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sábado, 23 de setembro de 2017

Uma capela em Braga

O jornal Sol publicou esta página na edição de hoje:

O artigo é sobre uma obra de arquitectura na remodelação de uma capela, no Seminário Menor de Braga, que a foto mostra.



Esta capela que agora assim se mostra e na perspectiva indicada, com vista para o fundo,  já foi assim, até há pouco tempo:




Estive lá em Maio passado e gostei da transformação apesar de ser  tão radical que parece outra capela.

Obra notável e embora conheça quem não aprecie,  julgo que a nova capela transmite uma dimensão religiosa sublimada da anterior. Agora parece uma pequena catedral medieval inserida num espaço que antes era apenas modernista ou nem isso: vulgar.  A ilusão é de tal forma que o escrito exposto dá uma dimensão poética à sensação de lá estar.

Companhias do percurso comunista

Em 1975, em pleno PREC apareceram por cá alguns espécimes da intelectualidade europeia da época e um deles foi Jean-Paul Sartre, o idolatrado de uma extrema-esquerda que não alinhava necessariamente pelos cânones ortodoxos da doxa soviética do PCP.  Eram apenas companheiros de percurso...
Sartre tinha ido em 1954 à URSS e veio declarar que encontrara um país de liberdade, sabendo-o acabadinho de sair do estalinismo mais aterrorizante, com polícia política, censura, repressão intelectual e política etc etc. 
Não obstante ter obrigação estrita de enunciar tudo isso, sabendo-o, Sarte proclamou em França que a URSS era o país em que havia mais liberdade.  Depois mudou, diz que com os acontecimentos da Hungria, a partir de 1956.

Apesar disso Sartre foi sempre um companheiro de percurso de uma certa esquerda e foi isso que veio fazer a Portugal, em 1975, como relata a Vida Mundial de 27.3.1975.






A vida nacional de então estava ao rubro com o PREC em alta rotação, como se nota nestas entrevistas do mesmo número da revista, sobre as nacionalizações da banca e dos seguros.





Naturalmente Sartre aplaudia isso e muito mais. E por cá dava-se-lhe toda a credibilidade do intelectual francês, sério e para levar à risca.  A Flama da mesma época:



Nessa altura Sartre ainda vivia influenciado pelos acontecimentos de 1968 em França. Cinco anos depois, a revista Le Nouvel Observateur, através de outro intelectual de esquerda francesa Benny Lévy, muito preocupado com o judaismo, fez o que o Jornal da época ( Abri-Maio de 1980) chamou de "testamento".


 A entrevista que é difícil de encontrar, foi publicada em quatro números, faltando aqui o terceiro. Porém, permite entender a mudança de Sartre, política e pessoal.

Adivinha-se a mudança para uma ideologia do género da Geringonça, em que se misturam sempre os ingredientes da luta de classes com compromissos relativamente aos inimigos, em manobra táctica costumeira e leninista.

Sartre era um intelectual conhecido em Portugal mesmo antes do 25 de Abril de 1974. A mesmíssima revista Vida Mundial, em 13.11.1970 publicava uma entrevista extensa com o intelectual, traduzida da   New Left Review inglesa.


Na entrevista acima transcrita Sartre, confrontado com uma declaração de Romain Rolland, outro intelectual francês, acerca de uma visita à URSS, em 1935, em plena época de purgas estalinistas, em que o mesmo dizia que "tinha visto na União Soviética um notável alargamento dos direitos do espírito humano" , Sartre dizia que Rolland não era um pensador notável.

A mesma Vida Mundial em 30.10.1970 tinha-lhe dado uma capa...e um artigo extenso em que não constava nada sobre tal afirmação acerca da União Soviética.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Novos mundos ao mundo

As descobertas portuguesas foram o tempo do nosso período áureo? Qual a finalidade das nossas descobertas Além-Mar?  Para lá do feito que representou acharmos um modo de ir por mar até à Índia, como ninguém o tinha feito até então, que mais houve? Tirando o comércio resultante e a riqueza que daí adveio em cofres recheados que aliás se malbarataram algumas décadas depois, o que ficou para sempre?

