sequer que o tal Sérgio Figueiredo ou quem nela manda não pense assim.

A TVI  tem como dona a empresa MediaCapital e o grupo tem como Administradora Delegada (CEO) Rosa Cullell. Os seus accionistas são:
  • Vertix SGPS SA (Grupo Prisa) - 94.69%
  • NCG Banco, S.A. - 5,05%
  • Free float - 0.26%
 A Vertix SGPS, S.A. is a holding company. The company is based in Carnaxide, Portugal. Vertix SGPS, S.A. operates as a subsidiary of Grupo Prisa SA.

 O Grupo PRISA (Promotora de Informaciones, Sociedad Anónima) é o maior conglomerado de mídia espanhol, atua na area de comunicação, educação, cultura e entretenimento. É dirigida por Juan Luis Cebrián e está presente em 22 países da Europa e da América,[2] foi fundado em fevereiro de 1972 pelo empresário espanhol Jesús de Polanco,[3] a seguradora britânica Phoenix Group é o maior acionista da empresa.

É isto, basicamente. Um grupo ideologicamente demarcado e que funciona como uma superestrutura. A gestão de informação do tal Sérgio Figueiredo teve em conta tudo isso, certamente e torna-se relativamente simples perceber o favor ao dito irreal, José Sócrates, atendendo ao passado de governante. Breve: é amigo dele, confessado como tal. Resta saber se lhe deve alguma coisa de importante ou é amizade desinteressada.

A par disso e com uma orientação similar existe em Portugal a GlobalMedia.  Proença de Carvalho manda na GlobalMedia, como interposto dono em nome do verdadeiro.
Quem é quem na GlobalMedia?

Em março de 2014 o capital da Global Media Group passou a distribuir-se pelos empresários António Mosquito (27,5%), Joaquim Oliveira (27,5%) e Luís Montez (15%) e pelos Banco Comercial Português (BCP) e Novo Banco (NB), ambos com 15% tendo passado desde então a ter uma estrutura de capitais reforçada, e a ambição de crescer nos mercados em que está inserida e de conquistar novos mercados nos espaços da lusofonia.
Do Conselho de Administração da Global Media Group, presidido por Daniel Proença de Carvalho fazem parte Victor Ribeiro, José Carlos Lourenço, Rolando Oliveira, Luís Montez, Jorge Carreira e Pedro Coimbra.

Para se perceber o que acontece na Informação televisiva em Portugal o povo precisaria de perceber isto, claramente. E não percebe porque não está informado. Et pour cause.
Fora, claro está, o que não se sabe e não se percebe e que só alguns dominam completamente. Aquele Proença de Carvalho, por exemplo.
Ninguém na informação televisiva se atreve sequer a colocar uma questão que seja sobre isto. No dia seguinte teria a vida pessoal modificada, estou certo.
E estamos nisto há um ror de anos.

Na Sábado de hoje mostram-se bem alguns dos incontornáveis que gravitam neste universo paralelo da realidade democrática que abrange todo o PS e que nela foi gerado:


É assustador este universo de sombras que todos podem perscrutar sem nada poder fazer para abrir um postigo de respiro que esconjure este bafio.

Pacheco Pereira, nesta mesma edição diz que isto também se passa com o PSD de Passos...mas este Pacheco anda há anos obcecado com as sombras de moinhos de vento e já nem distingue a bota da perdigota.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Um padrão? É tudo Roque enrola...mas há quem goste

Observador:

O adjunto de António Costa que foi dado como licenciado esteve 10 anos para fazer quatro cadeiras de Engenharia Eletrotécnica. Antes de sair a notícia, Rui Roque apagou dados da conta de Facebook.
 Rui Roque disse que era licenciado e António Costa assinou o despacho de nomeação. 

Perguntado ao Costa como é que isto aconteceu..."há uma semana que o gabinete do PM não responde às perguntas do Observador. Nem o fez depois de a notícia ser publicada na manhã desta terça-feira".

O Costa não está para se chatear com estas minudências.

Por outro lado e como aqui se escreve, mostrando a completa falta de vergonha desta malta do roque e enrola:    


A este, provavelmente não tiram tudo. Arranjam-lhe outro poiso...

