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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Morreu Totò Riina, o curto.

Salvatore Riina morreu hoje na prisão, onde estava há cerca de 24 anos, por condenações sucessivas relativas a homicídios vários, às dezenas, por conta da Mafia de Corleone que chefiava como padrinho. Entre os mortos, vários magistrados, incluindo Giovanni Falcone e Piero Borselino e muitos outros.

Riina, um mafioso à antiga, era uma lenda viva e andou fugido à justiça durante anos e anos. Foi apanhado em 15 de Janeiro de 1993 quando circulava num carro utilitário, numa rotunda em Palermo, onde vivia incógnito.

Na altura comprei os jornais italianos que fizeram a reportagem e lembro-me como se fosse a semana passada:


Quando foi apanhado, negou a identidade e declarou-se um simples camponês ( contadino).



Para a mulher e filhos ( dois deles presos por delitos ligados à Mafia) Riina era um santo...



Como é que Riina foi apanhado? Por denúncia de arrependidos...



E porque demorou tanto tempo? Uma das razões prende-se com a corrupção da justiça italiana que não admitia sequer a existência de uma organização mafiosa. Foi por isso, por aceitar e acreditar nas denúncias feitas pelo primeiro arrependido- Tommaso Buscetta , na foto abaixo- que o juiz Falcone morreu, às ordens de Riina.

No entanto, no tribunal da Relação, havia um juiz-presidente, Corrado Carnevale,  a quem chamavam o "ammazzasentenze", ou seja o arrebenta sentenças. Tinha por hábito anular os julgamentos de mafiosos na primeira instância devido a problemas processuais que catava nos processos. Tudo na mais perfeita legalidade...

Também chegou a vez dele com as denúncias dos arrependidos...


E também por outro motivo: a mítica Mafia que se confundia com a paisagem siciliana, como era a vilazita de Corleone, de onde Riina era natural. "Um siciliano pode negar a existência da sua mãe e convencê-la disso mesmo", dizia Giovanni Falcone que sabia porque era da terra. Mentirosos natos e dissimuladores por essência.

Qual a maior armas dos mafiosos? A omertà. O silêncio de inocentes e culpados, completo e inviolável. Durante anos e anos funcionou. A partir das primeiras brechas nos anos oitenta, com o aludido Buscetta, tudo se desmoronou.



Na altura da captura de Riina que vivia nesta quinta no centro de Palermo ( era mesmo um camponês...), ainda havia outros mafiosos importantes, a monte e que foram presos alguns anos depois, como o mítico Provenzano de quem se conhecia apenas a imagem abaixo mostrada  cuja captura em 2006 foi outro feito da polícia italiana.



Esta imagem final é da revista L´Express, francesa, de 4.12.1992. Mostra um cadáver de alguém assassinado, em Palermo e é icónica desse tempo da Mafia italiana de Totò Riina.



Durante o tempo em que esteve preso, Riina foi alvo de atenção mediática uma vez que havia muitas pessoas que lhe escreviam a pedir favores, mesmo estando preso...


A luta da magistratura e Estado italianos contra a Mafia siciliana que acabou por matar ainda o juiz Paolo Borselino, durou anos e anos.

Como conta a Epoca de 9.7.1995, ainda andavam a monte vários capi mafiosos, sendo o mais importante o tal mítico Bernardo Provenzano. Um outro, Leoluca Bagarella  foi preso nessa altura.


Outro, Pietro Aglieri, em Junho de 1997.


Tudo isso se tornou possível após a colaboração premiada do antigo mafioso Tommaso Buscetta, como contava o La Repubblica de 17.11.1992.


 Em 1993 por força da colaboração de arrependidos, foram identificados os primeiros suspeitos do atentado ao juiz Falcone:


 No entanto, só em 2014 foram julgados os quatro últimos responsáveis directos pela morte na estrada de Capaci, no longínquo dia 23 de Maio 1992. Mais de vinte anos depois...

Vampiros da internet...

Ana Sá Lopes, no i de hoje:



O artiguelho sobre a "sedução" e o "assédio" cuja diferença,  pelos vistos "todas as mulheres sabem fazer" é pobrete e nem sequer alegrete.

E onde é que a articulista ou alguém por ela foi buscar a imagem representada? A este blog, porventura em busca pelo Google.Quem escolheu e vampirizou a imagem alheia deve ter pensado: este artolas que colocou isto na internet não tem direito a menção porque isto é de todos e portanto da joana também. Vou sugar a imagem que sabe muito bem copiar e deixar por conta.

Talvez seja de todos, mas eticamente ficaria bem dizer que a imagem foi copiada e de onde foi. Quando coloco aqui artigos do i digo de onde vêm e normalmente compro o jornal para ter o direito àquela imagem concreta.
Será que a ética jornalística também não dá de comer e portanto pode-se rapinar onde quer que seja, o que seja de outrém?

De resto, tal imagem vinha inserida na revista Mundo Moderno nº 31 de 1 de Março de 1970, cuja capa celebrava o 22º aniversário da Agência Portuguesa de Revistas cuja história merecia um livro ilustrado a condizer.  Bem gostaria de o fazer...


Quanto ao assunto do artiguelho vale a pena ler estas prosas da mesma revista, nessa edição, e tentar perceber a diferença entre "sedução" e "assédio". Deve ter a ver com a questão metafísica acerca das técnicas de engate e a velhíssima e sempre renovada relação entre homens e mulheres, cuja realidade ultrapassa muitas vezes a melhor ficção romântica Talvez a autora do artiguelho ainda não tenha pensado nisso.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O começo da imprensa trash em Portugal...