Para mim,  a experiência portuguesa de antanho, intrépida e inovadora, representa o que fizemos de melhor durante séculos.  Ficamos, além disso, a senhorear algumas terras em África e no Extremo-Oriente, possessões de que abdicamos, contra vontade, na segunda metade do século XX. Não tivemos força para fazer melhor e entregamos, a bem e a mal, o que dizíamos ser nosso.

Essa "descolonização exemplar" precedida da entrega forçada das possessões na Índia, e da perda do Brasil, para um dos nossos que para lá foi trair a pátria, é apenas um fait-divers no panorama geral das nossas façanhas marítimas e militares da época.

Em 1974 estávamos já perdidos no tempo e sem possibilidades de manter o status quo durante muitos mais anos. E aconteceu o inevitável que poderia ter sido remediado algumas décadas antes.

Franco Nogueira dizia que "Portugal acabou" por causa da perda dos territórios africanos. Uma morte anunciada com muito exagero, diga-se. Mas o que acabou para Portugal, com tais vicissitudes foi a ideia de um Portugal do Minho a Timor. Esse, de facto, acabou. Mas se calhar também nunca existiu.

Para entender o que fomos nessa gesta e o que a mesma representou, incluindo as consequências modernas tenho três livros a apresentar:

O primeiro é um longo poema épico que todos os portugueses de algum modo conhecem, mesmo que não o tenham lido de fio a pavio: Os Lusíadas de Luís de Camões.
Aqui, numa edição anotada por Campos Monteiro, dos finais dos anos 40:


O segundo é um livro que constitui uma longa certidão de óbito ao nosso Império territorial, em África. Assinado em 1977  por um dos  lugares-tenentes do anterior regime, dedicado às questões ultramarinas desde 1962 até 1974.
Silva Cunha tem aqui um testemunho que contrasta com os habituais relatos sobre o que aconteceu na descolonização portuguesa.


O terceiro é a visão mística do que foram as descobertas: a explicação por um dos maiores cultores da nossa língua - o Pe António Vieira- do que representou a gesta portuguesa, consignando a ideia de um Quinto Império universal, depois dos maiores que surgiram até então. A visão soa muito a estratégia para se livrar da Inquisição, mas é tentadora.

O Mito perdurou durante séculos, foi aflorado por Fernando Pessoa numa Mensagem que em 1934 já dizia que Portugal era "Nevoeiro..." e aproveitado em 1940 nas celebrações dos Centenários  nacionais.


A gesta portuguesa de há quinhentos anos recordada outra vez em 1985, em comemorações de época, expunha-se assim na revista Oceanos:



Estes feitos comparam-se a estoutros ocorridos alguns séculos depois.






Alguém duvida?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Esquerda contra a natureza tende ao totalitarismo

Crónica de Francisco José Viegas no CM de hoje:


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Uma poesia para Portugal

Um comentador deixou esta poesia de Afonso Lopes Vieira que merece destaque, para se mostrar aos turistas que por aqui vão passando, vindos dessa Europa fora e de outros lugares. 
A maioria dos portugueses ( aposto que o primeiro-ministro incluído) não conhecerá esta poesia e muito menos o que a sustenta:

Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...

E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.

Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P:S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.


domingo, 17 de setembro de 2017

Mais uma trafulhice de Sócrates

 Observador:

Questionado, Sócrates admite a possibilidade de recorrer ao Tribunal Europeu caso se esgotem todos os recursos. “Se chegar a esse ponto acusarei o juiz Carlos Alexandre e a justiça pela actuação contra mim no processo e pelo dano moral que me estão a causar. Não têm o direito de me submeter a esta pressão e desgaste físico e psíquico há três anos. Estão a tentar destruir-me e separar-me da minha família mas não conseguiram, nem conseguirão”.
O ex-primeiro-ministro nega ainda qualquer ligação a Ricardo Salgado, garantindo que nunca pertenceu ao seu “círculo próximo”, nem tinha o seu número de telefone.
Tudo o que se publicou são falsidades. Não sou amigo de Ricardo Salgado”, afirmou, acrescentando que a relação que tinham era “meramente formal e fria em alguns momentos”.

O perseguido José Sócrates virou-se para os galegos que- vá lá saber-se porquê- lhe deram voz no jornal regional.

