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sábado, 31 de dezembro de 2016

Prè-obituário de Mário Soares

O jornal Sol de hoje consagra a maior parte do recheio ao assunto Mário Soares, num prè-obituário em que espera o desaparecimento do mesmo durante a semana que entra. Tanto faz.

Mário Soares goza nos tempos que correm e há anos a esta parte de uma condescendência imerecida, injustificada e afinal só compreensível pela uniformização formatada dos media nacionais.

Os artigos do Sol não fogem a este padrão básico, porque assinados por luminárias como Ana Sá Lopes e outros anónimos do texto impresso. Para encontrarmos ideias diversas sobre o percurso funesto de Mário Soares pela política nacional dos últimos 45 anos não irá ser fácil e aposto que nem o Diabo fará a diferença. Não tem gente com estaleca suficiente para tal o que mostra bem o grau de desgraça que atingimos em tantos anos quantos os que Salazar esteve no poder.

A grande condescendência para com o nosso Kerenski ( deixou efectivamente a esquerda comunista fazer o que nunca deveria fazer, logo na Constituição de 1976) atingiu já as raias do inimaginável com um unanimismo que atinge o actual presidente da República que esqueceu tudo quanto ouviu de Marcello Caetano quando já tinha idade de entender. Sobre o que o pai, ministro de Salazar,  lhe ensinou nem vale a pena falar.
Marcelo Rebelo de Sousa é o símbolo actual da nossa maior decadência: a de apostatar o que de melhor tivemos no século XX, com o Estado Novo e o Estado Social que se lhe seguiu.
Não foi a Liberdade aparente que se recuperou em 25 de Abril de 1974 que constituiu a maior dádiva, como agora é proclamado, mas o perdimento de uma realidade que era importante para qualquer povo que se preze: o da independência e aprumo moral e respeito por nós próprios enquanto povo e pelo nosso passado secular.
Isso, temo bem, perdeu-se e Mário Soares foi um dos obreiros principais de tal tragédia, porque tal nunca lhe disse nada. Filho de padre apóstata,  republicano jacobino, activista político no tempo da desordem republicana que originou o 28 de Maio de 1926, saiu bem à geração que o criou, oposta em tudo à geração que criou Salazar. Mário Soares é um filho bastardo da pátria que foi a nossa durante séculos e não merecia ter sido o que foi, a não ser por inversão dos valores que entretanto se operou. Mário Soares é filho do anticlericalismo, do jacobinismo e de um esquerdismo incipiente que sempre se opôs à tradição nacional e ao conservadorismo que tivemos. Isso basta para que nunca o tivesse gramado e é suficiente para muitos o hagiografarem como um improvável Vasco Pulido Valente, nascido num meio parecido que nos denega a nossa natureza de país católico, tradicional e conservador, por eles tomado como "atrasado", em função sabe-se lá bem de quê...

O prè-obituário do Sol afina pelo mesmo diapasão mas consegue mesmo assim ser minimamente objectivo na análise do percurso de vida do agora quase finado e por isso recomendo leitura integral.

O editorial do filho de António José Saraiva é exemplar desta condescendência atroz, desta falta de perspectiva história e desta cegueira que não permite ver além das amizades familiares:


Há vários mitos que tendem a permanecer quanto à figura do quase-finado. Um deles é o do papel desempenhado em 1975 aquando do assalto do PCP e esquerda comunista em geral, ao poder político, com auxílio directo do MFA.


O "comício da Alameda" em que Mário Soares, em 19 de Julho de 1975,  alertou os presentes de Lisboa ( várias centenas de milhar) para o perigo iminente que o PCP constituía tem sido demasiado sobrevalorizado como factor determinante para o travão imposto ao PCP que culminou em 25 de Novembro com a estrondosa derrota militar e política e o seu afastamento das veleidades do PREC. Esta versão dos acontecimentos, aqui contada por uma analfabeta Ana Sá Lopes ( no sentido que Vasco Pulido Valente apodou a outra, Clara Ferreira Alves) é a "oficial", repenicada vezes sem conta mas é uma falsificação história, a meu ver.

Tal mito  esquece esta realidade vivida a Norte do país e que nunca é devidamente valorizada ou até mencionada como devia ser:

No Verão de 1975, em Braga e noutras localidades, os católicos tomaram a iniciativa de combater o PCP e fá-lo-iam de modo eficaz, quer houvesse ou não um Mário Soares que lutava pela sua pele e não por qualquer religião ou direitos individuais.
Foi preciso uma revista francesa- Paris Match, edição de 23 de Agosto de 1975- vir cá para dar conta da realidade que os demais órgãos de informação nacionais escondiam...



Outro mito é o da descolonização. Mário Soares foi um dos obreiros efectivos e eficazes da entrega das antigas províncias ultramarinas que tinham sido nossas colónias até aos anos cinquenta, aos movimentos guerrilheiros, particularmente os enfeudados ao comunismo soviético. Mário Soares não cuidou de precaver o que poderia acontecer aos seus concidadãos que ainda lá estavam e até disse mais: se se opusessem à independência ou tentassem uma solução à moda da Rodésia de Ian Smith, teriam a oposição dele e do país que então o mesmo governava, como ministro dos Negócios Estrangeiros. Isto só será entendido como traição à pátria se não se conhecesse o que Mário Soares tinha combinado com o PCP, em Paris, pouco antes de 25 de Abril de 1974: a entrega incondicional desses províncias à independência, tal como aconteceu.

O que o Sol escreve sobre o assunto, da autoria de António Bilrero (?) dá uma ideia aproximada da realidade história que então foi distorcida pelos meios de Direita que ainda existiam  no país.





A entrevista à Der Spiegel, de Junho de 1974, aqui citada neste artigo foi já transcrita aqui e tem mais matéria que esclarece cabalmente o que Soares então disse aos alemães da revista...

 Outra questão importante é o que ocorreu após a eleição de Soares como presidente da República, em 1986, um dos desastres maiores para a democracia, nestes últimos 40 anos e que teve o papel preponderante do PCP ( et pour cause). Tal significou o aparecimento de uma casta política que permanece actualmente agarrada ao poder e que se alimentou a leite e mel da corrupção chinesa do jogo de Macau e arredores. Stanley Ho e sus muchachos continuam a dar cartas em Portugal, agora na GlobalMedia, entre outros "investimentos".


O assunto poderia ter ficado resolvido em 1991 mas não foi porque o poder judiciário ( de Cunha Rodrigues e Rodrigues Maximiano, marido de Cândida de Almeida, todos de esquerda socialista ) tal não consentiu. Um dos escândalos maiores da nossa democracia que foi enterrado nas brumas do esquecimento, mas que neste artigo ( Ana Sá Lopes) é devidamente lembrado embora com aquele tinto de condescendência jornalística que não questiona.

Depois disto aparece a menção à "protecção" de Soares aos amigos, como Sócrates, Salgado e Craxi, apresentada com a simples explicação de que o dito "não deixa cair os amigos"...e a democracia e transparência e Justiça que se danem que aqui não fazem falta nenhuma.