Sábado desta semana, última página que relata o começo de outra praga na imprensa: o aparecimento das proto-caras-vips e outras flash.

Não foi assim há muito tempo. Não tem trinta anos, sequer. O precursor ainda se gaba do feito...


A praga do texto politicamente correcto, em França

Marianne desta semana:


Os franceses já não sabem o que hão-de fazer por causa da praga da escrita politicamente correcta que obriga a respeitar o género sem distinção.
Terminam com a frase: a língua é uma coisa demasiado preciosa para ser deixada por conta dos aprendizes de feiticeiro, que podem ser também aprendizas de feiticeira...ahahaha.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Qual a diferença entre Manuel Vicente e Isabel dos Santos?

Observador:

Isabel dos Santos começa a aparecer em força na imprensa portuguesa no final da década passada como o novo rosto da vaga de investimento angolano em Portugal, ao lado da Sonangol, a petrolífera estatal que liderou durante menos de um ano e meio e de onde foi afastada esta quarta-feira pelo novo Presidente, João Lourenço.

A filha do então Presidente José Eduardo dos Santos já tinha alguns negócios em Angola, mas foram os anos da crise em Portugal que criaram as oportunidades de negócio que viriam a colocar Isabel dos Santos no capital de grandes empresas portuguesas, com poder para fazer e desfazer estratégias e operações. Alguns dos seus investimentos no nosso país começaram em alianças com empresários e companhias portuguesas. Um dos primeiros foi a operadora móvel Unitel, lançada na viragem do milénio com o apoio acionista e tecnológico da Portugal Telecom
.

Manuel Vicente foi presidente da Sonangol. Isabel dos Santos idem. Manuel Vicente trouxe capitais para Portugal e comprou apartamentos. Isabel, idem, só que muito mais, muito mais.

Manuel Vicente foi investigado por crime de branqueamento de capitais. Isabel dos Santos parece que não.

Então?! Como é essa coisa da "igualdade de todos perante a lei"? E isso da prevaricação, como é também?

Faz lembrar os crimes de lenocínio em que os arguidos são proxenetas de baixo-coturno e mulheres à beira da estrada, com condenações certas, apesar da inconstitucionalidade da lei afirmada por alguns ( Costa Andrade, por exemplo)  e os que publicam anúncios de prostituição nos jornais são empresários de "acompanhantes"...e nada lhes acontece, porque são respeitáveis e dão lucros publicitários a quem auxilia e favorece essa prostituição, objectivamente ( é essa a essência do respectivo conceito jurídico-penal).

Isto é uma vergonha, claro que é. Mas ninguém se incomoda verdadeiramente.

E por falar em Lobo Antunes e da guerra no Ultramar...

O Correio da Manhã, ao Domingo tem publicado vários apontamentos de reportagem com antigos combatentes na guerra do Ultramar português.

Normalmente os relatos na primeira pessoa mostram situações dramáticas vividas pelos tropas que fizeram comissões na Guiné, Angola e Moçambique e dão uma visão bem mais realista e vívida do que aquela habitualmente apresentada pelos cronistas habituais da "guerra colonial", expressão, aliás que estas pessoas não usam porque nunca se usava nesse tempo. Foi apenas depois de 25 de Abril de 1974 que apareceu o colonialismo, o exército colonial e outras expressões de índole comunista e esquerdista.

Tudo isto vem a propósito do livro mais recente de Lobo Antunes, sobre episódios da tal "guerra colonial" , termo que o mesmo não usava e agora usa, se calhar. E mal, porque os verdadeiros heróis e episódios de tal guerra são estes que têm vindo a ser publicados semanalmente pelo CM e em relação aos quais, Lobo Antunes diz na entrevista televisiva que eram  soldados excepcionais, na opinião de um cubano que também lá esteve.






António Lobo Antunes sobre J. Sócrates RTP 8.11.2017

Grande Entrevista de 08 Nov 2017 - RTP Play - RTP

Ver a partir do minuto 37...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O comunismo de matriz soviética nasceu assim: de uma traição e de uma aventura

Artigo de Pedro Soares Martinez do O Diabo de hoje:


Ao contrário do que escrevem os esquerdistas de diversos matizes, o romantismo da Revolução Russa em que foram os operários e camponeses mais soldados e marinheiros que depuseram o regime czarista é um mito. 
A verdade é que Lenine e mais dezoito capangas triunfaram porque não houve quem lhes fizesse frente, na Rússia de então. Chegou lá de combóio pago pelos alemães, depois de um exílio na Suíça neutral, com bolsos cheios de dinheiro dado pelos alemães, particularmente o imperador Guilherme II, primo de Nicolau que assim o traiu por causa da guerra.

E começou assim o comunismo soviético. O resto é mito e lêndia.

As "cheias de 1967" no Sapo: a mistificação

Artigo politicamente correcto, para denegrir Salazar e o Estado Novo, no Sapo. O jornalismo em Portugal aprende-se assim e faz-se assim. Se assim não for não há trabalho para estagiários nem emprego em jornais e meios de comunicação. Quem manda são as madrassas habituais da esquerda.




segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Depois da bandalheira, o excesso de zelo...