Os pergaminhos da bastonária da OA


Observador:

A Ordem dos Advogados (OA) começa esta terça-feira a ser julgada no Tribunal do Trabalho de Lisboa para justificar porque despediu uma funcionária sua, na sequência de um processo disciplinar. Ana Vieira da Silva foi despedida com justa causa por negligência e por tratar a bastonária Elina Fraga por “alheira” — por ela ser natural de Mirandela — e o presidente do Conselho Superior, Menezes Leitão, por “porcão”. O julgamento acontece a menos de um mês de eleições na OA.

O Estado do sítio.

Artigo de Brandão Ferreira no O Diabo de hoje, sobre a deriva nacional, de há longos a esta parte.

Infelizmente esta opinião é partilhada por muito pouca gente e que manda pouco ou nada.   



O saco de Farinho

Público de hoje, João Miguel Tavares:


O problema então seria o de a Faculdade de Direito se pronunciar acerca de um seu docente andar a receber "por fora" a fim de ajudar um político a escrever uma obra de literatura política. Para tal teria recebido cerca de 40 mil euros, o que torna a "colaboração para revisão do livro e notas de roda-pé" a "revisão mais cara da História".

Ora é este aspecto que suscita perplexidade e ao mesmo tempo incita o meio académico da escola onde aquele é docente, a pronunciar-se.
E se afinal a escrita não se limitou a tal e afinal é uma obra da autoria do putativo revisor? É essa a questão proposta e que a Faculdade de Direito tem o dever de analisar através de um "inquérito rigoroso" que passará pelas...declarações do docente e pouco mais. Tal não será suficiente mas as inteligências do Direito dirão de sua justiça se quiserem ser levados como tansos.

Mas ainda há outra: segundo consta, a mulher do docente recebeu o estipêndio do livro que se apresta a sair por estes dias, em vez do docente, o verdadeiro titular a esse rendimento colectável.
O Fisco...já se inteirou do assunto? O dinheirinho dos direitos de autor pagam taxa reduzida...que o diga o Costa que governa a Geringonça.





domingo, 23 de outubro de 2016

Et maintenant... a canção francesa

Há muito, muito tempo, era eu uma criança e já ouvia algumas canções em francês porque o rádio as passava nessa altura.
No final dos anos sessenta do século que passou a música que se podia ouvir nos rádios e se comprava nas discotecas que então eram lojas onde se vendiam discos não era apenas de proveniência anglo-saxónica como hoje. A música ligeira italiana, espanhola ou francesa também era apreciada por cá e havia artistas de renome que vendiam discos.

Da França, no final dos sessenta havia estes cantores da ligeira: o destaque vai todo, todo para Françoise Hardy, a beleza feminina suprema desse tempo. Até o Dylan a veio ver, nesse tempo.


E a revistinha que os mostrava também se vendia bem nos quiosques:


Portanto não tínhamos falta de cantores franceses por cá e Adamo que na altura cantava Inch´Alla-imagine-se!- era mais popular que Charles Aznavour.

Vindos dos anos cinquenta havia alguns que valia bem a pena ouvir como Leo Ferré ou Georges Brassens.

Em Janeiro de 1971 a revista Rock&Folk decidia nas páginas interiores que a pop em França não existia ainda em condições de poder ouvir-se e mostrava Leo Ferré na capa.


Aliás em Novembro de 1969 e Janeiro de 1970 mostrara outros dois colossos da chanson que não era de intervenção e que então era notícia por se produzirem em espectáculos no Bobino durante semanas seguidas:  Georges Brassens e Georges Moustaki.


Para sintetizar a essência dessa chanson, duas páginas da mesma revista sobre os dois compositores e cantores:
Em Novembro de 1969, sobre Brassens, as frases lapidares do artista sobre a "função social da canção" são mesmo de antologia porque nessa altura, por cá, os baladeiros socialo-comunistas pensavam exactamente ao contrário e que era necessária a canção de intervenção para dar a volta a isto e mudar o mundo. Brassens pensava exactamente o contrário...