 Para mim, a imagem que melhor define Mário Soares no início do seu percurso é esta da Paris Match, de 23 de Agosto de 1975, igual a nenhuma outra que a imprensa portuguesa jamais publicou. Soares é sempre apresentado como amigo dos seus amigos mas não se conhece com exactidão o que lhe pertence, o que auferiu durante o exercício do cargo, o que lhe ofereceram os tais amigos e isso revela bem o grau de suprema condescendência que não têm para com outros.
Deviam comparar este quase finado, da democracia, com o que Salazar, Marcello Caetano e os seus ministros tinham quando morreram e como o ganharam. Afinal, a democracia devia permitir estas comparações para mostrar a sua ética e moralidade supostamente superiores...
Para tal seria suficiente fazer um apanhado geral dos quadros que lhe foram oferecendo e que guardou ( Salazar doou logo a melhor pintura que lhe ofereceram, da Renascença italiana,  ao museu do Caramulo...)


Esta imagem resume bem o que era Mário Soares no Verão do PREC: um indivíduo comum, com fruteiras simples em cima da mesa de casa...

O que se passou nos 20 anos a seguir ficou mais ou menos retratado aqui e não é nada lisonjeiro ou digno de apreço democrático ou outro.

Pelo meio ficaram duas bancarrotas que medraram à sombra das medidas económicas perfilhadas pelo quase finado. Porém, nem isso é suficiente para mostrar a mediocridade do mesmo e dos malefícios que objectivamente foi causando ao país, como governante e como presidente da República.

Um país que escolhe pessoas destas como líderes e ainda por cima as cobre de encómios depois de saber o que fizeram,  merece o destino que tem: a pobreza que se continua há décadas, sem fim à vista.
Os que lhe tecem encómios, por seu turno, não sentem tal pobreza porque levaram uma vidinha  à sombra de benesses, carreirismo e empregos garantidos para os seus, como apaniguados do sistema entretanto criado. São agora uma casta que se pretende continuar o caminho encetado pelo líder que agora se fina e de quem se sentem filhos adoptivos. Percebe-se mas não deviam enganar tanta gente ao mesmo tempo, este tempo todo.


Para se ter uma perspectiva correcta do que foi o percurso deste democrata do epicurismo pessoal, é preciso ler outras opiniões que não afinem pelo analfabetismo reinante ou pelos mitos correntes.

Em  28 de Julho de 1977, o jornal de direita, A Rua publicou este editorial em que se define o essencial da opinião daqueles que não alinham por aquela corrente maioritária, de condescendência, ignorância e analfabetismo:



Para terminar e ainda mais contundente é esta afirmação apócrifa atribuída a Marcello Caetano e que me parece ter toda a dimensão da tragédia que nos atingiu estas últimas 4 décadas, tendo como protagonista principal o agora quase finado.

 “Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.”
“Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República.”

Marcello Caetano, sobre o 25 de Abril 



A profecia de Marcello Caetano cumpriu-se integralmente com uma agravante não prevista: não há quem tenha a noção da tragédia, em Portugal. Em quantidade ou qualidade suficientes, quero dizer. Capaz de inverter este unanimismo que se instalou na sociedade portuguesa e que é o seu principal mal moral.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O estado da informação em Portugal tal como contado no CM

O Correio da Manhã de hoje traz as estatísticas das vendas de jornais e revistas.


O comentador de media, Eduardo Cintra Torres,  mostra o que se passa nas tv´s:



A propósito disto tenho sempre mostrado um pequeno apanhado de opiniões avulsas, publicado no Diário de Lisboa de17 de Janeiro de 1974 porque nos dá uma imagem relativa do tempo que passou e da evolução sofrida pelos usos e costumes.



Julgo não andar longe da verdade se disser que as pessoas em 1974 e em geral estavam melhor informadas sobre o que se passava na realidade nacional do que hoje.

Na RTP de então, única televisão disponível ( além da espanhola para quem vivia na raia) os comentadores eram da situação ( João Coito, por exemplo) mas eram poucos e as opiniões já se sabia ao que vinham, na medida em que eram emitidas por alguém que não procurava questionar o regime ou aspectos delicados do mesmo, como as guerras em África, nas três frentes de Angola, Guiné e Moçambique.

Tal era aceite como normal perante a Censura do regime e a proibição da esquerda comunista se manifestar publicamente. Tal como noutros países aconteceu em determinadas épocas, até na Alemanha em que o partido comunista chegou a ser proibido, nos anos cinquenta.
É por isto e só por isto que a esquerda andou sempre a clamar contra o fassismo e a vituperar ainda hoje o passado obscurantista de Salazar e Caetano.

Não obstante, as pessoas em geral pensavam pela sua cabeça e tinham opiniões sobre os assuntos, como hoje. Sabiam que o PCP andava a maquinar contra o regime, clandestinamente, mas se alguém fosse apanhado seria preso porque havia lei para tal. Muitos heróis do antifassismo se forjaram assim. Saberiam porém que o PCP queria um regime como o soviético e com as características do mesmo? Isso já é duvidoso, relativamente aos próprios militantes que não conheciam essa realidade, censurada pelo próprio PCP, do mesmo modo que hoje acontece.

A diferença entre esse antigamente e hoje é quase nula na medida em que a Censura existente tem o mesmo sentido: ocultar das pessoas em geral a realidade factual e a explicação de acontecimentos, mesmo passados, sempre à luz de interesses político-ideológicos precisos e inquestionáveis.
Tal como dantes, isso acontece  nos media de hoje, com personagens que não tendo a estatura moral ou intelectual de um João Coito, assinam como adelinos farias ou judites, ou mesmo lourenças. São da mesma estirpe, porém, dos apaniguados de antigamente que redigiam as notícias com a Censura em cima a vigiar.  Beberam a mesma personalidade profissional e falam a mesma linguagem encriptada dos zombies.

Hoje em dia, para além disso, há uma diferença mais séria e que reside na circunstância de a informação ser pretensamente livre de censura ou produzida em "liberdade", o que não se cansam de apregoar aqueles que a dominam. Mas não é. A censura interna existente nos media é tão grande ou maior que dantes e a censura interna que advém de quem redige notícias para publicar será ainda maior porque nem é possível o estratagema antigo da redacção encapotada de notícias nas entrelinhas. Hoje em dia a censura é total e cortante em certos casos, porque não se admitem veleidades que ponham em causa a situação pessoal e profissional de quem as redige, partidaria ou ideologicamente ou mesmo pessoalmente, relativamente a certos figurões  que mandam na sombra.
A Lusa, por isso mesmo, é um cóio, sem mais. Um cóio de censura que segue o código não escrito do politicamente correcto e do que interessa a quem manda no momento. Na RTP idem , aspas. E na TVI aspas, idem.