A afirmação de que irá para a justiça europeia dos direitos do homem baseia-se em quê? Na demora do inquérito? Pode pedir batatinhas a quem protelou as investigações com recursos e recursinhos, como são os seus advogados que nesta altura devem já ter ganho uma pipa de massa. Paga por quem e como?

Por outro lado, a responsabilidade do juiz de instrução Carlos Alexandre foi sempre amparada e sufragada pelos juízes dos tribunais superiores ( com excepção do caso singular do juiz Rui Rangel, amigo do dito Sócrates e às voltas com inquéritos sobre a sua idoneidade profissional), logo está alargada a dezenas de juízes que são constitucionalmente irresponsáveis, neste nível de decisões.

Portanto, mais uma trafulhice para enganar papalvos. Sócrates sabe muitíssimo bem tudo isto, mas usa estas tiradas demagógicas e aviltantes para enfatizar uma coisa simples: não tem razão alguma e procura desviar a atenção do essencial.

Uma trafulhice, segundo os dicionários, é uma aldrabice, uma intrujice. 

Dois livros do tempo do fassismo

Na última feira do livro do Porto topei estes dois livros interessantes, na forma e conteúdo. São ambos de décadas antigas, de um tempo hoje vilipendiado como sendo de obscurantismo e em que o país estava mergulhado na tenebrosidade do fascismo.

O primeiro é de finais dos anos 40 do séc. XX e da editora Livraria Tavares Martins, do Porto. De uma colecção "Gente grande para gente pequena", assinado por Adolfo Simões Müller, entendido pela intelligentsia que grassa nas faculdades de Letras como mais um fascista do tempo de Salazar.

O livro é sobre o casal Curie e a respectiva descoberta ( a radioactividade que nesse tempo conduziu à energia nuclear) , chama-se "A pedra mágica e a princesinha doente" e tem esta capa ilustrada pelo artista Fernando Bento que só por si vale o livrinho.


Adolfo Simões Müller foi alguém que em Portugal se destacou nas actividades de divulgação literária, particularmente nas revistas de banda desenhada que então surgiram um pouco por toda a parte, na Europa.

O Cavaleiro Andante é uma delas e há por aí um estudo de algumas dezenas de páginas patrocinado pela faculdade de Letras do Porto sobre "a Censura" na banda desenhada nesse tempo de Salazar. O estudo é meritório na documentação e lamentável no propósito: vilipendiar o antigo regime circunscrevendo o papel da Censura a publicações infanto-juvenis, em Portugal, sem atender ao panorama europeu e mundial que então se vivia até aos anos cinquenta.
É mais uma mistificação a acrescentar a tantas outras, esta com o selo académico, como aliás muitas outras.

O segundo livro em destaque é uma obra didáctica que foi publicada originalmente em fascículos,  durante a segunda metade dos anos cinquenta do séc. XX.

Em 13.4.1955 o Diário Popular anunciava assim tal publicação das Edições Ouro, Lda, do Porto e de que não há resquícios de memória na internet. Alguém saberá mais sobre tal editora?


Imagem da Hemeroteca online.

"Nicht Wahr?" (Não é assim?!) é uma obra que pretende ensinar a língua alemã em modo divertido e é fabulosa no modo como ensina. Estou a aprender...


E a primeira lição começa assim:



Gostava de ler duas obras publicadas este ano em Portugal que tivessem o mesmo interesse...

sábado, 16 de setembro de 2017

A história de uma trafulhice e uma prepotência de quem foi primeiro-ministro de Portugal

Sol de hoje:


Nestas duas páginas conta-se uma história singela de um fait-divers que conta mais do que muitos artigos, sobre o que era o antigo primeiro-ministo José Sócrates: um trafulha, simplesmente.

Quando isto sucedeu já não era primeiro-ministro mas não hesitou em mexer os cordelinhos dos apaniguados que tivera para resolver uma situação embaraçosa, que nem sequer o afectava pessoalmente, para tramar o jornalismo que o chateava. E estes deram-lhe toda a colaboração o que denota o que este indivíduo foi.

Um tal Emanuel Augusto dos Santos o que é, depois disto que se sabe? Para além de economista sem eira, um traficante de favorzecos, desta espécie rasca?