 Advogados que comentem processos judiciais serão punidos

Comunicado assinado pelo presidente do Conselho Regional de Lisboa e de Deontologia da Ordem dos Advogados relembra que falar sobre casos concretos dá direito a processo disciplinar
A Ordem dos Advogados (OA) relembra aos advogados que falar sobre processos mediáticos pode resultar em processos disciplinares. O comunicado – assinado conjuntamente líder do Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados António Jaime Martins e pelo representante do Conselho de Deontologia Paulo Graça – foi esta segunda-feira enviado aos advogados.
Os líderes da OA admitem que se têm “vulgarizado as intervenções televisivas protagonizadas por advogados sem o necessário enquadramento estatutário, designadamente a propósito de processos mediáticos”. E sem a autorização prévia que o Estatuto da OA obriga do respectivo líder da distrital.

O Araújo&Delille já estão a rir-se disto...e até que se veja alguma coisa, também acho piada a esta grandiloquência vazia.

Fizzica das partículas

O CM de ontem dava eco a notícias do Sol de anteontem. Assim:

No caso que envolveu o procurador Orlando Figueira, acusado de se ter deixado corromper por uns angolanos dispersos em actividades que o Estado português do MºPº entende serem de corrupção, mesmo sem provas directas de tal facto, o CM aponta o dedo a Proença de Carvalho como corruptor-mor. Será no caso, mesmo indiciado através destas intenções processadas? O advogado diz que nunca, jamais em tempo algum corrompeu alguém do DCIAP, sequer o referido Orlando. Fica assim, aqui.

O Sol explicava assim, apresentando a versão de um dos arguidos, o advogado Paulo Blanco:



Quem isto ler, pode perceber duas coisas essenciais: se houve corrupção neste caso, tal não foi toma lá dá cá,  nem sequer se torna coisa evidente por causa do que já escrevi por aqui. Proença pode mesmo estar envolvido e afinal nem existir corrupção alguma, por causa do que já abordei aqui acerca de Rafael Marques, o pivot destas denúncias envolvendo altos dignitários do Estado angolano que se vêem na posição de arguidos de delito comum, em Portugal.

A questão é esta:

Rafael Marques disse numa entrevista, já o processo tinha as pernas para andar que ainda mantém que afinal o motivo da acusação pode não ser o verdadeiro e que fundamenta a acusação, de modo a que se o não for também a acusação não poderá sustentar-se em julgamento.
Ocorreu-me tal coisa ao ouvir uma entrevista do opositor angolano Rafael Marques, em 28.2.2017, sobre o assunto Manuel Vicente-Sonangol-vice-presidência do Estado angolano, branqueamento de capitais, compra de apartamentos na Estoril Residence, por membros da elite angolana.
 Antes do mais torna-se interessante reparar na afirmação do jornalista Rafael Marques, activista da oposição angolana, que disse claramente ter sido o antigo administrador da Sonangol, Manuel Vicente, chamado à vice-presidência angolana como meio de o presidente José Eduardo dos Santos o controlar mais de perto. "Ali foi o fim de Manuel Vicente", disse Rafael Marques.

A segunda coisa fia mais fino e é mais complexa, subtil e perigosa: a corrupção para existir não precisa de contrapartidas imediatas...e se for verdade o que Paulo Blanco diz do DCIAP, o melhor é reformar a coisa de alto a baixo. De alto a baixo!

E deixar o procurador Orlando em paz porque afinal se deixou envolver numa teia que acabou por o envolver sem grande possibilidade de defesa.

Estou certo que tudo isto vai ressaltar no julgamento e as actuais aparências podem revelar uma realidade bem diversa.

Os indícios já foram apontados e as insídias ainda não se desvaneceram. Tal como no princípio de Peter, há um nível a partir do qual as pessoas se revelam tal qual são. Sendo essa a verdade, é bom que se conheça.

Tal como então escrevi o Estado não deve ser isto e muito menos o Ministério Público.

O patético Peixoto, aka Miguel Abrantes

No Observador transcreve-se o que o blogger do Câmara Corporativa teve que expelir aos investigadores do caso Marquês por causa da sua actividade pro bono em relação a um certo PS, durante alguns anos ( 2012-2014).

Transcreva-se o transcrito:

Peixoto, que ficou conhecido com o pseudónimo de “Miguel Abrantes” com que assinava os seus textos ácidos no “Câmara Corporativa”, apresentou-se como ex-funcionário da Direção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI). Diz ter sido o mais jovem diretor de sempre da DGCI, quando foi nomeado nos anos 80 para ocupar o cargo de diretor do Gabinete de Auditoria do Serviço de Administração dos Impostos sobre o Rendimento — departamento que veio a ajudar à introdução dos novos impostos criados após a entrada de Portugal para a Comunidade Económica Europeia em 1986: IRS e IRC. Posteriormente, passou a ser Diretor do Gabinete de Auditoria da DGCI — hoje Autoridade Tributária.
 António Costa Peixoto, e o seu filho António Mega Peixoto, são suspeitos da prática do crime de falsificação de documento por terem assinado dois contratos com a empresa RMF Consulting, de Rui Mão de Ferro (colaborador e sócio de Carlos Santos Silva), por serviços fictícios para receberem cerca de 79 mil euros. Na verdade, acredita o MP, o pagamento de tais valores serviram para remunerar Costa Peixoto por diversos “serviços ao arguido José Sócrates entre 2012 e 2014”, como, por exemplo, o envio dos mapas de audiência do programa “A Opinião de José Sócrates” na RTP 1″, o apoio na “revisão do livro ‘A Confiança no Mundo'”, a “publicação de textos no referido blogue [“Câmara Corporativa”]” de apoio a Sócrates e de ataque aos seus adversários e com o “envio de notícias sobre a atualidade, designadamente política”, lê-se no despacho de acusação.
No despacho de extração de certidão, a equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira vai mais longe: “António Manuel Peixoto, sob o pseudónimo ‘Miguel Abrantes’, redigia e publicava nesse blogue [‘Câmara Corporativa’] textos nos quais veiculava as posições pessoais de José Sócrates, de acordo com os interesses políticos deste”. Suspeita que, após muitas insistências no mesmo sentido durante a sua inquirição, causaram indignação a Costa Peixoto.