Estamos por isso bem pior informados do que em 1974. Aparentemente será um paradoxo, mas não é. E tem ainda uma agravante muito séria: o grau de corrupção dos agentes políticos, hoje em dia não tem qualquer comparação possível com o que se passava em 1974.  E isso parece-me indiscutível até mesmo para quem acha que a Liberdade é que é o valor máximo conquistado no 25 de Abril de 1974.

Essa mesma Liberdade, porém, impede que se conheçam bem os contornos dessa corrupção gigantesca que nos rodeia, porque está entranhada nos media, como se fosse a própria seiva que os alimenta. Veja-se por exemplo o caso apresentado por Eduardo Cintra Torres, na tv pública...dos farias e quejandos.

E isso não acontecia em 1974, como mostram estas imagens do DL de 17 Janeiro desse ano. Este jornal está digitalizado ( embora graficamente muito mal e só a preto e branco) na Fundação Mário Soares que todos pagamos.
 



Ou por exemplo este "telex" enviado de Londres por Joaquim Letria ( que ontem esteve na tv a falar do "fassismo" e outras coisas) em que se mencionava, em 20 de Julho de 1973 a oposição à guerra em África por ocasião da visita a Londres de Marcello Caetano. " "Por outro lado, jornais e tv continuam a referir-se à história do massacre de Wiriamu e uma fonte da embaixada disse que havia o perigo de Portugal passar a ser conhecido apenas pelas características que esta onda de acusações lhe apontam: um Estado fascista que mantém uma guerra colonialista onde chacina nativos".



Esta frase está aí na primeira pagina do jornal e exprime a opinião do próprio jornal, dirigido por Ruella Ramos que dali a menos de um ano o transformou em "arma de combate" pelo comunismo.

Era esta a liberdade de informação que não havia?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Os problemas nacionais e as soluções encontradas segundo alguns sábios a la minute

A revista Sábado desta semana teve a ideia de entrevistar meia dúzia de "sumidades"  no nosso establishment para inquirir sobre o que pensam do passado presente e futuro.

Quatro dessas personalidades resumem-se aqui no que disseram: nada de substancial e algumas ideias peregrinas, sem originalidade ou requentadas de tanto ferverem em água morna ao longo das décadas.

A afirmação mais lúcida e trágica pertence a Freitas do Amaral:


Que éramos atrasados há 40 anos, estão fartos de no-lo dizer os próceres que herdaram o pesado fardo do fassismo ou da "ditadura de direita", como este Freitas agora classifica o regime de que foi "devoto fervoroso" ( apud Marcello Caetano).

E que fizeram dessa herança pesada, para além de lhe aliviarem em várias toneladas o ouro que estava guardado como precaução e garantia de solvabilidade do país? Malbarataram quase tudo e estão muito contentes porque afinal o desiderato principal era...a democracia, ou seja a Liberdade, em modo absoluto e que faltava dantes em quantidade suficiente para o gosto actual daqueles.
Mas liberdade de quê, afinal? De dizer mal do regime do Estado Novo? De termos partidos políticos marxistas-leninistas que apenas pretendem revolucionar o regime e implantar um que lhes seja próprio e avesso à mesma Liberdade, em modo incomparavelmente mais radical do que o anterior? Que sentido faz isto? Liberdade de termos duas ou três centrais de informação que só passam notícias correctas para o regime? Que diferença substancial fazem da censura prévia, tirando aquele aspecto da propaganda proibida ao marxismo-leninismo?

De caminho, em prol dessa Liberdade, mantivemos o rumo da pobreza, como o próprio reconhece e parece que afinal o culpado terá sido a "Europa", a "troika" e o Passos. Deles e do respectivo papel como governantes ou assimilados é que nada de nada. Estão inocentes de tal malfeitoria. É este o pensamento político actual do Freitas do Amaral que estava sempre "rigorosamente ao centro" e virou à esquerda para não se enganar de percurso, este devoto fervoroso de Salazar...que agora acha adequado "investigar porque somos o segundo país mais atrasado da Europa".  Por mim não sou capaz de lhe dar resposta cabal mas adianto já que aqueles governos de Sócrates em que participou e elogiou são bem capazes de ter contribuído com dezenas de milhar de milhões de euros para essa pobreza sistémica.

 Depois temos o velho Adriano Moreira, antigo ministro de Salazar, das "Colónias", que se afastou do regime e se integrou plenamente na nova senhora, aproveitando o sistema e legando uma filha que é uma nódoa política.
Que diz Moreira, em balanço de vida? Que temos de nos concentrar em "três factores: a estratégia do saber, da segurança e da política internacional". Ele lá saberá dizer melhor mas parece-me pouco como futuro. "Estratégia do saber" com o ensino primário e secundário que temos?! É utopia.


Outra figura emblemática para aqui chamada é Ramalho Eanes, o presidente da República que Sá Carneiro queria afastar em 1980 para se livrar do espectro do MFA que durou até muitos anos mais tarde.



Ramalho Eanes identifica os factores de crise nacional com o nosso endividamento externo, público e privado. 400 mil milhões de euros, no total. Impagáveis, segundo o mesmo. Sério? E como pagamos em 1930 e anos seguintes, com Salazar?

Finalmente, um operacional da Marinha, o Almirante Nuno Vieira Matias. Tudo se resolveria com atenção a detalhes...como este, das marinas avulsas:


 Diz que em 2003 não havia estudos estatísticos sobre o mar...o que é estranho para um país virado ao mar e com uma indústria que até à entrada na CEE tinha algum relevo e know how. Almirante Tenreiro, esse fassista, devia saber melhor...

Enfim, há mais duas figuras, decorativas, neste panorama: o pretendente ao trono de Portugal, D. Duarte de Bragança, uma alma pacífica e ainda o cardeal-patriarca de Lisboa que cura das almas e pouco mais. Em 1969 foi a Paris estrear um  "Mini" e ficou embasbacado. Até hoje.

Um dos entrevistadores é Bernardo Theotónio-Pereira,  descendente indirecto de um antigo governante de Salazar, pelo lado paterno, Pedro Teotónio Pereira ( estas coisas dos hh nos nomes têm dias...).
A figura de Teotónio Pereira é emblemática, a vários títulos, do salazarismo.
Em 21.9.1968 em pleno período de transição de Salazar, gravemente enfermo, para Marcello Caetano, ficou assim documentado no Século Ilustrado, com os mais lídimos representantes do tal fassismo ( o repórter disfarçado de cavanhaque só pode ser um intrépido antifassista).


E em 31 de Julho de 1970 logo após a morte daquele estadista português, o maior de sempre da nossa História contemporânea, aparece um perfil do mesmo Teotónio na Vida Mundial:


Cá por mim, o dito Bernardo que nasceu há ainda poucos anos ( é apenas trintão, mas é formado em Direito, ensina algures e já tem filhos) aprenderia mais sobre Portugal estudando o que o antepassado recente fez, até mesmo em Londres como embaixador durante a II Guerra Mundial, do que com estes sábios de meia tijela que afinal são dignos representantes da nossa miséria actual e que nunca compreenderão como nos tirar da mesma...porque foram precisamente eles e os seus parceiros políticos quem a ela nos conduziu.