Quanto aos funcionários do Fisco e da CGD nem é preciso dizer mais nada porque estas páginas falam por si. Que tristeza!

O advogado João Araújo a escrever "cartinhas" ao director do Fisco depois de se inteirar por portas travessas e cunhas metidas, do que se passava...outra tristeza, mas neste caso sem vergonha alguma. 

Um tipo que foi primeiro-ministro, quando já o não era tinha ainda este poder. Só de imaginar o que fez quando tinha o poder todo...

E disse ao tal Emanuel, depois de saber de tudo isto e da trafulhice em que estava metido que ia meter uma queixa.crime contra o director-geral de Impostos ( Azevedo Pereira, na época) por permitir que alguém do Fisco divulgasse a informação...sabendo que era verdadeira e sabendo que era uma trafulhice o que estava a fazer. Ou seja, uma denúncia caluniosa contra o dito.

Ah! O caso dos tais impostos em falta, que não foram realmente pagos pela mãe de Sócrates no tempo devido e originaram esta trafulhice, diziam respeito à venda da casa. Quem a comprou? Santos Silva, o amigo incondicional do dito que lhe emprestava aos milhões, sem pedir contas nem papéis...

Está tudo dito? Não, isto é apenas um fait-divers.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A heróica resistência das múmias do PCP contra o tempo que já passou

Revista O Militante do PCP, edição Setembro/Outubro 2017: todos os temas do comunismo, todas as teorias sobre o mundo actual, a sociedade, o modo de produção, etc, resistem estoicamente no formol do papel a preto e branco de uma revista com décadas.
Tal como há 40 ou 50 anos atrás, o discurso comunista do PCP é sempre o mesmo e enunciado do mesmo modo nesta revista.
O comunismo já morreu e como os répteis a quem cortam o rabo,  continua a rabiar do mesmo modo de sempre,  agitando o meio que os rodeia como sempre o fizeram: com greves e ameaças de alterações sociais.

O estranho fenómeno que resiste na Europa em condições únicas, neste canto mais ocidental, tarda em desaparecer porque tal como a múmia de Lenine, ninguém dos media parece interessado em remover para a tumba definitiva.


O PS em França acabou e por cá há-de ser igual

Em França foi assim e por cá há-de ser igual. Basta que as pessoas em geral se apercebam da quantidade de patifes, pindéricos e oportunistas que se acoitam à sombra do poder do Largo do Rato.
É possível enganar muita gente durante algum tempo; pouca durante muito tempo mas nenhuma o tempo todo. 

Imagem de L´Obs de 14.89.2017

A elite corrupta do jornalismo

Eduardo Dâmaso, no CM de hoje,  chama "jornalismo de elite" àquele que escolhe notícias em função dos factos. Se estes disserem respeito a alguém da mesma cor política ou preferência partidária, omitem, censuram previamente sem comissão para o efeito. O mecanismo é interno e funciona por atavismo.
São geralmente os mesmos que se indignam com o fassismo de antanho e a comissão de censura prévia que existia para regular o exercício jornalístico fora das regras conhecidas e que os mesmos violavam por serem da "oposição". Como agora são da "situação" fazem o mesmo, sem comissão alguma porque se organizam entre si segundo os próprios interesses. Um corporativismo sui generis, portanto.

Há uma diferença de vulto: dantes, a comissão tinha censores pagos para tal pelo organismo respectivo. Hoje os censores são pagos para tal, mas por entidades avulsas e desconhecidas, por vezes em géneros ( viagens e regalias) ou em serviços ( empregos garantidos em certos lugares para eles e filharada mais primos se necessário for).

A corrupção moral ( pelo menos) é evidente mas nunca se dão por achados. São antifassistas com provas dadas de luta pela "liberdade".

Por outro lado essa "elite" deveria saber que  Roma não paga a traidores e quando a falência for iminente irão sofrer as agruras de quem não soube ser o que deveria ter sido: Jornalista com J grande.