E nas escutas resultam coisas que o mesmo comenta em documento oficial:

António Costa Peixoto: “Ele [José Sócrates] veio cá numas férias de Natal de 2012 e um amigo comum convidou-me para conhecer o eng. Sócrates.
Rosário Teixeira: E quem era esse amigo comum?
António Costa Peixoto: Era o dr. Filipe Batista (…) ele [Filipe Batista] me fala e disse assim… estava um dia de sol, ‘eu quero-te apresentar uma pessoa’… (…) o almoço foi todo à volta de que já tinha terminado a tese… a tese… terminado a tese não, terminado a parte dos trabalhos de preparação e … (…) esperava que aí nos próximos três meses tivesse essa tese pronta… até me lembro, foi num restaurante de um hotel em Paço de Arcos.”
Depois de o conhecer, José Sócrates terá enviado o rascunho da tese que viria a apresentar no Institut d’Études Politiques de Paris para ouvir a opinião de Costa Peixoto sobre o texto.
António Costa Peixoto: “Caí no erro de ler aquilo de supetão… li aquilo tudo de supetão e fiz-lhe uma série de emendas na tese, mas coisas de vírgulas, ortografia, de… coisas de… não foi de substância, foi de forma… (…) devo ter falado, a partir daí, dias e dias ao telefone, horas e horas ao telefone com ele.
Rosário Teixeira: Mas sobre a correção da tese, era isso?
António Costa Peixoto: Da tese, da tese… e foi a partir daí que depois da… depois da… da tese que se criou uma certa maior aproximação comigo e com ele… (…) o engenheiro Sócrates é um bocado desorganizado… eu sou muito desorganizado em muita coisa, mas em termos de trabalho não sou, e fazia-lhe as emendas… as sugestões, não era emendas…, tipo até coisas pequenas, quer dizer, coisas… não se escreve, não se escreve… quando é que “demais” é junto ou quando é “de mais”… lembro-me que foi uma coisa que eu até lhe mandei [para Sócrates], mandei-lhe uma coisa do Ciberdúvidas “veja aqui a diferença entre o ‘demais’ junto e o ‘de mais’ separado” que ele tinha lá na tese (…) tanto é assim que ele no fim disse-me: ‘Eu queria agradecer-lhe, não sei como é como hei-de pagar o trabalho que teve’. E eu disse-lhe: ‘Olhe, nem pense nisso’, isso foi pelo telefone, ‘nem pense nisso, isso foi por consideração por si e por amizade … mais nada'”.

Portanto este Peixoto por causa do filho deixou-se corromper, aparentemente. Não o vitupero por isso, mas enfim, tenho pena.
O Peixoto foi um bravo blogger no tempo anterior a isto, na meia dúzia de anos anteriores em que escrevia laudas ao governo do vigarista que agora foi exposto e já na altura o era, com todos os indícios de tal mas que muitos, incluindo o Peixoto, se recusavam aceitar como tal.

Parece que afinal o Peixoto será mesmo o Miguel Abrantes do blog Câmara Corporativa e que eu por várias vezes recusei identificar como tal, por um motivo: havia vários escribas no tal blog, sempre de ataque à oposição ao governo do tal vigarista e com bons argumentos e discussão por vezes muito profícua.

Atacaram magistrados e supostos privilégios dos ditos,  e uma coisa de que agora me lembro e vou repristinar: quando o MºPº do DCIAP e Rosário Teixeira em particular arquivaram o processo relativo a  eventual tráfico de influência que abrangeu o caso dos 2500 sobreiros abatidos em Benavente. O Câmara Corporativa rasgou as vestes e deu discussão, como outras aliás.

Por isso tudo, tenho respeito por esse tempo do António Peixoto se o mesmo for mesmo o Miguel Abrantes, o que continuo a duvidar mesmo com isto transcrito:

António Costa Peixoto: O elo de ligação com Pedro Silva Pereira foi uma coisa que… que teve graça… não é uma pessoa particularmente simpática (…) ele mora, pelo que percebi, em Cascais (…) E um dia vi-o no supermercado… e … fui ter com ele e disse-lhe: “Olha, eu sou o Miguel Abrantes”. Ele ficou assim um bocadinho… não percebeu se era provocação, se não era… Não foi muito expansivo a conv… (…) depois vi-o uma vez a seguir num café onde costumo ir por que é ao lado do supermercado. E aí ficamos um bom bocado à conversa. Depois trocamos… trocamos telefones”.

Mas pronto. Se for mesmo o Miguel Abrantes, gostará de ouvir folk music e aqui fica uma solidariedade blogueira de amizade pelo que aconteceu antes de 2012. Depois, é uma vergonha, de facto. Mas tem o filho...e isso há muitos que não resistem à tentação.