Eles são parte importante do problema e nunca encontrariam a solução.Perguntar-lhes o que deveria fazer-se no futuro é chover no molhado.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Conversa de estrebaria...

 Observador:

No tempo do Pinho, o dos tamancos que queria uma reforma do BES, ter feito aquela cena de circo na AR, deu-lhe direito a despedimento com justa causa do Governo.

Este, pede desculpa e já está tudo perdoado...mesmo aquele ar alarve que ostenta. 

O jornalismo nacional é toxicodependente em último grau

Sapo24:



Um estudo elaborado pela Cision sobre as pessoas e organizações que mais se notabilizaram nos órgãos de informação durante 2016, coloca o Governo como a organização que mais ‘tinta’ fez correr na imprensa nacional. O executivo português foi mencionado 205.128 vezes.

Logo de seguida entra o futebol, de rompante, com o desporto-rei a ocupar os três lugares seguintes. Neste mini campeonato que acontece nas bancas dos quiosques e no online, o Sport Lisboa e Benfica, tricampeão nacional de futebol, vence, tendo sido referenciado 182.191 vezes em peças jornalísticas. Logo de seguida surge o Sporting Clube de Portugal com 164.039 menções, superando o Futebol Clube do Porto, mencionado por 146.503. A Cision sublinha ainda que, embora grande parte do volume noticioso associado a estas três instituições esteja ligado ao futebol, “houve também muitas referências” a estes clubes no que toca às diversas modalidades; sem, no entanto, divulgar números concretos.

No 5º e 6º lugar deste estudo surgem os dois homens que estão à frente do país, António Costa, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. O chefe do Executivo português foi referenciado 124.767 vezes, mais de 10 mil vezes que o chefe de Estado, que foi mencionado por 111.156 em trabalhos jornalísticos.

O ranking segue com o Partido Social Democrata, 87.226 referências, e com o Partido Socialista, com 78.326, menções. A Guarda Nacional Republicana (GNR) coloca-se entre os dois maiores partidos portugueses para abrir um novo tema num ranking em que top-10 é dominado por futebol e política. Num ano marcado pela “caça ao homem” a Pedro Dias e às buscas pelo pequeno Martim, foram feitas 82.264 alusões à GNR.

Os dez primeiros lugares encerram com a Assembleia da República, que soma mais de 70 mil referências.

Os restantes lugares do ranking mantêm o mesmo registo. Ministério das Finanças (70.000) e Bloco de Esquerda (66.070) ocupam a 11ª e 12ª posição, respectivamente. Na décima terceira posição surge a Seleção Nacional de Futebol, campeã da Europa em França, citada 65.564 vezes em notícias.

De seguida surge, com 65.513 menções, a Comissão Europeia, a única entidade internacional que integra a lista dos temas mais falados em 2016. No 15º lugar regressamos ao tema do “crime” com a Polícia de Segurança Pública a ser a segunda força de segurança a aparecer no ranking, somando 62.259 referências. A Cision não deixa escapar estas duas “interferências” [da GNR e da PSP] num top, atribuindo a responsabilidade à CMTV, canal de televisão do Correio da Manhã, uma estação que dá “particular atenção ao mundo do crime”.

Na décima sexta posição aparece o Partido Comunista Português, a fechar a chamada ‘Geringonça’, com os comunistas a serem mencionados em 60.123 artigos noticiosos.

A fechar, desta vez a oposição, aparece o CDS/PP com 59.823 menções, no décimo sétimo lugar e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no décimo oitavo lugar. O antigo primeiro-ministro foi referenciado em 55.486 notícias.

De seguida, na penúltima posição deste ranking com 20 lugares, surge a Caixa Geral de Depósitos que este ano tanta tinta fez correr, quer pelo processo de recapitalização, quer pelos salários dos seus dirigentes, quer pela demissão da sua direcção e nomeação de Paulo Macedo para dirigir o banco público português. A CGD foi mencionada em 47.136 notícias.

A fechar o ranking surge o nome de Cristiano Ronaldo, o melhor futebolista do mundo que recentemente foi galardoado com a 4ª Bola de Ouro da carreira, foi falado em mais de 47 mil notícias.

A Cision teve como objecto de estudo “as notícias veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2.000 meios de comunicação social (televisão, rádio, online e imprensa), (...) entre os dias 1 de Janeiro e 15 de Dezembro de 2016, num total de mais de cinco milhões de artigos analisados”.


O droga preferida do jornalismo nacional é o Governo, em Portugal. A seguir, o futebol.

Em vez dos três FF do antigamente ( Fátima, Fado e Futebol) que não correspondiam à realidade mas eram apresentados como se o fossem pela esquerda já dominante, actualmente as coisas pioraram bastante.
O Governo é a heroína do jornalismo que a ela está tão agarrado que dificilmente alguma cura de desintoxicação surtirá efeito. Seguidamente a maldita cocaína do futebol, mais os diversos subprodutos anestesiantes que nos servem diariamente.

Será que os portugueses se consideram informados com estas doses maciças de estupefacientes que tomam regularmente?

Quem vê regularmente os canais abertos e fechados das tv´s é sujeito a um tratamento mediático em que estes drogados entram pela casa dentro a fazer a propaganda despudorada de uma realidade virtual.
Pouco escapa aos seus efeitos e acredito que a maioria dos espectadores se transformaram em zombies, a julgar pela reacção a certo tipo de notícias, como a da morte de Fidel Castro.

Esperemos para ver o que acontecerá daqui a pouco  com a morte daquele que agora se encontra em "coma profundo".  Vai ser a overdose total e o delírio completo.
O "colunista" do Público, João Miguel Tavares teve hoje esta tirada lamentável a todos os títulos:

"embora a herança salazarista tenha sido trágica na Educação, com quatro décadas a doutrinar criancinhas com a trilogia Deus, Pátria e Família  e a promover um país pobre, rural e conformado com a sua própria mediocridade"...



Trágica é esta frase de um suposto representante de uma Direita inexistente em Portugal. JMT é um híbrido que emparelha bem com Ricardo Araújo Pereira no programa que animam em tandem com um Mexia que não mexe uma palha e um moderador que modera à esquerda como convém ao politicamente correcto.

Referir o Estado Novo daquele modo é repenicar o estribilho comunista do obscurantismo e do atraso atávico que Salazar deixou como herança aos heróis de Abril, a par daqueloura ainda mais  pesada  e com mais de 800 toneladas nos cofres do BdP que os ditos acharam por bem aliviar- et pour cause.

JMT terá bebido deste leite de burrra quando era pequeno e lá ficou o germe que de vez em quando aflora como um herpes ideológico que se aloja ao canto do lábio inferior impedindo-o  de soletrar devidamente as palavras.

O Estado Novo começou mais ou menos nos anos trinta e nessa altura Portugal tinha um Estado velho e revelho do jacobinismo ambiente que expulsara jesuitas, destruíra escolas, depauperara o país para além do tolerável e tolhera o desenvolvimento económico nas décadas vindouras.