Por seu lado, Moustaki , na mesma revista de Janeiro de 1970, na época em que Le Méteque destronou o o êxito do momento ( Casatchock, imagine-se!)  na tabela de vendas,  era mais interventor, mas do lado da poesia e do romantismo anarquista


 Ou em Março de 1970 em que se escrevia sobre a música francesa de Jean Ferrat, o único comunista explícito deste lote. Aqui se cita Leo Ferré que diria que Maio de 1968 era mais importante que Maio de 1789:



Este caldo de cultura francesa tinha por cá o seu ponto de distribuição nos rádios e as revistinhas como a Mundo da Canção, que aparecera em finais de 1969, dava mostras disso: Le Méteque era letra mostrada no primeiro número da revista que tinha o Pe Fanhais, celebrado no Zip Zip desse ano, na capa.


Tal como outras de expressão francesa ao longo dos anos seguintes.
Abril de 1970:




Fevereiro de 1970, com uma pequena biografia de Brassens, com um adjectivo: era "o poeta das pessoas "bem"...o que já dizia qualquer coisa sobre o esquerdismo da revistinha comunista do Porto.


Em Dezembro de 1972 entre os discos vendidos em Portugal havia vários vindos de França...


E as letras francesas continuavam a aparecer na revistinha, durante o ano de 1972:


Assim, da trilogia dos mais famosos- Ferré, Brassens e Brel- estava cá tudo representado nas chansons que passavam nos rádios.
Faltava outro muito importante: Serge Reggiani, um cantor que cantava outros poetas mas de um modo incomparável. As três canções aqui indicadas, na Mundo da Canção de Junho e Março de 1972 são antológicas da música de expressão francesa: Tes gestes, L´absence e La putain. Ninguém com mais de 60 anos se esquece destas músicas e letras desse tempo...porque não há nenhuma poesia de Dylan ou outros que digam o que estas dizem.

Jacques Brel, o de Ne me quite pas também ressurgiu em meados dos anos setenta com um disco novo que foi sensação na altura e falava nos Flammands...

O artigo da Música & Som de 15 de Março de 1978 da autoria de Bernardo Brito e Cunha, um dos especialistas da época que aparecia muitas vezes em certos programas de rádio a comentar discos rock, escrevia a propósito de Brel que o mesmo "é com raiva que desmascara a detenção do capital por sectores neo-burgueses"...

Basta esta frase, escrita em 1978 para perceber o estado de espírito da nossa crítica de cá a propósito destes artistas de lá. Os cantores de cá, então, ainda eram mais radicais...



Para além destes, nos anos setenta apareceram outros, poucos. Um deles, Maxime Le Forestier tem dois ou três discos que antologia e que também passaram por cá. Um deles, Mon Frère, de 1972 e o outro, Le Steak, de 1973. Fabulosos.

Outro ainda de meados desses anos setenta: Gérard Manset, cujo disco de 1975, Y a une route contém o tema Il voyage en solitaire que se recomenda viva audição.

Alguns desses discos estão aqui nesta imagem:


Outros cantores franceses há, mas poucos mais me interessaram ouvir.

sábado, 22 de outubro de 2016

O chique radical continua actual




No outro dia estava a ler esta entrevista com Tom Wolfe, na edição desta semana da L´Express e tal conduziu-me a outras paragens de leitura que glosam o fenómeno muito burguês do "chique radical". A "Esquerda caviar" é uma variante do fenómeno que assenta bem nos fradecas do BE, mas esta perversão do "chique burguês"  vem lá de fora e já tem décadas.

E entrevista de Tom Wolfe revela que o mesmo considera o seu escrito sobre a "radical chic" um dos seus melhores artigos de sempre.



Apareceu originalmente na revista New York, em 8.6.1970  e teve este enquadramento temporal:

"On the evening of January 14, 1970, Felicia Bernstein hosted approximately 90 people in the Bernsteins' home to raise funds to support the families of the "Panther 21," a group of twenty one Black Panther Party members arrested on April 2, 1969 and charged with conspiring to kill police and bomb New York police precincts, department stores, and other public buildings. The Panther 21 had been held in jail for nine months—many on bails set as high as $100,000—without a trial and without adequate resources to prepare for their defense.