ADITAMENTO:

Tudo tirado daqui, que em devido tempo identificou os frequentadores da loca infecta que dava pelo nome Câmara Corporativa:


Esta foto terá sido tirada por um tal Vítor Sancho, um espertalhoso que anima o blog que lhe empresta o nome adequado: Jumento. Ou seja, uma mula da Corporativa. Resta saber se esta alimária não é paga por dinheiros públicos para louvaminhar o governo que lhe agrada. Se o for será apenas mais um chulo, dos de tipo fino, mas nem por isso menos rasca.
A dignidade desta gente aparece agora exposta nos autos do processo Marquês...et pour cause:



Delinquentes da ética, aprimorados na guerrilha politiqueira. Se receberam por conta de dinheiro desviado do Estado, delinquentes de delito comum, simplesmente. Não me admirava nada.


O jornalismo de investigação requentada do Público serve para quê?

Isto deve ter-se passado assim e se não foi poderia ser...

O Público de hoje tem a capa com esta notícia gorda:






Ontem, quem estava de serviço na redacção deste jornal cada vez mais apasquinado, deve ter matutado na notícia que iria colocar na primeira página. Havia uma, inevitável: o Costa enquanto presidente da Câmara tinha objectivamente autorizado uma recepção junto aos mortos excelentíssimos no Panteão, em 2013. Como tinha dito que tal era coisa indigna, a notícia era de manual porque era o homem a morder o cão.
Mas...o Público não quer chatices como poder do Costa e não faz ondas porque o Dinis ou quem o substitui precisa de emprego futuro e nunca se sabe.
Logo, Tecnoforma! Bingo! Um artiguelho de António Cerejo que é confrangedor pela pobreza noticiosa e pelo vazio do assunto de fundo. Sobre o Costa e o Panteão? Nem uma linha...

Vejamos então o assunto Tecnoforma que em escutas do Marquês já deu para entender que era caso político, acima de tudo. Logo, o Público está na corrida neste jornalismo de causa já ganha, mas nunca se sabe o que virá e o melhor é continuar a malhar no Passos mesmo que o motivo seja inócuo, irrelevante ou até despiciendo, como este já é desde há muito tempo.



A notícia de fundo assenta numa novidade antiga: o Ministério Público investigou a denúncia que uma Ana Gomes mandou seguir desde Bruxelas, contra o famigerado Passos da troika e da austeridade e encontrou nada que lhe pudesse apontar em modo criminal. Zero. Nada. Quanto ao seu ministro plenipotenciário, da altura, Relvas de apelido e a quem cassaram o título de licenciado ao contrário do que fizeram ao outro que anda por aí a viver à custa de alguém, o que nunca incomodou particularmente o Público, o MºPº arquivou igualmente o procedimento criminal porque nada encontrou de penalmente censurável. O Público em vez de esclarecer o leitor devidamente sobre isto tergiversa e titula: "eventual abuso de poder de Relvas prescreveu". O "eventual" nunca passou disso e quando o MºPº arquiva fá-lo porque não recolheu elementos suficientes para acusar seja quem for. Mesmo assim, adiantou que ainda que tivesse recolhido, o assunto estava prescrito. Isto é muito diferente do que o Público escreveu, mas é este jornalismo que temos.

Quanto ao mais, basta ler o artigo de José António Cerejo, muito lamentável, tendencioso e de duvidosa intencionalidade, o que diminui a integridade profissional seja de quem for, mormente de um jornalista.

Qual o mote principal? O Ministério Público arquivou o processo. A entidade europeia que investigou os factos, entendeu na altura que havia indícios de crime plausível se se confirmassem as suspeitas de que os envolvidos ( Relvas, Passos Coelho, indirectamente e Paulo Pereira Coelho) tinham influenciado as escolhas e aprovar um projecto de formação em detrimento de outros. É esta a matéria em causa, o coração das trevas que Cerejo entrevê na investigação do OLAF ( o organismo administrativo europeu que analisou papéis) .
Mas...em vez de ler tudo e repensar o escrito , conclui erradamente, muito erradamente, que afinal o MºPº tem uma versão e o OLAF tem outra. Ora não é assim.

O que  o OLAF conclui é que podem existir indícios de crime se se confirmarem certas suspeitas que objectivamente se apresentam. Porém, escreve e o jornalista transcreve sem perceber todo o alcance que " trata-se de uma matéria que ultrapassa as competências do OLAF".

Mais: o próprio jornalista dá conta que as investigações posteriores do MºPº com intervenção de consultores técnicos e policiais, deram em nada porque nada se apurou de concreto, divergindo as conclusões, substancialmente do que o tal OLAF dissera.
Conclusão implícita do jornalista: o OLAF é que tem razão e os demais investigadores não. Enfim.


Ou seja, o Ministério Público investigou para além do que o OLAF poderia ter feito e chegou a conclusão diversa, assentando na ausência de indícios da prática de crime. Ponto final, porque nem houve reabertura de inquérito ( o Público poderia ter-se constituído assistente e assim o requerer...) nem novas provas suplementares. Não são estas que agora o Público vem requentar que terão esse efeito, aliás.


Tudo isto se torna claro, menos para o Público e o seu vergonhoso director que anda nestas poucas-vergonhas há anos e não tem emenda. Se calhar acha que isto é que é jornalismo de investigação: aquele que tem sempre os destinatários certos em mira, pejados de argueiros e desvaloriza as traves que vê todos os dias noutros destinatários que não lhe interessa nada investigar. Por exemplo, António Costa, sobre o apartamento da Av. da Liberdade. 

Portanto, isto não é jornalismo de investigação. É apenas jornalismo de causas. Erradas, ainda por cima. 









domingo, 12 de novembro de 2017

O Costa é burro, distraído ou apenas palerma?