Assacar a Salazar a culpa do desenvolvimento atrasado e a lentidão do progresso, nas décadas seguintes é olvidar os efeitos de uma guerra mundial a que escapamos e os efeitos de outra guerra em três frentes, na África portuguesa nos anos sessenta que nos delapidava os recursos orçamentais em quantidades astronómicas ( 40%).
Gostava de ver os democratas de hoje a fazerem melhor e mais depressa...

Ainda assim, em 1940, em plena Guerra Mundial e nem sequer dez anos de governo de Estado Novo, o panorama da propaganda permitia apresentar isto:



 Este panorama pode ser consultado aqui e tal faria bom proveito a JMT e outros interessados...

Além disso, pode sempre ampliar-se um pouco mais a janela de oportunidade para se verem melhor as palermices escritas se espreitarmos nestoutra, da então Lourenço Marques:


Nada disto foi planeado ou construído pela "Independência" indígena mas sim pelo Estado Novo em tempo record, mesmo com mão de obra barata ou próxima da escravatura, como então era ainda plausível. Em toda a África, mesmo a independente.  Quem lá viveu sabe. Não sendo o meu caso, pergunto a quem sabe.
A propósito de Moçambique: alguém sabe o que aconteceu ao genro do Guebuza depois de ter assassinado a tiro a mulher, na presença do sogro?
Sabem o que lhe aconteceu?  Terá sido suicidado na esquadra de polícia, segundo se conta. Aí tinha recolhido para se proteger de quem o iria procurar...mas alguém procurou saber, em Portugal?

Em Angola o panorama é idêntico.

Quanto a escolas, basta percorrer cada uma das aldeias de Portugal e verificar o ano da construção da escola mais antiga...e sobre o famigerado analfabtismo basta comparar o grau de instrução de alguém que completou o ensino primário, nos anos trinta ou quarenta do séc. XX com alguém que o completa agora. E o analfabetismo tem muito mais que se lhe diga do que a propaganda comunista costuma dizer e JMT assimilou, entranhou e aparentemente não estranhou.

Sobre o conceito de Deus, Pátria e Família, pudera que ainda hoje fosse um conceito estimado, porque não é um arcaismo fóssil como são as ideias peregrinas que enformaram o pensamento de JMT quando escreveu aquela frase lamentável. A não ser que seja matriz e então é trágico mesmo.

Sobre esta miséria de andar sempre a lambuzar o conceito maldito, suscitando logo permissão para irem lamber sabão, passo a apresentar uma pequena parte de uma entrevista a José Afonso, ainda no tempo do fassismo, em finais de 1973, início de 1974 na revista Cinéfilo nº 8.

A entrevista mostra bem que José Afonso conhecia o povo português, pelo menos na sua linguagem e costumes, o que o tornava mais perigoso do que parecia, mas ao mesmo tempo mais interessante e a léguas do que JMT aparentemente julga entender.

 

O antigo ministro sarjeta agora é contratador de gado...

Observador:

O ministro dos Negócios Estrangeiros foi captado pelas câmaras de televisão a comparar a concertação social a uma "feira de gado". Palavras de Augusto Santos Silva já mereceram críticas.

O que espanta é que um palerma destes consiga ser ministro. Dá bem a noção do respeito que o cargo merece, actualmente...

Os obituários tabu

Observador:

Silva Marques foi, durante quatro anos, de 1976 a 1979, presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós. Aproximou-se do PSD e foi eleito deputado pelo círculo de Leiria, de 1980 a 1999 e desempenhou o cargo de presidente do grupo parlamentar dos sociais-democratas.

José Silva Marques foi um brilhante líder da bancada parlamentar do PSD, até ao final da década de 90. De repente desapareceu da cena política e mediática. Não me lembro de alguém dessa cena mediática dos grupos de imprensa que temos se interessar pela sorte pessoal do antigo deputado Silva Marques, durante esses anos todos de ausência brilhante.
Mesmo agora, o hiato de quase dúzia e meia de anos aparentemente não suscita qualquer curiosidade acerca do que fez Silva Marques entretanto e do destino de vida que tomou. São questões "do foro pessoal e familiar"Hipócritas.

Silva Marques em 1984 rascunhou à máquina duas folhas antológicas que coloco aqui para se lerem e mostrarem o que poderia ter sido o país se algumas das suas sugestões tivessem sido seguidas.




A "austeridade" da troika que nos emprestou dinheiro para evitar a falência, em 2011, ao pé disto é  uma dádiva generosa.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Hitler e Estaline: genocício de raça contra genocídio de classe...

O Expresso vai publicar em meia dúzia de fascículos uma obra biográfica de Estaline, de um autor inglês nascido em 1965.

A biografia parece que teve sucesso lá fora e será uma espécie de liofilização de um grande terrorista, um dos maiores de sempre em crueldade e eficácia no extermínio de massas humanas. Um genocida.

O Expresso no entanto não vai por aí, por esse caminho de ideias claras porque nunca pretendeu tal coisa, a propósito do comunismo.
Se assim fosse, o PCP não seria o que é porque os portugueses conheceriam melhor o horror e existência história de crimes contra a Humanidade cometidos por aqueles que o PCP idolatra como mentores ideológicos de sempre, na luta de classes permanente. Se assim fosse não assistiríamos a indecências de ouvir as ignorantes ritas ratos a proclamar a virtual inexistência dos gulags, porque nunca ouviu falar neles.

Estaline é um dos heróis ideológicos do PCP, apesar de formalmente o Partido se ter demarcado dos feitos do kamarada "pai dos povos", quando o mesmo caiu em desgraça, com o advento da era Krutshev e dos ventos da História que se fartaram do soprar até 1989.

Para prefaciar a obra o Expresso convidou Paulo Portas e Francisco Louçã e na edição desta semana entrevista este último para o ouvir dizer barbaridades e enormidades de uma gravidade tal que só se passaram despercebidas por ser tempo de festas de Natal.
























Quando afirma o tal "absurdo", Louçã explica que tal é "grotesco do ponto de vista histórico", sem se dar conta do trejeito facial que tal implica.

O que Loução pretende afirmar sobre Estaline em comparação com Hitler é um puro branqueamento daquele e das suas acções, inserindo-as num contexto político que nega ao último.
Sobre os milhões de mortos de um lado e de outro, os mortos russos foram "consequência da necessária, mas brutal industrialização" ( como se os restantes países até então ruralizados também tivessem que dizimar os lavradores para passaram ao progresso industrial...), depois com  a catástrofe desencadeada pela fome dos anos 30-33 ( como se tivesse sido uma praga divina...). Ou ainda, acrescenta " a devastação humana provocada pelo período do Grande Terror, entre 1934 e 1939, com gigantescas purgas no PCUS e no Exército" ( como se tal fosse um fenómeno imprevisto e sem autor concreto e principalmente como se o PCP não o conhecesse de ginjeira tendo lá militantes destacados, em Moscovo, nessa época, como foi o caso do comunista  Francisco Miguel que nunca falou publicamente do assunto mas sempre denunciou o Tarrafal como o inferno na Terra.) .