Estes prejuízos não se justificam apenas pela conjuntura, pela Internet, pelos sítios avulsos de notícias gratuitas, etc etc. Justificam-se porque as pessoas em geral não acreditam no jornalismo que fazem, não compram o produto e por isso é melhor desaparecerem porque não fazem falta nenhuma.
Existem enquanto forem subsidiados, como o Público é, por causa do capitalista dos supermercados. A Global Media não tem supermercados para lhe valer. Nem chineses. E o Proença de Carvalho não tem dinheiro suficiente para lhes valer, nem próprio nem alheio, apesar do que deve ter...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O jacobinismo é quem mais ordena: o curso em dia é que conta

RR:

Rui Esteves abandona o cargo no dia em que foi aberto um inquérito à sua licenciatura, a pedido pelo ministro do Ensino Superior e pelo presidente do Politécnico de Castelo Branco.



 Este desgraçado passou pela pior experiência da vida profissional, este Verão, com a morte de 66 pessoas em Pedrógão Grande, provocadas em boa parte devido à sua incompetência e dos que o rodeiam.  Não se demitiu porque nem entendeu tal coisa básica. O curso que tem, afinal não chegou para lhe ensinar tal evidência primária.

Demitiu-se agora por causa desse curso tirado, segundo parece,  por correspondência, obtendo uma licenciatura como há muitas por esse país fora.  Poderia ter sido ao Domingo ou num dia qualquer da semana. Tanto faz. Mas é isso que faz toda a diferença para esta gente que governa.

Não se demitem pela incompetência que ostentam nem pelas asneiras que cometem. Não sentem qualquer vergonha por isso.
Demitem-se por se saber que tiraram cursos superiores facilitados ou por outro fait-divers qualquer que é tomado como algo inadmissível para as aparências de quem manda e o sistema de valores trocados.

Este indivíduo não esteve aqui, no dia a seguir ao incêndio, não lhe deu jeito, mas estes que lá estiveram talvez fosse melhor nem terem estado.
Dali a dias o principal foi de férias para as Baleares, porque precisava de descansar da chatice dos mortos de Pedrógão. A dos sapatos de ténis ainda continua lá, a fazer tristes figuras porque não tem vergonha nenhuma das que já fez.
Consta que todos têm o curso em dia...


Esta foto foi tirada da NET. Não sei a quem pertence. 

Entretanto, outra notícia fresca:

 O filho mais novo de Diogo Lacerda Machado — o “melhor amigo” de António Costa que negociou, em nome do primeiro-ministro, os dossiers da TAP e dos lesados do BES — colabora há dois meses, a título “experimental”, com uma empresa do sector empresarial do Estado na área da Defesa.

Aqui não há demissão alguma. Apenas a da vergonha.  O tráfico de influências é só para as negociatas...a isto não se aplica. 

O melhor exemplo jacobino destas medidas tipo PS é dado no Público de hoje ( 15.9.2017): 


Dantes, os comandantes da Protecção Civil eram escolhidos entre os melhores colocados, pela experiência e saber acumulados em funções. Não era necessário curso superior, mas um tal Ascenso Simões, da maçonaria ou por aí, entendeu que o melhor era funcionalizar tais pessoas com cursos superiores, porque não lhes faz sentido que um comandante não seja dr. ou eng. quando alguns subordinados já o são...

Esta mentalidade perpassou nos anos 2000, fruto das estatísticas do nosso atraso peculiar e invadiu também os politécnicos, esses centros de saber acumulado copiado de outros países porque o nosso abandonou tal estrutura de ensino nos anos setenta, logo a seguir ao 25 de Abril. Foram aliás os mesmíssimos gagos e grácios que tiveram a luminosa ideia de licenciar a eito e doutorar a preceito sem distinção de currículos sempre que houvesse um doutor a postos para o efeito. Universidades passou a haver. A eito também e que deram os afamados cursos independentes e afins.

Foi esta mentalidade que agora tramou o comandante Esteves. Em vez de fazer um manguito a estas actualizações serôdias e sempre atamancadas de improvisação, como outros fizeram, o dito teve uma ideia que outros também seguiram: actualizar o currículo com cursos passados e obter uma licenciatura através dessa procuração. Tramou-se porque o jacobinismo é mesmo assim: contam as aparências porque a ética é a lei.

Porca miseria que nunca saímos da cepa torta em que andamos há um pouco mais de 40 anos.