Parece que o Costa se precipitou...



O tipo diz que não sabia...ahahaha! Que grande palerma! E que tiro no pé.

De resto o que António Costa tem a responder está aqui bem exposto,no blog Corta-Fitas:

Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro,
Confesso que não sei porquê, nem poderei dizer que apenas porque me caiu mal o jantar, já que não jantei, lembrei-me de uma frase corrente e, sem que mais uma vez perceba porquê, lembrei-me imediatamente de si quando a frase me surgiu na cabeça:
"Tarefas delegam-se, mas responsabilidades não".
"Artigo 26 dos estatutos da Associação de Turismo de Lisboa
1) Compete à Direcção:
...
b) Orientar a actividade do Turismo de Lisboa;
...
d) Aprovar, sob proposta da Comissão Executiva, os planos de actividades e orçamentos, bem como os relatórios de gerência, balanços e contas do exercício a submeter à Assembleia Geral;
...
Artigo 28
1) A Comissão Executiva é constituída pelo Presidente da Direcção (em 2013, Vossa Excelência), pelo Presidente Adjunto da Direcção e pelo Director Geral.
2) Compete à Comissão Executiva:
...
c) Aprovar as propostas de planos de actividades e orçamentos, bem como os relatórios de gerência, balanços e contas do exercício a submeter à Direcção"
Senhor Primeiro Ministro, é evidentemente impossível não cometer erros no exercício de cargos tão absorventes, sobretudo quando em simultâneo, se é Presidente de Câmara em regime de exclusividade, Presidente do Turismo de Lisboa e ainda se tem o intenso labor intelectual inerente à tarefa de comentador residente de um programa de televisão pelo qual auferia, a justo título de direitos de autor, 7 mil euros por mês, valor de naturalmente reflecte o seu empenho na tarefa, tendo como referência o ordenado de 5 mil euros para exercer, em regime de exclusividade, o cargo de Presidente de Câmara.
Erros são, portanto, perfeitamente admissíveis.
Mas enjeitar as responsabilidades pelos erros, francamente, Senhor Primeiro Ministro, isso é que já seria dispensável, não por causa de um jantar sem grande importância, mas porque tendo feito um cesto, o natural é que faça um cento.

Mais achas para a fogueira que nunca se acenderá porque os media mais influentes- tv´s-  calam e consentem, sendo esta a verdadeira Censura dos tempos que correm:
 
O programa dos f.ounders — eventos paralelos à Web Summit exclusivos para presidentes de empresas — incluía desde o início a localização do jantar de sexta-feira: o Panteão Nacional, avança o Eco. O jantar estava na agenda do evento e segundo a mesma publicação terá sido enviado a membros do governo e entregue em mão em conferências onde estavam governantes.
O programa incluía um cocktail no Palácio das Necessidades e um jantar no Palácio da Ajuda na quinta-feira, nos quais esteve presente o primeiro-ministro António Costa. Ao Eco, os participantes do jantar no Palácio das Necessidades confirmaram que tinha sido entregue uma agenda em papel a quem estava presente. Entre os convidados estavam nomes como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, “além de uma dúzia de secretários de Estado” e o primeiro-ministro que chegou depois.

Pedro Nuno Santos com cara de Porsche e a empresa do papá




O socialista Pedro Nuno Santos é um enigma democrático. É da região de Aveiro e enquanto político do PS é considerado um dos braços direitos do Costa que aliás tem vários, numa espécie de deusa vishnu da terra de onde a ascendência é natural.

Este Nuno Santos aqui há uns meses e o ano passado pela mesma ocasião, foi à Festa do Avante  ( imagem acima, junto com o comunista Tiago que não é o Oliveira e que não sendo da Figueira  também vende a ideologia a pataco) e declarou urbi et orbi que "o PCP é um grande partido da democracia portuguesa, esta é uma grande festa e é com um prazer muito grande que posso vir aqui, a título pessoal, não em representação de ninguém, nem do Governo" .

É considerado um dos mentores da Geringonça e agora saiu esta notícia curiosa, no mínimo. É do Correio da Manhã de hoje e aposto que vai ficar por aqui e ninguém vai querer saber como é que este figurão que elogia tanto o "partido dos trabalhadores portugueses" e se comporta como um burguês de alto coturno sendo filho de outro ainda maior, tem tanto dinheiro num partido de pindéricos que para justificar pertences e rendimentos se vêem sempre à rasca  e só arranjam explicações patéticas.



O perfil biográfico deste Nuno Santos é muito parco em elementos sobre quem é e de onde veio...o que aguça a curiosidade.

Foi este finório formado em Economia (?) que um dia disse que tínhamos uma bomba atómica que era do tempo do "não pagamos, não pagamos" e que se a usássemos como tal,  os banqueiros alemães até  ficariam com as pernas a tremer. Esta qualidade intelectual do indivíduo qualificou-o para o governo que está...o que diz quase tudo do que é.

O pai tem um Maseratti? E que faz na vida um pai assim rico que tem um filho tão prendado? "Sinais errados"?
Nada como uma pequena averiguação do Correio da Manhã para descobrir a careca a estes hipócritas.

ADITAMENTO:

Este socialista que convive com comunistas e esquerdistas inimigos da iniciativa privada, é filho do administrador da Tecmacal, de S. João da Madeira, Américo Santos, por sua vez também muito PS e que vive muito de "contratos públicos", como este.