 Enfim, este Loução apresenta-se mais uma vez como um farsante notório cuja importância lhe é dada pela Impresa de Balsemão por motivos desconhecidos e não mereceria um parágrafo de atenção se não fosse um manipulador da opinião pública, em modo falsário.

Lá fora não teriam atenção alguma porque há longos anos que o comunismo e Estaline foram devidamente denunciados como aquilo que verdadeiramente são: horrores da Humanidade, comparáveis a outros, incluindo o nazismo na vertente genocida.

Em  1997 a editora francesa Robert Laffont publicou o Livro Negro do Comunismo, de vários autores e cuja matéria se estendo por 846 páginas.

A primeira meia dúzia chega para dar uma visão aprimorada do que Louçã deveria ler antes de afirmar burricadas:



O único absurdo derivado da comparação é o facto de Estaline ter sido um carrasco maior e mais cruel que Hitler. Genocidas foram, ambos. Um, tentando eliminar uma raça; outro, tentando eliminar uma classe, a dos kulaks,  bem mais alargada do que uma raça propriamente dita. Quanto aos métodos, as semelhanças também não fogem muito da realidade: campos de concentração, execuções em massa, fome como arma de guerra e extermínio massificado em escala industrial. Como se escreve no livro, a morte à fome de uma criança no ghetto de Varsóvia equivale para todos os efeitos à morte de um kulak, à fome que lhe foi induzida explicitamente pelas medidas políticas de Estaline.

Os mortos de Estaline não se ficam pelos  750 mil  que pereceram nos gulags. Extravasam para os milhões ocorridos nos campos, com as deportações e a fome induzida para tal, à falta de meios para construirem fornos crematórios.

Relativizar os crimes de Estaline só porque o mesmo é um "revolucionário" é obsceno. E é isso que Louçã é, só que o Expresso e a sua direcção não pensam assim.
Ou por ignorância ou por cumplicidade. Aposto mais nesta última hipótese.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Bom Natal e festas felizes

No tempo de Salazar e Caetano existia o hábito de as pessoas desejarem Bom Natal e festas felizes a outros que estavam longe através de cartões de boas festas, enviados pelos correios.
Hoje em dia enviam-se mensagens pelo telemóvel...mas não é a mesma coisa.

No Natal de 1970 comprei este cartão para enviar a um amigo ( o Pontes que nunca mais vi) que me tinha desejado do mesmo modo o Feliz Natal. A escolha destes cartões obedecia a uma estética e este tem um aspecto moderno, próprio da época. Foi a cor de fundo, este verde, com cartolina de textura que me levou a escolher.

Não o cheguei a mandar por circunstâncias que agora não me lembro ( faltaria o selo de 50 centavos, se calhar)  mas ainda tem,  escrita  no verso,  a retribuição da gentileza.

Fica aqui, passados estes 46 anos para desejar a todos um Bom Natal.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O PSD e o PS querem funcionalizar os magistrados do Ministério Público...

Do DN de ontem:
 


Tirando o erro de se indicar que a lei de Organização do Sistema Judiciário procura "autorizar a transferência de procuradores entre comarcas", porque não é entre comarcas mas na mesma comarca, o resto explica o que se pretende com esta lei, em aprovação no Parlamento contra a proposta apresentada pelo próprio Governo: permitir que dentro de uma mesma comarca, quem lá mande hierarquicamente, seja o procurador-coordenador ou por via indirecta a hierarquia máxima do MºPº, tenha o poder de "deslocar" um magistrado do MºPº para um lugar que não escolheu aquando da colocação inicial e isso mesmo contra a sua vontade.
Até aqui, tal não era  assim e tal liberdade da hierarquia movimentar assim magistrados lesa a autonomia interna do MºPº que é uma prerrogativa que o próprio MºPº deveria lutar por preservar, uma vez que isso custou muita luta nos anos noventa e antes disso.
Agora, até a própria procuradora-geral da República votou a favor de uma alteração que nem o próprio Pinto Monteiro se atreveu a fazer ( o episódio da "rainha da Inglaterra" revela algo sobre isso...).

Claro que pelo PSD aparece o deputado Carlos Abreu Amorim que deveria saber mais, mas é isto que se vê...foge-lhe sempre o pé para aquela chinelinha já muito velhinha.

Assim é altura dos magistrados do MºPº se unirem e lutarem pelos direitos que afinal são dos cidadãos em geral e a própria hierarquia esqueceu...

Em 2007, num outro blog, escrevi isto sobre o assunto:

Do sítio da PGR, respigam-se estes elementos de esclarecimento:
Emblematicamente, a magistratura do Ministério Público define-se por três grandes princípios: o da responsabilidade, o da hierarquia e o da estabilidade.
A responsabilidade "consiste em os magistrados do Ministério Público responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus deveres e pela observância das directivas, ordens e instruções que receberem".
Contrariamente ao que, por vezes, aparece referido, a responsabilidade não corresponde a uma diferença específica entre a função do juiz e a do Ministério Público, havendo situações históricas (a certa altura, a legislação nacional foi exemplo disso) e sistemas de direito comparado (casos, nomeadamente, da Espanha e da Itália) em que o juiz está igualmente sujeito ao princípio da responsabilidade.
O que é então, a autonomia do MP?
É a vinculação a critérios de legalidade e objectividade e pela exclusiva sujeição dos magistrados e agentes do Ministério Público às directivas, ordens e instruções" previstas na Lei Orgância do MP.
Por outro lado, se os juízes têm de ser independentes e imparciais, os magistrados do MP, serão isentos e objectivos.
A isenção traduz-se no dever de os magistrados do MP, promoverem e decidirem segundo uma ética de procedimento enformada pela lei e pelas normas profissionais que dela decorrem.
A objectividade traduz-se na obrigação de actuar sem uma perspectiva unilateral dos factos e do direito, devendo adoptar posições representativas da realidade que podem chegar ao ponto de alegar em benefício da defesa e investigar à charge e à décharge.
A hierarquia do MP, ao contrário do que alguns pretendem, não tem um significado de subordinação total e absoluta. Tem um sentido preciso ligado a necessidades impostas pela natureza das funções e por um objectivo de democratização da administração da justiça.
Exercendo funções de iniciativa e acção que, até por razões de celeridade, reclamam uma actuação unipessoal (os órgãos colegiais estão sujeitos a um processo mais moroso de formação da vontade), é necessário que haja mecanismos que, de forma preventiva ou a posteriori, acautelem a dispersão de procedimentos.
Por outro lado, é especialmente por intermédio do Ministério Público que se asseguram as finalidades de uniformização da jurisprudência e de igualdade dos cidadãos perante a lei e a justiça. Por via dos recursos (particularmente dos recursos para uniformizar jurisprudência e de constitucionalidade), o Ministério Público potencia a unidade do direito e a igualdade dos que recorrem aos tribunais.
Cabendo ao Ministério Público amplos poderes de iniciativa que cobrem praticamente todas as áreas da vida em sociedade, a ausência de hierarquia poderia significar a multiplicação de entendimentos e a colocação dos cidadãos numa situação de verdadeira desigualdade.
A hierarquia permite evitar ou resolver a fragmentação de procedimentos ou de correntes doutrinais no interior do Ministério Público e, ao uniformizar as iniciativas desta magistratura, previne e remedeia a divisão da jurisprudência.