The Black Panther Party, a radical, socialist organization committed to the empowerment of African Americans, was a source of anxiety for many Americans. FBI Director J. Edgar Hoover called the Black Panther Party "the greatest threat to the internal security of the country." Yet to civil libertarians, the arrest of the "Panther 21" appeared to be a case of government engaging in preventive, political detention and ignoring due process. A group of concerned New Yorkers established a fund to help with legal expenses and to assist the families of the accused while the prisoners awaited trial; the gathering at the Bernstein apartment was held to raise awareness and contribute to this fund.

What was intended as a serious meeting to address a violation of civil liberties became a sorely misunderstood event that led to a media frenzy and extensive personal attacks on the Bernsteins. Years later, it was further understood to be a glaring example of FBI intrusiveness at its very worst.

In attendance at the Bernstein apartment on January 14th were numerous prominent figures in the arts and media, including Otto Preminger, Jean vanden Heuvel, Peter and Cheray Duchin, Sidney and Gail Lumet, Cynthia Phipps, Barbara Walters, Bob Silvers, Mrs. Richard Avedon, Mrs. Arthur Penn, Julie Belafonte, Peter Stone, Sheldon Harnick and Burton Lane. Also present were Black Panther Party members Robert Bay, Donald Cox and Henry Miller, as well as some wives of the accused. Members of the press were not invited to the event, but Charlotte Curtis of the New York Times and Tom Wolfe of New York Magazine somehow managed to slip in.
"

A crítica acerada de Tom Wolfe acerca da festa que os Bernstein deram na sua casa de luxo aos esquerdistas do activismo negro, socialistas de comunismo tipo americano, na altura, fundou-se no mesmo fenómeno da actualidade de sempre, espelhada hoje no artigo do tal Melo, no Sol, acerca de Che Guevara: uma condescendência para com uma esquerda radical cujos métodos de acção se relevaram muitas vezes criminosos em termos de direito comum e passaram para o lado do terrorismo.
Actualmente, em Portugal, as organizações revolucionárias dos anos sessenta e setenta, todas de índole comunista e de extrema-esquerda gozam de uma boa imprensa e de uma imagem de romantismo revolucionário a toda a prova. Um dia destes veremos ainda a recuperação de imagem das FP25...

Frequentemente vemos ouvimos e lemos relatos na primeira pessoa, como os do pirata Mortágua, acerca dos feitos antigos em prol do derrube do "fassismo" e da recuperação de uma pretensa liberdade que fatalmente   conduziria a outros gulags...mas enfim.
Este fascínio pelos revolucionários de bombas feitas e rebentadas que chegaram a matar pessoas inocentes,  revela uma mentalidade que ainda não se ultrapassou, em Portugal , eventualmente pela simples razão de que os que escrevem sobre isso ou viveram esses tempos do lado dessa barricada ou são filhos dos seus autores, espirituais que sejam.

Esta mentalidade começou algures nos anos sessenta e há mostras das suas manifestações.Tal como Tom Wolfe mostrou no seu escrito antológico, o chique radical assenta numa grande hipocrisia: a celebração de um romantismo revolucionário cujas consequências reais conduziriam ao seu desaparecimento, com vastas consequências que aqueles nunca admitiriam.

Então porquê a celebração? Porque "é chique a valer", como diria um Dâmaso Salcede.

Em 1970 o maestro e compositor Leonard Bernstein era popular em Portugal por causa dos "concertos para jovens" , série de televisão que a então RTP adquirira em 23 episódios e destinada a divulgar música erudita sem o peso de casacas e com explicações avulsas acerca das peças de Mozart ou Stravinsky.

E por isso foi capa da Nova Antena de 28 de Agosto de 1970. Esta capa e artigo apareceu alguns meses depois do artigo de Tom Wolfe na New York e é muito improvável que tivesse algo a ver com o mesmo. Porém, mostra bem a influência mundial, no mundo da cultura que Bernstein tinha na altura.


Aliás, nesse tempo já tinha sido publicado por cá, na editora Livros do Brasil, o livro de Bernstein, O Mundo da Música ( The joy of music) publicado originalmente em 1954 e por cá também nessa altura, reeditado várias vezes ( a edição actual tem capa verde e azul). Um livrinho muito recomendado aos jovens de então e depois.