Mas há mais e muito e muito mais. Centenas e centenas de milhar de euros de adjudicações a instituições públicas, como Institutos Politécnicos por todo o país e a GNR, curiosamente, ou não.  Uma vergonha e assim se percebem os Porsches e os Maserattis...

 Para além dos seus armazéns de venda directos (em S. João da Madeira, Felgueiras e Benedita), o mercado conta ainda com uma rede alargada de revendedores da Tecmacal e ainda com várias empresas, onde directa e/ou indirectamente, participa no respectivo capital social, que complementam a oferta de produtos de que os seus sectores de actividade necessitam.

A Tecmacal conta com mais de 35 anos de existência e nasceu fundamentalmente orientada para o sector do calçado. Sendo também por esta razão que optou por se localizar em São João da Madeira, área reconhecida no país e no estrangeiro pela tradição laboral no sector do calçado. Centrando as suas competências na oferta de um leque alargado de maquinaria, aliada a uma assistência pós venda qualificada, com o objectivo de abranger todo o mercado nacional, a organização da Tecmacal, rapidamente constitui filiais nas cidades de Benedita (Sul) e em Felgueiras (Norte), regiões também fortemente associadas ao sector do calçado.
O crescimento de competências da Tecmacal permitiu que esta se afirmasse no mercado como uma organização especializada na montagem de unidades de fabrico completas, oferecendo uma vasta gama de maquinaria, que abrangem operações de pré-produção, produção, acabamento, ar comprimido, design e modelação do produto.
O decrescimento do sector e a respectiva realidade inegável da futura continuada diminuição, levaram a que a Tecmacal reorientasse a sua actividade produtiva e comercial. Neste sentido apetrechou-se de meios técnicos e humanos para produzir e vender bens de equipamento para a indústria em geral.
Actualmente a Tecmacal conta já com um vasto número de máquinas instaladas em múltiplos sectores de actividade para além do sector do calçado. Conseguiu-se assim alcançar o objectivo de permanecer no sector do calçado como empresa líder e ao mesmo tempo entrar e conquistar quota de mercado noutros sectores de actividade industrial.
A Tecmacal oferece uma carteira de produtos que lhe permite manter a liderança no sector do calçado, satisfazer necessidades industriais de qualquer sector de actividade, designadamente através da linha de compressores e sistemas de aspiração que fornece e ainda assumir uma posição destacada na oferta de bens de equipamento para a execução de operações de corte, fresagem e gravação (equipamentos CNC) em sectores de actividade como mobiliário, metalomecânica, publicidade, moldes, sinalética, serralharia e automóvel.

A Tecmacal nasceu em 1975. Seria interessante saber como começou. Muito interessante e como é que o seu administrador é socialista com um filho amigo de comunistas que são inimigos de classe, segundo a sua própria ideologia.

É fácil de entender: tudo indica que este Pedro Nuno Santos será um farsante. Mais um.

Como aqui se escreve é um parasita, segundo a terminologia daqueles a quem deu guarida no governo e na Geringonça. Mais um:

 Diz a sabedoria popular que ‘Pelo andar da carruagem se vê quem vai dentro dela’. Analisemos, portanto, a biografia do senhor deputado Pedro Nuno Santos, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, escrita pelo próprio.

Pela mão amiga de José Sócrates, entrou para a Assembleia da República aos 27 anos.
Listou entre os cargos até aí exercidos o ter sido presidente da assembleia de freguesia de S. João da Madeira e presidente da mesa da reunião geral de alunos de um instituto de ensino superior.
Lista como cargo que desempenha vereador da Câmara Municipal de S. João da Madeira. Esqueceu-se de acrescentar ‘sem pelouro’ e substituído quando veio para o parlamento. Ajuda a engrossar o currículo.
Pelos vistos, o senhor deputado é mais um mau produto da escola pública das últimas três décadas. Não lhe ensinaram a trabalhar, o emprego na Tecmacal foi-lhe concedido pelo seu pai, o empresário Américo Augusto dos Santos. Agora procura subir na política pela vereda fácil da demagogia.


 Como parasita, segundo a terminologia dos partidos a que deu guarida, pode andar de Maseratti do papá e ter um Porsche com o dinheiro do papá. Em Setembro do ano que vem pode voltar à festa do Avante e repetir que o partido que lhe nacionalizaria a empresa se fosse poder, é um partido essencial à democracia que ninguém lhe pergunta o sentido da contradição.

Mas respeito político, por si e pelo que representa não merece nenhum.Lembra-me demasiado o rapaz Penedos que também andava de Lamborghini ou coisa que o valha porque o pai assim permitia e depois lhe chamou nome feio...

A miséria escondida do jornalismo nacional: a verdade que se lixe!

A propósito da efeméride dos 50 anos, das cheias de Lisboa, o Público dá hoje para o peditório da ignomínia um artigo, desta vez de outra jornalista, Margarida David Cardoso, estagiária do Público até há uns meses e que promete na profissão: já escreve como os mais velhos e assimilou todas as ideias politicamente correctas sobre o tenebroso Estado Novo do terrível ditador, António de Oliveira Salazar. Este é o teste que todos os jornalistas estagiários devem passar a fim de integrarem o quadro redactorial do jornal patrocinado e subsidiado integralmente pela Sonae, do vetusto Belmiro de Azevedo que não tem vergonha disto.Ufa, que parágrafo longo e penoso!


Em primeiro lugar,  a estagiária deste antifassismo militante descobriu que "foi a lama que pôs a descoberto a miséria que Salazar escondeu". Deve ter pensado com os botões da albarda ideológica que era um título e pêras, doces ainda por cima, para a redacção que a orienta e dirige, com o Dinis, Dinis, alguém assim quis.