Outra característica estrutural da magistratura do Ministério Público é a sua unidade e indivisibilidade. Tal significa que todos os magistrados que fazem parte da mesma comarca, departamento ou serviço têm igual competência para exercer funções que estejam cometidas a esse escalão hierárquico.É este o sentido da hierarquia e não aquele que Vital Moreira, e outros, ardilosamente, lhe pretendem conferir.
Além disso, o MP beneficia também de um princípio da estabilidade. Tal significa que os magistrados do Ministério Público não podem ser transferidos, suspensos, promovidos, aposentados, demitidos ou, por qualquer forma, mudados de situação senão nos casos previstos naquela lei.
Esta garantia, consignada em favor dos magistrados do Ministério Público, e para benefício da isenção e objectividade que só podem garantir melhor os direitos dos cidadãos, tem um conteúdo semelhante à inamovibilidade reconhecida aos juízes. Aliás, são os próprios Gomes Canotilho e Vital Moreira, quem ensinam que a referida garantia constitui não só uma reserva de lei quanto às excepções à inamovibilidade ou estabilidade como também a exigência de uma justificação adequada para essas excepções.
O paralelismo dos magistrados do MP em relação aos juízes, estabelecido estatutariamente, tem um significado e alcance precisos:

É estabelecido segundo os vários escalões hierárquicos: o procurador-geral da República tem categoria, tratamento e honras iguais aos do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e usa o trajo profissional que compete aos juízes conselheiros; o vice-procurador-geral da República tem categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça e usa o trajo profissional que a estes compete; os procuradores-gerais adjuntos têm categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes de Relação e usam o mesmo trajo profissional; os procuradores da República e os delegados do procurador da República têm categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes dos tribunais junto dos quais exercem funções e usam o trajo profissional que a estes compete. “


Entretanto, os juízes mexem-se um bocadinho, mas estão preocupados com a sua eira, como é natural.
Os juízes deveriam entender que a magistratura do MºPº não é inimiga da dos juízes e se não participa do órgão de soberania "Tribunais" também não anda longe do mesmo e contribui decisivamente para a aplicação da Justiça em nome do Povo. Os juízes, em crime, só julgam o que o MºPº lhes apresenta para julgar...

 Observador:

Os juízes enviaram a Marcelo Rebelo de Sousa um alerta contra as alterações ao funcionamento dos tribunais, aprovadas no Parlamento, e que no seu entender colocam em causa a sua independência e são até inconstitucionais. A exposição, noticiada pelo jornal Público, conta com a assinatura de 429 magistrados, num universo de 1.700 a nível nacional.

Os juízes promotores do aviso, feito esta semana, alertam para o risco de instrumentalização da classe pelo poder político e por outros magistrados que exerçam cargos de chefia no sistema judicial. E consideram que lei de Ministério da Justiça, liderado por Francisca van Dunem — ela própria uma procuradora –, representa “um instrumento de violento agravamento discricionário e casuístico da situação do juiz”.

Um dos aspectos mais atacados nas novas regras passa pela possibilidade de terem de trabalhar em vários tribunais, em simultâneo, sem receber uma remuneração adicional, o que para os juízes “fere um notável número de preceitos da Constituição”. A transferência dos magistrados entre tribunais é outra matéria alvo de contestação, na medida em que trata os juízes como “funcionários indiferenciados”, sujeitos e um regime de mobilidade.

Nova teoria de conspiração, precisa-se

Observador:

As impressões digitais o tunisino Anis Amir foram encontradas no camião usado no atentado de segunda-feira no Mercado de Natal de Berlim. A informação está a ser avançada pela imprensa alemã.

Se esta notícia se confirmar, é caso para dizer que há gente que gosta tanto de teorias de conspiração explicativas de acontecimentos que ainda vai elaborar mais uma para justificar que não se precipitou na análise do facto de o bi deste suspeito se encontrar no interior do camião.

Há um ditado da sabedoria popular que poderia ajudar estas pessoas: o diabo tapa com uma mão e destapa com as duas.

Os islâmicos não são alheios a esta natureza das coisas ou imunes a estes fenómenos. Aliás, já tinha acontecido o mesmo nos atentados de Paris, o que denota o amadorismo destes novos  kamikazes e que por isso não são menos perigosos.

ADITAMENTO às 17:43:
 
O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, informou que o tunisino Anis Amri é, “com alta probabilidade”, o autor do atentado de Berlim, à luz das provas adicionais recolhidas no camião com que realizou o ataque.


Parece que afinal...poderá ser mesmo. Aguardemos por mais teorias de conspiração, então.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Uma Cornucópia de esquerdistas



"O gesto inesperado de Marcelo Rebelo de Sousa em aparecer naquela que deveria ser a última sessão da Cornucópia pode ter salvo a companhia da extinção imediata, mas abriu uma nova frente de polémica. É que o Presidente da República afirmou que tinha ido ao primeiro espectáculo da Cornucópia, em 1973. 

Algo que o encenador Jorge Silva Melo veio desmentir no Facebook, com uma mensagem em que chama "mentiroso" a Marcelo. O homem que fundou a Cornucópia com Luís Miguel Cintra garante que o Presidente não foi ao espectáculo de estreia da Cornucópia: "O Marcelo diz que foi à estreia de "O Misantropo" em 1973? Hã? Ca mentiroso, jasus.É que era eu que tratava dos bilhetes, tenho memória infalível, era a nossa estreia e sei lindamente quem foi (muitos já morreram...)" 
 E, para apimentar ainda mais a trama, Silva Melo chama o primeiro-ministro à discussão. É que Silva Melo lembra-se de que António Costa foi ver o espectáculo com a mãe: "Viste-o por lá, ó António Costa? E a tua mãe e minha amiga Maria Antónia?", pergunta Silva Melo."


 Em 1973 o teatro em Portugal era uma das artes em que a gesnte da cultura esquerdista se acoitava para para minar os alicerces do regime. 
Apesar da Censura então existente a mensagem cultural esquerdista passava sem dificuldades de maior entre os cultores do género e muitos dos artistas de então continuaram ao longo dos anos a representar para um público que foi diminuindo à velocidade do progresso tecnológico.

O teatro da Cornucópia foi um desses grupos, entre outros que então existiam e faziam espectáculos em salas de bairro. 

O historial do grupo é contado aqui pelos próprios, sem a patine do tempo. 

Por aí se vê que a primeira peça encenada e representada pelo grupo foi  O Misantropo de Molière.
Conforme agora escrevem revisitando a História, a escolha de tal peça do repertório "clássico" ficou a dever-se ao terrível fassismo ("condicionado pela censura fascista"...)