A ideia que perpassa por todo o artigo é arrimar o salazarismo e o Estado Novo numa vala comum de ignomínias, expelidas para o gravador pro alguns entrevistados a dedo.

Em primeiro e último lugar a escritora de contos infantis Alice Vieira, que foi casada com Mário Castrim, cronista de TV do Diário de Lisboa, no tempo do fassismo e um comunista que a falecida Vera Lagoa catalogou num livro da época chamado "revolucionários que eu conheci". Alice Vieira, em 1967 ainda não conhecia o Castrim, mas lembra-se desse passado tenebroso   que escondia catástrofes naturais como quem esconde agora relatórios inconvenientes da Protecção Civil.

Não obstante as provas gráficas e impressas que atestam a gravidade da aleivosia, continua a campanha, agora a cargo de estagiárias do jornalismo que temos, aprendido nas madrassas do costume.
Um dos clérigos dessas seitas é o jornalista João Paulo Guerra, um dos que teve a chave do 25 de Abril e abriu as portas à nova era em que andamos e que aparece citado no artigo.

O mote é este: Salazar escondeu a tragédia porque não deixou, quer dizer, a Censura que havia não deixou, contar os mortos e dizer quantos eram. Quando chegaram aos 400 e tal, parou a contagem, segundo conta a estagiária. Já era demais e o povo leitor de jornais não precisava de saber tanto! Hoje, sabe-se tudo, menos os nomes dos mortos porque tal não se pode dizer uma vez que ofende a memória da vítimas. Não é censura, por isso, mas outra coisa mais democrática que a antiga ministra do MAI, em ténis, sabe bolar.
E quanto a fotografias, alto lá e cuidado!,  porque se fossem chocantes para o regime não se publicavam! Tal como hoje, aliás, mas por motivos mais democráticos, como seja o ar do tempo ou o "espírito da época" que agora não deixa...
Podem consultar-se, no entanto,  os jornais da época e confirmar tudo para saber se era assim. E o problema é que não era mesmo. Portanto, o jornalismo nacional actual, de estagiário ou de macaco velho, é pobre e podre. Miserável, numa palavra!

Mas demos a palavra à estagiária que nem escreve muito mal a redacção que lhe incumbiram de fazer e que ás tantas ainda vai ganhar um prémio pelo esforço:



Qual o jornal consultado para o efeito pela redactora estagiária? O Diário de Lisboa, voilà! Onde vicejavam as mentes da oposição comunista ao regime, incluindo o tal Castrim. O Ruella Ramos que mandava na chafarica, aliás bem montada graficamente, pouco tempo antes de 25 de Abril de 1974 repristinou outro pasquim de antanho, Sempre Fixe,  que se tornou logo a seguir um órgão oficioso do PREC e da tragédia que se evitou in extremis.

O Diário de Lisboa era apenas um dos jornais da capital. Havia ainda, em 1967, outros, como o Diário Popular, mostrado no postal abaixo, com várias edições sobre a tragédia, o República, do socialista maçónico Raul Rego, e evidentemente os que o regime apaparicava, como O Século e a Época. Isso para além das revistas, como o Século Ilustrado e a Flama.
A estagiária, porém, só se interessou verdadeiramente pelo Diário de Lisboa, então um farol de objectividade, isenção e imparcialidade jornalística relativamente ao regime do Estado Novo e de Salazar.  E também menciona en passant, o Diário de Notícias, o oficioso que contava o número dos mortos e que eram reduzidos segundo os contadores oficiosos, um certo Joaquim Letria ( outro comunista feito e desfeito a seguir, ao contrário do irmão José Jorge que sempre se sentiu refeito) e um certo Fernando Assis Pacheco que detestava Salazar como os maometanos o toucinho por motivos que o mesmo explicava em crónicas bem escritas, aliás.
Estes contadores de mortos oficiosos,  feitos como aquela empresária de Pedrógão que contava mais de 100 mortos através do método clássico da impressão que sim, calculavam em 700 o número incerto quando as estatísticas oficiais indicavam para aí 500. O resto, segundo a escritora-mulher do Castrim foi censurado pelo Salazar que não queria aumentar o número de mortos para mais 200. Era demais, segundo a tal que cita autores consagrados da história do fassismo como sejam um tal Miguel Cardina e um tal Francisco da Silva e Costa, num livro escrito a preceito.

A escritora de infantilidades, mulher do Castrim só "queria gritar às pessoas: vejam lá o que está a acontecer às portas de Lisboa!", mas a Censura não deixava como mostram as imagens das páginas do Diário Popular que aqui publiquei.

Foi nessa altura que a tal escritora descobriu a miséria das pessoas que viviam nos bairros clandestinos. Até então nem se tinha dado conta e a culpa, a culpa era toda, todinha do Salazar. Em Pedrógão, não, não foi do Governo, porque a culpa não é democrática .

Ela, escritora imaginativa percebeu então, em 1967, quando tinha 24 anos e se preparava para apaixonar por um Castrim 23 anos mais velho que havia miséria no mundo salazarista. E mais: " a ditadura não permitia que fosse conhecida", essa é que é essa! Maldito estado novo do velho Salazar!

Como isto é demais e já fede tanta miséria jornalística, fico por aqui.  Esta gente não aprende nunca e prefere viver de mitos e lendas. Desde que lhe alimentem o ordenado e vidinha.

A verdade que se lixe!