Um dos fundadores iniciais da troupe foi Jorge Silva Melo ( a par de Luís Miguel Cintra), o mesmo que agora apelida o presidente da República de "ca mentiroso" por, segundo as suas memórias, não ter ido à estreia da primeira peça, como terá dito.  

Vamos primeiro ao "fassismo" como factor inibidor das actividades culturais esquerdistas da época.

A par da Cornucópia, fundada em finais de 1973, havia já em acção vários grupos de teatro que representavam peças de outro género que desmentem mais esta palermice idiota, como os Bonecreiros com  "A grande imprecação diante das muralhas da Cidade", do alemão Tankred Dorst e que o próprio PCP considerou em 2004 ter sido "uma brecha aberta na rude muralha fascista que meses depois havia de ser derrubada pelo povo".  

Também de Tankred Dorst, a peça A curva, foi levada a cena pelo Grupo4, ( Rui Mendes, Irene Cruz, João Lourenço e Morais e Castro) e lidava com temas que aparentemente a Censura fassista não deveria tolerar na concepção tola destes revisionistas da História. Esta premência estúpida em diabolizar o tempo anterior ao 25 de Abril de 1974 leva às falsificações históricas, ao revisionismo da própria memória e à descredibilização completa destes  indivíduos que assim se expõem.

No grupo A Comuna-Teatro de Pesquisa, havia a intervenção do "dramaturgo" Nuno Bragança, um "católico progressista" ( deram todos no MES...) e as obras levadas a cena reflectiam esse espírito progressista da época com censura fassista.

E por aí fora...como se mostra nestes recortes da revista Cinéfilo, de 11 de Outubro de 1973, no seu número 2 e que mostra bem o que foi esta gesta do teatro contra o fassismo.


Quanto ao grupo da Cornucópia e à sua estreia coincidiu tal com a publicação deste número do Cinéfilo de Outubro de 1973 e disso se dá conta. A peça estreou em 13 de Outubro de 1973, um Sábado e era muito recomendada pela qualidade profissional dos actores. 



Também a revista R&T que então se publicava, na sua resenha de fim de ano mencionava a peça e o grupo .


E o jornal o Século, representante do fassismo mas com articulistas como o comunista Urbano Tavares Rodrigues também o mencionou na edição de 1 de Janeiro de 1974, com "uma última menção de alto louvor":




Tal como mencionava  no artigo da R&T uma síntese de peças de Arrabal, na peça Cemitério de Automóveis e no artigo do Século o carácter da peça que "vai ao encontro do mais profundo Arrabal, místico, escatológico, num clima de denúncia dos tabus e revolta infrene".
Enfim, tudo características de um Arrabal que só poderia ser  um perigoso fassista, como é sabido e só por isso foi possível representá-lo no Portugal de 1973...

Perante isto o que diz Jorge Silva Melo sobre o "ca mentiroso" vale tanto como o que diz sobre o resto, lá no sítio do grupo de teatro: pouco, muito pouco.
Mas é interessante e evidente que a senhora Palla não poderia ter faltado à estreia destes esquerdistas nos idos de 1973.

Torna-se aliás muito interessante revisitar estes jornais de época em que se espelha um predomínio esquerdista na área da cultura que explica de algum modo o que sucedeu depois do golpe de 25 de Abril de 1974.

O jornal socialista maçónico República, já então dirigido por Raul Rego fazia na sua edição de 31 de Dezembro de 1973 uma apreciação sobre o teatro da época em Portugal, destacando a peça da Cornucópia. Assim e de modo que não se suscitam dúvidas sobre o facto de ter sido uma peça escolhida por se adequar ao critério de qualidade e não apenas como refugo por não poderem representar outras peças que o fassismo não deixava, como agora se lamuriam em revisionismo histórico:


Em entrevista à mesma revista Cinéfilo nº 17 de 24 de Janeiro de 1974 o fundador Jorge Silva Melo dizia mesmo que O Misantropo tinha sido escolhido porque provou que era-é- possível fazer o teatro que queríamos, quer ao nível estético, quer ao nível pessoal"

Dizer agora na página do grupo que este género de peças era escolhido por não se poderem representar outras é digno de um Marcelo Rebelo de Sousa...

E anunciar a peça seguinte, A Ilha de Escravos de Marivaux, escrevendo o que se pode ler é a prova disso mesmo.


ado de Marcelo Rebelo de Sousa em aparecer naquela que deveria ser a última sessão da Cornucópia pode ter salvo a companhia da extinção imediata, mas abriu uma nova frente de polémica. É que o Presidente da República afirmou que tinha ido ao primeiro espetáculo da Cornucópia, em 1973. Algo que o encenador Jorge Silva Melo veio desmentir no Facebook, com uma mensagem em que chama "mentiroso" a Marcelo. O homem que fundou a Cornucópia com Luís Miguel Cintra garante que o Presidente não foi ao espetáculo de estreia da Cornucópia: "O Marcelo diz que foi à estreia de "O Misantropo" em 1973? Hã? Ca mentiroso, jasus.É que era eu que tratava dos bilhetes, tenho memória infalível, era a nossa estreia e sei lindamente quem foi (muitos já morreram...)" E, para apimentar ainda mais a trama, Silva Melo chama o primeiro-ministro à discussão. É que Silva Melo lembra-se de que António Costa foi ver o espetáculo com a mãe: "Viste-o por lá, ó António Costa? E a tua mãe e minha amiga Maria Antónia?", pergunta Silva Melo.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/silva-melo-chama-mentiroso-a-marcelo-rebelo-de-sousa-em-causa-a-presenca-do-presidente-na-estreia-da-cornucopia-em-1973
O gesto inesperado de Marcelo Rebelo de Sousa em aparecer naquela que deveria ser a última sessão da Cornucópia pode ter salvo a companhia da extinção imediata, mas abriu uma nova frente de polémica. É que o Presidente da República afirmou que tinha ido ao primeiro espetáculo da Cornucópia, em 1973. Algo que o encenador Jorge Silva Melo veio desmentir no Facebook, com uma mensagem em que chama "mentiroso" a Marcelo. O homem que fundou a Cornucópia com Luís Miguel Cintra garante que o Presidente não foi ao espetáculo de estreia da Cornucópia: "O Marcelo diz que foi à estreia de "O Misantropo" em 1973? Hã? Ca mentiroso, jasus.É que era eu que tratava dos bilhetes, tenho memória infalível, era a nossa estreia e sei lindamente quem foi (muitos já morreram...)" E, para apimentar ainda mais a trama, Silva Melo chama o primeiro-ministro à discussão. É que Silva Melo lembra-se de que António Costa foi ver o espetáculo com a mãe: "Viste-o por lá, ó António Costa? E a tua mãe e minha amiga Maria Antónia?", pergunta Silva Melo.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/silva-melo-chama-mentiroso-a-marcelo-rebelo-de-sousa-em-causa-a-presenca-do-presidente-na-estreia-da-cornucopia-em-1973